Brevidades randômicas

Lembram da vez em que fiquei sei lá eu quantos dias sem comunicação com o mundo virtual por motivos de um vizinho maluco que havia cortado meus fios porque sim, porque a pombagira mandou? ENTÃO. 

Agora os fios estatelaram-se por culpa das tempestades tropicais numa vibe Lost de ser e não sabemos quando terei comunicação novamente. 

Só sei que li 3 livros em 2 dias, arrumei a casa, o guarda-roupa, bati perna pelos centros de duas cidades e achei objetos perdidos há mais de 3 anos, tudo em 48 HORAS, PERCEBAM, e tô pensando seriamente em começar a abstrair da internet porque, gente, como rende o dia quando tô longe do meu lindo e amado pc. ♥ 

Mandem-me muitas energias positivas porque tô precisando, hein. Murphy tá aloprando fortemente e tô criando uma pequena obsessão por Sherlock Holmes. 

Era isso. 
Kissu. ;* 

A triste história da menina que passou de Rapunzel a Branca de Neve

Há cerca de 7 anos vou sempre à mesma cabeleireira: Nêga. Ninguém sabe o nome verdadeiro dela, mas todos assim a chamam pelo fato da mulher ser branquíssima (aquela velha história de chamar uma pessoa magra de gorda e por aí vai). O fato é que em todos esses anos que corto minhas madeixas com Nêga, nunca mudei o corte: "repicado, com camadas suaves nas pontas e COMPRIDO". Porque Rapunzel sou eu, obviamente. Sempre fui. Adoro cabelo comprido, adoro fazer tranças quilométricas, adoro senti-los balançando loucamente ao vento, adoro encarnar a Samara Morgan tapar a cara com meu cabelo quando estou num bad face day. Mas antes que isso aqui vire um ode ao cabelo comprido, deixa eu explicar: Nêga tirou 50cm de cabelo de mim.

Estava eu muito despretensiosamente em casa, ouvindo a chuva de pedras (sim) que a tempestade trazia com sua ventania incessante e o assovio do Minuano, quando sou tomada por uma súbita inspiração e digo a mim mesma que "hoje cortarei o cabelo". Se me perguntarem agora por que raios fiz aquilo, não saberei explicar. Mas eu deveria ter sabido que não choveria pedras à toa, eu deveria ter percebido os sinais do universo (metafísica, eu). O fato é que me atirei na súbita inspiração, liguei pra Nêga e lá fui eu, toda saltitante para mudar o visual.

Minha ideia era: "corte um pouco abaixo das saboneteiras, sem repicar e franjão".
Mas Nêga é um espírito livre, portanto o que ela entendeu foi: "me deixe numa mistura de Arya Stark com Branca de Neve dos anos 20".
E o resultado disso tudo...
Branca de Neve sou eu. 

Agora vocês pensem no susto que eu levei. Não, gente, sério: QUE SUSTO. Meu cabelo tava muito abaixo da cintura, quer dizer, ela tirou 50cm de cabelo. Me olhei naquele grandioso espelho do salão e fiz o que sei fazer sempre que estou nervosa/irritada/surpresa: gargalhei. Gargalhei bonito, tive um ataque de riso que nunca d'antes visto na história do Sul do Brasil. Olhei pra aquela figura branquela no espelho e vi um menino com traços delicados. Olhei pra aquilo e fui transportada imediatamente para os anos 20, para a época de O Grande Gatsby

— Meu cabelinho! (voz chorosa) 
— Tá linda. Esse corte combinou perfeitamente com teu rosto, que é delicado. 
— Mas... o que eu faço agora? Como posso prendê-lo? 
— TÁ LOUCA, GURIA? Não é pra prendê-lo, ele é lindo pra deixar solto. 
— Nãããããão! Você não tá me entendendo: eu tenho um casamento pra ir semana que vem, gente. Como eu faço pra disfarçar isso? Será que um lenço resolve? 
— Não seja louca, eu te fiz um favor. Agora não dá mais pra cobrir o seu rosto. Todo mundo vai ver essa carinha de boneca. Tá tão delicada e feminina! *o* 

E é isso, pessoal. 
Meu cabelo, que antes tava lá pelo bumbum, agora não chega nem no queixo. E atrás tá pela nuca. E minha impressão é de que a mulher tava assistindo Branca de Neve antes de eu chegar, porque né? IGUAL. 

