Equilíbrio, equilibrista

Andando em uma corda-bamba, equilibrista que sou, tento coordenar meus passos lentamente para que eu não caia antes do final do espetáculo. Mas o vento sopra forte, a multidão fala alto, meu coração acelera e meus pés falseiam em cima daquela corda.

As luzes coloridas que passam por mim como uma aurora boreal me fazem ficar atônita. Meu equilíbrio já é pouco, meu frágil corpo tenta manter-se firme ao máximo e em meu rosto há um sorriso congelado que denota pânico, mas que para a plateia, mostra tranquilidade.

Maus sonhos à noite me disseram que eu cairia no alto do espetáculo. Eu perderia tudo, seria deixada para trás e ficaria humilhada por minha fraqueza. A hora era essa, não havia escapatória. Tarde demais, arrepios gelados sobem e descem pela minha espinha enquanto gotas de suor caem na corda-bamba fazendo-a ficar escorregadia. A queda a essa altura é inevitável. Não há mais controle físico, não há mais controle emocional.

A multidão entra em êxtase: eles perceberam o meu ato final. Como uma águia, olho para cima, cravo o bico em meu próprio peito na intenção de arrancar as penas que não tenho e mergulho para meu destino final. Voo fraca e lentamente para o chão do espetáculo, atravessando a cortina de horrores.

Acordo finalmente e me percebo humana, sujeita a quedas e falhas. Pois, menina equilibrista que sou, também perco o equilíbrio.

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Sobre padrões e amor próprio

Por que não podemos dar ao amor mais um chance? Por que não podemos ser felizes sem ficar auto-filosofando no chuveiro sobre um olhar que ele deu a mais para outra garota ou um dia que tirou pra ficar com os amigos? Por que temos de ser tão ciumentas e apegadas e malucas? Por que amar por si só não basta?

Chega de autopiedade. Chega de filosofias baratas sobre como manter um namorado. Chega de usar calcinha vermelha porque há quem tenha fetiche. Chega de tanta baboseira em torno de quem temos de ser. Eu sou assim: cabelo desgrenhado, unhas descascando e um quadril enorme que me impossibilita de achar roupas que fiquem certinhas (já que na pátria amada mãe gentil parece que as indústrias da moda só existem pra pessoas com quadril de 60 cm, mas isso é assunto pra um outro post).

Eu vou ser exatamente como eu sou e não vou me esforçar para ser enquadrada no padrão "alisabel é que é legal" ou "boazuda bronzeada da praia". Detesto praia, detesto gente de biquíni e detesto padrões. Acho que padrões existem para serem superados. Me soam como desafios.
Uso, calço, visto somente o que amo. E falo somente com pessoas que me acrescentem. E se isso significa que eu não presto ou que eu sou cheia, então que seja: me amem do jeito que eu sou ou se afastem de mim e me odeiem para sempre.

Melhor desfrutar dos extremos do que ser ignorada. E viva ao amor próprio antes de tudo. Porque sim, ame seu próximo como a si mesmo, mas não mais do que a si mesmo.

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Tem vergonha de aparecer de lingerie ou de toalha na frente dos outros, mas pra ir à praia com a tanga do Tarzan tá tudo certo, né? Humpf.

Mia Sodré anda em uma fase de revolta contra a padronização da beleza. 

Sobre o amor

'Amor' é uma palavra tão ultrapassada porque ele te desafia a cuidar das pessoas e de seus sentimentos, a cuidar de si mesmo e a ser uma pessoa melhor. Deveríamos dar mais uma chance ao amor: amar, sem pretensões, apenas amar. Por que não damos a nós mesmos mais uma chance, humanidade?
Mas não se esqueçam:
Ame o próximo como a ti mesmo, mas não mais do que a ti mesmo. 

