Blogday, ou we are the champions, my friends

Hoje é o tal do Blogday que é, basicamente, um dia em que blogueiros indicam blogs queridos, blogs-amor. Isso sempre teve? Não SEMPRE, mas durante muito tempo, sim. Eu nunca havia participado porque... não sei? É aquele tipo de coisa que a gente vê os outros  fazendo, mas não faz.

Nunca havia participado do BEDA porque realmente acho loucura escrever todos os dias num blog. Quer dizer, eu escrevo todos os dias, religiosamente, mas não publico tudo o que escrevo porque né, relevância. Nem tudo cabe ser compartilhado com as pessoas e como uma pessoa com stellium em escorpião que sou meu senso de privacidade é extremamente exacerbado. (Eu sei que não parece, mas eu não conto nem metade das coisas que me acontecem, gente.)

Mas o fato é que isso deu um up total no blog, na minha vida como blogueira - hahahaha, é tão engraçado isso porque cada vez que eu digo que tenho um blog as pessoas acham que eu VIVO disso e não, isso aqui é apenas um blog diarinho que existe há anos porque terapia tá pela hora da morte e escrever é muito mais eficaz do que ficar num divã sendo julgada - e na interação bloguística. E é justamente dessa interação que se trata o dia de hoje.

~agosto em um gif~
O Rotaroots havia proposto uma coisa bem louca: indicar 5 blogs que não saem do meu feed, 5 blogs que conheci no Rotaroots e 5 blogs pra sair da rotina. Mas sou um espírito livre e não farei isso, vou falar é dazamigas mesmo.

Provavelmente alguém ficará de fora porque se tem uma coisa que eu sou é esquecida. Estou toda atrapalhada aqui porque eu não sou o tipo de pessoa que programa posts, eu sou o tipo de pessoa que os escreve na hora. E, por conta disso, estou me ferrando lindamente. Para escrever este post acordei e fui pegar os links, editar as imagens, começar a escrever... E A INTERNET CAIU. Então, pra não me estressar, enquanto a Oi dava um jeito, fui assistir o pilot de PLL (Pretty Little Liars) que é um dos meus pilots preferidos de séries, apesar de a série ter desandado bastante depois de algumas temporadas e eu tê-la largado de mão. MAS OS VESTIDOS DA ARIA SÃO MUITO LINDOS! ♥

Okay, foco. Entonces, a ideia é indicar os blogs dazamigas, mas especialmente aqueles que acompanhei durante o BEDA. Deu pra acompanhar tudo direitinho? Não. Porque estudos, família, namorado, VIDA em geral - como eu uso caps lock, né? mas que mania chata, tchê! -, mas deu pra dar umas lidas em vários blogs lindos e me encantar pensando: como as pessoas podem realmente gostar do meu tendo tanto blog maravilhoso por aí? Enfim, estou perdendo o fio da meada de novo.

BLOGS-AMOR QUE MERECEM SEU CORAÇÃO 


DREAMS - O blog da Thay eu acompanho há muito, muito tempo. Acho que a primeira vez que passei lá foi seguindo um comentário que ela havia feito aqui. Lembro que pensei: COMO NÃO HAVIA CONHECIDO ESTE BLOG ATÉ AGORA, SENHOR?! Tamanho foi o nível de amor que ele entrou no meu blogroll e dele jamais saiu. Lá ela fala sobre sua vida, suas preferências, incluindo MUITO Supernatural e gifs do Dean que ela arranja um jeito de colocar em todos os posts (adoro, salvo todos ♥). Ontem a dona Kah falou que meu blog lembra o da Thay e eu fiquei QQQQQQ ~olhinhos brilhando~ porque isso é muito amor, hahahaha! O meu post favorito dela neste mês de Agosto é o 07 vezes Supernatural porque CARRY ON MY WAYWARD SON ♪.


