Abaixo o príncipe encantado


Prince Charming, você é um safado!
É, você mesmo, seu desgraçado, manipulador de menininhas inocentes que cresceram ouvindo histórias da Branca de Neve e do sapatinho de cristal da Cinderella. Quem você pensa que é para nos enrolar, hein? Quer dizer, tu estás lá, numa boa, dançando com todas as garotas do baile, do reino, e após dançar com a Cinderella e ela correr para casa, - pois sua carruagem estava virando abóbora, se bem que tenho lá minhas suspeitas de que ela correu mesmo porque você estava pisando no sapatinho delicado dela, seu babaca - você simplesmente pega o sapatinho de cristal esquecido por ela e convenientemente é acometido por uma amnésia instantânea, que faz com que você esqueça do rosto da garota a qual você diz ser o amor da sua vida. O que você faz então? Você simplesmente pega e sai em busca da sua garota do sapato de cristal pelo reino todo. Mas é muito conveniente você sair por aí, colocando o sapatinho nos pés daquelas vadias todas que cruzam seu caminho, ao invés de simplesmente lembrar do rosto da tonta da Cinderella, por quem você diz estar apaixonado, né seu otário? E aí, após pegar todas as moças do reino, você simplesmente "acha" a casa dela, não é mesmo? E coloca o sapatinho nela. E manda os passarinhos furarem os olhos das irmãs de criação da Cindy, para que elas não contem que te pegaram no baile real após Cindy ter ido com sua abóbora gigante, não é verdade?

Só digo algo, príncipe: em mim é que esse sapatinho não vai nem encostar. Prefiro ser borralheira para o resto da minha existência e me ferrar para viver do que ser apenas uma bonequinha de porcelana para um principezinho "encantado" brincar de vestir e despir quando bem lhe convir.

só porque sempre tive vontade de dar um chute com sapato de cristal na cara real do príncipe enjoado.

Do ano da reciprocidade

De 2012? Tenho apenas a agradecer por ter sido um ano incrivelmente farto de momentos inesquecíveis, pessoas certas e reciprocidade.
Essa foto é de Janeiro, alguns dias após o nascimento do Sam. Sim, pessoas, eu estava de pijama, com cara lavada e caindo de sono, mas super feliz com meus sobrinhos lindos. ♥
Em Fevereiro tivemos o 1° encontro da blogosfera gaúcha, lá na Redenção, em PoA, e devo dizer que amei conhecer essas gurias lindas e divas e pretendo organizar uma nova edição do EBG para esse início de 2013.
Rose, minha cunhada, que ficou o ano todo me ajudando a descontrair nas horas em que estava mais pra baixo e com vontade de apenas mergulhar nas páginas de algum livro, mesmo que ela não soubesse disso, ela estava lá. Linda ela. ♥
Papis, esse cara com ascendência chinesa (e mais uma pá de misturas étnicas) que me deu por herança os olhos puxados e um temperamento terrível de se lidar, mas que esteve me apoiando em todas minhas decisões, não apenas nesse ano, mas durante a vida inteira. E Sam, essa gotinha de chocolate ao leite.
1° encontro Skoob/RS que participei, numa tarde de um Setembro gelado. A definição disso, senhores? Várias pessoinhas participantes do Skoob, que amam livros, reúnem-se dois sábados por mês, levando alguns livros cada uma, para falar sobre o quê? Livros, obviamente. Como esses encontros já possuem um tempinho (2 anos), o povo se conhece bem por lá e possuem uma amizade bem legal. Eu recém estou chegando, mas simpatizo muito com eles e prevejo que estarão presentes em outras retrospectivas nesse blog. (E não, eu não faço ideia de como minha mão ficou torta daquele jeito, hahaha!)
No mesmo dia em que fui ao encontro Skoob, também encontrei a Sarah e o Vikthor, e, sério pessoas, estou pra dizer que eles foram um tipo de "recomeço" na minha vida, já que eles (especialmente Vik, com quem converso há mais tempo do que Sarah) me ajudaram muito em conselhos, ou até mesmo descontraindo, falando bobagem, em momentos nos quais apenas queria matar meio mundo. Obrigada, pessoas. Eu amo vocês. ♥
Sim, eu tenho um amigo lindo, divo, cabeludo, loiro e que usa uma mini-trança com moedinhas estrangeiras penduradas, assim como lápis de olho, e possui uma voz super grossa e olhos vermelho-escuros. Isso porque ele é basicamente o Capitão Jack Sparrow sulista.
O domingo tá entediante? Bora ir pra praça de Viamão tomar sorvete de pote, falar bobagem e ser paquerada por velhos estranhos com os amigos, hahaha!
Yanka e Mari, suas lindas, fazendo pose - comigo - na escadaria do Museu do Cinema de PoA. Só pra tirar onda, sabe?
Sim, eu fui assistir Amanhecer - parte 2 - com minha sobrinha. Soon me. hahaha!
O que seria de nossas vidas sem gordices?
Essa foto tem história, senhores. Poderia fazer um post apenas para ela, mas vou resumi-la aqui: era sábado, dia de Zombie Walk em PoA, e eu havia saído com um rapaz (hipster, hipster), e o encontro não poderia estar indo pior: ele e eu num banco da Redenção, e eu ouvindo um monólogo sobre como ele odeia o Natal, pessoas, gostaria que elas morressem, que havia esquematizado a terceira guerra mundial em seu cérebro maquiavélico, etc. Até que do nada ele diz que se lembrou que deveria trabalhar num evento no dia, me deixa na parada e se manda. E eu lá, sozinha, no centro de PoA, sendo perdida como sou, com a missão de pegar o ônibus e voltar para casa. Porém lembrei que Sarah e Vikthor estavam na Zombie Walk me esperando, mas eu não fazia ideia de como chegar lá. Após uma hora tentando entrar em contato com eles (Murphy é uma coisa linda pra me ferrar nessas horas), finalmente consegui e disse onde estava, ao que eles largaram a passeata zumbi e foram até mim para me buscar. E eu tive uma das melhores tardes/noites da minha vida. Porque foi simples, divertido e me mostrou que tenho amigos em quem confiar. ♥ E o hipster? Vixe... vai saber?
Comer ou não comer? Eis a questão do ano, senhores.
Natal, 47°C em Porto Alegre, piscina e altos papos com a Cibeli (minha sobrinha que mais parece minha irmã, um tipo de versão chocolate ao leite minha).
Ari, Lene, Glen e Chari, gostaria eu de ter uma foto com cada um de vocês para colocar aqui, mas, sinceramente, a amizade de vocês me fez muito mais feliz esse ano. Saber que alguém - mesmo que a quilômetros de distância - se importa, que estará lá para conversar, para falar bobagem ou para falar de coisas sérias, para aturar meu humor ácido e lidar com minhas crises de "eu vou enforcar meio mundo". Para me aconselhar e aturarem minhas broncas quando estou na vibe canceriana - por causa da Lua, senhores, eu juro - de cuidar de todo mundo. Apenas obrigada por participarem ativamente da minha vida, mesmo que de longe, saibam que vocês fazem a diferença e meu ano seria incompleto sem nossas longas conversas no Facebook. ♥
Friends Will Be Friends by Queen on Grooveshark
 E, claro, obrigada a vocês, Winkers, que fizeram do meu 2012 infinitamente melhor, com seus comentários de apoio, com as amizades - mesmo que eu não fale com todos lá pelo facebook - virtuais cultivadas... Por tudo. O Wink pode até ser escrito por mim, mas é por pessoas queridas como vocês me apoiarem que ele ainda existe e está em rumo ao seu 3° aniversário.

Pessoas, duvido que volte aqui antes do fim do ano, - quer dizer, voltarei para responder ao meme da Del, que deveria ter respondido há um tempo, mas... c'est la vie - porém quero lhes desejar um ano novo super cheio das gordices e de reciprocidade com as pessoas certas. Sejam vocês mesmos, acima de tudo. E lutem pelas suas liberdades.
Kissu. 
Não confio em pessoas que possuem espírito natalino. Quer dizer, o que seria possuir um espírito natalino? Significa estar possuído por um espírito gordo que usa uma roupa vermelha quente pra caramba e invade as casas das pessoas para enchê-las de coisas que elas não precisam? Please, não preciso disso.

Síndrome de Magali

Visualizem a cena: intervalo do curso (15 minutos), meu estômago fazendo barulhos horrorosos e uma tempestade do inferno caindo sobre as ruas de uma metrópole agitada. Isso num cenário "se houver amanhã", numa vibe toda Sidney Sheldon, pré-apocalíptica. E eu, ao invés de me preocupar com a ventania e chuva abundante, estava mais preocupada em qual trajeto seria o mais rápido e menos molhado para comer algo. Porque, senhores, eu tinha um objetivo: gordice. Encasquetei de comer um wafer de chocolate triplo. Por quê? Porque minha alma de gorda ansiava por isso há muito sim.