Um amor, um livro e um chocolate quente

Pessoas queridas que leem o blog (quer dizer, eu acho que há pessoas que realmente leem as maluquices que aqui escrevo), talvez vocês tenham estranhado o meu sumiço dos últimos dias. Well, o fato é que estive muito atarefada com os preparativos do meu aniversário. Yes, babies, eu finalmente completei dezoito anos (dia 26/01; sim sou aquariana com ascendente em escorpião e lua em câncer. Drama, muito drama.). Estou ficando velha, OMG. haha

Anyway, a maior parte das pessoas, quando atinge a tão sonhada idade de 18 anos, se revolta (ou ao menos diz que vai se revoltar e aprontar todas). Quanto a mim? Oh, não, eu não pretendo aprontar nada. Verdade. Meus objetivos de maioridade são:
• Conseguir manter o blog em um estilo mais pessoal e randômico;
• Continuar feliz e leve do jeito que eu estou (confesso que grande parte dessa felicidade possui nome, sobrenome, endereço e blog);
• Ser normal (não completamente normal, porque isso é meio que impossível para mim. Mas na medida do possível conseguir ser razoavelmente feliz, estável, concluir meus estudos, cultivar minha relação etc.).

E é nesse ponto que eu quero chegar: ser normal. É fato que hoje em dia está na moda ser diferente. Ser diferente virou o normal, e ser normal virou diferente. O problema nisso é que agora todos parecem estar tentando ser mais diferentes do que os outros, estão tentando se superar em coisas idiotas e sem sentido. Todos se acham muito diferentes apenas porque usam roupas estranhas, chamativas, curtas (ou compridas, sei lá), cabelos de vassoura (oi Neymar!), óculos enormes de nerd (referência básica ao PC Siqueira), entre outras coisas, e não percebem que isso não é mais diferente: isso é normal, isso é moda, isso já virou rotina. Chato, chato, chato.

Então eu - que tentei por dezoito anos ser diferente de todos - quero ser normal. Quero ser eu mesma. E ser feliz de um modo simples e tranquilo, com meu bem ao meu lado e minha família me apoiando. Eu não vou sair por aí, fazer várias bobagens e "aproveitar" tudo o que eu posso agora que cheguei à maioridade. Ainda acredito que o maior aproveitamento de vida que há é em família, juntamente com as pessoas que nos aturam dia a dia e não nos mataram ainda e também com as pessoas que escolhemos para fazerem parte das nossas vidas.

O verdadeiro aproveitar está em sentar sob a sombra de uma árvore com alguém especial e apenas falar sobre coisas randômicas da vida, como o quão lindas são as formas das nuvens aos finais de tarde ou a coloração alaranjada/salmão que o céu toma em seu horizonte durante a primavera. É isso que dá sentido à vida: amar e ser amado; não com palavras, mas com gestos, atitudes e olhares. E é isso que eu farei nessa maioridade: aproveitar tudo o que eu puder eternizando momentos na memória juntamente das pessoas que eu amo e que me aturam dia a dia.

Nada de festas, nada de baladas, nada de ressacas, nada de usar a roupa mais curta e a maquiagem mais pesada apenas para atrair olhares e talvez encontrar um amor. Não. Agora vou ser assim: de cara lavada, pijama e um bom livro. E que se dane quem acha que sou careta por não "curtir" minha juventude: não quero curtição, quero um amor. Um amor, um livro e um chocolate quente. E um inverno delicioso. Só.

Não posso deixar de agradecer a todos que me parabenizaram, seja no orkut, no twitter ou no facebook. Não consegui responder um a um dos recados recebidos até agora, mas quero agradecer a todos que reservaram um tempinho dos seus dias para me desejarem felicidades. Muito obrigada, queridos; vocês me deixaram muito feliz por terem se lembrado de mim. Agradecimentos especiais para as meninas que fizeram uma hashtag no twitter pelo meu aniversário (#HappyBDayMia). Gostaria de dar um abraço em todas vocês, mesmo. I thank you all. *-* 
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Casca de ovo

Tô apelando, confesso. Apelei pras runas, pras cartas, pra o I-ching e todos me disseram a mesma coisa: isso vai passar. Todos os oráculos me dizem que é apenas uma fase; meus pais me dizem que é apenas uma fase; minhas amigas me dizem que é apenas uma fase; mas por que então essa fase não termina nunca?

Não quero que minha vida seja um videogame cheio de fases absurdas e sem sentido. Não quero virar essa menina insegura que apela pra bruxaria apenas para saber de um futuro incerto por não aguentar seu presente. Não quero deixar essa menina frágil e assustada sair, romper a casca que demorei tantos anos para construir.

