O fim - ou quase

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Parente em rede social é uma droga. Porque a gente que escreve gosta de enfeitar as coisas, gosta de contar história, e as pessoas da família acham que tudo é cem por cento verdade. E aí vêm reclamar que estamos contando coisas que são inverdades lá no blog. Ér.
É por isso, meus amigos, que muitas blogueiras usam pseudônimos. Tipo a Lolla, que escreve bem pra caramba, mas não revela a identidade por nada (se bem que deve haver quem a conheça realmente), e virou esse ser mítico na blogosfera apenas para que os parentes não a atormentem com esse papo todo de "você escreveu coisa demais/fantasiou demais". Gente, pelamordedeus (assim, tudo junto mesmo),  vou escrever apenas uma vez pra que todas as queridas pessoas da minha linda família entendam de uma vez por todas: nem tudo o que eu escrevo acontece literalmente, mas 99% das coisas aqui no blog são reais. Tipo, no texto lá da bruxa do 71 eu fantasiei e aumentei um pouco da realidade, mas isso porque é bom pra praticar na hora da escrita. Agora, já textos em que eu falo estritamente sobre mim mesma são totalmente verdadeiros.

Por causa disso e mais uma pá de coisas (e gente da escola que lê o blog e fica falando bobagem) estou pensando seriamente em dar uma longa pausa por aqui. Porque não dá, gente. Talvez eu crie um pseudônimo e comece a postar novamente, talvez não. Talvez eu volte aqui amanhã mesmo. Sei lá. Só sei que estou estressada demais pra pensar agora porque as pessoas simplesmente levam tudo muito a sério. É um blog feito para descontrair e também para treinar minha escrita. Não é um documento super sério sobre o que acontece com essa pessoa que vos escreve ou ao seu redor. E há quem não entenda isso.

Já terminei um namoro com o idiota n° 2 por ele ficar ofendido pelo meu blog, dizendo que eu invento coisas. Meu bem, antes de mais nada esse é um blog cujo lema é dane-se. Eu não estou nem aí. 99% do que escrevo é verdade, e mesmo nas historinhas que invento sempre procuro deixar um fundo de verdade, assim como várias pessoas fazem. Só não me diga como eu devo escrever no meu próprio blog, porque aí teremos uma briga muito, muito feia.

Mas já sei o que farei: uma página com o nome de personagens, explicando quem é quem e que raramente (em um por cento dos casos) as histórias serão levemente aumentadas. Deu pra entender, queridas pessoas da família ou "amigos"? Pois então.
Bem que meu horóscopo disse pra eu não falar com ninguém hoje porque iria me estressar. Vida de aquariana é complicada (ainda mais quando as pessoas simplesmente não entendem o que é um blog).

Eu volto. Só não sei quando. Até.
Só pra constar: não, meu irmão, eu não te chamei de idiota nas entrelinhas da imagem do post. Apenas estou sugerindo que você não tem o mínimo senso de humor e que também é extremamente metido, mas eu ainda amo você. 

Seu futuro diz olá, e ele é um impasse.


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O complicado é quando a gente se dá, se doa, se entrega. Não empresta, não cobra, apenas vai. E pedacinhos de nós se vão. E acrescentam no outro - que fica com os sentidos aumentados. Mas quando o outro não se doa, não se entrega, não se permite ser, aí ficamos incompletos e perdidos e com aquele vazio e aquela sensação de sentidos adormecidos e ocos e ecos.

Triste isso. Amar anestesia.
Só pra constar: esse trecho é parte de um comentário que fiz num texto da Gabi, mas que achei tão bonito, com tanto sentido, que decidi postar aqui. 

Subespécie de criança

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Conversando com o namorado sobre coisas que fazíamos quando éramos crianças, me lembrei de uma história que eu costumava contar pra meus coleguinhas da primeira série (e que acreditei piamente até os 9 anos).
Estávamos em uma discussão (três colegas minhas e mais um menininho que era apaixonado por mim) sobre de onde vinham os bebês. As meninas disseram que eles vinham de dentro da barriga das mulheres, mas elas não sabiam como explicar e o menino disse que uma cegonha colocava uma semente na boca da mulher, ela engolia e o bebê saía de lá.
Após ouvir isso, eu - toda me achando em uma minissaia jeans aos 7 anos de idade - disse, com toda a convicção:

