Inferno astral 2.1

Vinte e um anos na cara e ainda estou tentando entender. Simplesmente entender.

Neste aniversário de vinte e um anos teve:
• surtos;
• um banho de guaraná, só porque uma garrafa de Fruki (tinha de ser Fruki, né, não podia ser Antarctica; até Kuat seria mais digno, mas tudo bem) decidiu que seria muito supimpa explodir na minha cara;
• as pessoas recusando-se a me chamar pelo nome e chamando-me pela alcunha de "ruivinha" (ODEIO que me chamem assim, até porque só estou com o cabelo """"ruivo"""" por conta do fato de que fui praticamente obrigada a passar uma tinta vermelha - que ficou cobre - para cobrir o tom de verde neon - que virou loiro platinado - do meu lindo cabelinho, ou seja: FUÉN);
• entrega de documentações na faculdade: 5 horas entregando documentos, conferindo documentos, querendo morder as pessoas que perguntavam por mais documentos;
• releitura de As Brumas de Avalon;
• batata-frita;
• apenas um dos meus 4 irmãos me parabenizando por minha incrível façanha de completar mais um aniversário.

Resumindo:

Da efemeridade da vida

Minha avó morreu.
E algumas pessoas podem dizer que é meio incoerente eu escrever um texto sobre isso já que nos últimos anos não tivemos muito contato. Mas eu realmente gostava dela. Eu não gosto de muitas pessoas (quase ninguém, na verdade), mas eu amava minha avó. Ainda guardo as bonecas que ela me deu na infância, assim como boas memórias de bolachas de Natal e de vestidos de crochê que ela fazia para minhas bonecas (e, claro, eu nunca disse a ela que tenho horror a bonecas, para não magoá-la).

A última coisa que ela me disse foi que meu cabelo estava horroroso e que, quando jovem, também havia deixado alguém cortar seu cabelo, que era enorme como o meu antigamente, e havia ficado como eu. E fez piada por eu namorar um rapaz tão alto assim (apesar de dizer que o achava muito bonito e que combina comigo, dando sua bênção). Ela estava morrendo em cima de uma cama e ainda tinha bom humor para fazer piadas. Esse é o tipo de pessoa que minha avó era: alguém de bem com a vida, apesar dos pesares. E esse é o tipo de pessoa que eu sempre quis ser, mas nunca consegui, porque esse é um tipo único de pessoa que não aparece muito na Terra.

O que me consola é que ela era espírita e, portanto, deve estar em um lugar tranquilo, afinal ela era uma ótima pessoa e certamente tem amigos no mundo espiritual que devem estar recebendo-a com muito carinho, tenho certeza.

A última vez que ela veio aqui em casa foi há um ano, no meu aniversário passado. Após isso ela não pôde mais vir, já que a doença a impossibilitou de caminhar pelos cantos sem passar mal. Apesar de seus trocentos netos/bisnetos, ela nunca esqueceu de um aniversário meu e isso me diz mais do que a convivência que não pude ter nos últimos anos com ela. Nesse dia ela tirou a única foto que tenho com ela, a única que restou, ao menos.

É ridículo pensar que estou escrevendo um texto sobre minha avó que ela nunca lerá, mais ridículo ainda pensar que talvez outras pessoas fiquem tristes por eu estar triste ou talvez pensem que eu tenho a necessidade absurda de compartilhar cada momento de minha vida, inclusive um que não me pertence. Mas não. Esse texto é apenas um lembrete de que uma pessoa incrivelmente querida, bem humorada e boa partiu deste mundo. Se eu, que escrevo sobre qualquer bobagem, não escrevesse sobre alguém tão importante assim, nunca me perdoaria. Ela foi um ser humano que sofreu muito (MUITO), mas possuía uma qualidade que espero ter aprendido a ter: resiliência.

É uma pena que vocês não tenham-na conhecido.

Coisas que me fazem ficar feliz


1. Rodízios.
Nem importa de quê. Pizza. Carne. Sorvete. Pipoca. O importante é que haja comida em abundância. Porque comida em abundância me deixa contente, me deixa feliz, apesar de me deixar extremamente confusa, afinal, quanto mais opções mais confusa eu fico. Que nem a história da vez em que fui tomar salada de frutas com sorvete: havia trinta sabores de sorvete para escolher, mas a anta aqui escolheu o mais sem graça de todos: creme. Simplesmente porque quando me dão muitas opções me dá um branco e eu fico sem saber o que dizer e apenas aponto para a primeira coisa à minha frente (ou para a coisa mais familiar). Não sei lidar com opções demais, risos.

