Limpando a bagunça

Há coisas que devem ser destruídas para dar espaço a coisas melhores no futuro. Às vezes, é apenas um prédio. Outras vezes, podem ser relacionamentos. Mas seja lá o que for, a ideia de destruir algo simplesmente por uma possibilidade de um futuro melhor pode ser assustadora para todos. O futuro assusta. Pensar que um relacionamento de anos pode ser o errado, assusta. Pensar em destruir algo que fez parte da sua vida, parte de você por tanto tempo apavora até mesmo as pessoas mais desapegadas. Mas às vezes, este é o necessário a ser feito. E o modo como reagimos nessas horas é o que qualifica qual tipo de pessoas somos: as que encaram seus medos de frente ou as que se escondem debaixo de um cobertor.

Pensar no futuro pode ser aterrorizante. Muitas vezes é muito mais fácil apenas varrer a sujeira para baixo do tapete do que abrir a porta para tirá-la de lá. O lado de fora pode ser assustador para quem está acostumado a uma zona de conforto. É preciso, no entanto, abrir a porta e encarar o mundo lá de fora porque se não o fizermos, a sujeira debaixo do tapete pode acumular.

Sempre há os que têm coragem e varrem sua sujeira para o lado de fora da porta, onde todos podem vê-la. Mas mesmo para estes, a sentença é a mesma. Porque todos sabem que quando limpamos uma bagunça, outra aparece. E então voltamos ao ponto onde tudo teve início.

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Desapego

Era manhã na cidade. O Sol entrava silenciosamente por entre as frestas da janela de madeira, e com ele, uma sentença: é hora de se desapegar. A partir daquele dia, o desapego começou a ser minha motivação. Desapego do que eu era para uma transformação do que eu poderia ser. Comecei me desapegando de roupas que adorava. Cortei o cabelo que antes exibia com tanto orgulho. Parei de comer meus doces preferidos. Excluí amigos que só faziam presença. Larguei hábitos infantis e arranquei os desenhos da parede. Mas há algo que ainda não consegui desapegar: certos sentimentos que não deveriam mais estar em mim.

Isso tem me impulsionado a mudar. É o que me move para me transformar naquilo que eu sei que posso ser. Esse desapego tem me movido no último ano, e eu mudei tanto... Irreconhecível - é o que dizem. A verdade é que nunca fui tão eu mesma quanto estou sendo agora. E o que falta é arrancar esse sentimento do meu peito para que a transformação esteja completa.

Meu objetivo no momento? Olhar para você, ouvir sua voz, poder olhar em seus olhos e não sentir nada. Nem uma alteração na minha arritmia. Nem uma falta de ar pela sua presença. Nem uma falta de léxico momentânea. Nem um gelo na espinha por saber que não consigo mentir para você. Nada. Apenas desapego. Ainda arrancarei de mim tudo o que restou de você. E minha motivação é me imaginar feliz, sem nenhum resquício daquilo que um dia chamei de amor.

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O velho relógio

- Conte-me o que tanto lhe atormenta, querida. Já estamos há 1 ano fazendo essa sessão e você ainda não fez muitos progressos. Você pode confiar em mim: nada do que disser sairá daqui. Mas você precisa me contar para que sua consciência não pese tanto.

