Daqueles memes bobinhos porque sim

Nem sei onde eu vi isso, só sei que tá aqui na página de rascunhos há mais de ano e, bem, tá na hora de ser postado. É um meme bobinho e legal sobre como seria a capa de seu CD se você tivesse uma banda. Achei amor, achei pertinente. ♥

1. Clique aqui - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.

2. Agora clique aqui - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.

3. E, por fim, clique aqui - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.


Capa mais linda de todas - sim ou absolutamente?! 

Das alegrias de um sábado à tarde

Estava eu aqui tentando relaxar um pouco e lendo resenhas de filmes bobos e geniais apenas para decidir o que assistirei enquanto o vizinho continuar com sua sessão Xou da Xuxa (sério, gente, o vizinho passou a tarde inteira tocando os grandes sucessos da Xuxa), quando me deparo com esta imagem maravilhinda:

Rocky (e se você não entendeu essa foto, tenho muita pena de você) 

Mas é claro que neste lindo e único momento de minha tarde mamis tinha de cruzar o corredor (meu quarto dá para o corredor que leva à escada, ou seja: é inevitável passar pela frente dele se a pessoa quiser atravessar a casa) e é claro que a imagem acima estaria aberta e é ainda mais ululante que mamis nunca tenha assistido esse filme (que triste isso, gente) e não fizesse ideia de que raios essa imagem tratasse. O que resultou no seguinte diálogo, após um momento em que ela parou na porta de meu quarto e olhou, abismada, para a imagem:

— Mi... tu tá vendo pornô?

MELHOR.QUESTÃO.APENAS.
Acho que nem se eu quisesse muito conseguiria reproduzir fielmente aqui minha reação. Só posso dizer que dei uma gargalhada tão alta que os vizinhos pararam a música (bye, Xuxa!) na hora, porque né, assustaram-se. (Parêntese para: minha gargalhada é realmente alta. Uma vez estava eu passeando com um amigo num parque e não sei o que raios ele disse, mas eu achei graça. E ri. E gargalhei. E quando fui ver ele estava me puxando pra o lado porque TODAS AS PESSOAS naquele parque estavam olhando para mim com cara de espanto, porque realmente minha gargalhada parece ser amplificada por cinco caixas de som.)

Minha vontade foi de responder:
— Não sei dizer, não, hein mamãe. Não sei dizer. Sentimentos muito contraditórios aqui. Esse filme tem uma vibe proibida para menores de dezoito anos, sim, mas né, não chega a isso. É aquela coisa do sim, mas não, que vigora fortemente por aqui. Como sempre.

Mas apenas disse que:
— 'Cê tá ficando maluca, mãe.
— Tu tá indo pra o mau caminho, guria!
— Desculpa aí, mas já fui há muito tempo, hein. Só que não, isso não é pornô. É apenas um filme/musical de gente maluca mesmo. Muito legal, por sinal. Mas nem assistindo-o eu tô; estou apenas lendo aleatoriedades sobre filmes/séries enquanto espero a inspiração voltar para terminar aquele lindo trabalho de gestão que estou fazendo desde as 7h da manhã. Got it?

Creio que ela não compreendeu muito bem.
But that's okay, porque ao menos, após toda essa gargalhada (e os malditos vizinhos terem parado com a sessão ilariê ôôôô) consegui desestressar e terminar o bendito trabalho (que deverá ser entregue amanhã, vejam só que alegria).

A vida da pessoa que tenta estudar em pleno sábado é, de fato, muito difícil. 

Como atraio gente bizarra

Ou: do dia em que fui atacada por hare krishnas.

Quer dizer, bizarra eu mesma sou, nem é esse o caso. Só que eu atraio gente EXTREMAMENTE bizarra, do tipo que ataca pessoas no meio da rua. Teve a vez, por exemplo, em que fui atacada por um senhorzinho no Mercado Público (me lembrem de contar direito essa história depois) que me agarrou o braço para dizer que "você deveria ser professora, minha filha, com esse olhar de braba, com essa cara de má, faria a turma calar a boca sem nem falar nada". Mal sabe ele do quanto estava certo, hein, porque tempos depois tava eu fazendo exatamente isso, mas continuemos.

