Escrever pra quê?

Eu não tenho mais vontade de escrever.
Ainda assim, parece que essa é a única forma de exorcizar sentimentos: dando-os forma através de letras, pontuações, entrelinhas. Falar nunca resolveu, escrever, sim. Não resolve, mas alivia. Alivia porque o sentimento não mais me pertence, mas torna-se parte de algo maior, de uma história, de um conto, de uma crônica, de um poema. Parte da vida de quem o lê, de quem o despreza, de quem se identifica. Parte de algo. E todos sabemos que carregar um fardo é muito mais tranquilo se tivermos alguém com quem dividi-lo.

Por isso escrevi por tantos anos: nunca tive alguém com quem dividir meus fardos.
Então alguém surgiu. Mas esse mesmo alguém está começando a ver o que todos já haviam visto: meus defeitos que haviam sido nublados pelas estonteantes qualidades. Defeitos que fazem mal. Que me tornam quase deformada. Que não constroem nada além de muralhas ao meu redor.

Então torno a escrever.
Porque é necessário. Porque não posso carregar tantos fardos sozinha. Porque talvez eu esteja para sempre sozinha. Sozinha-acompanhada por outra solidão que não é minha. Será que duas solidões um dia se anularão? Eis a questão. 

Do tema pra terapia que jamais farei

Então eu fico aqui na Fazenda Feliz enquanto minha comida que nem é comida de verdade esfria e o nó na garganta aperta cada vez mais a ponto de se fundir com o natural do corpo. Há cadernos, livros, roupas, muitas coisas espalhadas pelo chão, em cima da cama, no armário. Assim como eu. Espalhada em cada canto por onde passo. Há meses que larguei de mão a ilusão de ser inteira em algum momento da vida. Não vai rolar. Dou uma, duas, três mordidas e largo. Assim como largo tudo de mão. E é irônico eu querer que as pessoas não me larguem de mão sendo que eu faço isso comigo mesma o tempo inteiro. Se eu não tenho consideração comigo, por que os outros teriam? Não tem mais sentido ficar aqui abstraindo só porque tudo dói e fingir pra mim mesma que não, não é assim. Porque é. Tenho coisas que larguei de mão pra fazer amanhã desde Novembro passado, e esse amanhã nunca chegou. Nem chegará. Havia arquivos para finalizar no meu pc que foram pra o limbo quando ele morreu e mal chegaram ao seu meio. Filmes que nunca vi e provavelmente nunca verei a não ser que me coloquem sentada numa sala trancada com ele passando. Séries que abandonei. Livros. Promessas. O que não quer dizer muita coisa se comparado ao fato de que largo a mim mesma de mão frequentemente. Agora, como se tudo não bastasse, também dei de largar pessoas. Desfiz amizades como quem se desfaz de uma peça de roupa antiga. E sem remorso algum, sem olhar pra trás que é pra não dar tempo de arrependimento.

Se é pra ser essa pessoa tão descompensada que eu sou deveria realmente considerar a possibilidade de viver sozinha nas montanhas, numa vibe Isaac Newton, vivendo de minhas críticas literárias e tomando água de poço.
E ainda assim tenho certeza de que faria isso de alguma forma peculiar. 

Poço, poço, poço.

As pessoas mais misteriosas que conheço são as que mais se revelam. Elas revelam a si mesmas a tal ponto que todos pensam que as conhecem, apenas para que as pessoas desviem o foco e não prestem atenção naquilo que elas têm de mais profundo.

Eu sou um poço.
Vocês só veem o resultado da escavação: água, ora límpida, ora turva. Ninguém vê aquilo que não quero mostrar. Porque tudo o que importa é o resultado, é o que está na cara, não é? Não.
Tão transparente como a água e tão nublada quanto um dia de inverno.

Samara Morgan sou eu. 

Chove chuva

Chove aqui dentro. Chove lá fora.

E dentro de mim caem tempestades, folhas outonais, o vento Minuano sopra e minha alma é feita mais uma vez em pedaços. Cada passo me leva a um caminho já trilhado onde a ponte está quase caindo e não há ninguém lá embaixo para me segurar. Há o abismo. Será que é tão ruim assim cair? Será que a vertigem não é natural em mim? Não sei.

Há tanto tempo que estou quebrada que nem lembro como é estar inteira. Mudo o guarda roupa, mudo de blog, mudo de cor de cabelo, de maquiagens, só não muda aqui dentro o vazio que sinto, o vazio de mim mesma, o vazio do que poderia ser e nunca será, o vazio que só é dor pelos beliscões que a vida me dá.

Aí me pergunto por quanto tempo mais poderei levar essa situação de vou mas não vou e se bobear morro um pouco, porque né? Não dá mais pra acordar em meio a um travesseiro molhado. Simplesmente não dá. 

Côncavo existencial

Vazio. Existência profunda.
Contemplo o arrepio
que se aproxima de minha nuca.

Ouço os vizinhos
com suas escutas
chamadas de rádios
para tocar "música".

As ondas sonoras
ecoam no abismo
minh'alma cansada
nem dá um suspiro.

O inglês diria:
"There's nowhere to hide
all we have
is a giant climb."

Um tapa no rosto
pra fazer acordar
pra tirar o sangue
e fazê-lo escoar.

Por puro desgosto
Por puro desalento
Creio estar caindo
Em mais um tormento.

Vertigem


A moça arredia desceu da escada. 
Abismada, encantada, um tanto embruxada. 
Queria ter filhos, mas Deus quis assim. 
"Não, não irão levá-los de mim!" 
Mas eles se foram no fim da estrada. 
À casa encantada, ao palácio de fadas. 
Em sonhos sua alma anseia, espera. 
Por uma manhã em qualquer primavera. 
Talvez eles ouçam, talvez eles sonhem. 
Com lágrimas de uma moça que geme de longe. 
Por suas crianças, suas almas amadas. 
Que foram tiradas para trazer a desgraça. 
A família outrora unida e sorridente. 
Agora espera com olhos ardentes. 
Um peito gélido, uma dor, ai não. 
A moça sucumbiu, já era então. 
Não que eu saiba escrever poemas, mas esse me veio em súbita inspiração após um episódio de Doctor Who. Gostei. Postei. Mas não sei de onde vem. 

Da série: randômicas estudantis

Aí a profª. passa um poema de Vinícius de Moraes e diz pra o povo analisá-lo, enquanto explica sobre a vida do poeta, ao passo que Renata diz:
- Eu não gosto dele.
- Só quem não gosta dele é quem não tem sensibilidade pra poesia.
- Eu gosto de poesia, mas não gosto dele.
- É, mas só quem é sensível entende a poesia, quem não gosta de poesia nunca vai entender.

E, claro, eu me atravessei no assunto:
- Licença, professora, mas eu amo poemas. Escrevo poemas, inclusive. E não gosto dele.
- Por quê? Preconceito?
- Não. Porque ele era machista.
- Ah, sim... ele colocava a mulher como objeto, falava só do corpo, é verdade...
- Sim, é a coisificação da mulher.
- Mas é que nem aquela música "olha que coisa mais linda, tão cheia de graça...", a mulher pode ser superinteligente, a mais apta a muitas coisas, mas só será vista como um corpo bonito. Só que não era apenas ele assim, a maior parte dos homens é.
- Pois é. Uma lástima. Eu sei que ele era talentoso, mas... infelizmente, machista.
- É, geralmente as mulheres intelectuais não gostam.
- Exatamente.

Vejam bem: eu gosto de poesia. Eu amo poesia. Eu respiro poesia. Meu livro de cabeceira é "Os mais belos poemas do Romantismo brasileiro". Mas, por mais talento que ele tivesse, não posso, de forma alguma, gostar de um poema machista, que coisifica a mulher. Uma frase dele diz tudo: "as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". É mesmo? I don't think so.

Em coma

É um absurdo sem tamanho que a biblioteca escolar esteja fechada.
É um absurdo tão grande que eu, uma aluna da escola, me senti profundamente ofendida ao chegar às portas da biblioteca a fim de escolher um livro para iniciar leitura quando me deparei com alguém dizendo que ela está fechada e TALVEZ abriria apenas durante a tarde - em algum dia não específico da semana.

Eu, como a maior parte dos alunos, moro longe da escola; não me é possível ficar no centro esperando que alguém apareça para abrir a biblioteca ou ir para casa e voltar, sem uma certeza sequer, para que eu possa fazer uso de um direito meu, direito esse que deveria trazer o maior prazer aos professores: a busca pelo conhecimento.

Claro que compreendo que há falta de bibliotecária, claro que compreendo que não há uma pessoa específica, no momento, para ficar apenas ali. Mas seria TÃO difícil assim fazer um acordo entre professores para que, ao menos em 2 ou 3 dias da semana, em um período que fosse, algum deles estivesse ali para que a consulta ou retirada de livros fosse feita por alunos? I don't think so. Isso é falta de organização.

Como se não bastasse a falta de aulas que temos e os conteúdos vazios e fora de ordem (salvo exceções de bons professores que se preocupam com nosso ensino, é claro; mas infelizmente estes são poucos), o aluno que tenta aprender algo por si próprio consultando a biblioteca escolar agora não o pode fazer pelo simples motivo de falta de organização.

