Travesseiro encharcado

Por mais que eu passe o dia inteiro me ocupando com coisas randômicas e superficiais, com pesquisas e mais pesquisas comportamentais, artigos sobre Física Quântica e séries com tramas psicológicas, quando chega a noite e tudo fica quieto a única coisa que passa em minha mente é o quão sozinha eu estou e o quanto eu gostaria de estar em uma situação diferente.
Por mais que eu me esforce para que as coisas mudem, elas simplesmente parecem estar em círculos, como se estivessem me manipulando, como se eu fosse um hamster preso em uma roda, que corre e corre - sempre almejando um novo lugar, uma nova posição - mas só continua cada vez mais a correr sem sentido algum. E às vezes, quando vem a noite, eu sinto o quão sozinha eu realmente estou.

Vejo pessoas online em redes sociais, pessoas com as quais eu poderia ter algum contato. Mas pra quê se tudo é tão vazio assim, se elas estão tão vazias e desesperadas por afeição quanto eu? Será que vale a pena? Não creio em tal coisa. Então eu encaro a tela vazia, digito algumas palavras de saudação e quando estou prestes a apertar o 'enter', deleto tudo antes que possa estabelecer algum contato humano. Afinal, a pessoa com quem eu gostaria de estar realmente está longe de mim. E eu preciso aprender a viver com isso.

Meus amigos? Eles têm as suas vidas. Seus namorados e namoradas, seus problemas pessoais e suas companhias. Eu tenho um namorado, é bem verdade que sim. Mas um namorado que está sempre ausente, já que não é possível estar perto. Então eu vou finalmente para a cama, pensando em alguma situação bem improvável para tentar entreter a minha solidão, pensando: "hey, um dia isso vai acontecer, você vai ver". A verdade é que eu sei que não irá, mas até eu racionalizar o pensamento o sono já chegou e outro dia já se passou e terminou com um travesseiro encharcado e uma solidão que se expande em um peito oco e triste. 

Orgasmo alimentício

Eu sou um escândalo na rua - e todo mundo sabe disso (ou ao menos as pessoas que convivem diariamente comigo sabem). E um dos "escândalos" que eu dou - não pensem que esses "escândalos" são propositais, até porque quem me conhece sabe que eu não sou propriamente escandalosa, não gosto de chilique e muito menos de gritaria - é quando eu como algo que eu realmente gosto. Aí a coisa complica. Porque eu tenho o "dom" de ter orgasmos alimentícios.
Sim, parece coisa de outro mundo pra muita gente, mas deixe-me narrar uma situação para que vocês entendam melhor.

Estava eu caminhando pelo corredor principal da escola, juntamente com a Esther, quando de repente ela me oferece um chiclete de tangerina. Eu - que nunca fui lá muito fã de tangerina - aceitei meio que "desanimada" por ele não ser de melancia. Continuamos nossa caminhada até o momento em que eu coloquei o tal do chiclete na boca: eu tive um ataque. Ok, eu estou sendo exagerada novamente, não foi um ataque, foi um princípio de orgasmo. Claro que eu me controlei, mas quanto mais eu mastigava aquele chiclete, quando mais aquele líquido ácido sabor tangerina saía de seu núcleo (era daqueles com recheio, sabe?), mais eu suspirava e gemia (baixinho, ok?). Até que a Esther me parou no meio de todo mundo e falou:
- Mia, tu tá tendo um orgasmo?
- Eu? Não, eu apenas fico assim quando como algo que eu realmente gosto.
- Tem certeza? Porque isso parece mais um orgasmo.
- Esther, tá todo mundo olhando.
- OMG! Tu tá tendo um orgasmo com o chiclete!
- Caramba, Ste! Esse chiclete é muito bom! É o melhor que eu já provei. Sério. E quando eu gosto de uma coisa eu não consigo disfarçar, eu começo a gemer, suspirar, sinto uns calafrios...
- Mia, eu também tenho isso quando eu gosto de algo! Esses dias tive isso com chocolate.
- Chocolate é amor. Esse chiclete é amor. E eu não sou a única.
- Bah, mas tá todo mundo olhando, pensando que tu é louca.
- Isso é porque ainda não me viram comendo pudim de leite condensado. True story.