O fato é que estava eu caminhando pela Feira do Livro com o namorado, bem desprovida de objetivos, quando um senhor vestido de indiano surgiu em nossa frente e colocou livros sobre o budismo em nossas mãos. E né, pequena pausa para explicar que: não sou a maior simpatizante do budismo que existe, gente. Porque eu não gosto de religiões no grande geral, acho que a única religião que considero legalzinha é o espiritismo, de resto: respeito, mas não quero pra mim.

Aí que o cara nos jogou livros sobre a autorrealização e a biografia do mestre sei lá eu quem, dieta vegetariana e todas essas coisas. Ao que eu disse que não, não quero, moço, dê para quem gosta, quem queira, eu não sou chegada. O moço não quis saber, insistiu, namorado pegou um livro e o moço insistiu mais ainda e não me deixou sair de lá de mãos vazias porque sim, destino, karma is a bitch, puxei assunto com o moço a respeito da medicina ayurveda pra não ficar naquele silêncio constrangedor chato, já que ele nos seguia pra onde quer que fôssemos e a conversa até que fluiu, blablabla.

Finalmente conseguimos nos desvencilhar do cara e estávamos indo para a maravilhosa exposição do Moacyr Scliar (sim ♥) quando surgiu o seguinte diálogo:
— Viu, tu disse que não iria pegar nenhum livro na Feira do Livro este ano, mas tá aí com um.
— Mas meu bem, tecnicamente eu não peguei, veja bem que o carinha simples JOGOU isso em mim, e...

E do mais absolutamente nada surge outro carinha e coloca em minhas mãos um livro sobre a autorrealização.

Não sei de onde ele surgiu, não sei POR QUE EU, OMG, sei que foi assim.

— Moço, eu não quero.
— Mas não cabe na sua bolsa? (insira um forte sotaque argentino aqui)
— Cabe, mas eu já fui obrigada a pegar um e não quero outro, ué.

Namorado interveio e o carinha foi embora. Ao que namorado disse:
— Viu, tu disse que não tinha pegado nenhum livro na Feira e na mesma hora um outro cara surgiu colocando um livro nas tuas mãos.
— O bullying do universo comigo tá forte.

Fomos à exposição, voltamos à Feira, trocamos os livros (sim, porque eu não queria aquele livro e há uma parte na Feira onde é possível fazer trocas, ou seja: troquei aquele livro por um outro da Lya Luft; inclusive o mesmo que caiu na prova do ENEM, ó como o universo conspira a meu favor, risos), fomos para casa e, no outro dia, voltando da biblioteca pública e passando pela exposição novamente (gostamos muito dessa exposição ♥) o mesmo carinha hare krishna argentino surge de um buraco negro e diz:
— Foi com vocês que eu falei ontem, né?
— Isso, com a gente mesmo.
— Mas hoje vocês vão levar livros, né?
— Não, moço, eu não quero.
— Mas por que não? Olha, tem livro sobre a paz, tu não gosta da paz?
— Não, moço.
— MAS COMO QUE NÃO?
~a essas alturas do campeonato eu já estava literalmente chorando de rir~
— Ela não gosta de paz. Ela gosta da guerra.
— NOOOOOOOOOOOOOO, MAS NÃO PODE GOSTAR DA GUERRA, tem que gostar da paz, nós gostamos da paz, não comemos animais, somos do bem.
— Não gosto, moço. Muita paz é algo que dá agonia.
— MAS TEM QUE GOSTAR DA PAZ, NÃO PODE GOSTAR DA GUERRA (cara de extremo espanto do hare krishna argentino).

Teve mais diálogo sobre o carinha abismado por eu supostamente não gostar de paz e ser fã da guerra, mas o fato é que: gente, coerência, né? Atacar pessoas na rua e querer que ela engulam goela abaixo suas ideologias religiosas é tão chato quanto ficar batendo palmas incessantemente na frente da casa alheia apenas para divulgar o panfleto das Testemunhas de Jeová. NÃO ROLA.

Essa não foi a única vez em que algo assim ocorreu (nunca esquecerei do cara que me ligou dizendo que deus havia dado meu número a ele; pior cantada que já recebi, devo dizer), essas coisas vivem me acontecendo. Só gostaria de saber que imã é esse que eu tenho que atrai tanta gente e situação bizarra.

A pessoa tenta apenas ter uma vida normal, tranquila, desprovida de grandes objetivos.
Como não consegue, cria um blog pra contar a respeito.
E é assim que nascem os blogs diarinho.

né mermo?! 