Peguei nas mãos dos meus dois amigos - Rafaela e Fernando - e fui para fora do prédio do curso decidida a entupir minhas veias com gordura hidrogenada. Havia parado de chover um minuto antes de eu decidir sair. Pensei comigo mesma que talvez - só talvez, sabe? - Murphy tivesse tido pena de mim, do meu vestido de renda, dos meus cachos caídos pelos ombros, da minha maquiagem mal produzida e da minha rasteirinha tão aberta e propensa a acidentes. Mas é claro que Murphy nunca teria misericórdia de mim, senhores. E, um minuto após eu ter saído, desabou mais água do céu de Porto Alegre do que desaba durante meus banhos. Mas, como fui criada na filosofia do "desistir nunca, render-se jamais" (Van Damme manda abraços, crianças), eu não iria voltar. De forma alguma. Só voltaria após atingir meu objetivo: gordice.

Devo dizer, senhores, que, em um trajeto de uma quadra e meia, eu levei quase 3 tombos (quase porque Fernando estava lá, e, juro, senhores, eu não desgrudei do rapaz até parar de caminhar), esbarrei em umas dez pessoas, tenho praticamente certeza de que derrubei o brinquedo de um garotinho e dei, no mínimo, uns quatro gritinhos (sim, gritinhos, pessoas, porque tenho uma voz de menininha de 5 anos) por conta das enormes poças d'água, que mais pareciam pequenos laguinhos contendo Ness, pronto para me atacar a qualquer sinal de deslize.

Na metade do caminho para o paraíso, a chuva ficou extremamente forte e fui praticamente forçada a parar. Como meu estômago não parava de se contorcer, tive de me contentar com um hot dog (divo, pelamor, cheio de batata palha ♥) e não pude prosseguir com meu plano de dominar o mundo me encher de chocolate.
Voltei ao curso. Estávamos encharcados. Parecia que havíamos sido retirados do rio Guaíba, tamanha era a quantidade de água que pingava dos nossos corpos divos. Mas, claro, as pessoas no prédio do curso não faziam ideia disso, e, ao nos verem, falaram entre si:
- Bah, tá chovendo, né?
- Tu viu o que o carinha disse, Mi? Ele disse que tá chovendo. Dã...
- Chovendo? Capaz... É que todos na rua resolveram cuspir em mim, sabe? É a vida.

Após isso, fomos - Rafa e eu - para o banheiro com espelho redondo. O que vi lá, senhores, foi o reflexo pós-apocalíptico, algo que fazia jus ao apelido de Samara Morgan que conservo com muito orgulho.
Após isso, me recusei a voltar para a aula, senhores. Sim, porque, encharcada do jeito que estava, com uma fome do cão e com o ar condicionado numa vibe Sibéria, só resultaria em algo: uma bela duma pneumonia para a senhorita Sodré.

Voltei para casa. Com vontade de doce, porque, se há algo que há em mim, senhores, é uma tal de síndrome de Magali: pareço um poço sem fundo quando se trata de dias felizes. E sim, pessoas, eu estou feliz. Muito feliz. Extremamente feliz. A ponto de sair em meio a uma tempestade, e, ao invés de reclamar, apenas me imaginar em "Singing in the rain" e dar gargalhadas enormes no meio da rua. Feliz a ponto de não me estressar com calorias de gordices. Feliz a ponto de viver sem pensar nisso ou naquilo, ou nos rapazes idiotas que aparecem na contramão da minha ferrada vida. Feliz porque tenho amigos que correm na chuva comigo.
E foi nessa felicidade que encarnei a Magali e comi metade de uma melancia quando cheguei em casa. Porque, senhores, há horas na vida em que apenas doces resolvem. E uma trilha sonora de acordo, obviamente.

Lhes apresento meus verdadeiros amores: melancia e gordices ♥

Complexo de Trakinas

Aí meu amigo chega e me diz:
- Mia, ele não gosta de ti. Ele vai mentir o que tiver de mentir apenas pra te pegar.
- Mas ele já tá me pegando.
- Não nesse sentido... Ele quer te levar pra cama, sem nada sério, e depois te largar.
- Mas vale a pena todo esse esforço apenas para dormir comigo sendo que há tantas gurias por aí livres, desimpedidas e com desejos calientes?
- Claro que vale, Mia! Tu é linda, inteligente, engraçada, divertida, sarcástica... Qual cara que não iria querer te comer?
- Alto lá que eu não sou Trakinas!
- Mas é verdade, ele só quer te comer.
- Olha... Discordo que valha todo esse esforço, mas digamos que sim. Ainda assim, afirmo deveras que o cara não come ninguém.
- Claro que come, guria! Como que não?
- Explico: nós, seres humanos, com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor, nos alimentamos pela boca, certo?
- Uhum.
- E a boca nada mais é do que o final - ou o começo, dependendo do ângulo - do tubo digestório por onde os alimentos são postos, correto?
- Sim, sim.
- Sendo a boca a extremidade do tubo digestório, ela se caracteriza por um buraco relativamente oco. E nós comemos pela boca, não é verdade?
- Sim.
- Sendo assim, como aprendi nas aulas de anatomia, a definição mais prática da mulher é que ela é uma sucessão de buracos, sendo diferenciada pelo buraco "central" de sua anatomia, parte essa que o homem com telencéfalo altamente desenvolvido diz comer. Mas se comemos pela boca por ela ser um buraco relativamente oco e a mulher é um buraco negro, então o alimento da história é o homem, que serve apenas como aquela parte pontudinha do inferno do Lego. Apenas um encaixe bobo que pode ser facilmente quebrado ou descartado.
- Eu tenho medo de ti, Mia.
- Conte-me uma novidade, Lego.
O biscoito que é a sua cara, sua linda! 

Da minha aversão ao Sr. Sparks

Eu amo ler, senhores. Qualquer pessoa que me conheça minimamente bem saberá que sempre possuo ao menos dois livros comigo, a qualquer lugar que for, afinal, nunca se sabe quando alguma catástrofe acontecerá e você precisará de livros para se acalmar, passar tempo, amar, adquirir cultura - ou espionar pessoas enquanto elas pensam que você está concentradíssima em sua leitura.

Leio tudo que me vem à mão: da trilogia dos tons de cinza (cujo enredo se trata do que sadomasoquistas fazem no café da manhã, apenas para abrir o apetite) até Dostoiévski e suas teorias sobre relacionamentos humanos. Não sou uma pessoa preconceituosa e gosto de conhecer algo antes de falar sobre, aliás, essa é uma das minhas regras pra vida - sim, eu possuo um conjunto de regras pra vida.

Porém, senhores, tenho algo para relatar que me envergonha muito: há, sim, um tipo de livro que não consigo ler. E se trata das obras-primas de Nicholas Sparks.
Eu tentei, senhores, juro que tentei. Peguei alguns de seus livros, iniciei leituras, fechei, fui vomitar, voltei, insisti, a ânsia de vômito voltou e foi aí que eu me dei conta de que se há algum autor ao qual eu tenho aversão, esse é o Sr. Sparks.
Reparem, pessoas, que até mesmo E. L. James não me desperta tamanho asco, mesmo com seu mimimi de sadomasoquismo fajuto e sua tal de deusa interior que não cala a boca e imagino que trabalhe em um circo, já que parece sempre estar em uma cama elástica, pulando o tempo todo.
Nem Stephenie Meyer, a destruidora da raça vampírica, me desperta tanta vontade de vomitar assim.

Quer dizer, parece que toda história escrita pelo Sr. Sparks trata de um casalzinho que mora em algum lugar bonito e se dá super bem, coisas "mágicas" acontecem em seus doces coraçõezinhos que transbordam mel (Ursinho Pooh aprova as personagens de N.S.), até que, subitamente, algo ocorre, há algum tipo de transtorno e tudo fica cheio de mimimi e de "perdi meu amor". Porém, como em toda boa novela, o bem sempre vence e, ao final, o casalzinho une-se novamente, e dessa vez é para sempre. Fim.

Sim, eu sei que há milhares de meninas no mundo que amam toda essa melosidade exagerada do Sr. Sparks, mas eu não sou uma delas. É muito mel, açúcar, tempero (e tudo que há de bom, numa vibe Powerpuff Girls) pra que minha mente ácida possa assimilar sem mandar impulsos para meu corpo dizendo para vomitar, expelir todo esse mimimi da minha vida, mente, alma, antes que seja tarde demais e - que Deus me livre - me torne uma garota romântica.

E é por isso, senhores, que se eu tivesse de escolher entre Twilight/Fifty Shadows e Nicholas Sparks, preferiria sem pensar duas vezes a saga dos vampiros purpurinados e a dos cinquenta tons - até porque, entre um mal escrito que me diverte e um mal escrito que me deprime, eu sempre escolherei a diversão. 

(in)tolerância

Vivia em uma situação insustentável. O peso de pecados não cometidos caía sobre ela sem que pudesse ter a chance de se defender. Sua mãe, vendo-a ler, rasgou seu livro dizendo que aquilo era bruxaria, que ela deveria ler a Bíblia e coisas concernentes com Deus. Ali ela teve certeza de que nunca seria do caminho de "Deus", do Deus de sua mãe, daquele Deus que a fez sofrer tantos anos, cuja doutrina levou sua mãe a ser praticamente a Inquisição dentro de casa, como na idade média, em pleno século XXI.