(Mia em seu momento Robin Scherbatsky)
Só posso dizer uma coisa: orgasmos alimentícios são o motivo pelo qual eu demorei tanto para emagrecer. Agora, por favor, me digam que eu não sou a única louca que sente isso (ou ao menos a única que admite isso). 

Todo mundo menos eu

É hoje que o povo desiste de ler o blog e eu sei disso. Ou não.
O meme das 4 coisas que todo mundo gosta, menos eu (criado pela Rafaela e lindamente surrupiado da Mayra) é polêmico por si próprio. Mas como o povo que lê o blog já sabe, eu sou a polêmica em pessoa. Então a coisa pode ficar complicada por aqui caso eu atinja aos gostos de todo mundo. Mas esse é o objetivo, certo? Então.
Já de antemão digo: convido todos que leem o Wink a fazer esse meme. Quero ler as respostas de vocês, huh?
Let's go!


1 - O Senhor dos Anéis 
Sim, eu sei que praticamente todo mundo ama essa trilogia. Sim, eu sei que ela é boa. Sim, eu a assisti umas 10 vezes (principalmente ao primeiro filme da trilogia). Mas eu não consigo gostar. Não que eu desgoste - não é algo que eu odeio, com certeza - mas é que as pessoas colocaram tanto essa trilogia em um pedestal, santificaram tanto o filme, desprezaram outras tantas obras boas por causa dessa (por não terem a mesma temática e tal) que eu peguei ojeriza daquele povo baixinho e esquisito cheio de pelos nos pés (lê-se 'hobbits'). Sabe quando uma coisa é tão superestimada que - mesmo sendo boa - acaba enjoando? Então. Hoje em dia eu não posso nem mais ouvir falar em Frodo que já ficou com náuseas. E meu personagem favorito ainda é o Gollum (ainda mais na cena em que ele se transforma, haha, muito tri). Mas enfim, ojeriza pela saga dos anéis.


2 - Café
Eu não conheço nenhum outro humano (além de mim) que deteste café. Todo mundo que eu conheço toma café, idolatra o café, acha ótimo. Eu o DETESTO (assim, em Caps Lock mesmo). Agora, com essa moda do Tumblr, todo mundo fica postando fotos de café, e eu fico: "qual é a graça num troço amargo, quente e meio espesso? Eca!" Essa moda de "tomo café, sou cool" é um saco. Totalmente. Detesto. Claro que há quem ame tomar um café, mas ultimamente as pessoas têm tomado apenas para tirar fotos e postar por aí (sério, eu tenho visto isso direto). Enfim, ojeriza ao café!


3 - Festas, passeios e afins 
Todos que eu conheço adoram passear sempre que podem. Sair com os amigos, relaxar, fazer um programa-adolescente-juvenil... Todos, menos eu. Eu sou a maluca que adora ficar em casa, no quarto, lendo e fazendo pesquisas. Amo. Não que eu seja antissocial - antes que me apedrejem deixe-me dizer: eu adoro o contato social - mas nunca entendi o objetivo de sair de casa pra relaxar. Ora, em casa é o melhor lugar para se relaxar. Um filme (no caso, um seriado, né Dr. House?), minha cama, um dia nublado meio friozinho, uma coberta, várias edições da Superinteressante ao meu alcance, meu caranguejo dramático pra me fazer companhia (e ficar abraçadinha) e só. É basicamente o que eu preciso para estar bem (e é o meu conceito de relaxar e me divertir ao mesmo tempo). Amo meus amigos, mas amo estar sozinha - ou não, se estiver com meu bonequinho de abraçar estarei melhor. Sem paciência pra sair de casa a toa.
Ser meu amigo nesse caso é difícil (ou deve ser, eu não faço ideia) porque eu gosto de ficar sozinha. Há amigos com quem eu converso apenas duas vezes por ano. E não sinto falta - não por eu não gostar da pessoa, mas sim porque não sou aquele tipo de pessoa que "gruda". Não gosto de festas, baladas, agitação, gente bebaça perto de mim (ojeriza por pessoas bêbadas perto de mim), confraternizações, passeios ou seja-lá-o-que-for. Os passeios que gosto costumam ser calmos - em parques abertos ou em museus, locais onde se possa parar e conversar, ficar a toa, mas não de "frescura". É basicamente isso.