2. Livrarias ou bibliotecas.
Eu tenho de estar MUITO triste (ou braba) pra não ficar feliz numa livraria ou numa biblioteca, porque olha... Não é à toa que eu tô cursando um técnico em Biblioteconomia. Livros são amooooooooor, literatura é o grande amor da minha vida, como todos sabemos, e não há quase nenhuma possibilidade de eu não me animar na presença de livros. ♥

3. Regina Spektor, Ida Maria e o álbum Revolver, dos Beatles.
Vocês vão me perguntar o porquê e eu direi que não faço a mínima ideia. Quer dizer, todos os três possuem músicas (em geral) bem deprês. Uma vibe "tirar sarro da situação". Sempre que tô naquele tédio, ostentando um espetacular olhar bovino, coloco uma dessas lindas (ou desses não-tão-lindos) para tocar e fico feliz, fico melhor, fico animadinha.

4. Cozinhar.
É terapêutico. Especialmente cozinhar doces. Gente, eu nem gosto muito de comer doces. Porque eu tenho essa coisa de não achar sentido em sobremesas, sabe. Afinal, sempre que como sobremesa após o almoço ou jantar, tenho necessidade de comer algo salgado em seguida porque, sei lá, não lido muito bem com gosto doce na boca, hahahaha.

5. Séries.
Não lido bem com finais. Não lido bem com nada que termine rapidamente, sem motivos. Ou seja: não lido bem com basicamente todo o universo. Por isso eu prefiro séries a filmes. Séries são amor. São anos acompanhando personagens, anos tendo sempre o mesmo entretenimento, aquela coisa estável, bonita, legal. E que, muitas vezes, dá um certo consolo. É o que sinto quando assisto HIMYM (How I Met Your Mother), por exemplo. Afinal: se Ted Mosby conseguiu, eu também consigo. É basicamente o lema da minha vida nos últimos anos e meu escape em dias extremamente tristes em que eu só quero deitar embaixo de um edredom e fingir que aquilo é a capa de invisibilidade do Harry Potter - nunca dá certo.

~Ted Mosby tem razão

A casa dos espíritos

É raro acontecer eu terminar uma leitura e ficar tão extasiada a ponto de mal encontrar palavras para descrevê-la. Com essa, foi assim.

Há muito tempo pegava e retirava A Casa dos Espíritos da prateleira da biblioteca da faculdade, sem nunca tê-lo levado para casa. Dia desses, assistindo a um episódio de Gilmore Girls em que Rory faz um comentário acerca do livro, lembrei-me e fui procurá-lo na biblioteca municipal. Sem ter ideia do que se tratava a história, encontrei-o na prateleira de livros espíritas e o trouxe para casa.

Devo dizer que há tempos não lia um livro tão incrivelmente real quanto esse.
Não fazia ideia do porquê do título, de quem é a autora ou se ele realmente era um livro espírita ou apenas de terror. Como não sou de pesquisar resenhas antes de ler o livro em si (e detesto spoilers, por sinal), me vi surpresa com a história que se desdobrava em minha frente.

Muitos escritores latinos têm a escrita emperrada, mas isso não acontece com Isabel Allende, cuja escrita é extremamente solta, fluída, limpa. Eu pude facilmente visualizar as cenas, diálogos, personagens, histórias que ela descreveu em seu primeiro romance. Pude sofrer com as personagens, entender mesmo os mais tiranos (afinal, sempre há um motivo) e encher o livro de post-its para registrar quotes inesquecíveis depois. Isso é realmente raro.

Allende nos presenteou com uma narrativa fantástica (inclusive, a escritora está no roll dos escritores de realismo fantástico) sobre a família Del Valle - Trueba no período que vai de 1905 a 1975. No livro não fica claro o lugar onde a narrativa se passa, mas para quem conhece um pouco de história latino-americana, é óbvio que o local é o Chile, durante a época da "democracia" que virou ditadura. Apesar de ser uma saga aparentemente familiar, certamente a obra não pode ser resumida apenas a isso. É um grito de liberdade, um relato feminista, socialista e extremamente íntimo, com personagens atípicos (como a moça dos cabelos naturalmente verdes e olhos amarelos), situações "anormais" (como a clarividência das personagens femininas aliada a objetos movendo-se apenas com o poder da mente) e brutalidade cruel.

