Qualé o limite?

Olá pessoinhas tão queridas que aqui estão.
Há uma questão que me deixa muito irritada: a desigualdade entre homem e mulher na família. Que há desigualdade na sociedade em geral, todo mundo já está cansado de saber. Mas acho realmente ridículo haver diferenças entre meninos e meninas dentro de casa.

Um exemplo disso é o diálogo que tive com minha mãe ontem. Para que vocês entendam tal diálogo, é preciso lhes apresentar as circunstâncias. É importante que vocês saibam uma coisa a meu respeito (para entenderem o motivo da conversa): eu estou quase sempre envolvida em algum tipo de escândalo desde que eu era pequena. Não que eu procure por problemas, não, eu não gosto disso. Mas é que eles sempre acabam me encontrando, de uma maneira muito misteriosa. E eu, como a menina argumentista que sou, nunca fujo deles.
Só que o povo em geral que vive à minha volta (lê-se: vizinhança, pessoas da Igreja, pessoas da escola etc.) não me veem apenas como uma menina que têm o dom de arranjar desafetos apenas com um olhar, mas costumam me ver como a menina que não presta, mimada e que se acha dona da verdade.
Dito isso, podemos ir à parte do diálogo:
A mãe diz:
- Mas filha, como é que tu não se importa com o que falam de ti por aí?
- Eu não me importo, simplesmente isso. É problema deles, não meu.
- Mas desse jeito tu nunca vai arrumar um namorado decente pra ti, ainda mais depois de namorar aquela desgraça.
- E quem disse que eu quero um namorado daqui? E meus irmãos também tiveram namoradas que inventaram milhões de coisas a respeito deles e fizeram da nossa vida um inferno.
- Ah, mas eles são homens. Eles podem fazer isso e ninguém fala mal. Tu é uma guria e não pode. Ou acha que é igual a eles?
Foi basicamente esse o diálogo.

Então, eu me pergunto: por quê eu sou diferente dos meus irmãos? Nós temos os mesmos pais, a mesma criação, os mesmos conceitos morais etc. Eles tiveram as suas namoradas, erraram em algumas escolhas e se deram mal por isso. Algumas das ex's deles têm implicância com a nossa família até hoje (depois de vários anos do acontecido) e falam mal deles para todo mundo. Então por quê eu, só por ser menina, não posso errar também?
Eu nem acho que minha mãe está errada em seu ponto de vista, porque as pessoas podem ser bem cruéis com meninas mesmo. Mas a questão é que eu não consigo ver tamanha diferença entre mim e qualquer menino. Talvez porque eu não seja tão "feminina" (nos padrões da sociedade) assim. Vai ver porque só tenho irmãos e não tenho nenhuma irmã, nunca tive muitas amigas e tal. Meus brinquedos favoritos quando era pequena eram carrinhos e bolinha de gude, para terem uma ideia. Fui criada como meus irmãos, não há muita diferença entre nós. No entanto, as pessoas (não estou falando da minha mãe, tadinha, ela só se preocupa comigo) da rua falam demais. E falam o que não diz respeito à elas.

Eu apoio completamente a liberdade de expressão, seja ela verbal ou não, seja ela proveniente de mim ou de outras pessoas. Cada um tem o direito de falar o que quiser e pensar o que quiser. Mas eu acho que quando o preconceito é tão forte que te afeta dentro da tua casa, é porque chegou no limite. Nem eu nem ninguém deveria ser julgado de forma diferente por causa do seu gênero. E apesar da sociedade apoiar esse tipo de julgamento desigual, eu não concordo com isso. Não acho que eu tenha que me cuidar mais porque eu sou menina, porque antes de ser uma menina eu sou uma cidadã como qualquer outra pessoa, e mereço tanto respeito quanto qualquer um.

Se você falar mal de mim por aí e inventar mil e uma coisas a meu respeito, pode ter certeza que não estará tirando nenhuma noite de sono minha. Eu não vou me importar, mesmo. Até meio que gosto de toda essa divulgação, só faz com que eu fique mais famosa e desperte mais interesse nas pessoas. Mas tudo tem um limite, até brincadeiras. E se você falar de mim, pode saber que eu não pensarei duas vezes antes de apresentar a minha opinião sobre você. É como diz aquela frase: "O que você pensa sobre mim não vai mudar quem eu sou, mas pode mudar o meu conceito sobre você.".

