Chove chuva

Chove aqui dentro. Chove lá fora.

E dentro de mim caem tempestades, folhas outonais, o vento Minuano sopra e minha alma é feita mais uma vez em pedaços. Cada passo me leva a um caminho já trilhado onde a ponte está quase caindo e não há ninguém lá embaixo para me segurar. Há o abismo. Será que é tão ruim assim cair? Será que a vertigem não é natural em mim? Não sei.

Há tanto tempo que estou quebrada que nem lembro como é estar inteira. Mudo o guarda roupa, mudo de blog, mudo de cor de cabelo, de maquiagens, só não muda aqui dentro o vazio que sinto, o vazio de mim mesma, o vazio do que poderia ser e nunca será, o vazio que só é dor pelos beliscões que a vida me dá.

Aí me pergunto por quanto tempo mais poderei levar essa situação de vou mas não vou e se bobear morro um pouco, porque né? Não dá mais pra acordar em meio a um travesseiro molhado. Simplesmente não dá. 

Côncavo existencial

Vazio. Existência profunda.
Contemplo o arrepio
que se aproxima de minha nuca.

Ouço os vizinhos
com suas escutas
chamadas de rádios
para tocar "música".

As ondas sonoras
ecoam no abismo
minh'alma cansada
nem dá um suspiro.

O inglês diria:
"There's nowhere to hide
all we have
is a giant climb."

Um tapa no rosto
pra fazer acordar
pra tirar o sangue
e fazê-lo escoar.

Por puro desgosto
Por puro desalento
Creio estar caindo
Em mais um tormento.

Vertigem


A moça arredia desceu da escada. 
Abismada, encantada, um tanto embruxada. 
Queria ter filhos, mas Deus quis assim. 
"Não, não irão levá-los de mim!" 
Mas eles se foram no fim da estrada. 
À casa encantada, ao palácio de fadas. 
Em sonhos sua alma anseia, espera. 
Por uma manhã em qualquer primavera. 
Talvez eles ouçam, talvez eles sonhem. 
Com lágrimas de uma moça que geme de longe. 
Por suas crianças, suas almas amadas. 
Que foram tiradas para trazer a desgraça. 
A família outrora unida e sorridente. 
Agora espera com olhos ardentes. 
Um peito gélido, uma dor, ai não. 
A moça sucumbiu, já era então. 
Não que eu saiba escrever poemas, mas esse me veio em súbita inspiração após um episódio de Doctor Who. Gostei. Postei. Mas não sei de onde vem. 

Da série: randômicas estudantis

Aí a profª. passa um poema de Vinícius de Moraes e diz pra o povo analisá-lo, enquanto explica sobre a vida do poeta, ao passo que Renata diz:
- Eu não gosto dele.
- Só quem não gosta dele é quem não tem sensibilidade pra poesia.
- Eu gosto de poesia, mas não gosto dele.
- É, mas só quem é sensível entende a poesia, quem não gosta de poesia nunca vai entender.

E, claro, eu me atravessei no assunto:
- Licença, professora, mas eu amo poemas. Escrevo poemas, inclusive. E não gosto dele.
- Por quê? Preconceito?
- Não. Porque ele era machista.
- Ah, sim... ele colocava a mulher como objeto, falava só do corpo, é verdade...
- Sim, é a coisificação da mulher.
- Mas é que nem aquela música "olha que coisa mais linda, tão cheia de graça...", a mulher pode ser superinteligente, a mais apta a muitas coisas, mas só será vista como um corpo bonito. Só que não era apenas ele assim, a maior parte dos homens é.
- Pois é. Uma lástima. Eu sei que ele era talentoso, mas... infelizmente, machista.
- É, geralmente as mulheres intelectuais não gostam.
- Exatamente.

Vejam bem: eu gosto de poesia. Eu amo poesia. Eu respiro poesia. Meu livro de cabeceira é "Os mais belos poemas do Romantismo brasileiro". Mas, por mais talento que ele tivesse, não posso, de forma alguma, gostar de um poema machista, que coisifica a mulher. Uma frase dele diz tudo: "as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". É mesmo? I don't think so.

Em coma

É um absurdo sem tamanho que a biblioteca escolar esteja fechada.
É um absurdo tão grande que eu, uma aluna da escola, me senti profundamente ofendida ao chegar às portas da biblioteca a fim de escolher um livro para iniciar leitura quando me deparei com alguém dizendo que ela está fechada e TALVEZ abriria apenas durante a tarde - em algum dia não específico da semana.

Eu, como a maior parte dos alunos, moro longe da escola; não me é possível ficar no centro esperando que alguém apareça para abrir a biblioteca ou ir para casa e voltar, sem uma certeza sequer, para que eu possa fazer uso de um direito meu, direito esse que deveria trazer o maior prazer aos professores: a busca pelo conhecimento.

Claro que compreendo que há falta de bibliotecária, claro que compreendo que não há uma pessoa específica, no momento, para ficar apenas ali. Mas seria TÃO difícil assim fazer um acordo entre professores para que, ao menos em 2 ou 3 dias da semana, em um período que fosse, algum deles estivesse ali para que a consulta ou retirada de livros fosse feita por alunos? I don't think so. Isso é falta de organização.

Como se não bastasse a falta de aulas que temos e os conteúdos vazios e fora de ordem (salvo exceções de bons professores que se preocupam com nosso ensino, é claro; mas infelizmente estes são poucos), o aluno que tenta aprender algo por si próprio consultando a biblioteca escolar agora não o pode fazer pelo simples motivo de falta de organização.