As entidades deram pra zombar de mim. É. Fizeram uma pipoca doce, sentaram em cima de nuvens e ficam me observando, observando eu me ferrar em me desesperar e entrar em pânico aqui. Os anjos fizeram greve pela petulância das entidades e resolveram que não iriam mais me proteger. E agora, meu irmão? O que eu faço da vida?
Eu, menina frágil que sou, tento reforçar minha casca com tudo o que encontro. Mas não adianta: as bases dela já cederam. E a qualquer momento eu vou ruir. Well, acho que é como Maysa cantava: se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar.

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Sem lenço, sem documento

Há pouquíssimas músicas brasileiras que gosto, confesso. Não sou lá muito afeita ao patriotismo, muito menos musical. Mas eu realmente gosto das músicas do Caetano Veloso, principalmente as do início de sua carreira. E confesso ter um amor especial por Alegria, Alegria, que é a música abaixo.


"Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento, num sol de quase dezembro, eu vou. O sol se reparte em crimes, espaçonaves guerrilhas, em Cardinales bonitas, eu vou. Em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, em dentes, pernas, bandeiras, bomba e Brigitte Bardot. O sol nas bancas de revista me enche de alegria e preguiça; quem lê tanta notícia? Eu vou, por entre fotos e nomes, os olhos cheios de cores, o peito cheio de amores vãos. Eu vou, por que não? Por que não? 
Ela pensa em casamento e eu nunca mais fui à escola; sem lenço, sem documento, eu vou. Eu tomo uma Coca-Cola, ela pensa em casamento, uma canção me consola; eu vou... Por entre fotos e nomes, sem livros e sem fuzil. Sem fome, sem telefone no coração do Brasil. Ela não sabe, até pensei em cantar na televisão. O sol é tão bonito. Sem lenço e sem documento, nada no bolso ou nas mãos. Eu quero seguir vivendo... amor... Eu vou... por que não? Por que não?"

Gente, eu sinto falta de quando as músicas tinham letras com texto e contexto. Sério. Porque a maior parte das músicas de hoje em dia não falam nada com nada (como a tal da delícia que mata do Michel Teló). Fala sério, Brasil: o que houve com as músicas que têm mensagem, texto e contexto? 
Realmente acho que nasci na época errada. Ou não. 

Simplicidade na blogosfera

Hoje eu só quero ser simples. E como eu acredito firmemente que um blog precisa estar de acordo com seu autor, então mudei o layout do Wink novamente. Mas não será apenas o layout que será modificado. Também passarei a falar mais de mim mesma, sem pretensão de seguidores ou de divulgações, sem pretensões de ser uma versão adolescente da Tati Bernardi nem nada disso. Vou apenas escrever sobre coisas randômicas que fazem parte da minha vida, que compõe meu dia-a-dia.

Há uma campanha que teve início em 2010 chamada Volta, mundo blogueiro! que trata exatamente disso: da simplicidade que existia antes na blogosfera. Hoje em dia o que mais eu encontro por aí são blogs com os mesmos temas, os mesmos assuntos repetitivos e uma competição para saber quem tem mais seguidores ou quem é mais famoso. Gente, eu até tentei me adaptar a esse tipo de blog, mas eu simplesmente não consigo. Não que eu seja uma pessoa simples: quem me conhece sabe que sou extremamente ambígua e difícil de se lidar; mas o fato é que eu sinto falta de quando nós abríamos a página de um blog qualquer e encontrávamos mais sentimentos, mais experiências, mais textos sobre como é bom sentir o cheiro da chuva molhando a terra do chão, e menos posts sobre esmaltes, moda e artistas.

Não que eu tenha algo contra blogs que têm uma linha mais "revista Capricho" de ser, só que eu sempre enxerguei a blogosfera como um lugar onde podemos nos expressar livremente e encontrar pessoas que sintam ou passem pelas mesmo coisas que nós. Isso é gratificante. Não é necessário ter muitos seguidores nem nada desde que se tenha não seguidores, mas amigos. Posso dizer que eu consegui fazer boas amizades aqui com o blog, e eu pretendo voltar às origens dele, quando eu falava das minhas experiências que não importavam pra ninguém, mas que ajudavam a distrair bastante.