Não sei quem são os culpados, não sei sequer se há um culpado, mas sei os fatos: há livros incrivelmente bons e interessantíssimos, que valem para a vida, lá, parados, em prateleiras que só fazem acumular poeira.

E um livro parado é um livro em coma.

Atemporal

Quando eu era pequena meus irmãos já eram adolescentes/adultos e basicamente tudo que havia para ser lido em casa eram livros deles, especialmente os didáticos. Acostumei a ler livros de português, história, geografia, biologia... mas meus preferidos sempre foram os que continham trechos de livros literários, contos, poemas, historietas. Um deles era meu preferido: um livro de português da 5ª série de capa verde, que continha uma historinha que jamais saiu de minha mente: a história de uma convenção de bruxas. Lembro que naquela história havia uma bruxa mãe com sua bruxinha filhote indo às compras em busca da vassoura voadora perfeita. Encantei-me na hora.

Passados alguns anos, fui à biblioteca escolar procurar sobre bruxas. Encontrei um livrinho que falava sobre duendes e gnomos. Li e reli-o não sei quantas vezes. Nessa mesma época aconteceu da febre pottermaníaca ter início, por conta dos filmes e livros. E, claro, aquilo me chamou atenção na hora. Livros e filmes que contam a história de um mini bruxo lutando contra o poder das trevas? Apaixonante.
Então minha vizinha, que tinha uma série de revistas a respeito de HP, tratou de me emprestar todas desde que eu falasse bem dela para meus irmãos (sim, afinal, meus irmãos faziam o sucesso da vizinhança).


Minha mãe, vendo minha inclinação para aquelas histórias de bruxaria, duendes, gnomos, e todo esse universo mágico, ficou maluca e me proibiu terminantemente de ler ou assistir aos filmes de HP. Eu, como era pequena, nada podia fazer a respeito a não ser esperar o tempo passar e ler/assistir outras coisas até lá.

Até este ano.
Eu, não mais a menininha de 7 anos, mas a moça de 19, arranjei um amigo pottermaníaco que ficou mais do que feliz em me emprestar os livros de sua coleção. E eu li, senhores, li com gosto, vontade e um sorriso no rosto. E assisti aos filmes, todos eles. A ideia inicial era esperar ler os livros para só então assistir aos filmes, mas quem disse que consegui resistir ao incrível enredo da saga Harry Potter?! Not at all.

Então, dia desses, estava eu lendo um dos livros de HP durante o recreio escolar, bem sossegada e distraída, quando chega um "cerumano", me olha de cima a baixo e diz:
— Tu não tem mais nada pra ler, né?
— Por que diz isso?
— Pra estar lendo isso aí deve estar em falta de livros bons, haha.
— Eu gosto de Harry Potter. É uma excelente série.
— Mas tu já passou da idade de ler isso, isso é pra criança, tá 10 anos atrasada.
— Ao menos não estou tatuando no corpo os personagens, como certas pessoas fazem (a pessoa em questão é cheia de tatuagens de personagens; nada contra, mas coerência é sempre de bom tom antes de falar dos outros). Fora que não sabia que existia idade para a literatura.

A pessoa baixou a cabeça, fingiu ouvir algo e foi embora. E eu, claro, continuei com minha leitura e aproveitando o momento "voltando à infância: uma saga pelo imaginário mágico".

Creio que não preciso dizer o quanto Harry Potter é bom. Creio que não preciso dizer que estou encantada com esse universo de criaturas mágicas e gente maluca. Creio que não preciso recomendar os livros ou os filmes para as pessoas.

Mas preciso dizer: não há idade para a literatura. Simplesmente porque ela é atemporal. Assim como eu.

De novo e outra vez

Cá estou eu com um novo blog, em uma nova fase.
Se eu poderia continuar com o Wink? Claro que sim. Mas há um padrão de "drama queen I was born to be" lá que não quero mais. A fase adolescente tentando superar traumas já passou - não que os traumas tenham sumido ou que eu seja muito adulta, mas chega de drama, pelamor.

Nova fase, nova eu, novo blog. Nada mais justo.
Disse adeus a tons escuros, a um blog que durou quatro anos e que foi meu refúgio de tantos dias em que a dor não cabia no peito. Eu ainda não sei ao certo como será a definição deste. Por isso o nome: about:blank. Uma página em branco.

Páginas em branco são poderosíssimas. Tudo, absolutamente tudo pode ser escrito nelas. Se essa será uma página de amor, dor, revolução ou de amores livrísticos? I have no idea. O que ela é? Uma chance. Uma chance de encanto, de remodelar, de me redescobrir através de palavras em uma página em branco no mundo bloguístico.

Sejam bem-vindos ao meu novo mundo.
E, por favor, mantenham as expectativas baixas. 

Eu só vim aqui pra dizer...

...que mais patética do que isso minha vida não fica.

Porque né? Estou lá, bem linda e radiante (aham) voltando da escola num ônibus sacolejante quando *CREC*. Muitos olhares, muita correria à minha volta, o que está acontecendo? Outro *CREC*. O que é, o que é?

Um ovo.
No meu banco.
E outro.
Jogado do meu lado que pegou na lateral do ônibus.

Por quem? Não sei, não vi, sorte da criatura.
Só queria dizer que faltam 3 meses pra o meu aniversário e seria de bom tom o pessoal esperar para dar ovadas na data certa. Ou não.

Sitcom, trabalhamos. 

Acabou-se o que era agridoce.

Se eu sinto saudade de escrever?
Sinto. Todos os dias. Tenho escrito bastante, mas escrever é essa coisa maluca de tirar o que há dentro de nós e colocar em palavras, delinear a dor, o amor, a paixão, partilhar ou não isso com alguém. Mas neste momento eu quero ser egoísta: quero me viver sem me arquivar num blog. Quando me arquivo parece que estou perdendo parte de mim - ao escrever, esvazio.

Este blog começou por conta de uma menina assustada, depressiva, solitária e magoada que apenas queria fazer terapia em palavras: escrever para esquecer, para aliviar, para tirar tudo aquilo de dentro e transformar em poesia. Ao passar do tempo o blog virou outra coisa, virou mais do que um refúgio de palavras, mas também um local para compartilhar segredos, histórias engraçadas e perguntar se apenas comigo esse tipo de coisa acontecia. Mas essa fase da minha vida acabou. E não há mais noção em eu tentar continuá-la.

Portanto o blog acabou.
Não sei se voltarei para cá, não sei se ele se transformará junto de mim, mas sei que o que ele foi durante todos esses anos já não é mais - assim como eu não sou mais a moça que aqui escrevia. Eu não posso mais escrever meus textos dramáticos, minha poesia pingando sangue e meu humor auto-depreciativo quase insuportável por conta da depressão simplesmente porque eu não sou mais assim. Não sou mais eu - ou sou um eu que já era antes e estava adormecido por traumas e feridas na alma.

O fim? Eu não sei.
Talvez um recomeço para mais um "era uma vez". 

E ao 10° dia ele ressuscitou.

Murphy se supera a cada instante em minha vida. Bem que desconfiei do silêncio que ele havia feito. A criatura tava aprendendo técnicas novas.
Aí que meu pc morreu e achou de bom tom fazer isso ao final de um filme e ficar num looping infinito de digitação de letrinhas em tela preta.
Nenhum técnico sabia o que houve. Ele foi pra o hospital. Até que um deles desconfiou do problema, mas o código que veio com o próprio pc era inaceitável. O CÓDIGO INEXISTIA porque sim. Os níveis de nonsense na minha vida inexistem.

Após 10 dias morto, meu pc ressuscitou.
Claro que o HD teve de ser trocado, perdi todos meus arquivos, blablabla whiskas sachê... mas o importante é que aqui estamos novamente.
Só digo algo: não se fazem mais ressurreições como antigamente (saudade 3 dias).

O bom é que li e escrevi horrores nos últimos dias. Conforme o mês irei postar tudo.

Casa de Bonecas

Na primeira vez que peguei aquele livro pequeno e marrom em minhas mãos não o entendi muito bem. Achava Nora uma boba por cometer tantos erros com seu marido, por deixar seus filhos, por ser tão estúpida a ponto de achar que alguém faria o "milagre" de se sacrificar por ela. Anos mais tarde e com uma bagagem de relacionamentos falidos e decepções por confiar demais eu finalmente entendi o que Henrik Ibsen quis dizer - e disse - em Casa de Bonecas.

O livro, que na verdade é uma peça teatral, foi inovador para a época, não tão chocante hoje em dia, porém serve como uma leitura deliciosa e rápida, que proporciona um suspense e um envolvimento com suas personagens de uma forma profunda e direta.

A história toda se passa durante três dias da vida da família Helmer. Nora Helmer, esposa de Torvald, se vê em apuros quando Krogstad ameaça contar a seu marido que ela lhe deve uma grande soma em dinheiro e que falsificou uma assinatura para consegui-lo. Nora se encontra em uma situação angustiante e se afoga cada vez mais em mentiras e subterfúgios na tentativa de impedir Torvald de descobrir que ela foi até as últimas consequências para conseguir o dinheiro e salvar o marido - que precisava de um tratamento caro. 

