Resquício de fevereiro


sinto falta dos teus cílios 
pontos reluzentes no espaço 
que mal conseguem cobrir 
o verde transparente de regaço 
sinto falta das tuas mãos 
pequenas, grandes, juntas 
a dançarem por meu corpo 
traçando lentamente meus sinais 
sinto falta da tua respiração 
pesada, com cheiro de erva-mate 
um cheiro natural, de natureza 
um cheiro que odeio, e anelo 
sinto falta da tua fala 
macia, como a voz de um bem-te-vi 
suave, branda, morena 
clara, no jardim se fez ouvir 
sinto falta dos teus lábios 
quentes, pequenos, rubros 
que mal sabem abrir-se 
cujos pelos espetam minha língua 
sinto falta da tua púbis 
grande, peluda, esbranquiçada 
limpa, nada determinada 
que de tão envergonhada ainda não descobri 
sinto falta de ti 
porque sinto, porque sem ti até sorrio 
mas o sorriso não é o mesmo 
porque não o partilho contigo
"Fevrale dostat chernil i plakat,
Pisat O Fevrale navsnryd,
Poka grohochushaya slyakot
Vesnoyu charnoyu gorit."

"Fevereiro, leve embora as manchas e chore
Escreva sobre fevereiro em meus lamentos
Mas nesse momento, nevando e trovejando
Na negra Primavera isso queima

Feminista em construção

Eu já terminei namoro por conta do feminismo.

Estava aqui tentando lembrar quando foi que me tornei feminista. Quer dizer, eu não me considero uma GRANDE feminista. Ainda há muitas coisas que precisam ser mudadas para que eu chegue no estágio que almejo. Há muitas coisas que falo e logo em seguida me corrijo porque "não, isso não é verdade, estou apenas propagando o machismo". Acontece. Porque fomos criadas para isso. Mas estou aprendendo aos poucos. Baby steps.

Há uns 4 anos eu tinha esse namorado. Moço bonito, moço educado, moço "de família". Que um dia descobriu que eu lia o blog da Nádia Lapa, Cem Homens, onde ela contava, basicamente, suas aventuras sexuais, cujo propósito era pegar 100 homens em um ano. Lembro que lia esse blog quase que diariamente logo que o descobri e que minha iniciação no feminismo se deu através dele. Até ali eu não tinha muita noção das coisas. Mas meu namorado da época disse as seguintes palavras: "quem lê esse tipo de blog é tão vadia e vulgar quanto a mulher que o escreve".

Terminei na hora.

Porque eu não sou vadia. Muito menos vulgar. E, sinceramente, não acho que a Nádia Lapa o seja. Ela resolveu dormir com vários caras, mas e daí? Isso a torna vadia? Isso a torna vulgar? Não. Isso apenas faz com que ela seja uma mulher com uma sexualidade desperta. "Mas pra ter uma sexualidade desperta não precisa transar com todo mundo." Verdade. Mas cada um faz o que quiser, ué.

E o que é ser vadia, afinal? Se ser vadia é ter total controle sobre seu corpo, suas vontades e seus atos, então esse é meu objetivo de vida.

Eu mesma nunca tive um relacionamento casual. Aliás, digo mais: nunca transei por vontade própria. Sim, com vinte e um anos de idade e alguns namorados no passado, eu nunca transei por vontade própria. Já passei por estupro, e talvez algumas pessoas considerem isso como "fez porque quis", como já ouvi muitas vezes. Mas não. Só quem já passou por isso sabe. Mas a verdade é que nunca transei por vontade própria mesmo com namorado algum, nem com ficante, nem nada do tipo. Nunca tive one night stand. E não sou menos feminista do que a autora do blog citado acima por conta disso. Só tenho uma sexualidade ainda reprimida por culpa de diversos fatores psicológicos. Normal, ué. E o feminismo fez com que eu me desse conta disso, fez com que eu tivesse esse esclarecimento de que não há nada de errado comigo por, até agora, não ter ido pra cama com cara algum consensualmente. Assim como não há nada errado numa mulher ir pra cama com cem homens em um ano. Desde que ela queira, claro. Porque o que realmente importa é que a vontade da mulher seja respeitada. É o corpo dela. É o meu corpo. Eu não sou uma vadia por ler textos eróticos. Ela não é uma vadia por escrevê-los. Somos todas mulheres, mas, antes de tudo, somos seres humanos que possuem, sim, desejos, vontades, necessidades. Nada mais justo do que satisfazê-los.

