5 pratos para quebrar em 2014

Se há um ano do qual não sentirei falta, este ano é 2014.
Que ano desgraçado. Que ano FUÉN. 
Eu poderia fazer uma lista quase infinita de pratos quebrados neste ano terrível, mas acho que consigo fazer um top 5 aqui.



1. Largar mão de ser otária. 
Se tem uma coisa que eu fui este ano é otária. MERMÃO, COMO ISSO OCORREU? Jamais saberemos porque nunca mais perguntaremos. Mas fui otária em níveis lindos e, olha, não direi que não mais serei na vida porque né, a gente sabe que as coisas não funcionam dessa forma. Mas posso dizer que certamente tô mais esperta, tô com mestrado e doutorado em percepção de gente escrota. Ou seja: desculpaí, gente boa, mas 'cês não me enganam mais. Aprendi com os melhores. ♥ 

2. Cabô o mimimi. 
Porque a vida pode ser resumida de formas bem simples: não deu? Ou é porque não teve como, a situação realmente era inviável, ou é porque alguém (você, eu ou Mr. Darcy montado em seu cavalo branco) não quis. E não somos vampiros de séries televisivas para hipnotizar pessoas por meio de olhares e fazê-las mudarem de vontades, projetos, sentimentos, whatever. O jeito é parar de mimimi e seguir em frente que a vida é assim mesmo e quem parado fica acaba com cara de David Tennant na chuva.

3. Silêncio.
Já diz em Doctor Who: "Silence will fall when the question is asked." Mas não, chega, não pode ser assim. Porque em 2014 eu me tornei uma pessoa muito silenciosa. Quer dizer, em termos. Só falo bobagens, mas evito assuntos importantes. Evito confrontos. Fiquei "whatever" demais e isso só me trouxe dores de estômago e urticária de tanta coisa reprimida. No more silence.

4. Praticar o desapego.
Eu poderia culpar minha lua em câncer, poderia culpar a criação que tive, poderia culpar os filmes da Disney, mas a culpa é toda minha se eu me permito apegar a coisas/pessoas/situações bizarras e nada saudáveis para mim. O apego tem de morrer (ao ser partido em trocentos pedacinhos).

5. Desleixo.
Comigo mesma, principalmente. Não sei precisar quando me tornei essa pessoa que não dá muita bola para si mesma, mas foi um caminho longo que culminou numa breve deprê, em textos clichês e em muito mimimi desnecessário. Precisa? Não precisa. Bora me cuidar mais, cuidar mais de minhas coisas, meu corpo, meus interesses e mandar o resto do mundo (ou quase) pra o inferno, que é onde pertencem.
Esse post foi um oferecimento Rotaroots, um grupo de blogueiros com propósito mais old school e voltado para conteúdo de qualidade. Conheça o grupo no facebook e o site.

O despertar (Diários do vampiro - 1)

Há muito tempo comecei a assistir uma série chamada The Vampire Diaries que contava a história nada crepuscular de um triângulo amoroso formado por dois vampiros irmãos e uma garota de uns 17 anos (e virei #TEAMDAMON4EVER ♥). Mas somente no início deste ano descobri que a série é baseada nos livros da L.J. Smith e apenas agora decidi lê-los (férias literárias ♥). Foi assim que li em apenas 3 horas o primeiro livro da série Diários do Vampiro, ou seja, O Despertar.

Pois bem. O livro conta a história de Elena, uma garota mega popular, "rainha" da escola (tipo Blair Waldorf dos pobres/classe média) que recentemente perdeu seus pais e agora mora com a tia e sua irmãzinha. Como garota poderosa e decidida que é, assim que avista Stefan no primeiro dia de aula, saindo de seu carro, ela decide que o terá e bola planos para tal. Porém, em determinado momento, ela descobre que ele é um vampiro que nasceu na Renascença, no século XV, e as coisas começam a ficar peculiares demais. E se eu contar mais do que isso, estarei dando muitos spoilers, mas devo dizer que: bem melhor do que a série, hein gente. Bem melhor. Não que comparar livro e série seja justo, a gente sabe que praticamente nunca é. Mas nesse caso... a série é boa. O livro é ainda melhor. OU SEJA. 