- Nunca contei isso a ninguém.
Eu tinha 16 anos. Acordei por volta da meia-noite com os gritos do meu pai. Ele estava tendo uma discussão feia com seu sócio. Me levantei da cama e fui ver o que estava acontecendo. A coisa começou a ficar séria, e foi quando eu vi as mãos do meu pai lentamente pegarem o pesado relógio antigo que ficava em cima da mesa em seu escritório. Seu sócio estava de costas e foi quando meu pai o acertou na cabeça com aquele relógio. Eu dei um grito e meu pai olhou para mim com um semblante pálido. Ele disse:
- O que você está fazendo aqui? Volte para a cama!
Mas era muito tarde. Eu já tinha visto tudo. Lentamente apontei para o sócio do meu pai, que estava caído ao lado da escrivaninha. Havia muito sangue por toda a parte. Perguntei a meu pai, com a voz trêmula:
- O que vamos fazer agora? Ele... está morto?
Meu pai não disse nada, e por alguns minutos ficou apenas encarando o corpo de seu sócio perder cada vez mais e mais sangue. Já era por volta de 01:30 da madrugada. Eu estava inerte perante aquela situação aterrorizante. Foi quando meu pai disse:
- Pegue o tapete que está na sala de estar agora e traga-o aqui.
Fui até a sala e peguei o tapete. O enrolei e levei até o escritório do meu pai. Ele disse:
- Venha, me ajude aqui.
Estendemos o tapete pelo chão do escritório e colocamos aquele corpo gélido enrolado em tapeçaria persa. Eu estava atônita: meu pai havia matado seu sócio e eu era cúmplice desse crime. Eu não sabia o que fazer, mas estava em um estado quase de transe. Não conseguia dizer nada além de alguns barulhos estranhos e respostas prontas. Levamos aquele corpo enrolado no tapete até o carro e colocamos no porta malas. Meu pai dirigiu por aproximadamente 4 horas até uma fazenda que ele possuía na cidade vizinha. Quando chegamos lá, fomos direto para um pequeno bosque onde costumava brincar quando era menor. Tiramos o corpo do carro e cavamos um buraco ao pé de uma das árvores daquele bosque.
O Sol começava a surgir por entre as folhas das árvores enquanto derrubávamos a terra com nossas pás. Meu pai e eu combinamos nossa história, voltamos para casa em um silêncio mórbido e nunca mais falamos no assunto. Mas às vezes, em noites calmas, ainda posso ouvir o relógio fazer aquele barulho...

- Meu Deus! Você ajudou seu pai em um crime. Você tem sangue em suas mãos. Como pôde fazer isso? Desculpe-me, mas isso será informado às autoridades. Pobre homem aquele.
- Sabe, doutor, eu realmente simpatizo muito com o senhor. É uma pena que aquele antigo relógio voltará a fazer barulho.
- Não! Não faça isso,querida. Eu juro, não vou contar nada a ninguém.
- Tarde demais, doutor, tarde demais. Duas pessoas podem saber de um segredo; se uma delas estiver morta.

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Tão conectados e tão sós

Gotas de chuva batem contra o vidro da janela do meu quarto, o ponteiro do relógio corre apressado para alcançar o tempo e no meio disso estou eu, apenas observando tudo e pensando na grande solidão que move o mundo. Pessoas começam a se relacionar por medo. Medo da solidão. Medo de se tornarem pessoas de 35 anos que vivem rodeadas de gatos e mal têm contato com seres da mesma espécie. Medo de que quando forem embora dessa Terra, não deixem ninguém que sinta falta. Medo de serem esquecidas. E é esse medo que impulsiona o mundo a correr contra o relógio do tempo e faz com que meninas de 15 anos cortem seus pulsos por acharem que vão morrer sozinhas. E realmente morrem. Morrem de medo.

Somos tão conectados em nossas redes sociais, em grupos escolares, em tantos meios sociais; mas nunca estivemos tão sós. A solidão assola a humanidade de uma maneira espantosa. E há quem não saiba lidar com isso. Precisamos nos sentir seguros e muitas vezes nos usamos de toda essa conectabilidade atual para termos a falsa sensação de segurança, de companhia. E somos tão sós nesse mundo enorme que precisamos desse conforto, precisamos dessa segurança. A segurança de que alguém irá sentir a nossa falta, a segurança de saber que somos desejados, a segurança de manter nossos medos sob controle.

A sensação de segurança é algo que todos buscamos. Muitos se sentem seguros por conversarem com alguém por algumas horas; alguns se sentem seguros quando são valorizados e outros precisam apenas de um aceno em uma calçada para se sentirem desejados. E essa sensação é maravilhosa, com certeza. Nos fornece mais firmeza de propósito por fazer com que não sintamos tanto o baque da solidão. Porém, o maior perigo de uma sensação de segurança, é que ela pode ser falsa.

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Esse post foi criado para a tag "Pessoalmente falando" do blog Pronta para Crescer.

É hora de dizer adeus

Depois do acidente, minha vida nunca mais foi a mesma. Sei que muitas pessoas passam por isso e sei que deveria ter lhe contado antes o que estava acontecendo comigo, mas sempre tive muito medo da sua reação. Eu não devia ter voltado, eu não devia. Desde que voltei, tenho visto coisas que não deveria ver. Sim, você não acredita nessas coisas - eu sei disso - mas preciso que você entenda que há uma linha tênue entre vida e morte, o lado de lá e o lado de cá, coisas naturais e humanas e coisas sobrenaturais e aterrorizantes.