4 - Acessórios (brincos, colares, pulseiras, anéis) 
Eu nunca entendi - e desconfio que nunca entenderei - a necessidade das pessoas de parecer com uma árvore de Natal (cheias de penduricalhos). Qual é o objetivo de fazer um furo na orelha (ou seja-lá-onde-for) para sair com um troço de metal pendurado, deformando (ou não, depende do peso da coisa) a pessoa? Eu simplesmente não entendo como sair com 250 gramas de pulseira vai te fazer mais bonita, ou como uma corrente com um gato vai te fazer mais feminina e atraente (a não ser que você a use para chamar atenção a um decote, aí sim a coisa se explica). Não acho feio adereços, mas não consigo usá-los. Nem anéis. Me sinto "presa", esquisita, sufocada. Sou a menina que não usa nada, nada de enfeites. Afinal, não é todo mundo que gosta de parecer uma árvore de Natal cheia de coisinhas coloridas penduradas pelo corpo (é hoje que o povo me apedreja aqui; ou não).

Sou esquisita? Tô sabendo. Ouço isso todos os dias, gente!
Agora façam o meme e mandem os links para mim! Quero saber das esquisitices de vocês também. 

Procura-se Deus

Domingo, após uma conversa randômica e leve a respeito de diferenças religiosas, meu namorado me pergunta: "Qual é o seu conceito de Deus?" Confesso que não entendi a tal pergunta em um primeiro momento, e respondi algo bem genérico apenas para sair daquela conversa - já que não me agrada discutir sobre religião e também nunca ninguém havia feito essa pergunta para mim. Falei que Deus para mim é o criador de tudo, a força suprema que controla vida e morte, destinos e planos. Falei basicamente o que me foi ensinado. Mas como minha característica básica é ser uma pergunta ambulante, comecei a me indagar a respeito disso e a fazer algumas pesquisas sobre.

Minha primeira observação é a de que Deus - o conceito de Deus cristão, ao menos - não é racional. É algo do instinto humano, da fé, da inconsciência e até (ou talvez) mesmo do medo de perguntas e respostas. Um conceito simples e prático que não tem espaço para indagações ou grandes dissertações. Afinal "falar de Deus, sendo tão humana assim, seria cometer um pecado de estar errada a respeito do criador de tudo" (ou ao menos é isso que mamãe diz sempre). Mas afinal, se Deus nos dotou de raciocínio é para que o usemos, certo? Certo (ou não).

Se a fé é algo praticamente inerente ao ser humano - a crença em algo, seja em Deus, em entidades, deuses mitológicos da Grécia antiga ou até mesmo na crença de que não há crença - então há de ter um porquê que a explique melhor. Mas se a fé não é algo racional, como poderemos entendê-la a partir de aspectos físicos e comprováveis? Ora, se a fé é algo basicamente instintivo, então é certo assumir que nem tudo há de ter explicação. Nem todos os 'porquês' são passíveis de resposta.

"Cada sociedade vê a figura do Criador à sua maneira. Cada indivíduo, até. Para Einstein, Ele era as leis que governam o tempo e o espaço - a natureza em sua acepção mais profunda. Para os ateus, Deus é uma ilusão. Para o papa Bento 16, é o amor, a caridade. "Quem ama habita Deus; ao mesmo tempo, Deus habita quem ama", escreveu em sua primeira encíclica." (via: Superinteressante

Não há como afirmar qual crença em Deus é a correta (e eu seria muito estúpida e arrogante se simplesmente ignorasse crenças muito mais antigas do que a minha). O máximo que se pode fazer é ter sua própria crença baseada em experiências de vida e ensinamentos, pequenas coisas existentes no dia a dia. Para mim? Bem, após pesquisar tanto sobre, concluí que Deus - sendo ele essa energia vital, essa força suprema que fez com que os átomos sejam tão perfeitos e com que a Terra não seja engolida por um buraco negro, seja ele quem for - de fato existe. Por mais que nos esforçamos, nunca conseguiremos responder ao "porquê do por que", já que há mistérios que somente a mente do criador sabe. Como Einsten disse certa feita: "Deus não joga dardos." Isso porque o universo é milimetricamente perfeito demais para que tudo seja uma linda e engenhosa obra do acaso.