Mas minha reação básica ao terminar o primeiro livro foi:


"Mas ele é tão ruim assim, Mia?" Muito pelo contrário. É um livro excelente, L.J. Smith merece meus sinceros parabéns por saber envolver tão bem o leitor. Porém, o livro simplesmente termina na melhor parte, no meio de uma frase. NO MEIO DE UMA MALDITA FRASE!!!! E okay, tudo bem, eu tenho os outros livros da série aqui em casa, posso simplesmente ir até a estante e continuar a leitura, mas se você quiser iniciar a leitura da série recomendo que adquira todos os livros antes, porque assim que iniciá-la não quererá interromper o fluxo. 

O interessante nesse livro é que quem assistiu a série espera encontrar uma Elena mimimi, numa vibe Bella Swan, mas se depara com Regina George (até a descrição física é parecida: loira, magra e poderosa), uma garota altamente manipuladora que conhece seu poder e faz uso dele sem nem pensar duas vezes. O que é ótimo! No more mimimi. Stefan também é relativamente diferente do da série, já que ele não é o cara que vai atrás de Elena: ele é a caça agora. (Adorei isso!) "E o Damon, Mia?!" Ainda não deu tempo de gamar no Damon dos livros, visto que nesse primeiro ele aparece pouco, mas posso dizer que, já numa primeira leitura, ele combina mais com Elena do que o bobão do Stefan. 

As outras personagens também são bem diferentes das da série: Bonnie, Caroline e Meredith, por exemplo. Há mais clima de colegial do que aquele clima meio deprê que quem acompanha TVD conhece muito bem. Não há o Jeremy, grazadeus, que ninguém suporta aquele moleque chato. E há quotes sensacionais, como este: 

Se eu soubesse que tudo ia ficar bem no final, não me importaria em nada com o que acontece agora. Mas é horrível passar um dia depois do outro sem ter certeza de nada. 

É um livro bom? É. 
É um livro must-read? Não. 
Vale 5 estrelinhas? Olha, eu dei 4 e já tá de bom tamanho. Isso porque as coisas acontecem rápido demais. QUEM DIZ "EU TE AMO" NO SEGUNDO DIA DE NAMORO, MELDELS?! Quer dizer, deve haver pessoas que dizem, mas eu acho estranho, suspeito, corrido demais. Porém, relevando esses pequenos detalhes, o livro é bom, sim, dá vontade de continuar a leitura e nem enche o saco como Twilight (sorry, fãs crepusculares que aqui habitam, nada contra a saga, inclusive tenho os livros, assisti todos os filmes, blablabla; mas que aquilo é um mimimi sem fim, é, e isso cansa pra caramba). 

Se recomendo a leitura? Olha, se fizer seu gênero, sim. Mas se você gostar mais de uma literatura profunda e reflexiva, não. Eu leio de tudo um pouco e para mim foi uma boa leitura. Mas gosto literário (musical, culinário, whatever) é algo extremamente subjetivo. Ou seja: tente, mas não me culpe depois se achar uma perda de tempo. 

Em um quote: 
Morrerei antes de tocar nela, pensou ele, fazendo um juramento para si mesmo. Antes de perfurar suas veias, eu morrerei de sede. E juro que ela jamais saberá de meu segredo. Ela jamais terá de abrir mão do sol por minha causa. 

Um dia

Ou: o livro que acabou com meus post-its.

Um dia, o maravilhoso livro escrito por David Nicholls, quebrou meu coraçãozinho de tantas formas e em tantos pedaços que até agora não sei como lidar com esse sentimento de reconhecer-se num personagem a tal ponto que coloquei TRINTA E DOIS (32) post-its nele.

Eu meio que já sabia qual seria a história contada no livro porque havia visto o filme há muito tempo, mas tinha esperanças de que o roteirista/diretor/whatever tivesse deixado o filme mais dramático por conta própria e que o livro fosse mais ameno e feliz. Quem dera. Porém, a grande lição do livro é que a vida não é feliz. Há momentos felizes, sim, mas no geral a vida é um grande lixo que você tem de reciclar se quiser continuar socialmente aceitável.

...Mas ainda acho que você devia sair de lá porque, apesar de ser bom para fazer piadas, definitivamente faz mal a sua alma. Você não pode jogar fora anos da sua vida para não perder a piada.

O livro fala basicamente de Emma e Dexter e de como suas vidas correram num espaço de 20 anos. Emma, uma garota de 22 anos recém-formada em Inglês e Dexter, um rapaz de 24 anos também recém-formado, mas em Antropologia, conhecem-se na festa de formatura da faculdade e ali começa uma amizade que duraria a vida inteira. Ambos seguem caminhos bem diferentes, mas sempre dão um jeito de se falaram, seja por cartas, por encontros casuais ou por longos telefonemas noturnos.

