O amor nos tempos do cólera

Recentemente descobri que reabriram a biblioteca municipal. Nem preciso dizer que já sou frequentadora assídua de lá (inclusive, hoje faz um mês que passo lá dia sim, dia não ♥). Numa dessas minhas idas e vindas, encontrei um livro do Gabo e como nunca havia lido nada dele (não por falta de vontade, obviamente) tratei de levá-lo para casa.

Para os que ainda não conhecem nada da história, o livro conta a obsessão (chamada também de amor) de Florentino Ariza por Fermina Daza. Aí alguns dirão: "Mas, Mia, é claro que era amor, o pobre Florentino ficou 50 anos atrás da Fermina, como isso não é amor?". Desculpa aí, pessoa romântica, mas não, não é amor quando um cara nem sequer falou com a menina (o livro deixa bem claro que suas correspondências eram insossas, apenas falavam do dia a dia, de coisas escolares, blablabla; as cartas dele, sim, eram românticas, apressadas, entusiasmadas) pessoalmente, que nem a conheceu, apenas encantou-se com seu físico... e a chama de amor, idealiza toda uma história e esquece de viver a própria vida por conta de uma menina que o desprezou porque viu que não era amor, ela apenas apaixonou-se pelo amor e não por ele.

Minha impressão é que se Florentino não tivesse sido rejeitado, se Fermina prosseguisse com a ideia de se casar com ele, esse amor todo não teria durado nem 10 anos, que o fará 50. Aliás, na minha fofa opinião, homem (em geral) só apega dessa forma quando é rejeitado mesmo. Se estou amarga e descrente no amor? Nada disso. Mas não acredito nesse tipo de amor, não. Nada de amor à primeira vista, por favor. Creio em amor construído com o tempo. Acredito que o ocorrido no livro foi um caso de conquista + ego ferido.

Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado. 

O fato é que eu tive muito medo ao ler esse livro. Parei a leitura diversas vezes, inclusive, apenas por medo de me tornar Florentino Ariza (e, sim, o autor repete incansavelmente nome e sobrenome de todos os personagens, o tempo inteiro). Florentino é o personagem mais chato sobre o qual já tive o desprazer de ler. Porém, ele é real. Sua história pode ocorrer com qualquer um que se negue a desapegar de algum relacionamento falido. E é isso que assusta. Esperar uma pessoa (que lhe desprezou) por 50 anos, planejar sua vida, dar seus passos, tudo, absolutamente tudo em torno da hipótese de uma reconquista? É assustador.

Ia contra toda a razão científica que duas pessoas apenas conhecidas, sem parentesco nenhum entre si, com caracteres diferentes, com culturas diferentes, e até com sexos diferentes, se vissem comprometidas de repente a viver juntas, a dormir na mesma cama, a compartilhar dois destinos que talvez estivessem determinados em sentidos diferentes. 

Gabriel García Márquez escreveu um romance tão real, tão possível e palpável que não sei, até agora, se gostei ou não do mesmo. É bonito? É. Há personagens legais? Certamente. (O doutor Urbino é meu personagem preferido do livro.) A narrativa é cansativa? Apenas nos trechos que falam sobre Florentino Ariza, mas, lembrando: isso é porque eu realmente não gostei do personagem, não por conta da escrita do Gabo, que é maravilhosa. Se gostei do final? Não, mas creio que a maior parte das pessoas gosta (gostaria, gostará).

Se recomendo o livro ou não? Está recomendadíssimo.
Não apaixonei-me pela obra, mas é certo que lerei outros livros do autor. São poucos aqueles que me fazem ter vontade de escrever sobre, discutir com personagens ou ter medo de acabar como um deles. 

5 livros que gostaria que virassem filmes

Vi essa tag no canal Garota It e não teria como não respondê-la (de metida mesmo, como sempre) porque literatura e cinema são duas paixões minhas.

O Diário da Princesa - Meg Cabot 
"Mas Mia, já tem filme, inclusive tem dois filmes sobre a série." Sim, é verdade. Mas veja bem que: os filmes praticamente nada têm a ver com a incrível série da princesa Mia (eu, risos). Se Crepúsculo, que é meio deprê e esquisito (não é de todo ruim, mas não chega a ser bom também, gente) ganhou 4 (5?) filmes fiéis aos livros, por que a saga da princesa Mia não pode ganhar ao menos 5 filmes que contem, como está nos livros, a história mais divertida e querida dos últimos tempos? Pois é.

