Meus filmes preferidos são filmes de terror (ou: o que ver no dia das bruxas)

~The Magic Circle, John William Waterhouse~

Quando eu tinha 5 anos, meus primos me trancaram na sala da casa da minha avó e colocaram O Exorcista pra rodar - naquelas fitas VHS antigonas. Obviamente eu morri de medo e fiquei semanas enxergando a Reagan aonde quer que eu fosse. Mas isso passou e me fez perder o medo de histórias apavorantes. Acabei pegando gosto pela coisa e agora estamos aí, já tendo visto praticamente todos os filmes do gênero e querendo mais. 

Eu realmente fico muito animada com o dia das bruxas. Não pela questão bruxaria e rituais e blablabla (sou cética demais pra isso), mas porque eu adoro essa temática do terror. No resto do ano sempre fico meio deslocada porque as pessoas costumam preferir filmes românticos, histórias bonitinhas e coisa e tal, mas eu não funciono nesse universo de coisas fofinhas. Amo demais terror e adoro uma boa história com sustos e mistérios e aparições. 

Coincidência ou não, meus filmes preferidos são de terror e eu vou listá-los agora porque vocês precisam ver essas coisas maravilhosas. 

O iluminado 


Ninguém vai me convencer de que esse filme não é bom. Tô 100% nem aí pra o fato de o Stephen King não ter gostado dele porque, olha, esse filme é GENIAL. Não é só porque é do Kubrick, apesar dele ter sido um ótimo diretor, mas porque a história é maravilhosa e as atuações são melhores ainda (JACK NICHOLSON, TE DEDICO!). 

Tudo se passa dentro do Hotel Overlook, onde Jack, Wendy e seu filho vão passar 5 meses de total isolamento cuidando do hotel durante o período de inverno - no meio de nevascas intensas e praticamente nenhuma comunicação com o mundo exterior. É a década de 80, então não tinha internet e essas distrações que a gente tem hoje. Coisas estranhas começam a acontecer e você se pergunta o tempo todo se é tudo loucura da cabeça do Jack ou se realmente há algo a mais naquele hotel além da família. 

O orfanato 


FILME DE TERROR ESPANHOL. Eu nem precisaria dizer mais nada porque, honestamente, pra mim não tem nada mais assustador do que espanhóis fazendo terror. Não sei se é a língua ou como eles sabem usar as cores e luzes, mas os filmes deles assustam mesmo quando não é essa a ideia (aliás, cinema espanhol = ♥). Mas esse é demais. 

Uma mulher compra a casa onde cresceu, que por acaso era um orfanato. Lá ela decide viver com seu marido, criando seu filho e tocando os dias. Só que acontecem coisas e fica a questão: o que diabos houve naquele orfanato pra ficar atormentando as pessoas 30 anos depois? Sensacional. 

It 


Nem me venham com esse novo It porque quem é Bill Skarsgård perto de Tim Curry? Tim Curry poderia interpretar uma árvore e ainda assim eu estaria aplaudindo fervorosamente porque pensa em ator bom. Eu sei que o remake tem todos os efeitos especiais e blablabla e todo mundo diz que é incrível etc e tal, só que o remake não tem o que o original dos anos 90 tem: terror psicológico. Ninguém supera o Tim Curry nessa. Por mais que os efeitos sejam toscos (apesar de que na época eram muito bons), o filme vale muito mais a pena só pelas atuações e pelo fato de não ser dividido em três mil e quatrocentas partes, mas ser inteiro. Tenho pavor dessas sequências infinitas e prefiro histórias que tu pode sentar e ver de uma só vez. 

A história todo mundo já conhece: palhaço assassino que na verdade é uma manifestação do mal e que mata criancinhas atormenta uma cidade se transformando no pior pesadelo da criança em questão até levá-la à loucura. É genial. 

O exorcista 


Esse filme me assusta até hoje, deuzôlivre. As atuações são convincentes demais e a ideia de que isso foi baseado em algo que realmente ocorreu é simplesmente assustadora. Sério, esse filme é perturbador. Estava conversando com o namorado dia desses pra programar nossa Super Sessão Pipoca Dia das Bruxas e ele me disse que as crianças de hoje não se assustam com esse filme porque não é o tipo de terror a que elas estão acostumadas. Mas eu sinceramente não consigo ver como alguém não se assustaria com o demônio possuindo o corpo de uma menina de 12 anos e fazendo ela se masturbar com um crucifixo. Sério. Perturbador. 

Todo mundo deve saber, mas sempre bom falar: Reagan é a menina de 12 anos que acaba sendo possuída por Pazuzu, o demônio, após dar uma de inteligentona e brincar com o tabuleiro ouija porque a internet ainda não existia naquela época. Coisas acontecem e padres aparecem lá pra tirar o demônio da guria, mas o troço desemboca pra um final que creeeeeeeeeeedo. Creio em deus pai. 