Por isso eu estou apoiando a campanha Volta, mundo blogueiro! e eu gostaria de contar com o apoio de vocês também. O Wink não vai mudar completamente, ele ainda terá contos, algumas dicas, enfim, tudo o que faz parte do meu mundo. Mas não estranhem se chegarem aqui e encontrarem um texto enorme falando sobre as covinhas do rosto das pessoas ou sobre como é interessante a frequência com que eu sonho com a menina do Exorcista e a Samara Morgan, de O Chamado.

E se eu perder seguidores por isso, bem, que se dane: a maior parte dos blogs que eu acesso diariamente, que admiro e que leio todos os textos, desde o começo, não têm mais do que 200 seguidores (quanto têm isso), mesmo sendo dinossauros da blogosfera. Espero que tenham compreendido e que apoiem essa campanha também. Cuidem-se, crianças.

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Morta viva

Eu não quero mais viver, o que não quer dizer, necessariamente, que eu queira morrer. Eu apenas queria nunca ter nascido, nunca ter entrado nessa vida e nunca ter conhecido o que é viver. Pois agora, morta viva que sou, fico espreitando por oportunidades de ressurreição que nunca surgem. Não sou Lázaro, não sairei da tumba e não terei grande fama por isso. Apenas sou uma garota que despertou de um sono mortal que durou quatro anos e que agora tem de lidar com seu estado de putrefação e suas mudanças degenerativas.

Estou dramatizando? Sim, estou. Mas é isso o que eu faço: dramatizo tudo à minha volta só pra ver se minha morte em vida pode se tornar um pouquinho mais interessante, um pouquinho mais prolongada, um pouquinho mais motivada. Sim, prolongada; estou prolongando minha morte em vida pois não há possibilidades de ressurreição e a ideia de morrer novamente é ainda mais aterrorizante do que a de viver em estado de putrefação.

O problema é que eu sempre acredito em continuações, em renovações, em ciclos. Nunca acreditei na morte como um ponto final, mas sim como reticências. Ela prolonga um ciclo para que outro possa se iniciar. Então eu tento e tento e tento enxergar um amanhã, enxergar um futuro para mim, enxergar algo de bom; mas tudo o que encontro são trevas e escuridão, até mesmo nas coisas que se mostram boas. Tudo em mim é escuridão; meu amor é sombrio, tenebroso, profundo, cheio de meandros e quase sem visualização. Sou como uma tempestade que surge e se esconde porque ao mesmo tempo em que ela sabe que é forte, é fraca o suficiente para recuar ao ver o sofrimento que causa. É isso que eu faço: eu recuo. Recuei sempre e recuarei mais essa vez.

Será que há alguém no mundo forte o suficiente para tomar conta de uma tempestade que pode desabar a qualquer momento do céu? Eu me imaginei no céu e descobri que lá não é meu lugar. Eu não pertenço ao céu, eu não pertenço à Terra, eu não pertenço ao inferno. There's no place for me. Meu lugar é vago, indefinido, de uma passagem eterna, de uma viagem inacabada. É Seol, é abismo, é o purgatório: o lugar ideal para uma morta viva.

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Agenda 2012 e como minha sorte virou

Não sou muito de tradições de ano novo, mas a (talvez) única coisa que me anima no começo de um novo ano é a oportunidade de começar a escrever em uma nova agenda. Sério, gente, o cheirinho de papel novo, os adesivos, aquelas folhas esperando para serem preenchidas... tudo isso me deixa num estado de animação incrível. E eu não sou daquelas que usam as agendas por um, dois meses e as abandonam em meados de Março; não, eu realmente as uso durante o ano inteiro.

Well, o fato é que eu fiz todo esse rodeio só pra falar que há alguns dias (sim, eu sou preguiçosa e já era pra eu ter feito esse post há tempos) chegou via Sedex a agenda 2012 que eu ganhei no sorteio do blog I Love Pink. Nem preciso dizer que eu apaixonei, né? Há muito tempo que eu não ganhava nada, e parece que minha sorte virou juntamente com a virada do ano.