Mas também não acredito que Deus seja esse tirano do qual muitas vezes ouvimos falar em sermões religiosos, que mata as pessoas e as faz sofrer apenas por erros bobos. Que testa as pessoas como se tudo não passasse de uma brincadeira, de uma aposta (como a que é descrita no livro de Jó, no Antigo Testamento), como se a vida humana fosse um entretenimento. Acredito sim no que diz em Eclesiastes: "a chuva cai sobre os justos e sobre os injustos; o mesmo mal ocorre tanto ao bom quanto ao perverso". Acredito no que Jesus - que eu aceito como personificação de Deus - ensinava: "ama ao próximo como a ti mesmo". Isso me soa como obra de Deus. Não uma religião distorcida, mas Deus em sua essência: amor e entendimento. O resto seria consequência de nossos atos.

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Ateus, evangélicos e o desrespeito

Se há algo que tem me irritado bastante nos últimos dias é a polêmica ateus versus evangélicos que há no Facebook. E eu tenho algumas coisas a falar a respeito disso.
Não, eu não tenho pretensões de mudar o mundo através de um texto em um blog pequeno como este. Mas eu tenho pretensões de mudar o meu mundo, o meu dia-a-dia. E se uma pessoa que ler isso aqui entender meu ponto de vista, eu já terei cumprido minha missão do dia.

Em primeiro lugar, deixe-me dizer: sou cristã. E não, eu não defendo atitudes extremistas (sejam cristãs ou não) de forma alguma. Fanatismo é algo que passa longe de mim. Mas se há algo que defendo é uma coisinha chamada respeito, que muitas pessoas esqueceram. Na ânsia de proclamar ao mundo seus ideais e suas crenças, opiniões e conclusões, elas esqueceram que o outro quase nunca concorda conosco. E isso é algo bom. Diferenças são fundamentais, lindas e excitantes. Se tudo fosse igual o mundo seria muito, muito chato (e a taxa de suicídios com certeza aumentaria consideravelmente). Portanto eu não vou defender ninguém aqui (nem os evangélicos, apesar de ser uma; cada um que responda por seus atos). Assim como não estou generalizando as pessoas em apenas dois grupos (eu seria extremamente estúpida e injusta se assim o fizesse), mas estou dizendo que há evangélicos e há ateus que não respeitam crenças alheias. Assim como há evangélicos (como eu mesma o sou) que não são fanáticos e há ateus que não são tão "extremos" em sua crença de que não há uma verdadeira crença. Esclarecidos esses pontos, vamos aos fatos.

ATEUS
(imagem retirada do grupo do Facebook 'Sou ateu, Brasil') 
Em primeiro lugar, por que todo ateu (não estou generalizando, ok? Estou falando da maioria ateísta) tem que ser necessariamente contra o cristianismo? Os ateus não acreditam em nada? Que bom pra eles! Menos peso na consciência e mais racionalidade. Sim, isso é ótimo. Mas não há necessidade alguma de esculachar a religião de outros apenas por não ter nenhuma religião. Alguns ateus estão sendo tremendamente chatos e irritantes postando coisas por aí contra o cristianismo. Os evangélicos enchem a paciência de qualquer um com seus discursos inflamados sobre como todo o resto da humanidade vai para o inferno? Pode ter certeza de que sim. Mas isso não é motivo para desrespeitar a crença religiosa de outro. Só é motivo para não fazer as mesmas coisas que ele ou não ser amigo de tal pessoa. Ponto.
Se eles têm direito de expressar que acham o cristianismo completamente errado? Com certeza. Mas poderiam fazer isso de forma mais civilizada, não é? Afinal, cada um com sua crença (ou com sua falta de crença).
É ridículo afirmar (e tentar convencer as pessoas) que todas as religiões se baseiam em mentiras. Assim como é ridículo tentar levar todos os ateus para o cristianismo (ou seja lá qual religião for). 