O feminismo me custou relacionamentos, sim. Mas me deu poder sobre mim mesma, sobre meu corpo. Me fez entender que homem algum pode definir o que é ser vadia ou não. Que homem algum pode me dizer o que fazer, o que ler, o que vestir, o que comer, o que beber ou a que lugares ir. Que homem algum merece estar a meu lado se não respeitar minhas escolhas, se não me tratar como igual.

O feminismo me fez "perder" pessoas, mas ganhar amor próprio.

 

O escolhido foi você

Ansiedade.
Se eu tivesse de definir o livro de Miranda July, “O escolhido foi você”, em apenas uma palavra, certamente a palavra seria essa. Já no primeiro parágrafo fui jogada num tipo de furacão verbal, na vida bagunçada de uma mulher à procura de si mesma, à procura da entonação certa, da pontuação certa, da postura certa, da aceitação do ser. Não, não há nada de metafísico nisso – muito embora minha primeira impressão foi de que ela estivesse precisando de uma boa dose de terapia de regressão – mas é um fato incontestável que dona Miranda July escreveu como escreve uma pessoa mergulhada apenas em si mesma.

Já nas primeiras páginas ela escreve:
No meu mundo paranoico, toda lojista acha que estou roubando, todo homem acha que sou prostituta ou lésbica, toda mulher acha que sou lésbica ou arrogante, e toda criança ou animal vê meu verdadeiro eu, e ele é mau.

July, ao escrever isso, não apenas passou aos leitores a impressão de uma ansiedade eterna, mas também conseguiu descrever perfeitamente a angústia pela qual passa praticamente toda mulher desde tempos imemoriais: a mulher é sempre vista como o mal, como o ser demonizado, como a versão humana da serpente que induziu Adão e Eva ao pecado original (aliás, questiono tal pecado: por que seria pecado querer ter conhecimento? Oras, que horror!).

Certo dia, em meio ao marasmo aterrorizante que a vida de escritora pode provocar, Miranda telefona para um anúncio que havia lido a respeito de uma jaqueta de couro à venda e, num átimo de impulsividade marota, pergunta à pessoa do outro lado da linha se a mesma estaria interessada em responder algumas perguntas acerca de sua vida. Apenas porque sim. Com remuneração, claro.

Eu estava escrevendo um roteiro na casinha. Escrevia na mesa da cozinha ou em minha antiga cama com seus lençóis baratos. Ou, como sabe muito bem qualquer um que tenha tentado escrever alguma coisa nos últimos tempos, esses eram os lugares em que eu preparava o cenário para escrever, mas em vez disso ficava procurando coisas online. Parte disso poderia ter a ver com uma das personagens do meu roteiro, que também estava tentando fazer alguma coisa, uma dança, mas em vez de dançar ficava procurando danças no YouTube. Então, de certa forma, a procrastinação era pesquisa.

Foi um golpe de sorte, basicamente. Uma bela intuição, eu diria. Mas seja lá o que tenha sido, funcionou: afinal, por conta disso pude ler um livro incrível, nu, exposto, que fala da história de várias pessoas aleatórias. Pessoas reais, não personagens moldados ao gosto do público alvo.

Na primeira entrevista nos deparamos com a história de Michael, um senhor aposentado que estava passando por uma mudança de sexo:

Miranda: Como era a sua vida antes de você se assumir?
Michael: Eu tentava ser como todos os homens e escondia o fato de que por dentro eu me sentia uma mulher. Eu sabia disso desde criança, mas por muito tempo tive um medo enorme de me assumir. O movimento para que os gays saíssem do armário me ajudou a entender que eu não devia agir daquela maneira.


Logo em seguida temos a história de Primila, uma senhora indiana que estava vendendo roupas étnicas de seu país não por necessidade – afinal, a senhora era muito rica – mas para ajudar uma vila indiana que precisava de coisas básicas que não tinham como adquirir. Há Andrew, o adolescente recém-formado no Ensino Médio que cria girinos no jardim. Tem também Beverly, uma senhorinha que poderia ser facilmente chamada de crazy-cat-lady. Adorável, eu diria. Beverly tem trocentos gatos, pássaros, bodes e cachorros. E mais do que isso não contarei acerca das personagens reais desse livro porque, sinceramente, quero que vocês leiam-no.