Insidious 


Se tem uma pessoa que sabe fazer terror hoje em dia essa pessoa é o James Wan. QUE MEDO DESSE FILME, CREDO. Já vi umas trinta vezes, mas toda vez sinto medo e fico olhando pra trás pra ver se está tudo bem, risos. 

Uma família acabou de se mudar pra uma casa nova e aparentemente está tudo bem, até que um dia o menino mais velho entra em coma e não sai nunca mais. Apesar de toda a busca por exames e médicos monitorando o guri, nada adianta. Então, coisas estranhas começam a acontecer e eles se dão conta de que a assombração não está na casa, mas sim no guri. ASSUSTADOR. 

Invocação do mal 2 


Eu tenho verdadeiro PAVOR de freiras, acho elas seres totalmente demoníacos e corro toda vez que vejo uma porque deuzôlivre. Aí vem o James Wan e me faz um filme com uma freira horrorosa que é um demônio terrível que atormenta as pessoas até matá-las. GENTE, QUE FILME TERRÍVEL. O primeiro eu nem acho essas coisas, mas esse segundo é demais. 

Novamente Lorraine e Ed Warren se metem num caso sobrenatural, mas dessa vez ele se passa na Inglaterra e é baseado em fatos reais, no caso Enfield Poltergeist, e as coisas são horríveis. Mesmo. 

A entidade 


TERROR COM CRIANÇAS. Gente, terror com crianças é algo sempre perturbador, mas esse é perturbador demais. Esse filme me deixa sempre com uma sensação de perigo constante, é terrível - e por isso recomendadíssimo pra o Dia das Bruxas. 

Ethan Hawke é um jornalista que descobre umas fitas de vídeo com gravações estranhas. Ele não se aquieta e vai investigar, mas acaba se metendo em matanças em série e algo muito maior do que ele poderia imaginar. VEJAM ESSE FILME. 

Cês já têm muita coisa pra ver, agora me deem mais recomendações porque filme de terror nunca é demais. ♥ 

As perguntas (ou como não fazer um livro de terror)

As perguntas
Antônio Xerxenesky 
184 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: Alina é uma guria que está fazendo doutorado em História das Religiões com ênfase em tradições ocultistas, mas que trabalha editando vídeos em São Paulo pra ganhar a vida porque não está fácil ter um diploma em História no Brasil. Nessas de edita videozinho, fica entediada, edita mais um vídeo, ela recebe uma ligação de uma delegada pedindo consultoria num caso bem bizarro. Aparentemente tem havido surtos psicóticos na cidade causados por uma suposta seita satânica. Alina se joga nisso e tenta ajudar, mas coisas acontecem e ela recomeça a ver as sombras misteriosas que ela via quando era criança. 

Por que ele é bom? Se eu tivesse de realmente destacar um aspecto bom dele seria o fato de que a escrita do Xerxenesky é muito tranquila de ser lida. Ele tem uma escrita fluída que só vai - tanto que li o livro em um dia; obviamente que o livro ter menos de 200 páginas contribuiu muito com isso, mas mesmo assim: parabéns, Xerxenesky, você tem uma linguagem bacana.

Também fiquei bem satisfeita ao perceber que a Alina é uma personagem que convence como mulher. Muitos autores homens, ao escreverem personagens femininas, transformam suas personagens em representações de estereótipos machistas terríveis. Mas Xerxenesky não faz isso e por conta desse ponto ele merece os parabéns. 

Se tivesse de escolher outro aspecto bom eu estaria em maus lençóis porque... bem, ele é um livro muito insatisfatório. Ao menos no que se propõe: ser um livro de terror. Não assusta e o terror que existe é muito mal construído. Mas explicarei isso melhor.

Por que ele é ruim? Quando terminei de ler esse livro fiquei em completo choque porque virei a página e NÃO TINHA MAIS NADA. A história é incompleta. Mas não é só isso. Parece que toda a construção é incompleta. A minha impressão foi que o Xerxenesky não sabia muito bem o que fazer com o universo que criou, de ocultismo e rituais em plena São Paulo dos dias de hoje, e aí decidiu simplesmente não fazer nada e parar por ali.

Posso estar enganada? Posso. A história pode ser uma alegoria sobre o vazio interior dos millennials e como eles buscam sentido em coisas aleatórias e nas quais nem acreditam muito? Também pode. (Inclusive, seria muito legal se fosse.) Mas acho mais provável que o autor simplesmente não tenha sabido conduzir sua história.