Enquanto vivos, não conseguimos perceber a maior parte das coisas que nos rodeiam - ao menos, nem todos conseguem - mas após aquele acidente, após eu ter sido ressuscitado milagrosamente, eu passei a perceber tudo o que acontece. E isso é terrível, honey, terrível. Almas inconformadas que pedem ajuda constantemente, e agora, eu posso vê-las por onde quer que eu vá. Quando eu acordo, elas estão lá, quando escovo meus dentes, elas estão lá, quando estou trabalhando, elas continuam lá, quando deito para finalmente descansar minha cabeça cansada, elas ainda estão lá e quando sonho, elas aparecem lá também. E elas estão famintas, honey. Elas querem vingança, justiça. Gritam o tempo inteiro. Tenho enlouquecido com isso. Por esse motivo que digo: eu não deveria ter voltado.

Há coisas que não devem ser mudadas. E a morte é uma delas. No instante em que morri naquele acidente, eu senti uma paz, uma sensação de que nada mais importava porque tudo já havia se feito. E então, de repente, sinto algo me puxando para baixo e, quando dei por mim, lá estava eu, todo ensanguentado em meio às ferragens de um caminhão. Apaguei com os sedativos e quando acordei no outro dia, eu podia ver o outro lado, eu podia me comunicar com o além e não havia mais aquela linha tênue entre fantasia e realidade. Não havia nenhum botão para que eu pudesse apertar e desligar tudo aquilo. Não havia saída. Até agora.

Por todos esses fatores eu tomei a decisão de acabar com o que já havia terminado. E se você está lendo isso, é porque agora já estou morto. Quero que saiba que nada disso é culpa sua, mas eu simplesmente não podia suportar sequer imaginar passar mais tempo vivendo com se estivesse morto. Todas aquelas coisas me assombrando, eu simplesmente não podia mais. Me desculpe, querida, mas o que está morto deve permanecer morto; essas são as regras do universo. E quando alguém as viola, há consequências.
Espero que um dia me perdoe, pois eu ainda te amo. Nunca se esqueça disso. Nos vemos na eternidade. Amor eterno.
B.

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Como se cura um coração partido?

- Me disseram que você cura tudo. É verdade?
- Quase tudo, na verdade. Há coisas que não cabem a mim.
- Você pode curar um coração partido?
- Isso depende. Há quanto tempo esse coração se partiu?
- Ah, meu caro, já faz um longo tempo... Aproximadamente um ano inteiro.
- Desculpe-me querida, mas esse coração não tem conserto.
- Por quê não? O senhor disse que pode curar quase tudo, não é?
- Sim, é verdade. Mas eu não posso curar uma ferida de amor verdadeiro. Porque o amor verdadeiro não é feito para ser curado, tampouco cicatrizado. O amor verdadeiro dói e a ferida que ele causa fica exposta sempre, porque apenas a sua alma gêmea tem o remédio que pode sarar essa ferida.
- Eu estou ferrada, não estou?
- Definitivamente, querida. Definitivamente.

E lá se foi a moça de coração partido em busca de algo que o Sr. Tempo não pôde lhe dar: uma cura para um amor impossível.

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Secret

Sempre há algo que escondemos, algo que não queremos revelar. Algo escondido no fundo de nossas almas que nem nós mesmos encaramos. Algo que o olhar refletido no espelho revela e que os sonhos não conseguem esconder. Algo que nos atormenta á noite e faz com que não saibamos como sobreviver. Algo que vai muito além das máscaras do dia a dia. Algo que supera um segredo obscuro. Algo que pode ser considerado o maior dos segredos. Porque o pior pesadelo de um ser humano é encarar a si próprio.

Você pensa que conhece seu amigo, seu melhor amigo. Vocês se divertem, partilham momentos inesquecíveis e estão praticamente sempre juntos. Mas não sempre. Você não sabe o que o atormenta à noite, o que ele pensa quando repousa sua cabeça cansada sobre o travesseiro, o que aconteceu com ele quando era criança que fez com que ficasse com baixa autoestima até hoje. Você não sabe e nunca vai saber. Porque essas coisas são feridas abertas que doem ao passar de uma brisa. São os segredos mais sombrios de uma pessoa. E quando chega a hora em que seu amigo está sozinho, ele não tem para onde fugir de seu pior pesadelo: ele mesmo. Porque há segredos que não nos atrevemos a contar nem para nós mesmos. 