Quem é ou já teve pretensão de ser jornalista sabe que pessoas assim não escrevem apenas para os outros – escrevem para si mesmas. Escrevem para registrar fatos, sim, mas sempre tratam de incutir um ou outro detalhe acerca de suas vidas, acerca de suas percepções íntimas a respeito do assunto. Divagações. Um toque de mestre. Um “quê” que faz toda a diferença. A assinatura do artista. “O escolhido foi você” não foge à regra. Miranda July conta, sim, uma parte da história de outras pessoas, mas leitores atentos perceberão que os outros ali estão apenas como plano de fundo, como escapatória da realidade – escapar da realidade com a realidade alheia. É a história de uma escritora que não consegue terminar seu roteiro e decide, impulsivamente, entrevistar pessoas aleatórias escolhidas no uni-duni-tê, em anúncios de vendas de um jornal local. Mas as personagens reais que são entrevistadas são tão interessantes que ler seus depoimentos me fez pensar o que aconteceria se ao invés de colocar minha proteção diária contra pessoas (fones de ouvido + um livro sempre aberto) eu colocasse um sorriso no rosto e dissesse a coisa mais básica de todas: olá.

A mensagem que “O escolhido foi você” me passou é a de que não podemos escrever sobre o que não conhecemos. Quer dizer, podemos se formos um Edgar Alan Poe da vida ou alguém tão talentoso. Podemos escrever sobre situações que não vivemos, mas precisamos tê-las conhecido por intermédio de outros e o sentimento tem de ser real, tem de ser vívido, tem de ser conhecido. De outra forma, tudo se torna artificial demais, feito para vender, para agradar massas, para ser minuciosamente aceito. Miranda July não escreveu esse livro para ser aceita. Escreveu para, talvez, tentar aceitar a realidade de todas as pessoas que se aventuram na arte da escrita: você só sai de um dilema de letras saindo do papel e indo para a vida real.

É muito mais do que um livro sobre a formação de um roteiro. É muito mais do que um livro sobre pessoas comuns e tão lindamente singulares ao mesmo tempo. É um livro que nos faz pensar o que teríamos para contar se alguém nos perguntasse “qual foi a época mais feliz da sua vida?”. É um livro real, feito com pessoas reais e para pessoas que precisam de uma dose de realidade em suas vidas.

Vale a pena ler? Eu li esse livro em pouquíssimo tempo, menos de um dia. Não por ele ser um livro cheio de fotografias (lindíssimas), mas porque ele é envolvente. É incrível ler partes das vidas de outras pessoas e pensar que, poxa vida, todos têm suas peculiaridades, inclusive nós. É bonito. Faz refletir pra caramba. E para mim livro bom é aquele que faz refletir.

Em um quote:
Ocorreu-me que a história de cada pessoa interessa demais a ela própria, então quanto mais eu ouvia, mais ela queria falar.

Walter Mitty sou eu

São 3h e pouco da manhã e eu acabei de voltar de uma festa. Não sou uma garota de festas. Nem sociável eu sou. Quer dizer, sou um bichinho do mato que mora na cidade por descuido do destino. Mas há alguns dias minha resolução de vida tem sido “viva o presente”. Porque eu sou ansiosa. Pra caramba. Traço trocentos projetos. Minha agenda (aquelas de papel ainda, nada eletrônico) é sempre lotada de conjecturas, post-its, marcações, projetos, linhas do tempo. Porque pessoas que possuem ansiedade PRECISAM ter as coisas sob controle. Nem todo mundo entende isso. Acham que é pesado demais, mas nem é. Só fica pesado quando a vida exige coisas muito além do que o emocional suporta. Mas na prática a ansiedade vive de poucas horas de sono, muitas horas de leitura, meditação, escrita, corridas e trabalho/estudo. Foco.

Mas há alguns dias tive uma crise tão forte de ansiedade que meu estômago embrulhou. Não conseguia comer. Não conseguia dormir. Não conseguia parar e ler um livro sequer ou assistir a um filme. Nem a meditação estava adiantando. Aí eu percebi: hora de mudar a abordagem e começar a agir.