O dia em que vi a cara da morte (e ela tava viva)

Este post é patrocinado pela Lei de Murphy.

Fui fazer o ENEM.
E claro que tinha que ter bizarrice. Sempre tem bizarrice. Se Murphy não aloprar, não é a minha vida. Mas hoje foi demais. Foi extremo. Foi hard.

Acontece que havíamos combinado aqui em casa que minha mãe iria mais cedo pra loja (meus pais têm uma lancheria no centro e se revezam  por lá) para que meu pai viesse em casa e me levasse de carro até a escola por motivos de eu nunca ter pisado lá e ser a pessoa com menos orientação geográfica existente na região metropolitana de PoA.
Pois então.
Mamis saiu de casa antes das 11h para pegar o bus que a levaria até a lancheria para que finalmente o pai pudesse vir e me levar até a tal da escola. Mas ocorre que ela pegou o bus errado (porque sim) e foi parar no meio do mato (literalmente) por mais de uma hora. Ou seja: ela chegou à lancheria por volta do meio-dia.

Era meio-dia quando liguei desesperada pra mamis perguntando cadê o pai que ainda não havia chegado. Ao que ela me respondeu com um "tô chegando agora na loja". DEI A LOUCA E COMECEI A GRITAR. Deu falta de ar. Deu desorientação. Só não deu crise de choro porque sou boa em situações que me deixam sob pressão (grazadeusa), me mandei calar a boca e exercer o autocontrole do qual tanto gosto de me vangloriar, tranquei toda a casa e me mandei pra casa do meu irmão pedir socorro pra que ele me levasse até o local de prova.

extremamente 

O menino não sabia onde era a tal da escola (e eu muito menos, porque né? desorientação geográfica é meu nome do meio) de modos que ele segurou na mão de deus e foi, já que faltava apenas meia hora para o início da prova - e o fechamento dos portões.

Pegamos todos os semáforos fechados. Quando finalmente eles abriram, um ônibus se atravessou em nosso caminho e ficou andando a 20 km por hora, HAHAHAHAHAHA Tive o maior ataque de riso de todos e meu irmão e cunhada tavam achando que eu tava rindo por achar graça da situação, mas que nada, eu tava rindo é de nervoso mesmo, que tenho essa mania besta de desatar na gargalhada quando algo que contraria meus planos ocorre. Tenho um grande problema que é o de não conseguir ficar séria. 'Cês veem minhas fotos com cara séria e acham que eu sou sisuda, mas que nada, muito pelo contrário. Faço grandes esforços pra fechar a cara ao menos nas fotos, porque na vida real eu não consigo de forma alguma. Inclusive as únicas marcas de expressão que tenho são de tanto rir, aquelas marquinhas ao lado da boca - que ficarão lindíssimas quando eu envelhecer e tudo cair. Bem, melhor do que marcas de choro, creio eu.

Nisso faltava apenas 5 minutos pra os portões fecharem e eu já tava quase dizendo pra dar meia volta e me levar pra tomar um sorvete porque não tava dando. Mas milagrosamente meu irmão acertou as voltas (e quantas voltas, que escola mais escondida, pelamordedeus) e quando dei por mim estávamos em frente a tal da escola.

Nem deu tempo de meu irmão estacionar o carro porque já abri a porta e saí correndo em direção à escola. Todo esse desespero por quê? PORQUE O PORTÃO TAVA APENAS COM 30CM DE ABERTURA (aproximadamente, afinal, não é como se eu tivesse levado uma régua para medi-lo). Eu olhei pra o senhor que tava fechando o portão, ele olhou para mim e disse: CORRE, MINHA FILHA, QUE TU TEM 40 SEGUNDOS. E eu corri como se minha vida dependesse daquilo. Legal que foi só o tempo de eu passar e o portão fechar.