A Estrada da Noite - Joe Hill 
E olha que nem é um livro de que gostei muito (3 estrelas), mas ele poderia virar um bom filme. Há os elementos necessários para um bom enredo e é o tipo de livro que ficaria muito melhor nas telas.


A Senhora de Avalon - Marion 
Zimmer Bradley 

Aí as pessoinhas dirão: "Mas Mia, já tem filme disso!". Não, não tem. Existe um filme chamado "As Brumas de Avalon" (que deveria ser refeito, por sinal; aliás, deveria ser feita uma série sobre os 4 livros d'As Brumas, isso sim), porém A Senhora de Avalon se passa, cronologicamente, antes dos acontecimentos ocorridos n'As Brumas e é um dos melhores livros que já li até hoje. Precisa virar filme já.

O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman 

Que livro amorzinho! ♥ Além de ser doce e possuir uma ingenuidade infantil, há também elementos de realismo fantástico que o transformariam num filme incrível (creio que seria "parecido" com Ponte para Terabítia).


Tamanho 42 não é Gorda - Meg Cabot

A saga da Heather Wells foi a primeira coisa que li da autora. Aliás, a primeira coisa que li do gênero. E desde então (isso faz anos) espero pelo dia em que farão um filme a respeito dela. Porque olha, Heather Wells e os mistérios que a envolvem (com muito bom humor, por sinal) é algo que vale a pena ler e, certamente, assistir. 

Minhas séries preferidas

Começando o meme 52 Semanas pelo meio, cá estou eu para falar das séries que me enchem o coraçãozinho de ansiedade pelo próximo episódio (ou pela reprise, no caso das que já acabaram).

Prefiro séries a filmes por um simples motivo: gosto de continuações. Não me é legal a ideia de gostar de algo e esse algo acabar em 2h (tempo médio de duração de filmes). Séries têm continuidade, desenvolvem personagens, há tempo para explorar diversas situações... prefiro, prefiro mesmo. Então aí está uma lista das minhas séries queridinhas.

House 

O médico mais sarcástico, divo e inteligente de todos. Uma inspiração, inclusive. Perdi as contas de quantas vezes assisti a série. Os melhores diálogos, as melhores situações, os melhores personagens. House = ♥

How I Met Your Mother 

5 amigos de longa data que participam da história de como Ted (também conhecido como minha versão masculina do mundo das séries) conheceu a mãe de seus filhos, "the one". Com um personagem legendary (Barney ♥), o casal mais lindo de todos (Marshall e Lily) e uma jornalista ferrada, mas ainda assim incrível (Robin). Há quem diga que é uma imitação de Friends, mas, gente, não. É bem diferente e extremamente divertida e esperançosa. Vale muito a pena.

Doctor Who 

O alienígena mais britânico de todos! Doctor, nascido em Gallifrey, viaja por mundos, civilizações e através do tempo, mas sua preferência é por nossa Terra, mais especificamente na terra da Rainha. Além do Doctor ser a coisa mais incrível do universo (sou whovian mesmo, me deixa), há também os companions, seres humanos escolhidos por grau de amizade para acompanhá-lo em suas viagens intergalácticas (preciso dizer que meu sonho é ser companion do Doctor? acho que não, risos). É simplesmente uma das séries mais incríveis que existe!

Once Upon a Time 

Contos de fadas existem - em outra dimensão, em outro universo, é claro. Ou assim é em OUAT, série extremamente fofa, querida, mas com muita aventura, mistério e perigos. OUAT junta tudo o que eu gosto numa série só: livros, magia, um clima meio ~infantil~, mistério, aventura e personagens completamente amáveis. ♥

Supernatural 

Existe alguém que realmente não goste de Supernatural? Porque, se existe, desconheço tal pessoa. Comecei a acompanhar a série quando tinha meus 13 anos e até hoje gosto dela. Vezenquando revejo uns episódios antigos, só pra matar a saudade daquela nostalgia, do medo que eu sentia, daquele olhar por entre dedos (que hoje se transformou em risada, já que não consigo mais sentir medo dessas coisas)... A história é basicamente esta: dois irmãos que saem por aí caçando um demônio de olhos amarelos e se metendo em muita confusão. Ou seja = amor sobrenatural. ♥

Menções honrosas: Gilmore Girls, 2 Broke Girls, Game of Thrones, Hannibal, Penny Dreadful, Sleepy Hollow e True Blood. 

