Os seis filmes da minha vida

Tô numa daquelas fases em que não sei sobre o que escrever porque aquilo que eu queria dizer não posso já que nem sei o que é. INTP problems. E também tenho feito tanta coisa no trabalho nesses últimos dias - reportagens, entrevistas, cobertura de eventos etc. - que nem tive tempo pra parar e realmente tentar entender o que diabos estou sentindo e sobre o que quero escrever. Nesses momentos, a gente escreve sobre qualquer coisa bacana. O que, no caso de hoje, é sobre filmes. 

Não sou uma cinéfila propriamente dita e tenho até uma certa birra de quem diz sê-lo, mas curto assistir a uns bons filmes aos finais de semana, debaixo de cobertinhas fofas e cheirosas e com o namorado me servindo de travesseiro. E, mesmo não sendo essa pessoa que vê mais de vinte filmes por mês, tenho alguns que moram no coração por fazerem sentido e, sinceramente, num mundo louco como o de hoje que há presidentes como Temer aqui e Trump acolá, a gente precisa de coisas que façam sentido. Estes são os meus: 

1. The Rocky Horror Picture Show

Não falo muito disso aqui no blog, mas uma das obsessões da minha vida é ufologia. Eu tenho algumas obsessões: literatura, os Tudors, os Romanov, Rasputin, grandes rainhas maravilhosas que derrotaram a todos e reinaram gloriosamente, magia, misticismo, religiões - não sou religiosa, mas gosto de estudar sobre -, as lendas do rei Arthur, e... extraterrestres. Aí que esse filme é um musical (já começou bem) que meio que reconta a história do Doutor Frankenstein, porém com... alienígenas. O QUE É INCRÍVEL! Gosto de coisas bizarras com fundos de verdade, e a grande sacada do filme é fazer uma crítica ao conservadorismo norte-americano. Por mais que ele seja de 1973, é tão inteligente e bem produzido que não ficou datado e faz todo o sentido ainda. Fora que: vivo cantarolando todas as músicas porque melhores musiquinhas, vão lá ouvir isso, GO GO GO! 

2. Drácula de Bram Stoker


A primeira vez que vi esse filme tinha 7 anos e me apaixonei na mesma hora porque não há como ver Gary Oldman com um olhar penetrante sussurrando "Look at me" e não achar que ele está falando diretamente com você. Ou não querer usar todos os vestidos da Mina. Isso sem nem falar em Drácula himself falando que cruzou oceanos de tempo para encontrar a reencarnação de seu único e verdadeiro amor. Esse filme moldou a minha noção de romantismo - e isso deve explicar muita coisa, por sinal. Mas mesmo fazendo toda a problematização atualmente, continuo amando forte esse filminho e ele faz todo o sentido na minha vida por ter sido um grande influenciador dos meus gostos por vibes vitorianas.

3. Mais estranho que a ficção


Ainda não descobri quase magicamente que sou uma personagem de um livro, mas tenho certeza de que esse dia chegará porque há coisas que acontecem que simplesmente não são passíveis da realidade. A vida é muito mais estranha do que a ficção, sim, e eu total me relaciono com o Will Ferrell no filme porque tem umas coisas que acontecem que me fazem pensar que realmente existe um roteirista pra minha vida. Ou isso ou nada mais explica como eu atraio tanta situação bizarra ao mesmo tempo. Mas o filme é muito amorzinho e sempre me deixa com o pensamento de que a vida é uma droga repleta de bizarrices, mas depende de nós se isso será ruim ou não. Depende de como a gente lida e aproveita esses momentos estranhos e legais que o universo nos proporciona. Parece mensagem de livro de autoajuda, mas é apenas a realidade.

4. O diário da princesa


Que a verdade seja dita: eu amo esse filme desde a primeira vez que o vi, quando ainda era criança. Isso porque a Mia é completamente atrapalhada, introvertida e esquisita. Essa frase poderia ter sido dita sobre mim, mas é sobre a outra Mia - a princesa. Há filmes que são locais de conforto e cada vez que tô meio pra baixo, chateada, numa vibe there's no hope for humanity, vejo esse filme e fico felizinha. Se Mia Thermopolis conseguiu, eu também consigo. Puro amor ♥ Dane-se a crítica que diz que devemos assistir apenas a filmes inteligentes e cheios de trocentos simbolismos, eu quero histórias que me façam feliz e se encaixem na minha vida. E isso O diário da princesa faz muito bem. Não que eu seja uma princesa. Mas esquisita eu sou. Portanto... Isso pra não mencionar o crush que ainda me deixa suspirandinho cada vez que reassisto o filme, não importa se estou com vinte e poucos anos na cara: Michael Moscovitz, o melhor boy next door da ficção cinematográfica.