Em uma lindíssima ilustração feita por mim com apoio do paint:


Entrei na escola e uma moça veio em meu auxílio pra achar a sala, nisso chega um rapaz e diz "deixa comigo", me pega pelo braço e diz que vai me levar até lá porque eu tenho cara de perdida. Aliás, não sei que cara eu tava fazendo, mas sei que tava acabada de tanto stress, tensão e corrida. Até que ele disse: "agora você atravessa a quadra correndo porque não vai dar tempo de fazer o caminho normal". Eu fiquei com a cara mais abestalhada do mundo, tipo QUÊ?! porque não é possível isso, gente, a quadra daquela escola é gigantesca e calhou de minha sala ser a última de toda a escola (claro, óbvio-ululante). Aí o moço me pegou pela mãozinha e saiu correndo comigo quadra abaixo até a porta de minha sala porque eu tava certamente parecendo uma barata tonta. Não sei quem você é, moço, nem vi sua cara (se vi, não lembro, tava atordoada no momento), mas caso você leia o blog fica aqui meu muito obrigada.

Finalmente consigo entrar na sala e... a prova já tava sendo aplicada. Minha cara de terror e desespero deve ter sido muito boa, porque o moço que tava aplicando ficou todo penalizado, pegou meu rg pra dar uma colher de chá (ninguém viu, moça, tá tudo bem, eles a recém começaram), quando vê meu sobrenome, olha bem pra minha cara e diz:
— Tu tem um parente chamado William?
— Tenho um primo com esse nome.
— Ah, e ele é professor?
— É.
— Formado em Sociologia?
— Isso.
— Pai de uma menininha?
— Da Marina.
— Um bem altão?
— Isso, tem seus 2 metros de altura.
— Ah! Ele é professor aqui nesta escola, menina! Senta aí nesta classe que não tem problema, e muita boa sorte na prova.

Tudo muito lindo, um "ufa" sonoro, aquela sensação de alívio... início de prova. E okay, que prova dozinfernos, que prova maldita, mas tava fluindo, tava tudo certo... até que me dei conta de que havia esquecido a garrafa d'água em casa. E começou o calor. E aquela sala fechada não tinha UM ventilador sequer. E o calor, a sede, a ansiedade, a tontura, a dor de cabeça... desmaiei bonito. HAHAHAHA Mas acho que o povo nem percebeu, hein, porque não veio um só assistente pra me ajudar. Pensaram que eu tava dormindo, só pode, ou, sei lá, rezando. Sei que quando dei por mim tinha passado já meia hora a mais (ou seja: uma hora e meia de prova) e eu não tava conseguindo me concentrar. Pensava em tudo, menos na prova. Literalmente: tudo o que poderia me incomodar, tudo o que aconteceu de ruim nos últimos dias veio à tona e comecei a sentir aquela linda crise de pânico de "what the hell am I doing with my life?!". Aí o moço olha pra mim, vê minha cara aflita e pergunta se eu quero ir ao banheiro. "Quero, moço." Fui. Passei um litro d'água gelada no rosto, tomei mais meio litro, me olhei no espelho, e... entendi por que o moço me deu colher de chá. Meu rosto tava com uns 4 tons diferentes de vermelho/rosa. Uma coisa lindíssima, vocês nem imaginam.

Voltei pra prova, tava tudo fluindo de forma mais tranquila, consegui compreender melhor as questões... até chegar nas fórmulas. Gente, o que era aquilo. Olhei pra aquelas fórmulas e fiz cara de David Tennant sob pressão:


Segurei na mão da deusa e fui. Só não sei como. Sei que não vou conferir esse gabarito até que tudo esteja acabado porque não sou uma pessoa masoquista, a vibe masoquista já passou em minha vida.

17h, tudo terminado, saí da escola e fui procurar meu pai ou meu irmão, que deveriam supostamente me buscar, já que eu estava em local desconhecido, nunca antes desbravado por meus lindos pés 34. MAS QUEM DISSE QUE ELES ALI ESTAVAM? Não estavam, claro que não. E quem disse que eu havia levado passagem pra o ônibus? Claro que não, porque o combinado era que me buscariam. Mas a pessoa otária e distraída tem mais é que se ferrar mesmo, portanto é isso aí. Minha "sorte" é que o dia era de passe livre por conta da vacinação infantil, de modos que me informei com o pessoal local e descobri que o único ônibus que passa naquele local é um desconhecido, mas pensei: "tudo bem, pego esse aí, vou até o final, que é mais ou menos antes do centro da cidade e de lá pego o que me levará pra casa". Peguei o bus. Após um tempo nele, descubro que seu destino é nada mais nada menos que a conhecida - por boca pequena - favela da cidade, simplesmente o lugar mais perigoso de todos.