Anita, após ter seu livro feito em pedaços num ataque de fúria religiosa de sua mãe, não conseguiu ter ação alguma. Chorou, num choro vindo do mais profundo de seu ser, de sua alma. Tudo o que ela sempre quis foi ler, conhecer culturas, viajar por mundos distantes, adquirir conhecimento. Mas isso parecia impossível dentro de sua casa. Enquanto outras mães brigavam com suas filhas por saírem para baladas e voltarem bêbadas para casa - quando voltavam - a sua brigava por ela fazer aquilo que mais amava no mundo: ler.
Como não era menina de reações dramáticas, fechou-se dentro de si mesma, recolheu os pedaços do livro - que de bruxaria não tinha nada, por sinal -, recostou-se em um canto da parede, esperou terminar de ouvir os passos da mãe subindo as escadas e chorou silenciosamente. Anita não era moça dada a escândalos, portanto mordeu o antebraço para que o choro saísse abafado, para não gritar desesperadamente pedindo por socorro, para que ninguém soubesse da dor que sentia ou que zombassem dela por ser tão boba a ponto de chorar por um livro. Mas não era apenas pelo livro que chorava - apesar de que sua alma partiu-se juntamente com as páginas daquele belo livro verde - porém, chorava porque seu desejo de conhecimento e liberdade lhe era negado apenas porque sua mãe determinou que seu destino seria casar com um rapaz da igreja, ter filhos, arrumar em emprego medíocre, viver conforme as regras machistas escritas por São Paulo, na Bíblia, e acabar seus dias amargurada, enclausurada, sendo uma cristã exemplar, em alguma Assembleia de Deus qualquer que existisse em sua cidade, tendo uma vida tão falsa, rasa e sem sentido como a dela própria.

Passados alguns minutos de choro silencioso, notou que seu braço adquirira uma coloração roxa, pois seus dentes haviam sido cravados com muita força, força essa que deveria ter sido expelida por sua voz, em um grito de dor, de desespero, de quem é encarcerado e compelido a viver algo que não quer. Pensou em ligar para alguém, mas quem? O amigo que lhe emprestara o livro - agora já rasgado? Não. Ele havia saído com sua namorada, e mesmo que não houvesse, como ela lhe diria que a intolerância de sua mãe fez o livro em pedaços? Ligar para o outro amigo com quem sempre tem conversas longas e reflexivas? De que adiantaria? Ele estava longe, não haveria nada que pudesse ser feito por ele para que a situação melhorasse, ou mesmo para levá-la para longe. Todos estavam ou ocupados, com seus namorados, ou distantes demais para que pudessem ajudar. Sentia que seu fôlego escapava, sentia um enjoo, sua cabeça latejando, sua respiração se tornando escassa. Pensou em ligar para seu pretendente a namorado, mas iria falar o quê? Ele não sabia nem 1/4 do que era sua vida. Como ela poderia dizer "rapaz, estava eu lendo um livro incrível sobre loucura e suicídio que um amigo querido me emprestou, quando minha mãe começa a gritar que aquilo era bruxaria, que eu havia largado a igreja para isso, que deveria ler a Bíblia, arrancou o livro de minhas mãos e o fez em pedaços"; não ela não poderia dizer isso. Iria parecer louca. Vinda de uma família louca. Genes loucos. Qual rapaz, em sã consciência, se envolveria com ela, sabendo de sua família louca, de sua mãe intolerante, de seus desejos de suicídio, de seus traumas, de seus problemas emocionais, de sua vontade de correr, correr, correr até cair de exaustão e permanecer em um coma profundo por anos? Não, ela não poderia correr o risco de parar num hospício, de ser largada, de autossabotar mais um relacionamento apenas por falar a verdade, falar o que lhe acontecera, falar como sua vida era cheia de situações extremas e que desconfiava plenamente que muitos filmes e livros foram feitos inspirados nas situações insanas que vivera em seus quase dezenove anos de existência.

Correu para seu quarto, trancou-se, verificou a fechadura de sua porta três vezes, com medo de ser surpreendida por sua mãe, pôs-se em frente ao espelho e admirou-se. Sempre soube que ficava especialmente linda quando chorava. Seus olhos verdes se tornavam encantadores delineados de vermelho-sangue, sua boca se tornava ainda maior e mais viva, sua pele parecia embranquecer e seus cachos castanhos lhe caíam com leveza pela face banhada de lágrimas. Sempre soube que virava pintura renascentista ao chorar. Teve desprezo por si mesma ao perceber alguns traços de sua mãe em seu rosto. Jurou fazer uma tatuagem, um novo corte de cabelo, uma pintura nova, piercings, algo que a diferenciasse. Mas ela sabia que não era agressiva a ponto de fazer isso. Parou, olhou-se mais atentamente e percebeu que sua vida sempre seria assim. Nunca conseguira um relacionamento com uma pessoa normal, com alguém que não pudesse ser considerado louco de alguma forma, e sempre achou que isso se devia ao fato de que o mundo era louco e as pessoas, insanas. Mas não. Estava agora saindo com um rapaz normal, de assuntos rasos e cotidianos, uma pessoa adorável, porém ela não se sentia a vontade para falar de assunto reais, do que lhe acontecia, pois ele nunca entenderia. Ele, com sua vida perfeita e problemas banais nunca poderia compreender o que é, de fato, considerar o suicídio como a melhor alternativa.

Ela gostava muito dele. Pensava frequentemente em lhe contar sobre sua vida, sobre o que passou e o que passava. Mas como poderia explicar que sua mãe é repressiva, controladora e louca e que ela mal tinha sanidade e se escondia em livros para suportar uma realidade enclausuradora? Como ela poderia se entregar inteira se sabia que ele nunca entenderia, que nunca aceitaria conviver com seus meandros, com seus tons de cinza, com sua vida ferrada?

O livro que Anita estava lendo, aquele livro que fora rasgado por sua mãe, falava de Veronika, uma jovem que decidira morrer. Tomou pílulas para tal, mas apenas conseguiu um atestado de insanidade - foi parar em um hospício - e um dano irreversível no coração, que a faria morrer em poucos dias e com muita dor. Ser livre, de fato, é loucura. O universo parece ter algo muito sério contra pessoas que querem ser livres e controlar suas vidas, controlar o rumo que tomam. Anita sabia bem disso e decidiu que - por mais que a janela de seu quarto lhe chamasse, por mais que os ventos cantassem uma canção mortal - não tentaria morrer. Ela sabia que já havia feito isso e que levara anos até que a fama de louca se tornasse apenas uma piada de mal gosto.

Ligou para seu pretendente, mas, antes que ele pudesse atender, desligou. Pensou em marcar um encontro naquela mesma tarde e deixar de lado os ensinamentos cristãos de sua mãe, entrar em algum tipo de orgia, fazer o que fosse preciso para desvincular-se de uma vez por todas de tudo o que lhe fora incutido por sua mãe, de preceitos arcaicos cristãos, machistas, que nada tinham a ver com o que fora ensinado por Jesus - amar ao próximo como a si mesmo, não fazer aos outros o que não quer que façam para si. Pensou em transgredir com todas essas regras suspensas de vida cristã, mas parou. Ela apenas faria mal a si mesma, à sua frágil alma, à sua mente confusa e delicada, que fazia força extrema e lutava contra si mesma para preservar um mínimo de sanidade possível. Não seria louca. Não faria jus ao que diziam dela. Não, ela não daria esse prazer aos outros. Anita era tudo, menos sentimental. Ela sabia muito bem das consequências de seus atos e aprendera desde cedo a se defender, camuflar sentimentos e manipular situações.

Tudo que desejava era ter uma vida normal e calma. Mas ela sabia que isso nunca seria possível. Abriu a janela novamente. Subiu no telhado, sentiu o vento bater em seus cachos castanhos, ouviu a voz que lhe chamava para o abismo e teve novamente a vontade de ser fraca. Se entregou. Finalmente caiu. Acordou atada em sua cama, com sua mãe rindo ao observá-la da porta, debochando por ela ter falhado até mesmo nisso. Decidiu morrer, mas era tarde demais.
A ignorância seria, de fato, uma bênção.

Bonequinha de porcelana do mal

Estava eu no ônibus, voltando para casa, quando três rapazes entraram naquele veículo mal movimentado. Eles vestiam camisetas da Black Label Society, munhequeiras, muitos piercings em lugares diversos e cabelos invejavelmente compridos, hidratados e lisos - coisa que, tenho certeza, se fossem gurias, não os teriam tão perfeitos quanto.

Os mal encarados rapazes ficaram em pé ao meu lado (já que não haviam mais assentos disponíveis), me olharam de cima a baixo, com ar de superioridade, e cochicharam entre si sobre como eu deveria ser uma dessas menininhas mimadas (coisa que sou, por sinal) que não entendem nada de "música de verdade", cultura rock and roll, cultura filandesa e viking e toda essa babaquice de jovem metido a rebelde mal resolvido; e tudo isso apenas porque eu estava usando um lindo, fofo e divo vestido com estampa de mini-florzinhas, camisa meia-manga com babados (fazendo a vez de um bolero) e uma sapatilha super delicada - ou seja, bem no estereótipo de menina mimada com complexo de bonequinha de porcelana.