- Sentem que eu vou contar pra vocês como ele vai parar lá.
- Sério que tu sabe, Mi?
- Com certeza. Escuta! O guri e a guria cospem em um potinho, aí eles mexem os cuspes deles com uma colherzinha, que é pra misturar bem e ter um pedacinho de cada um. Aí eles colocam açúcar - porque tudo que é bom tem açúcar - e colocam aquela mistura dentro de um balão vazio.
- Ah, mas não é assim, porque o bebê não nasce de um balão!
- Nasce sim, porque dizem que a bolsa estoura, mas o que estoura é o balão, né?
- E como que ele vai parar na barriga da mulher?
- Assim: ela pega o balão vazio que tem a mistura de bebê dentro e toma, como se estivesse tomando um remédio. Aí o balão vai parar na barriga dela e vai crescendo, crescendo... até que estoura! Aí o bebê nasce.
- Ohhhhhhhhhhhhhh! Como tu é inteligente, Mirian!
- Aprendam comigo, crianças.

No outro dia uma das meninas engoliu um balão que trancou na goela dela e a professora teve de enfiar a mão lá dentro para tirar.
E eu tinha medo de beijar alguém até os 11 anos com medo de engravidar - apesar de saber que não se engravidaria assim, mas eu contei a história tão bem que até eu acreditei.
Sim, eu e minha muito fértil mente nos metemos em enrascadas desde sempre. É um dom.
Gente, tá rolando um sorteio lá no Papo Teen, em parceria com o Wink, e eu ficaria bem contente se vocês participassem. Passem ? *-* 

Às onze apaga a luz

Sempre fui uma pessoa metódica. Planejo tudo antecipadamente, anoto tudo - desde o despertar até o adormecer, o que me falam, como agem as pessoas à minha volta, entre outras coisas - e sou cheia de manias apenas minhas e um tanto malucas - como a de comer tudo separadamente, tendo um prato pra cada coisa, tendo meus próprios talheres, copo, caneca, prato, taça de sobremesa, etc. Não durmo com a porta fechada de forma alguma e muito menos de luz desligada. Tenho uma ótima memória e, como disse acima, registro tudo de tudo desde que me entendo por gente.

Estou explicando isso porque, na minha família, sempre que eu fazia algum dos meus hábitos metódicos e estranhos, o pessoal citava o seguinte: "Às onze apaga a luz", sendo uma referência direta ao filme Rain Man, onde Dustin (hot) Hoffman interpreta Raymond, um autista de meia-idade.
A questão é que eu não havia entendido a referência até esta noite, quando decidi assistir pela primeira vez ao incrivelmente bom filme Rain Man.
(alguém explica como dois caras velhos conseguem ser muito mais atraentes do que garotos com a pele lisinha por aí? será o nariz grande o segredo? #fetichepornariz)

Quando era pequena as pessoas que não me conheciam perguntavam aos meus pais frequentemente se eu era autista. Sim. E não, não me envergonho disso. Eles o faziam porque eu era muito pequena porém muito desenvolta, bem articulada, debatia com as pessoas, lia muito e rapidamente, gravava tudo o que me falavam, obtinha o maior número de informações possível e ainda por cima tinha todas as manias acima (e mais algumas que conservo até hoje), sendo também que tinha horror que encostassem em mim.

Não, eu não sou autista. Na verdade o que tenho é um tipo leve de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), o qual já se encontra quase nulo hoje em dia, graças a muitos livros de psicologia e força de vontade. Mas a pessoa que tem TOC nunca elimina completamente uma mania, apenas a troca por outra. Como se se a pessoa não fizesse tal coisa, algo de muito ruim aconteceria. E eu transferi muitas das minhas manias e neuras aqui para o blog. Aqui eu conto meus dramas, histórias tragicômicas (ah, como eu amo minhas dramédias cotidianas!), coisas meio sem sentido e até mesmo contos advindos de sonhos e pensamentos estranhos e um tanto peculiares.

Nunca fiz um tratamento adequado para isso, mas escrever é algo que me ajuda tanto, me alivia tanto, que hoje em dia consigo relaxar em situações que antes não conseguia. Sempre fui muito tensa, atenta a detalhes que passam despercebidos para a maioria e distraída para coisas que as pessoas costumam prestar atenção. Hoje equilibro muito melhor isso, de uma forma saudável e quase imperceptível para as outras pessoas.