E foi aí, meus amigos, que eu vi a face da morte.
Foi entrar na "favela" que gente muito mal encarada entrou no ônibus alardeando suas intenções de se darem bem com os nerds (ou seja: o povo todo que foi fazer o ENEM). E os caras lá, armados e querendo pegar os pertences das pessoas. E eu só pensando que se eu ainda tivesse algo pra dar, porque né, não levei nada além de caneta, identidade e chaves de casa. Nem celular eu havia levado, vejam só.
Como não havia muito a ser feito e o pessoal tava me encarando, quando chegou minha vez de ser ameaçada, pensei "sabia que iria morrer quando quisesse viver, eita desgraça, mas bora tentar sair disso" e falei:
— Moço, não tenho nada.
— Não tenta mentir pra mim não, guria.
— É sério. Nem era pra eu estar aqui. Aliás, nem sei onde tô, assim, na vida. Perdi minha carona, perdi a noção de tempo/espaço, perdi a faculdade que fazia, tô perdendo minha avó que tá morrendo... só falta perder a mim mesma, moço, porque não tem mais nada não. Quer dizer, tem a caneta. Quer?
— Deixa a mina que ela tá pior do que tu. Olha a cara dela. É uma criança, deixa a mina.

E mais uma vez eu fui salva pela minha cara de criança desprovida de bom senso.

Quando os malditos saíram do ônibus e ele finalmente saiu daquela vila do mal, desci na primeira parada onde o ônibus fez a curva, que calhou de ser a parada da brigada militar. QUE ALÍVIO, MINHA GENTE, VOCÊS NÃO IMAGINAM O ALÍVIO EM MEU CORAÇÃO ao ver o pessoal fardado e com internet funcional. (Porque assim, eu já havia bolado altos planos: já que não havia levado celular e não sabia os números de ninguém de cor, ao menos poderia pedir pra alguém enviar uma mensagem via fb pra uma amiga que avisaria alguém de minha família que ó, tô na polícia, venham me buscar, hahahaha; também pensei em sair caminhando mais algumas paradas até a casa de um dos meus irmãos, mas tava escurecendo, ali é uma zona perigosa e não seria boa ideia.)

Após muitos minutos de terror psicológico passados naquela maldita parada, finalmente um ônibus passou. Nem pensei muito e fiz sinal, porque né? Porém: ele não era de passe livre porque era intermunicipal. MAS DANE-SE. Fiz minha melhor cara de Gato de Botas, a voz meiga e disse:
— Moço, fui fazer o ENEM e ninguém me buscou não sei porquê. Tô longe de casa e não trouxe passagem porque sou otária. O senhor pode me levar até o centro pra eu ir até o trabalho do meu pai?
— Claro, guria! Tá tudo bem contigo? Tu tá pálida. Senta aí, va'mbora.
— Obrigada, moço. ♥

abracinho fantasma pra o motorista bacana que me deu carona até o centro 

Cheguei na lancheria do meu pai e, meldels, amaldiçoei céus e terra.
— COMASSIM NINGUÉM FOI LÁ ME BUSCAR?!
— Eu pensei que teu irmão iria, aí não fui. Ele pensou que eu iria, e não foi.
— E pensando morreu um burro, né?
— Mas tu já é adulta, sabe se virar sozinha.
— Sei, sei me virar, sim. Sei tanto me virar que tô aqui, não tô?! Pois então, sei, sim. Sou crescidinha (mó mentira, tenho um metro e meio, mas shhhh) e me viro muito bem, especialmente com uma arma enorme apontada pra minha cara. Foi lindo de ver.

Após esse inspirador diálogo e uma fatia de pizza com coca-cola (dane-se a dieta, eu precisava comer e beber algo, tava desde as 10h da manhã sem me alimentar ou sequer tomar um gole d'água, which means: eram umas 19h da noite e eu tava desidratada pra caramba e acho que só não havia desmaiado novamente no percurso por conta da adrenalina de quase ter morrido na mão de bandido) fui para a parada onde passa o ônibus que me levaria até em casa (heaven ♥). No que, quando eu estava a um metro da porta do ônibus - e tinha gente subindo, claro, eu tava na corrida e todo aquele clichê - ele simplesmente ARRANCA e vai-se embora. 'CÊS NÃO IMAGINAM MINHA RAIVA NA HORA. Gargalhei de raiva (dica: se algum dia eu estiver brava e começar, do nada, a gargalhar, tema por sua integridade física porque não respondo por mim quando chego nesse estágio), uma mulher que tava na parada ainda viu meu estado de desolação e atacou novamente o ônibus, a que o motorista respondeu com um sinal muito do mal educado feito com suas mãos. Eu, como já tava fora de mim, peguei uma pedra solta que tava na calçada e joguei no ônibus. A mão divina fez com que a tal da pedra não causasse estrago, porque olha, a vontade era de quebrar a cabeça do animal motorista que me deixou esperando AINDA MAIS.