Há pessoas que têm pavor de planejar coisas. Eu sou uma delas. Mas faço isso justamente porque me perco facilmente em qualquer linha que esteja seguindo por conta da maldita ansiedade que me faz ficar acordada à noite. Porém, na prática, a coisa funciona mais ou menos assim:

Se nada der certo tenho tais opções:

  1. Montar uma confeitaria; 
  2. Montar um sebo; 
  3. Escrever livros que sejam, de fato, publicados; 
  4. Casar, ter filhos e aquele blábláblá todo de família de comercial de margarina; 
  5. Juntar-me ao circo e exercer meu dom natural de palhaça ou equilibrista. 

Mas na realidade eu provavelmente nunca vá seguir esses planos. Há um alfabeto de planos justamente para isso: pra que eu possa ignorá-los solenemente e escolher fazer outra coisa que não entrou na lista. É mais ou menos como funciona minha lista de meta de leitura no Skoob: há vários livros marcados lá, mas na prática não tenho vontade de ler nenhum deles realmente, mesmo que estejam ao meu alcance e que os tenha marcado na tal lista há mais de ano. OU SEJA: eu faço planos apenas para aloprá-los e para me manter tranquila pensando que estou no controle quando na verdade estou  apenas brincando de pique-esconde com o destino.

A ilusão de ter o controle faz com que eu não me desespere e consiga manter um nível socialmente aceitável de esquisitice. O que é bom, mas nem sempre, porque como no filme de Walter Mitty (A vida secreta de Walter Mitty): viver sonhando/planejando sem nunca, de fato, concretizar as coisas não dá lá muito certo. QUER DIZER, até dá, né. Mas aí a pessoa viverá duas vidas: a real e a imaginária. O que é meio triste, pra falar a verdade.

~nessa vibe~

Se tem uma coisa que esse filminho me ensinou foi que por mais tentador que seja planejar o futuro e tê-lo como um bote salva-vidas, pensando que se nada der certo ele está lá, é muito mais legal fazer as coisas realmente sem tanto mimimi. Walter Mitty era um cara que planejou demais e nada fez. Ficou quase vinte anos no mesmo emprego, fazendo as mesmas coisas, vivendo a mesma vidinha e deixando os planos como bote salva-vidas. Até que um dia chegou um momento em que ou ele agia ou nada. Era basicamente a sua única oportunidade. E ele a agarrou.

Eu preciso fazer isso. Preciso viver mais e pensar menos. Pensar nunca dá certo no meu caso, como todos os que acompanham este blog já devem ter percebido, risos. NUNCA É UMA BOA IDEIA. Eu faço planos, sim. Porque eles me dão a ilusão de estar no controle e isso é ótimo. Mas agora meus planos não são mais de longa data. Meus planos são de metade do dia. Metade por metade. “Se tudo der certo nessa metade, então me concentrarei na outra.”

Porque não é o que será preciso amanhã. É o que é preciso agora.


É a festa com as amigas. É saber lidar com um gato furioso que pulou no meu colo querendo atenção. É adquirir habilidades de entretenimento com pessoas que nunca d’antes vistas. É o improviso planejado. É a vida em si. A quintessência.

Agora, por exemplo, eu preciso tratar de arranjar o sono e dormir.
Depois, veremos. Tudo a seu tempo.
Inspira.
Expira.
Ufa.

Em uma imagem:
 

O para sempre é o nosso hoje

Há um ano eu estava machucada por tantas coisas diferentes, por tantas perdas estranhas de pessoas que pensei que sempre estariam ao meu lado, estava com o coração esmigalhado em pedaços tão pequenos que pensei que nunca mais conseguiria reconstruí-lo.
Mas consegui.
Pensei que jamais teria uma estabilidade emocional.
Mas tive.
Pensei que a única opção que me restava era uma morte teatral.
Mas o destino me apontou outro caminho.

Há dois anos, nesta mesma época, eu também estava despedaçada. Sempre pelos mesmos motivos, sempre na mesmíssima época. Uns chamam isso de inferno astral, outros de carma. Eu chamo de lei de Murphy mesmo. Mas a verdade é que eu sempre consegui reconstruir minha vida. Aos trancos e barrancos, mas consegui.