Um quote que faz todo o sentido

"Por que não morremos num período assim? Antes que tudo comece a esboroar. Nem sei se é no fundo ou na superfície que começa a erosão. A primeira tristeza não partilhada. A primeira solidão em que se vira as costas e, ao voltar, não se encontra mais a presença reconfortante. Apenas outra solidão, de costas. A consciência está alerta: está acabando. O resto vem depois. Todo o cortejo."

As Parceiras | Lya Luft
E antes que me digam o quão depressiva estou: olha, gente, apenas não. Isso não é depressão. Isso é cansaço da vida ser uma eterna piada do universo uma eterna repetição de acontecimentos nada agradáveis. Eu poderia explicar, mas não vou. Só peço para que não encham o saco com suposições acerca do que raios está havendo, porque há rumores de que as coisas melhorarão. Quem sabe, né? Rezem. 

Das perspectivas mudadas

A vida muda de perspectiva quando se acha que irá se perder alguém importante.

Dia desses meu irmão sofreu um assalto. Meu irmão mais novo (10 anos mais velho que eu, mas ainda assim), meu irmão mais próximo, o irmão que passava madrugadas comigo assistindo especiais do Elvis, séries bobas (Monk, por exemplo) e comendo banana com Neston. É sabido que muitas pessoas são assaltadas todos os dias, mas isso nunca havia ocorrido com ele. Amarraram-no, apontaram uma arma em seu rosto... ele está bem, mas poderia não estar.

E isso me fez pensar.
Meu irmão tem 30 anos e tudo em que eu pude pensar (ao saber do ocorrido) foi "ele é muito jovem para morrer". E é? É. Ainda nem foi atrás dos seus sonhos. E eu? Que tem eu? Tenho 20 anos e vontade de morrer. Shame on me. "Poxa, você quer?" Eu quero. "Mas que desperdício de vida." É mesmo. É um desperdício de vida.

Preciso correr atrás do que quero antes de me entregar à Morte.
Preciso realmente querer algo, ter uma paixão ou conciliar minha paixão maior com algo que me sustente (dá pra realmente trabalhar com literatura no Brasil?). Preciso concluir meus livros inacabados, preciso colocar meus assuntos pendentes em dia, preciso cuidar de mim e despertar. Preciso.

Preciso aproveitar a companhia de minha família enquanto ainda estão por aí.
Nunca se sabe o que o amanhã nos reserva. 

A.Q. | D.Q.

Participo do Rotaroots há algum tempo (grupo do fb que funciona mais ou menos assim: há temas mensais e você escreve a partir daquilo, sempre temas cujo importante é a opinião pessoal da pessoa blogueira; há muitos blogs diarinho lá, coisa que meio que sumiu da blogosfera após a dominação dos publiposts; mas confesso que meus blogs preferidos - e, muitas vezes, os únicos que acompanho - são diarinhos, como o meu, obviamente) mas, por algum motivo (preguiça, talvez? todos sabemos que andei afastada da blogosfera por uns tempos) não havia postado nada sobre tema algum aqui no blog. Até hoje.

Porque o tema de Julho, senhoras e senhores, é "a 1ª vez que ouvi minha banda favorita" e, olha, acho difícil alguém que me acompanha não saber, mas eu sou queenie (fã do Queen, com todas as letras, mesmo soando meio bobo para uma guria da minha idade, mas dane-se). E simplesmente não havia possibilidade de eu não escrever sobre isso, mesmo.


Foi há muito tempo. Eu tinha uns 12 ou 13 anos (não lembro ao certo, nem adianta, mas creio que tinha 12) e estava de cama pelo simples fato de estar tão absurdamente fraca que não conseguia dar dois passos sem cair (época do início e fim de uma anorexia nervosa, por sinal). Como não podia ir à escola ou à qualquer lugar, meu pai trouxe-me uma pilha de DVDs: filmes, séries (Lost ♥) e musicais. Num desses DVDs musicais, havia uma seleção de videoclipes antigos pela qual me apaixonei (e a tenho até hoje, por sinal). Foi então que eu vi um cara dentuço, com óculos de estrela e voz rasgada, porém melodiosa, cantando Spread your wings and fly away, o que foi uma grande ironia, porque eu não conseguia sequer caminhar, que o fará abrir as asas e voar, mas me apaixonei instantaneamente e pedi ao meu pai tudo que ele encontrasse daquele cara e daquela banda que tocava no gelo sem que seus dedos congelassem (quem toca ou já tocou violão/guitarra/baixo sabe como isso é um grande feito).