Claro que eles apenas cochicharam essas coisas porque eu estava com fones de ouvido a todo volume e concentradíssima - prestando atenção em tudo - lendo A insustentável leveza do ser, e não contavam com minha audição supersônica ou com o fato de que, por mais distraída que eu seja, sempre presto atenção em coisas aleatórias - menos no que, de fato, preciso prestar atenção, obviamente, como manda Murphy.

Os rapazes cultos e "do mal" continuaram conversando animadamente e me olhando com desprezo pelo meu jeito Breakfast at Tiffany's de ser. Até que, de repente, alguém me liga. E, senhores, eu realmente gostaria de ter registrado aquele momento, porque o toque do meu celular é nada mais, nada menos que...
Carry on, da Angra:
Carry On by Angra on Grooveshark

A cara de espanto que eles fizeram ao ouvirem os riffs de guitarra sendo emitidos pelo meu celular foi épica.
Ficaram boquiabertos, cutucaram-se e começaram a sorrir para mim - como se eu fizesse parte de uma sociedade secreta e subitamente houvesse sido reconhecida através de meu passaporte disfarçado de toque musical.
Foi quando, senhores, eu incorporei Dexter, vesti o olhar de desprezo - também conhecido como "olhar de assassina psicopata" -, contrastei-o com um sorriso de meia-lua - que dizia algo como "estou sorrindo, mas você ainda será servido no jantar" - e voltei o rosto para o livro. 
Isso porque, senhores, eu detesto elitismo de metidos a headbangers do mal que ainda não aprenderam que, para se gostar de algo, não é necessário andar fantasiado por aí com suas camisetas de banda, roupas pretas, acessórios agressivos e caras "do mal". Rock é um estado de espírito e não um estilo de roupa.

Pessoas que fazem do mundo um porquê

Pessoas passando pelo sinal
Pessoas vivendo uma vida vazia
Para muitos, elas são pessoas de verdade
Essas são consideradas com vida normal
Pessoas destruindo pessoas
Pessoas calçando sapatos renegados
Pessoas ligando durante a madrugada
Seus celulares já há muito ultrapassados
Pessoas que dançam e cantam e giram
Pessoas que pensam que estão emitindo
Alguma canção para o silêncio mortal
E evocando um sentimento irracional
Suspiros deixados na porta da frente
Para uma pessoa que quer ser lembrada
Porém sua vida é uma mentira
E sua lembrança será esquecida
Pessoas que passam na rua da vida
Pessoas que vivem sem clima, sem alegria
Pessoas robóticas, pessoas iguais
Saídas da fábrica, idealizadas por jornais
Pessoas estranhas, pessoas vestidas
Como se o tecido curasse a ferida
Ferida que sangra, que divide, que lembra 
Feridas são remendos de uma alma partida
Festas e chutes e veias sangrando
Apenas um pedaço de pano em movimento
Se movem, se movem, são almas, são vivas
Pulsam e choram e levam mordidas
Pessoas que sangram, pessoas que latem
Pessoas que vivem como se fossem humanas
Humano extinto, é isso que são
Pessoas estão numa droga de extinção
Se eu sou uma pessoa, não sei, não padeço
Das altas agonias que delas conheço
São gente de sinais, de ritmo, de dança
São gente que não se compadece nem de uma criança
Pessoa, eu não sou apenas o que você pensa
Que finge, que lê e também adormece
Que escreve um poema numa noite anormal
Apenas para aliviar sua alma do mal 
O mal que aquece, que oprime, que queima
Por entre as veias da menina indefesa
São coisas da vida, é o que me dizem
Pessoas que foram trocadas por crimes
Apenas notícias, num rádio, no jornal
Apenas mais nomes, sem nada anormal
Pessoas que acordam e se deparam com a vida
Vivida por gente de lata e de cera 
Pessoas que não derretem, não sentem, não lembram
Que lidam com a vida como se fosse um poema
De uma estrofe há muito guardada
Deixada num canto, toda empoeirada
Pessoas que cantam, pessoas que dançam
Que fazem da vida uma peça encantada
Que fazem da alma um mito encarnado
Que fazem do ar uma fórmula esquecida 
São essas pessoas, minha gente, eu confesso
Que me fizeram ser perdida entre versos
Que me fizeram ver que o mal desse mundo
Não está nas palavras, está no orgulho 

(in)sanidade

Queria ser um pássaro, abrir suas asas e voar. Se atirou pela janela. Conseguiu duas costelas quebradas e um atestado de insanidade.
Ser livre é loucura.

Janela

Anita abriu a janela de seu quarto, no segundo andar, durante a madrugada quente de uma primavera insólita. Sentiu uma brisa suave, sentiu que a energia da brisa a convidara para ser sua amiga, para segui-la, para se jogar. Lentamente ela esgueirou o corpo pelo pequeno espaço da janela de madeira. Avistou luzes de natal - um natal adiantado, por sinal - em casas distantes de seu bairro. Teve vontade de se jogar, de cair, de ser fraca apenas uma vez - porque quando estamos fracos é que mostramos nossa força. Pé ante pé, ela subiu pelo telhado, através de sua janela envernizada.
Talvez fosse apenas um delírio de febre, talvez fosse a energia do ar dedilhando a bela e misteriosa canção do silêncio. E foi aí que percebeu que era uma alma aprisionada em um corpo, uma alma que pertencia à brisa, à energia, ao mundo.
Um dia ela ainda saltaria pela janela. Mas não hoje. Hoje ela precisa voltar para seu mundo de fantasias e fazer a lição de casa. 

Drummond sabia das coisas

Pessoas são idiotas - e eu poderia concluir o raciocínio aqui.
Explico: estava eu lendo "Os cem melhores poemas brasileiros do século" e um desses poemas - do Carlos Drummond de Andrade - é um ode à bunda.
Sim, exatamente isso.
Confesso que gosto muito desse poema. Porque ninguém fala na bunda. Quer dizer, as pessoas falam, mas mais no sentido sexual da palavra do que no sentido físico.
O fato, senhores, é que minha mãe chegou, percebeu que estava lendo algo e perguntou o que era. Ao que eu citei o poema:
"A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica. 
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos 
ainda lhes falta muito que estudar."  

Então mamãe - completamente boquiaberta - me disse que uma moça de família como eu não deveria ler tal coisa, muito menos em voz alta, porque - espantem-se - de acordo com ela, a bunda é algo vulgar e falar tal palavra é coisa de pessoas vulgares.
E que bunda é palavrão.
- pausa para chorar de rir -

Perguntei à ela o porquê de tanta polêmica referente à uma parte do corpo humano. Ao que ela disse:
- A bunda é errada. É algo vulgar. É por onde saem os excrementos do corpo, o que a torna suja. Falar sobre ela é coisa de guria pervertida. Moças de família não falam isso. Ignoram.
- Então tu estás me dizendo que eu deveria ignorar uma parte do meu corpo porque supostamente eu sou uma moça de família e, portanto não posso ter bunda.
-Não fale mais essa palavra! É nádega. Ponto.
- Mamis, Kundera escreveu algo interessante a respeito disso. Seguindo seu raciocínio, a bunda seria - além de apenas a extremidade de um cano digestório - algo até mesmo sublime. Porque, pense bem, se ela não estivesse lá, morreríamos, já que os dejetos continuariam em nossos corpos e apodreceríamos.
- Mesmo assim, uma boa moça que serve a Deus não fala nessas coisas.
- Por que não? Partindo do princípio de que somos criação de Deus e que Deus faz as coisas perfeitas, então o próprio Deus é quem determinou que o ser humano tivesse uma bunda, evacuasse, fizesse outras coisas por lá - entenda como quiser - e tudo o mais. Se Deus quem criou, por que seria algo errado ou inapropriado para uma "boa moça"?
- Mas ninguém vai te respeitar se tu falar nisso.
- Ninguém vai me respeitar se eu própria não me respeitar e não respeitar meus princípios e minha visão de ver a tal da bunda como uma extremidade de um cano do sistema digestório e também como uma parte do corpo com a qual podemos sentar. Se não fosse por ela, eu estaria morta, todos estaríamos. Qual é o problema com isso então? Preferiria estar morta a assumir que tem uma bunda?
- Tu é louca, guria.
- E só agora tu percebeu isso?

E esse, senhores, é apenas mais um dos diálogos randômicos aqui de casa. Quem diria que um poema renderia tanto? 

Murphy me ama

Quando eu chego no ponto de não querer ver nem ao menos um livro na minha frente - lembrando que livros, para mim, são um escape de tudo o que há de ruim na vida diretamente para um universo mágico moldado pela percepção do leitor - é porque há algo de muito errado, senhores.