Todos têm seus segredos, mas nem todos têm coragem de os encarar. E então se afundam em alguma distração, algo que possa os afastar - mesmo que momentaneamente - de sua consciência pesada. Nem todos conseguem lidar com seus segredos. Às vezes, em momentos de solidão e desespero, as pessoas recorrem a Deus, pedindo para que ele alivie suas consciências pesadas. A boa notícia para quem procura ajuda em uma oração é que Deus sempre vai ouvir e responder de alguma forma. A má notícia é que, às vezes, essa resposta será não

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Como emagrecer com saúde

O post de hoje é um pouquinho diferente, mas acho que é algo necessário (e põe necessário nisso!). Muitas meninas se sentem gordas e fazem loucuras para diminuir aqueles gramas na balança, mas dietas milagrosas nunca foram aliadas da boa saúde.
Para quem não sabe, há tempos vinha tentando perder peso. Tentei uma dieta feita por uma nutricionista por quase 1 ano, e o resultado? 10 quilos a mais. Em Julho desse ano já havia atingido 76 quilos (yes, eu estava enorme) e então decidi largar aquela dieta maluca e começar a fazer a única coisa que eu sei que dá certo: fechar a boca para gorduras e caminhar bastante. O resultado? 9 quilos a menos desde Julho. Ainda há um grande caminho pela frente, mas posso lhes garantir que vale à pena. Aí vão as dicas:

Se exercite

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Você não precisa ser um atleta, mas se mexa! Você pode começar fazendo caminhadas. Na 1° semana, 15 minutos de caminhada, na 2°, 30, e assim por diante até chegar a 1 hora de caminhada. Os resultados são excelentes se essa prática for diária. 

Nada de doces


Pelo menos até você começar a perder peso. E quando estiver perdendo peso, poderá comer doces mas moderadamente. Nada de exageros. Sem esquecer que há vários alimentos (como pão, massas) que se transformam em açúcar no organismo e têm o mesmo efeito de um sorvete. 

Frutas


Se você for uma pessoa como eu, que não gosta de comer frutas, você pode fazer o que eu faço: vitaminas de frutas ( as de morango e banana são as minhas preferidas) inibem o apetite, alimentam e têm poucas calorias. Sucos de frutas também são super importantes. Corte o refrigerante ou sucos artificiais e dê uma chance aos sucos naturais (como os de laranja e abacaxi). 

São apenas 3 simples passos para você chegar ao peso ideal. Claro que não há nada de errado em ser mais cheinha, mas a partir do momento em que suas roupas não estão mais servindo (e você não tem condições no momento de comprar outras, ou não acha seu tamanho na loja) está na hora de repensar na sua alimentação e parar com o sedentarismo. 

Espero que tenham gostado da dica. Contem-me: vocês já fizeram dietas milagrosas? Qual foi o resultado? Kisses, babies. 

Inacabado

Um dia eu vou abrir seu perfil em sua rede social favorita, como sempre faço, só para saber se você está bem e irei ver uma pequena modificação. Lá estará escrito: aquele que um dia você chamou de amor está em um relacionamento sério com uma garota qualquer que não é nem metade do que você é (sim, porque minha muito fértil mente tende a desqualificar qualquer pessoa que esteja com você). Eu ficarei olhando para seu status por um bom tempo e com certeza perceberei que você é meu assunto inacabado.

Inacabado porque você nem teve tempo. Eu não tive tempo. No meu medo de perder a lucidez ao me entregar a um amor, eu te deixei. Deixei porque morria de medo de te perder aos poucos pela minha loucura. Achei por bem terminar de vez, te perder de vez. E foi te perdendo que eu te amei mais. E idealizei um ser que não é real, que nunca foi. Joguei fora as lembranças e construí novas, onde nunca brigávamos. Que fantasia! Sempre fomos como cão e gato. Mas isso nunca acabou de verdade e você se tornou meu assunto inacabado.

Assuntos inacabados - todos têm o seu. Às vezes não finalizamos algo por medo, ou porque é difícil demais, ou caro demais ou assustador demais. Mas eles sempre estarão lá até que os encaremos. São eles que nos atormentam quando colocamos nossas cabeças sobre os travesseiros. Só quando você pára é que percebe o quanto é difícil recomeçar. Então você se força a não querer voltar atrás, a não finalizar o que deixou incompleto. Mas sempre está lá. E até que você termine, sempre será... Inacabado.