Ao final do livro é dito que ele pesquisou religiões ocultas, seitas, satanismo, bruxaria e blablabla por 2 anos pra poder escrever essa história. Aí ele escreve uma personagem que é DOUTORANDA nesse assunto em específico e que não entende bulhufas dele. As coisas mencionadas a respeito disso são o básico do básico que se encontra na primeira página do Google. Eu, que nem sou adepta dessas coisas (e sou bem cética, na verdade), entendo mais disso do que a personagem que deveria ser referência no troço. Por isso mesmo fiquei bem chateada com o livro. Achei que fosse ser muito legal, é uma temática que me chama atenção demais. Mas foi FUÉN. Muito fuén.

Se você cria uma personagem que já fez um mestrado e está fazendo um doutorado sobre ocultismo, o mínimo que pode fazer é realmente dar uma aprofundadinha no assunto. Não precisa ser expert, não precisa se iniciar na Alta Magia e fazer rituais e blablabla. Mas também não precisa ser tão raso a ponto de uma estudante de Jornalismo (eu), que nem participa dessas coisas mas que lê bastante e adora fazer matérias sobre religiões estranhas, ter mais conhecimento de causa do que a personagem em questão.

~Suspiria, filme dos anos 70 e uma das inspirações do livro~

Menino Xerxenesky, você tem potencial, mas precisa escrever sobre coisas que você conhece ou vai acabar se perdendo.

Eu queria muito, muito, muito ter gostado desse livro. Mas não foi dessa vez. Se a ideia era fazer terror, a única coisa que fez foi irritação. Mas é claro que isso não quer dizer que não vá funcionar pra você. Cada pessoa tem um gosto e quem sou eu pra dizer do que as pessoas deveriam gostar? Só diria se o livro tivesse misoginia, machismo ou qualquer coisa relacionada a preconceitos (racismo, homofobia e por aí vai), mas, como não é o caso, se jogue e veja o que cê acha. Pode ser que você goste bastante de um enredo nada clichê.

Você vai gostar se... curte um terror psicológico, é facilmente impressionável ou quer ler uma história diferente que se passa nos dias atuais.

Em um quote:

As religiões foram construídas em torno da morte, elas foram criadas para aprendermos a lidar com isso sem nos desesperarmos, e tem gente que diz que os filmes de terror também têm esse caráter utilitário de nos familiarizar com a violência e a morte. Porém, Alina se perguntou, o que fazer quando não acreditamos em deus algum, em Paraíso algum, quando até os filmes de terror se tornaram banais, e a morte na ficção não nos ensina mais nada. 

~livro recebido em parceria com a editora~

Vomitaram em mim no ônibus

E é por isso que eu odeio as pessoas. 

Estava eu lindamente e cansadamente tentando voltar pra casa após uma aula exaustiva sobre como fazer perguntas a pessoas que não querem revelar nada quando pego um ônibus lotado. Okay, os ônibus de Viamão, a cidade do inferno, estão sempre lotados, por essa eu já esperava. Mas havia um lugarzinho vago lá no fundo, no último banco. Fui até lá, obviamente, e sentei. Deu aquela sensação de alívio, já esperava poder pegar meu livrinho da vez pra ler mais umas 30 páginas até chegar em casa, quando...

UMA GARGALHADA ESTRIDENTE NOS MEUS OUVIDOS.

Estranhei. Senti um cheiro azedo. Não sabia de onde vinha. A gargalhada continuava a reverberar naquele ônibus cada vez mais lotado. Olhei pra os lados, não entendia o que estava acontecendo. Todos olhavam pra mim e pra o homem que gargalhava. Então ele olhou pra o chão e eu percebi:

ELE HAVIA VOMITADO EM MIM 


E TAVA ACHANDO MUITA GRAÇA DISSO 


Ele havia vomitado na minha saia toda colorida e bonitosa. Na minha sapatilha de lacinho. Ele vomitou na minha sapatilha de lacinho, cara. Quem é que vomita na sapatilha de lacinho de alguém e não pede desculpas?

Cês acham que em algum momento eu ouvi um pedido de desculpas? Nãaaaaaaaaaaaaao. Isso seria demais pra o cidadão viamonense. A única coisa que ouvi foi o som daquela gargalhada por cerca de 20 minutos - mas nesse ponto eu já havia levantado dali porque não sou obrigada, apesar de que minha vontade mesmo era de matar uma criatura daquelas, mas as pessoas são tão horrivelmente nojentas neste lugar que a errada seria eu e sem condições de lidar com uma população ignorante presa num ônibus sujo naquele momento.

Se ele estava bêbado? Duvido muito, já que não senti cheiro de álcool (ainda bem, essa desgraça é ainda pior pra tirar do que vômito simples).
O que eu acho de tudo isso? Acho que já cansei de ser pobre e ter de andar de ônibus com gente fedorenta, mal-educada e sem escrúpulo algum. O UNIVERSO QUE TRATE DE ME FAZER RYCA PORQUE JÁ CHEGOU ISSO DE USAR TRANSPORTE COLETIVO E SER VOMITADA NO PROCESSO.


Eu odeio demais essa gente, me tirem daqui.