Contato

Nada de homenzinhos verdes. Nada de aliens da tipologia Grey. O que Carl Sagan nos apresenta em seu romance, Contato, é uma abordagem científica da teologia: quem são nossos deuses e por que achamos que eles são tão superiores a nós?

O universo possui um código em todo o seu sistema. A Matemática se faz presente mesmo nas pequenas coisas que nos parecem tão simples. Um círculo sempre terá o valor de pi. Plantas sempre terão equações químicas em seus componentes e, até mesmo, na simples fotossíntese. Um computador funciona à base de 0 e 1 (o sistema binário). Nossos corpos aguentam até x de batidas cardíacas por minuto. Números, equações, Matemática simples e complexa, estão presentes em nossas vidas dia a dia.

Quem terá criado sistemas tão precisos assim? Alguma civilização mais antiga que a nossa que deixou o mundo "pronto" para ser descoberto? Ou um ser onipotente (ou vários deles, por que não?) que seria como um grande gênio da Física, das ciências exatas, que um dia estava trabalhando em um projeto que aglomerasse os vários sistemas que havia criado e ocorreu de o tal projeto tornar-se nosso universo? Quem sabe dessas coisas? Tais questionamentos são brilhantemente apresentados no livro.

Antes de ser qualquer obra que trata de Física, Matemática e Química, Contato é a narrativa de uma mulher em busca da resolução de seus porquês e que acaba por se confrontar com o grande questionamento humano desde os primórdios: seriam os deuses astronautas? E, acima de nossos "deuses", quem estaria? Quem os criou? Contato é, antes de tudo, a reflexão e conclusão de um astrônomo a respeito da existência de um Criador supremo, seja ele de alguma fé conhecida pelos humanos ou não.

Não se trata de um questionamento de vida extraterrestre (isso é bem óbvio; seria estupidez pensar que em meio a um universo tão gigantesco que mal chegamos a explorá-lo de fato, estejamos sozinhos), mas de um questionamento a respeito do quê ou quem criou a todos nós, concebeu todo um universo e deixou regras matemáticas que regem nossas vidas de geração a geração. É um questionamento a respeito da arrogância humana que tenta colocar-se no centro quando há tanto a mais que não sabemos. É um questionamento sobre o que realmente importa em nossas breves vidas.

Costumo sempre dizer que um livro bom é aquele que nos faz refletir.
Acho que seria desnecessário ressaltar mais ainda quantas reflexões esse livro propõe. Mais do que recomendado, eu diria: leitura necessária para todos aqueles que se indagam o porquê.

"Para criaturas pequenas como nós, a vastidão só é suportável através do amor." 

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