Do sorriso que não é da Monalisa

Eu passei anos, senhores, anos regulando meus sorrisos, sendo discreta, me contendo, apenas por um simples - porém, real - complexo: ter dentes pequenos e uma boca não muito grande, o que faz com que, quando sorrio, a gengiva apareça, já que a boca não fecha direito durante o sorriso, coisa essa que detesto desde pequena. Porém, eu havia esquecido, senhores, desse complexo, há mais ou menos dois anos, e sorria despretensiosamente cada vez que sentia vontade.

Até que o boy me lembra do fato de que minha gengiva aparece porque meus dentes são pequenos e que isso é estranho.
Estranho.
ESTRANHO.
Agora, não consigo olhar pras minhas fotos sem reparar na gengiva aparecendo. E notar a dos outros também e como seus dentes enormes não deixam aparecer nada mais além de uma - quase - fratura exposta.
Afinal, segundo o garoto, minha maneira de sorrir é engraçada.
Só quero saber de algo: alguém perguntou? Porque, sinceramente, o boy passa a tarde toda comigo, eu, toda arrumada, perfumada, bonita, sendo divertida, querida... e ele só fala da minha gengiva? Sério? Realmente? Não poderia ter dito: "hey, como você estava bonita/simpática/divertida hoje"? Realmente?

Okay, baby. Depois, quando eu te ignorar, não reclame e nem me pergunte o quê fez. Você sabe. Todos sabem.
E, da próxima vez, repare no sorriso da Monalisa.


O último ano da primeira década

Então, ontem (26/01), eu completei dezenove anos. Dezenove. Não, não é lá grande coisa, não é um número alto, não estou entrando na fase adulta ainda, tampouco ficando velha. Quer dizer, é o último ano da primeira década de existência. Gente, ano que vem entrarei na segunda década. Ou seja: não poderei mais ser chamada de menininha adolescente. Wow.
E só pra constar, ao povo que tá dizendo - em anônimo, como se eu fosse matar alguém, hahaha - que estou indo pra terceira década e não pra segunda: gente, se contarmos de 0 a 10 anos como uma década, então, sim, estou indo pra terceira. Porém eu não conto, porque nessa idade não temos um raciocínio lá muito lógico, e ainda é a idade com números simples, com um dígito. Conto como a primeira década de 10 a 20 anos. Assim como sempre penso na idade de uma pessoa conforme o ano em que ela nasceu, e não conforme o mês, não importando se ela só fará anos em novembro ou dezembro: conto pelo ano. Portanto esse é o último ano da primeira década. Ponto. 
Minha passagem de tempo foi partilhada com pouquíssimos - mas queridíssimos - amigos. E foi bom, pessoas, foi atipicamente bom.
A quem se lembrou de mim, meu agradecimento. A quem partilhou desse momento comigo, meu agradecimento duplo. E a quem não pode, mas gostaria de ter estado junto a mim, saibam que fico feliz apenas por saber disso.
(E um agradecimento todo especial a Lene, Arih e Glen, que fizeram textos lindos, montagens e tal, e me fizeram chorar - coisa super rara para mim - de emoção e carinho. Meninas, eu amo vocês.)

Make no bus porque acordamos super tarde e saímos correndo de casa com a cara lavada.
 Fazendo o côncavo. 
Piquenique no parque com a Pocahontas querendo me usar de travesseiro. hahaha!
Pocahontas e Leo - sorriso Colgate, gente! 
Vikthor comendo cuidadosamente o cupcake - e claramente com medo de ser envenenado. HAHAHA! 
- Faz uma pose normal, Mia!
- Tô fazendo, Leo, tô fazendo. 
Me sentindo a Pequena Sereia sulista. 
- Leo, seu retardado, eu vou cair, não me pega no colo assim! 
- Vai cair nada, Mia, a não ser que eu te derrube. hahaha!
(é muito amor, gente!)
Sarah e eu fazendo as **divas** no parque. hahaha
Para todos os gostos, pessoas: a morena, o loiro e a ruiva. hahaha! 