Não há personagem principal assim como não há narrador permanente. Há apenas um fluxo de palavras muito bem construído que nos faz sentir parte da narrativa, como um observador silencioso, atemporal e anônimo.

Em um quote:
"Escrevo, ela escreveu, que a memória é frágil, o transcurso da uma vida é muito breve e tudo sucede tão depressa que não conseguimos ver a relação entre os acontecimentos, não podemos medir a consequência dos atos, acreditamos na ficção do tempo, no presente, no passado e no futuro, mas também pode ser que tudo aconteça simultaneamente."

Vale a pena ler? MAS É CLARO QUE SIM. Esse livro virou um dos meus preferidos da vida, tanto que já fiz releitura, ou seja. Me tornei fã da Allende, acabei pesquisando a história chilena, envolvi-me de tal forma que só posso dizer o seguinte: largue tudo o que está fazendo e vá ler esse livro incrível! ♥  

Versos enraizados de palavras silenciadas


vá. 
eu só quero ficar em casa 
um dia ou dois. 
lembrar que em mim existe 
um "quê" de atroz. 
fazer de conta que tudo 
ficou pra depois. 
que a vida, ela não 
virou feijão com arroz. 
só quero silêncio, um pouco de mim. 
não quero pensar 
que este é meu fim. 
sem retroceder 
sem vivenciar 
este sortilégio 
a lembrança que há. 
só quero respirar 
um ar de alecrim, 
abrir as janelas 
para o ar fluir. 
expirar a vontade 
de decapitar. 
inspirar a esperança 
de viver para amar. 
esquecer a distância 
de coisas tão simples. 
acreditar na constância 
da efemeridade que existe.

~e isso diz tudo~

01/52: para embalar começos e recomeços

A Vic, do blog Borboletando, propôs um desafio extremamente legal: ouvir (e escrever sobre) semanalmente um álbum diferente! Mas não apenas qualquer álbum, porém um que se enquadre com o tema semanal que ela propôs neste quadro maravilhoso aqui linkado.

Eu já tô participando de coisa demais, é verdade. Há a meta literária, a meta cinematográfica, o desafio das 52 semanas que tá abandonado há meses (que horror), mas eu não poderia deixar de participar desse simplesmente porque: é algo que eu já faço. Semanalmente escolho um álbum, coloco-no no celular e escuto-o durante todos os dias da semana, e isso já faz alguns meses. Tudo para sair da mesmice. Sempre se pode descobrir maravilhosas músicas novas através disso. Fora que: geralmente álbuns contam uma história. É raro ver um álbum cheio de músicas aleatórias: elas costumam ter motivo para estarem ali.

A diferença é que agora escreverei sobre ao invés de manter tudo para mim, risos.

Entonces, bora começar o 52 álbuns para ouvir em 2015 com o 1° item da lista: para embalar começos e recomeços.

E nada melhor para isso do que o novo álbum da Pitty: Setevidas. ♥
Quando eu vi que o tema da primeira semana era começos e recomeços, não consegui pensar em outro álbum que não esse por motivos de: além dessa ser a temática principal dele, há a música Serpente que basicamente só fala disso. Fora o fato de que ele foi lançado em 3 de junho, dias após eu ter passado por uma mudança drástica na minha vida. Esse é um álbum que eu ouvi direto no último semestre porque passei por tantas perdas e tive de mostrar resiliência, recomeçar tudo do zero. E Pitty falou exatamente isso sobre ele:
"É um disco muito doído. Mas um disco de resiliência também. Muita coisa morreu, muita coisa renasceu e esse processo é dolorido. Foram muitas situações de superação, pessoais e externas. Tem uma coisa de alquimia, de que, pra se transformar em ouro, tem que passar por outras fases. Mas é um dia de cada vez e tá todo mundo feliz e realizado em relação ao disco"
E, sabe, eu não fazia ideia do que Pitty havia escrito/falado sobre seu álbum. Comecei a escutá-lo porque uma das minhas amigas mais queridas (Lene ♥) é mega fã dela e eu tava numa fase de renovação: novas músicas, novos livros, novas roupas, nova vida. Tudo novo. Decidi incorporar Pitty a essa minha nova versão, ou, ao menos, tentar. Foi amor à primeira nota musical. ♥