E por que esse livro quebrou meu coraçãozinho?
PORQUE EMMA SOU EU.

Sério, gente. Pensem numa personagem na qual vocês se reconheceram. Pensaram? Então. Eu me vi descrita a cada linha que o autor escreveu a respeito de Emma Morley. Dois de seus livros preferidos são também os meus livros preferidos (A insustentável leveza do ser e O morro dos ventos uivantes), a descrição física é parecida, sua forma de lidar com as coisas, com a vida, com as pessoas... tudo é muito eu. E isso é triste porque esse não é um livro feliz, é um livro sobre a vida real. 

Algumas vezes, muito ocasionalmente, Emma se sente em pânico e quase não consegue respirar com a solidão. Uma ou duas vezes se surpreende tirando o telefone do gancho para verificar se está funcionando. Às vezes pensa como seria bom ser despertada por um telefonema no meio da noite: "Pegue um táxi agora mesmo", ou "preciso encontrar com você, nós precisamos conversar". Mas na maior parte do tempo se sente como uma personagem de um romance de Muriel Spark — independente, aficionada por livros, inteligente e secretamente romântica.

Nunca fui fã de romances, por isso mesmo demorei a ler este livro. Detesto drama do tipo Nicholas Sparks, não consigo suportar fórmulas clichês e finais felizes. Aliás, todos os meus livros favoritos têm finais agridoces, infelizes, reais. Esse não é diferente. Por isso mesmo gostei tanto de Um dia. Ele é real. As personagens são reais. Em e Dex não são mocinhos ou vilões, mas apenas duas pessoas vivendo suas vidas e tentando acertar de alguma forma, duas pessoas que tiveram a sorte de encontrar uma a outra para ter com quem conversar sempre que precisassem.

A cada 15 de julho, durante 20 anos, Nicholls nos conta um pedaço da história dos dois. Minha impressão ao ler este livro foi a de que ele é um O Grande Gatsby moderno: a história de um romance que é muito mais do que um romance, que envolve festas, envolve distrações demais (afinal, quem tem uma dor  ou  um vazio muito forte procura o máximo de distrações que puder), e coisas não resolvidas. Coisas inacabadas. Vidas inacabadas. Tudo acaba como começa: do mais absoluto nada.

Este livro tem um dos quotes mais heartbreakers de todos os livros que já li até hoje. Aliás, quem viu o filme deve saber bem do que estou falando e lembrará perfeitamente desta cena:


É um livro tão lindo, intenso e maravilhoso que literalmente não consegui largá-lo até ter finalizado a leitura. 410 páginas lidas em um dia (olha que coincidência, risos). Não posso ser objetiva nesta resenha porque este livro mexeu demais comigo. Só posso dizer que quero dar um abracinho no David Nicholls e agradecê-lo por ter escrito algo tão estupendo e que faz tanto sentido assim.

Resumindo minha sensação pós-leitura em um simples gif:


Se recomendo a leitura? Olha, se após todo este post, que é basicamente uma declaração de amor a este livro, você ainda não percebeu que ele está mais do que recomendado, está nas leituras obrigatórias da vida de qualquer cerumano que cruze comigo e que me peça sugestões, então você é muito desatento e não possui mais esperanças de ter uma boa percepção das coisas na vida.

Em um quote:
Ao mesmo tempo sentia um arrepio de ansiedade percorrendo seu corpo ao pensar no que estava por vir: uma vida adulta e independente. Mas ela não se sentia adulta. Não estava preparada, de jeito nenhum. Era como se um alarme de incêndio tivesse disparado de madrugada e ela se encontrasse no meio da rua com as roupas emboladas no braço. Se não tinha aprendido nada, o que iria fazer? Como preencheria os próximos dias? Não tinha a menor ideia. 

Frankenstein ou o Prometeu moderno

Então eu li Frankenstein.
E, resumindo o livro em uma palavra: mimimi.