De amor e de sombra

Isabel Allende é um ótimo exemplo de como uma pessoa pode pegar coisas traumáticas pelas quais passou e transformá-las em infinitas fontes de inspiração para histórias. Em sua vida, Allende sofreu juntamente de toda uma nação os horrores que a ditadura chilena proporcionou ao país. O diferencial é que ela soube transformar sua dor, seu horror e também o horror daqueles a quem amava ou apenas conhecia, de seus compatriotas, em literatura. Registrou a história para que não fosse esquecida. A história através dos olhos de uma pessoa comum, não de jornalistas, historiadores ou políticos, mas sim de uma pessoa que estava apenas tentando viver uma vida menos ordinária. E é isso que temos de mais forte em "De amor e de sombra", 2° livro da autora, nascido logo após "A casa dos espíritos" (que também possui a mesma temática, mas de forma mais intrincada e mágica).

O livro é dividido em três partes: "Outra primavera", "As sombras" e "Doce Pátria".

Em "Outra primavera" Allende nos conta um pouco do contexto social de cada personagem, detendo-se especialmente em Irene e Francisco, dois jovens que não poderiam estar mais socialmente afastados um do outro. Irene, uma jornalista aristocrata que vive para fazer reportagens femininas e aleatórias, não tem a mínima noção do que se passa no Chile, de como a ditadura estava destruindo a vida de milhares. Simplesmente fora criada dentro de uma bolha de mágica e eterna dança. Francisco, psicólogo que não arranja clientela em local algum, acaba por virar fotógrafo na revista feminina onde Irene trabalha, apenas para poder pagar as contas da família (uma família marxista, diga-se de passagem, que perdeu seus empregos durante o golpe), que encontra-se numa pobreza de dar dó.

O seu consultório particular estava sempre vazio, produzindo muita despesa e nenhum lucro. Por outro lado, tinha sido suspenso do seu cargo na universidade, pois a escola de psicologia, considerada um foco de ideias perniciosas, fora fechada. Durante meses percorreu liceus, hospitais e indústrias, sem qualquer resultado senão um crescente desânimo, até se convencer de que os anos de estudo e o doutoramento no estrangeiro de nada serviam na nova sociedade. E não era porque de repente tivessem sido resolvidas as carências humanas e o país estivesse povoado de gente feliz, mas sim porque os ricos não sofriam de problemas existenciais e os restantes, embora precisassem, e muito, não podiam pagar o luxo de um tratamento psicológico. Cerravam os dentes e aguentavam calados. 

Em "As sombras" tudo o que fora deixado em entrelinhas e sussurros, insinuações, na primeira parte torna-se agora verdade inexorável. As "sombras", ou seja, os horrores da ditadura de Pinochet (no livro, descrito como o General) vão tornando-se mais densas conforme Irene vai descobrindo que a primavera acabou há muito e o que ocorre é o kitsch (assim como o kitsch soviético, tão mencionado nas obras de Kundera). Allende explora muito bem o drama das famílias que tiveram seus desaparecidos, aqueles levados pelo governo para "um interrogatório" e que, apesar dos registros de saída dizerem que os tais saíram tal hora de tal dia, nunca mais voltaram. E é aí que a trama começa a ganhar peso, o leitor começa a ficar com o ar rarefeito por conta das descrições, por vezes minuciosas até demais, das barbaridades ocorridas com o povo simples, que nada tinha a ver com política, mas que acabou por ser preso, torturado e morto, tendo seus corpos entregues à terra sem cerimônia alguma, apenas por serem considerados subversivos, afinal, tentar sustentar a família na ditadura nem sempre era bem visto, havia profissões proibidas e qualquer atitude parecia suspeita aos olhos dos militares.