E a agenda, além de linda por si só, veio acompanhada de uma carta linda, um cartão super fofo... 

...e uma presilha de cabelo feita de feltro, coisa mais fofa, gente! Apaixonei. *-* 

Só tenho a agradecer e dizer que fiquei muito feliz tanto por ter ganho esse sorteio (e minha maré de azar ter baixado, finalmente) quanto pelo capricho da Mariely, do blog, por ter enviado tudo super organizadinho e tal. Ainda mais com essa presilha feita pela mãe dela. Super fofa, gente.
Ok, era isso que eu tinha a dizer. E mais uma vez o blog voltou a seus posts randômicos. Tava sentindo falta disso. Kisses, kisses, see ya. 

Entenda como quiser

O complemento dos seres. O ópio dos apaixonados. A razão de várias existências. A origem de tudo. A materialização do desejo. A saudade encarnada. A perdição da inocência. A volúpia disfarçada. O alimento da carne. A fartura do sal. Um pecado disfarçado, chamado de prazer sem igual.
Mas não adianta: meu pecado é mental. 

Você, simplesmente você

Desculpa monsenhor, mas eu quero um amor. Não precisa ser um romance épico e nem ser dramático. Mas eu quero alguém e quem eu sinta confiança, alguém que eu sinta que não vai me largar após minha primeira crise de sociofobia. Alguém que respeite meus limites, meus mais malucos limites, como aquele de não falar de compromissos ou o de me ajudar na hora de separar cada grão de feijão da minha comida. Alguém que ria das minhas manias inquietas, como aquela de manter as maçanetas das portas sempre viradas para cima; ou aquela de bater a porta da geladeira quatro vezes antes de dormir. Alguém que respeite minhas crises depressivas e que aceite simplesmente ficar debaixo de um cobertor - durante as férias - apenas olhando para o teto e pensando na vida. Alguém que se permita ser fotografado a qualquer hora e em qualquer lugar, apenas por saber que quando eu estou nervosa me escondo atrás de uma câmera e logo arrumo uma ocupação. Alguém que não se importe com meu humor randômico e que se divirta com meu senso de humor sarcástico. Alguém que não diga 'eu te amo' em apenas 1 semana de namoro. Alguém que nem ao menos mencione a palavra namoro. Alguém que eu goste de ter ao meu lado, mesmo com aquele cheirinho de suor, de pele transpirando durante o verão. Alguém que me perceba e não me veja apenas como a garota louca que espanta todo mundo, mas que me veja como a garota que tem 9 pintinhas no rosto, que tem dentes redondos e covinhas nas mãos. E que escreve para pessoas invisíveis quando não consegue mais comportar os sentimentos dentro de si. Que me veja com a delicadeza de um beija-flor quando se aproxima de uma orquídea: que me observe, me analise, me namore e só então extraia meu núcleo, meu melhor, minha essência. Quero alguém que suporte minha melancolia e minha euforia. Quero a utopia.

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Encontro da Blogosfera Gáucha

Como alguns de vocês já sabem, a Hallana e eu estamos organizando o 1° Encontro da Blogosfera Gaúcha, que será dia 11 de fevereiro, aqui em Porto Alegre, às 14:30 hrs. Pois bem, a questão é que tivemos muitas sugestões de lugares para a realização desse encontro, mas não conseguimos chegar a um consenso. Pensando nisso, a Hallana e eu preparamos uma enquete com os locais mais requisitados para a realização do encontro e a colocamos na sidebar de nossos blogs.

Peço a vocês, que têm condições de vir a Porto Alegre, que votem, escolham o local que acharem mais indicado e que participem desse Encontro da Blogosfera Gaúcha. Caso vocês queiram participar, para confirmação de presença, podem deixar um comentário aqui no blog ou enviar um e-mail (mia_samarah@hotmail.com) ou até mesmo um tweet (@miasodre). O importante é participar, ok?
Agora, votem, pessoal. E se você não for aqui do Sul mas conhecer algum blogueiro que seja gaúcho, por favor, avise-o desse encontro, ok? Não queremos ninguém de fora.

