Insônia literária

Estou há 24 horas sem dormir.
Eu não sei como vocês encaram isso, mas quando eu chego ao ponto de não conseguir me focar em leitura alguma apenas porque meu corpo quer dormir, mas meu cérebro não pára de gritar "dormir é para os fracos, manhosa", a coisa fica complicada. E aí eu escrevo. Como sempre fiz.

A vida está indo bem. Apesar de mosquitos sugando meu delicioso sangue, de eu estar sem verbos para expressar a saudade que sinto de meu noivo, dos 7 trabalhos da faculdade, da bolsa PIBID que consegui (darei aulas de alfabetização em uma escola de PoA num projeto bem legal que envolve hora do conto + gramática).

E, mesmo com a vida agitada que eu passei a ter, há quem me cobre por ter abandonado o blog.
Calma, gente. Eu não tenho tido muito tempo para escrever coisas além dos trabalhos pedagógicos. Só escrevo agora por conta da terrível insônia que se agarrou a mim nas últimas 24 horas (Jack Bauer sou eu, socorro). Porém, mesmo com os dias agitadíssimos que tenho vivido, consegui ler 24 livros no mês de Março.

Sim, isso é sério.
Aliás, este ano eu já li 50 livros. Basicamente o número de livros lido o ano passado. Mas dessa vez, a leitura de 50 escritos se deu em um trimestre. Eu sei, eu realmente ando empolgada. Entonces, vou falar um pouquinho dos livros lidos este mês e tenho a ligeira impressão de que este blog se tornará literário - se eu tiver tempo para resenhar, é claro.


Comecei o mês lendo o terceiro livro da série O Diário da Princesa. Acho que não preciso nem dizer o quanto amei e me identifiquei com a mesma. (Li toda a série neste mês de Março.) Quer dizer, Princesa Mia sou eu. Meg Cabot inspirou-se em minha vida e ainda espero o dia em que dirão que sou a herdeira de um principado europeu. Vocês verão ainda.

Logo em seguida, chegou o A Estrada da Noite. Devo dizer que esperava mais do livro. A crítica é boa, ele não é ruim, mas... pra um livro de terror, deixa muito a desejar. Ou eu que não me assusto com nada mesmo.
Depois reli Jesus, o maior psicólogo que já existiu. Amo amo amo esse livrinho. Mora no meu coração. ♥ Creio que, a pessoa tendo uma religião definida ou não, esse é o tipo de livro que realmente vale a pena.
Mil dias em Veneza é um livro bonito de se imaginar. Mas lento. Demais. Tanto que ainda não cheguei ao seu final - temos fé de que terminarei-o ainda este ano.

Kundera (A valsa dos adeuses) e Marion Zimmer Bradley (A Senhora de Avalon e A sacerdotisa de Avalon) sempre sendo perfeitos para mim. Nenhuma crítica há, pelo contrário.
Eu realmente preciso dizer algo e sei que o povo vai querer me apedrejar: DETESTEI com todo o meu ser O apanhador no campo de centeio (tanto quanto detestei As vantagens de ser invisível, por sinal). Que livro ruim. Sério. Mesmo. Nossa. Bah. Nunca mais. Desisto de ler literatura aclamada por adolescentes, nunca dá certo.

Por outro lado, Só o amor é real é um daqueles livros que eu leio e releio e descubro coisas novas a cada leitura (aliás, esse livro me persegue há uns 4 meses, é incrível!). Super mega recomendado.


Muito mais de Meg Cabot (ainda terei todos os livros dela), uma leitura de Alice no País das Maravilhas (gostei da história, não gostei do livro; não lido bem com animais falantes, é demais para mim) e estou lendo A Filha da Noite (que é a versão literária de A Flauta Mágica) e Os sofrimentos do jovem Werther

Tudo porque descobri a biblioteca da faculdade. ♥ 

A princesa no limite

Agradeço à senhora Meg Cabot por escrever seus diários da princesa e fazer de meus dias estressantes mais leves e divertidos.


É claro que, para uma pessoa que lê como eu leio (ou seja: sem parar), há vários personagens literários com os quais eu me identifico. Mas a forma como me identifico com a Princesa Mia é surreal. Além do nome, da família maluca, da mania de escrever tudo o que lhe ocorre em um diário, dos amigos desajustados, há também o fato de que nossas opiniões a respeito de como lidar com certas coisas sejam as mesmas.


Teria Meg Cabot inspirado-se em mim? Tudo é possível ao que crê.


O fato é que: estava eu lendo o terceiro livro de ontem (não me julguem, eu disse que leio sem parar e foi um dia bem estressante) quando me deparo com o seguinte episódio: Mia está muito mal e termina com o namorado porque fica sabendo que ele entregou seu dom precioso (virgindade) à uma guria com quem estudava que já namorava com outro, isso tudo enquanto deveriam estar estudando. E diz que nunca a amou (a guria para quem entregou seu dom precioso) e que só estavam brincando.