Não sei quem são os culpados, não sei sequer se há um culpado, mas sei os fatos: há livros incrivelmente bons e interessantíssimos, que valem para a vida, lá, parados, em prateleiras que só fazem acumular poeira.

E um livro parado é um livro em coma.

Atemporal

Quando eu era pequena meus irmãos já eram adolescentes/adultos e basicamente tudo que havia para ser lido em casa eram livros deles, especialmente os didáticos. Acostumei a ler livros de português, história, geografia, biologia... mas meus preferidos sempre foram os que continham trechos de livros literários, contos, poemas, historietas. Um deles era meu preferido: um livro de português da 5ª série de capa verde, que continha uma historinha que jamais saiu de minha mente: a história de uma convenção de bruxas. Lembro que naquela história havia uma bruxa mãe com sua bruxinha filhote indo às compras em busca da vassoura voadora perfeita. Encantei-me na hora.

Passados alguns anos, fui à biblioteca escolar procurar sobre bruxas. Encontrei um livrinho que falava sobre duendes e gnomos. Li e reli-o não sei quantas vezes. Nessa mesma época aconteceu da febre pottermaníaca ter início, por conta dos filmes e livros. E, claro, aquilo me chamou atenção na hora. Livros e filmes que contam a história de um mini bruxo lutando contra o poder das trevas? Apaixonante.
Então minha vizinha, que tinha uma série de revistas a respeito de HP, tratou de me emprestar todas desde que eu falasse bem dela para meus irmãos (sim, afinal, meus irmãos faziam o sucesso da vizinhança).


Minha mãe, vendo minha inclinação para aquelas histórias de bruxaria, duendes, gnomos, e todo esse universo mágico, ficou maluca e me proibiu terminantemente de ler ou assistir aos filmes de HP. Eu, como era pequena, nada podia fazer a respeito a não ser esperar o tempo passar e ler/assistir outras coisas até lá.

Até este ano.
Eu, não mais a menininha de 7 anos, mas a moça de 19, arranjei um amigo pottermaníaco que ficou mais do que feliz em me emprestar os livros de sua coleção. E eu li, senhores, li com gosto, vontade e um sorriso no rosto. E assisti aos filmes, todos eles. A ideia inicial era esperar ler os livros para só então assistir aos filmes, mas quem disse que consegui resistir ao incrível enredo da saga Harry Potter?! Not at all.

Então, dia desses, estava eu lendo um dos livros de HP durante o recreio escolar, bem sossegada e distraída, quando chega um "cerumano", me olha de cima a baixo e diz:
— Tu não tem mais nada pra ler, né?
— Por que diz isso?
— Pra estar lendo isso aí deve estar em falta de livros bons, haha.
— Eu gosto de Harry Potter. É uma excelente série.
— Mas tu já passou da idade de ler isso, isso é pra criança, tá 10 anos atrasada.
— Ao menos não estou tatuando no corpo os personagens, como certas pessoas fazem (a pessoa em questão é cheia de tatuagens de personagens; nada contra, mas coerência é sempre de bom tom antes de falar dos outros). Fora que não sabia que existia idade para a literatura.

A pessoa baixou a cabeça, fingiu ouvir algo e foi embora. E eu, claro, continuei com minha leitura e aproveitando o momento "voltando à infância: uma saga pelo imaginário mágico".

Creio que não preciso dizer o quanto Harry Potter é bom. Creio que não preciso dizer que estou encantada com esse universo de criaturas mágicas e gente maluca. Creio que não preciso recomendar os livros ou os filmes para as pessoas.

Mas preciso dizer: não há idade para a literatura. Simplesmente porque ela é atemporal. Assim como eu.

De novo e outra vez

Cá estou eu com um novo blog, em uma nova fase.
Se eu poderia continuar com o Wink? Claro que sim. Mas há um padrão de "drama queen I was born to be" lá que não quero mais. A fase adolescente tentando superar traumas já passou - não que os traumas tenham sumido ou que eu seja muito adulta, mas chega de drama, pelamor.

Nova fase, nova eu, novo blog. Nada mais justo.
Disse adeus a tons escuros, a um blog que durou quatro anos e que foi meu refúgio de tantos dias em que a dor não cabia no peito. Eu ainda não sei ao certo como será a definição deste. Por isso o nome: about:blank. Uma página em branco.

Páginas em branco são poderosíssimas. Tudo, absolutamente tudo pode ser escrito nelas. Se essa será uma página de amor, dor, revolução ou de amores livrísticos? I have no idea. O que ela é? Uma chance. Uma chance de encanto, de remodelar, de me redescobrir através de palavras em uma página em branco no mundo bloguístico.

Sejam bem-vindos ao meu novo mundo.
E, por favor, mantenham as expectativas baixas. 

Eu só vim aqui pra dizer...

...que mais patética do que isso minha vida não fica.

Porque né? Estou lá, bem linda e radiante (aham) voltando da escola num ônibus sacolejante quando *CREC*. Muitos olhares, muita correria à minha volta, o que está acontecendo? Outro *CREC*. O que é, o que é?

Um ovo.
No meu banco.
E outro.
Jogado do meu lado que pegou na lateral do ônibus.

Por quem? Não sei, não vi, sorte da criatura.
Só queria dizer que faltam 3 meses pra o meu aniversário e seria de bom tom o pessoal esperar para dar ovadas na data certa. Ou não.

Sitcom, trabalhamos. 
 
Wink .187 tons de frio.