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A cura

O recomeço de si mesma foi uma das coisas mais difíceis com as quais ela teve de lidar. Estava acostumada a recomeçar, mas nunca por si, apenas por coisas randômicas, como uma nova agenda no início de um ano ou um novo ciclo de estação. Mas a grande verdade de sua vida é que ela havia parado há dois anos atrás, na época de sua inocência, na época em que sua pureza ainda existia. Ela vivia, sabia que sua inocência havia acabado há muito, mas simplesmente não encarava esse fato. Olhava para seu presente como se fosse apenas um mero sonho embaçado do seu passado, e mergulhava nele através de sonhos muito vivos. Acordava, vestia sua roupa de lucidez e saía pelo mundo como se fosse apenas mais uma pessoa que continuou, quando na verdade ela estava parada há muito tempo.

Foi numa iluminada noite de Dezembro que ela decidiu: não viveria mais de seu passado. Disse para seu ex-amor nunca mais a procurar, cortou o cabelo que tanto amava e se permitiu verter uma lágrima por isso. Se permitiu sentir novamente, se permitiu sair daquele estado anestésico em que se encontrava. Olhou-se no espelho e viu as marcas que o tempo fizera ao seu belo rosto. Não achou mais a menininha boba e romântica de antes, mas achou alguém forte por fora e em frangalhos por dentro. Olhou para seus vincos, delicadamente os tocou e por um momento lamentou o que havia feito consigo mesma. Chorou, pela segunda vez em dois anos ela chorou. Rapidamente pegou sua necessaire e escolheu a maquiagem que disfarçaria melhor as marcas do tempo, mas percebeu que isso não bastaria; se esconder não seria a solução então ela decidiu encarar-se de frente com seu passado e com seu presente. Seria de corpo e alma agora, seria por completo, nada de metades, nada de meio termo.

Em um acesso repentino de lucidez, reuniu tudo o que guardava do seu passado - livros, cadernos, cartas, diários, bilhetes, fotos - e se desfez de tudo. Rasgou lentamente seu passado e o jogou no lixo, junto com tudo o que era inaproveitável e imundo. E se sentiu leve e pronta para seguir em frente, não porque seu passado havia sido deletado - ele sempre continuaria lá e ela sabia disso - mas porque ela pôde olhar para ele sem se sentir atormentada, sem se sentir causadora de tudo aquilo, sem se sentir vítima, mas apenas sentindo que esse fora seu destino e tudo o que ela passou a transformou no que ela é agora e possibilitou esse recomeço.

O recomeço de uma vida é uma das coisas mais difíceis que existem, mas também é uma das coisas mais lindas e saborosas. Novos sabores, novas cores, novos amores, novos caminhos. Seu recomeço não foi assim tão abrupto. Mas havia algumas feridas que só podiam ser curadas com amor: amor por si própria.

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But this cuts I have, they need love to help them heal. 

Go, go, go, little queenie!

Se há algo que sei com certeza na vida é que eu não presto. Não presto, - isso mesmo, você leu certo - eu não presto. Não me encaixo em padrão nenhum e nunca me forcei para ser diferente. Aliás, ser diferente tem se tornado tão comum que ultimamente tenho sonhado em ser normal.
Mas a questão é que eu não presto. Sou ansiosa, ferro com qualquer tipo de aproximação que as pessoas tentam fazer comigo simplesmente por pura ansiedade. Sofro de um humor irritável e azedo nas primeiras horas da manhã que costuma se estender até o meio da tarde apenas por alguém ter falado comigo antes da 9:30 da manhã. Não fale comigo antes da 9:30, não toque em mim, nem sequer olhe para mim.

Estaria tudo muito bem resolvido se fosse só isso: viveria sozinha, faria minhas refeições sozinha e socializaria apenas em horários onde estou de bom humor (e eu estar de bom humor significa "dopada de remédios para gripe"). Mas não, porque apesar de todo esse lado antissocial, há um lado meu que apenas faz isso com as pessoas para desafiá-las. É quase que por instinto, não é algo planejado. Eu apenas faço isso desde que me entendo por gente. Forço situações e polêmicas até o extremo só pra ver se a pessoa que diz simpatizar comigo realmente me aguenta. Desencavo os aspectos mais repugnantes da minha personalidade - e da personalidade de quem estiver comigo também - apenas para pôr a prova o gostar que a tal pessoa professa sentir por mim.

