Nos embalos do cobertor quentinho

Este post está na pasta de rascunhos há três dias por motivos de: não sei que título colocar neste maldito texto. De modo que o título será/é essa coisa nonsense que aí em cima está e estará sujeito a mudanças a qualquer momento porque sim. 

Meu pai, ao ouvir uma das músicas que tocam naquele filmezinho esquisito cujo nome é A mulher invisível, pede que eu procure uma das músicas pra ele porque "ah, que saudade do meu tempo de juventude, quando eu caminhava a Borges inteira só pra comprar o LP dessas músicas pra tocar nas festas a pedidos das pessoas".


Aí eu fico pensando: meu pai, na minha idade, era organizador de eventos, festas, qualquer coisa com gente, música e bebida. Um de seus apelidos, inclusive, era ~bailarino espanhol~ por conta da desenvoltura com que se movimentava na pista de dança ao som de músicas supimpas e vestindo algo semelhante às roupas do Tony Manero. Minha mãe, quatro anos mais nova que meu pai e muito mais retraída, já era mãe de meus dois irmãos mais novos e mesmo assim frequentava as festas, bebia, se divertia com os amigos e os irmãos. Meus tios eram amigos de bebedeira e futebol do meu pai e foi numa dessas festas em que ele era o DJ que mamis e papis se conheceram e iniciaram um relacionamento que dura há mais de trinta anos e resultou em três filhos.

Eu, ao contrário de meus pais, não bebo, não vou à festas e não sou fã de futebol. Não tive filhos cedo - nem sei se pretendo tê-los a essa altura do campeonato, pra falar a verdade -, não danço na frente de outras pessoas e nem ao menos tenho histórias de ~pegação na balada~ para contar - ou a deles, que é: "conheci o amor da minha vida na balada". HAHAHAHA QUE PIADA, GENTE.

Eu estudo o dia inteiro. Pela manhã: biblioteconomia. À tarde: bolsa de pesquisa de pedagogia. À noite: pedagogia. E isso não é desculpa pra não ir à festas ou coisas do tipo. Há muitas gurias na faculdade que vão vestidas pra sair de lá arrasando, direto pra algum evento. Eu vou vestida com a primeira coisa que encontro no guarda-roupa às 5h da manhã. Passo o dia inteiro pensando no momento em que finalmente chegarei em casa e aquela cama gostosa, quentinha e cheirosa estará me esperando com seus lençóis esticadinhos, seus ursinhos de pelúcia e sua colcha decorada. Penso no banho quente que tomarei ao chegar, no meu roupão azul e no quanto ainda tenho para estudar no outro dia.

Finais de semana? Divididos entre: estudos-limpeza-namorado. Nem sempre dá tempo de assistir a algum filme, mas sempre consigo assistir ao menos a algum episódio de uma das trocentas mil séries que acompanho. Aí a pessoa me pergunta COMO não priorizo a diversão e... veja bem: eu me divirto estando em casa. Lendo. Escrevendo. Ficando abraçada no namorado. Assistindo filmes/séries/documentários/desenhos. Dormindo. Cozinhando. Fazendo QUALQUER COISA que não necessite de seres humanos ao meu redor. Nunca entendi muito bem essa coisa de ~sair pra se divertir~. Ainda mais à festas. Quando penso em festas o que me vem à mente é: barulho, suor, dor de cabeça, gente desprovida de parâmetros sociais e dor nos pés, porque nunca terá um lugar para sentar. Podem observar: o povo fica no tutz-tutz-tutz e JAMAIS tem lugar para sentar. Eca.

Quando eu era menor tinha a impressão de que precisava ir à festas e participar das coisas, ter uma vida social ativa e blablabla. Durante muito tempo tentei me encaixar e acabei com um repertório vasto de músicas e assuntos legais pra falar com todo o tipo de pessoas - afinal de contas, tive aulas com meus pais, simplesmente as pessoas mais descoladas da Porto Alegre dos anos 70. E, realmente, sei falar com qualquer pessoa sobre qualquer assunto quando quero. Mas nunca quis de verdade. Queria pertencer a algo, a algum grupo social, e esse querer durou por muitos anos. Até que um dia eu percebi que não, isso não pode acontecer, simplesmente porque eu já me pertenço. Eu sou meu grupo social. O grupo daqueles que estão cansados demais pra conversa fiada. Que estão cansados demais pra usar salto alto. Que estão com sono demais pra ouvir música alta. Que estão com preguiça demais pra beber até cair.

Dizem nas rodas de conversa familiares que eu puxei essa preguiça social do meu avô inglês, que simplesmente nasceu cansado demais pra lidar com qualquer coisa. Mas isso não é sempre, de qualquer forma. Eu sou extremamente sociável dentro da minha bolha segura de amizades. Só não serei sociável se quiserem me arrastar pra uma festa à noite com gente maluca bebendo todas, música altíssima e suores alheios.

Mas que esteja registrado que meus pais não tiveram nada a ver com isso, hein. Isso é coisa minha mesmo. Ou da veia inglesa. Sabe-se lá. 

Na vibe Lily Aldrin de ser

O dia de hoje em uma imagem: 


Começou com o fato de que tive de sair às 5h30min da manhã para pegar o ônibus e o mundo estava desabando em cima de mim. Nada contra chuva. Adoro dias chuvosos. Mas precisa ser a tempestade do ano sulista JUSTAMENTE no dia do passeio ao Arquivo Histórico de Porto Alegre? Não precisa, gente.