Se eu detestei a obra-prima de Mary Shelley tanto assim? Claro que não. Porém, fiquei levemente incomodada com a quantidade de drama que nela contém. Tive de pesquisar a vida da escritora para entender o porquê de tanto mimimi. Quer dizer, parecia um dos meus diários adolescentes repletos de divagações acerca de assuntos repetitivos e tão relevantes quanto a grade televisiva brasileira. OU SEJA. Até que encontrei o mapa astral dela, e tudo fez sentido. (Adoro quando as coisas fazem sentido. ♥) Mary Shelley tinha stellium (conglomerado de planetas num só signo) em Câncer. O que significa que: rainha do mimimi, ela. Perdi meu posto, inclusive. Ó que legal.

O grande problema é que somos acostumados, desde a infância, a ouvir a assustadora história de Frankenstein, o monstro criado em laboratório que sai matando pessoas, e... Essa não é a história. A verdadeira história (se bem que "verdadeiro" é um termo muito ambíguo, ainda mais se tratando de histórias fictícias, porque cada conto aumenta um ponto, já dizia a poeta) é a seguinte: Victor Frankenstein, após cinquenta páginas de detalhes acerca de seu crescimento feliz num local longínquo, decide iniciar seus estudos metafísicos, científicos e afins (lembrando que na época as coisas eram bem misturadas e não havia tanta divisão nas áreas de conhecimento quanto temos hoje). Nesses estudos ele lê coisas interessantíssimas sobre a busca pelo elixir da vida, pela pedra filosofal (alô, Harry Potter!) e fica entusiasmado para, ele próprio, fazer experimentos. Certo dia, após muitas tentativas falhas, ele finalmente consegue encher de vida um corpo inanimado que ele criou (lembrando que ele não pegou um corpo morto e fez uma ressuscitação básica; não, ele criou um novo ser e o inflou de vida, não sabemos como)!

Não darei spoilers aqui porque né, é uma obra interessante (se encarada como drama, não como terror) e não quero estragar a leitura de ninguém, porém a grande questão do livro é: o homem é realmente assim tão humano? O que é ser humano? Qual é o limiar entre uma coisa e outra?

Só não digo que é o livro mais mimimi que já li porque quem já leu Os sofrimentos do jovem Werther sabe muito bem que aquele ganha disparado de qualquer outro. Porém, esse mesmo livro é citado por um dos personagens na obra de Shelley, ou seja: a escritora bebeu na fonte de Goethe. Frankenstein, assim como Werther e Drácula, possui narrativa epistolar, o que significa que ele é uma grande carta (ou várias cartas reunidas em uma) que narram acontecimentos, o que era bem comum na escrita da época. É um livro lento, mas de leitura rápida, fácil, de simples compreensão. Mas, como eu disse: mantenha suas expectativas baixas e procure entender que é uma história antiga, possuidora de costumes antigos. Como eu sempre li clássicos (desde que aprendi a ler, basicamente), não tive problema algum com a linguagem ou as situações ali descritas. Mas pode ser que quem está familiarizado apenas com Y.A. e escritos do gênero sinta-se fatigado, entediado ou, até mesmo, irritado, com tal leitura.

Se recomendo-o? Sim, certamente. É um clássico que faz refletir e, como já cansei de dizer, livro bom - para mim - é livro que faz refletir.

Em um quote:
 "Ah! Nenhum mortal suportaria o horror daquele semblante. Uma múmia dotada de vida não seria tão medonha quanto aquele infeliz. Vira-o ainda inacabado; era feio, então, mas quando aqueles músculos e juntas tornaram-se capazes de se mover, ele se tornou uma coisa que nem mesmo Dante poderia ter concebido." 

A princesinha

Tenho uma queda por livros infantis.
Mais do que uma queda, eu diria. Uma verdadeira fascinação. Desde criança sou rata de biblioteca. E é verdade que minhas primeiras leituras foram clássicos da literatura universal (ou seja: livros mais adultos do que infantis). Porém, sempre li de tudo e não deixei, apesar dos anos acumulando-se, de lado meu amor pela literatura destinada aos pequenos, ao entretenimento e formação da criança.

Então é claro que não hesitei nem sequer um momento quando vi numa das prateleiras da biblioteca pública um exemplar de A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett. Acho que todos os winkers (leitores deste blog) têm mais ou menos a mesma idade que eu, ou seja: devem lembrar-se do filme que possui o mesmo título e tem por história uma menina que vive em um internato e passa maus bocados por lá.