EVANGÉLICOS
(imagem daqui)
Sim, evangélicos podem ser chatos. Extremamente chatos e mente-fechadas. O que não quer dizer que todos sejam assim. Mas veja bem: um evangélico que coloca em seu Facebook que os ateus deveriam morrer logo para que pudessem ir para o inferno de uma vez por todas e não incomodar mais já violou o mandamento principal do cristianismo que é: amar o próximo como a si mesmo. Se a pessoa deseja tanto mal a outra apenas porque a outra não tem a mesma crença dela, como ela pode estar amando? Impossível. A não ser que seja seriamente perturbada (mentalmente falando) e queira ir para o inferno também. 
Sim, eu sou cristã. Mas não tenho uma fé cega. Acredito no inferno bíblico, assim como em céu, paraíso, ressurreição de Cristo e em várias coisas. Mas também acredito que o fanatismo leva as pessoas à loucura e é causador de várias guerras. 
E para quem lê a Bíblia e diz que nela não há nada de "errado", aqui vai apenas uma dica: leia com atenção a história de Abraão e descubra que Sara era sua irmã; portanto eles cometiam incesto (sendo que essa é uma prática proibida pela própria Bíblia). Quando fui discutir isso com minha família (que é toda cristã) eles queriam me exorcizar por eu estar questionando a Bíblia. Não questionei nada, apenas afirmei que isso está lá para quem quiser ler. Ponto. 
Dizer que um ateu irá se ferrar por toda a eternidade e que ele merece isso é algo ridículo. O pecado do ateu é não acreditar? Bem, eu nem vou começar a citar os pecados que todos praticamos diariamente, porque sinceramente isso aqui vai ficar gigante. 

A questão é que: ser ateu não é errado. Assim como ser evangélico também não o é. Os dois (que agem conforme o que eu falei acima) estão errados, independente de suas crenças (ou da falta de crenças). Não é uma fé que define alguém, mas sim o caráter, a criação, princípios e muitas outras coisas. A coisa é muito mais complexa e psicológica do que religiosa. Somente isso. 
Sim, é verdade que desde que as pessoas pararam de seguir cegamente às regras da Igreja Católica e começaram a pensar por si próprias e refutar às escrituras houve uma grande evolução (veja pelo Iluminismo, por exemplo). Mas isso não quer dizer que são os cristão os errados e de pensamento arcaico. Isso só quer dizer que os seres humanos não deveriam aceitar conceitos pré-estabelecidos, que deveriam pensar por si próprios e aprender a respeitar aos outros. Sem o respeito, as coisas nunca vão dar certo. 
E antes de refutar algo, pesquise sobre, ok? Isso facilita muita coisa e ajuda a chegar a um entendimento melhor de ambas as partes. 

Dia de Murphy

Murphy tem uma séria implicância com a minha pessoa. Seríssima.
Quinta-feira eu acordei feliz da vida. O relógio marcava 06:00 hrs, e pra não cair de volta na cama me animar, coloquei Queen a todo o volume e comecei a cantar junto e fazer coreografias estranhas (tentando imitar o Freddie Mercury e acordando toda a vizinhança consequentemente, haha) enquanto vestia o uniforme, escovava os dentes e passava maquiagem (olhos com delineador pin-up e boca cor-de-rosa-choque).
Saí de casa: fones de ouvido, um dia meio nublado e um céu com uma coloração alaranjada linda, as pessoas me olhando com cara de "o que essa maluca está fazendo maquiada desse jeito a essa hora da manhã e ainda por cima cantando na rua uma música que tem 40 anos?". Mas eu estava feliz da vida e continuei cantarolando Tie your mother down. Após dez minutos de caminhada, comecei a sentir alguns pingos caindo, mas continuei caminhando, afinal, as calorias não irão desaparecer sozinhas (e uma caminhada de 1 hora e alguns minutos matinal faz muito bem). Mas aí, do nada, começa uma tempestade.

Cheguei na escola ensopada de água da chuva. Mas tudo bem, afinal, a aula seria até o intervalo e logo eu estaria em casa. Mas então a professora - ao invés de fazer valer todo o sacrifício (not) de ir para a escola em um dia de tempestade - decidiu não dar aula e jogar 'stop' com um grupinho da turma. Mas tudo bem, porque eu fiquei conversando com meus amigos e correndo pela chuva (sim, às vezes parece que eu tenho 6 anos). Decidi que não voltaria pra casa caminhando e fui esperar o ônibus. Cheguei na parada mais molhada do que já estava, e com o guarda-chuva quebrado (porque quando é pras coisas darem errado, elas realmente dão errado). Fiquei lá, parada, esperando o ônibus por uma hora, no meio de uma tempestade, com o guarda-chuva quebrado e o tornozelo torcido, até que ouvi uma guria (que não faço ideia de quem seja até agora) gritando meu nome e dizendo que meu ônibus estava indo embora. Felizmente ele parou após o escândalo da menina, senão eu teria esperado mais uma hora (porque além de azarada eu também sou distraída, haha).