Fui a primeira a chegar ao curso, após uma hora dentro de um ônibus cheio de gente suada (quem sua no frio, meldels?!) e com todas as janelas fechadas, porque o cerumano tem PAVOR de abrir uma frestinha que seja da janela quando está chovendo.

(Parêntese para dizer que: uma das coisas que me dão ódio no coraçãozinho é essa gente que tranca todas as janelas do ônibus. Todo mundo respirando o mesmo ar contaminado, todo mundo trancado, aquela mistura de cheiro de perfume com o famoso "não tomo banho há uma semana". A única coisa que tenho vontade de fazer pela manhã, quando pego o ônibus-de-sempre, é sair dando a louca e abrindo a todas as janelas. Não que eu já não tenha feito isso, mas o estresse, né. Dia desses estava eu no ônibus. Abri minha janela, como sempre faço - afinal, já sento na janela pra poder colocar a cara ali perto e respirar, caso contrário não dá, não tem jeito. Nisso, um senhor sentou atrás de mim e, do nada, meteu a mão na MINHA janela e a fechou. Eu meti a mão e a abri. Ele a fechou. Eu a abri. Ele a fechou de novo. Ele a abriu de novo. Quando ele foi fechar de novo, meti a mão e não deixei, ao que ele ainda reclamou com um "Qualéquié sua louca, não tá vendo que é pra fechar porque tá vindo vento na minha cara?!". GRI.TAN.DO. comigo. E, amigos, façam o que quiserem, mas não gritem comigo. Então eu virei-me calmamente, olhei nos olhos de galo depenado do cara e disse: "Senhor, eu posso continuar fazendo isso durante a manhã inteira." E dei um sorrisinho, porque sou dessas. Ele tentou gritar, espernear, e eu disse que a janela é minha, que ela ficaria aberta enquanto eu ali estivesse e coloquei minha mão bloqueando-a. Ele não se atreveu mais a olhar pra minha cara. A louca das janelas, eu.)

Estava eu sozinha, apenas o segurança e eu, às 6h e pouca da manhã lá no curso. E por que eu fui tão cedo? Porque ou vou MUITO cedo ou vou MUITO tarde. Não há meio-termo para quem mora no Morro dos Ventos Uivantes lindo local onde moro. E teria passeio, no Arquivo Histórico. Eu precisava estar cedo porque o ônibus sairia dali num horário x com todos os que lá estivessem e quem não estivesse lá a tempo que se ferrasse e fosse sozinho ou não fizesse o relatório depois e perdesse lindos pontinhos que me ajudariam a passar numa disciplina que consiste em costurar, furar os dedos, costurar, lixar papéis, ferrar as unhas, costurar mais um pouco, na qual falho miseravelmente em cada aula. Mas enfim. Então fui.

Após muitos minutos de leitura silenciosa e sozinha de Paulo Freire, namorado chegou. Logo mais, o resto da turma chegou. Mas o passeio atrasou porque CHUVA, TEMPESTADE (Vampira, Ciclope, Wolverine) e todo esse mimimi gaúcho de cada dia. Finalmente fomos ao tal passeio. Uma viagem dozinfernos. Adoro a minha turma, todo mundo se entende bem - raridade, mas é verdade: as pessoas realmente gostam umas das outras lá -, mas a pessoa que resolve não usar fone de ouvido enquanto escuta música me faz querer pular da janela em movimento. Ainda mais quando a tal música é funk. APENAS NÃO.

Fomos lá. Dormi em pé no processo de visita, porque né, não estava sendo possível. Superinteressante, adoro o assunto, mas sono, todo mundo de pé, parado, durante uma hora, ouvindo explicações sobre o funcionamento do local, blablabla. Supimpa, mas nem tanto assim. Quando finalmente de lá saímos passamos por toda a viagem infernal novamente com um adendo: congestionamento dozinfernos por motivos de *chuva*. Porque as pessoas têm medo de dirigir na chuva. As pessoas têm medo de fazer QUALQUER COISA na chuva. E eu olhando pra'quela janela em semi-movimento com a chuva batendo e tentando me focar no mantra ~respira e faz a concentrada~. Funcionou? Funcionou.

Chegamos. Fui almoçar FINALMENTE e... o celular não parava de tocar (inclusive, enquanto digitava esta frase, ele começou a tocar novamente, demonstrando claramente quem manda na relação). Caso ainda não saibam: eu ODEIO ligações. Apenas pouquíssimas pessoas (mamis, papis e namorado) possuem o direito de me ligar. Caso não seja uma delas, você pode me ligar se:
a) estiver morrendo;
b) alguém tenha morrido;
c) eu tiver um encontro marcado contigo e não estivermos nos encontrando por motivos de sermos geograficamente perdidas;
d) não há outra alternativa.
Se nada disso estiver ocorrendo, você NÃO ESTÁ AUTORIZADO a me ligar. Me manda e-mail. Mensagem no fb. Sinal de fumaça. Ondas psíquicas. Mas não me ligue.