Claro que esse é um processo longo e ainda há muito o que percorrer, mas que o blog ajuda e muito, ah, isso ajuda! E vocês, pessoinhas que leem o Wink e conseguem se identificar um pouquinho com as loucuras que escrevo aqui, também têm uma parcela nesse processo. Afinal, através dos seus comentários falando do quanto se identificam com uma coisa ou outra é que percebo que não sou lá tão irrecuperável assim e que todo mundo é um pouquinho louco.
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Só não dá mesmo é pra ficar que nem o Charlie (Tom - hot - Cruise) no filme e sair gritando e chutando terra pra tudo quanto é lado. hahaha   
Afinal, às onze apaga a luz. 

You're my best friend

Há pessoas que são especiais em nossas vidas. Pessoas que não entram nela por uma escolha apenas nossa, mas que parecem ser destinadas a caminharem juntos de nós e nos apoiarem em momentos difíceis, constrangedores, depressivos. O universo tem um plano e ele trabalha o tempo todo para que esse plano seja cumprido. Nesse plano há uma parte essencial e quase que central que faz toda a diferença, que é um dos alicerces da nossa vida. Essa parte essencial, esse apoio, é a amizade. Aquela verdadeira, não feita apenas por afinidades ou por um respeito cruel, mas feita basicamente de verdade, mesmo que seja uma verdade dolorida, mas uma verdade essencial.

A verdadeira amizade se prova na distância. Da maior parte de nossos amigos de escola não nos lembraremos. Mas mesmo quando estávamos separadas conservamos nossa amizade e sempre nos preocupamos uma com a outra. Você é minha melhor amiga desde que eu era apenas uma menina esquisita que andava toda de preto e tinha um cabelo estilo "Samara Morgan saindo do poço", que tapava todo o meu rosto devido à timidez excessiva que eu tinha (aliás, foi por isso que na época eu era conhecida como Samara). Você tinha seus 11 anos e nossas conversas não passavam de grandes monólogos meus, interrompidos vez que outra por um "hum" seu, indicando que estava ouvindo as minhas teorias de conspiração.

Durante todos esses anos você foi a única que permaneceu enquanto todos os outros foram embora. Passaram amigas, amigos, namorados, paqueras e até mesmo familiares, mas você permaneceu nessa minha vida com sal e pimenta em excesso.
E agora minha amiga cresceu. Dezessete anos, sendo seis deles ao meu lado. Me sinto extremamente tranquila em ter você como minha amiga, pois eu sei que mesmo que os outros me abandonem você estará sempre comigo.
Porque amigos serão amigos até o fim. ♪

Feliz aniversário, Pocahontas. Amo você. ♥

Meme de uma queenie

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(imagem aleatória só pra o post não ficar sem, mas que eu AMEI *-* - daqui

Confesso: estava morrendo pra fazer esse meme mas jurei pra mim mesma que esse eu não roubaria de blog algum e esperei pacientemente (com uma pilha de livros) até que uma alma caridosa lembrasse que tem uma guria lá pras bandas de Viamão que ama falar sobre si mesma e me indicar. Aí a Layn e a Gabi indicaram (e o sorriso de orelha a orelha, como é que fica?). Ebaaaaaaaaa. \o/

As regras da coisa são:
Completar todas as frases.
Repassar o meme para 5 pessoas e avisá-las sobre.
Ao repassar as frases, você pode optar por manter as mesmas ou inventar outras.
Let's go! 