Quando eu era pequena todos me diziam que eu era uma princesa e me tratavam como tal. Acreditei piamente nisso até meus onze anos. Cá entre nós, secretamente ainda finjo que sou uma princesa de contos de fadas porque isso, de fato, embeleza mesmo os momentos mais difíceis, mais terríveis. Lembro que a primeira vez em que assisti ao filme inspirado nesse livro tive um grande reconhecimento com a personagem principal, a princesa Sara. Porque ela também, apesar de não ser uma princesa por sangue, fingia e acreditava ser uma princesa para poder viver de forma mais esperançosa as adversidades que a vida lhe impôs. Claro que naquela época eu não fazia ideia que aquele filme incrível havia sido baseado num livro tão incrível quanto. Só fui saber disso há algumas semanas. Mas o fato é que a leitura do mesmo despertou coisas em mim que há muito estavam adormecidas por conta dos problemas cotidianos e desse tão atribulado 2014 (eita ano quebradiço!).

O livro é diferente do filme, mas diferente de uma forma maravilhosa. Poderia dizer até que é mais mágico. Li comentários de pessoas dizendo que detestaram-no porque o filme é melhor, blablabla whiskas sachê. E né, totalmente subjetivo isso. Em minha visão são histórias diferentes - com a mesma premissa, porém, diferentes - que complementam-se. Ambos são lindos e não há motivos para disputas.


Burnett conta a história de Sara Crewe, uma menina de 7 anos muito esquisita para sua idade, ou, como seu pai dizia: antiguinha. Ela é deixada num internato em Londres sob os cuidados de Miss Minchin porque seu pai precisa voltas à Índia por questões de trabalho. Porém, no seu aniversário de 11 anos uma tragédia acontece e ela passa a ser considerada uma mendiga vivendo de favor no internato. Miss Minchin (aquela mulher insuportável) a maltrata de todas as formas possíveis que uma criança poderia ser maltratada. E se eu contar mais do que isso estarei dando enormes spoilers, afinal aqui livro e filme separam-se e seguem trajetórias bem diferentes.

Se a natureza faz uma pessoa ser generosa, é como se as mãos dela nascessem abertas, e o coração também. E mesmo que haja ocasiões em que as mãos estão vazias, o coração está sempre cheio, e é possível dar o que está lá dentro. Coisas boas, amáveis e doces, ajuda, consolo, risos. E muitas vezes, a melhor ajuda de todas é uma boa gargalhada.

O elemento mais lindo na história é a forma com que Sara usa sua imaginação para lidar com seus problemas cotidianos. A imaginação é algo maravilhoso, especialmente a infantil, mas é interessante perceber isso nela mesmo enquanto crescida (ao final do livro ela já é uma adolescente). É mágico.

— Eu também não sou muito de responder — dizia Sara, para se consolar. — Se eu puder evitar, não respondo. Quando estão insultando a gente, a melhor responda é não dar uma palavra, só olhar e pensar. Miss Minchin quase desmaia de raiva quando eu faço isso. Miss Amelia fica com medo e as meninas também. Quando a gente não perde a calma, as pessoas sabem que a gente é mais forte que elas, porque consegue se controlar e elas ficam dizendo coisas estúpidas, de que depois se arrependem. Não existe nada tão forte como a raiva — a não ser o que faz você controlar a raiva, que é mais forte. É muito bom não responder nunca aos inimigos. Eu quase nunca respondo.

É um livro lindo possuidor de ótimas críticas sociais que tanto crianças quanto adultos podem perceber de forma clara. Nunca havia lido nada da autora, mas amei cada página virada. É aquele tipo de leitura que recomendo a todos de olhos fechados. Não é necessário ser criança para se encantar com a história da princesinha Sara, de como ela suportou com dignidade suas aflições e de como não deixou-se levar por acontecimentos bons ou maus, mas sempre manteve um caráter irrepreensível. Mais do que um livro, é uma lição de vida.

Em um quote:  
— Seja o que for — pensou — uma coisa não se altera. se eu for uma princesa esfarrapada, posso ser uma princesa por dentro. Seria fácil ser princesa vestida de ouro, mas é um triunfo muito maior ser uma princesa o tempo todo, sem ninguém saber. Quando Maria Antonieta estava na prisão, tinha perdido o trono, ficara de cabelo branco e só tinha um camisolão branco para vestir, todos a insultavam, mas ela era muito mais rainha do que quando tinha tudo. Pelo menos, para mim. As multidões que gritavam não a assustaram. Ela era mais forte do que eles, mesmo quando lhe cortaram a cabeça.