Nem vi direito quem era. Desliguei o celular na hora e fui comer. Comi, fiquei agarradinha no namorado até chegar o horário de ir pra o estágio e lá fomos nós. Quando saí pra rua: O HORROR. Tudo alagado. Ventos fortíssimos que quase quebraram minha sombrinha cor-de-rosa-choque. A ideia era caminhar 6 quadras até a parada. E lá fui eu. EM MEIO A TEMPESTADE. ♥

Cheguei ensopada, peguei o ônibus e abri um livro (Cem anos de solidão, essa coisa marlinda que existe ♥). Quando dei por mim, faltavam duas paradas para que eu descesse e eu havia dormido em cima da página. Correria. Guardar o livro na mochila, colocar a mochila nas costas, pegar o cartãozinho da faculdade para acessar o laboratório, preparar a sombrinha para ser quase que mutilada novamente, dar o sinal e descer. Funcionou. De formas inexplicáveis, mas funcionou.

Cheguei ao laboratório e... só um pé molhado. Quer dizer, eu estava completamente molhada, mas não os pés. O certo seria que os dois molhassem, mas não... tinha de ser só um. O motivo jamais saberemos, visto que não há furos na bota, a água não entrou por cima, nem por baixo e meu pé não começou a fazer as vezes de uretra e verter xixi. Mas o fato é que, cinco horas depois, aqui estou eu, digitando este texto após terminar dois trabalhos exaustivamente chatos, com uma fome de doce - sendo que só tenho salgado, ó que delícia isso -, ouvindo a maldita tempestade cair na janela ao lado e ainda com um pé - UM, APENAS UM - encharcado.

Posso voltar para casa agora? Não.
Posso ir para qualquer outro lugar? Não.
Posso ir até o R.U. comer uma fatia de bolo de chocolate? Não.
Por quê?

PORQUE ESTÁ CHOVENDO O MUNDO LÁ FORA. ♥ E eu só voltarei para casa às 23h, num ônibus lotado de pessoas desprovidas de higiene corporal e boas maneiras.

Universo, este é meu recado pra você:


Porque Lily Aldrin é a expressão de tudo o que tenho a dizer hoje. 

Lado A

Hoje eu te chamei mentalmente de amor da minha vida.
Eu não gosto disso. Eu não quero te chamar assim. Não quero sofrer. Porque tudo se vai. Um dia, você também irá. Não sei como ou porquê, mas sei que ocorrerá. Pode ser daqui a uma semana, um mês, dois anos ou trinta e oito. Hoje eu te chamei mentalmente de amor da minha vida e isso me fez perceber que meu coração não está tão empedrado quanto pensei que estivesse. Que não sou tão cínica quanto gostaria de ser. Que continuo sendo boba e acreditando em contos de fadas.

Hoje não consegui imaginar meu futuro sem ti.
E isso é patético. Simplesmente patético. Eu não deveria. Você não pensa assim. Você continuaria. Eu quero continuar. Com ou sem você. Preferencialmente com, mas quero ter a habilidade de ser resiliente, de conseguir, de carry on.

Quero apenas me ser.
escrito em 4 de maio de 2015. 

Do inconveniente de ser pequena

A vida da pessoa pequena é muito difícil.
Porque um evento comum como comprar roupas (ODEIO) torna-se sempre um suplício, um andar trocentos mil quilômetros apenas para ter a certeza de que não, não há nada do seu tamanho.

Aí que hoje foi o dia de fazer compras.
Mamis disse: "Mia, você precisa de um sapato social. Vá lá." E eu fui, né. Que vibe errada, amigos. Primeiro porque: não gosto de sapato social. Não me entendam mal, eu amo roupas sociais. Mas adoro tênis. Sapatilhas. Coisas fofinhas e com lacinhos. (E misturo tudo com camisas sociais porque sou aquariana e posso.) Porém, dizem as más línguas que é preciso combinar roupas, texturas, estampas (um saco isso, se querem saber) e lá fui eu tentar achar coisas que combinassem e, ao mesmo tempo, me fizessem feliz.

Procurei, procurei, procurei.
Eu sou uma pessoa pequena. Tenho um metro e meio de altura, calço 34/35, tenho mãos de criança, uso aliança tamanho 11, caibo perfeitamente nas roupas que usava quando tinha meus 10/11 anos. Eu tenho vinte e poucos anos na cara, mas tamanho de criança, roupas da sessão infantil e voz fininha. E sempre, SEMPRE é uma desgraça ir fazer compras, porque:

1. Quando acho uma peça legal, supimpa, linda, diva e maravilhosa, ela não me serve.
2. Quando me serve, é infantil, tem o Bob Esponja por estampa ou glitter até não poder mais.
3. Jeans é um troço que nunca pude usar porque SEMPRE fica grande nas partes erradas e apertado nas partes que deveriam ser soltas.

Mas aí que fui em busca do sapato social perfeito.
Após entrar e sair de oito lojas, dei por mim com um sapato lindo-divo-maravilhoso: preto, com um salto médio, extremamente confortável e, o melhor de tudo, num preço baixíssimo, pois era o último.

Vi o número: era 34. CARAMBA, UM SAPATO LINDO, MARAVILHOSO, CONFORTÁVEL E 34? ♥ Estava declarando amor eterno ali mesmo, quando fui experimentá-lo, e... ficou grande.

O 34 FICOU GRANDE.

Eu, delicadamente, perguntei ao vendedor:
- Moço, licença, mas... tem em 33?
- 33 não existe neste setor, moça, só no infantil.
- Ah, tá.