Ibsen, ao escrever Casa de Bonecas, não apenas falou sobre o machismo que havia - e ainda há - na sociedade, mas também naquela coisa de que "a mulher sai da proteção do pai quando se casa e passa para a proteção do marido", ou seja, não passa de uma linda bonequinha. Além de uma leitura encantadora e rápida (levei uma hora para ler o livro), também deveria ser obrigatória para toda menina, mulher ou qualquer pessoa que gosta de escritos que as façam pensar melhor nas coisas. Vale a pena deixar de ser uma bonequinha. E vale a pena ler esse livro.

Em um quote:
Eu acredito que sou um ser humano tanto quanto você, ou ao menos tentarei ser. Sei que a maioria das pessoas concordaria com você, Torvald. E assim dizem os livros.
Mas eu não estou satisfeita com o que a maioria das pessoas diz, nem com o que é dito nos livros. Preciso pensar sozinha sobre essas coisas e descobri-las.

Das coisas que.

Aí eu chego em casa logo após a escola e minha mãe - sempre tão delicada - diz:
- O que tu tá escondendo?
- Só se for minhas curvas nesse bandiroupa.
- Mi, me disseram que tu tá namorando um estrangeiro de Veneza e que pretende fugir de casa pra casar com ele.
- OIII?! Quem foi o ser do inferno que disse isso? Diga que eu vou tirar satisfações do por que ainda não ter conhecimento do ser masoquista que aceitou casar comigo.
- Ligaram aqui pra casa e disseram. Não sei quem, mas era uma pessoa bem preocupada contigo. Tu tá namorando?
- Não, eu não estou. Eu não acredito que tu REALMENTE acreditou nisso.
- E por que não acreditaria? Pessoas namoram pela internet.
- Só em um detalhe já dá pra ver a mentira: eu quero fugir pra casar? Please mamis. Eu quero fugir DE casar, veja bem. Casamento apenas num futuro muito muito distante e olhe lá. Perca as esperanças, não irei subir ao altar.
- Chateada.

(eu estou namorando com um veneziano e nem sabia; veneziano, cadê você seu lindo? por que tão tímido?)

Eu não sou indecisa.

Apenas não consigo tomar decisões quando me perguntam sobre.

Não perguntem.
É menos traumático pra todo mundo.

Eu vou ficar com olhar bovino e todas as palavras sumirão da minha mente, meu dj mental começará a tocar Ballade pour Adeline e isso se dará até que alguém escolha algo por mim.
Porque eu sou assim.
Porque sim, porque posso.

É o que temos pra vida, meus jovens. 

Como proceder?

- Vez em sempre eu terei uma súbita vontade de lhe dar um banho de água fervente e fazer guisado com seus órgãos internos para dá-los aos cães que não tenho, mas isso não significa que eu não goste de você.

- Eu detesto telefones. Se eu não lhe ligar ou ignorar sua ligação não é porque você não me seja importante, mas é simplesmente porque telefones não me apetecem.

- Eu canto e danço na rua, e sim, isso chama atenção: acostume-se.

- Às vezes eu sumo do nada, fico uma semana isolada no quarto, basicamente dormindo o tempo inteiro e assistindo filmes deprês ou escrevendo. Não vou tentar me matar por estar depressiva, somente preciso da minha solidão porque me alimento de mim mesma.

- Estou sempre entre dois extremos: a frieza e a emotividade, o sarcasmo e a dramaticidade. Então pode ser que agora eu esteja rindo e conversando e fazendo piadas com você e daqui a pouco eu olhe para o infinito, abstraia e diga que vou embora. Pode ser que você não saiba, mas é que de alguma forma eu me senti rejeitada por você. Mas isso passa. Porém uma vez que isso tenha ocorrido eu nunca mais lhe olharei da mesma forma.

- Possuo muita empatia; mesmo que você tenha errado comigo e eu queira arrancar sua cabeça e expô-la em praça pública eu sinceramente entenderei seus porquês e se alguém falar mal de você para mim eu vou querer lhe alimentar com o sangue da pessoa que fez os comentários mordazes a seu respeito.

- Sou uma ótima amiga, e, afinal de contas, nem é tão difícil assim lidar comigo: em caso de dúvida me dê um buscofen, me leve a um local silencioso e escuro e fique segurando minha mão, em silêncio. Certamente eu melhorarei e logo, logo voltarei ao meu estado normal de "ebaaaaaaaaa, bora dançar!".

As estrelas são culpadas

Meu problema com livros como A Culpa é das Estrelas é que eles costumam ser feitos para o comércio. E isso me repugna porque eu acredito na escrita pelo amor à literatura, acredito na escrita como a paixão de um sobrevivente de guerra que nem acredita que está vivo, mas que vai se acostumando e perdendo o encanto pela vida aos poucos e apenas entrando no marasmo do cotidiano como todos nós, pessoas que nunca estiveram em uma guerra.

E eu pensei isso até o capítulo dezesseis - feito para ser comercializado. Até que tudo mudou. Porque viver com uma doença não muda nada - todos vivemos com algum tipo de doença. Uns com a doença do stress, outros com doenças físicas, outros com a ingratidão, a miséria, a falta de amor. Mas todos temos nossas doenças e no final das contas todos podemos ser classificados como indivíduos ferrados de alguma forma, o que realmente faz diferença é a forma como lidamos com nossas dores. E eu realmente não acho que as pessoas mereçam medalhas por lidarem bem com suas doenças. É o mínimo que podem fazer por si mesmas - ninguém pode fazer isso por nós a não ser nós.

Mas aí ele morre.
E eu não vejo isso como um spoiler porque, veja bem, a morte não é um spoiler. A morte é a única certeza que temos nessa vida. Ainda mais a morte em um livro que fala sobre pessoas com câncer.
E o que me fez mudar de perspectiva a respeito do escrito do senhor Green não foi o fato de um garoto com câncer morrer tampouco a forma como isso ocorreu - tudo muito previsível, diga-se de passagem. Mas, sim, a narrativa. Como há em uma passagem após a morte do rapaz que diz algo como "então acordei na outra manhã e tudo parecia muito bem, até que senti o peso do que havia ocorrido e tudo estava terrivelmente mal e perdido". E isso acontece nas diversas pequenas mortes que vemos todos os dias. Não apenas mortes físicas, mas mortes de esperanças, de sonhos, de oportunidades, de idealizações. Mortes de almas.

E ela fica. A moça - que também morrerá, sem dúvida - permanece.
E então imaginei: como eu lidaria com a morte do amor da minha vida? Como eu lidaria se descobrisse que a pessoa que mais amo, com quem almejo passar o resto dos meus dias, está morrendo de câncer? Foi aí que percebi que estamos todos morrendo. Não estamos? Não sabemos quando ou como, mas é certo que um dia ele morrerá, eu morrerei, ninguém lembrará de nossas palavras ou do meu blog, meus diários, as coisas que escrevo por aí.

Mas eu tenho a coisa mais preciosa: a certeza de que toquei verdadeiramente o coração de alguém e deixei minha marca nele. Mesmo que eu não venha a me tornar um Van Houten e não tenha um livro que dure pela eternidade eu sei que há uma alma que se lembrará de mim para sempre. E que estou morrendo. Ele está morrendo. Todos nós estamos morrendo.
Porém morrer faz parte da vida e não precisamos viver para sempre - desde que vivamos o para sempre como nosso hoje.

Não é apenas um livro escrito pra que adolescentes chorem.
E sim, alguns infinitos são maiores que outros. 

Geneticamente feita para discordar.

Hoje de madrugada um rapaz comentou uma postagem no meu fb dizendo que todas as feministas são vadias e as mulheres são geneticamente feitas para cuidar da família. Perdi o apetite matinal, a hora e muito da esperança que ainda tinha pela humanidade ao ler isso. Porque, veja bem, eu sou feminista. Há alguns anos, quando ainda não entendia muito bem o conceito de feminismo, eu dizia ser anti-sexista. Mas o anti-sexismo é o feminismo de certa forma porque o feminismo luta pela igualdade (sim, cada qual possui suas diferenças, mas não há superioridade masculina e essa é uma visão do patriarcado) e não contra os homens. E perceber que há pessoas "próximas" a mim - mesmo que virtualmente - que possuem essa visão machista é algo que me repugna profundamente.

Por esse tipo de coisa que nem tenho mais postado muito por aqui. Eu sou feminista e não sou vadia - ao contrário do que foi dito. Aliás, seria supimpa ser vadia se ser vadia significa ser uma mulher com a moral de um homem, uma mulher que se sente livre para andar como quiser (como também os homens se sentem ao andar sem camisa no meio da rua) sem ser tachada de vadia e afins apenas porque fez exposição de seu corpo. Se ser vadia é ser uma pessoa sem problemas com sua libido então QUE COISA BOA É SER VADIA. Mas não, eu não sou. E não dá para dizer que todas as feministas são vadias. Isso é ridículo e é, sim, machismo.