— E agora, amiga, conte-me por que estás triste.
— Porque até agora vivi sonhando e tenho medo de despertar. 

Em "Doce Pátria" temos o desfecho dessa história de tristeza, dor e sofrimento. Allende, na epígrafe do livro, diz que "Esta é a história de uma mulher e de um homem que se amaram plenamente, salvando-se assim de uma existência vulgar. Eu a levei na memória conservando-a para que o tempo não a desgastasse e é só agora, nas noites silenciosas deste lugar, que finalmente posso contá-la. Eu o farei por eles e por outros que me confiaram suas vidas dizendo: toma, escreve, para que o tempo não o apague.". E, de fato, "De amor e de sombra" é um livro que parece destinar-se a deixar registradas memórias de pessoas anônimas, que possivelmente ficariam perdidas em meio aos relatos históricos que focam-se apenas em pessoas com títulos políticos e grandes passeatas. São as minúcias que fazem da história uma realidade com a qual podemos nos enquadrar. Não contarei mais do que isso porque creio firmemente que apesar desse livro ser pesado (não digo que é de difícil leitura, já que Allende consegue escrever de tal forma que até mesmo o tema mais torturante torna-se poético), o que me surpreendeu foi descobrir aos poucos a história, ver as sutilezas, as pequenas transformações que um regime ditador causa na vida de pessoas comuns.

E, claro, para quem conhece um pouco de história brasileira, não há como não fazer uma ponte entre uma história e outra, entre os relatos dos sobreviventes da ditadura com as passagens mais chocantes dos livros de Allende. Quando faço tais leituras, não posso evitar de dar graças aos céus por não ter vivido em tais épocas. Certamente não teria sobrevivido.

A revolução, dizia, deve provir do povo que desperta, toma consciência de seus direitos e de sua força, assume a liberdade e se põe em marcha. 

É um livro que recomendo de olhos fechados para quem quer que seja. Mas já aviso: é preciso ter um bom estômago e não ser suscetível a pesadelos. 

Sobre diminuir os danos

A pessoa suicida não tenta se matar para chamar atenção.
Assim como não atenta contra o próprio corpo apenas para encenar alguma cena dramática de novela mexicana (ou dos filmes do Almodóvar). Tampouco a pessoa suicida (em potencial ou não) quer morrer. O que ela quer é se livrar do que lhe causa tanta dor, desespero, sofrimento. E quando tudo, absolutamente tudo, dá errado, ela chega à conclusão de que o problema é ela, não os outros.

Nesse ponto, ela não quer apenas se livrar da dor que sente, mas também aliviar o peso que é na vida alheia. Começa a imaginar o quão horrível deve ser ter de conviver com ela, lidar dia a dia com o problema personificado que é sua existência. Ela não aguenta mais. Não é apenas um problema para si mesma, mas para a todos a quem ama. Isso é insuportável pois, como disse Kundera, a dor co-sentida com o outro é a pior de todas as dores, que se multiplica em ecos e se aprofunda cada vez mais (a isso ele chama de compaixão).

Leva certo tempo e muitas tentativas para que a pessoa suicida consiga, de fato, alcançar seu objetivo. Porque é preciso acostumar-se à ideia de não mais existir. É preciso descentralizar, ver-se como um mero observador, sentir a estranheza de estar em um corpo que é apenas mais um corpo em meio a tantos corpos, não sentir-se a si mesma. É preciso matar todas as esperanças de melhora. Envenenar todos os relacionamentos que tiver para minimizar os danos ao redor. Testar métodos, escrever sobre, falar sobre, cantar sobre, viver sobre.

Há um momento em que falar a respeito não é mais um grito de ajuda, em que a dor não é uma esperança de melhora, não é um alívio ao menos sentir algo porque é sabido que não cicatrizará nunca e tudo o que a pessoa poderá fazer é remover pouco a pouco os membros necrosados até que nada mais sobre.

Há um momento em que saber que um dia a morte chegará torna-se um alívio. E é nesse momento que a pessoa transforma-se em uma suicida: no momento em que sua melhor amiga vira a morte.

