Somos todos loucos aqui

E eu poderia ser a Imperatriz da Insanidade, pois estamos em dezembro e eu estou fazendo o quê? Isso mesmo, entrando em mais uma enrascada com as migas de blog. A ideia das gurias, inicialmente, era fazer um BLOGMAS, que nada mais é do que um BEDA em dezembro. Porém, não vai rolar escrever todos os dias de dezembro, não. Tá calor demais pra isso. Portanto, me proponho a postar um dia sim, um dia não. Vamos ver até onde isso irá. 

Que o blog tá abandonado, todo mundo já percebeu. O que não perceberam é o porquê. Pois eu lhes direi: FINAL DE SEMESTRE. O final de semestre comeu meu tempo, minha criatividade, meu sono e meu blog. Foi uma correria pra escrever 3 artigos num intervalo de duas semanas (sendo que um deles foi escrito em apenas 5h e - nem eu acredito - consegui tirar 10 nele; nem me perguntem, não sei como - citando Chicó: não sei, só sei que foi assim), tirar uma nota acima da média em provas e fazer reportagens pra o laboratório de jornalismo em que trabalho. Mas hoje saiu a última publicação de notas e, minha gente, declaro encerrado 2016/2! 


Quer dizer, não, né. Porque acabou o semestre da faculdade, mas ainda tem um mês inteirinho de 2016 pela frente e eu tô o quê? Isso mesmo, eu tô morrendo de medo desse mês porque 2016 foi um combo de "Dalí encontra Tarantino". 

De mais a mais, vamos embarcar em mais uma loucura com as migas e esperar não morrer no processo. 

2016/2: a batalha final

Estava conversando tranquilamente com o namorado sobre alienígenas e teletransporte (eternamente à espera da nave-mãe ♥) quando ele fala: 
— Achei massa. 
— Eu não entendo essa gíria. Massa. Não faz sentido. O que isso quer dizer? SIM, EU SEI O QUE QUER DIZER. Mas de onde surgiu? Como as pessoas começaram a falar isso? 
— Gírias normalmente não fazem sentido. Ah, não sei. Vem de "tri massa". 
— Mas deve existir uma etimologia das gírias. Tudo tem um sentido. 

MIA, SUA LOUCA, PÁRA DE QUERER VER SENTIDO NAS GÍRIAS, SIM? 
AGRADEÇO. 


De volta à programação normal: final de semestre.
Tô há dias fazendo um artigo e minha playlist, no momento, toca Pérolas do Mion zoando clipes variados. Simplesmente porque já consegui enjoar de todas as músicas de tanto que elas me serviram de trilha sonora nos últimos dias. 

EU NÃO AGUENTO MAIS ESSE MALDITO ARTIIIIIIIIIGO!!!!!!!!
Mas, juro, tô bem. Tô controlada. Tô serena. Tô de boas. Estarei melhor ainda quando tiver o restante do maravilhoso artigo - que necessita de mais 5 páginas para ser concluído. No entanto, o prazo para entregá-lo vai até segunda-feira, também conhecida como a maléfica. Portanto, estamos como? Isso mesmo, estamos em completo desespero aqui.

~apenas Lestat me entende neste momento~ 

De volta ao trabalho.
Deusa, miajuda (a não dormir ou matar alguém durante o processo). 

Cordilheira dozinfernos

Cordilheira
Daniel Galera
Companhia das Letras
176 páginas
Ano de publicação: 2008 
Sobre o que é: Anita é uma guria mimada e pedante que escreveu um livro e, por motivos desconhecidos, fez sucesso como escritora muito cedo na vida, no início dos vinte anos. Ela namora esse cara, vive com ele e eles têm uma relação legalzinha e estável. Mas isso não é o suficiente pra Anita porque ela quer ser "apenas a mulher de um homem", cuidar da casa e parir um filho pra ser a mãe que nunca teve. O cara não quer isso naquele momento porque HELLO, E NOSSAS CARREIRAS, ACALMA ESSE ÚTERO, MULHER. Mas ela quer porque quer. Então termina com ele, vai pra Buenos Aires lançar a versão argentina de seu livro e decide ficar lá por tempo indeterminado pra ter o útero "esporreado" por um argentino qualquer. E é aí que começa a confusão.

Por que ele é bom? Não é bom. Ponto.
Mas vou ser justa e dizer que ao menos a escrita do Daniel People não é tão enfadonha assim e a leitura flui com facilidade. Não fosse isso teria jogado o livro pela janela do ônibus nas primeiras 10 páginas.

Por que ele é ruim? Senta que lá vem a história.
Pra início de conversa o livro é narrado em 1ª pessoa na voz de uma mulher - a dona Anita. Aí que o senhor Galera é homem. Tô dizendo que um homem escritor não pode escrever como se fosse uma mulher? Não. A arte é livre e não deve ter limites pra criatividade do artista. Mas tô dizendo que é sempre delicado quando um escritor escreve um romance em 1ª pessoa sendo a voz narradora a de uma mulher. Isso porque o cara tem que ser MUITO BOM pra conseguir escrever uma personagem feminina e, ainda mais, se colocar no lugar de uma mulher sem cair em clichês e misoginia velada.