"geneticamente feitas para cuidar da família" - OIII?! DE ONDE? Essa é a visão do patriarcado. Geneticamente o que nos difere, basicamente, é a menstruação. O resto é resto. Mulheres NÃO SÃO geneticamente feitas para cuidar da família. E sim, esse é um argumento machista e se eu tiver de escrever mil vezes mesmo sendo tachada de várias coisas pelo que digo eu o farei porque tá errado. Enquanto as pessoas pensarem assim o mundo continuará da forma que está.

Fora que: machismo mata e machismo não é o oposto de feminismo. Machismo é opressor e sexista, feminismo visa a igualdade entre os seres, coisa que os machistas não querem, coisa que comentários como "geneticamente feitas para cuidar da família" tentam acabar.
O rapaz também disse que "O fato aqui é que somos o que a sociedade diz de nós. Se todos em um grupo disserem que você matou alguém, essa será a verdade, todos estarão certos e você errada e mentirosa. A verdade é dita pela voz do povo. Simples."

A verdade NÃO É dita pela voz do povo. Isso é argumento de gente preguiçosa demais para mudar a realidade ao seu redor apenas porque a maioria é Maria-vai-com-as-outras. "você não é o que pensa ser, não é o que se diz ser, você é o que você mostra para as outras pessoas" - NO WAY! As pessoas são o que são, não somos o que os outros pensam que somos apenas porque os outros não possuem percepção tal qual como a nossa. Se fosse pelos outros eu seria uma feiticeira-gótica e afins e estou longe disso, mas é o que dizem de mim. E aí, a voz do povo é a voz de Deus? Mas que Deus é esse? Que voz é essa? Qual é esse povo? Não, não é.
Fora que cada pessoa possui uma percepção diferente e individual moldada a partir daquilo que vivenciou. Oras, partindo desse princípio, nós somos TUDO o que dizem que somos? De forma alguma. Então aí o argumento já está falho e preguiçoso. Não precisamos ser seres limitados, mas não somos tudo o que dizem que somos apenas porque cada um possui uma perspectiva diferente.

Então é basicamente:
a) Usar roupa curta ou blablabla nunca será desculpa para estupro ou para agressão verbal; oras, se um homem gosta que mulheres mexam com ele pela sua aparência isso não quer dizer, nem de longe, que mulheres gostarão do mesmo, não gostamos de ser coisificadas.
b) Mulheres não são geneticamente feitas para cuidar da família - isso é papo bíblico, do patriarcado, de Eva foi feita da costela de Adão para ser sua companheira e cuidar da família, blablabla - WRONG.
c) Cada um sabe o que é e a percepção alheia é subjetiva, falha e a verdade é que ninguém sabe nada de ninguém.
d) Machismo existe e mata, feminismo luta pela igualdade e contra o machismo. E sim, eu sou feminista, e se isso me faz uma vadia então que seja.


Mas então.

Como proceder? Não procedendo.
Porque o problema em ser eu é que as situações se repetem à exaustão. Tudo novo de novo e de novo num looping infinito chamado de vida. E eu fico eternamente aqui contando minhas historinhas pra quem quiser ler, feito o Forrest Gump, só que numa versão com muito mais cor-de-rosa.
Será que algum dia as coisas mudarão realmente? Não sei. Muitas questões.

Até lá façam o favor de não falarem nada além  de trivialidades comigo. Minha sanidade agradece.

I would like some blood, please.

Há dias encarando esse teclado e não há UMA ÚNICA COISA que valha a pena ser dita aqui. Tanta coisa aqui dentro e nada que eu possa colocar para fora.
A coisa tá tão boa que não tenho mais o que reclamar e sem ter reclamações o blog acaba.

COMO PROCEDER?


A saga de Heather Wells


Para quem não sabe, eu sou apaixonada pelos escritos da Meg Cabot. Ela é uma excelente escritora porque ela tem o dom de fazer com que nos identifiquemos com suas personagens. Mas em toda sua obra não há personagem pela qual eu me identifique mais do que a protagonista da trilogia Tamanho 42 não é gorda, Heather Wells. 

Heather é uma ex-estrela pop que - após o rompimento de seu noivado com Jordan Catright, filho do dono da gravadora Catright e também cantor de boyband - engorda vários quilos e passa do tamanho 36 ao 42. Como se isso não bastasse - ser traída pelo noivo por uma estrela pop mais magra e se afastar do mundo da música - seu pai foi preso e a mãe fugiu com seu agente para Buenos Aires, levando todas as suas economias e deixando Heather pior do que antes da fama (ou seja: pobre e com um guarda-roupa que não cabe mais). Mas tudo parece melhorar quando ela é admitida num alojamento estudantil de uma faculdade em N.Y. Mesmo sem o glamour e glória dos dias de ídolo teen, tudo parece ter melhorado. Mais ela esta completamente enganada. De uma hora para outra, uma estudante morre misteriosamente no poço do elevador do campus. Os policiais e a diretoria estão prontos para declarar a morte como acidente, mas Heather conhece adolescentes, e meninas não brincam com elevadores. Uma semana se passa, e acontece de novo. E mais uma vez os policias declaram que a morte foi acidental. Heather decide entrar numa enlouquecida caçada para descobrir a verdade. Pode parecer uma vida de aventuras e altas doses de adrenalina, mas a vida de detetive é potencialmente perigosa. Alguns riscos podem ser fatais e nada é capaz de irritar mais um assassino do que uma ex-estrela pop corpulenta enfiando o nariz onde não é chamada.  

Esse é um daqueles livros que você começa a ler pela manhã e termina à tarde. Não que seja pequeno - com certeza não é grande - mas é que ele é tão gostoso de ler, tão engraçado, cheio de mistérios, que você se vê envolvida na história, torcendo pela desastrada-metida-a-investigadora (viram por que eu me identifico?) da Heather. Só posso dizer algo: vale a pena ler esse livro. E suas continuações também (Tamanho 44 também não é gorda e Tamanho não importa).
Fora o fato de ele - subjetivamente - abordar o fato de que as pessoas andam se empenhando demais em entrar nos padrões de magreza da mídia. Aquela coisa de querer ser osso, sabe? Então. Fora o fato de que esse é um dos motivos que levam aos crimes, mas eu não revelarei mais do que isso senão o spoiler vai ser grande. 

Recomendo fortemente a leitura para quem quer ler algo mais leve mas que prenda a atenção.
Em um quote: 

- Não é verdade - Patty diz. - Você vai encontrar alguém. Só não pode ter medo de se arriscar.

Do que é que ela está falando? Eu não faço nada além de correr riscos. Estou tentando impedir que um psicopata mate mais uma vez. Já não basta? Preciso de uma aliança no dedo também?
Algumas pessoas nunca ficam satisfeitas.

Alma de Fogo


Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por poemas, ainda mais os da época do "mal do século", aquele ultrarromantismo pessimista, quase fúnebre, misturando amor com morte, toda aquela antítese sempre me fascinou. Em uma manhã nublada (boas coisas quase sempre começam em manhãs nubladas) estava eu à procura de um livro que me tirasse o fôlego e que me tirasse também daquele marasmo literário de histórias clichês. Foi quando eu vi (e é nessa parte que todos fazem um "aaaaaaaaaahhhhh" de espanto e curiosidade): "Alma de fogo - um episódio imaginário da vida de Álvares de Azevedo".

O coração fez um "tum-tum" acelerado, os olhos brilharam, as mãos correram ao encontro daquele livro que falava sobre um dos meus autores preferidos. Mais do que depressa o entreguei à bibliotecária e disse: é esse. Levei pra casa e iniciei a leitura. E que leitura! Há romance, depravação, suspense, mistério, mortes, um clima todo gótico, meio Sherlock, meio poético, meio suspeito demais.
No século XIX, vários homicídios abalam a pequena vila de São Paulo: jovens mulheres estão sendo mortas por um misterioso serial killer. A turma de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco acaba se envolvendo na história quando Álvares de Azevedo descobre que seu colega, Aureliano Lessa, foi acusado de ter cometido os crimes e é preso. Entre leituras, poesia, amores e boemia, o jovem escritor começa uma perigosa investigação contra o tempo em busca da verdade. Nessa ficção ágil, o leitor encontrará inúmeras informações sobre a biografia de grandes nomes da literatura brasileira como o protagonista Álvares de Azevedo, além de Bernardo Guimarães, Joaquim Manuel de Macedo e outros.
Não quero revelar mais nada: quero que descubram por si próprios. Só digo o seguinte: vale (muito) a pena ler.

Só mais uma coisa: o livro é todo ilustrado e cada capítulo começa com páginas azuis. *-* Apaixonei pela leitura. ♥
Em um quote:
Um dia lera os versos de um estudante apaixonado. Não serviam nem para limpar um par de botas. Versos babosos, rimas repetidas... uma coisa nojenta! É necessário método para poetar. Paixão, sim, mas com medida. 