Detalhe: essa parada fica na frente da matriz da igreja evangélica da cidade. E tava todo o povinho da tal igreja entrando para um """"culto"""" (o que eu chamo, carinhosamente, de tortura audiovisual, mas prossigamos).
Igreja da qual eu fiz parte há muitos anos (ainda bem que a gente cresce e se desvencilha dessas coisas) e onde eu tenho fama de bruxa possuída por Lúcifer. OU SEJA: meu episódio Drummondiano ("no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho") para eles foi apenas maus uma prova da minha possessão demoníaca. Eu me divirto muito, gente, vocês não fazem ideia.

Mas, para minha sorte (sou uma pessoa extremamente sortuda, sorte às avessas, é verdade, mas ainda assim sorte), logo apareceu outro ônibus com destino (à felicidade ♪) ao meu bairro, de modos que comecei a fazer sinal quando ele ainda nem tinha virado a esquina que o levaria para a parada, risos. Subi, passei a roleta, sentei no banco e, minutos depois, tava em casa. Ó que coisa boa. \o/

E essa foi a saga do sábado de prova do ENEM.
O que eu aprendi com tudo isso? Aprendi que meu bom humor salva minha vida. Que apesar de eu parecer controladora level extreme por conta de meu alfabeto de planos reservas (pra caso algo dê errado, afinal, sempre dá, porque sou afilhada de Murphy, como todos sabemos), a verdade é que sobreviverei a qualquer situação pela qual passar porque sou mais resistente do que penso e tenho mais habilidade de planejamento e ação do que muito marmanjo metido a besta por aí que vê meu tamanho e me subestima.

Eu sou demais. ♥ Narcisismo em pessoa, eu.

 

Dos dramas da pessoa com alergias idiotas

Sou boba e não aprendo nunca, mas até aqui nenhuma novidade, não é mesmo?
Pois então. Eu sou uma pessoa alérgica e pessoas alérgicas não têm direito a serem levadas a sério neste mundo. Sempre tem um filho de uma mula-sem-cabeça pra dizer que "isso é psicológico". PSICOLÓGICO SERÁ O TAPA QUE TU LEVARÁ NAS FUÇAS, CRIA é a única coisa que me vem à mente. Mas respiro profundamente, me controlo e caminho lentamente dez passos longe do cerumano que provocou minha ira e duvidou da veracidade de minhas alergias (ousseje: da criatura que se dignou a me chamar de fresca por tabela).

A quê tenho alergia? Senta que lá vem a história.

Sulfa 

Que é um componente químico presente em múltiplos medicamentos, inclusive alguns antialérgicos (ó que lindo isso, gente!) e que me restringe a tomar (no orifício anal, como todos sabemos) apenas Ibuprofeno e remédios naturais pelo resto de meus dias, no matter what, amém. Porque há risco de morte e deuzôlivre morrer antes de publicar meus livros, ter duas (ou três) crias, casar (quero, me deixa) e ganhar o Prêmio Nobel de Literatura (devaneios, porque sim). E vamos adivinhar a pegadinha (porque quando é comigo, sempre tem uma pegadinha)? É uma dessas alergias raras, que ocorre em apenas 3% da população mundial. Which means: pessoa mais azarada ever, sim ou absolutamente?