E saí desalentada porque me recuso a usar uma sapatilha da Moranguinho com calça social. Há limites, gente. E eu cheguei ao meu.
Por uma indústria que fabrique - sem mimimi - sapatos adultos em tamanhos pequenos! o/

~em busca do meu sapatinho de cristal~

Das coisas que tenho de lembrar #1

Não comer mais folhados.
Não comer mais coisas fritas - com exceção de batata-frita, porque batata-frita é amor em forma sólida.
Não comer mais coisas com calabresa - NUNCA são de calabresa, de fato.
Não comer cachorro-quente fora de casa. Repito: cachorro-quente APENAS dentro de casa.

Nunca dá certo, amigos. 

Ode ao realismo

estou muito cansada para 
escrever um poema bonito.
um poema com rimas, 
com encantos, 
um poema poético. 

estou demasiado cansada. 
incontrolavelmente cansada. 
cansada e com tonturas. 
cansada e com as pernas bambas. 
cansada da estética, do querer ser, do hosting. 

há pressão em minha fronte 
como se a fronte fosse, de fato, fronte 
de batalha. 
como se a vida fosse o eterno atirar-se de um canhão. 
ser um homem-bala. 
atingir a outros para, 
quem sabe, 
voltar todo estropiado 
apenas para servir de mais munição 
e salvar uma guerra que não é sua. 

eu não sou o inimigo. 
nem você. 
mas sou meu próprio algoz. 
sou eu quem escava minha sepultura. 
sou eu quem contratou o padre, 
quem obteve extrema-unção, 
quem jogou-se do penhasco 
e descobriu ter asas. 
fez-se de passarinho e voou. 
fez-se de águia e arrancou suas penas. 
apenas para ter o prazer 
de vê-las crescer novamente. 

sou meu inimigo 
quando me atiro 
em coisas que jamais saberei 
se são verdadeiras, 
se são fantasias,
se são efeitos colaterais, 
se são amor. 

sou a lança 
que perfura minha carne, 
que mata minhas dores, 
que alimenta o verme 
que eu mesma criei. 

I want it all and I want it now!



1. Uma estante. Porque eu literalmente não tenho mais espaço para guardar novos livros. Há meses não compro livro algum por conta disso. É triste a vida da pessoa bibliófila que não pode guardar mais livros. 

2. Livros. Todos esses marcados como "desejados" no Skoob. 

3. Vestidos rodados. Numa vibe anos 50 voltaram. Porque sim. Não sou adepta a calças jeans. Penso que jeans é um troço dozinferno inventado para sempre sobrar ou deixar sobrar, fazendo surgir gordurinhas que não estavam ali antes. Prefiro meia-calça, vestidos, um sapato de boneca e um batom vermelho. Porque sim. 

4. Sapatos de boneca. Eu não sou a louca dos sapatos, mas gosto de certo tipo de roupa que só fica bem com certo tipo de sapato. O problema é que: meu pé é minúsculo. Calço 33/34. Às vezes um 35 me serve. Mas é difícil achar sapatos do meu tamanho fora da seção infantil. E não quero usar sapato de criança, porque já me basta ter tamanho de criança, né mesmo? Cansei de usar tênis (da seção infantil, sim) todos os dias. 

5. Um tônico miraculoso que faça o cabelo crescer. Há seis meses a cabeleireira me deixou praticamente sem cabelos. Como uma ex-colega que me encontrou dia desses disse "Mia, tu IDOLATRAVA teu cabelo, tu tinha apego por ele!". Sim, colega, eu tinha. Tenho. Mas agora, né, ele tá na altura do queixo. Poderia estar pior. Já esteve na altura da orelha. MAS QUERO MEU CABELO DE VOLTA. Lindo, comprido a ponto de poder fazer trancinhas e sair correndo contra o vento... SDDS CABELO. Tá feio? Não tá. Mas ele cresce devagarzinho e eu me sinto um menino no processo. Se vocês souberem de algo que funcionem, não se façam de rogados e digam pra titia Mia. Façam uma aquariana feliz!

Se você não entendeu a referência do título, clica no play:

 

O mundo fica parado quando ninguém inventa nada

Já entrei na escola sabendo ler e escrever.
Não era completamente alfabetizada - até porque o processo de alfabetização é algo que se dá ao longo da vida, não de um ano pra outro -, mas já sabia o básico do bê-a-bá. Portanto, a primeira coisa que fiz ao chegar na escola foi perguntar onde era a biblioteca. (Aliás, esse hábito repetiu-se em todas as escolas - e eu troquei muito de escola ao longo dos anos - em que eu estudei: a primeira coisa que fazia era procurar a biblioteca, afinal: biblioteca é amor. ♥) E já saí de lá com o máximo de livros que a norma bibliotecária permitia, risos. 

Numa dessas andanças à biblioteca descobri um dos livros mais amor que já tive o prazer de ler até hoje. Um livro tão, TÃO incrível que me marcou profundamente e, inclusive, moldou uma boa parte da minha personalidade. Aquele tipo de livro que pensei (e penso até hoje) em ler para os futuros filhos que jamais terei. Esse livro é A fada que tinha ideias (editora Ática, 56 páginas), da Fernanda Lopes de Almeida, uma escritora maravilhosa cuja autoria inclui outro livro que amo, Soprinho (qualquer dia falo dele aqui também), entre tantos outros. 