Delineando

Inda agora
A alma revigora
O cansaço do tempo
Daquela dor, daquele tormento
Outrora era paz
Hoje, vento gélido
Seria eu capaz
De amar demais?
A poesia que nasce
Por um descuido alheio
Instalou-se, por fim,
Dentro do meu peito
Correndo ela vai
Por veias tão finas
Mandando sinais
Em forma de rimas.

De todos os loucos do mundo eu quis você.

AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.AMOR.

E isso resume tudo neste momento.


CFA rules

Está tudo muito bem até que alguma coisa vai mal - e esse é basicamente o resumo da minha existência.

Eu estou bem.
Estou respirando, bem disposta, minha pele está ótima, meu cabelo com ondas bem definidas e bonitas, o humor com aquela pitada linda de sarcasmo que dá toda a diferença. Então qual é o problema?
O problema é que desacreditei.

Posso ser piegas e citar CFA? Posso: "desacreditei das pessoas e de suas boas intenções". Eu até ACREDITO que há boas intenções nas pessoas à minha volta. O que não é há é coerência.
E, amigão, de incoerente e maluca já basta eu.
É complicado esperar coerência das pessoas e encontrar cada vez mais coisas que se contradizem. Uma hora algo, outra hora algo completamente diferente.
Não que eu não seja incoerente - I'm drama queen since 1993 - mas eu AVISO as pessoas a respeito disso. Qualquer um pode ver isso e não é algo que eu negue. Eu aviso que "vai chegar uma hora em que eu vou aloprar, filhote, mas tá tudo certo, apenas fica quietinho que a coisa melhorará e dali a 5 minutos eu já estarei rindo e conversando numa boa".
Mas me cobrar atitudes que eu já avisei de antemão que não terei é incoerente demais.
Mais incoerente ainda é me cobrar tais atitudes e dizer que não, eu não posso cobrá-las de volta, mesmo que a pessoa seja super coerente e blablabla e tenha cobrado porque OIII?! PARÂMETROS???
Não sei lidar.

E não posso nem reclamar porque o problema em ser maluca é que você nunca sabe se está sendo exagerada ou se realmente está com a razão.
OU SEJA - tá tudo muito bem, mas deixa eu dormir um dia inteiro que ficará ainda melhor.

Another party's over...

...and I'm left cold and sober
my baby left me for somebody new
I don't wanna talk about it
Want to forget about it
Wanna be intoxicated with that special brew ♪

É tão estranho quando algo ocorre e você sente que perdeu, mas não pode reclamar sobre porque na verdade você nunca teve esse algo e então estaria reclamando de quê, sua louca?!
Não sei.
Mas a verdade é que há muito tempo eu não sentia nada de bom e no último mês eu senti que as coisas estavam voltando aos eixos, se é que algum dia elas estiveram nos eixos, mas elas estavam indo a algum lugar.
E agora descarrilharam mais uma vez.

Hoje acordei vazia.
Nem feliz, nem triste. Apenas VAZIA.

E ficar vazia nem é ruim. O problema é o que preenche o vazio.
Prevejo muitos dramas para Julho. 

Procurando loucamente.

Aí eu vou ver os termos de pesquisa no google que levam pessoinhas ao meu blog e me deparo com:
- mia sodre (sim, meu nome, em minúsculas e sem acentuação; medo)
- poema o garfo e a colher (o garfo brigou com a colher embaixo de uma sacada, o garfo saiu ferido...♪)
- coração partido (porque é o que temos pra essa vida, claro)
- o inferno nao existe (e pelo jeito os acentos também não)
- redacao sobre o que é ter uma vida (não é como se eu TIVESSE uma, né amiguinho? mas o que parece não ter em sua vida é corretor ortográfico)
- o povo que inventou o garfo (HAHAHA, sério isso, gente? HAHAHA)
- tenho queda por idiotas (mais do que uma queda, eu diria)
- é a minha princesa de avalon (sou eu mesma, pode falar, vassalo)

Após isso até sorri um pouco, porque né? Pode ser que essas pesquisas levem ao meu blog, mas ao menos eu não sou as pessoas que de fato procuram por esses termos.

Purgatório

yes, tate, let's go!

Eu chegaria perante Deus após minha morte - e com todos os anjos e divindades reunidos, disputando um cacho de uvas silvestres - e então ele veria:
- Filha, aqui vejo que você cometeu o pecado do orgulho. O que tem a dizer sobre isso?
- Sim, mas há motivos para esse orgulho: melhorei consideravelmente e divei na cara das inimigas.
- Certo, sei, sei... Bem, vejo aqui também que você desejou a morte do próximo, do distante e de si mesma.
- Desejei e consegui, tanto que estou aqui. E não é como se alguns não merecessem a morte, visto que a Bíblia está cheia de passagens onde o senhor destinou à morte pessoas que nada haviam feito a não ser reclamar e contestar; eu desejei a morte de gente que me queria morta, nada mais justo.
- Você também foi muito vaidosa...
- Mas o senhor me fez nascer com essas esmeraldas por olhos e ainda reclama de minha vaidade ao admirá-las?! Oras, penso que até mesmo divindades necessitam de coerência, não é mesmo?
- Sim, mas...
- Mas em contrapartida não fui invejosa, não matei ninguém, não traí, não fui egoísta, tampouco promíscua. E olha que eu deveria ser santificada por não ter assassinado ninguém ou dado um banho de óleo fervente nas inimigas.
- Bem, mas seus pecados são pesados, filha; contudo há um certo equilíbrio, mas...
- Mas ninguém é perfeito! Sua indecisão já revela que o senhor sabia muito bem disso quando criou o ser humano, não é mesmo? Me condenará por ser um perfeito exemplo de mulher do século XXI?
- Não, não é assim; apenas não acho que você mereça o céu.
- O inferno me espera? Belzebu tem um demônio reservado para mim?
- Não, não, você é boa demais para o inferno!
- Então, qual é a sentença?
- Olha... não sei. Quem sabe você não volta lá pra Terra e vejamos o que faremos na próxima encarnação, tá?
- Perfeito.
- Okay, pode ir.
- Só mais uma coisa.
- O que foi?
- Posso ser inglesa dessa vez? ;)

Aliens, aliens, aliens everywhere

Então que além de eu ter ido à psicologuinha, ter surtado, ter melhorado, ter conhecido duas pessoas extremamente queridas que estão me dando a sensação de "you are not alone" e estar voltando aos eixos após um papo de borderline, também fiz parte das gravações do nosso primeiro curta do curso de Cinema.

Tá bobo.
Tá tosco.
Tá estranho.
Mas não é como se eu mesma não fosse boba ou estranha, entonces... enjoy it.


também teve a exposição do Elvis aqui em Porto e que estava INCRÍVEL (obviamente) e assim que conseguir as fotos com meu irmão postarei aqui, porque... GENTE, ELVIS PRESLEY, aaaaaaaah o/
É quase meia-noite, tenho que sair às 6h horas amanhã pra o curso de cinema, estou ensaiando ir pra cama há 2 horas, mas ao invés disso estou procrastinando aqui olhando fotos de gatos pretos.
Não, eu não sei por que eu faço isso. Autossabotagem define minha existência.

desnecessário dizer.

eu sou uma pessoa tão fácil de presentear, mas tão fácil que eu não compreendo como as pessoas podem errar tão feio na escolha de presentes que me dão.
me dê livros
me dê dvds do Queen
me dê um perfume suave (porque alergia pega forte aqui)
me dê mais livros
pronto.

mas não; elas vão lá e me dão salto alto
SALTO ALTO
eu pareço o tipo de pessoa que usa salto alto? sabe por que eu nunca estou de salto alto? porque eu não tenho coordenação nessa vida, filhote, nem física nem emocional.
são três passos e um tombo e olha... as cicatrizes que eu tenho me bastam por uma vida.

o melhor presente é estar presente.
nem precisa de mais nada não. fica aqui quietinho comigo e tá tudo certo.
shhhh.

mimimia

Então eu fui na psicologuinha e a coisa foi mais nonsense do que eu poderia ter imaginado, aí cheguei em casa (depois eu conto, ou nunca, sei lá, porque até mesmo vergonha alheia própria tem limites de exposição; se bem que limite de exposição na minha vida é até piada, mas né? tentemos.) e pra mudar a temática eu escolhi um filme de terror pra assistir e me distrair, porque eu queria que as coisas fizessem sentido ao menos na tela do pc.

Lá fui eu pra debaixo das cobertas assistir Segredos de Sangue, e a premissa era boa: Em pleno luto por causa da morte de seu pai, India (Mia Wasikowska) deve lidar com o novo comportamento agressivo de sua mãe (Nicole Kidman) e com a chegada inesperada de um tio que ela nem sabia que existia, Charlie (Matthew Goode). Este homem sombrio esconde as reais motivações de sua visita.
~sim, isso pode ter spoilers; but who cares?~

sendo uma estátua porque meu nome é Mia e não sei fazer outra coisa além de abstrair

Eu pensei: ah, ele deve ser um psicopata que mata todo mundo, bora ver sangue e abstrair.
E com o que me deparo?
A Mia é a guria isolada que gosta de sangue, usa roupas retrôs e é chamada de louca na escola pelos coleguinhas retardados (identificação), até que um dia é estuprada (identificação nervosa) e aí o tio dela aparece e OIII?! What the hell?! Ele mata o cara. Ela ajuda. Ela descobre que o tio é um louco de sanatório que matou o pai dela e resolve fazer o quê?
FUGIR COM O TIO.
Juro.por.Deus. que abstraí total nisso.
Porque super normal você ser estuprada, descobrir que seu tio matou seu pai e torná-lo seu amante. Realmente. É de uma coerência invejável.