5. A montanha sagrada


Um alquimista completamente excêntrico escrito e interpretado por um cara que é mímico, escritor, cineasta, psicólogo e tarólogo. Culpem a minha Vênus em Aquário, mas isso é basicamente uma reunião de tudo o que me interessa, como já falei aqui. Eu adoro uma bizarrice, até aqui nenhuma novidade, mas tem certas coisas que ficam na mente da pessoa. Esse filme é uma delas. A primeira vez que o vi, tive de pausá-lo aos 15 minutos iniciais pra dar uma vomitadinha básica porque ele é realmente muito forte e a minha visão de mundo se alterou pra caramba após eu tê-lo visto algumas vezes. Jodorowsky = inspiração.

6. Vida de adulto


Desde que vi esse filme fiquei completamente obcecada por ele e o revi diversas vezes porque poderia facilmente ser a minha história se eu não tivesse noção de realidade (e uns anos a mais nas costas). Menina bem louca escreve poeminhas e acha que é a nova Sylvia Plath, até que descobre que não é bem assim que as coisas funcionam - até porque NEM PRA SYLVIA PLATH as coisas funcionaram assim, quiçá pra gente como a gente -, é educadamente sugerida a ir trabalhar como uma pessoa normal, se revolta e vai tentar viver como adulta, mas falhando miseravelmente no processo e obcecando um escritor que mora na mesma cidade que a dela. Claramente eu. Apenas tirando o fato de que, apesar dos sonhos malucos de ser escritora, sempre trabalhei e/ou fiz coisas pra agregar currículo porque não consigo nem pensar em ficar apenas escrevendo e esperando alguém descobrir o meu gênio secreto e maravilhoso sem fazer absolutamente mais nada. A vida artística requer ou badalação pra aparecer ou uma indicação muito boa pra ser reconhecida sem ter de fazer muito esforço. Não rola pra mim.

Queria falar sobre mais filminhos, mas já me controlei o suficiente porque a lista deveria contar apenas 5 e eu TIVE DE colocar 6 porque sou um espírito livre aquariano. Mas todos são extremamente recomendados e amados, sem ordem específica de preferência, até porque essa não é a lista dos meus filmes preferidos, e sim dos filmes da minha vida, risos. 

7 clássicos da literatura que me dão medo

Todo mundo tem aquele livro que dá medo. A gente fica encarando ele eternamente na estante, sem coragem de pegá-lo e iniciar a bendita leitura porque vá que seja muito difícil/chato/odioso? São questões. Mas uma coisa que não é assim tão questionável é que entre os mais temidos sempre poderemos encontrar os clássicos da literatura. Por algum motivo, todo o peso que as pessoas colocam ao endeusarem esses livros nos deixam com um medo horroroso de lê-los e não ter a mesma opinião do resto do mundo. Aí, empacamos lindamente e ficamos lendo-os apenas num universo utópico, em que todos podem desgostar de um livro aclamado pela crítica e colocado num altar por leitores sem ser apedrejado por isso. 

Pensando nisso, as gurias do Cilada e eu resolvemos fazer nossas listinhas de clássicos da literatura que nos deixam morrendo de medo. Esta é a minha: 

1. Crime e Castigo 
(Dostoiévski) 
Tem alguém que NÃO tem medo desse livro? Quer dizer, Dostoiévski por si só já assusta. Li Memórias do Subsolo, dele, há alguns anos e, apesar de ter adorado a escrita, a achei bem complicadinha e até um pouco melancólica. Desde então, fiquei com um medo danado de ler as coisas desse homem porque vai que eu entre numa e não saia nunca mais. Fora que tentei ler Os irmãos Karamázov e achei arrastado demais, não rolou. Há alguns dias, combinei com uns amigos meus (Subjotas ♥) de ler esse tão temido clássico até o fim do semestre. VEREMOS SE ISSO SE DARÁ, não é mesmo. ~risos nervosos~

2. O nome da rosa 
(Umberto Eco) 
Tô tentando ler esse livro faz 5 anos e não rola. Cada vez que o pego parece que ele é too much for me, e aí paro outra vez pra deixar pra Mia-do-futuro resolver tudo. Isso porque a Mia-do-futuro será esperta o suficiente pra ler os trechos em latim, que pululam pela obra inteira, sem sequer hesitar na conjugação louca daquilo. Na real, já li um livro do Eco - Número zero - e não achei grandes coisas. Quem sabe eu acabe achando isso também d'O nome da rosa?!

3. Doutor Fausto 
(Thomas Mann)
Tenho uma relação de amor e ódio com Thomas Mann porque, ao passo que adorei A montanha mágica com todas as minhas forças, detestei Morte em Veneza. Aí que tô com Doutor Fausto há uns 5 meses na minha mesa de cabeceira e n a d a ainda por puro medo de detestar um livro que todos dizer ser ainda melhor do que A montanha. Ai.

4. Anna Kariênina 
(Tolstói) 
Tô lendo esse livrinho e amando, mas dá um medo danado porque QUASE MIL PÁGINAS com tretas russas. Sei lá se ficará louca a coisa a ponto de eu me perder, enjoar e/ou detestar. Mas já tive boas experiências com Tolstói, então tô me focando nisso quando o medo vem.