(Mia Sodré precisa finalizar mais este capítulo.)

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Morte sobre duas pernas

Acordei. Já estava tudo escuro, luzes desligadas e eu não fazia ideia de onde estava. Senti um gélido arrepio na espinha e sem pensar duas vezes me levantei. Comecei a procurar por alguém que me explicasse o que estava acontecendo, mas só havia um corredor enorme cheio de portas fechadas. Era assustador. Cheguei ao que parecia ser uma recepção e me deparei com duas moças preenchendo fichas. Sim, eu estava em um hospital, ou ao menos parecia com um. Fui até as moças e fiz de tudo para lhes chamar atenção, mas nada parecia funcionar. As luzes começaram a piscar e elas pareciam indiferentes a tudo o que ocorria, mesmo a meus gritos que a mim pareciam ensurdecedores. Após o que pareceu 10 minutos gritando e tentando de todas as formas lhes chamar atenção, desisti. Elas pareciam me ignorar com uma frieza tremenda.


Decidi voltar para meu quarto. Ainda estava muito confuso, mas agora começara a me lembrar do porquê eu estava ali. Lembro que estava dirigindo meu carro pela estrada do Moinho e de repente surgiu um caminhão do nada que me atingiu. Após isso ouvi o som de uma ambulância e apaguei. A única coisa que posso pensar é que coisas ruins costumam acontecer com pessoas boas.


Cheguei a meu quarto, depois de passar por um longo corredor cheio de quartos com pessoas em fase terminal. Ainda estava muito confuso quanto ao meu estado, mas foi aí que eu presenciei a cena mais assustadora da minha vida: eu estava ali, parado à beira da minha cama enquanto meu corpo estava deitado naquele leito de hospital, coberto por fios e sondas. Um corpo gélido, quase morto, arroxeado.


Não podia ser verdade. Eu havia morrido? Não, pior. Eu estava em coma. Tudo me levava a crer que eu estava em coma. E isso explicaria o porquê de as recepcionistas terem me ignorado. Agora tudo estava claro. Tentei voltar para meu corpo, mas não conseguia. Eu podia tocá-lo, senti-lo, mas não conseguia voltar. Havia uma barreira invisível que me impedia. Era um pesadelo, tinha que ser.


A essa altura eu já estava beirando à loucura. Sentei em um canto do quarto e fiquei ali, observando meu corpo quase sem vida e tentando acordar daquele pesadelo terrível.
Foi então que um homem velho muito pálido entrou em meu quarto. Ele usava um manto preto e tinha os olhos de um azul intenso. Ele foi se aproximando do meu corpo como se flutuasse. Colocou a mão sobre minha cabeça enfaixada e eu senti como se um redemoinho estivesse me puxando para baixo. Olhei para o chão e um abismo havia se aberto, um enorme e escuro abismo que insistia em me sugar. Reuni toda a força que tinha e saltei naquele velho, afastando sua mão de meu corpo. Ele olhou para mim espantado e disse:
- É a sua hora. Você não pode lutar contra isso.
- Não, essa não é minha hora. Sou muito jovem e tenho muito a viver ainda. Quem é você para decidir algo?
- Alguns me chamam de ceifeiro, outros de morte. Já levei pessoas mais jovens que você e em melhor estado. Essa é a sua hora e não há nada que você possa fazer contra isso.
- Sim, há algo que eu posso fazer.


Naquela hora percebi que eu era um espírito, e se eu havia derrubado a morte então eu poderia matá-la! Mais do que depressa arranquei o espelho que havia na parede do quarto e lancei sobre o ceifeiro. Eu havia lido há tempos atrás que espíritos podem ser aprisionados por espelhos e é por isso que quando alguém morre as pessoas tapam os espelhos para que os espíritos possam seguir seu caminho. Foi aí que aconteceu: eu aprisionei a morte dentro do espelho, mas seu reflexo ainda estava vivo, e me disse:
- Não faça isso. Você vai se arrepender!
Eu não dei ouvidos. Atirei aquele espelho dentro do abismo da morte que ainda estava aberto. Houve uma explosão de luz e o abismo se fechou. "Estou vivo!" - foi o que pensei. Ah, que terrível engano! Quando tudo parecia bem, os sinais vitais do meu corpo desapareceram. Eu havia morrido, mesmo tendo matado a morte.