Mas aí vem o melhor: a mãe dela (Nicole Kidman sempre com aquela mesma cara "estou sofrendo mas estou te seduzindo, gatz") deseja todo o mal, depois deseja todo o bem pra ela, depois pega loucamente o tio da guria, a guria vê, o tio tenta matar a Nicole, a guria aparece, atira no cara, olha bem pra cara da mãe dela e vai dormir.
Com sangue all over the place.

nada mais normal que descansar com seus pares de sapatos, né gente? quem nunca?

Aí do nada ela pega o carro e sai, um policial pára ela por velocidade alta (porque a trilha de corpos não importa, pessoas somem, ninguém sabe ninguém viu) e ela faz o quê? Crava um lápis no policial, ele agoniza (lápis superpower) e ela caminha tranquilamente atrás dele (atuação de zumbi, juro) e o mata com uma espingarda.
FIM.

Tudo porque eu queria um filme coerente pra esquecer a maluquice da psicologuinha.
Não quero mais ver filme cuja atriz principal seja Mia, não. Mia é um nome que atrai roteiro nonsense, tenho cada vez mais certeza.

fígado

você percebe que a vida deixou há muito de fazer sentido quando sonha que sua menstruação desceu mas que na verdade ela não passa de fígados de galinha prontos para fritar.
eu nem como fígado.
nem galinha.
nem coisas fritas.

vida supimpa.

321

então eu tenho essa necessidade incrível de chorar e colocar pra fora e dizer que tá tudo errado, vocês não tão entendendo nada, eu não sou louca, apenas sobrecarreguei e ninguém parece dar a mínima e estou triste, não sou depressiva, não sou maluca, não sou má, não sou falsa, não sou nada disso que dizem, apenas estou tentando, sabe?
eu tento
o tempo todo
e ninguém parece entender nada
ninguém parece ouvir nada
e quando ouvem algo dizem que preciso me tratar
pois bem, eu vou me tratar, mas certamente não ficarei "bem" porque eu nunca estive bem.
mas é tão difícil assim vezenquando mostrar que se importa, abraçar e apenas estar ali, sem julgar, sem falar, apenas apreciar o silêncio e tentar?
olha... tentar é digno, tentar é válido.
mostrar que lembra, mostrar que pensa em mim.
porque vezenquando é só isso que eu queria, que alguém lembrasse, que alguém tentasse.
isso já me parece muita coisa a essas alturas.

dramas de uma segunda-feira

Então cheguei em casa e falei:
- Tô doente, me sinto fraca basicamente o tempo todo, creio estar morrendo aos poucos e preciso de um médico.
- Mas o que tu tem?
- Confidencialidade médico-paciente.
- Okay, a gente pode ir amanhã então no clínico e...
- E conseguir também um psicólogo.
- Mas psicólogo é pra doenças da mente.
- Sim.
- O que tem tua mente?
- O que não tem minha mente?
- Como assim?
- Sintetiza aí: eu tenho lapsos de tempo, às vezes quando alguém fala comigo eu vejo a pessoa mas não ouço a pessoa porque uma musiquinha começa a tocar em looping infinito e a todo volume na minha mente, às vezes parecem vozes, mas na maior parte das vezes são músicas que tocam DO NADA, às vezes não sei onde estou porque pareço ser transportada para outra realidade, às vezes vejo coisas, às vezes não percebo nada e constantemente quero morrer e fantasio minha morte durante viagens de ônibus.
- Isso é encosto.
- Isso é loucura.
- Anda tomando algo?
- HAHAHAHA I wish! Ao menos teria uma desculpa pra tudo isso, né? Mas não, tudo coisa da minha muito fértil mente.

Então amanhã estou indo ao médico. E ao psicólogo.
Junho começou lindo, quero nem ver.


Já que 2013 tá ferrado mesmo...

...vamos tentar analisar o por que da coisa aqui.
E olha, mapa astral explica tudo nesse caso.

Lua em Câncer: apegada ao passado, dramática até dizer chega, aquela que chora e faz drama e chega dessa vida, deixa eu morrer, você não me quer, eu sei disso, não aguento mais, o que fazer? Como proceder? All by myself don't wanna be ♪ blablabla...
Asc em Escorpião: você realmente vai me deixar morrer, seu maldito? Não sabe nem ler nas entrelinhas, não? Morra você, aliás, morra não, venha cá pra eu te torturar lentamente e te dar um banho de óleo fervente, em ti e na tua amiguinha pirigótica estranha. Tá fugindo por quê? Eu sou um amor de pessoa!
Sol/Vênus (e mais uma pá de coisas) em Aquário: bora ler um livro e abstrair que passa, relacionamentos não valem tudo isso, não; muito mimimi, tá atrapalhando minha aura. Sim, eu gosto de você mas o cabeludo que piscou pra mim é mais bonito e a aura dele é cor de amarelo, licença, vou lá conversar enquanto tu fica com tua amiguinha; by the way, simpática ela, gostei da moça, super apoio vocês juntos, viste? Beijos de luz pr'ocê, seu lindo!

E isso resume 20 anos de existência.

Memórias de um sargento de milícias

Eu lutei, senhores, lutei contra a falta de vontade de ler esse livro, contra minha preguiça infindável ao folhear as páginas da obra-prima (e única, por sinal) de Manuel Antônio de Almeida. Sim, senhores, eu lutei e venci; posso dizer que não me arrependo: apesar do que parece, Memórias de um sargento de milícias é um livro leve, cômico e de uma ironia tamanha que conseguiu a façanha - não lá muito rara - de me arrancar risadas através de suas páginas.
O livro conta a história de Leonardo, filho de Leonardo-Pataca e Maria da Hortaliça, casal português que se conheceu em um navio quando vinham ao Rio de Janeiro juntamente com a côrte e toda aquela baboseira que todos sabem que houve quando o Brasil foi colonizado.
Leonardo, um malandro de primeira desde pequeno (o verdadeiro malandro carioca) passa a morar com seu padrinho, o barbeiro, após sua mãe fugir com o capitão do navio e seu pai abandoná-lo. Se mete em várias encrencas, uma pior e mais cômica que a outra e acaba sendo um romântico incorrigível, coração mole, vadio e - quem diria do menino com o demônio no corpo! - sargento de milícias.

Se vale a pena ler? Vale, e muito. Além de ser leitura obrigatória tanto para o vestibular quanto para o ENEM, o livro é cômico, irônico e que possui um anti-herói endiabrado, uma mocinha insossa e uma outra com sal e pimenta até demais.

Sim, o primeiro capítulo é enfadonho. Mas não se preocupem: há mais 47 deles para apreciar a leitura!

Em um quote (mais sério, os outros são todos espirituosos):

Em certos corações o amor é assim, tudo quanto tem de terno, de dedicado, de fiel, desaparece depois de certas provas e transforma-se num incurável ódio.

Agridoce, seja doce!

Maio foi um mês... melancólico. Fechei as cortinas, parei de observar à vida lá fora e comecei a observar a mim mesma. Nessa introspecção toda não foram muitas as fotos tiradas. Mas peguei amor pela forma como elas mostram o decorrer dos meus dias corridos e complicados.

A primeira foto do mês (lá pelo dia 15; PERCEBAM minha animação para fotografar): melancolia pegando forte - mas ela foi feita apenas para mostrar o comprimento das madeixas.
E muitos, MUITOS livros:






A ~única~ foto em que uma amiga (Bianca, linda, querida) participa porque esse foi um mês ao qual me isolei MUITO de tudo e todos.
 Só porque o povo reclama que eu nunca sorrio em fotos. Ó, é por isso que não sorrio; meu sorriso é pior que minha cara de psicopata assassina:
 Mostrando as clavículas porque FINALMENTE elas aparecem. ♥
 O cabelo tá crescendo!
 Fazendo pose de perfil pra mostrar que: a) a academia está funcionando; b) eu amo saias compridas e estou in love por esse look de moça inglesa do século XIX.
 Uma pequena edição em uma foto em preto e branco com uma frase que define completamente a minha existência:
E que Junho seja doce porque de agridoce já estou enjoada.

Romeu e Julieta: amor?

Sei que a grande maioria das pessoas ama Shakespeare e sonha em viver um amor como o de Romeu e Julieta (nota mental: o amor de Bella e Edward consegue ser mais saudável, mas enfim...), porém eu tenho algo a dizer: o amor de Romeu e Julieta não é amor.