Logo em seguida, no mesmo DVD, ouvi Bohemian Rhapsody e senti meu coração ficar taquicárdico dentro do meu peito (o legal é que essa sensação não passou, apesar de ter passado 8 anos desde a primeira vez em que a ouvi) e eu soube que aquela seria a música da minha vida (e continua sendo). Ainda no mesmo disco, ouvi How Can I Go On e só não chorei de emoção porque havia gente por perto e naquela época eu ainda mantinha a pose de menina má (risos).

De lá pra cá foi só amor: consegui acesso a um computador por conta da minha cunhada (não, eu nunca havia usado um computador antes; sim, eu traduzi todas as músicas "de ouvido"; bons tempos...) e fui pesquisar a vida de cada membro do Queen. Em pouco tempo, já sabia tudo o que estava disponibilizado na internet sobre a banda e havia entrado em contato com o grande grupo de Queenies que há no Brasil (gente querida, com quem mantenho contato até hoje, inclusive).

O grande amor da minha vida é a literatura, mas minha vida pode facilmente ser dividida entre antes e depois de Queen. Tudo mudou. As coisas começaram a fazer sentido. Freddie Mercury escreveu coisas que faziam sentido quando eu tinha 12 anos e fazem sentido agora, aos 20. Queen é atemporal, é amor, é a melhor expressão de mim mesma ainda hoje. 

Spread your wings and fly away

Há dias em que meus filmes favoritos, livros, séries, culinária, enfim, nada consegue fazer com que eu me expresse de forma satisfatória. A não ser a música. Porque com ela eu posso gritar, eu posso tirar de dentro da alma aquilo que estou sentindo, traduzir tudo em palavras e ainda ser aplaudida por isso (estranhamente as pessoas gostam de me ver cantar).

Kundera escreveu:
Para ele, a música é libertadora: ela o liberta da solidão e da clausura, da poeira das bibliotecas e abre-lhe no corpo as portas por onde a alma pode sair para confraternizar-se.
Hoje estou concordando completamente com isso.

Aí está a playlist que ajudou o dia a passar mais tranquilamente hoje. 
6/7/2014 by Mia Sodré on Grooveshark

Morram.

Eu não sou a droga de uma boneca de porcelana que se pode colocar na parede e depois pegá-la quando lhe é conveniente, iludi-la, fazer declaraçãozinha após tempos de sumiço. Eu não sou. Eu sou um ser humano com uma personalidade tremendamente forte que não aceita esse tipo de inconstância, de bobagem, de mentira.

Que todos vão para o inferno e morram. 

Nada realmente importa

Ontem eu caí da escada.
E, tudo bem, já caí várias vezes de muitas escadas, porém ontem eu caí da escada no exato momento em que faltou luz. Era de noite, uma violenta tempestade caía lá fora, eu estava sozinha em casa e faltou luz quando fui dar um passo num dos degraus da escada de ferro. Caí sentada, não tive ferimentos terríveis (meu braço tá todo errado, roxo, doendo, enfaixado, talvez eu tenha de engessá-lo, inclusive, mas poderia ter sido pior dadas as circunstâncias), porém algo ocorreu.

De repente eu estava sentada, no escuro, sozinha, machucada, numa escada de ferro com uma tempestade incrivelmente forte caindo lá fora. E eu percebi o quão só estou ao pensar em ligar para alguém para contar o que aconteceu, apenas falar, ou, até mesmo, pedir ajuda. Eu poderia chamar alguém, mas ninguém estaria disponível, ninguém se importaria, ninguém entenderia. Então desatei num choro audível, misturado com gritos de dor e solidão, porque essa é a minha vida. Cheguei num ponto da vida no qual não tenho absolutamente ninguém com quem contar. Num ponto no qual ninguém se importa se estou viva ou morta, se estou machucada, se estou doente, se estou morrendo. Num ponto em que nada que eu fizer ou disser mudará isso.

Me levantei e tentei escalar a escada na completa escuridão dessa casa gelada. Após muito esforço, consegui chegar ao meu quarto, sentar na cama, tatear pela lanterna, abrir o primeiro livro que encontrei e iniciar uma leitura para me fazer concentrar na vida de personagens e não na minha própria, porque não há como suportar tamanho desprezo.