Em Pouco, primeira música do álbum, eu já me senti traduzida e ela se tornou o hino dos meus dias "revoltados", aqueles dias em que eu não consigo encontrar palavras para expressar minha revolta, minha insatisfação, minha sensação de não pertencimento, de haver algo errado, de estar tentando encaixar um quadrado num círculo. (Quanto mais perto / Mais longe do certo / Corro nessa direção / Não espere que eu me contente com pouco / É pouco, é pouco, tão pouco / [...] / Dor exposta é pra doer / Tão mais fácil se entorpecer / Oscilando no eterno vir a ser / Resistindo a me dissolver)

E eu acho que essa música, especialmente, diz muito sobre o álbum. Apesar de Setevidas ser o carro-chefe, a letra de Pouco fala tanto, exprime aquele desejo intangível que temos dentro de nós de sermos mais do que aquilo que estamos sendo, aquela dúvida eterna de "estou fazendo o suficiente? estou sendo o suficiente?". É uma questão tão profunda que dói quando pensamos nela. (Sim, eu realmente amo essa música, risos.)


Depois temos a Deixa ela entrar, que é basicamente uma conversa consigo mesma, aqueles questionamentos que a gente faz antes de dormir, aquela coisa de "mermão, por que tô sendo tão otária e me importando com coisas que as pessoas já largaram de mão há tempos? bora viver e largar mão disso". É bem isso. Se dar uma chance. Logo em seguida vem Pequena morte que é, para bom entendedor, uma música sobre instintos sexuais. Aliás, esse disco todo tem uma pegada animal (no sentido literal da palavra), bem rock (mais adulto do que os anteriores da Pitty e, sim, eu ouvi todos os discos dela por conta desse, virei fã da mulher, mas como poderia ser o contrário, né mesmo?! ♥). É uma música extremamente sensual e que mostra um amadurecimento bonito de se ouvir, assim como Um Leão, que possui justamente a mesma vibe, porém com um pouco mais de sadomasoquismo do que a anterior. Passamos por Lado de lá, Olho calmo e Boca aberta ("Mia, não vai falar especificamente delas? São ruins?" São lindas, o álbum todo é lindo, não há músicas ruins, mas não sou crítica musical, tô apenas falando das que mais me marcaram, okay? Risos.) e por fim chegamos a A massa, minha música preferida do álbum. 

Licença, deixa eu pirar um pouquinho: QUE MÚSICA BOA, MELDELS, QUE INCRÍVEL, TODOS PRECISAM OUVI-LA, QUE CRÍTICA MARAVILHOSA, SOCORRO, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! 

Pronto. :) 

Voltando a ser "formal": A massa é uma música maravilhosa que faz uma linda crítica social e que, como a Pitty falou, tem uma batida mais dura, fazendo alusão ao filme Tempos Modernos, do Chaplin (aliás: jamais esquecerei esse filme; ano passado tive de fazer um trabalho sobre ele, quando tava cursando Pedagogia e, gente, que coisa mais linda, sério, eu fiquei completamente apaixonada e, claro, já havia percebido uma certa semelhança entre uma coisa e outra, entre a música e o filme, afinal, a temática é essa: padronização, sociedade padronizada, cada um no seu cantinho fazendo o que lhe foi determinado. Mas ao ler que dona Pitty disse que essa era mesmo a intenção, fiquei tão contente, sabe, porque ela foi MUITO feliz no resultado). 
Prestem atenção na letra, gente: A massa é feita pra saciar / A fome dos que a sabem modelar / Regurgitada pra lá e pra cá / Bota fermento nessa massa, deixa fermentar / Que a regra de ouro se faça / Massa sem adubo não há

OUÇAM-NA! o/ 

E finalmente chegamos à música que dá nome ao álbum: Setevidas
MELDELS, COMO EU CANTEI ESSA MÚSICA NO ÔNIBUS! Sim, sou dessas que cantam no ônibus, na rua, em casa, na fila do supermercado... Aprendam uma coisa sobre mim: se não tô lendo, tô cantando. É sempre assim. Às vezes, faço ambos ao mesmo tempo. 
Essa linda música fala sobre continuar. É um hino a resiliência. E faz alusão aos gatos, que têm sete vidas. Porque é assim que nossas vidas seguem: morremos e renascemos trocentas vezes dentro da mesma encarnação. Não sei dizer quantas vezes usei essa música pra me dar força durante os últimos meses. Ela é... profunda, sincera, crua, direta. Aqui dá pra ver que a Pitty passou por barras muito pesadas (e pelo que eu li dela, realmente, não foi nada fácil) mas que se focou em reviver, em recomeçar. E essa é a proposta do álbum dessa primeira semana, afinal de contas: para embalar começos e recomeços. Nada melhor do que Setevidas para tal. 