01) Sou muito crítica. E suspeito que metade das pessoas que convivem comigo lidam com a vontade insana de meter a mão na minha cara só pra eu parar de dar minha opinião em tudo. É pessoal, vida de aquariana é complicada. 
02) Eu não suporto gente que fica ouvindo alto música ruim e que ofende o intelecto das pessoas (tipo funk ou aquelas coisas que são trilha sonora de novela da Globo - sorry, mas não sei o nome daquilo). 
03) Eu nunca furei a orelha. E todos me olham com cara de espanto quando descobre isso. haha 
04) Eu já dancei a coreografia de Ragatanga na frente da escola lotada (8/9 anos, eu mais um grupo de meninas-fãs). Pois é. 
05) Quando criança, eu tinha o cabelo liso-escorrido e não sei como ele ficou cacheado desse jeito. 
06) Neste exato momento, eu quero mesmo é ficar abraçada no namorado que eu não vejo faz um mês.  
07) Eu morro de medo de ter meus olhos arrancados em algum tipo de culto satânico ou ser possuída por um demônio, ou mais uma pá de coisa que me deixa sem dormir às vezes. 
08) Eu sempre coloco umas músicas agitadas ao levantar pela manhã e saio cantando a toda goela e fazendo a dança do despertar (nem queiram saber) assim que acordo. Pois é. 
09) Se eu pudesse, eu seria uma dançarina que atuaria em musicais da Broadway. Ai, ai... 
10) Fico feliz quando percebo que as pessoas realmente gostam do que eu escrevo ou de algo que eu faço. Ou quando me peso e percebo que emagreci alguns gramas. *-* 
11) Se pudesse voltar no tempo, eu fecharia a boca e começaria a fazer exercícios desde novinha. Aí quem sabe hoje eu não precisasse ficar controlando tanto a alimentação... 
12) Adoro assistir a musicais. Musicais me deixam feliz. Assim como House M.D. E Dexter. E Supernatural. E mais uma pá de coisas. 
13) Quero aprender a dançar balé. Só sei alguns passos, mas ainda tenho esperança de realmente saber dançar direito. 
14) Eu preciso emagrecer 8 quilos (pra ficar com 50 e caber nas minhas roupas antigas). 
15) Não gosto muito de cultura japonesa. Sério. Tenho a maior implicância com essa loucura que deu em todo mundo ultimamente de serem tão aficionados à cultura japa. 

Indico para: Lene, Hélvio, Manu, Vic, Juliana. (queria indicar mais gente, mimimi...) 

Ainda tô tentando achar o vermelho certo pra foto e não vou conseguir me concentrar em novas frases, portanto usem as mesmas
01) Sou muito _____________________.
02) Eu não suporto ___________________.
03) Eu nunca ________________________.
04) Eu já ___________________________.
05) Quando criança, eu _________________.
06) Neste exato momento, eu quero mesmo é _________________.
07) Eu morro de medo de _______________________.
08) Eu sempre __________________.
09) Se eu pudesse, ______________________.
10) Fico feliz quando _________________________.
11) Se pudesse voltar no tempo, eu ____________________.
12) Adoro assistir a ____________________.
13) Quero aprender _______________________.
14) Eu preciso ________________________.
15) Não gosto muito de ___________________.

I love my bed

Eu não amo as pessoas. Amo as coisas, as situações.
Quer dizer, não que eu não as ame - há algumas pessoas que amo, com certeza - mas às vezes aquele sentimento de cansaço vem e aí ficam me questionando: será que isso é amor?
Quem disse que o amor não cansa? Cansa. Há momentos bons e ruins no amor. Quando se ama alguém não se ama esse alguém pelas coisas que incomodam, pelos amigos inconvenientes ou por opiniões que divergem. Não se ama defeitos escrachados ou dramas básicos do dia-a-dia. Não se ama aqueles suspiros de "eu estou bravo com você e não falarei nada, mas ficarei suspirando até que você se incomode e fale algo". E se for parar pra pensar, não sobra muita coisa pra se amar, já que o que mais existe são justamente os contras do tal do amor.

A questão portanto seria: como ele te faz sentir quando tudo está calmo? Quem você gostaria de ter ao seu lado quando acorda no meio da madrugada após um daqueles pesadelos terríveis e está frio e chovendo e você realmente não quer estar sozinha?
Amamos situações, momentos bons, ou até mesmo coisas - eu, por exemplo, amo de paixão a minha cama, que nunca me decepcionou durante todos esses anos. Dos defeitos não sentimos falta. Talvez por costume, por rotina estranhamos quando algum defeito não está mais ali. Mas isso passa.

O amor se resume a focar nos momentos bons, nas situações boas. Infelizmente essas situações são apenas 40% da vida de um casal. Os outros 60% são compostos de discussões inúteis, dramas, olhares de repreensão, silêncios mórbidos - permeados com suspiros que arranham a alma - entre tantas outras coisas que desagradam.
Aí o que temos de fazer é perguntar a nós mesmos: vale a pena aturar tudo o que me desagrada apenas para ter alguns momentos bons de certeza romântica?

Geralmente vale. Só se deve ter cuidado ao escolher com quem se vai vivenciar isso. Porque ferrados todos estamos, só que alguns são mais ferrados do que outros. 