Após algum tempo minha mãe chegou e, para completar a cena digna de filme, me viu machucada e, claro, contei o que havia ocorrido. Ao que ela disse (nem querendo saber como raios estou, afinal, isso não importa mesmo) que é melhor eu me acostumar à solidão e a lidar com meus ferimentos sozinha, porque logo ela e meu pai morrerão e meus irmãos não me querem, minha família me odeia, meus amigos têm suas vidas e fui abandonada até pela pessoa que disse me amar e prometeu que permaneceria, ou seja (e tudo isso foi dito com todas as letras): meu futuro será uma casa escura, sozinha e silenciosa.

Eu sei que tudo o que ela disse é verdade. E isso é o que dói mais.
Ninguém se importa além de mim. 

Atemporal

Quando eu era pequena meus irmãos já eram adolescentes/adultos e basicamente tudo que havia para ser lido em casa eram livros deles, especialmente os didáticos. Acostumei a ler livros de português, história, geografia, biologia... mas meus preferidos sempre foram os que continham trechos de livros literários, contos, poemas, historietas. Um deles era meu preferido: um livro de português da 5ª série de capa verde, que continha uma historinha que jamais saiu de minha mente: a história de uma convenção de bruxas. Lembro que naquela história havia uma bruxa mãe com sua bruxinha filhote indo às compras em busca da vassoura voadora perfeita. Encantei-me na hora.

Passados alguns anos, fui à biblioteca escolar procurar sobre bruxas. Encontrei um livrinho que falava sobre duendes e gnomos. Li e reli-o não sei quantas vezes. Nessa mesma época aconteceu da febre pottermaníaca ter início, por conta dos filmes e livros. E, claro, aquilo me chamou atenção na hora. Livros e filmes que contam a história de um mini bruxo lutando contra o poder das trevas? Apaixonante.
Então minha vizinha, que tinha uma série de revistas a respeito de HP, tratou de me emprestar todas desde que eu falasse bem dela para meus irmãos (sim, afinal, meus irmãos faziam o sucesso da vizinhança).

Minha mãe, vendo minha inclinação para aquelas histórias de bruxaria, duendes, gnomos, e todo esse universo mágico, ficou maluca e me proibiu terminantemente de ler ou assistir aos filmes de HP. Eu, como era pequena, nada podia fazer a respeito a não ser esperar o tempo passar e ler/assistir outras coisas até lá.

Até ano passado.
Eu, não mais a menininha de 7 anos, mas a moça de 19, arranjei um amigo pottermaníaco que ficou mais do que feliz em me emprestar os livros de sua coleção. E eu li, senhores, li com gosto, vontade e um sorriso no rosto. E assisti aos filmes, todos eles. A ideia inicial era esperar ler os livros para só então assistir aos filmes, mas quem disse que consegui resistir ao incrível enredo da saga Harry Potter?! Not at all.

Então, dia desses, estava eu lendo um dos livros de HP durante o recreio escolar, bem sossegada e distraída, quando chega um "cerumano", me olha de cima a baixo e diz:
— Tu não tem mais nada pra ler, né?
— Por que diz isso?
— Pra estar lendo isso aí deve estar em falta de livros bons, haha.
— Eu gosto de Harry Potter. É uma excelente série.
— Mas tu já passou da idade de ler isso, isso é pra criança, tá 10 anos atrasada.
— Ao menos não estou tatuando no corpo os personagens, como certas pessoas fazem (a pessoa em questão é cheia de tatuagens de personagens; nada contra, mas coerência é sempre de bom tom antes de falar dos outros). Fora que não sabia que existia idade para a literatura.

A pessoa baixou a cabeça, fingiu ouvir algo e foi embora. E eu, claro, continuei com minha leitura e aproveitando o momento "voltando à infância: uma saga pelo imaginário mágico".

Creio que não preciso dizer o quanto Harry Potter é bom. Creio que não preciso dizer que estou encantada com esse universo de criaturas mágicas e gente maluca. Creio que não preciso recomendar os livros ou os filmes para as pessoas.

Mas preciso dizer: não há idade para a literatura. Simplesmente porque ela é atemporal. Assim como eu.

Dos dias em que só Legião faz sentido

"Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui, dentro de mim? 

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano
Era ficarmos bem? 

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora"


 
Wink .187 tons de frio.