#9

• Teve 50 tons de Bíblia. 
• Teve uma aula peculiarmente sugestiva. 
• Teve escorpião. 
• Teve uma consulta médica que pode ser resumida em uma imagem: 


Dia tão peculiar que ainda não digeri todos os fatos. Aguardamos revisão. 

Resumo literário do mês nove

Passei uma boa parte de Setembro basicamente sem ler coisa alguma além dos textos de aula por motivos de pura preguiça e falta de noção de tempo. Quer dizer, como assim já passou Setembro e estamos em Outubro? Vocês já se deram conta disso? Porque eu ainda não realizei que o ano tá no fim. Gente, pra onde escoou este ano? Foi pra o bueiro da vergonha? Só pode, porque né?

Mas o fato é que esqueci completamente da vida e, quando dei por mim, já tava na metade, indo pra o final, do mês. Aí tratei de dar um corridão e fazer minhas leituras há muito atrasadas. E isto foi o que li no mês de Setembro:

Acho que já mencionei aqui no blog que quando crescer quero ser Isabel Allende, né? Porque, gente, essa mulher é maravilhosa. A escrita dela é algo lindo, beirando ao divino (sério). Uma mulher que consegue pegar a dor de perder uma filha e transformar isso num livro genuinamente belo merece toda a minha admiração. É disso que Paula trata: da processo de perda da filha de Isabel Allende. Paula, com seus 20 e tantos anos, descobre-se, um dia, gravemente doente e entra em coma. Sua mãe, Isabel, começa então a lhe escrever uma grande carta contando suas memórias, as da família e também as coisas cotidianas, para que a filha, ao acordar, não se sentisse perdida no mundo, caso sofresse de amnésia. Porém, ela nunca acorda. Mas os escritos permaneceram. Paula é talvez o livro mais sofrido e belo que eu já tive o prazer de ler. Chorei copiosamente no ônibus ao lê-lo e não me envergonho disso, pois, não há como entrar no universo de uma mãe que está perdendo aos poucos sua filha sem sentir emoção alguma. Se o recomendo? Fortemente.

Em um quote: "Ignoro como e por que escrevo, meus livros não saem da cabeça, formam-se no ventre, são crianças caprichosas, dotadas de vida própria e sempre dispostas a me enganar. Não escolho o tema, é o tema que me escolhe, meu trabalho consiste em lhe dedicar tempo suficiente, solidão e disciplina, para que ele se escreva por conta própria."

Como havia saído de uma leitura triste, melancólica e pesada (apesar da autora conseguir colocar leveza em sua escrita, o tema em si é bem pesado), decidi ler um livro policial, afinal, há tempos não tinha contato com o gênero. Mas devo dizer que caí no sono diversas vezes já nas primeiras páginas. Dragão Vermelho, do Thomas Harris, não me conquistou. Quer dizer: a história (a volta do doutor Hannibal) é ótima, creio que todos aqui a conhecem (caso contrário: parem tudo agora e procurem-no no Google; sério!) e sabem, portanto, que Hannibal é um dos personagens mais geniais e complexos já criados na história da arte. Contudo a narrativa do autor é travada. Foi como se eu estivesse lendo um script, um roteiro de algum filme. E se eu quiser ler roteiros, procurarei por eles, não é mesmo? Sei que há muitas pessoas que são fãs dos livros de Thomas Harris e talvez você, leitor, fique de beicinho para mim por conta do que estou dizendo, mas eu, Mia Sodré, considero a narrativa desse livro extremamente chata, prolixa e travada. A história é boa, mas falta envolvimento na escrita. Se o recomendo? Para quem gosta da história em si, sim. Para quem não é muito fã do gênero policial ou prefere algo mais romanceado, não (mas indico os filmes).