Eu sou uma pessoa como qualquer outra, com defeitos e falhas, que erra às vezes e tal. Mas não mereço ser julgada por isso. Eu não sou uma Barbie com a vida perfeita, o namorado perfeito, o corpo perfeito ou o cabelo perfeito, mas sou apenas uma menina que gosta de argumentar as coisas e de ser bem sincera com as pessoas, quer elas gostem de sinceridade ou não; quer as minhas críticas atinjam à elas ou não.
Espero não ter ofendido ninguém de alguma forma, mas caso o tenha, críticas sempre serão bem-vindas, desde que redigidas com educação, é claro.

(Mia Sodré luta pela liberdade de expressão)

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Thunderbolt and lightening very very frightening me

Era mais um lindo dia naquela cidade. Um jovem casal fazia um cooper pela calçada do calmo subúrbio. Todos estavam felizes: as crianças brincavam, o jovem casal corria, a senhora do fim da rua cuidava de suas plantas e os passarinhos se alimentavam das migalhas dos jardins naquela vizinhança.
Aquele parecia ser um lindo dia, como tantos outros; tinha tudo para ser promissor. Ninguém poderia imaginar o mal que estava prestes a chegar, ninguém.

Mas então, inesperadamente, algo aconteceu: era um furacão que vinha em uma rapidez tremenda contra aquele subúrbio. De repente tudo ficou escuro. As pessoas ficaram atônitas: correram para suas casas, pegaram mantimentos mais que depressa, reuniram sua família e se esconderam nos porões. Pensando estarem a salvos, eles ali permaneceram, até que o furacão tivesse ido embora. Mas nem todos tiveram a sorte de se esconder.

O casal que praticava seu cooper matinal, por exemplo, não teve oportunidade para tal. Eles estavam longe de casa, e nenhum vizinho se arriscaria a os abrigar dentro de suas casas. Não, ninguém pôde os ajudar. Eles correram o mais rápido que puderam, entraram em uma garagem e se trancaram dentro de um carro que lá estava. O furacão chegou, arrancando tudo por onde passava, nada podia resistir a ele, nem mesmo aquela garagem onde estava abrigado aquele jovem casal. Depois das paredes destruídas, o carro começou a balançar de um lado para outro. O casal começou a fazer uma oração: quem sabe Deus não os ouvisse e os poupasse de tamanha tragédia?

De repente, a madeira de uma cerca da vizinhança voou em direção aquele carro, atravessando o vidro e causando um ferimento no rapaz. A garota não sabia o que fazer, ficou completamente desesperada. Não, ele não havia morrido, mas estava desmaiado. Ela viu seu companheiro sangrando, desacordado, viu toda a destruição daquele local. Viu as casas de seus amigos serem despedaçadas, juntamente com suas vidas. Ela não conseguia chorar, apesar da vontade que tinha ser essa. Tamanho foi o trauma que ela ficou em choque.

Mas então, o dia começou a clarear novamente e o barulho quase que ensurdecedor daquele furacão já havia passado. A garota, mais que depressa, foi pedir ajuda para alguém que tivesse sobrevivido naquela vizinhança. Encontrou algumas pessoas, se reuniram e foram imediatamente para o hospital da cidade. Chegando lá, seu companheiro foi um dos primeiros a serem atendidos. Quando conseguiram o acordar, ele pediu pela garota. Ela foi até ele, e ele, com uma voz embargada, disse:
- O médico disse que podem haver danos permanentes na minha visão, por causa da batida daquela cerca contra minha cabeça.
- Quer dizer que você está cego?
- Sim, querida, infelizmente sim.

Houve uma pausa na conversa. A respiração da garota começou a ficar ofegante e aquele silêncio dela parecia corroer a alma do pobre rapaz.
- Você ainda vai querer ficar comigo agora que estou cego? - disse ele.
Ela pegou a mão dele, cuidadosamente, e disse:
- Eu sempre vou estar do seu lado para cuidar de você. Agora descanse, que tudo passa.

Tragédias, elas acontecem na vida de todo mundo. Umas vem e destroem tudo o que um dia construímos, outras deixam feridas na alma. Mas o que todas tem em comum é que eles sempre trazem a chance de um recomeço na vida de quem foi atingido. 
 
Wink .187 tons de frio.