5. O processo 
(Kafka) 
A ideia era ler esse livrinho durante as férias, mas aí li Carta ao Pai e fiquei melancólica para sempre. Mesmo assim, insisti e tentei lê-lo. Ler O Processo foi um verdadeiro processo exaustivo e não teve concentração ou determinação que me fizesse continuar a leitura. Uma amiga minha, que tava fazendo o Lendo Kafka comigo, foi até o fim e disse que é incrível. Todo mundo acha incrível. Menos eu. E dá um certo medo tentar insistir novamente e perceber que, de fato, eu desprezo Kafka e serei apedrejada para-todo-o-sempre-amém pelos Senhores do Carma literários.

6. Ulisses 
(James Joyce)
ALGUÉM NÃO TEM MEDO DESSE MALDITO LIVRO? Pelamor, isso aí tem mil páginas narrando apenas um dia na vida de um cara. Deve ser muito, muito enfadonho. Mas tá no meu desafio literário, então... Será lido. Quando o medo de encarar um clássico desses passar.

7. O velho e o mar 
(Hemingway) 
Outro livrinho do desafio. Todo mundo adora esse livro, mas eu detesto Hemingway e tenho quase certeza de que detestarei esse livro também. A última vez em que fiz resenha dum livro dele, fui tão apedrejada por detestar aquilo que fiquei meio com medo de ler outra coisa do cara e falar sobre, aí deixei a ideia de lado. Mas será lido. Eventualmente. 

Partículas elementares

Partículas elementares
Michel Houellebecq
Editora Sulina
344 páginas
Ano de publicação: 1999 
Sobre o que é: Djerzinski e Bruno são caras completamente ferrados na vida, com uma família extremamente desajustada. Ambos são filhos da mesma mãe, uma hippie paz-e-amor dos anos 60, mas cada um tem um pai diferente - porém, nenhum deles dava a mínima pra os filhos. Eles foram criados pelas avós, mas enquanto Djerkinski virou um cara muito solitário, que não quer chegar perto de pessoas e apenas vive sob o nome da ciência, Bruno extravasa tudo sexualizando o universo e se tornando professor de Literatura no processo, fantasiando com suas alunas e sendo escroto até não poder mais. Coisas acontecem e a vida de ambos vai por uns caminhos muito loucos que literalmente mudarão a humanidade.

Por que ele é bom? Tenho um professor que é mega amigo do Houellebecq e passa os livros do cara como leitura obrigatória pra todo mundo. Aí que é aquela história: leitura obrigatória = leitura chata. Todo mundo que já tinha feito a cadeira me disse que o livro é horrível. Eu já fui toda armada pra fazer a leitura, mas lá pela página 20 tive de começar a dar o braço a torcer: DESGRAÇA DE LIVRO BOM!

Michel Houellebecq é um cara bizarro por si só, e eu realmente acho que tanto Djerzinski quanto Bruno são um combo do próprio autor. Semestre passado, ele esteve aqui na faculdade (e eu tirei fotinho com ele, todo um episódio pra outro dia) e posso afirmar que ou ele é misantropo ou leva a introversão a todo um novo nível.

Sendo o Houellebecq introvertido pra caramba, ele faz algo que todos nós, introvertidos de plantão, fazemos muito bem: observa o mundo com um olhar crítico. E aí que ele faz uma crítica EXCELENTE ao resultado da revolução sexual dos anos 60. Todo mundo ficou louco, se libertou, se pegou loucamente, esperou pela Era de Aquário, e depois... Depois chegou a vida real e os filhos produzidos durante essa época. E, com isso, o vazio existencial conhecido por todos nós.
Em si, o desejo - ao contrário do prazer - é fonte de sofrimento, de ódio e de infelicidade. Isso, todos os filósofos - não apenas os budistas, não somente os cristãos, mas todos os filósofos dignos desse nome - souberam e ensinaram. (p. 177) 
Por que ele é ruim? Porque passagens machistas, misóginas, que dão vontade de pegar o personagem pelas orelhas e arrastá-lo de cara na brita. Tem umas coisas muito revoltantes mesmo, nojentas, mas não atento tanto a isso porque total entendo o motivo do menino Michel ter escrito o livro em questão dessa maneira.

MAS 
NÃO É
 RUIM, 
CARAMBA! 


Mas ele mostra como se forma a construção de um misógino, então pode ofender várias pessoas. 

Se eu recomendo a leitura? Feche agora seu navegador e vá pra biblioteca/livraria/estante-virtual procurar por esse livro. GO GO GO

Em um quote: 
"Existem corretivos, pequenos corretivos humanos", balbuciou Bruno. "Enfim, coisas que permitem esquecer a morte. Em Admirável mundo novo, são os ansiolíticos e os tranquilizantes. Em A ilha, a meditação, as drogas psicodélicas, alguns vagos elementos de religiosidade hindu. Na prática, hoje, as pessoas tentam fazer uma pequena mistura dos dois." (p. 177) 
 
Wink .187 tons de frio.