Cantem comigo: 
A postura é combativa / Ainda tô aqui viva / Um pouco mais triste / Mas muito mais forte / E agora que eu voltei / Quero ver me aguentar! / Só nos últimos cinco meses / Eu já morri umas quatro vezes / Ainda me restam três vidas / Pra gastar 


E, por fim, uma das músicas que eu mais amo na vida: Serpente
Gente, como exprimir meu amor por Serpente? Não faço a menor ideia. 
Pra começar, desde pequena, eu sempre fui apaixonada por serpentes. Fascinação mesmo. Não me perguntem o porquê, eu não faço ideia. Mas essa coisa delas se renovarem, de serem tão espertas, tão fascinantes... sempre me chamou atenção. Aí quando vi que o novo álbum da Pitty tinha uma música com esse nome meu coração disparou. Fui conferir, é claro. E olha: muito amor. ♥ 

É a música mais diferente do álbum. 
Tem uma vibe que lembra algo afro (mas não posso falar com propriedade aqui, afinal, não é minha área cultura), lembra uma certa magia também, afinal, serpentes eram comumente usadas em rituais de magia (o que é ilustrado no videoclipe). ♥ Acho que ela é o encerramento perfeito, afinal, termina o ciclo de renovação, como diz a própria letra: Chega dessa pele, é hora de trocar / Por baixo ainda é serpente e devora a cauda / Pra recomeçar 

~clipe maravilhoso ~

Este post ficou BEM maior do que eu esperava, mas é assim mesmo: todo mundo sabe que me empolgo escrevendo, risos. Ainda mais escrevendo sobre coisas de que gosto. 

Ficha técnica:
Setevidas - Pitty 
Melhor música: A Massa. 
Pior música (ou a menos boa): Olho calmo. 
Não deixe de ouvir: Pouco; Serpente; Setevidas. 
Por que você deveria ouvir? É Pitty, gente. Só isso já deveria dizer tudo. Sério mesmo: larga tudo de mão AGORA e vá ouvir esse álbum inteiro. Super vale a pena. 
Quantos corações esse álbum merece? ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 

E, só pra encerrar o post, uma citação da Pitty: 
"A maçã é o 'não-pode' da mulher. Tomo posse da minha maçã, para comê-la como e quando desejar, e me recuso a ser expulsa do paraíso por isso". 

Amor é prosa; sexo é poesia

E machismo é machismo. Esteja ele disfarçado sob qualquer capa.

“Amor é mulher; sexo é homem — o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo.” 

Arnaldo Jabor que me perdoe, mas isso é uma das coisas mais babacas que já li. Aliás, que me perdoe uma ova. Porque quem escreve algo assim não tem direito a um pedido de perdão, de desculpas, a um eufemismo como “o autor tem uma visão rústica e direitista acerca das vigências relacionadas à vida amorosa de seres humanos”. Quem escreve algo assim das duas, uma: ou é um grande babaca (também chamado de machista) ou está tentando ser uma versão piorada de Bukowski (outro grande babaca machista).

“Não. Aí eu não entro!”, gemia minha namorada. Eu tentava argumentos que iam de Sartre e Simone até a revolução. “Mas, meu bem... deixa de ser alienada... A sexualidade é um ato de liberdade contra a direita...” E ela: “Não entro! Isso seria também uma indisciplina pequeno-burguesa.”

Arnaldo Jabor, em seu livro de crônicas Amor é prosa; sexo é poesia, conta várias memórias de sua vida, especialmente as sexuais. E calhou que suas memórias sexuais denegrissem as mulheres. Calhou de ele contar abertamente que usava o mesmo recurso que ainda se vê nos dias atuais: um homem usando argumentos roubados de Simone e Sartre, para convencer uma mulher de que a sexualidade deveria ser livre e que ela deveria dormir com ele. 

E a sexualidade deveria ser livre? Sem dúvida alguma. 
Mas não dá nojo quando percebemos um homem usando de argumentos dos quais nele ele acredita, de ideais aos quais ele não segue, apenas para conseguir abaixar a calcinha de alguma mulher? Quão escroto, machista e incrivelmente nauseante é isso? 