Em um quote:Esse era exatamente o problema de Graham: nem sempre os seus pensamentos eram de muito bom gosto. Não existia uma separação real no seu espírito. Tudo aquilo que via e que aprendia contaminava todos os seus outros conhecimentos. Por vezes, essas misturas eram difíceis de suportar, mas não conseguia fazer nada para evitá-las. Todos os seus valores adquiridos de decência e de conveniência se rebelavam diante destas associações de ideias ou assustavam-se com os seus sonhos, e no ambiente fechado da sua mente não existia refúgio possível para aquilo que ele amava. As associações faziam-se à velocidade da luz, enquanto os juízos de valor preferiam o passo comedido da ladainha. Seria impossível que impusessem e orientassem a sua reflexão.
A sua própria mentalidade parecia-lhe grotesca e útil ao mesmo tempo, como se fosse uma cadeira tosca, mas não conseguia reagir contra isso.

Após a enfadonha leitura de Dragão Vermelho, decidi ler algo mais infantil, bobo, porém misterioso, envolvente... e, pensando nisso, nada foi mais lógico do que chegar à conclusão de que estava na hora de ler mais um livro do incrível Neil Gaiman. De início, estranhei a narrativa extremamente infantil do autor (claro, afinal, eu havia a recém saído de um livro policial, ou seja, a diferença é gritante, tem de ser), mas logo que acostumei, fiquei super envolvida na história de Coraline, a menina que um dia descobre uma passagem secreta em sua casa que leva até... sua casa. Mas num universo paralelo, onde há um pai, uma mãe e outros personagens também pertencentes a um universo paralelo que é só dela - ou seria se ela não quisesse voltar para sua verdadeira realidade. E assim começa a jornada de Coraline, a menina que vive corrigindo o ato falho das pessoas que a chamam de Caroline, que dá uma de salvadora de seu próprio universo e que encanta a cada página virada por sua audácia e sensatez. Se o recomendo? Mas é claro que sim! E para todas as idades, viste?!

Em um quote: "Eu não quero tudo o que eu quiser. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria ter tudo o que se deseja? Em um piscar de olhos e sem o menor sentido. E daí?"

Um dos melhores livros do ano, quiçá da vida. Claros sinais de loucura, da Karen Harrington, me conquistou de formas tão diversas que me peguei, por vezes, perguntando-me se a autora havia lido meus diários adolescentes para escrever seu livro. (Tá dizendo que você se reconheceu então com os sinais de loucura da menina, Mia? Tô.) Esse livro-amor conta a história de Sarah, uma menina que está entrando na pré-adolescência e que, além de todo o mimimi de pessoa com hormônios à flor da pele que está descobrindo a si mesma, também possui o agravante de ter uma mãe louca que tentou matá-la quando ela tinha 2 anos de idade, ou seja: Sarah procura em si mesma sinais da mesma loucura da mãe, temendo que esta venha a ser hereditária. E ela consegue lidar com isso de forma tão adulta, tão racional, tão linda que dá vontade de abraçá-la e dizer que tá tudo bem, somos todos malucos aqui, desde que seu instinto assassino não aflore demais (todos temos, mas a questão é saber refrear), tá tudo certo. Fora toda essa racionalização de cada pequeno ato, Sarah também ama ler. É uma leitora ávida (até demais para sua idade ♥) que tem por melhor amiga uma planta (sim) e escreve cartas para um de seus personagens literários preferidos. Resumindo: esse livro é puro amor. Se o recomendo? PAREM TUDO E LEIAM-NO AGORA, apenas isso.

Em um quote: "Nem todo mundo reage às palavras da mesma maneira. Algumas são palavras-problema. Uma palavra problema muda a expressão da pessoa que a escuta. Amor pode ser uma palavra-problema para algumas pessoas. Loucura também. Eu sei bem."