Senti algo estranho em meu espírito. Senti uma dor profunda, como se estivessem arrancando as carnes que eu não possuía. Olhei para mim mesmo e estava desfigurado: eu era o velho pálido com capa preta e olhos azuis! Eu era a morte.
Me transformei na própria morte quando a matei porque a morte nunca morre.


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Babies, logo vai ser Halloween e estou pensando em postar algumas coisas com a temática mais terror/suspense/mistério. O que vocês acham? 

I want my rockabilly boy

Eu não gosto dos garotos de hoje em dia. Esses meninos com os cabelos estilo Neymar e cheios de piercings. Esses garotos que não sabem o que significa amar, que só se importam com a quantidade de meninas que pegaram e não com a qualidade que apenas uma pode proporcionar. Não gosto desses meninos musculosos que se acham melhores que os nerds e vivem para cultuar o corpo. 


Gosto de rapazes à moda antiga. Aqueles que são gentis, mas firmes, ao mesmo tempo. Sabe os chamados Rockabilly boys? Pois então. Os que quando gostam de alguém, gostam de verdade. Sem frescuras, sem desculpas. Apenas gostam e assumem sem medo do que os outros irão pensar. Homens de verdade, não moleques que apenas por terem nascido algumas penugens no rosto se acham crescidos o suficiente para serem chamados de homens. Gosto de garotos que não precisam da melhor aparência do mundo para fazer competição, mas que apenas com a atitude já conseguem a atenção necessária. Esses rapazes de cabelo comprido, com gel, jaqueta Perfecto e uma cara de mau. São desses que eu gosto. 
Pena que não há mais garotos como esses hoje em dia. Cada dia me convenço mais de que nasci na época errada. 


É claro que pode ser que você não concorde comigo - e eu entendo perfeitamente isso. Mas o fato é que os rapazes de antigamente eram muito mais interessantes do que os de agora. Eles sabiam como tratar uma garota; eram homens de verdade e não um bando de rapazes que vive apenas para a aparência. Pena que isso se perdeu no tempo. 


(Mia Sodre wants her rockabilly boy.) 


Você quer tentar?

Pessoas inteligentes costumam ser mais tristes do que outras porque elas são mais conscientes de como o mundo realmente funciona. O mundo é uma droga, todo mundo sabe disso. Mas ele pode ser uma droga bonita. Depende da gente. Não adianta ser uma pessoa inteligente e ficar pensando em como as coisas são se você não fizer nada para mudá-las. A realidade de cada um é o que se faz acontecer. Pensar em mudar as coisas não muda nada. Fazer alguma coisa pode mudar tudo. Então, você pode ser a pessoa mais inteligente nesse mundo louco chamado Terra, mas se você não colocar a sua inteligência em prática vai se tornar apenas mais uma pessoa depressiva com conhecimento armazenado. True story.

Às vezes nos deparamos com pessoas que aparentemente se deram bem na vida e pensamos: "Caramba, como esse ser pode ter se dado bem se ele não passa de um idiota?", pois bem, esse ser se deu bem porque ele canalizou a idiotice dele para algo que pudesse dar certo.
Costumo sempre mencionar que o que tiver de acontecer vai acontecer. Acredito piamente no mecanismo do destino. Mas o destino não vai mandar nossos sonhos baterem à nossa porta: precisamos dar o primeiro passo. Colocar as ideias em prática e reagir às coisas. Só assim, meus caros, nossa vida poderá mudar.

Você não pode ter medo de se arriscar. E daí se não der certo? Se não der certo, a gente começa de novo. Mas temos que tentar, temos que dar a cara à tapa e ver no que vai dar. Se ficamos inertes a vida inteira não adianta reclamar que as coisas não acontecem e que tudo está igual há anos atrás.
Se você se arriscar e der certo, bem, você conseguirá atingir seu objetivo. E caso não dê certo, no mínimo você terá alguma história pra contar no futuro. Ninguém perde tentando. Só se perde lamentando o que não foi feito.

(Mia Sodré tem tentado atingir suas metas.)