Murphy tem essa obsessão crônica e doentia por minha pessoa. Sim, senhores, ele me odeia a ponto de ter me deixado perfeitamente bem durante todo o inverno e me fazer pegar uma gripe desgraçada durante esse calor infernal sulista, porque não basta a febre, senhores: a coisa precisa ser elevada à potência com tonturas, muitos remédios que me deixam vendo o meu duende piscar para mim e uma incrível vontade de apenas me deitar no colo de alguém e receber carinho.
Mas aí eu lembro que eu sou eu e que ninguém faria isso por mim, mas né? Murphy adora ferrar com minha vida, o que posso dizer?

Se eu não estou com paciência agora para os meus livros - que são meus amores eternos -, que o fará para pessoas, blogs ou comentários. Gente, sério, o blog pode ficar meio desatualizado. Se já não estava com ânimo antes, que o fará agora. Só quero arrumar algum tipo de amiga-babá pra me cuidar e não me deixar fazer nenhuma bobagem enquanto viajo por causa da febre.

Agora me deem licença porque verei meu duende dançar novamente aqui, enquanto tomo um chá forte de sei-lá-o-quê com um ingrediente extra na mistura e viajo completamente.
Eu voltarei.
O duende está mandando um "oi". 
Mas as resenhas no blog continuarão, pessoas. Eu apenas não postarei mais tantas dramédias da minha vida porque lá se foi minha paciência ladeira abaixo. 
Quero deixar registrado algo e quero que cumpram com minha vontade: quando morrer - e morrerei jovem, bem sei disso - não quero ser enterrada em cemitérios. Não quero uma lápide pesada de um local desconhecido sobre meu frágil corpo - afinal, como eu poderia sair do túmulo à noite?
Quero ser enterrada no meu jardim, juntamente com as pessoas que amo.
Ou ser cremada. E ter meus restos espalhados no monte Kilimandjaro.
Será que isso é pedir demais? Creio que não. 

Cinquenta tons de cinza

Eu não iria escrever sobre esse livro. Não, eu não iria. Mas, caramba, o livro é tão absurdamente ruim que eu preciso escrever sobre.


Cinquenta tons de cinza, tecnicamente, é um livro erótico que trata da relação sadomasoquista entre Anastasia Steele e Christian Grey, sendo que ela é a virgem - pura, imaculada e insossa - e ele é O cara incrivelmente lindo e atormentado por traumas da infância, que possui cinquenta sombras em sua personalidade - e é nessa hora, pessoas, que nós rimos.

E. L. James, a grande - só que ao contrário - escritora desse livro que é o princípio da excitantemente chata trilogia dos tons (Cinquenta tons de Cinza, Cinquenta tons mais Escuros e Cinquenta tons de Liberdade) revela claramente que, na verdade - ao invés de ser uma mulher adulta, casada e tudo mais como manda o american way of life - ela não passa de uma pré-adolescente, com seus 12 anos, fã de Crepúsculo, que, após uma aula de Biologia sobre como se fazem bebês, decidiu ler mais sobre, se informar nos locais errados, e quis escrever uma fanfic sobre uma péssima saga. Fanfic essa que originou uma péssima trilogia que todos adoram porque suas vidas são insossas demais ou porque ainda são fãs de Crepúsculo e são gamadas num cara que tente fazê-las de escravas (sendo que não há nada disso lá, apenas uma tentativa de algo que desperte desejos profundos, mas, que, sinceramente, só me fez chorar de rir).

Como eu já disse, eu chorei de rir. Sim, pessoas, eu chorei de rir - e eu gostaria que vocês pudessem ver minha expressão e ouvir minha fala em câmera lenta ao dizer isso, porque, sinceramente, a coisa é tão ridícula que eu preciso esculachá-la ao máximo.
Para que não digam que sou malvada, direi o seguinte: sim, há pontos legais nesse livro também! Na verdade, apenas um: ele é tão ruim que é bom. E acaba te contagiando. Você precisa ir até o fim, você se vê envolvido na leitura - ou, ao menos, eu me vi, já que o troço estava tão ferrado que eu simplesmente precisava saber como acabaria aquilo e torcia para que o Senhor Grey mantivesse a tal da Ana amordaçada o tempo inteiro e que em alguma hora ele se revelasse um psicopata metido a serial killer, a cortasse em pedacinhos e a comesse - literalmente - no jantar.

Mas, como nem tudo é perfeito - muito menos a trilogia dos tons -, ele não se mostrou o carinha de American Psycho e a tal da E. L. James decidiu que ele seria um tipo de príncipe do século XXI - e eu devo dizer que, se o Christian é o príncipe da nova geração, eu certamente prefiro o sapo enjeitado.

Porém, pessoas, há um outro ponto sobre o qual eu preciso falar: qual é a necessidade da mulher que escreveu esse maldito livro em colocar um palavrão - ou mais - a cada bendita frase? Quer dizer, eu tenho uma teoria, senhores: se vocês precisam apelar pra uma linguagem dessas para que se tornem excitantes - sorry, mas, só falar isso me faz chorar de rir, porque, de excitante, isso não tem nada - é porque vocês ainda não cresceram. Ponto. Sem discussão.

Há quem diga que eu não entendo dessas coisas e eu devo dizer que discordo plenamente. Apenas penso o seguinte: sensualidade nada tem a ver com exposição demasiada ou coisas forçadas. A sensualidade velada ainda é muito mais sexy e sedutora do que toda essa coisa escancarada que mostra muito, mas não diz nada e não faz sentir nada.

Mas, é claro que o livro é bom, sim: bom para dar risadas. Recomendo-o fortemente para pessoas que estejam necessitadas de idiotice em suas vidas. Afinal, como Ailin Aleixo escreveu: "a idiotice é vital para e felicidade". 

Morte sobre duas pernas

Acordei. Já estava tudo escuro, luzes desligadas e eu não fazia ideia de onde estava. Senti um gélido arrepio na espinha e, sem pensar duas vezes, me levantei. Comecei a procurar por alguém que pudesse explicar o que estava acontecendo, mas tudo o que encontrei foi um corredor enorme cheio de portas fechadas. Era assustador. Cheguei ao que parecia ser uma recepção e me deparei com duas moças preenchendo fichas. Sim, eu estava em um hospital, ou em algum lugar que parecia ser um. Fui até as moças e fiz de tudo para lhes chamar atenção, mas nada parecia funcionar. As luzes começaram a piscar - provavelmente pela tempestade que parecia se aproximar -,  e elas continuavam indiferentes a tudo que ocorria, mesmo a meus gritos que me pareciam ensurdecedores. Após o que me pareceu dez minutos gritando e fazendo de tudo para lhes chamar atenção, desisti. Elas pareciam me ignorar com uma frieza tremenda.

Voltei para meu quarto. Ainda estava muito confuso, mas agora começara a lembrar do porquê de estar ali. Lembrei que estava dirigindo meu carro pela estrada do Moinho quando, de repente, surgiu um caminhão que me atingiu. Após isso, apaguei, ouvindo o som de uma ambulância ao longe. 

Cheguei a meu quarto, depois de passar por um longo corredor cheio de quartos com pessoas em fase terminal. Ainda estava muito confuso quanto ao meu estado, mas foi aí que eu presenciei a cena mais assustadora da minha vida: eu estava ali, parado à beira da minha cama enquanto meu corpo estava deitado naquele leito de hospital, coberto por fios e sondas. Um corpo gélido, quase morto, arroxeado.

Não podia ser verdade. Eu havia morrido? Não, pior: eu estava em coma. Tudo me levava a crer que eu estava em coma. E isso explicaria o porquê de as recepcionistas terem me ignorado. Agora tudo estava claro. Tentei voltar para meu corpo, mas não conseguia. Eu podia tocá-lo, senti-lo, mas não conseguia voltar. Havia uma barreira invisível que me impedia. Era um pesadelo, tinha que ser.

A essa altura eu já estava beirando à loucura. Sentei em um canto do quarto e fiquei ali, observando meu corpo quase sem vida e tentando acordar daquele pesadelo terrível.
Foi então que um homem velho muito pálido entrou em meu quarto. Ele usava um manto preto e tinha os olhos de um azul intenso. Ele foi se aproximando do meu corpo como se flutuasse. Colocou a mão sobre minha cabeça enfaixada e eu senti como se um redemoinho estivesse me puxando para baixo. Olhei para o chão e um abismo havia se aberto, um enorme e escuro abismo que insistia em me sugar. Reuni toda a força que tinha e saltei naquele velho, afastando sua mão de meu corpo. Ele olhou para mim espantado e disse:
- É a sua hora. Você não pode lutar contra isso.
- Não, essa não é minha hora. Sou muito jovem e tenho muito a viver ainda. Quem é você para decidir algo?
- Alguns me chamam de ceifeiro, outros de morte. Já levei pessoas mais jovens que você e em melhor estado. Essa é a sua hora e não há nada que você possa fazer contra isso.
- Sim, há algo que eu posso fazer.

