Let me know


Ah se soubessem do que eu sei...
Se soubessem o quanto é gratificante ser abraçada depois de uma discussão, ou como é bom poder comer o leite condensado que sobra na caixinha de colher.
Se soubessem. Se soubessem as maluquices que eu faço quando amo alguém, e que não é que eu seja louca desvairada: mas é que o amor deixa a todos assim.
Se soubessem como ser uma garota astuta e ter as pessoas nas mãos, apenas com pequenos gestos como sorrisos e palavras educadas. Se eles tivessem conhecimento do que uma menina rejeitada é capaz de fazer com toda a vergonha e humilhação passadas.

Se eles soubessem o quanto é gostoso acordar de madrugada, tomar um banho bem quente e depois voltar a dormir, nesse frio de inverno em pleno outono que faz aqui.
Ah, se soubessem o quanto é revigorante levantar, pôr as suas músicas favoritas, pegar uma escova de cabelo e cantar com toda a voz, fingindo que a escova é um microfone.
Se soubessem que todas essas idiotices que os jovens fazem não fazem mal a ninguém, ah, se eles soubessem disso. Se soubessem que nós não entendemos tanta preocupação com uma simples diversão. Com a alegria. Com a felicidade de ser quem se é sem se preocupar com estereotipação ou com julgamento alheio. 



Mas eles não sabem o que eu sei, ou apenas fingem que não, dizendo que tudo é errado e colocando tudo em peso de pecado. Será mesmo que eles também não fizeram suas loucuras juvenis? Duvido muito de que não.  
E apesar dos pesares continuamos vivendo nossas vidinhas sem sentido nesse mundinho louco chamado Terra. Porque é de sonhos que se vive, e de realidade que se sonha. E você, sabe de tudo isso? 

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We love drama

O que leva alguém a cometer suicídio? Será que alguém pode me explicar?
Confesso que, há algum tempo atrás, quando passei por uma crise de anorexia e bulimia, cheguei a pensar na possibilidade. Olhando para essa foto, me lembrei disso. É uma sensação de estranheza com o próprio ser, de loucura, liberdade. É algo diferente de qualquer coisa já experimentada: a sensação do medo de largar a vida complementada pela enorme sensação de liberdade e desprendimento do ser.
Se eu estou aconselhando alguém a isso? Ah, não, com certeza não. Mas vocês olharam bem para aquela imagem? Aquela, linkada lá em cima. O que uma bailarina estaria fazendo nos trilhos de trem? Ensaiando seus passos para um grande festival? Talvez. Mas o que a levou até lá? Uma palavra pode resumir isso: tragédia.

As pessoas em geral são atraídas, de certo modo, por tragédias. Pensam que, se forem morrer um dia, que seja de uma forma inesquecivelmente trágica. Ou será que estou mentindo? Creio que não. Prova disso são os filmes de terror e suspense (entre outros gêneros) que ilustram os mais diversos tipos de tragédias, dos quais somos todos fascinados. Porque isso? Será que Freud consegue realmente explicar tal atração? Não o sei, sinceramente. Mas o fato é que isso é uma realidade constante, por mais que queiramos negá-la.

O ser humano em geral parece ter uma necessidade de drama. Por isso do grande sucesso das novelas, filmes e afins. Nós procuramos esse tipo de coisa para nossa vida. E o grande ápice disso pode ser considerado o suicídio. Mas chega de tragédias, vamos viver em paz, vamos ser felizes. Vamos parar de nos boicotarmos. Sejamos felizes de verdade, sem ânsias para o final.

(Mia está cansada de dramas)

A letter to you


Olá minha amiga, como está? Passaram-se tantas luas entre nós, tantos desdobramentos, tantas fés, cantigas, olhares e segredos. Sei bem que não é mais a mesma de anos atrás, assim como eu. Pessoas mudam, se renovam quase que sempre. Recomeçam.
Nestes anos afastada, preciso lhe dizer: me reinventei quase todos os dias. Recomecei do nada várias e várias vezes. Tive várias fases, já fui de todos os jeitos. Da revoltada à (quase) santa. Mas de longe nota-se que você também, certo? Se bem que percebo um certo padrão em você, uma certa coisa conservada que não se aparta nunca. Tão diferente de mim que mudo apenas pelo prazer de um recomeço...


Mas a vida continuou para todo mundo, e todo mundo muda, é o curso natural da nossa existência, não é, minha amiga? Mas e quem é como eu, que recomeça sem haver necessidade alguma? Às vezes me pergunto se faço isso porque estou descontente comigo mesma ou porque ainda não achei meu rumo. Ou ainda, talvez seja apenas por diversão. O fato é que recomeçar é sempre empolgante, tem o gosto do novo, os olhos brilhantes diante de tamanha novidade. Aquele cheirinho de livro novo que somente quem embarca nas letras sabe... É tão instigante, contraditório, quase que irreal... Ter o poder de trocar de pele quando bem se desejar, é uma sensação verdadeiramente atraente.

Ah, amiga, tantos anos se passaram, tantos sóis e luas... Espero que os recomeços e as mudanças do destino não tenham separado para sempre aquele entusiasmo da infância.
Cheers.

(Mia está recomeçando outra vez)