A fada que tinha ideias conta a história de Clara Luz, uma fadinha de dez anos de idade que ainda não havia saído da Lição I do Livro das Fadas. Clara Luz achava perda de tempo ser uma fada e se restringir ao Livro das Fadas apenas, que viviam desencantando princesas e tecendo tapetes mágicos. Todas as fadas tinham muito medo de criar mágicas novas, afinal, a Rainha, uma fada muito velha que vivia num palácio do outro lado do céu, era muito rabugenta e não aprovava nada que não viesse do Livro das Fadas. 
Mas Clara Luz era um espírito livre e não dava a mínima para as rabugices da Rainha ou mesmo para os alardes de sua mãe, que frequentemente perdia o ar tamanha a preocupação! 

Esse foi o livro da minha infância. 
Com a Clara Luz aprendi que não importa o que os outros fazem, nós temos de fazer o que achamos certo. Temos de nos divertir, acima de tudo, estar bem conosco mesmo e questionar todas as certezas que nos dizem por aí. Afinal: como terei certeza de algo se não vivê-lo, questioná-lo, conhecer seus contrários?! 

Clara Luz era uma fada, de seus dez anos de idade, mais ou menos, que morava lá no céu, com a senhora fada sua mãe. Viveriam muito bem se não fosse uma coisa: Clara Luz não queria aprender a fazer mágica pelo Livro das Fadas. Queria inventar suas próprias mágicas.
— Mas minha filha — dizia a Fada-Mãe — todas as fadas sempre aprenderam por esse livro. Por que só você não quer aprender?
— Não é preguiça, não, mamãe. É que não gosto de mundo parado.
— Mundo parado?
— É. Quando alguém inventa alguma coisa, o mundo anda. Quando ninguém inventa nada, o mundo fica parado. 

Clara Luz =  

O mais interessante de tudo é perceber que a dona Fernanda escreveu esse livro em plena ditadura militar. Quer dizer, a mulher, uma psicóloga que gostava muito de escrever, escreveu um livro EXTREMAMENTE SUBVERSIVO para crianças. Porque, vejam bem, é um livro sobre uma menininha que inocentemente rebela-se contra o governo e decide fazer as coisas como acha melhor, sem preocupar-se com as proibições da Rainha das Fadas. O livro, lançado em 1975, formou as mentes das crianças que tornaram-se os jovens da década de 80 e que fizeram toda aquela revolução que culminou no final da ditadura. 

Há quem diga que livros infantis não mudam o mundo, que são literatura inferior e não influenciam em nada. Eu digo o contrário. Esse livro foi o que me fez querer, um dia, ser escritora. Foi o que me fez começar a questionar o mundo à minha volta. E tenho certeza de que as crianças de meados dos anos 70 tiveram o mesmo impacto que eu, talvez até maior, dadas as circunstâncias. 

Numa entrevista que está no site da editora Ática, a dona Fernanda, quando questionada acerca da importância da literatura infantil, disse que "O principal papel é exatamente esse: formar leitores. Formar leitores é formar pensadores. No sentido menos pomposo e mais modesto da palavra: pessoas que pensam. É disso que qualquer país precisa.". 

Um dos trechos do livro diz que: 

Não há nada mais bonito
que inventar em liberdade
e só tem a vida alegre
quem sabe dessa verdade 

Fernanda, com toda sua psicologia, conseguiu incutir em sua obra versos, frases, textos extremamente libertadores, que fazem pensar, com o intuito não apenas de formar leitores, mas também de incutir o sentimento de liberdade no coraçãozinho das crianças, em uma época em que o país vivia uma ditadura terrível, um cerceamento de desejos. 

Digam o que quiserem sobre literaturas, mas jamais digam que a literatura infantil é perda de tempo, que para nada serve, que crianças não têm direito a opinião e que isso tudo é perda de tempo. Clara Luz discorda, e eu também. 

— Minha filha, isso não é da sua conta. Você precisa se convencer de que você não é a Rainha, ouviu?
— Sabe, mamãe, na minha opinião, tudo é da conta de todos. Justamente isto é que dá um trabalhão.
A Fada-Mãe ficou olhando para Clara Luz:
— Minha filha, você não será muito pequena para ter tantas opiniões? Tenho medo que faça mal à sua saúde!
— Não se preocupe, mamãe. Desde os três anos de idade, eu comecei a ter opiniões. Agora estou com dez, de modo que tenho sete anos de prática.
— É... Isso é verdade... Você tem praticado bastante — concordou a Fada-Mãe. 

Como a dona Fernanda disse:  "O verdadeiro conhecimento nasce da permanente indagação.". Tomara que possamos seguir o exemplo de Clara Luz e não deixemos o mundo parado. Seria triste demais perder tantas oportunidades e ideias, não é mesmo? 

Ponte para Terabítia, ou o porquê de eu não fazer amigos em ônibus

Eu sou o tipo de pessoa que não se contém.
Não consigo. Sou sensível. Não pareço sê-lo quando, numa conversa qualquer, esbravejo, falando de revoluções, vinganças e coisas do tipo, mas sou, de fato, extremamente sensível. Rio à toa. E também choro. Muito.

Abandonando as boas regras de composição frasal: sou chorona. Se algo me toca lá no fundo, se algo encontra aquele cantinho que procuro deixar no oculto - mas que parece cada vez mais em destaque, infelizmente  -, meus verdes e grandes olhos já ficam rasos d'água e não consigo conter o aperto que sinto na garganta. O choro vem. Choro quieta, é verdade. Sou o tipo de pessoa que chora silenciosamente, mas abundantemente.