Happy B-day to me. ♪

A little high, a little low

É como se eu soubesse o destino, como se soubesse que os trilhos do trem estão tortos e que a viagem culminaria comigo sendo expulsa do trem pelo motorista, para evitar uma tragédia. Mas, mesmo assim, eu entro e fico lá, sentada naquele trem, esperando que alguém me tire, esperando que o trem pare, bata; ou não.
Esperando que a vida siga seu curso.
Eu sei o que pode ocorrer, sei o quanto posso me machucar em trilhos tortos, sei que poderia ficar presa em ferragens caso o motorista fosse descuidado e não me mandasse descer do trem.
Sei o que VAI ocorrer, e não faço nada para alterar isso.
Ao invés de descer da droga do trem antes que me mandem descer -" parada obrigatória, senhorita" - eu simplesmente abro um livro e leio-o como se não houvesse mais nada ali naquele instante.
Apenas esperando pelo momento em que o motorista me arrancará - na melhor parte do livro, é claro - da minha viagem, e eu terei de ir para outra estação e esperar um outro trem, sem nem saber quem será o motorista da vez - ou se ele será tão cuidadoso assim com meu frágil corpo de menina sulista.
Apenas estou sentindo que as asas dele são menores do que as minhas, e ele nunca poderia me acompanhar em meus voos, porque ele sempre estará lá, consertando um torto trilho de trem, que há muito fora abandonado.

Deste lado do inferno

Nunca tomei café. Sempre me pareceu uma bebida séria demais. Bebida para pessoas que arquivam coisas, que engavetam a vida, que sonham na medida certa, com os pés no chão. Ao menos whisky é mais revolucionário. Eu consigo imaginar um Fitzgerald, cansado da vida, debatendo tópicos que poderiam mudar algo, tomando o tal do whisky e vivendo la vida loka divagando entre aspas. Whisky é bebida de quem quer ser atípico e elegante e mudar o mundo, salvar o mundo. Sentam-se em torno de um balcão, pedem um whisky e conversam sobre o aquecimento global.

Nunca tomei nenhuma das duas bebidas. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.
Tomo suco natural, porque sou uma menininha leitora metida a escritora que já se consideraria bastante sortuda se pudesse salvar seus livros - ou a si mesma.

Do que alegra meus dias

Minha - pequena - lista de leitura para o primeiro semestre. Agora as viagens de ônibus ficaram muito mais interessantes. ♥ 

"E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar  de  escrever?  Ou  escreva  então  para  destruir  o  texto,  mas  alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Você sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente." 
- Caio Fernando Abreu

Da série "aleatoriedades literárias"

Aí o pai chega pra mim e diz:
- Mi, sabe que eu li um livro muito bom sobre uma guria toda ferrada que se mete em várias confusões na vida e tem relacionamentos estranhos, que é super engraçado e tal... e lembrei de ti! Tu deverias lê-lo. É algo como O Diário de alguma coisa Jones.
- O Diário de Bridget Jones, pai?
- É, isso mesmo! Muito bom! Li em duas noites.
- Tu te lembraste de mim ao lê-lo, pai?
- É, porque é muito engraçado e ela é toda atrapalhada. Tu vais gostar.
- **eu fazendo cara de paisagem**

Dois dias depois, (e sim, ele me deu o tal do livro de tanto que gostou) durante o jantar:
- Nossa... tenho que chegar ao menos aos 50 quilos esse ano. Já tô na faixa dos 53, mas é complicadinho isso.
- É, parece até a Jones, do livro, que sempre que consegue emagrecer um pouco, volta tudo e fica gorda novamente.
- Tá me comparando com ela, pai? Tá dizendo que eu não vou conseguir? Porque eu já emagreci 23 quilos, sabe?
- Ah, mas sabe como é... Ela tem problemas emocionais, problemas com a mãe... Fora que ela é louca, ela se autossabota. Isso lembra tu, Mi.
- Mas...
- Problemas emocionais.
- Mas...
- Relacionamentos fracassados.
- Mas...
- Peso variável.
- Mas...
- Ma-lu-ca.
- Thanks, champs!
**saída dramática da mesa de jantar**
Livros, pijama, bagunça e cara de "what the hell" - bem nessa vibe, senhores. 

Snowflakes

Me desanima ver a banalização dos sentimentos humanos que há hoje em dia - se bem que dizer "hoje me dia" é babaquice, já que não vivi em outros tempos para poder fazer uma comparação justa de épocas para épocas. Vejo muitas pessoas por aí deturpando o sentido da poesia, querendo que todos os corpos sejam apenas mais corpos iguais, esquecendo-se da alma, do significado único de cada um, aquele "I'm a beautiful and unique snowflake" que fica quase sempre escondido na alma da gente. Então temos praticamente o dever moral de tratar a todos de igual forma, mesmo que você não goste de tal pessoa, mesmo que prefira outro tipo de companhia, mesmo que esteja sendo educado com a pessoa que te causa ânsias - mesmo assim, você ainda é desumano, pois está deturpando a visão de igualitarismo do ser humano. 