O assassinato de Roger Ackroyd

Há algumas semanas estava eu em meu curso quando uma de minhas colegas aproximou-se e disse: — Mia, tenho algo pra ti.
— Oi, Sílvia! O que é?
— Então, como ontem você tava dizendo que nunca leu um livro da Agatha Christie, aqui está o melhor livro dela. Se você ler esse e ainda assim não gostar, pode desistir da autora de vez, porque essa é a obra prima dela.
— Nossa! Wow. Obrigada, lerei-o assim que finalizar a leitura atual.

E foi assim que adentrei no mundo misterioso de Agatha Christie.
Sim, em todos os meus anos de leitura nunca havia lido um livro dela até então. Por quê? Não faço ideia. Tenho três livros dela aqui em casa, mas eles simplesmente nunca haviam me chamado. Porém, já que minha querida colega lembrou-se de mim e emprestou-me o tal livro, fiz questão de lê-lo, é claro.

E não é que gostei?!

Não posso dizer que o livro entrou como um dos meus favoritos da vida. Estava mentindo descaradamente se o dissesse. Mas posso dizer, como toda a certeza, que ele é surpreendente. A premissa é bem simples: O assassinato de Roger Ackroyd, um (ou o) dos membros mais célebres da cidadezinha em que se passa o romance.

Agatha criou um narrador-personagem, Dr. Sheppard, o médico da cidade e amigo pessoal do morto, que descreve tudo minuciosamente, especialmente as partes em que Poirot, o detetive, investiga. Ah, sim, pude conhecer o famoso Poirot de que tanto havia ouvido falar. E, cá entre nós: quanta presunção. Prefiro Sherlock Holmes. Mas até aqui novidade alguma, não é mesmo?

Se eu disser mais do que isso, darei grandes spoilers e o legal desse livro é justamente não saber praticamente nada sobre a história. Ou seja: calar-me-ei por aqui. Apenas direi que: que final, senhores, que final. Custei a acreditar no final.

Em um quote: "É singular que, quando temos uma crença secreta que não desejamos comunicar a ninguém, ouvi-la expressa por uma outra pessoa nos leve a contradizê-la furiosamente." 

Se o recomendo? Claro que sim. Mas não procure nada sobre ele na internet, hein. Leia por contra própria e viva a magia de tentar desvendar um mistério intrincado e maravilhosamente simples ao mesmo tempo. 

Das transformações drásticas

Este é um post capilar, senhores.
Porque, vejam bem, eu sou aquariana. 'Cês já viram uma aquariana estável? Eu nunca vi. Ao menos em alguma área a pessoa aquariana será aloprada. Há quem troque de emprego com a mesma frequência com que troca de roupa. Há quem troque de namorados, amigos, vestuário, estilo musical, whatever, muitas vezes por ano.

Eu troco de cor de cabelo.

Cor, textura, comprimento, corte... Não consigo ficar muito tempo parada com a mesma aparência. Dá aflitivas agonias, risos. Mas este ano me superei. Este ano só não mudei mais por falta de tempo.

Iniciei o ano com lindos cabelos cor de Fanta laranja, compridos, ondulados e chamativos. "Mia, você tava ruiva!" MEU AMOR, isso não é ruivo, isso é Fanta laranja. Ruivo é outra coisa. Nessa época eu estava usando a Beauty Color 7744, que é uma tinta acessível (ou seja: bom preço e fácil de ser achada em quaisquer lojas, ao menos aqui no Sul) e boa (cobre bem, hidrata e dura bastante). Não havia descolorido o cabelo porque o medo de corte químico é maior, sempre foi e talvez sempre será. "Mas como pegou esse tom laranjinha sem descoloração?" Porque meu cabelo é naturalmente claro, ué. E ao natural ele já puxa pra uma cor acobreada. Ou seja: não me é difícil deixá-lo claro. O difícil é escurecê-lo. Mas enfim.