Há uma pequena lista de coisas que me fazem chorar:
1. Crianças.
2. Velhinhos.
3. Abandono.

São apenas três coisas, mas elas são tão frequentes em minha vida que acabo sendo uma pessoa chorona - o que não combina nada com o resto da minha personalidade, mas culpo a lua em câncer por isso. A culpa, afinal, sempre será das estrelas.

O fato é que apesar de eu já ter assistido ao filme e, portanto, conhecer a história, a leitura de Ponte para Terabítia (editora Salamandra, 160 páginas) me foi... pesada. Sim, pesada é a melhor palavra para descrevê-la. O livro, que é basicamente a mesma coisa que o filme (sim, finalmente tivemos uma adaptação cinematográfica fidelíssima!), conta a história de Jess, um menino de dez anos que tem um sonho apenas: ser o corredor mais rápido das 3ª, 4ª e 5ª séries juntas. Sonho esse que ele vê desfeito quando uma garota desengonçada, meio hippie, esquisita, chega à escola. Leslie. Jess não sabe como reagir perante Leslie, afinal, ela mal chegou à sua escola e já ganhou de todos os meninos na arte de correr durante o recreio! Ele sente-se humilhado, porém aquela garota começa a aproximar-se dele, afinal, ele foi o único que não riu dela. E assim começa uma amizade, o tipo de amizade que muda uma vida.

O livro me fez refletir sobre duas coisas:
a) Escolhas: aquelas crianças tinham uma vida bem tensa (uma deixada de lado pelos pais - não exatamente, porque havia muito amor, mas os pais, escritores, não tinham muito tempo para ela -, outra numa pobreza desgraçada compartilhada por várias pessoas na mesma casa), mas decidiram ver as coisas de outra forma, decidiram usar a imaginação para escapar da realidade e isso sempre me será algo lindo porque, olha, nem sempre é recomendável dar a cara à tapa na vida. Às vezes precisamos do mundo mágico de uma criança para conseguirmos lidar com o dia a dia. E isso é o que falta em muitos adultos: a capacidade de abstrair e ver a realidade (por pior que seja) com outros olhos.
b) Seguir em frente: porque as adversidades da vida raramente se anunciam. Coisas ruins simplesmente acontecem e ou lidamos com elas e as deixamos ir (no caso de perdas) ou simplesmente nos afundamos em tristeza, em uma perspectiva de Samara Morgan (eternamente no poço e arrastando mais e mais pessoas para lá). É necessário saber seguir em frente e aí está mais uma coisa na qual crianças são boas. É algo que precisamos reaprender. Deixar de lado o que já não mais será, tirar algo bom do que se foi para sempre e reciclar a vida. É necessário. Para todos.

É um livro bonito demais. E triste. E inspirador.
O tipo de livro que faz pensar "o que raios estou fazendo com o que restou de mim?". 

Feche os olhos, mas mantenha a mente bem aberta. 

E é por isso que eu não faço amigos em ônibus: sou chorona. E leio em qualquer canto, especialmente durante as 4h de viagens de ônibus que faço diariamente. Todos me olham desconfiadíssimos, afinal, a moça está chorando, a maquiagem está borrando! E eu lá, deixando lagriminhas escorrerem pela face enquanto leio sobre coisas que me tocam profundamente. Ninguém entenderia. Então abraço meu livro, dou um suspiro e viro a página. Porque a vida continua. E nem tudo são lágrimas. 

Do fundo do meu coração...

Às pessoas-chuchu que facilitam minha vida aloprando loucamente. ♥ 


Cês sabem que eu não falo palavrão.
Caso não o saibam, fiquem sabendo agora: não falo palavrão.
Não tem um porquê definido. Apenas não me apetece. Prefiro dar um sorriso irônico e seguir em frente. Não por polidez, mas por preguiça mesmo que me estressar por coisas à toa é algo que deixei no passado.

Ou assim pensava.
Porque ~com o perdão da palavra~ que dia cu.

Às vezes tudo o que você precisa é de um abraço e um colo pra chorar. Não é o que você quer, mas o que você precisa. Eu sou uma pessoa super reservada - e todos ficam chocados aqui, porque eu falo pra caramba quando quero; mas nunca o essencial, o importante - e não falo do que está no meu íntimo. Tenho resistências para conversar até mesmo com as pessoas em quem "confio". Mas há dias em que estou mal. Há coisas que me machucam de formas que não consigo exprimir exceto com lagriminhas silenciosas. Aí eu peço colo. (Não literalmente, que não sou louca.) Abraço. Chego mais perto, tento uma aproximação mais carinhosa porque, olha, preciso.

E o que a pessoa faz? ME EMPURRA E DIZ PRA EU VIRAR ADULTA.

Olha, desnecessário, né. Extremamente.
A pessoa - e veja bem que estou dizendo pessoa no singular, quando na verdade eu deveria estar usando o plural, já que foram três maravilhosas pessoinhas-chuchu que fizeram tal coisa hoje - nem me pergunta o que eu tenho. Nem se dá ao trabalho de querer saber. Não porque não percebeu que há algo de errado. Percebeu tanto que falou ("tá com cara emburrada, Mia, pára com o mimimi"). Mas não perguntou. E eu nada contei porque não sou de falar quando não me dão abertura.