É isso mesmo. Após ler e reler o livro (Tragédias - Shakespeare) e analisar cuidadosamente cada parte e cada contradição ali escrita, cheguei à conclusão de que a maior parte dos adolescentes que postam no tumblr coisas como "Romeu e Julieta é que tinham um amor de verdade" nunca chegaram a ler realmente o livro. Não me entendam mal: não sou contra romances, amor ou seja lá o que for mas aquilo não pode ser chamado de amor. Veja bem: Romeu, um cara de 18 anos (com uma cabeça de um moleque de 14, diga-se de passagem) começa o livro dizendo que "ama" uma garota linda e maravilhosa mas que infelizmente não poderá ficar com ela porque ela decidiu que não vai ter relações sexuais com ele (opa, tem algo de errado aí: quer dizer que pra ser amor tem que ter "algo a mais"?).

Então o tal do Romeu - abalado por não poder "concretizar seu amor" com a menina que ele jura ser o amor da vida dele - vai até uma festa na casa de seus inimigos (de penetra, é claro) juntamente com outros rapazes. Lá ele vê Julieta e já começa a se dizer apaixonado. Já diz que ama. Ama? Ama. Só de olhar. Segundo ele, porque ela é "a criatura mais linda da face da Terra". E quanto a outra que ele amava há meia hora? Que outra? Já era. Agora é a Julie. Pois é. Só eu acho que há algo de errado nisso? Pois isso tem um nome, e não é amor: é excitação. Hormônios adolescentes pipocando pra todos os lados (e em uma parte em especial, é claro).

Julie, de 13 anos (veja bem a pseudo-pedofilia do texto: 13 anos) se vê encantada pelo tal do Romeu ao ouvir as juras de amor da parte dele para ela. E se ferra, porque a tonta menina acaba indo contra a própria família pra ficar com o horny abestalhado do Romeu. Pois é. Típica história adolescente. E foi assim que nasceram as dramédias românticas.

O final todos já sabem: eles se matam. Sinceramente, eles mereceram morrer. Tontos do jeito que eram, com certeza isso foi até um alívio para as famílias em questão. Mas o que me irrita mais nessa história toda é que há quem fique desejando isso para si, como se fosse uma linda história de amor. Minha filha, isso não é sobre amor, não. Isso é sobre hormônios, excitação, gente com mente fraca e atração. Amor não é isso. Leia Orgulho e Preconceito (de Jane Austen) para realmente conhecer uma história de amor, okay?

Enfim, por hoje era só. Aos fãs de Shakespeare: sorry, but it's true. 

é o que há pra essa vida

Dizem por aí que eu sou muito pacienciosa. Há quem pense que sigo aquela regra de "a pressa é inimiga da perfeição" (o que explicaria por que nasci de 11 meses, mas enfim) mas não. A verdade é que eu não poderia estar ligando menos.

EU.NÃO.DOU.A.MÍNIMA. pra grande parte das coisas que me ocorrem ou ocorrem a meu redor. Ao menos pras que importam. Meu dom é dar importância a coisas que os outros acham bobagens. 

Aí fico eu lá ~desprezando~ tudo e aparentando ter a paciência de um sábio chinês quando na verdade o que ocorre é que tenho preguiça de falar/fazer algo quando eu sei que as pessoas simplesmente continuarão a ser cada vez mais idiotas, enquanto meu DJ mental começa a tocar uma playlist bizarra e passo meus dias abstraindo e fazendo cara de paisagem.

Porque cara de paisagem é o que temos pra vida. 
E todos acham que sou super pacienciosa.
Tolinhos.

Charlotte Street

Charlotte Street (Danny Wallace) conta basicamente a história de um professor metido a jornalista que um dia tromba com uma moça - cujo nome é desconhecido até o final da história - e gama nela, porém a moça tem pressa e pega um táxi rapidamente, mas o professor/jornalista aloprado acaba ficando com uma câmera descartável que a moça deixou cair quando do trombo e aí ele começa uma "caçada" pela moça em Londres.

Ou, em uma frase: Charlotte Street é o romance que uma blogueira perdida na vida consegue após contar sua vida em um blog.

Quando recebi esse livro e abri a linda caixinha do correio, segurei-o nas mãos e disse para minha mãe: "esse é um dos livros sobre a minha vida". Não havia lido muito sobre a premissa mas eu simplesmente senti que assim o seria. E não estava errada (claro que não!). Charlotte Street não poderia se enquadrar melhor, afinal, a moça do livro é uma blogueira que passou por uma grande decepção amorosa e fez um blog para falar sobre, para ver se o sentimento desaparecia conforme as palavras aparecessem (e foi assim que nasceu o Wink).
Tudo começa com uma garota. Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street. E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo. E agora Jason - ex-namorado, escritor e herói relutante - se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder.
Não se enganem: eu amei o livro. Mas rolou toda uma identificação nervosa aqui e a sensação que ele me passou após sua leitura foi: o máximo que uma moça que se expõe tanto num blog consegue, em termos românticos, é um cara ferrado como Jason Priestley. Certamente quem gosta de romances vai amar Charlotte Street, ainda mais quem gosta de devaneios - Jason devaneia o tempo inteiro e a narrativa é através dele, através de sua perspectiva, com alguns trechos separados mostrando posts do blog da moça, A Garota:


A mensagem principal é sobre destino e sinais. Será que vale a pena correr atrás de alguém cujo nome se desconhece apenas porque se cruzou com a pessoa e sentiu que aquela poderia ser A pessoa? Será que há um destino por trás de tudo e podemos ter nossos "finais felizes" mesmo que eles inexistam?

É um livro bobo para pessoas bobas que querem uma leitura simples e apaixonante. Mas não se iludam: a vontade de quebrar a cara de Jason Priestley é constante. 

Eu não gamei no Mr. Darcy

Esse deve ser um dos livros mais comentados da história da literatura. Há várias resenhas dele, e sei que seus personagens despertam muito amor na maior parte das menininhas ratas de biblioteca como eu. Porém eu devo dizer que sim, ele é um ótimo livro. E só. Não me despertou emoção alguma, tampouco aquela sensação gostosa de quando a gente lê um livro e se identifica com as personagens, sente as emoções que ali são narradas, torce, chora, ri. Ele é - para mim - apenas um livro bem escrito (e eu estou ciente de que irei ser apedrejada por isso, mas leiam toda a crítica antes de falar algo, ok?).

Para quem ainda não entendeu de qual livro eu falo ao ler o título, eu estou falando do queridinho das românticas de plantão, o tão amado e idolatrado Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Sim, ele é um livro muito bom, bem escrito, com personagens bem articulados e situações cômicas. Tenho certeza de que para a época foi um grande avanço literário, e a história é digna dos sonhos de qualquer menina que deseje se sentir como uma princesa (não que Elizabeth Bennet fosse uma princesa no livro, mas vocês entenderam o que eu quis dizer).
Para quem não conhece a história ou não se lembra direito dela, aí está:

Conta a história das 5 filhas solteiras de Mr. e Mrs. Bennet, após o rico Mr. Bingley e seu amigo Mr. Darcy, terem se instalado nas vizinhanças da sua propriedade. Enquanto Bingley se interessa imediatamente pela mais velha das irmãs Bennet, Jane, Darcy tem dificuldades em se adaptar à sociedade local, e entra em discórdia com a segunda das irmãs, Elizabeth.
É um romance muito bonito, bem estruturado, cheio de preconceitos (como o próprio nome diz) e de muito, muito orgulho, de ambas as partes, é claro (tanto de Elizabeth quanto de Darcy). Elizabeth é uma personagem interessante, e é a que mais me chamou a atenção. O que faz dela uma personagem tão interessante é seu sarcasmo, ironia e um certo "deboche" pela alta sociedade.

Porém o que eu não entendi é o por que de a maior parte das meninas que leem esse livro ficarem apaixonadas pelo Mr. Darcy. Ele é obscuro, orgulhoso, mal fala, guarda tudo para si próprio. Não é algo muito atraente (a não ser para aquelas que gostam de se sentirem inferiores ou desprezadas de certa forma). Sim, sim, no final do livro foi revelado seu "verdadeiro" caráter. Mas de qualquer forma, não há nada de excepcional nesse personagem. De fato, considero o Mr. Bingley muito mais interessante do que Darcy.

Sim, eu gostei do livro. Mas não gamei nele. Para mim, Orgulho e Preconceito nunca será tão bom quanto O Morro dos Ventos Uivantes (de Emily Brontë), e Mr. Darcy nunca terá tanto fascínio quanto Heatchcliff. Porém é um livro que vale a pena ser lido. É uma ótima leitura, ainda mais se você for uma dessas mocinhas românticas que amam amores cheios de empecilhos e água com açúcar (o que não é o meu caso).

O único Mr. Darcy pelo qual que gamei foi quando interpretado por Colin Firth, em 1995 (todos devem assistir a essa minissérie baseada no livro):

Tem como não gamar? 

Pronto. Agora vocês podem apedrejar à vontade. 

nonsense rules


Eu vim aqui pra dizer que quero fechar o blog e não estou com ânimo para escrever nada - apesar de sempre escrever, mas não quero publicar, não.