Mas não se enganem, meus caros: faço isso não para afastar, mas sim para aproximar. Não quero aproximações com qualquer pessoa, e as que não aguentam meu humor ácido e meio arrogante saem correndo logo durante as primeiras polêmicas do dia. Porém eu continuo com esse comportamento, porque eu sei que um dia irá aparecer alguém mais maluco do que eu e que se fascine pelo lado negro da minha personalidade e por minhas excentricidades (aliás, acho que já apareceu). E então, meus caros, eu poderei revelar meu lado sensível, afável, carinhoso e romântico às avessas, porque tal pessoa terá merecido o meu melhor por suportar e se divertir com o meu pior.

Realmente espero ter encontrado a pessoa merecedora desse meu melhor lado dessa vez. Acho que não estou enganada, espero não estar. Não quero muitos a meu lado, não quero poucos, não quero pessoas simpatizando comigo e não serei doce apenas por educação e gentileza. Só quero um. Um único que me suporte. Um amor de verdade. Mas será que isso é possível?

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Autora de ilusões

Ela lia sobre o que gostaria de ser, sobre o que gostaria de viver. E porque ela lia, era real. Em seu mundo de sonhos ela passeava atônita por meio de estradas de pedra, pensando que outrora sua vida era apenas inexistente. Ela não queria voltar a ser o que era, mas sabia que o dia se aproximava em que ela teria de reassumir suas tarefas e deixar para sempre as máscaras.

Guardou no coração uma das máscaras e disse a si mesma: "Não posso voltar para lá nua. Preciso de algo que esconda meu coração. Se o virem, atirarão flechas nele e então eu estarei perdida e nunca mais poderei retornar para cá."
Ela voltou à sua realidade. Cresceu, arranjou um trabalho, casou-se, teve filhos, mas nunca se abriu para ninguém. Não porque escondesse algum segredo obscuro, mas sim por medo de ser gravemente ferida e ter suas asas cortadas. Ela tinha uma vida normal e era razoavelmente feliz, mas se sentia incompleta, vazia. Por mais que sua família estivesse com ela, por mais que seus amigos sempre a confortassem, ela se sentia sozinha, à toa, com um buraco no peito.

Em seus momentos mais melancólicos ela recorria a seus livros. E lá ela poderia ser quem quisesse: a tonta da Julieta, a orgulhosa da Cathy Earshaw ou até mesmo, autora de seu próprio destino. Destinava a si própria a ser feliz, e porque tinha fé em suas palavras, ela era.

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Hapiness


16 de Março de 2007 
"Eu sei que, um dia, vou olhar alguém nos olhos e vou descobrir que, sem uma palavra sequer, aquela pessoa me entende perfeitamente, e eu serei feliz nesse dia. Sei que serei. Se você acha que a realidade é uma desgraça, está errada. Sou uma pessoa realista, acredite. Essa é a hora, esse é o momento chave do início da vitória. É nisso que acredito. Vou lhe dizer: tenho razão.
Sua amiga, Mia "

Escrevi essa carta para uma amiga quando tinha 13 anos. Agora, prestes a completar 18, a achei em meio a minha bagunça usual do meu quarto e percebo que esse é o momento pelo qual eu espero há anos. Eu estou feliz. Pois bem, eu tinha razão. Gosto disso.

Menina apaixonada

A menina apaixonada planta uma flor. A menina sabe que a terra do local não é a mais propícia e que a estação não é a correta pra aquela pequena flor vingar, mas mesmo assim ela a planta pra que a flor não morra. Todos dizem: "olha só que menina boba; plantou uma flor em solo árido; mal sabe ela que a flor nunca vingará." Mas ela não dá a mínima. Todos os dias ela vai lá, no meio daquele semi-deserto, água seu projeto de flor, constrói uma proteção contra o sol e fica lá, observando aquelas nuvens escassas no céu e alimentando sua sementinha com esperança. 