LIGHT H2SO4 - O blog da Amanda eu acompanho há tanto tempo que nem sei dizer quantos anos faz, hahahaha! Sei que durante esse tempo que a acompanho, ela já mudou de blog algumas vezes, e em muitas delas eu me confundia pra achar os links, mas aqui estamos nesse blog - tumblr - maravilhoso dela. A Amanda é uma guria linda - de verdade, ela é o tipo de pessoa que não envelhece, sabe? tem uma pele maravilhosa e um sorriso encantador -, divertida e inteligente. O que eu mais gosto no blog dela é que ela fala realmente o que pensa e sobre assuntos pertinentes. Claro que adoro um blog diarinho, mas também adoro uma boa reflexão, e isso ela faz de forma incrível. O post de agosto dela de que mais gostei - ela não postou muitas coisas, mimimi - foi o Histórias da vida acadêmica por motivos de: quem não gosta de ler esse tipo de história, gente? (Amanda, temos de marcar um cinema, hein?!)

MILARGA - Comecei a acompanhar o blog da Vanessa quando ainda fazia curso de Design Gráfico - ou seja, faz MUITOS anos. Lembro que fazia os exercícios em 15 minutos e ficava o resto da aula lendo blogs e escrevendo aqui no Wink. Chegou um momento em que eu não tinha mais o que ler ou fazer ou escrever, aí descobri esse blog maravilhoso - não sei como, gente; a maior parte dos blogs que amo não sei como apareceram em minha vida, só sei que um dia chegaram - e acabei lendo-o por completo. 'CÊS ACHAM EXAGERO? Pois saibam que se seus blogs estão aqui é porque ou os li por completo ou estou em vias de. Blog pra mim é tipo um livro, mas um livro pessoal, um diarinho mesmo. E eu leio, ué. Eu gosto do blog dela porque me identifico horrores com a dona Vanessa. Pra começo de conversa, ela é a única pessoa que conheço que possui tantas - ou mais - alergias quanto eu. Só isso já faz com que eu preste bastante atenção no que ela escreve porque é uma pessoa que entende os dramas e tristezas da pessoa alérgica. Mas enfim: é um blog divertido, sincero e que vale a pena ler. Meu post favorito desse blog deste mês é o Oblíqua e dissimulada, em que ela fala sobre essa loucura geral das pessoas que culpam a Capitu dizendo que ela traiu o Bentinho e blablabla. QUE LOUCURA, GENTE. Leiam lá pra entender o porquê.

DREAMS & DRAMAS - O blog da Yuu não me era conhecido antes deste BEDA, mas por conta de links de outros blogs - blogroll, amo blogroll -, acabei conhecendo-o e me apaixonando. Como eu já disse pra ela - acho que já disse, mas sempre fico no terreno da dúvida entre o que disse e o que pensei em dizer -, o blog dela foi uma das melhores descobertas bloguísticas deste BEDA. Assim como eu, ela usa gifs lindos em seus posts (gente, eu sou a louca dos gifs, sério, eu tenho pastas e mais pastas organizadinhas com gifs pra tudo quanto é coisa, risos, e adoro blogueiras que partilham desse amor por gifs), adora Gilmore Girls (♥) e escreve maravilhosamente bem. Meu post favorito dela deste mês é o Dos livros que eu vi as pessoas lerem no ônibus, simplesmente porque é muito amor isso, gente. ♥

OH SO FANGIRL - Eu realmente acompanho o blog da Ana há um bom tempo e gosto de tudo o que tem lá. De tudo? É, de tudo. Layout, forma de escrita, assuntos das postagens, bom humor da dona Ana e imagens - especialmente gifs - maravilhosas que ilustram os posts. A Ana é gaúcha como eu - TEMOS DE marcar um encontrinho de blogueiras, hein! - e estuda Direito, mas assim como ela diz na bio, realmente deveria mesmo era trabalhar pra fazer reviews de séries, filmes e livros. Ela fala muito sobre isso. MUITO. E como eu adoro esse mundo, me sinto em casa lá. O meu post preferido deste mês desse blog maravilhoso é o Eu sofro de camelismo. Eu sei que ela escreveu vários posts incríveis - mesmo - que talvez merecessem mais a indicação do que esse, mas acontece que essa coisa de sofrer de camelismo - ou seja, beber água DEMAIS - fez com que rolasse toda uma identificação e eu trabalho por identificações mesmo. Ou seja: puro amor bloguístico. ♥ 