Depois, lá por Maio, misturei a 7744 com a 9.31, também da Beauty Color, que é o "Louro muito claro dourado acinzentado". E ocorreu que eu fiquei com a cor mais linda que já tive até hoje. Aquela cor tão linda que as pessoas me paravam na rua pra perguntar se era natural. Tava comprido, bonito, hidratado, com uma cor incrivelmente boa e uniforme e que combinou comigo de forma linda (porque era inverno; se verão fosse e eu estivesse bronzeada, ficaria a visão do demônio, mas relevemos). Novamente, não descolori em nada, apenas fiz a misturinha de colorações e apliquei em casa mesmo. Mesmo com o tamanho todo do meu cabelo não precisei usar mais do que um tubo de cada tinta. Ou seja: Beauty Color = ♥

Em Julho resolvi escurecer os fios e começar a deixá-los castanhos. Claro que não deu muito certo na primeira tentativa até porque eu não tinha coragem de deixá-lo castanho de vez, queria ir escurecendo aos poucos. Dá pra ver que a raiz estava mais acastanhada, mas o comprimento ficou num tom de vermelho alaranjado intenso. Usei o 6646 e, como não havia feito descoloração nem nada do tipo, ele escureceu, mas não muito. Apenas ficou com uma cor... chamativa as hell. Que não durou muito, por sinal.

Porque em seguida eu apliquei uma outra coloração da Beauty Color 420, o "Violeta intenso". Minha ideia original era usar um preto azulado, porém ao ver esse roxo escurão, fechado, apaixonei-me e decidi que seria meu. Amei o resultado. Ficou bonito, hidratado, escurão, mas ao sol (e na foto, por conta do flash) dava pra ver os reflexos roxos.

Porém... não durou muito. E creio que isso foi culpa minha mesmo, não da coloração em si. Porque meu cabelo é clarinho e estava com fundo alaranjado, ou seja: naturalmente meu cabelo já não segura muito cores escuras; com fundo alaranjado, menos ainda! Dentro de algumas semanas ele já havia desbotado para um castanho médio acobreado. E cada vez foi clareando mais, até chegar num ponto em que a coloração havia desbotado completamente e ele ficou na cor natural... um castanho clarinho com pontas acobreadas. Que tava lindo, por sinal.

Até que deu a louca (na cabeleireira) e cortei as madeixas.
Assim, do nada, porque essa é a dinâmica da vida da pessoa aquariana: as coisas acontecem porque sim, porque deu vontade. Não passei tintura nenhuma, decidi que deixaria o cabelo "respirar" um pouco (afinal, desde o início de 2013 que tinjo as madeixas). E fiquei castanha, normalzinha, com cabelo de Branca de Neve. Tava bonito, tava tranquila em não chamar mais tanta atenção na multidão... Até ontem.

Porque ontem deu a louca novamente.

Aliás, acho até que demorou muito. Afinal, tava desde Agosto sem tingir o cabelo, desde outubro com o mesmo corte e o castanho clarinho (que acabou ficando mais clarinho ainda do que na foto, não sei como, coisa mais esquisita).

Ontem desci do ônibus após a prova de Estatística e Probabilidade (tristeza da minha existência) decidida a mudar o visual. Pensei em loiro, mas ficaria esquisita, ainda mais agora, verão, brozeada. Naquela indecisão toda, parei numa loja de produtos de beleza e fui consultar o catálogo. Foi quando eu o vi. "Violet fantasy" era seu nome. Foi amor à primeira vista. E o trouxe para casa comigo.

Em casa chamei a cunhada e preparamos uma misturinha de pó descolorante azul, da Yamá, com água oxigenada cremosa volume 30. E aí, após a tão temida descoloração, tive a certeza de que não nasci para ser loira; risos. Mas logo em seguida veio a maravilhosa coloração da Sailon Line que, na verdade, é um tonalizante da linha Fun (com cheirinho de amor, coisa mais linda).

Foi de fácil aplicação. A bisnaga de 100g deu para o cabelo todo. Manchou? CLARO QUE SIM. Mas a gente disfarça que são apenas luzes loiras, risos. Ninguém precisa saber. Eu amei. Ficou do jeito que eu queria. Claro que a foto não está fiel a realidade, porque foi tirada à noite, dentro de casa, blablabla. Porém, ele tá bem mais aberto do que isso. Acho que dá para ter uma noção mais exata pela raiz:

Ele não ficou quebrado, elástico nem nada do tipo. A descoloração deixou-o bem ressecado, claro, porém o tonalizante fez a vez da hidratação e nem precisei fazer touca térmica após o enxague e a secagem (que era o que pretendia fazer). Tá bonito, hidratado e, como dá pra perceber na foto, com pequenas mechas em tom caramelo, mas eu não esperava ficar com o cabelo uniforme mesmo, ainda mais na primeira aplicação e até achei que isso deu um toque charmoso ao visual. 


Eu gostei pra caramba. 
E só digo uma coisa: o próximo será verde. 
 
Wink .187 tons de frio.