Pois bem.
O senhor People queria escrever uma mulher porque, segundo ele, as mulheres modernas são tão mais interessantes do que os homens... Aí ele escreveu a mulher moderna: que quer apenas ser a mulher de um homem. Ter o útero esporreado por um argentino desconhecido. E parir uma criança. Tudo isso enquanto desfaz de suas amigas quando estão em crise depressiva. Legal, né?

~pavor define~
Não, nada legal.
O livro é um festival de misoginia e abuso. Eu literalmente segurei o vômito várias vezes durante a leitura. O que é impressionante, dado o fato de este ser um livro bem fininho, não chegando a 200 páginas.
Quando senti que ele estava prestes a gozar, tentei mantê-lo dentro de mim como vinha tentando fazer toda vez desde que tinha parado com a pílula, mas era sempre a mesma coisa, ou ele ignorava meus protestos e usava uma camisinha ou ele tirava para fora e gozava em cima de mim. Segurei sua bunda com toda a força, cravei as unhas, mas ele venceu de novo, o desgraçado escorregou para fora e gozou na minha barriga. Enquanto ele buscava um lenço de papel para me limpar, me imaginei recolhendo a porra com os dedos para finalizar o serviço sozinha. (pág. 18) 
Você conhece alguma mulher que tenha feito isso? Que tenha dado o golpe da barriga? Vilãs de novela mexicana não valem. Pois é, eu não conheço nenhuma. Mas Daniel Galera escreveu a mulher moderna, a mulher atual, a mulher independente: que existe apenas em sua mente.

Mas o livro não fica apenas nisso. Anita, de fato, vai pra Buenos Aires e lá conhece um fã de seu livro que é simplesmente obcecado por ela: José Holden, um cara misterioso e esquisito. Em menos de uma semana estão morando juntos e o cara a trata como se fosse apenas uma sucessão de buracos que servissem a seu prazer. Ela adora isso porque finalmente está, como ela mesma diz, encarnando a mulherzinha que há algum tempo fantasiava ser. Cozinha pra ele, limpa suas roupas, sua casa e cuida de seu cachorro. E à noite lhe serve com o corpo sem que grandes explicações tenham de ser dadas.

Um dia, ela conhece os amigos de Holden: um grupo muito caricato e estranho. Com eles descobre que Holden faz parte de um tipo de seita literária: todos eles são escritores que incorporaram seus personagens em suas vidas, chegando ao extremo de matar pessoas ou ao próprio suicídio para fazer jus à obra.

Aí cê pensa: a guria tá lá no meio de um monte de escritor maluco que VIVE a obra porque acha que essa é a forma mais real de ser um escritor: viver aquilo que se escreve, transpor as barreiras da ficção. Um belo dia, Holden pede pra que Anita o mate porque seu personagem morre no final do livro, imolado ao deus da literatura lá nas Cordilheiras. Se Anita fará isso ou não, não vou contar. Mas o fato é que: PERTURBAÇÕES. MUITAS. O livro é extremamente perturbado. E não, eu não julgo uma obra por ter personagens perturbados, mas todo esse desenvolvimento de ritual ao deus da literatura rola em apenas 70 páginas. As outras 100 são de pura misoginia e nojeira escrita, provavelmente, apenas para chocar.

É o antigo debate: até que ponto a literatura pode ir sendo apenas arte e não crítica ou mesmo parte do escritor? Galera, no livro, diz que:
A questão é que ninguém fica dois ou três anos escrevendo alguma coisa sem um propósito muito secreto e particular. Mesmo os livros ruins nascem de uma necessidade muito íntima. (p. 97) 
Não sei qual foi o propósito dele com esse livro, mas não quero acreditar que ele apenas quisesse retratar a mulher moderna como submissa, como uma pessoa que mais cedo ou mais tarde se dará conta de que o que necessita, na verdade, é de um filho, um marido e uma casa. Ser apenas e tão somente a mulher de um homem.

Se eu recomendo a leitura? NAAAAAAAAAAAO, pelamordadeusa, não! Mas, assim, se você quiser não serei eu a lhe impedir. Porém, pra mim isso não é um bom livro. Porque isso tem vários nomes: maternidade compulsória. Machismo. Patriarcado. Misoginia. Mansplaining. Mas não literatura.

Em um quote: 
Os argentinos se reproduzem por osmose, garantiam meus amigos que já tinham passado pela escruciante experiência de tentar seduzir uma argentina. Volta e meia eu trazia essa teoria à mente apenas para tentar afugentar a imagem que me perseguiu durante todo o voo para Buenos Aires, a de um homem meio narigudo, magro e atlético, com corte de cabelo estilo mullet, a barba por fazer, cheirando a cigarro, sussurrando cafajestadas em castelhano e despindo seu belo casaco de lã imitado de alguma grife nova-iorquina para então montar em cima de mim e meter com força até esporrear o colo do meu útero e então desaparecer da minha vida. 
 
Wink .187 tons de frio.