HELLO LOLLA - Esse é um daqueles blogs que não saem da minha lista de favoritos. Quando eu tinha uns 13 anos e estava começando a usar a internet não conhecia nada do mundo bloguístico. Um dia, ao fazer uma pesquisa a respeito da Sophia Loren (adoro filminhos antigos, gente ♥), me deparei com esse blog maravilhoso. Foi amor. Demorei um bom tempo para entender o que era um blog e qual era o sentido daquilo. O sentido é não ter sentido ou tentar buscar um sentido, mas só fui entender isso após criar o meu. O fato é que esse foi o primeiro blog que li e é um blog que recomendarei para sempre. A Lolla é super querida, engraçada, tira fotos maravilhosas e tem um senso crítico maravilhoso - porque não é aquela coisa de A SOCIEDADE PRECISA SER REVOLUCIONADA, é uma coisa do tipo: sim, é uma droga, mas vamos nos focar nas coisas bonitas da vida. É um blog bonito, feito por uma pessoa bonita. A Lolla, mesmo sem saber, acabou moldando muito meu jeito de blogar - meu e de uma pá de gente, né? risos. Blog-amor. ♥ Meu post preferido dela deste mês é o Let me go on like I blister in the sun, em que ela conta a trajetória de um dia em que apenas queria comer um bolo que não fosse hipsterizado. Muito amor. ♥ 

DRAMINHA - Conheci o blog da Raquel na mesma época em que conheci o da Vanessa. Aliás, os blogs das duas são bem parecidos, e isso explica muito o porquê de eu gostar tanto deles. (Mas, sendo bem justa, todos os blogs aqui indicados são meio parecidos porque são todos diarinho, hahahaha; blogs diarinho = ♥) A Raquel faz piada da própria desgraça e isso é uma coisa que admiro muito porque se a gente não rir da nossa própria cara primeiro sempre terá um desgraçado, que claramente não é muito fã de estar vivo, para fazê-lo. Ultimamente ela tem escrito apenas uma vez por semana (lagriminhas, mimimi), mas realmente vale a pena ler esses posts semanais. Sério, gente. Raquel trabalha numa livraria e conta coisas bizarras que acontecem lá com aquele humor peculiar dela. Me reconheço muito no blog da moça porque, veja bem, cada vez que eu o leio - e ela já passou por vários blogs diferentes desde que comecei a acompanhá-la pelo mundo bloguístico -, vejo um pouco do meu futuro. Eu realmente não posso indicar um post preferido do mês porque só houve 4 postagens e eu gosto de todas elas. Estou trapaceando em minhas próprias regras, mas c'est la vie. 

Eu gostaria muito de continuar esta lista porque certamente tem gente faltando - lindas, vocês estão todas no meu blogroll, não fique chateadas; ou fiquem, né? mas enfim -, porém o calor já está realmente forte aqui - mais de 30°C - e a minha dor de cabeça já bateu o ponto. Como eu já cansei de dizer, se tem uma coisa com a qual não sei lidar essa coisa é o calor. Eu literalmente passo mal com o calor e, por conta disso, não continuarei com a lista. Mas se vocês estão no meu blogroll é porque moram no meu coração. ♥ 