Aí vi no Skoob MUITAS pessoas ficarem totalmente ao lado do namorado da Mia e não dela, acharam idiotice, um absurdo infantil ela se comportar assim. Honestamente? Eu não acho. Teria feito a mesma coisa que ela ou até mais se meu namorado me dissesse, na noite em que lhe entregaria meu dom precioso, que havia perdido a virgindade com uma guria qualquer que já tinha namorado e que estava apenas brincando. BRINCANDO. Isso é algo sério! E ainda por cima ele estaria indo ao Japão pelos seus estudos. Qual é a necessidade de estudar fora do país quando se pode estudar dentro de sua pátria? A Mia não vê. Nem eu.


Não acho nada infantil a atitude dela de ter terminado com aquele babaca traidor que pegou a primeira guria que deu mole pra ele sem nem ao menos amá-la. Essas coisas só se faz com quem se ama - e não venham as feministas e as adeptas do amor livre me dizer que sou retrógrada, que isso já era, que não tem nada a ver... porque se a pessoa quer ser promíscua, que seja, mas longe de mim; cada um pode fazer o que quiser, mas pra me relacionar romanticamente tem que ser com uma pessoa que partilhe das minhas convicções, óbvio, e a minha convicção é: sem amor, não rola. Tem TUDO a ver.


Se eu publicasse meus diários, as pessoas pensariam que eu teria feito uma cópia mais incrementada d'Os diários da Princesa. Que nada.
Meg Cabot que se inspirou em mim.
Acontece. 

Avalon me chama

Eu tenho essas coisas de sentir energias alheias.
De pessoas, de lugares, de objetos. Tudo tem energia, acredito, sinto, vivo isso.


Aí que estava eu na biblioteca de vários andares e escadas circulares linda e maravilhosa da faculdade quando meus olhos são chamados pela energia de um livro sem nome. Apenas a lombada, no final da prateleira, de um livro tão velho que o nome desapareceu. Mas a energia tava lá, tava linda, tava piscando pra mim. Peguei o livro e me deparei com esta capa:

(foto escura por motivos de: a pessoa que vos escreve não tem uma câmera decente e a câmera do celular achou de bom tom fazer tons contrastantes para aumentar o clima lindo de magia da capa, mas enfim, eu gostei mesmo assim) 

Foi eu tocar no livro, ver a capa, pensar um "SOU EU NESSA CAPA!" que deu tontura e forte indicação de desmaio. Aí pensa numa pessoa de um metro e meio deitada no chão da biblioteca com um livro que possui uma moça segurando a lua por capa ao seu lado. Pois então, sou eu mesma.


Aí vocês vão me dizer: mas isso é porque a senhorita não comeu direito e aí desmaiou e tal.
Não, senhores, nada disso. Isso é porque eu não sabia, mas o livro A Sacerdotisa de Avalon me chamava. Tudo que existe possui energia e as energias da magia sempre me chamam de forma fortíssima.


É um sinal do divino, isso sim.
Nem preciso dizer que o livro está comigo neste momento, né? É. 
Fico aqui me perguntando até quando conseguirei segurar a incrivelmente forte vontade de chorar que tenho praticamente o tempo todo. Então leio um livro, outro, mergulho em páginas, tento viver o ponto de vista do personagem. Nada adianta. Tudo me faz apenas sentir o quanto estou perdendo algo que talvez nunca tive. Me sinto como um ratinho de laboratório em um labirinto onde sempre erro o caminho, mesmo que haja apenas um. Será que posso reclamar algo que não é meu?
Acho que não. 

Isso não me impressiona mais.

A pessoa me diz que levou um choque ao descobrir algo sobre mim e tudo o que eu posso fazer é minha melhor cara de Q?


Porque né?
Nenhum choque irá superar a sensação de ser eternamente aquela pessoa reserva. De não ser a pessoa por quem alguém abriria mão de tudo, aquela pessoa que traz a tona o instinto protetor de querer por perto sempre. De ser aquela pessoa da qual não se abre mão.
Todo mundo tem uma.
E eu não sou a de ninguém.


E isso tudo é muito triste. 

Por que eu não me mato?

Não me mato porque penso nos meus pais.
Meus pais são a única coisa que me seguram neste momento e me seguraram a vida toda. Porque seria covardia e maldade fazer isso com eles. Porque eles não merecem. Porque eu não sou um ser humano egoísta a ponto de pensar apenas em mim e deixá-los sozinhos com uma dor que não teria fim.