Naquela hora percebi que eu era um espírito, e se eu havia derrubado a morte então eu poderia matá-la! Mais do que depressa arranquei o espelho que havia na parede do quarto e lancei sobre o ceifeiro. Eu havia lido há tempos que espíritos podem ser aprisionados por espelhos e é por isso que quando alguém morre as pessoas tapam os espelhos para que os espíritos possam seguir seu caminho. Foi aí que aconteceu: eu aprisionei a morte dentro do espelho, mas seu reflexo ainda estava vivo, e me disse:
- Não faça isso. Você vai se arrepender!
Eu não dei ouvidos. Atirei aquele espelho dentro do abismo da morte que ainda estava aberto. Houve uma explosão de luz e o abismo se fechou. "Estou vivo!" - foi o que pensei. Ah, que terrível engano! Quando tudo parecia bem, os sinais vitais do meu corpo desapareceram. Eu havia morrido, mesmo tendo matado a morte.

Senti algo estranho em meu espírito. Senti uma dor profunda, como se estivessem arrancando as carnes que eu não possuía. Olhei para mim mesmo e estava desfigurado: eu era o velho pálido com capa preta e olhos azuis! Eu era a morte.
Me transformei na própria morte quando a matei porque a morte nunca morre.

Epifania

No início do ano, lembro-me que fiz apenas um pedido: amor tranquilo.
Anteontem, quando minhas amigas e eu passávamos, durante uma viagem de ônibus, por um túnel, enlaçamos nossas mãos, fechamos os olhos e - como manda a tradição - fizemos um pedido. Enquanto passávamos por aquele túnel escuro e mal iluminado, enquanto minhas amigas faziam seus pedidos e evocavam sonhos de grandeza, eu não consegui pensar em nada. Por mais que minha mente tentasse pensar em algum pedido a ser feito, algum sonho a ser realizado, algo que eu desejasse, eu apenas pensei em uma coisa: meu pedido foi realizado. E eu estou em paz e tranquila, com um amor enorme em mim.

Eu desejei amar tranquilamente. Porém, eu pensava que o amor fosse entre um ser e outro, que se encontram e planejam uma vida juntos, coisas divididas, promessas, afetos, esperança. Isso não é amar. É compartilhar.
Descobri o amor após um término doloroso. Descobri após ficar sozinha, após dois meses isolada de amigos, família, tudo e todos. Descobri após descobrir a mim mesma.

Procurei o amor em várias pessoas. Terminada uma ligação, um elo, pensava: não era amor, ou não era o amor certo. Mas a verdade é que me envolvi com pessoas problemáticas porque eu mesma o sou - ou era. Sabia que não permaneceriam, inconscientemente, não gostaria que permanecessem. Não me sentia pronta para encontrar a mim mesma e perceber o quão egoísta e má estava sendo. Procurava em outros algo que só poderia ser encontrado em mim mesma. Procurava uma paz para saciar meu desejo de porquês e fui obcecada com uma visão racional do amor, do amar, da vida por muito tempo. Até que a vida me atingiu como um raio no meio do peito e eu não tive para onde fugir. Porque não foram as pessoas que - por mais erradas que fossem - fugiram de mim. Fui eu quem as mandei embora. Fui eu quem fez com que as coisas fossem assim porque tudo era tão denso e tão complicado que eu não gostaria, realmente, de ver.

Porém, eu fiz um pedido. Eu desejei, do fundo da minha alma, que isso acabasse, que essa procura desenfreada por amor terminasse. E, uma vez mais, eu pensei ter amado. E, como sempre, o afastei. Não porque fosse quem fosse, mas porque eu não sabia quem era. Falei coisas que não deveria ter falado sobre pessoas que não deveriam ser expostas. Expus tudo porque a verdade parecia mais importante do que a vida. Porém, o que é a verdade? E o que é a vida? É energia. É sentir e saber e conhecer e ser. Apenas ser. Seja lá quem eu for.

Errei com as pessoas e erro ainda. Mas hoje percebi que amo, e amo fortemente a mim mesma. E ao universo. Melhor dizendo: talvez eu não ame, mas sinto o amor. Sou como uma observadora, em uma janela, admirando tudo e percebendo tudo; vivo e me percebo vivendo como se não vivesse. Tudo está rodeado de amor, por mais que não o vejamos, por mais fechados que estejamos.
Foi ferindo e percebendo o quanto feri que me conheci e soube quem eu sou. E descobri que para amar tranquilamente é preciso aceitar tanto o meu lado obscuro quanto o claro, tanto as pessoas que me parecem más quanto as que me parecem boas. Dualidade de espírito.

Não estou mais em um túnel, mas o túnel está em mim. Porque o que me atravessa leva um pouco da minha energia e sua energia também permanece um pouco em mim. E esse é o amor.

O interessante é o novo gata

Quem me conhece, sabe: o cara perde 1000 pontos numa escala de 0 a 500 se me chama de gata. Simples assim. Detesto, sempre detestei, caras que se referem a meninas com o típico: "e aí, gata?". "E aí" o quê, panaca? Tá me achando com cara de felina, é? Saio miando por aí, por acaso (desconsiderem meu apelido, senhores; apesar de me chamarem de Mia, eu não mio, juro)?

O fato é que, se o cara me chamar de gata, ele já, automaticamente, ganhou meu desprezo eterno. Chamou de gata, já era. Eu me ofendo profundamente com pessoas que acham que podem me cantar apenas por eu ter belos olhos verdes ou um rosto simétrico. E se eu sofrer um acidente e ficar desfigurada, meu bem, o que acontece? Me abandonará, deixará de me gostar e de querer estar comigo apenas por não me enquadrar nesse seu conceito ridículo de quem pode ser gata ou não? Pelamordedeus, tome vergonha na cara e tento na vida. A personalidade conta muito mais do que a aparência física.

Porém, se o cara ganha meu desprezo eterno por me chamar de gata sem nem ao menos conhecer minha personalidade, então, por quê, ao me dizer que sou interessante, tenho vontade de arrancar sua língua e fazê-la no jantar como um belo cozido? Simples: porque tanto gata quanto interessante são extremos da mesma coisa.

Explico: quando o cara já chega na menina com o papo de que ela é muito gata, só significa que, em algum momento, ele pensou em exercitar os movimentos manuais para "homenagear" a beleza da tal da gata em questão. Ou seja: panaca-que-só-pensa-em-aparência-elevado-à-potência.
Quando o indivíduo, após ter conversado com a guria, estar em uma "amizade" por um tempo, chega e diz que ela é interessante, pode ter certeza, minha amiga, que haverá um "mas" na história. E, acredite, sempre há um "mas". Enquanto o adepto ao gata quer seu corpo, o adepto ao interessante apenas quer sua mente, de longe, muito longe, como uma amiga distante e olhe lá. Ou seja: você é interessante, apenas é interessante demais para ele, que, lógico, prefere uma sonsa a uma guria doida que nem você. Porque, menina, interessante é o novo gata. Ao contrário. Elevado à potência.

Talvez - como se existisse dúvida nisso - eu seja a chata criteriosa que pensa demais sobre coisas aparentemente insignificantes e que sempre acha algum sentido oculto em palavras. Porém, essa sou eu. O que posso fazer a respeito? Mudar por um cara? Nem em mil encarnações, baby. Acredite: o dia em que mudar por um panaca, estarei seriamente doente ou sob ameaça de morte. Na dúvida, me matem. Ou me ignorem, como preferirem.
(Mas, por favor, onde estão os caras adeptos ao meio-termo? Sumiram? Foram engolidos pelo abismo das inseguranças? Surtaram? Ah, já sei: estão todos casados ou compromissados.)
Estejam avisados, rapazes: o interessante é o novo gata. E vocês estão perdendo pontos - sim, há uma pontuação, senhores, sempre há uma pontuação, por mais que garotas não admitam. 

Bewitched

Aí, durante uma tarde randômica de garotas, a Clau olha para mim, sentada ao lado do meu urso cor-de-rosa no meu quarto cor-de-rosa, e fala:
- Tu tem cara de bruxinha.
- Como é que é?
- É, sabe, aquelas bruxinhas boas, com olhos claros e cabelos cacheadinhos, clarinhos.
- Ahnm?
- Tu nunca viu algum filme de bruxinha?
- Não.
- É que nem aquele, Convenção das Bruxas.
- E tu tá dizendo que eu tenho cara de bruxa? Como as do filme? Aquelas velhas carecas, narigudas e nojentas?
- Não... Mas, é que esse foi o único filme de bruxa que me veio à mente. Mas, tu parece aquelas bruxinhas boas.
- Como a Wendy de Gasparzinho ou como Nicole Kidman em A Feiticeira?
- Não sei, não vi esses.
- E eu tenho cara de bruxa?
- É, um olhar de bruxa, uma bruxa fofinha, que parece que vai matar todo mundo quando olha pra pessoa.
- Valeu.

Aí eu fechei a cara e fiquei com aquele olhar maligno de sempre, ao que ela, percebendo, disse:
- Vai me lançar um feitiço, não vai?
- Absolutamente, querida.

Coisas para lembrar

Desapegar de tudo.
Não perdoar o imperdoável.
Não ser tão compreensiva com gente que não merece.
Seguir meus instintos e não duvidar da minha - super apurada - intuição.
Não ter medo de ser quem sou e como sou.
Mostrar a língua pra o resto do mundo, porque ninguém sabe, realmente, do que enfrento todos os dias e de como é difícil, na maior parte do tempo, sair da cama, ou, não matar ninguém.
Tomar sorvete.
Ser feliz. Por mim e para mim. 