Será?
Quer dizer, o que há de linda na poesia, pessoas? Pensem. Não são suas rimas, sejam elas rebuscadas ou simples. Não são suas estrofes tão bem dividas ou a polêmica de certos assuntos. Nada disso, senhores. A poesia é linda e encantadora - e, por vezes, tão difícil de ser interpretada - porque é única. O que leva o poeta a escrevê-la, a epifania que esse ser iluminado possui, aquele "quê" de sentimentalismo, de saudosismo, de parnasianismo. Aquele algo a mais nos encanta, fascina, embala nossas vidas - se mistura a nossas partituras musicais, àquelas que compomos ao longo de nossas existências - é tão somente a unicidade do objeto poetizado.

Seja em A Boneca, onde Bilac descreve uma inocente briga entre duas menininhas, ou em O Laço de Fita, onde Castro Alves estrutura todo um amor baseado num encanto pelo laço que adorna as madeixas da moça, o que a poesia possui em comum é a contemplação de algo único. E isso, senhores, é algo que todos desejamos. Por mais que os conceitos de união e "somos todos iguais" estejam por aí, todos pensamos - ou desejamos pensar - sermos únicos.

Então, sim, senhores, eu tenho vontade de colocar um saco em minha cabeça e esconder-me dessa visão deturpada de mundo, onde ninguém pode se sentir único aos olhos de outro sem que seja condenado por isso, onde a poesia é deturpada por palavras agressivas e onde a delicadeza de alma vira motivo de zombaria.
Desculpem-me, senhores, posso até ser ácida, mas ainda há lugar para o romantismo nesta alma sulista.
"Se eu soubesse que no mundo
Existia um coração,
Que só por mim palpitasse 
De amor em eterna expansão; 
Do peito calara as mágoas, 
Bem feliz eu era então!" 


(Casimiro de Abreu)

da vontade de ser flor


Queria ser flor, delicada, cheirosa, viver entre os campos, ser limpa pela chuva e iluminar sorrisos nas faces de quem a encontrasse.
Era espinho sem flor, cacto que mal precisava de água, em meio a um deserto sulista de corações gelados e sangues quentes.
Desejava ser tocada, apreciada, compreendida. Mas quem a via, via espinho, via ferimento, via sangue, via dor. Dentro dela havia água, haviam cheiros, havia rosa, havia esplendor.
Era espinheiro com alma de flor. Era a contradição de uma espécie. Era uma boba. 

Daqueles dias em que...

...somente Oasis faz sentido.



Talk of better days that have yet to come
Never felt this love for anyone

Estigmas da luz

Há alguns dias me inscrevi para participar do booktour da Selo Brasileiro, onde sete livros passarão por sete blogueiras e serão resenhados em seus respectivos blogs. Tive a sorte de ser uma dessas blogueiras e de receber, como primeiro livro do tour, Estigmas da Luz, da também aquariana - obviamente - Liana Cupini.

Confesso que já tive preconceito com literatura brasileira - assim como creio que todos (ou a maioria) já tiveram -, porém devo dizer que me surpreendi positivamente com esse livro (e com alguns outros também brasileiros que li recentemente e brevemente serão resenhados por aqui).

O livro conta a história de Aurora e Tomas, dois irmãos gêmeos - porém nada parecidos - brasileiros, que há dois anos haviam ido para a clínica do Dr. Kuan, nos EUA, fazer um tratamento para um doença misteriosa que eles próprios duvidavam ter. Contudo, eles pareciam mais prisioneiros do que pacientes na tal da clínica estrangeira, longe da família, amigos, convívio social...
Até que certo dia Tomas arquiteta uma fuga e leva Aurora para uma ilha escondida que é habitada por nefilins. E é aí, pessoas, que tudo, de fato, começa.

O que mais gostei no livro foi que ele não é nada previsível. Quer dizer, as reviravoltas da história são incríveis, e todos os lados são mostrados igualitariamente.
E sucedeu que, quando os filhos dos homens se multiplicaram, naqueles dias nasceram a eles filhas formosas e belas. E os anjos, os filhos dos céus, as viram e cobiçaram. E disseram uns aos outros: "Venham, escolhamos para nós esposas, dentre as filhas dos homens, e geremos filhos para nós."
Livro de Enoque
Só digo algo, senhores: quem gosta de história (e toda a polêmica bíblica de anjos, nefilins e esse povo todo que foi retirado, em grande parte, dos escritos bíblicos no Conselho de Niceia) vai gamar na história de Liana. Apenas isso. 