Mas aí que ontem me foi jogado na cara uns traumas bem pesados que tenho. Me foi dito - por gente especialista na área - que pessoas que passam pelo que eu passei JAMAIS recuperam-se e vivem a vida inteira numa carência afetiva/emocional, sem ter estrutura alguma pra lidar com nada e não vão pra frente em seus projetos, mesmo que tentem, porque lhes falta o essencial, fora que nunca confiarão em alguém. A pessoa que disse tal coisa não faz ideia dos meus traumas. Não faz ideia que isso se aplica a mim. E não faz ideia do quanto luto para que essas sentenças não tornem-se verdade na minha existência.

Aliás, a semana inteira, desde sábado, coisas ~traumatizantes~ têm sido jogadas na minha cara, uma atrás da outra. É como se o universo tivesse preparado uma temporada de melhores momentos da Mia se ferrando lindamente e tivesse resolvido jogar tudo na minha cara assim, de uma vez só, com o intuito de entreter os espectadores entediados.

E eu não estou com saco, tempo ou vontade de sentar e explicar que, olha, queridas pessoas, a tia Mia tem certos problemas com babaquice alheia e uns traumas bem pesadinhos na bagagem, portanto fiquem na de vocês até essa nuvem negra de macumba passar. Não estou com a mínima disposição para paparicar pessoas. Não quero dar atenção para quem não me dá. Não quero ser delicada com quem só me manda catar coquinho na beira da estrada. Não quero explicar os meus porquês para quem não se importa e só fará rir da minha cara pelas costas ou dizer que é drama, é mimimi. Porque não é drama. Não é mimimi. É A PORRA DO UNIVERSO COLOCANDO O DEDO ESCROTO NAS MINHAS FERIDAS MAIS PROFUNDAS E ME FAZENDO DESMANCHAR DE CINCO EM CINCO MINUTOS. Caramba.

E se eu não fico cutucando as feridas de vocês e passando merthiolate ~o ardido, o bom~ em cima, então não me venham encher os pacovás querendo analisar o que é ou não relevante para mim.

Em quatro palavras-salvadoras: VÃO TOMAR NO CU. ♥

Agora licença, que tenho prova daqui a sete horas. 

Das citações que moram no meu coração

E para esta semana o desafio das 52 semanas dita o tema: minhas citações preferidas.
Como sou apaixonada por literatura, isso não foi nada difícil. Difícil foi limitá-las a apenas 5.







1. O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez.
"A sabedoria nos chega quando já não nos serve para nada."

2. Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
"Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a Terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre!"

3. Paula, da Isabel Allende.
"O meticuloso exercício da escrita pode ser nossa salvação."

4. A redoma de vidro, da Sylvia Plath.
"Sou apenas uma gota a mais no imenso mar de matéria, definida, com a capacidade de perceber minha existência. Entre os milhões, ao nascer eu também era tudo, potencialmente. Eu também fui cerceada, bloqueada, deformada por meu ambiente, pela manifestação da hereditariedade..."

5. A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera.
"O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (pois isso se aplica a todas as mulheres) e sim pelo desejo do sono compartilhado (isso se aplica a uma só mulher)."

E uma menção honrosa que não posso, de forma alguma, deixar de lado:

6. As cidades invisíveis, do Ítalo Calvino.
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: procurar e reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço." 

There's no such thing as true love

O problema de ser metida a escritora (ou ter uma veia literária, uma alma feita de poesia e todas essas coisas bonitas que usamos para justificar a necessidade intrínseca de sentar e escrever sobre tudo e nada ao mesmo tempo) é que sempre há momentos em que precisamos dormir, mas não conseguimos porque há aquele assunto. Sempre há um assunto. Sempre houve. Sempre haverá. Um assunto do qual não gostaríamos de falar. Um assunto do qual não falamos nem para nós mesmos. Aquele assunto que evitamos o quanto podemos porque é perturbador demais, porque não temos tempo para isso, porque não, apenas porque não. Até que aquele maldito assunto não nos permite dormir e a pessoa se percebe acordada durante a madrugada sendo que PRECISA dormir porque terá de acordar dali a 4 horas para ir até uma sala de aula e apresentar um trabalho sobre os conceitos de tratamento da informação.

Esse assunto, para mim, é amor.
Mais especificamente: o fato de eu não acreditar no mesmo.

Eu sei que eu vivo dizendo que ó, o amor, que coisa linda o amor. Eu sei que escrevo poemas românticos. Eu sei que sou uma pessoa carinhosa pra caramba e que diz que ama as pessoas e tudo o mais. E talvez as ame, realmente. Mas não consigo acreditar em amor romântico. Quer dizer, é tudo cíclico. Você se apaixona. Vive ótimos momentos. Você acha que ama a pessoa, talvez até a ame realmente. Esforça-se para que dê certo. Aí não dá, porque a vida acontece. A relação termina. Você pragueja o amor. Não quer mais ninguém. Você se apaixona. E tudo recomeça. Creio que o amor romântico é a invenção de alguém que quis justificar o sentimento calmo que ocorre após o calor da paixão, aquela loucura dos primeiros tempos. Sobra um carinho, uma acomodação, um "ele tem um sorriso tão lindo". Um cuidado. Algo bom, realmente. O suficiente para viver junto da pessoa por um tempo, grande ou pequeno. Mas... será amor? Eu não estou em posição de julgar os sentimentos alheios e não tenho a mínima pretensão de definir o que é ou não é amor. Cada um com seu cada um, ué. Mas quando penso em pessoas que amo verdadeiramente, apenas algumas me vêm à mente. Porque para mim o amor pode ser definido pela resposta da simples pergunta: como eu ficaria se aquela pessoa morresse? Se eu visualizo a mim mesma seguindo em frente numa boa apesar dos pesares, não era amor, era convivência.