Pelos de animais 

Essa é uma das grandes tristezas da minha existência. Eu sou apaixonada por animais. Não é raro alguém entrar no meu quarto e me encontrar vendo gifs ou vídeos de bichinhos fazendo gracinhas. Amo~sou animais. Mas não posso chegar perto. Porque existem pelos, e eu fico cheia de urticária e coooooça e arde e fica feio pra caramba e fica parecendo que tenho catapora até. Uma coisa lindíssima de se ver. Isso quando a rinite não ataca junto, né? Só que fica pior: por conta dessa alergia e das recomendações de mamis ouvidas desde pequenininha para não chegar perto, ou iria ficar mal, desenvolvi um medo TERRÍVEL de animais, especialmente de cachorros. Agora vocês pensem na pessoa que namora um rapaz possuidor de uma enorme cachorra peluda e brincalhona. Pois é. E a vontade que dá de brincar com ela também? Dá. Mas não posso. Porque sou a pessoa do sim, mas não. Sim, eu gosto de cachorros, mas não, eu não posso ter um, chegar perto de um, brincar com um. Murphy extremo isso, bullying do universo.

Mosquitos 

Eita alergia desgraçada essa. Porque a pessoa que mora num país tropical (abençoado por deus e bonito por natureza ♪) deveria ser proibida de ter esse tipo de alergia. Apenas reflitam no que é o verão pra mim. Calor = mosquitos = alergia. Muita alergia. Fico toda empipocada, ninguém me encosta, dói, arde, forma calombos enormes na pele. Um horror.

Coco 

Uma das grandes paixões de minha existência é a culinária. Especialmente aquela voltada aos doces. Amo fazer doces, mais do que amo comê-los. Mas não posso lidar com coco sem passar terrivelmente mal, vomitar, ter dores de estômago num nível "acho que tô morrendo, socorro". Já tive de fazer lavagem intestinal por conta da comilança (quando eu ainda não sabia que minha vida seria desprovida de coco), já passei mal por comer um doce que continha o fruto tão gostoso e cheiroso... E agora, sempre que vou a algum lugar, tenho de perguntar antes de comer: "tem coco?". E é chato isso, porque as pessoas amam essa fruta maravilhosa e usam-na pra tudo, especialmente pra bolos de casamento. No último casamento que fui nem pude comer o bolo por conta do coco (bolo de casamento, gente, crueldade isso, eu AMO bolos!). ~a vida da pessoa alérgica é muito difícil~

Stress 

Acho que foi no blog da Vanessa que um dia li que ter alergia ao stress é como ter alergia ao universo. E né, maior verdade isso. Aliás, Vanessa é uma dessas pessoas com as quais me reconheço porque eita moça cheia dazarlegias também. Mas o fato é que foi durante uma crise alérgica dozinfernos, de causa desconhecida, há alguns anos que descobri que além de ser alérgica a uma pá de coisas legais, também sou alérgica ao stress, ou seja: não estou habilitada a viver em sociedade. Porque né? COMO É POSSÍVEL a pessoa com vida normal (= estudo, trabalho, whatevs) ficar longe do stress?! Não há como, gente. Então vocês já sabem: se me virem quieta num canto, com o semblante todo vermelho, cheia de urticária e com dificuldades de respirar, não é ataque cardíaco, não, não é drama, não é mimimi, é alergia ao stress. Cês já tão sabendo: todos me mandando energias muito positivas, só vibes supimpas, só alto astral, que é pra eu não ter de virar o Jimmy Bolha, hein.

Jimmy Bolha sou eu 

Existem as alergias menores também (grama, rinite, ácaros, pólen, calor, etc.), mas se eu começar a listar uma por uma aqui, ficará complicado e extenso demais este post já muito longo. 

O fato é que estou há cerca de 5 dias com uma alergia dozinfernos na pele em forma de urticária. Já revisei toda a minha lista de alergias e nada: não tô estressada, não tive contato com elementos que provocam crises alérgicas, tô bem tranquila, desprovida de muitos objetivos, apenas tentando fazer meus trabalhos, ler meus livrinhos, escrever no meu blog e namorar em paz. Só. Mas essa crise alérgica tá me incomodando tanto que cheguei a ponto de ir ao médico. PRA QUÊ? Sério, eu realmente não sei por que ainda insisto em ir a médicos. Masoquismo? Vontade de ser aloprada por Murphy? Designação do roteirista da sitcom que é minha vida? Não sabemos. O fato é que cheguei lá (no alergologista) e o seguinte diálogo sucedeu-se: 