Em seguida, concluí a leitura já tão atrasada de Morte Súbita, da J. K. Rowling, também conhecida como diva-mor da literatura juvenil. Pois então: sentimentos conflitantes com esse livro, hein. Comecei a leitura dele em Junho, finalizei-o apenas há alguns dias. E por que toda essa demora? Por motivos de: não agarrei amor. Não é pelo fato do livro ser grosso. Não é pelo fato de não haver um protagonista. Não é pela falta da magia. É tudo junto. Não há um foco, só há desgraça, cabô esperança pra humanidade, é um horror. Mas é um livro ruim? Não, não é. Apenas... não é bom. Vocês me entendem? Acho que apenas fazendo a leitura para entender, hein. E também creio que apenas sendo muito fã da mulher para considerar este um livro bom. Porque, sim, a história é intricada, blablabla, mas não prende o leitor. E livro bom é aquele que prende. Se o recomendo? Sim. Mas não para uma leitura rápida. É um livro que precisa ser absorvido aos poucos.

Em um quote:O mais difícil, a verdadeira glória era ser quem a gente realmente é, mesmo quando se trata de uma pessoa cruel ou perigosa, aliás, especialmente nesses casos. É preciso ter coragem para não tentar disfarçar o animal que lhe calhou ser. Por outro lado, é preciso evitar fingir ser mais que o animal que você é.

E, por fim, li As Esganadas, do Jô Soares, que é um livro estranhamente nojento e divertido que conta a história de um assassino de mulheres gordas que se usa de receitas portuguesas para matá-las pela glutonice. E não, isso não é spoiler algum. Aliás, logo nas primeiras páginas o leitor já é informado da ficha completa do assassino. Qual é o mistério do livro, então? Não há mistério. O que ocorre é a leitura pelo prazer de acompanhar o desenrolar da trama. Jô Soares é um ótimo escritor de comédias policiais (já li outros livros dele e recomendo-os fortemente, por sinal) que abusa de ironia, humor negro e sarcasmo em suas personagens e diálogos. Fora a pesquisa histórica que é sempre incrivelmente bem feita. Se o recomendo? Fortemente. Especialmente para aqueles que querem ler algo divertido.

Em um quote: "Existe um preconceito velado contra a obesidade. Na verdade, dificilmente os homens o sentem. Podem ser gordos inteligentes ou ricos ou oferecerem tantos outros atrativos. Quem sofre o problema com maior intensidade são as mulheres. As mulheres gordas. O leitor pode se escandalizar com o uso da palavra "gorda". Os eufemismos mais comuns são: cheinha, forte, grande e, o mais ousado, gordinha.
Geralmente, acham que a gorda não tem força de vontade. Nem caráter. Nem vergonha na cara. A gorda é um pária; o excesso de peso, um divisor de águas. O próprio adjetivo é um palavrão. Ninguém se importa com o sofrimento ou com a humilhação da gorda. Acham que ela é gorda porque quer.
Observem o olhar triste das moças gordas varrendo as vitrinas da moda. Os figurinos são para as magras. Alguns vendedores ainda informam sem se alterar: "Aqui é só pra pessoas normais, madame". E a gorda se afasta engolindo o ultraje. Restam-lhe as lojas especializadas ou as costureirinhas de bairro. Para mim, anormal é o tratamento do vendedor.
A obesidade é democrática, não faz diferença de classe. Há gordas ricas e gordas pobres. Todas sentem a mesma reprovação silenciosa da sociedade. Existem gordas belas, mas, se a beleza é notada, há sempre um apêndice ao comentário: "O rosto é lindo. Pena que seja gorda.""

E, apenas um recadinho: decidi que começarei a escrever aqui no blog sobre todos os livros que leio. Nem sempre sairão resenhas boas, mas é bom ter registrado esse tipo de coisa, impressão de leituras e já que as pessoas sempre me perguntam muito sobre a minha opinião a respeito dos livros (e não apenas dos queridinhos), postarei tudo por aqui.

Então é isso, gente. Esse blog tá virando meio literário (meio por motivos de: o mimimi continuará, não se preocupem).

Logo tem mais. 

Dois

Uma vez vi minha alma num espelho. 
Durante um sono ou devaneio. 
Era num dia 15 de novembro. 
O suor pingava de meu travesseiro.

O que vi, a ninguém desejo. 
Foi um assombro ou um simples lampejo? 
Só sei dizer que não era meu desejo 
conhecer as marcas de todos os meus erros.

