Frankenstein ou o Prometeu moderno

Então eu li Frankenstein.
E, resumindo o livro em uma palavra: mimimi.

Se eu detestei a obra-prima de Mary Shelley tanto assim? Claro que não. Porém, fiquei levemente incomodada com a quantidade de drama que nela contém. Tive de pesquisar a vida da escritora para entender o porquê de tanto mimimi. Quer dizer, parecia um dos meus diários adolescentes repletos de divagações acerca de assuntos repetitivos e tão relevantes quanto a grade televisiva brasileira. OU SEJA. Até que encontrei o mapa astral dela, e tudo fez sentido. (Adoro quando as coisas fazem sentido. ♥) Mary Shelley tinha stellium (conglomerado de planetas num só signo) em Câncer. O que significa que: rainha do mimimi, ela. Perdi meu posto, inclusive. Ó que legal.

O grande problema é que somos acostumados, desde a infância, a ouvir a assustadora história de Frankenstein, o monstro criado em laboratório que sai matando pessoas, e... Essa não é a história. A verdadeira história (se bem que "verdadeiro" é um termo muito ambíguo, ainda mais se tratando de histórias fictícias, porque cada conto aumenta um ponto, já dizia a poeta) é a seguinte: Victor Frankenstein, após cinquenta páginas de detalhes acerca de seu crescimento feliz num local longínquo, decide iniciar seus estudos metafísicos, científicos e afins (lembrando que na época as coisas eram bem misturadas e não havia tanta divisão nas áreas de conhecimento quanto temos hoje). Nesses estudos ele lê coisas interessantíssimas sobre a busca pelo elixir da vida, pela pedra filosofal (alô, Harry Potter!) e fica entusiasmado para, ele próprio, fazer experimentos. Certo dia, após muitas tentativas falhas, ele finalmente consegue encher de vida um corpo inanimado que ele criou (lembrando que ele não pegou um corpo morto e fez uma ressuscitação básica; não, ele criou um novo ser e o inflou de vida, não sabemos como)!

Não darei spoilers aqui porque né, é uma obra interessante (se encarada como drama, não como terror) e não quero estragar a leitura de ninguém, porém a grande questão do livro é: o homem é realmente assim tão humano? O que é ser humano? Qual é o limiar entre uma coisa e outra?

Só não digo que é o livro mais mimimi que já li porque quem já leu Os sofrimentos do jovem Werther sabe muito bem que aquele ganha disparado de qualquer outro. Porém, esse mesmo livro é citado por um dos personagens na obra de Shelley, ou seja: a escritora bebeu na fonte de Goethe. Frankenstein, assim como Werther e Drácula, possui narrativa epistolar, o que significa que ele é uma grande carta (ou várias cartas reunidas em uma) que narram acontecimentos, o que era bem comum na escrita da época. É um livro lento, mas de leitura rápida, fácil, de simples compreensão. Mas, como eu disse: mantenha suas expectativas baixas e procure entender que é uma história antiga, possuidora de costumes antigos. Como eu sempre li clássicos (desde que aprendi a ler, basicamente), não tive problema algum com a linguagem ou as situações ali descritas. Mas pode ser que quem está familiarizado apenas com Y.A. e escritos do gênero sinta-se fatigado, entediado ou, até mesmo, irritado, com tal leitura.

Se recomendo-o? Sim, certamente. É um clássico que faz refletir e, como já cansei de dizer, livro bom - para mim - é livro que faz refletir.

Em um quote:
 "Ah! Nenhum mortal suportaria o horror daquele semblante. Uma múmia dotada de vida não seria tão medonha quanto aquele infeliz. Vira-o ainda inacabado; era feio, então, mas quando aqueles músculos e juntas tornaram-se capazes de se mover, ele se tornou uma coisa que nem mesmo Dante poderia ter concebido." 

3 comentários

  1. Eu ri bastante lendo a resenha, porém nunca li Frankenstein - fuuééén. Um amigo me contou a história há muito tempo atrás enquanto a gente caminhava para pegar o ônibus e achei bem cativante (sim, ele me contou a história toda). Mas não imaginava que a autora fosse adepta das artes do mimimi. Enfim, ainda pretendo ler pois é um clássico e clássicos são clássicos por um motivo - nem que sejam pífios os motivos.

    Um abraço,
    http://oepitafio.blogspot.com.br/

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  2. Como assim, Mia! Eu concordo com a resenha, mas parece nitidamente que você não gostou do livro e está elogiando por obrigação kkkk Não, Frankenstein não é terror, e certamente é um livro melancólico, mas eu estava esperando a história clichê (eu sei que foi a primeira mas enfim) de ter criado um monstro e encontrei um belíssimo livro sobre injustiça, rejeição, preconceito, modificação da natureza e também, como foi a sociedade no final que *criou o monstro*. Por sinal escrevi resenha também, mas por conta do calendário (nunca seguido) de postagens provavelmente só publicarei em janeiro.

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

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  3. Vicky, não tô elogiando por obrigação não, hein, hahahaha Gostei do livro, afinal, quando a gente não gosta de uma leitura demora pra fazê-la, né? Pois eu li-o em uma tarde apenas. OUSSEJE. Porém... é drama, é mimimi, dá vontade de dar uns tapas no Frankenstein, hahahaha Mas gostei, sim. Até porque não tenho obrigação nenhuma em elogiá-lo, já que não ganho nada com isso, tampouco tenho parceria com editora alguma.

    Vai ver só tô com meu humor ácido exacerbado. É só meu jeitinho, risos.

    Kissus ;*

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