Sofrível, sofrível

Estou emocionalmente cansada. Cansada de tentar qualquer coisa, de ser eu mesma e até de falar com as pessoas. Simplesmente esgotei todas as gotas de vontade que tinha para fazer dar certo. Talvez não tenha que dar certo, talvez eu seja uma dessas almas que estão destinadas a apenas irem e irem e irem e continuarem sozinhas, por mais rodeadas de pessoas que estejam, por mais cheias de ideias e de vontades que sejam.

Eu sempre fui sozinha mas nunca me senti realmente sozinha. Tudo está bem: eu nunca tive tantos amigos, tenho um namorado que adora professar o quanto me ama, estou mais magra do que já estive em anos e mesmo assim me sinto cada vez mais sozinha e mais cansada.
Vai ver possuo um daqueles temperamentos sofríveis, como daqueles escritores que se entregavam a coisas nefastas, supérfluas, apenas numa tentativa desesperada de preencher algo que não está lá, de ser, de deixar algo bom...

Vai ver sou água, sou transparente, sou insípida. Vai ver sou tão insossa quanto as pessoas à minha volta. Vai ver a tempestade que vi em mim não passava de uma chuvinha rala de primavera. Vai ver nem sei mais quem eu sou.
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Sobre colheres e garfos

Todo mundo já desejou ser gente grande quando era pequeno - ou mesmo depois de "grande" e após vários fracassos por conta de inexperiência. Eu não sou uma exceção a isso - se bem que já passei pela fase da síndrome do Peter Pan, mas isso foi há muito tempo - e também desejava ser grande para - adivinhem! - poder usar batom vermelho e cabelos compridos e cacheados (tudo culpa de muita novela mexicana, senhores).
Bem, eu cresci. Não que eu me ache lá muito grande - até porque quem me vê não acredita que eu tenho mais do que quinze anos, apesar de que, tecnicamente, eu deveria completar dezenove em Novembro, não fosse o médico idiota que se recusou a fazer o parto e fez com que eu nascesse de 11 meses, em Janeiro - mas meus cachos castanhos-claros realizaram meu sonho de infância, assim como a boca vermelha, tão desejada quando tinha cinco aninhos e usava trancinhas.

A questão, senhores - além do jejum forçado de 12 horas para fazer o tal do exame de umbigo, o que me faz ficar divagando sobre minha vida com muito sal e pimenta apenas para não pensar em comer o chocolate que a mãe colocou na geladeira - é que meus amigos reclamam que eu pareço uma criança. O porquê disso? Entre muitas coisas "fofas" da lista, há o seguinte: eu como de colher.

Sim, vocês leram direito. Me recuso terminantemente a usar garfo para comer - com exceção de carnes, é claro; se bem que não uso garfo pra comer guisado, peixe ou galinha, apenas carne vermelha mesmo. Por que eu faço isso? Simples: por que eu usaria um objeto cheio de lacunas e que deixa 40% da comida cair se eu posso simplesmente dizer "que se dane" pra o povo que me olha esquisito e usar uma colher, que é simplesmente a melhor invenção ligada à gastronomia que o ser humano já inventou?

Lembro que, quando eu tinha uns seis anos, li uma historinha em um gibi do Chico Bento em que o Hiro (o japa da turma) levou o Chico pra almoçar em sua casa. Chegando lá o Chico tentou comer com aqueles "pauzinhos" e obviamente não conseguiu. Depois ele tentou comer com um garfo, para parecer um menino "grande", mas também derramou tudo. Aí ele disse um "que se dane" e foi comer com colher. Claro que zombaram dele, mas a questão é: pra quê provar pra os outros que você cresceu se obviamente é mais fácil fazer as coisas de outro jeito? Talvez não seja um jeito lá muito sofisticado ou aceito na conduta social, mas caramba, qual é o problema em comer de colher? Eu gosto, aprovo e recomendo a todos.

Acho válida toda essa coisa de deixar alguns hábitos infantis para ser mais "adulto", só que também acho ridículo ver o pessoal de 14, 15 anos esculachando os outros porque gostam de se divertir, ou admitem assistir desenhos, comer de colher, cantarolar em qualquer lugar, apenas porque são "adolescentes crescidos que não se misturam com pirralhos". Façam-me um favor e deixem de ser idiotas! A graça da vida é tirar sarro dela e de si mesmo. Demorei pra aprender isso (thanks Mike, você conseguiu me ensinar alguma coisa afinal de contas) mas posso dizer: ser considerada criança nunca foi tão divertido.
Porque ser um pouco como a Jess Day é o que dá graça à vida.