Esse é simplesmente o livro mais machista que já li. 
"Mas, Mia, há partes legais?" CLARO que há partes legais, gente. Mesmo nos livros mais bobos, machistas etc a gente consegue achar algo legal. Há memórias do cara que são interessantes, há pensamentos que deixa a pessoa pensando "poxa vida, mas não é que é mesmo?!". Porém, infelizmente, a maior parte do livro é machismo puro. E é triste isso, porque é um autor brasileiro, sabe, que só tava contando coisas que viveu, assim como nossos avôs e pais viveram, já que provavelmente eles eram jovens na mesma época. E essa era a realidade da juventude, que hoje é a população adulta que há no Brasil. Mas não apenas a adulta como também a jovem, porque, convenhamos, os homens têm um certo código de conduta que seguem, geração após geração.

Ler esse livro é como entrar na cabeça de um homem.
E eu não gostei do que encontrei lá. 

Retrospectiva literária 2014

UPDATE: Este post era para ter sido publicado no último dia de 2014, mas descobri que a programação de postagens do blogger não vai muito com a minha cara, portanto apenas hoje pude, de fato, sentar e fazer a publicação. Mas é isso aí, o blog já começou 2015 com as postagens atrasadas, risos. Porém... eis a tão esperada retrospectiva literária de 2014, eeeeeeeh! \o/ 
A Angélica, do blog Pensamento Tangencial, faz anualmente uma retrospectiva literária, que consiste numa blogagem coletiva acerca dos livros lidos durante o ano. Este ano eu li mais de 100 livros (sim; como eu fiz isso? I have no idea, ou, como diria Chicó: "Não sei, só sei que foi assim.".) e uma retrospectiva assim, bem organizada como a dela, é uma ótima forma de encerrar esse ciclo livrístico de 2014. Bora! o/

A aventura que me tirou o fôlego:
A trilogia Fronteiras do Universo, do Philip Pullman ("A bússola de ouro", "A faca sutil" e "A luneta âmbar"). Li os três livros em uma semana e meia e, como as edições que li são da biblioteca, sofri muito ao devolvê-los, risos. Que livros maravilhosos! Pullman teceu uma aventura magnífica, de tirar o fôlego de qualquer pessoa que inicie tal leitura. Recomendadíssimo.

O terror que me deixou sem dormir:
Não posso citar outro (até porque não li muitos livros de terror em 2014) senão A estrada da noite, do Joe Hill. Não esperava tanto desse livro, devo dizer. Afinal, eu não sou o tipo de pessoa atraída pelo gênero terror/suspense (prefiro filmes de terror a livros). Mas esse é um livro realmente bom, surpreendente e que me fez ter tantos pesadelos que me livrei dele numa troca do Skoob, risos.

O suspense mais eletrizante:
Como já disse, não sou de ler muitos livros de terror ou suspense, e nem sei se esse realmente se encaixa no gênero, porém houve todo um suspense (ao menos, para mim) até chegar ao desfecho da história durante a leitura de Um estudo em vermelho, do Sir Arthur Conan Doyle. Sim, é o primeiro livro da série Sherlock Holmes. Sim, eu fiquei surpreendida pela história como um todo. É simplesmente incrível. Li numa sentada.

O romance que me fez suspirar:
Não posso colocar outro nesta categoria que não seja Amor além da vida, do Richard Matheson. Que romance maravilhoso! Suspirei, chorei, me vi na pele das personagens... A escrita de Matheson é envolvente, possibilitando ao leitor uma série de sensações quase indescritíveis. Certamente será uma das releituras para 2015.

A saga que me conquistou:
O diário da princesa, da Meg Cabot. Já conhecia a história (quem não?) da princesa Mia (que não sou eu),  uma  adolescente aloprada e metida a escritora que um dia descobre que, opa, sou princesa e se vê envolvida em coisas do mais absoluto nada sem o menor preparo. Li todos os livros entre Fevereiro e Março, simplesmente porque eu não conseguia parar de ler o diário da dona Mia. AMO/SOU Mia Thermopolis. ♥


O clássico que me marcou:
O amor nos tempos do cólera, do Gabriel García Márquez. Porque na época em que fiz tal leitura eu estava saindo de um relacionamento falido que me machucou muito, ou seja: calhou pra eu me tocar de que não quero acabar como o Florentino Ariza (jamais esquecerei os nomes das personagens desse livro) e seguir em frente. Funcionou. :)

O livro que me fez refletir:
Li muitos livros bons em 2014, que me proporcionaram reflexões maravilhosas. Mas acho que o que mais me fez parar tudo e pensar a respeito das coisas foi A redoma de vidro, da Sylvia Plath. Que livro intenso! Tive uma grande identificação com ele, o que não é nada saudável, e isso me fez avaliar meus caminhos porque something went wrong. Ele mostra claramente a tênue linha entre fazer piada de si mesmo e ter um transtorno de personalidade realmente.