Para sempre

Em uma tarde tempestuosa, onde havia um certo tipo de ciclone ao mar - aqui perto de casa - e os ventos estavam fortes, assim como a chuva, chegou o livro Para Sempre. Meu pai estava se preparando para trabalhar - ele trabalha à noite - e eu não ficaria sozinha, nessa casa enorme, no escuro de uma tempestade. Peguei o livro, um marcador, um casaco e fui para a casa do irmão³. Após ficar um tempo brincando com meus sobrinhos e conversando com a cunhada, sentei à mesa, com uma vela à minha frente, e iniciei a leitura.

"A primeira conversa com Krickitt não foi nada parecida com as que aparecem nos filmes, no entanto, enquanto discutíamos preços e cores, fiquei mais e mais interessado naquela vendedora que falava ao telefone e que tinha um nome tão incomum. Ela era tão incrivelmente agradável que eu não consegui evitar de pensar que meu dia ficou melhor simplesmente por ter conversado com ela."
pág.: 12

Para Sempre é um livro mágico. Mágico porque conta a história real de Kim e Krickitt, , um jovem casal que, após dois meses de casamento, sofreu um trágico acidente, onde Krickitt entrou em coma e, após retomar a consciência, perdeu a memória recente. Ou seja: ela não fazia ideia de quem Kim era ou de algum dia ter se casado.

Antes de ler o livro, havia lido muitas resenhas onde diziam que ele fala de uma linda história de amor. Mentira. Sim, o amor de Kim por Krickitt é lindo e, sim, ele tem de reconquistá-la e reconstruir suas vidas, mas, antes de tudo, se trata de uma história de fé e esperança, de se ter um objetivo, um alvo, e ir atrás, não importa o que aconteça. Honrar um pacto, honrar promessas - no caso, a promessa matrimonial:

"Passei a amá-la muito desde que a conheci. Agradeço a você por me amar dessa maneira tão bela e especial. Prometo amá-la e respeitá-la completamente. Prometo sustentá-la e protegê-la em tempos de necessidade e dificuldade. Prometo ser fiel, honesto e aberto; devotar-me a cada uma de suas necessidades e desejos. Acima de tudo, prometo ser o homem por quem você se apaixonou. Eu amo você."
pág.: 26

Para Sempre é um livro suave, delicado e humano. Se trata de relações humanas - minha paixão, confesso - e de fé, muita fé. Não é nada meloso, mas é lindo, verdadeiramente lindo, perceber que essa é uma história real e que sempre podemos usar até mesmo os eventos mais trágicos de nossas vidas como meio de superação, de evolução, de crescimento pessoal.
Sim, ao lê-lo você irá se emocionar, rir em algumas partes, ficar confuso em outras e pensar "por que ele/ela agiu dessa forma?". Sim, suas emoções se envolverão com as das personagens. Mas, o mais importante é que você aprenderá uma simples, delicada e verdadeira lição: o para sempre somos nós quem construímos, não o acaso ou o destino ou nada. É questão de fé, tanto em algo maior quanto em nós mesmos. 

Meme musical

Há uma semana mais ou menos fui indicada por três blogueiras gatas (Vicki, Carol e Ana) para fazer ao meme musical. Sou um ser muito musical, muito: quando não estou ouvindo alguma música, estou cantarolando, ou pensando, ou compondo (mas, nunca ninguém verá minhas composições porque são doidas demais, hahaha) ou fazendo coreografias aleatórias em frente ao espelho.
Enfim, amei ter sido indicada, meninas. Obrigada! 

1. Pegue seu player (no computador iTunes, WMP, etc) ou MP3/iPod/celular e coloque no aleatório. 
2. Liste as 5 primeiras faixas ouvidas. 
3. Qual delas representa o que você está sentindo hoje? 
4. Qual delas você não ouvia há algum tempo? 
5. Alguma delas te traz uma lembrança marcante? Qual? 
6. Qual delas é a sua favorita?
7. Qual delas você definitivamente indicaria para as pessoas ouvirem? 
8. Algumas delas possui um clipe que é o seu favorito? Sendo positiva a resposta, poste link do clipe para o YouTube. 
9. Relacione as músicas com 5 pessoas e as indique para o meme. 
10. Após responder coloque o link no post Meme: http://polypop.net/segunda-pop-o-meme/

1/2 - Liste as 5 primeiras faixas ouvidas
We will rock you, How can I go on, I want you to want me, Gives you hell, Wuthering Heights
randômicas by Mia Sodré on Grooveshark

3 - Qual delas representa o que você está sentindo hoje? 
Gives you hell, do The All American Rejects. Porque eu estou ótima, me sentindo incrivelmente bem e é basicamente isso o que eu diria ao meu ex se pudesse vê-lo hoje (já que a criatura, apesar de já estar com alguém e se dizer "feliz", não pára de me perturbar com mensagens e tal). 

4 - Qual delas você não ouvia há algum tempo? 
We will rock you, do Queen. Faz umas duas semanas que não a ouvia, creio eu. 

5 - Alguma delas te traz uma lembrança marcante? Qual? 
How can I go on, do Freddie Mercury e Montserrat Caballè. Na primeira vez que a ouvi, eu estava muito, muito doente e ela tem toda uma mensagem na qual eu me encaixava (encaixo até hoje, na verdade) na época e que faz um baita sentido pra mim. Fora que ela mexe com a alma. 

6 - Qual delas é a sua favorita? 
Wuthering Heights, do Angra. Tecnicamente, a música é da Kate Bush, mas, prefiro a versão do Angra (mas, as duas versões apareceram aqui, uma após a outra) porque sou apaixonada pela voz do André Matos (após o Freddie Mercury, é ele), e, como uma pá de gente já sabe, O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, babies) é meu livro preferido, me sinto estranhamente e profundamente conectada à história e essa música é uma daquelas que me dão arrepios na espinha. 

7 - Qual delas você definitivamente indicaria para as pessoas ouvirem? 
I want you to want me, do Letters to Cleo. Porque é animada, apesar de ter uma letra meio "desesperada" e tal, mas, é uma música alegre num todo e boa para cantarolar, ao passo que as outras são mais deprês. 

8 - Alguma delas possui um clipe que é o seu favorito? 
Apesar de gostar mais da versão do Angra de Wuthering Heights, considero o videoclipe da Kate Bush lindíssimo, delicado e quase fantasmagórico, de certa forma, de acordo com a música. 
9Relacione as músicas com 5 pessoas e as indique para o meme. 
E essa é a parte difícil, já que eu não sou a blogueira mais dada a conversações do mundo. Mas, vamos lá. 
We will rock you - Não me perguntem porquê, mas, lembrei da Pam ao pensar em quem poderia indicar essa música - incrível - do Queen. 
How can I go on - Eu sei que tenho um motivo para relacionar essa música com a Maria, só não lembro qual. Mas, que seja, aí está, haha. 
I want you to want me - Lembrei da Gabi, porque essa música toca em 10 coisas que eu odeio em você e, não sei porquê, mas, esse filme me lembra ela. 
Gives you hell - Essa música é a cara da Lene. Simples assim. 
Wuthering Heights - Lembrei da Gleanne porque acho que ela também se sintonizará com a música, letra e o livro. Só uma coisa, Glen: escute a versão do Angra. Arrepia. 
E, se alguém mais quiser fazer, sinta-se a vontade. Apenas me mande o link depois. 
Kissu! 

1, 2, 3... e contando

Imaginem a cena, pessoas: eu, toda arrumada, apenas esperando dar a hora para sair com o p¹ (pretendente n° 1, para quem não entendeu; e, sim: eu classifico quase tudo em números), quando o menino liga dizendo que não poderá ir.
- Então, eu não poderei ir hoje. Mas, amanhã, sim. Pode ser amanhã?
- Ah, não sei, não sei de mais nada.
- Por quê?
- Não sei.
- Tá brava?
- Não. Eu pareço brava? 

Confesso que, após esse pequeno diálogo, eu não ouvi mais nada do que ele disse, se é que disse algo a mais. Só havia uma vozinha em minha mente que dizia: "Eu, brava, meu bem? Imagina! Só gostaria de arrancar seu coração, triturá-lo e dá-lo aos animais que não tenho. Só isso."

O fato é que, sim, eu exagero um pouco e, sim, ouço vozes e músicas hipotéticas às vezes - e ignoro completamente o que outras pessoas falam. Portanto pra não descarregar a frustração no rapaz - que deve ter seus motivos para tal, coisa essa que não perguntarei, by the way - e para não desperdiçar o look - que não era lá essas coisas, mas... - saí, de qualquer forma.
Afinal, depois de tanto tempo me arrumando, eu sairia nem que fosse para ver meu sobrinho vomitar enquanto engatinha.