Um dia, surge algo verde em meio aquele sertão: é a sementinha que começou seu processo para virar flor. A menina chora de alegria e faz de suas lágrimas alimento de esperança para aquela vida - vegetal, mas ainda sim, vida - que cresce sem saber da maldade do mundo ou da secura da terra. Sua semente estava vingando e ela a chamou de Amor. Então todos os dias, a menina apaixonada ia até a terra seca para cuidar do seu Amor e o regar com as lágrimas da esperança.

A pequena flor se fez grande, rosa, linda e exuberante. A menina apaixonada exibia seu Amor em meio à secura de uma terra árida e as pessoas começaram a reparar naquilo. "Olha lá" - elas diziam - "parece que realmente vingou esse tal de Amor. Quero só ver até quando isso vai durar." A menina apaixonada não se importava com esses comentários secos. Ela amava o Amor, que era muito bem cuidado e crescia lindamente em meio à sequidão.

Até que um dia, chegou uma velha senhora chamada Inveja e se aproximou da menina apaixonada e de seu Amor. Com suas mãos secas e suas unhas afiadas, ela arrancou Amor da terra e lhe despedaçou suas pétalas. A menina apaixonada começou a chorar. "E agora, olhe o que você fez!" - gritava ela - "Você matou meu Amor! Por que isso?" Inveja, com um ar triunfante, disse: "Enxugue essas lágrimas, sua boba. Todo Amor deve morrer, e esse nem era pra ter nascido em meio à sequidão."

A menina apaixonada sai abalada daquela terra árida, com suas lágrimas de esperança caindo pelo chão. Mas ela não desiste: sabe que as sementes do Amor são mais fortes que as garras da Inveja, e sai plantando pelo caminho todo, amores de todas as cores e tamanhos. E a vida renasce, reanima, prevalece naquele sertão ensolarado chamado Coração. 

À moda antiga

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A gente não se beijou nem nada, mas em um simples abraço de despedida, eu pude sentir meu mundo mais completo, mais colorido, mais bonito. 

Pauta para a 13° Edição Frase do Projeto Suas Palavras

Bruxa do 71 feelings

Imaginem a cena: meu sobrinho de 4 anos, viciado em Chaves, na igreja com meu irmão e minha cunhada. Quando de repente ele começa a correr pelos bancos, entre as pessoas da igreja e durante a pregação do pastor, que falava sobre como as pessoas ficam possessas pelo diabo (detalhe: meu sobrinho é hiperativo e toma calmante para bebê, portanto não há quem o controle), quando de repente ele grita a plenos pulmões:

- Satanás! Onde está você, Satanás?

hahahahaha
Ok, o menino tem personalidade, devo dizer. Então foram o pegar para que ele calasse a boca e ele se pôs a correr ainda mais e gritando sem parar (ao mesmo tempo em que pegava os braços das pessoas ao redor e falava para elas):

- É você, Satanás?

Bruxa do 71 feelings.

Marionete do destino

Presa a uma montanha-russa gigante e cheia de curvas, assim estou eu. A única coisa que me livra de cair a qualquer instante é um fino cordão que eles chamam de cinto de segurança. Percebo-me tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. Olho para as pessoas à minha volta e as vejo atônitas, com medo, extasiadas pelas curvas e declínios das emoções. Quanto a mim, eu estou tão acostumada com os baques dessas montanhas fajutas de ferro que nem me impressiono mais. É excitante saber que estou mais perceptiva que os outros, mas é assustador quando penso em como posso cair a qualquer minuto e me tornar tão enérgica e assustada quanto eles. 

Nesses altos e baixos dessa montanha-russa de emoções, às vezes fico enjoada. Enjoada da vida, das paisagens, das pessoas. E então precipito-me contra as grades de ferro - já enferrujado - que me protegem do abismo, na intenção de me jogar e acabar com toda aquela brincadeira sádica com meu coração. Precipito-me, forço os ferros, tento o destino; mas não vou adiante porque o medo de sentir algo com a queda e mergulhar em minhas próprias lembranças e emoções é maior do que o medo de me libertar daquela brincadeira frustrante. 

Fico ali, parada, olhando e imaginando um futuro que não é meu. Esperando por um futuro que passou. Como uma marionete sendo levada pelo destino. Fácil vem, fácil vai; um pouquinho animada, um pouquinho deprimida. 

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Wink .187 tons de frio.