Two thousand and thirteen

Dois mil e treze, pessoas. E só agora fui atentar ao fato de que o ano incrivelmente bom, que foi dois mil e doze, passou. E que eu tenho um meme que a Del havia me indicado para fazer, sobre metas para esse ano que começa e tal.
Mas, primeiro, apenas um alô sulista para vocês. 
(sim, eram cerca de 1h40min da manhã e estava uma bagunça na casa do mano, ou seja: barulho, meu sobrinho na volta e meio escuro; mas me recuso veementemente a regravar isso, então ficará assim mesmo) 

Agora, ao meme. 
15 coisas mais bacanas que me aconteceram. 
  1. Emagreci muitos, muitos quilos (cheguei aos 53 e meio, pessoas). 
  2. Aumentei consideravelmente minha coleção de livros. 
  3. Fiquei infinitamente mais sociável - e acho que até um pouco simpática, quem sabe? 
  4. Comecei a escrever críticas literárias. 
  5. Comecei a usar maquiagem - é, pessoas, eu não usava. 
  6. Me tornei tia-avó aos dezoito anos (e isso merecerá um post inteiro futuramente). 
  7. Me libertei de uma pá de traumas e conflitos comigo mesma. 
  8. Fiz meu mapa astral - e fiquei boquiaberta em como ele realmente me descreve. 
  9. Não tive uma única briga física esse ano (o que é algo incrível para mim). 
  10. Tive mais paqueras e saídas do que durante toda uma vida, haha. 
  11. Fiz amigos incríveis e de várias vertentes culturais diferentes (desde metaleiros "do mal", passando pelos indies e chegando em pessoas tão malucas e sem definição quanto eu - sim, elas existem!). 
  12. Minha autoestima subiu consideravelmente. 
  13. Meu humor passou de "bad hair life" para "doce azedume". 
  14. By the way, consegui deixar meu cabelo do jeito que sempre quis - e sim, senhores, eu adoro cabelos cacheados. 
  15. Usei um biquíni pela primeira vez - Natal, sobrinha, piscina e uma rua estranhamente deserta. 
15 metas para 2013. 
  1. Fazer com que meu visual externo acompanhe minha personalidade - ou seja, isso gerará muitas controvérsias, senhores. 
  2. Terminar de escrever meu livro.
  3. Passar no Enem - questão de honra. 
  4. Conservar minhas amizades sem ter acessos de "quero ficar sozinha porque há conspirações contra mim" - é, sou paranoica a esse ponto. 
  5. Continuar nessa vibe literária, sem me estressar com nada e apenas tirando sarro da vida. 
  6. Mudar o cabelo - sim, eu amo ele, mas está na hora de uma mudança. 
  7. Furar as orelhas e usar brincos escandalosos - é, pessoas, minhas orelhas não são furadas até hoje. 
  8. Ser mais mulherzinha e cuidar da minha aparência, ao invés de sair parecendo um moleque, em pijamas soltos e moletons desgastados. 
  9. Aderir à campanha "quero um cabeludo pra chamar de meu" (criei-a agora, senhores). Ou apenas ficar sozinha, já que caras só me fazem perder tempo precioso com o que mais importa: eu mesma. 
  10. Reformar o quarto e tirar esse cor de rosa do mal horroroso das paredes. 
  11. Completar minha coleção literária de clássicos. 
  12. Conhecer novos lugares, pessoas, estar em novas situações e não autossabotar nada disso: apenas me permitir ser quem eu sei que posso ser. 
  13. Sair mais e ir a algum show de alguém com quem me identifique. 
  14. Parar com a mania de rir de tudo - ou não, já que quem se incomoda com meu riso solto deveria se atirar da ponte do Guaíba com uma pedra amarrada ao pescoço. 
  15. Aprender a criar metas legais como todo mundo faz. 
E essas são as metas da pessoa que passou o último dia do ano assistindo a Gossip Girl. É. 
Provavelmente todas as metas serão cumpridas, até porque sempre cumpro o que prometo - vai isso é verdade porque nunca prometo nada, mas enfim. 
E, só para constar: 
- ou infeliz, afinal, a escolha é sua, pessoa! -
 
Wink .187 tons de frio.