O livro que me fez rir:
Poderia colocar vários aqui, porém o que mais me fez rir e interromper a leitura simplesmente porque eu não aguentava ler duas páginas sem começar a ter dores musculares por conta das risadas foi A mulher que escreveu a Bíblia, do Moacyr Scliar. QUE LIVRO MARAVILHOSAMENTE ENGRAÇADO, MELDELS! Sério: parem tudo o que estiverem fazendo e leiam-no. Agora! o/

O livro que me fez chorar:
Não sou muito de chorar em leituras, mas um que me deixou com um sentimento triste e fez com que algumas lágrimas escapassem foi o Violetas na janela, da Vera Lucia Marinzeck Carvalho, ditado pelo espírito da Patrícia. Não é um livro triste, longe disso. Eu é que sou bem sensível quanto a essa temática de morte e outras vidas, blablabla.

O livro de fantasia que me encantou:
Os livros da dona Marion Zimmer Bradley podem ser considerados como fantasia? Não sei, porque pra mim eles são mais romance histórico do que fantasia em si, mas acho que A Senhora de Avalon encaixa-se nessa categoria. Apenas direi uma coisa: gostei tanto que após a leitura (feita na biblioteca da faculdade) revirei todos os sebos até achar um exemplar para chamar de meu. Ou seja = ♥

O livro que me decepcionou:
E se fosse verdade..., do Marc Levy. QUE LIVRO HORRÍVEL! Minha vontade, ao terminar a leitura, foi de esganar seu autor. O filme é tão fofinho que pensei que o livro também o seria. Ledo engano... Mas ó, os roteiristas daquele filme tão de parabéns, hein.

O livro que me surpreendeu:
Poderia citar vários aqui, mas citarei o que mais mexeu comigo: A casa dos espíritos, da Isabel Allende. Foi o primeiro livro que li dessa escritora maravilhosa e posso dizer que foi uma leitura feita no momento certo. Recomendo-o fortemente a todos. ♥

O thriller psicológico que me arrepiou:
Não li nenhum?! hahahaha Se Morte Súbita encaixar-se na categoria, até poderia ser. Porém... não me arrepiou nem um pouco. Aliás, achei bem enjoativo. Hunfs.

O livro mais criativo:
Se eu responder qualquer outro livro nesta questão, estarei mentindo lindamente, porque olha... NÃO HÁ COMO algum livro superar no quesito criatividade a lindíssima história de Michael Ende em seu livro A história sem fim. O filme é bom? É. Marcou a infância de todos que nasceram entre os anos 80 e 90? Sim. Mas o livro é ainda melhor. Virei a noite lendo-o, a criatividade do autor transborda a cada página e... ai, bastou escrever isso para que me desse vontade de relê-lo. Aliás, meu aniversário tá chegando, se alguém quiser me presentear com ele não reclamarei, não, hein. ♥

O melhor HQ:
Não li HQs neste ano. :(

O infanto-juvenil que se superou:
O mágico de Oz, de Frank L. Baum. QUE LIVRO LIIIIIIIIIIINDO! ♥ E altamente reflexivo. É uma história infanto-juvenil que entretém crianças, blablabla, todo mundo entende... Mas também é uma crítica política. *BOOM* Adoro quando um escritor consegue fazer isso de forma tão sutil. Ganhou meu coração. E um lugar de favorito no meu Skoob.

O livro que mudou a minha forma de ver o mundo:
Essa questão eu achei meio "q?" porque, veja bem, todo livro muda nossa forma de ver o mundo. Nossa percepção é alterada a cada nova informação, experiência, que assimilamos. OU SEJA. Não saberia escolher um só.

A capa mais bonita:

O livro que li em um dia:
Vários! Leio extremamente rápido. Mas um dos que li em apenas um dia foi, curiosamente, o Um dia, do David Nicholls (aliás: melhor livrinho).

O primeiro livro que li no ano:
As cidades invisíveis, do Ítalo Calvino. Meio surrealista esse livro, hein. Tenho de relê-lo.

O último livro que terminei:
O confronto, da série Diários do Vampiro, da L.J. Smith. Terminei a leitura ontem, por sinal.