Após 5 minutos de viagem (e de ter caído no colo de um cara no ônibus, porque a mochila estava muito pesada e eu não tenho lá muito equilíbrio), um maluco começa a ameaçar o motorista dizendo que iria matá-lo (maluco mesmo, porque aparentemente ele havia fugido do hospício e tiveram de parar em uma delegacia para reenviá-lo para lá). Finalmente cheguei (viva e mancando) em casa, totalmente encharcada e com uma cara mais fechada do que o Dr. House em uma crise de abstinência de Vicodin. Fui direto pra o banho, e quando me olhei no espelho (com muito medo, confesso, porque eu imaginei que veria uma visão do inferno ao me olhar no espelho) constatei que apesar de tudo, da tempestade pela qual eu havia passado e após um banho de meia hora pra tirar as más energias, a maquiagem continuava lá, intacta (muito amor por essa maquiagem *-*).
Ela sobreviveu à lei de Murphy (coitado do Murphy, nem tem nada a ver com essa história e leva a culpa de tudo). E eu também. Depois fomos comer macarronada juntas (com um molho especial que meu pai faz) e (re)assistir à segunda temporada de House.

Porque quando algo pode dar errado, ele dá errado. (em compensação, a sexta foi perfeita!)
(imagem daqui - essa garota desenha muito bem!)

Como (não) ser sexy

Enfim, de volta ao lar!
Foi apenas uma semana de sumiço, mas eu senti como se fosse um mês. Foi difícil ficar longe daqui (e eu agradeço a todos que mandaram mensagens de carinho a apoio), mas agora já estou de volta. Meu psicológico continua ferrado. A má notícia é que descobri que serei assim para sempre. A boa notícia é que agora eu sei o que fazer com essa minha esquisitice toda: convertê-la em postagens para o Wink. (e todos ficam felizes; ou não)

Começando com algumas dicas baseadas em minha esquisitice, intituladas de 'Aprenda comigo a como (não) ser sexy'. Antes que alguma alma boa me diga: "Ah, Mia, mas você é tão bonita; é claro que você é sexy!", eu já aviso de antemão: sou o ser mais desajeitado que conheço. Se alguém deve dar aulas de como não ser sexy, esse alguém sou eu. haha 

Não sou uma pessoa sexy ou misteriosa ou nada que desperte esse tipo de interesse nas pessoas. Sou aquela menina esquisita que mal penteia o cabelo (e que foi chamada de 'bizarra' sete vezes apenas entre ontem e hoje), tem as unhas descascadas, vive lendo e está sempre falando de coisas esquisitas e totalmente fora do contexto "vida-escolar-de-uma-adolescente-normal" (como algumas teorias de Física Quântica, por exemplo). Não sou misteriosa, sou interessante. E transparente demais. Alheia. Distraída e meio esquecida das coisas (tão esquecida que costumo esquecer frequentemente de comer e até mesmo de dormir).
Enfim, aprenda comigo a como (não) ser sexy.

  • Use roupas bem largas (do tipo pijama). 
  • Melhor ainda: saia com um pijama de ursinhos. 
  • Tenha falta de melanina e se orgulhe disso (e se recuse a "tomar sol", assumindo assim sua aparência de morta-viva). 
  • Seja uma blogueira esquisita que escreve frequentemente sobre a própria esquisitice. 
  • Discuta tópicos sem nexo e sem propósito, como morte, canibalismo ou canibalismo de políticos mortos. 
  • Não dê a mínima para depilação ou maquiagem. 
  • Apoie a causa do Leo diCaprio para salvar o planeta e tome banho apenas duas vezes por semana (e espalhe o fato por aí). 
  • Saia cantando na rua ou no ônibus músicas bobas, de preferência infantis (como "tchau preguiça, tchau sujeira, adeus cheirinho de suor..." ♪). 
  • Faça uma "dancinha" a cada vez que for espirrar (e a chame de "dancinha do espirro"). 
  • Se vista como um cupcake humano (cor-de-rosa, laços, babados, rendas...). 
  • Comece a rir do nada quando estiver feliz (ou quando e se alguém te beijar). 
Se nada disso funcionar, faça como eu e nasça aquariana com ascendente em escorpião e lua em câncer e ferre com a cabeça de todo mundo por seu jeito totalmente desconexo de ser.

Não, eu não sei desenhar, mas eu adoro fazer alguns rabiscos. *-*
 
Wink .187 tons de frio.