Em uma breve retrospectiva do que teve de melhor neste lindo blog (Wink ♥) no BEDA: 
• Teve uma listinha de personagens literários de quem gostaria de ser amiga. 
• Teve a descrição da pior aula do universo (sério). 
• Teve um texto sobre mulheres que escrevem sobre mulheres - mais recomendações literárias porque todo mundo sabe que a minha grande paixão nesta vida é a literatura. 
• Teve uma homenagem ao Jorge Luis que não é Borges. ♥ 
• Teve aquele texto em que eu desabafei tudo o que eu tinha guardado sobre o fato de se esforçar pra conseguir coisas e ter as pessoas enchendo o saco a respeito disso. 
• Teve aquele em que eu me senti o Ted Mosby
• Teve o guia definitivo de como lidar comigo, que é realmente muito didático e cujo link espalhei pra os meus amigos por motivos de: necessário. 
• Teve aquele dia horroroso em que eu trepei numa árvore ao fugir de um cara e fiquei presa lá em cima. 
• Teve aquele em que eu falei sobre comida - e, cá entre nós, posts sobre comida não podem dar errado. 
• E teve aquele em que eu contei parte da sitcom que é a minha vida, narrando a história de como eu conheci o meu namorado - melhor historinha, sério - e sendo brega e bobinha. ♥ 

E aqui eu tô salvando os links dos bloguinhos lindos que me mencionaram - se você é um deles, diga! Eu realmente não adivinho as coisas, gente, e tem MUITO blog que me menciona e eu só vou saber porque alguém aleatório me contou, hahahaha 
Pratododia 
Dreams 

E é isso, gente. 
Agora com licença que literalmente não aguento mais estar na frente do computador e vou dormir um pouquinho porque cancelei a segunda-feira. No decorrer da semana pretendo visitar o blog de todas as pessoas-chuchu que comentaram aqui e a quem não tive tempo/energia para retribuir durante a última semana. Foi um prazer participar do BEDA com vocês. 

Em uma música: 


Bjos ;* 

Eu sou só uma garota do interior vivendo na cidade grande

E odiando cada minuto.


Ontem, conversando com um amigo (que é um desenhista INCRÍVEL e tá com um projeto de webcomic, confiram, sério, é realmente espetacular), ele me fez a seguinte pergunta: quais são as 5 coisas que tu detesta na cidade grande? Como eu sou uma moça da cidade grande que nasceu no meio dessa confusão, mas que, na verdade, adora mesmo é a vida simples do interior, não demorei pra transformar a minha resposta em post pra o blog - a essa altura do campeonato, QUALQUER COISA vira post pra o blog.

1. Pessoas.
São muitas e estão por todos os lados, mal dá pra respirar às vezes. Você se vira e derruba alguém. Eu não sou uma grande fã de pessoas. Consigo lidar bem com duas ao mesmo tempo; se há três pessoas perto de mim eu já começo a perder o foco, ficar irritada e querer a minha cama. Você gosta muito de pessoas? Parabéns, venha para Porto Alegre então, porque literalmente você não consegue fazer uma caminhada que duraria no máximo 5 minutos em menos de meia hora. E isso ocorre apenas por conta do congestionamento de pessoas aglomeradas em todos os cantos. Sair em Porto Alegre em qualquer dia da semana - menos domingo, domingo é mais tranquilo; mas também mais propenso a assaltos - é simplesmente ter de sair sempre 1 hora mais cedo porque você SABE que as pessoas lhe atrasarão. Ninguém apenas anda. As pessoas andam oito passos e param pra ver as vitrines das lojas. É um inferno.

2. Cheiros.
Uma confusão tão grande de perfumes que parece que ninguém toma banho há semanas. Literalmente há cheiros de todas as espécies. As pessoas acham que estão arrasando com seus perfumes caríssimos, mas a única coisa que estão fazendo é provocar a minha rinite. Ar puro? HAHAHAHA Quem dera. Árvores? Pouquíssimas. O que mais tem é poluição de carros e prédios e pessoas jogando lixo no meio da rua - nunca ouviram falar de lixeiras, que estão por todos os lados, por sinal, ou de carregar uma sacolinha dentro da bolsa pra guardar o lixo, obviamente. Isso sem falar nos esgotos. A CÉU ABERTO. Agora imagina tudo isso misturado ao cheiro de fritura que há em, literalmente, todas as esquinas da cidade? Pois é. É um teste de resistência ao seu sistema respiratório.