O livro que abandonei:
Marina, do Zafón. Não consegui lidar com aquele livrinho. Pensei que iria gostar, mas... ai, não. Não rolou comigo. :(

O livro que li por indicação:
Foi meu primeiro livro da Agatha Christie. O assassinato de Roger Ackroyd foi a única leitura que fiz por indicação no ano, e foi uma leitura bem interessante.

A frase que não saiu da minha cabeça:
"Não deveríamos viver como se o céu fosse mais importante do que esta vida, aqui neste mundo, porque o lugar onde estamos é sempre o lugar mais importante."

 — A luneta âmbar | Philip Pullman

O(a) personagem do ano:
Essa questão é muito, mas muito complicada! Porém, escolherei Kassandra, personagem principal de O incêndio de Troia, o melhor livro acerca da queda de Troia que já li; escrito pela Marion Zimmer Bradley. Kassandra, além de ser uma personagem extremamente forte, também é um símbolo feminista atemporal - ao menos na narrativa de Bradley. Personagem que virou inspiração para a vida. ♥

O casal perfeito:
Não teve. Não li livros tipicamente românticos em 2014 e todos os casais eram meio enviesados, risos.

O(a) autor(a) revelação:
Bem, não responderei como se fosse o autor revelação de 2014, até porque eu não li muitos lançamentos, mas responderei como se fosse do autor revelação EM MINHA VIDA, ou seja: os escritos de alguém de quem nunca havia lido coisa alguma, porém que me deixaram extasiada e encantada. E eu não poderia colocar outro autor que não fosse Isabel Allende. Li três livros dela no segundo semestre: A casa dos espíritos, Paula e De amor e de sombra, e só posso dizer uma coisa: quando crescer, quero ser Isabel Allende. ♥


O melhor livro nacional:
E agora terei de repetir a resposta, porque o mesmo livro que me fez chorar de rir é o livro que tornou-se o melhor (no quesito literatura nacional) que li em 2014: A mulher que escreveu a Bíblia, do Moacyr Scliar. Sério, eu quero ler toda a obra desse cara só por conta desse livro. Que livro GENIAL! Leitura mais do que recomendada.

O melhor livro que li em 2014:
Não. Não mesmo. De forma alguma. Não posso escolher apenas UM livro como sendo o melhor de 2014. Portanto, eis aqui a listinha de livros favoritados no ano: A menina que não sabia ler, do John Harding; Contato, do Carl Sagan; A redoma de vidro, da Sylvia Plath; Só o amor é real, do Brian Weiss; Amor além da vida, do Richard Matheson; Extraordinário, da R. J. Palacio; O mágico de Oz, do L. Frank Baum; A senhora de Avalon, da Marion Zimmer Bradley; A mulher que escreveu a Bíblia, do Moacyr Scliar; A casa dos espíritos, da Isabel Allende; A história sem fim, do Michael Ende; Enfrentando o fogo, da Nora Roberts; A princesinha, da Frances Hodgson Burnett; Paula, da Isabel Allende; Bonsai, do Alejandro Zambra; O incêndio de Troia, da Marion Zimmer Bradley; Claros sinais de loucura, da Karen Harrigton; a trilogia Fronteiras do Universo, do Philip Pullman; a saga d'Os Diários da Princesa, da Meg Cabot e Um dia, do David Nicholls.

Li em 2014 ....... livros.
Eu achei que tinham sido 104, mas não: foram 105 livros. CENTO E CINCO LIVROS. Agora, como eu consegui ler tudo isso fazendo faculdade e trabalhando, não faço a mínima ideia. Como diria Chicó: "Não sei, só sei que foi assim.".


Li em 2014 ....... páginas.
Não faço a menor ideia e sou uma negação em cálculos, portanto... Fuén.

Comprei em 2014 ....... livros.
Eu comprei muitos livros. MUITOS. Numa contagem rápida ao correr os olhos pela minha estante, foram 40 livros ao total, mas certamente foi mais do que isso. O entregador do Submarino já me conhece e não aguenta mais ver minha cara, risos.

~algumas comprinhas de agosto~

A minha meta literária para 2015 é:
Ler todos os livros que estão estacionados aqui em casa. Não tenho meta numérica, mas... sabe? Ler o que tenho, basicamente. Há MUITOS livros aqui que ainda não foram lidos e eu sou associada em umas três bibliotecas diferentes, ou seja: leio muita coisa fora de casa. Bora mudar um pouco isso.

E é isso, gente. Cabô 2014, olá 2015!
E que seja um ano supimpa para todos nós. o/