Uma alma apareceu no desespero. 
Na tormenta, o reflexo de um milênio e meio. 
Era desbotada, mal cuidada, e havia medo 
de viver outra vez em vão, correndo.

#7

Antes de falar qualquer coisa aqui, apenas um parêntese: sou uma pessoa alérgica ao stress (ou seja: tenho alergia ao universo). Dito isso, vamos lá.

O dia começou lindamente comigo lendo um livro que, do nada, se transformou em outro por puro erro da editora que decidiu que a história é um espírito livre e pra quê livro com apenas um enredo, não é mesmo? Bora manter o número de páginas certinho que tá bom, o conteúdo é mera sugestão do acaso literário. Óbvio-ululante.

Teve eu me estressando e sendo chamada de endemoniada por não ser homofóbica ou machista.
Ao que só tenho uma coisa a dizer: LÚCIFER, TU É UM CARA MUITO SUPIMPA, HEIN. ♥

Teve os seguintes posts no fb:

Do que eu ouvi hoje:
— Reveja teu voto. Votar na Luciana é a mesma coisa que fazer o aborto com as próprias mãos.

Do que eu direi até o fim de meus dias:
TODO MUNDO SABE que eu não tenho intenções de abortar por motivos de: tenho um instinto maternal fortíssimo e quero ter minhas crias. Porém querer criminalizar o aborto apenas porque eu não pretendo fazer um é a mesma coisa que dizer pra uma pessoa intolerante a lactose (ou alérgica a leite de vaca, o que seria mais complicado, no caso) que ela TEM de me acompanhar no leite com toddy apenas porque eu tomo, e se eu tomo é bom.
Coerência, saudade de você, querida.



Sejamos didáticos aqui:
• ser a favor da legalização do aborto não é igual a dizer que vai abortar;
• ser a favor da legalização do aborto é igual a ser a favor da vida da mulher;
• a mulher que quer abortar o fará de qualquer maneira, mas a grande questão é: ela merece morrer por conta disso? ela merece ser maltratada por conta do aborto? a vida do feto é mais importante do que a vida dela?
Para refletir.



Da série: diálogos reais que me deixam embasbacada e que registro apenas para consulta de causa daqui a algum tempo.

— Tu vai entender o Levy quando tiver um filho, porque com certeza não vai querer que ele seja antinatural e contra a palavra de deus.
— Meu filho vai ser o que ele quiser.
— Não vai ensinar pra ele que ser gay é errado?
— CLARO QUE NÃO. Não é errado.
— Vai incentivar o guri a ser gay?
— Apenas lembrando que meu cantor favorito de todos os tempos era bissexual, OU SEJA: tomara. ♥



Às vezes me pergunto como posso ser quem eu sou e ter os ideais que tenho sendo que fui criada em meio a uma família que diz apoiar o Levy Fidelix em sua campanha homofóbica e machista.
A grande tristeza da minha existência é ser uma feminista em meio a pessoas extremamente conservadoras.

Tudo isso porque minha família é extremamente conservadora, evangélica, machista e homofóbica. E eu sou uma bruxa feminista que nunca jamais aceitará tais coisas. OU SEJA: tô cheia das alergias pelo corpo todo. Uma coisa linda de se ver.


~a noite resumida em uma imagem: redundância causada pelo stress + ululância no elogio às avessas que guardarei para a vida~

E isso é o que teve hoje.
Boa noite.
♥ 

#6

É sabido que está na moda odiar o PC, mas se alguém me perguntar o que teve hoje, esta será minha resposta:


Só sei dizer que quando a professora perguntou, durante a aula de planejamento, sobre os prós e contras da sua vida social, eu disse que: quem precisa de vida social quando se tem internet funcional? 
~e eu iria tirar foto da resposta escrita, mas preguiça, sempre a preguiça~ 

E isso é o que teve hoje, pessoal. 

#5 (do que teve ontem)

O do que teve hoje pelo jeito virará do que teve ontem, porque né?

Mas enfim, do que teve ontem em uma imagem:


Isso é tudo, pessoal.