3. O cinza dos prédios e mais prédios.
Cadê o verde? Okay, temos a Redenção como ponto de referência, entre outros pontos e tal na cidade. Mas... no geral, é tudo muito cinza - ou rosa, há muitos prédios rosados em Porto Alegre. Eu sinto falta de olhar pra o lado e ver apenas o infinito, não ter a visão de vitrines e calçadas sujas e pessoas. ARGH, PESSOAS!

4. Barulhos.
MUITOS barulhos. Você quer se retirar pra pensar, pra dormir por minutos durante seu intervalo, pra qualquer coisa... e não dá. A não ser que tenha uma sala à prova de som. Simplesmente porque É TUDO MUITO BARULHENTO. Buzinas, pessoas gritando - gritam o tempo inteiro, é sério -, músicas que ofendem o intelecto humano, mais buzinas, anúncios de lojas, celulares tocando, motores roncando... Tudo ao mesmo tempo pra deixar a pessoa no meio de um ataque de nervos, obviamente.

5. Carros.
Carros demais, pessoas de menos. Uma morte a cada minuto. Eu entendo a importância de se ter um carro, eu sei que muitas vezes é uma questão de necessidade. Por exemplo, me seria muito mais seguro ter um carro pra voltar da faculdade à noite. Contudo, as pessoas parecem que não veem outras alternativas além de carros e os usam para, literalmente, qualquer coisa. MEU BEM, EXISTEM OUTROS TIPOS DE MEIOS DE TRANSPORTE, SABIA? Isso tem no interior? Claro que tem. Mas numa quantidade aceitável, uma coisa tranquila, que não te deixa a ponto de querer quebrar vidros e socar motoristas.

Viver na cidade grande é um grande desafio aos nervos de uma pessoa. Eu não sou fã de baladas, raramente vou ao cinema e posso encomendar livros pela internet. Não é como se eu fosse sentir tanta falta assim de uma cidade com a estrutura de Porto Alegre. Eu gosto de uma vida sem pressa, em que a pessoa possa realmente parar e ter experiências realmente, não apenas momentos. Minha família toda é do interior e viemos parar aqui por obra do maldito destino, mas ainda bem que ao menos moro num local meio isolado e cheio de vaquinhas e cabritos.

Mas enquanto houver a faculdade aqui - e algum trabalho e meus pais e o namorado -, aqui eu estarei. :)

Por que eu odeio o calor

Passei o dia inteiro passando mal e sem condições de levantar da cama por conta desse maldito calor + tpm e agora, que está mais fresquinho, finalmente me animei a vir aqui e fazer o post do dia pra falar que:

EU ODEIO O CALOR. 

Eu sei que há toda uma massa que ama o verão, idolatra o sol e diz não saber viver no frio. Mas frio é amor, frio é lindo, frio é tudo de bom. No frio a gente usa roupas fofinhas e fica bem, numa temperatura agradável. No calor se faz o quê? Se depende da tecnologia - ar condicionado ou ventilador - pra conseguir fazer coisas mínimas.

~esta sou eu no calor~

1. No calor tem mais mosquitos do que no frio.
Mosquitos. Aqueles pequenos seres que chupam o seu sangue e te deixam com marcas que tu não sabe se são espinhas se preparando para nascer ou picadas mesmo. Mosquitos, aqueles troços que fazem um zzzzzz nos seus ouvidos à noite. Mosquitos, aqueles pequenos monstros voadores que te fazem dar tapas em si mesma só para tentar matá-los, mesmo que você seja a favor da vida de todas as criações do divino. Você não consegue evitar. Matar mosquitos faz parte de sua natureza.