— Então, doutor, é o seguinte: tô cheia de uma alergia estranha na pele, especialmente nas pernas, e não faço ideia do que causou essa coisa chata e que coça horrores. ~mostrando as pernas~
— O que causou não é importante. 
— Como assim? 
— Sim, a causa não é importante, o importante é passar Hipoglós. 
— QUÊ?! 
— Hipoglós cura tudo isso, filha. Especialmente aquele de amêndoas. É uma maravilha. 
— O senhor tá de brincadeira comigo? 
— Não. Por quê? 
— Porque o senhor nem me examinou. Eu tô há dias com essa alergia dozinfernos, tá coçando horrores e o senhor, um alergologista, nem pra fazer um examezinho sequer. Nem perguntas o senhor fez. 
— Pra quê perguntar se eu já sei o que vai curar? 
— ?????????????????????? ~cara de ponto de interrogação~ 
— Todas essas alergias podem ser tratadas com Hipoglós. Se é bom pra bumbum de nenê, é bom pra tua perna também. 
— O senhor por acaso está trabalhando para a Hipoglós? Estamos em um tipo de gravação com câmera escondida para um pretenso comercial do creme? QUALÉ SEU OBJETIVO? 
— Isso aí provavelmente é do calor. É que nem bebê que quando começa o verão fica todo empipocado. Você tá assim porque tem pele sensível, não preciso avaliar nada pra saber. 
— Claro. Pra quê avaliar quando se tem o olho clínico, não é mesmo? Exame de sangue, essa mera sugestão da medicina. 
— Vejo que tu és muito estressada. Provavelmente essa alergia é causada pelo teu psicológico. 
— Valeu aí, doutor. Ao menos o senhor me deu mais uma história pra contar no blog. 

Porque né? Gente, me senti num tipo de câmera escondida da Hipoglós. Não é possível isso. 
Só de birra tô com as pernas tapadas de tanto creme também. E se não curar, tasco-lhe um tubo desse bendito creme na cabeça do alergologista, pra aprender a não bancar o babaca com as pessoas alérgicas deste mundo. 

Pó de Lua

Estava eu na casa da best quando sua mãe diz que:
— Mas Rafa, tu vai ir pra o banho logo agora que vou sair e vai deixar a Mi sozinha?
— Ah, depois de 8 anos de amizade ela tá acostumada, é de casa.
— Mas tua amiga veio pra falar contigo, não pra olhar pras paredes.
— Não tem problema.


E Rafa certíssima estava, é claro, porque não tem problema mesmo, afinal ela a recém havia recebido 4 livros do Submarino e eu, que sou a crazy book lady, não perdi tempo e já me agarrei num deles enquanto ela estava no banho. Foi assim que conheci Pó de Lua, um livro lindinho, pequeno, com um cheiro gostoso (sim), escrito/desenhado pela Clarice Freire, que começou a "escrevê-lo" em 2011, numa página de fb. É algo mega fofo? É. Dá vontade de fotografar o livro inteiro. Perfeito para ser lido durante intervalos pequenos (como a hora do banho dazamigas, risos) e ser relido sempre que der vontade.


São versinhos, poesias, brincadeiras com palavras, desenhos feitos com lápis (quer dizer, não pesquisei a fundo para saber, estou apenas escrevendo minhas impressões, mas as ilustrações realmente não parecem ter sido feitas em pc) e inspiração pra caramba. Não há como ler esse livro sem sentir-se inspirada e começar a refletir sobre a vida.

Tá aí uma leitura que indico a todos, de quaisquer idades. Só espero que vocês consigam conter a
vontade de fotografar o livro inteiro. Não façam como eu, hein. Até porque tive de me conter bastante para não postar trocentas fotos aqui, porque né? Se sair postando fotos do livro inteiro, quem irá atrás dele nas livrarias? Bora valorizar a arte nacional, gente!  

Anacronismo sincronizado

Três da tarde, a hora terça
Vinda de um submundo atônito
Em uma quarta, quinta, sexta
Por um mundo de pesar crônico.

Olho as horas, tão depressa
Correm do morro, da colina densa
Está tarde, o grito expressa
E eu ainda aqui tão tensa.

A vida passa, de nada adianta
A célebre valsa, a música santa
De nada adianta, assim repete
Nada adiantará dançar essa dança.

O sangue escoa pelo ladrilho
A música toca, recolhem-se espinhos
A rosa que outrora tão branca e pálida
Já desfez-se em vermelho-vivo.

Cinco da tarde, a hora chegou
Tão esperada a querida sombria
Que de leve, aqui, pousou
E levou-me para um mundo de neblina.
 
Wink .187 tons de frio.