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Ser diferente é normal

Sempre fui esquisita.
Desde pequena sempre fui aquela menina que ficava fora das brincadeiras. Que preferia ler a jogar vôlei. Que - nas raras vezes que brincava - o fazia com meninos. Lembro que na minha turma da 1° série eu era a garota que já sabia ler e escrever muito antes da metade do ano, e que tinha uma caligrafia perfeita, enquanto que minhas colegas mal sabiam escrever o próprio nome e ficavam dançando aquela música chata do Bonde do Tigrão (true story).

Então, quando alguém - como aconteceu há pouco no Tumblr (clique aqui) -  vem me chamar de esquisita, não é nenhuma ofensa pra mim. A primeira vez que tive consciência de que era esquisita foi na festa de aniversário de 4 anos da minha sobrinha mais velha (na época, eu tinha 6). Enquanto todas as amiguinhas dela brincavam de maquiagem e de casinha, eu me sentei juntamente com os adultos e fiquei observando aquelas meninas brincarem pensando o quão estúpidas elas eram por quererem ser mães, brincando com aquelas bonecas como se fossem suas filhas. Então eu percebi que era completamente diferente. Simples assim.

Isso nunca me incomodou. Já tem gente normal demais no mundo, às vezes o esquisito é mais legal que o normal. Freddie Mercury sabia que era diferente desde pequeno, e em uma das cartas que ele mandou para seus pais enquanto estudava em um internato, ele conta como as pessoas o tratavam e que não gostavam dele; batiam nele, humilhavam-no apenas por ser diferente. Mas ele não deixou de ser fabuloso por isso.

Pessoas diferentes - elas existem. Talvez não tanto quanto a moda que há hoje em dia em que todo mundo se rotula por diferente, mas ainda há aquelas pessoas que são realmente esquisitas e não dão a mínima pra isso. E se você for uma delas, por favor, não mude por nada nesse mundo. Seja você mesmo e as pessoas que realmente valerem à pena vão gostar de você, pode ter certeza.

(Mia Sodré nunca perdeu namorado por sua esquisitice.)

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No lugar certo, na hora certa

A qualquer dia você vai colocar o pé para fora de casa e sua vida inteira irá mudar para sempre. O universo tem um plano e esse plano está sempre acontecendo. Cada pequena coisa que acontece com você faz parte desse grande plano do destino. Todas as coisas acontecem na sua vida para que você esteja exatamente onde deveria estar. No lugar certo, na hora certa.

Quantas vezes você já se perguntou - geralmente antes de dormir - porquê o rumo que você tenta tomar pra sua vida nunca dá certo? O destino tem meios de nos mostrar o caminho que devemos seguir, mas às vezes nós insistimos tanto em algo que não é para ser que a nossa vida acaba ficando complicada demais. Nada dá certo quando não estamos na direção certa.

Para saber a direção certa, é fácil: siga as dicas. O que tiver que acontecer vai acontecer, independentemente da sua vontade. Mas se você ficar trancando a sua vida com o que não é para ser, as coisas podem demorar mais. Basta estar atento aos sinais que o universo manda.
A voz do destino não se ouve com os ouvidos mas sim com o coração.

Run as fast as you can

Corra, criança perdida, corra para um novo mundo. Abra suas asas no horizonte da imaginação, solte tudo o que tem dentro de você. Seja você, respire liberdade. Corra o mais rápido que puder, não deixe ninguém te alcançar. Você sabe que se eles te pegarem sua vida irá acabar. Então corra, não pare por nada, nem por aquela moça linda que você ama. Corra para preservar sua vida, criança. Corra, enquanto ainda há tempo.

Suas intenções são tão claras, suas palavras, tão puras, mas você não tem para onde ir. Há apenas um vazio ensurdecedor que muitas vezes não te deixa dormir. Por isso, corra minha criança, corra e sonhe com um mundo novo, um mundo só seu. Ninguém pode roubar o que não te pertence: sua alma. Não deixe que a corrompam.

Fuja, abrigue-se nas montanhas; lá você estará seguro. Seguro de si mesmo, seguro da vida e sem aquelas pessoas malditas que te jogaram pra fora de casa. Mas não se esqueça, minha criança, de que você apenas foge porque não aprendeu a amar. O amor te desafia a mudar sua visão sobre todos nós. Mas é melhor fugir, menino, antes que esse amor te mate. Deixe tudo para trás se você quiser sobreviver.

 
Wink .187 tons de frio.