Fui pra o irmão³, do irmão³ fomos para o irmão², onde estava também o irmão4, mais as cunhadas, sobrinhos e a sobrinha - que mais parece prima ou irmã.
E foi tri. Preciso fazer isso mais vezes.
 Samu dormindo - ele havia dormido em meus braços, só depois foi pra cama. Tem coisa melhor do que um bebê dormir pacificamente em seus braços? 
 Mano³ (também conhecido como Max) e Mateus 
 Hora do jantar da família Sodré 
 Só porque a sobrinha queria tirar uma foto minha comendo - malvada! 
 Cibeli e Sam - sim, quase todos nessa família são morenos. Não, eu não sei como saí com essa cara de morta-viva. 
 E essa, senhores, é quem vos escreve. 
 Tia e sobrinha que mais parecem primas - e minha enorme olheira e cara de sono como coadjuvante às 00:30. 
Na Sua Estante by Pitty on Grooveshark
Só porque estou com essa música em mente a semana toda.

Ímpar

Aí o cara me manda uma mensagem dizendo:
"Tu é muito inteligente, especial... Uma moça ímpar."
O que seria algo muito lisonjeiro se ele não tivesse mandado para mim, a senhorita maluca-por-achar-sentidos-ocultos-nas-palavras.
Quer dizer, o cara falou que eu sou ímpar. Ele poderia ter falado qualquer coisa. Bonita, única, engraçada... Mas, não, ele disse que eu sou ímpar.
Ninguém quer o ímpar. O ímpar sempre fica lá. Todos os pares fazem casaizinhos enquanto o ímpar está lá, numa "boa", apenas servindo de espectador das babaquices amorosas dos outros.
Afinal, o ímpar é inteligente, é intenso, é tudo de bom. Até representar a divina trindade ele representa. Quer dizer, meu amigo, até os três mosqueteiros eram, na verdade, quatro. As pessoas não escolhem os ímpares. Elas escolhem os pares, porque pares se complementam.

Teria sido mais bonito se ele dissesse: "Mia, tuas qualidades só servem para escrever, não para um relacionamento. Tu realmente é incrível: incrivelmente alheia ao que eu quero. Mas, podemos ser amigos, que tal?"
"Amigos um caramba, meu bem!" - meu lado psicótico gritaria - "Por que eu sou alheia? Por quê? Me dê dois motivos antes que eu quebre seu nariz."

Mas, como eu sou uma pessoa muito querida e controlada, dei um sorrisinho (mesmo que ele não pudesse ver minha expressão) irônico e disse: "Obrigada, meu bem!"

E a vontade de dar um olhar maligno pra uma pessoa dessas, como é que fica? 

Está vendo o gatinho atrapalhado e fora de sincronia ali? Prazer, sou eu, o tal do ímpar. 

Eleven, eleven

Há alguns memes ainda acumulados à minha lista "do que fazer", mas, sendo eu uma possuidora assumida da chamada preguicite aguda, acabo procrastinando tudo e até mesmo esquecendo (apesar de estar anotado no mural ao meu lado, but, whatever).
Porém, com a Julie me indicou ao meme das 11 coisas (aquele que todos já fizeram, inclusive eu) e eu não estou a fim de escrever sobre meus mimimis randômicos oriundos da explosão de hormônios por causa do tal do ciclo vermelho, falemos de aleatoriedades.
Julie, dear, obrigada pela indicação. Fiquei tri feliz de ter sido indicada, mesmo!
Let's go!

As regras
- Escrever onze coisas aleatórias sobre você.
- Responder as onze perguntas que a pessoa lhe mandou. E criar onze novas perguntas para as pessoas que irá mandar.
- Escolher onze pessoas para repassar esse meme, e colocar os links de seus respectivos blogs.
- Avisar os blogs escolhidos.
- Não retorne esse meme para quem te enviou.
- Postar as regras.

Minhas onze aleatoriedades

1- À minha frente há meu duende de estimação me observando, duende esse que tenho desde o 1 ano e que foi o primeiro brinquedo que escolhi. Se chama Bicho Feio.
2- Sempre tive uma queda por pessoas e coisas feias ou estranhas.
3- Há dois murais em meu quarto, feitos por mim, onde ponho randômicas e coisas inspiradoras.
4- Obviamente a foto do Freddie Mercury está lá, juntamente com a frase: "Scaramouche, will you do the fandango?"
5- Minha dentista disse que tenho de usar aparelho, no entanto me recuso terminantemente a tal.
6- Isso porque eu amo dentes tortos. Sério. Sou apaixonada.
7- Se eu pudesse, usaria apenas roupas no estilo indiano. Um dia, um dia...
8- Não uso colares, anéis, pulseiras, nem nada do tipo. Gosto de me sentir livre e, ao usar acessórios, me sinto "presa" demais. Fora que me sinto um tipo de árvore de Natal ambulante.
9- Quase não saio de casa porque o lugar onde eu moro me deprime (sério, aqui é uma depressão geográfica).
10- Aliás, moro no meio do mato, onde só há um silêncio mortal e o som dos ventos tempestuosos que ecoam através das árvores e das planícies.
11- Ainda prefiro o vento às pessoas.

Perguntas feitas pela Julie

1. Qual a celebridade que te inspira? Freddie Mercury.
2. Tem algum livro que você leu e já modificou seu ponto de vista sobre algo? Qual foi esse livro e que visão ele mudou? Sim, claro. Papisa Joana é um livro que me fez enxergar que os mesmos problemas e dilemas que enfrento hoje já foram enfrentados por pessoas em tempos remotos e que não há nada de errado comigo por eu discordar de coisas que supostamente compõem A Verdade. Até porque tudo é relativo.
3. Qual música você não consegue parar de ouvir? Fairy Tale, da Shaman.
4. O que você mais gosta no seu blog? Ele é tão aquariano quanto eu e isso confere a ele um ar mais leve, descontraído e esquisito, sem um padrão pré definido. É um espelho.
5. Se pudesse mudar de nome, qual escolheria? Cassandra.
6. Tem algum dom que você gostaria de ter? Nenhum além dos que já possuo.
7. Que palavra define sua infância? Não é uma palavra, mas, uma banda: Legião Urbana.
8. O que acha das redes sociais? Divertidas.
9. Você é patriota? hahahahaha! Please!
10. Se pudesse ser igual (fisicamente) a alguém, quem seria? A ninguém além de mim. Eu realmente gosto da minha aparência. Só preciso ajustar uma coisinha ou outra, mas, nada muito.
11. Esse ano foi bom, razoável ou ruim pra você? Por quê? Razoavelmente bom. Por quê? Leia o que escrevi até agora e saberá (preguiça de digitar, haha).

Estou com preguiça de indicar para alguém, mas, sei que há winkers queridos que nunca o fizeram, então, por favor, sintam-se a vontade. E me mandem os links. 

Prefiro virar vegetariana

Estava eu lendo um blog randômico, quando me deparo com um texto simples e direto e o leio para minha mãe:
Até que a morte separe
No pacote estão também inclusas as olheiras, as gorduras localizadas, estrias, celulites, todas as desproporcionalidades no rosto e na personalidade. O sotaque estranho, os erros gramaticais em diversos idiomas, o péssimo gosto pra música, filmes e livros. O feijão ruim, a completa ausência de talento com saladas e com o que não é salada também. O egoísmo com as cobertas, o egoísmo com a internet, o egoísmo como forma de arte. O cabelo ruim, as eventuais unhas roídas, as neuroses e o humor auto-depreciativo insuportável.
- É sobre casamento, não é?
- Claro. Está tudo incluso. E há mais defeitos do que qualidades, sempre.
- É, como dizem: quem come a carne, rói os ossos.
- Eu não roo ossos.
- Todo mundo rói.
- Eu não. Prefiro ficar sem comer a tal da carne do que me prestar a roer ossos. Que se dane a carne. Vou virar vegetariana.

E foi assim que eu percebi, mais uma vez, que não gosto da ideia do "pacote casamento". 

Lazing on a sunday afternoon

Sozinha. Eternamente sozinha. Apenas eu e as paredes cor-de-rosa retrô do meu quarto. Só porque hoje estou muito melancólica para escrever algo que preste.
 Sim, esse é o mural que se encontra na porta do meu quarto. Ele está lá há mais de três anos e ainda não cansei. Milagre. Durou mais que todos os meus relacionamentos juntos.
 Primeiro mural: Freddie, ursinhos, definição de Aquário, texto sarcástico (obviamente) e randômicas que me fazem contente.
 Segundo mural: mais randômicas com menos significado.
 E este, senhores, é o único desenho que consegui fazer direito na vida. E está ali há cinco anos.
 Os livros que ganhei esse mês mais o livro emprestado do Wilson.
 Kit que ganhei no blog da Fluffly.
 E veio com uma pulseirinha indiana para dar para quem a gente gosta, para que dê sorte proteção à pessoa. Ou seja: ninguém ganhará.
 Lagarteando numa tarde de domingo, lendo Sereia e admirando minhas unhas.

Minha parte favorita da minha solidão: meu duende (Bicho Feio), a boneca de pano que ganhei da cunhada e uma fotografia minha aos dois anos. Minha infância. 

Estar sozinha nunca havia sido tão bom. 
 
Wink .187 tons de frio.