A gente sente falta da convivência. A gente ama a ideia do amor. Porque é algo bonito, sabe. Muito bonito. É bonito pensar em ter alguém que nos amará para sempre, alguém que sempre estará lá por nós, alguém que não suportaria nossa ausência. Mas na maior parte das vezes a realidade é que apenas nossos pais agem assim, e olhe lá. O resto... Pessoas podem ser substituídas. Sentimentos, desfeitos. Lembranças deixadas num canto escuro da mente para todo o sempre, amém.

Aí alguém pode vir aqui e dizer que tô escrevendo isso porque meu namoro terminou. Mentira. Estamos juntos, somos um casal lindo e nos divertimos pra caramba, por sinal. Combinamos. Mas minhas ilusões a respeito do amor e de relacionamentos acabaram há cerca de um ano e pouco. Nunca mais chamei alguém de "amor da minha vida". Algumas músicas perderam o sentido. Porque fica meio sem sentido após algum tempo, sabe. Quer dizer, a pessoa passa por vários namoros, conhece várias pessoas... Não dá pra ficar chamando todo mundo de "amor da minha vida". O amor da minha vida sou eu, ué. Há o amor de agora, a pessoa que está comigo agora. Sei lá eu do futuro. Vai que acabe? Tudo é possível. Se restar um sentimento bonito, se desenvolver pra um amor fraternal, aquela coisa de amigo mesmo, já me darei por satisfeita. Se resultar em casamento... sei lá. SEI LÁ, CARA. Esse assunto me assusta pra caramba. PRA CARAMBA.

Acho engraçado quando as pessoas que convivem comigo falam que não acreditam quando digo que, olha, não acredito nessa coisa de amor romântico. Se pá acredito em relacionamentos. As pessoas simplesmente não creem que eu seja tão... "fria" assim. Isso porque sou uma pessoa extremamente carinhosa. EXTREMAMENTE. Cuidadosa. Eu não gosto de muitas pessoas, mas de quem eu gosto, gosto mesmo. Só que às vezes (sempre) as pessoas confundem esse meu gostar, esse meu jeito carinhoso e cuidadoso de ser com amor. Quando não é amor. Não é, gente. Eu sei que muitas pessoas quererão ter uma conversa séria comigo após este texto e talvez até mesmo fiquem de mal, mas... NÃO É AMOR. Eu gosto de vocês. Pra caramba. Mas amo, no máximo, 5 pessoas (e estou sendo generosa aqui). E dessas 5, apenas teria verdadeiras dificuldades em viver sem 2 delas. O resto... bem, lamentaria, mas a vida continua. OU SEJA.

Eu  não sou romântica. Se eu tivesse de escolher uma personagem que me represente, escolheria a Summer. Não sou completamente uma Summer porque disfarço melhor. Disfarço mesmo. Mas, por dentro, a configuração é basicamente a mesma.

Teve aquela monja que disse que as pessoas confundem apego com amor. Acho que isso é verdade. Uma das pessoas que eu amo nesta vida é alguém que, sinceramente, pode pegar a guria que quiser e eu nem tô aí. Não sou ciumenta. Só quero que a pessoa esteja bem. Quero que esteja feliz. Que viva todas as oportunidades boas (e ruins também, porque a gente aprende quebrando a cara) que a vida lhe proporcionar. E quero que nos demos bem sempre. Ou, ao menos, até quando pudermos. Aí me perguntam: se tu ama tanto a pessoa, por que não namora/casa com ela? PORQUE EU NÃO QUERO.

Eu não quero viver na mesma casa com essa pessoa.
Não quero namorá-la.
Não quero ter filhos com ela.
Não quero ser cobrada acerca do que eu tô fazendo com a minha vida.
Não quero um relacionamento amoroso.
Mas quem disse que pra amar é necessário estar junto num relacionamento amoroso? Quem disse que quem ama sente ciúme? Quem disse essas mentiras todas nas quais acreditamos?

E quem disse que o amor, da forma como nos foi ensinado, existe?

O amor é a convivência.
Não romantizo o amor. Não quero uma vida de conto de fadas (apesar de adorá-los, mas sou prática demais para isso). Não quero ser obrigada a dizer que meu namorado é o amor da minha vida sendo que, né, estamos apenas há alguns meses juntos. Também não quero, com isso, dizer que ele não será o homem da minha vida. Porque eu não sei. Eu só quero que não me encham os pacovás achando que eu quero ou sou mais do que digo. Porque eu sou carinhosa pra caramba, mas não sou romântica. Eu sou delicada, mas não sou frágil. Eu sou mulher, mas não sonho com um cara salvando minha vida. Eu quero ter filhos, mas não preciso de um homem pra isso. Eu amo, mas não acredito no amor.

E se isso parece contraditório pra vocês, então sugiro que não perguntem sobre o resto. A partir daqui é ladeira abaixo.

Em uma imagem: 
Clementine. Sempre. 
 
Wink .187 tons de frio.