Os outros?
Honestamente, QUEM FAZ algo por mim?
Meus irmãos? Meus queridos irmãos preferem qualquer um a mim. Preferem as pessoas que tentaram me matar. Preferem as pessoas que me difamaram. Preferem as pessoas que se pudessem me colocariam numa fogueira me chamando de bruxa. Meus amigos? Quem me procura? Tenho uma amiga que me procura e ela é tão ou mais reclusa que eu. E mesmo que não fosse, não é como se ela realmente se importasse também. Apenas é minha amiga porque é tão ferrada quanto eu. Meu noivo? O que acabou de dizer que seu coração esfriou? O rapaz me trata com mais frieza e indiferença do que os outros.


Por que permanecer viva? Pelos meus estudos?
São apenas um meio de vida, um meio de passar os dias sem pensar o tempo inteiro na morte. Não é um objetivo, não é um sonho, não é nada além de passatempo, literalmente.


Eu não tenho motivos para viver.
E, assim que meus pais morrerem, certamente morrerei junto. Não tenho por que viver. Nunca tive. Nunca terei. E estou cansada demais sequer para tentar novamente. 

Posso morrer ou ainda terei de esperar?

Há tanta coisa reprimida dentro de mim esperando para sair que na ânsia de falar sobre tudo não consigo falar nada.
Porque é tudo e ao mesmo tempo não é nada. Porque me sinto uma vadia ao reclamar da vida sendo que as coisas que as pessoas dizem ser importantes estão muito presentes. Mas por dentro é tudo tão devastado e a sensação de desamparo impera, a sensação de inadequação, a sensação de estar remando sozinha em um oceano tempestuoso perdido no espaço/tempo.


Eu falo e falo e falo e parece que ninguém compreende, ninguém sabe, ninguém se importa. Me canso de falar e paro. Aí me perguntam o que foi, o que há, me pedem pra eu falar. Falo novamente e menosprezam minha fala, meu sentir, meu tormento. Afinal, eu tenho isso, tenho aquilo, sou assim, sou não sei mais o quê. E isso tudo importa? Aparentemente, sim. Aparentemente eu sou o ser mais completo e feliz e habilitado a se dar bem que existe no Sul do país. Então nada mais importa e eu que aceite e lide com o fato de que se a vida tá uma droga é porque eu sou mimada.


E sou?
Nem.
Sou o quê, então? Sou nada. Sou um ser que nasceu por pura teimosia alheia. Sou um ser que vive porque não me deixam parar. Sou um ser obrigado a continuar. Sou um ser que não quer ser porque ser o que dizem que sou é intensamente desolador.
Sou tudo. Para os outros, sou autossuficiente. Sou bonita, sou incrível, sou talentosa, sou sarcástica, sou viva, sou esperta, sou segura, sou inteligente, sou tudo o que uma garota quer ser e tudo o que um cara quer ao seu lado. Mas o que eu quero, isso conta? Não conta, não. A sociedade quer algo, os pais querem algo, os irmãos querem algo, os amigos querem algo, todo mundo quer algo, menos eu.


Minha falta de quereres ainda vai me matar.
E, honestamente, espero ansiosamente por esse dia. 

Kunderiando

"Ela o queria inteiramente para si e queria ser inteiramente dele, mas quanto mais se esforçava para lhe dar tudo, mais tinha a sensação de lhe recusar aquilo que um amor pouco profundo e superficial proporciona, aquilo que o flerte proporciona. Ela se censurava por não saber conciliar a seriedade com a leveza.

Das problemáticas da vida

Eu tenho um problema.
Quer dizer, falar que eu tenho UM problema parece até piada, mas digamos que este seja um dos problemas mais graves: se o ser humano não me trata com carinho, atenção, afeto e muito amor, se me trata "normal" (educadamente bem) por certo período de tempo (que pode variar de minutos até infinitas horas), meu cérebro vai processar o tratamento como um grande: sai de perto de mim, sua coisa, não te aguento mais e não sei como te dizer.


Porque eu  tenho essa coisa em mim que sempre me diz que estou a ponto de ser largada de mão. Isso não apenas em relacionamento amoroso, mas em qualquer tipo de relacionamento que se dê na minha vida. Até se uma amiga me tratar mais ou menos e não explicar porquê, vou achar que tô incomodando e me retirarei do recinto. Porque se tem coisa que eu não faço é impôr minha presença aos outros.


Isso deve ser bem incomodativo pra o povo que convive comigo.
Imagina: a pessoa tensa o tempo todo sempre achando que o povo tá me largando de mão quando o que ocorre é que as pessoas têm seus problemas também e nem sempre estão a fim de papo.


O mais interessante da história é que eu sou a imperatriz de tratar as pessoas "educadamente bem" apenas. Isso quando eu tô de bom humor. Porque se eu estiver num dia em que não quero ver pessoas na minha frente, eu farei questão de deixar isso bem claro.


Vou acabar sozinha cuidando de uma livraria, isso sim. 
 
Wink .187 tons de frio.