A diferença é que fazer drama perdeu a graça.
O roteiro ficou manjadíssimo.
Só mudam as personagens coadjuvantes, mas as situações - e muitas vezes os diálogos - são sempre as mesmas. BORING.BORING.BORING.

Se antes passava dias chorando por perdas iminentes, hoje deixo rolar algumas lágrimas, coloco meus tênis de corrida e saio sem destino algum porque essa peça não vale a pena o drama. Não vale a pena a dor de cabeça. E sei que o futuro me reserva perdas ainda mais dolorosas.

Aí eu recapitulo minha vida, meus textos nos meus trocentos blogs, e percebo que mesmo antes de entrar nesse ciclo vicioso eu já havia previsto tudo. Vejam bem que eu não sou vidente, apesar da minha fama de bruxa. Mas sempre que pensei no meu futuro me via sozinha. Rodeada de pessoas, sempre com muito apoio moral, mas sozinha. Sempre me vi mais como Summer do que como Tom. Mais como Robin do que como Ted.

Eu já fui a Summer. Já me desfiz de pessoas do mais absoluto nada apenas porque sim, porque ó, que enjoativas as pessoas podem ser, ó, eu nasci para ser sozinha e abandonada, funciono muito melhor só com meus livros e pessoas aleatórias.
Eu já fui a Robin. Já olhei pra o futuro e vi um about:blank, vi uma incontrolável vontade de correr, de ser livre, de fazer trocentas coisas ao mesmo tempo, de ser uma jornalista conceituada e, para tal, não poderia formar laços emocionais fortes, porque não teria parada na vida.


~e se você leu até aqui e acha que este é um texto sobre relacionamentos amorosos, você não entendeu absolutamente NADA, filhote~

Mas de vez em quando aparecem pessoas que permanecem. Pessoas que me fazem pensar em criar raízes, me permitir ter estabilidade, planejar um futuro. Amigos de quem doeria estar muito longe. Gente tão querida que me faz pensar eu ser sociável, em minimizar os sonhos e adequar minha realidade.

São essas pessoas que apesar de todos meus rompantes de rebeldia quando saio gritando LIBERDAAAAAAAADE pela casa, essas pessoas que me pegam pela mão e dizem que tudo ficará bem, essas raras pessoas que me fazem pisar no freio e permanecer apesar de todos os pesares. São essas que fazem a vida valer a pena.

E que me fazem lembrar que eu não posso reclamar da efemeridade da vida porque, afinal de contas, eu sou uma das pessoas mais efêmeras de todo o Sul.

Aí quando passo por situações de perdas como a que estou passando agora, de novo e outra vez, lembro que nem posso reclamar de verdade porque estou apenas cumprindo com o que planejei para mim há tantos anos. Que estou apenas seguindo o caminho que eu mesma tracei.

Pessoas sempre morrerão. Irão embora. Mudarão de ideia. Assim como eu. Nada é eterno além da impermanência. Ou, como Freddie Mercury cantou: o para sempre é o nosso hoje. 

Inferno astral - parte 2

Sem internet. De novo e outra vez.
Porque aparentemente a Oi se recusa a atender minhas solicitações e minha única vontade é de meter a mão na cara dessa gente, mas me controlo.

Nesses dez dias sem internet li 12 livros e assisti a 7 filmes. Corri feito uma maluca pra reunir documentação pra faculdade (FAIL) e fazer vários exames, tudo ao mesmo tempo e tudo precisando de quê? Da internet, claro. Porque a internet não vai faltar quando você estiver vegetando no fb e fazendo download de O diário da princesa. NÃO. Ela faltará quando você tiver de verificar trocentas coisas diferentes em vários sites diariamente. Porque se fosse fácil e adequado, não seria comigo.

Pra completar:
Aí entro no consultório para tirar sangue, sento na cadeira, tenho o braço atado e quando o médico está prestes a coletar o sangue meu celular toca (Carry on, da Angra, ou seja), eu, assustada, derrubo tudo ao cair da cadeira e sangue esguicha por todo o chão.

Das coisas que me acontecem.


Bad karma is a bitch.

Mas se aprendi algo nesses dias é que FINALMENTE SEI QUALÉ MEU KARMA NESTA VIDA: aprender a perder com dignidade, com resiliência.

Virei uma lady agora, tô nem aí mais. :) 
 
Wink .187 tons de frio.