Eu não sei exatamente quando me tornei essa pessoa desencantada pela vida. Penso que foi em setembro passado - quase certeza de que sim - mas o golpe final, o último encanto que restava pelo mundo foi-se em janeiro. Já era, acabou. Tudo vazio aqui. Dá até para ouvir minha própria respiração e o correr do sangue nas veias. Mas não encanto com mais nada. Tudo é azul-cinzento, tudo é monocromático, sem gosto - ainda que salgado -, sem cheiro - apesar da essência de baunilha.

Você percebe que se tornou uma pessoa triste quando seus amigos e até mesmo seu irmão lhe perguntam: "o que posso fazer pra te deixar feliz? há algo que eu possa fazer por ti?" Olha, não há. A essa altura do campeonato nem sei se eu quero ser feliz. Porque dá trabalho e quase nunca recompensa, sabe? Eu já estive tão feliz nessa vida que a proporção inversa de toda essa felicidade que tive é esse desencantamento. Em comparação com o que senti, nada mais tem cor.

Perceber que as pessoas superam rapidamente as coisas e você continua num futuro que passou e num universo à parte, apenas sendo uma observadora do mundo, é algo por vezes muito frustrante.

Não sei se isso vai passar e nem sei se quero que passe. Se antes eu chorava por não ser correspondida em paixões, hoje dispenso quem se aproxima de mim. Foi por rir de boba que esgotei a fonte de encantos. Hoje em dia eu rio nervosamente porque minha vida é uma dramédia tensa. É bom, porque eu não preciso esperar por algo que surpreenda já que nada mais me faz surpreender.

É ruim porque a vida fica louca quando os níveis de nonsense chegam a tal ponto que absolutamente tudo é passível de ocorrência.

Dá pra entrar em coma até o final do ano?
aceitamos doações de livros "soco no estômago", lorax, rivotril e afins

I'm from Avalon, bitch.

Da série "coisas que minhas amigas me perguntam": 
- sabe hackear fb? 
- sabe fazer voodoo? 
- conhece algum feitiço bom? 
- como me vingar de um boy?
- como afastar duendes?

PERCEBA.
Creio que azamigas pensam que sou algum tipo de bruxa nerd e que apenas caí no ano de 2013 por um acidente de percurso após uma das minhas famosas poções ter dado errado. 
(E eu sou a louca depois.)



praticamente a reencarnação de Morgana

O lado bom das coisas ruins

Ou: "como meus ex melhoraram cem por cento após eu ter terminado com eles".

Eles eram praticamente fracassados. Sim, os três, porque eu tenho algo que me faz relacionar apenas com pessoas assim. Todos com baixa - quase nula - autoestima. Até que eu comecei a namorá-los.

OU SEJA: há uma grande placa astral na minha existência dizendo "namore com a Mia e ganhe um update na vida e uma autoestima inabalável, é win-win".
Só Murphy explica.
Novela mexicana perde. 

Manual da autossabotagem em flertes

Ou "como fazer o amigão de um boy descer e não levantar nunca mais perto de você".

Quer se livrar de um boy inconveniente mas não há santo que o faça desistir de você? Sua vida romântica é inexistente e você simplesmente a prefere assim porque a facul/trabalho/livros tira todo teu tempo? Você planeja viver numa sitcom e escrever tudo num blog aleatório? Bora aprender o "Mia-way-of-life" então!

- Eu gosto muito de ler e li um livro ótimo esses dias. "Cinquenta tons de cinza", já leu? É ótimo. Super sonho em amarrar um cara e fazê-lo sangrar muito, beber seu sangue enquanto escuto um bom Chopin e vê-lo implorar por minha misericórdia. MUHAHAHA

- Então boy, te considero muito, mas... sou assexual. Não rola.

- Não sou assexual, apenas sou chegada em necrofilia. Bora pra o cemitério?

- Não tente mentir pra mim! O duende que mora ao lado da minha cama me conta tudo, tudo! ~risada maligna~


encenação

Durante o episódio 20x4 de Glee (sim, eu assisto e gosto de Glee; get over it) Kitty (a vilã da série) disse para Ryder que havia sido estuprada quando era menor e que demorou muito tempo para contar a seus pais porque... não havia bem um porquê, mas a pessoa que é molestada se sente oprimida, envergonhada, confusa.
É fato que o tema não foi bem explorado na série, mas me fez (re)avaliar muitas coisas.

a personagem com a qual eu tenho a identificação mais nervosa da vida

Vocês, leitores do blog, sabem que fui estuprada quando mais nova, certo? Não vou recontar a história aqui - é completamente desnecessário - mas o fato é que isso me mudou. Quando Kitty falou sobre a vergonha e as acusações que recebeu quando revelou o estupro ocorrido (dizendo que ela era uma mentirosa, que fazia isso para passar por vítima) eu consegui visualizar claramente muito do que eu passei e do que eu passo até hoje. As pessoas que acompanham o meu Ask devem ter lido algo vindo de alguns anônimos que fazem "bullying" (odeio essa palavra, mas enfim) comigo a respeito disso, gente que conviveu comigo na época da igreja e que me acusa de ser uma vadia mentirosa que usa a internet e alguma história sobre trauma pessoal para se autopromover. Mas não.

É terrivelmente difícil admitir que você foi vítima de um estupro. Seja por A ou por B, a muitos olhos parece que você está se vitimizando e as pessoas passam a lhe olhar de forma diferente. Por anos eu não contei nada a ninguém e apenas me escondi. Me escondi em roupas enormes e um cabelo que tapava meu rosto - e ganhei o apelido de Samara Morgan por isso. Me escondi sob uma atitude sarcástica e agressiva, que não tinha nada a ver com a menina que eu era originalmente. Me escondi sob um rosto sem maquiagem alguma, sem depilação de sobrancelhas ou buço e sem usar saltos, decotes ou pernas de fora. Me escondi debaixo de quilos de insegurança - e gordura também - e apenas procurava por um lugar onde me sentisse aceita e segura. Mas eu nunca me senti assim, nem com um namorado (que por um tempo achei que resolveria meu problema de falta de autoestima), nem com amigos. Só fui achar esse "aceitamento" na blogosfera. E hoje há toda uma mudança em mim, percebida por todos.

Sim, eu ainda carrego muito daquela insegurança, daquele vazio que sei que nada nunca preencherá, daquela inquietação, daquela necessidade de estar sempre um passo a frente do outro para não ser pega desprevenida. Ainda me encontro muitas vezes autossabotando relações que poderiam dar certo, desencorajando rapazes que se aproximam de mim - ora por autossabotagem pura e simples, ora por achar que só se aproximam por minha aparência, que seria um simples e puro desejo de atração, coisa que, de certa forma, me repugna. E então eu tento compensar toda essa falta de traquejo emocional com histórias e escritos e poemas e versos e palavras e músicas e delineador. Mas isso faz diferença?

Hoje eu consigo aceitar que sou uma moça bonita e que alguns rapazes se interessam por mim pela minha aparência. Mas ainda assim não é isso o que quero - não por não querer, de fato, isso mas por achar que esse interesse é algo puramente instintivo, e sabemos muito bem de onde vem essa minha aversão a instintos desse tipo. Vezenquando as pessoas escondem uma parte de si mesmas para que os outros vejam algo a mais. Eu fiz isso por muito tempo e continuo fazendo. Eu não quero estar com um cara que se atrai por mim por causa dos meus belos olhos verdes ou das minhas madeixas vermelhas. Eu não quero um cara que elogie minha beleza como se eu tivesse contribuído pra que ela existisse. Eu quero ser notada por outras razões - ou não ser notada de forma alguma. Não quero cara algum - e isso não é tão difícil de entender. Mas creio que apenas quem passou por algo do tipo verdadeiramente entenderá.

Se virei uma velha amargurada e descrente do amor aos 19 anos? De forma alguma. Eu acredito e muito no amor e amo profundamente muitas pessoas. As amo tanto que sempre arranjo uma forma de afastá-las do meu emocional. Não é nada pessoal, é comigo mesmo. Eu sou quebrada. As quero afastadas de mim porque meu emocional não lida bem com isso. Não lida bem com nada. Há algo aqui dentro que não funciona e nunca funcionará direito. Já passei da fase de estar com alguém para me sentir amada ou querer desesperadamente sentir que alguém me precisa. Eu não quero que me sintam quando eu própria não sinto o mesmo pela pessoa. É uma questão de respeito próprio e pelo outro. Até porque eu sou basicamente assexual, então...
Sim, eu sou danificada de maneiras que a maioria não pode imaginar. Sim, minha vida é um grande musical onde eu canto e danço e rio, mas ao final do dia sou em quem está sozinha no camarim com um desmaquilante já pela metade, procurando retirar logo a maquiagem para que essa não se dissolva e se transforme em um pequeno rio colorido sobre minha face.

Eu sou sozinha. Mas ninguém pode curar essa solidão a não ser eu mesma. Porque há feridas que só curam com amor - amor próprio. 
 
Wink .187 tons de frio.