2. Suor.
Alguém realmente gosta de suar? Você está bem tranquilo indo de encontro ao seu namorado, é um lindo dia de sol, seu vestidinho rodado mostra suas curvas de uma forma que nenhum outro faz... Mas você tem de parar sua caminhada para passar um lencinho no rosto e verificar se o desodorante não venceu porque calor, meldels, calor, quem escapará do calor e do suor? Glândulas sudoríparas, essas inimigas de encontros bem sucedidos.

3. Maquiagem que não pára.
Você passa um lápis de olho pra dar aquele efeito gatinho tão fofo que todos adoram. Em meia hora aquilo já se transformou em uma mancha difusa preta que te faz parecer um cosplay de panda. Você passa um batom que diz durar por horas, mas a quantidade de água que você é obrigada a tomar por conta do calor desgraçado te faz ter de retocar o batom a cada meia hora. Você está passando o pó e ele vai grudando em locais impróprios, fazendo com que você fica com focos de pó no rosto porque o suor, ele vai manchando enquanto você tenta simplesmente fazer uma boa base! E eu nem vou falar do rímel.

4. Pessoas.
As pessoas parecem se proliferar no calor. 30°C? TODO MUNDO NA RUA. Parece ser um acordo tácito do ser, mas é apenas meu inferno pessoal mesmo. Eu gosto de caminhar sem ter de esbarrar nas pessoas, sem ter de ficar dando olá pra gente com quem eu nunca conversei, mas em quem sempre esbarro. Eu não quero ser obrigada a sorrir e concordar quando me dizem QUE DIA LINDO, NÉ? Lindo um caramba, lindo será o dia em que nevar e eu poder sair com minhas galochas cor-de-rosa e fazer um Olaf na neve. Nesse dia eu serei feliz. E nem vou falar sobre a praia porque: praia é boa no frio, quando não tem gente suada e nojenta te encostando, gritando nos teus ouvidos e poluindo tudo. No verão, enquanto todo mundo tá na praia, eu tô debaixo de uma árvore lendo e esperando o frio.

5. Vontade de morrer.
Eu passo muito mal no calor em dias de tpm. Minha tpm afeta totalmente o meu ser, não apenas o meu humor, mas meu corpo também. No frio é apenas um mimimi e uma cólica. No calor, é uma moleza e a vontade de ficar em coma até o frio chegar porque dá tontura, não dá fome, dá dor de cabeça. Só não é o fim porque há a esperança do frio que sempre chega.

Eu só quero uma temperatura de 8°C diariamente. Isso é pedir muito? I don't think so.

UPDATE: apenas para dizer que não tô respondendo os comentários de ninguém porque têm sido dias tensos, dias corridos, dias loucos, amigos. Mas assim que for possível estarei indo nos lindos blogs de vocês porque sdds ler e comentar nos blogs dazamigas. 

Rory sou eu

Fazendo uma minimaratona de Gilmore Girls (série amor ♥), me deparei com este diálogo entre a Lorelai e a Rory:

— Isso é muito pequeno.
— A mochila não é muito pequena.
— Minúscula.
— Só leve os livros da escola e deixe os outros.
— Preciso de todos os outros.
— Você não precisa desses todos.
— Eu acho que preciso.
— Edna St. Vincent Millay?
— É meu livro para o ônibus.
— E o Faulkner?
— Meu outro livro para o ônibus.
— Então leve só um livro para o ônibus.
— A Millay é uma biografia. Às vezes, no ônibus, pego uma biografia e penso: "bem, não estou a fim de ler sobre a vida de alguém", então mudo para um romance. E se não quero o romance, troco de novo.
— E o Gore Vidal?
— É meu livro para o almoço.
— Então deixe o Vidal ou o Faulkner. Você não precisa de dois romances.
— O Vidal são ensaios.
— Aham. Mas o da Eudora Wely não são ensaios nem biografia.
— Certo.
— Então é um outro romance. Deixe.
— É um livro de contos.
— Isso é uma doença.
— Ha! Eu fiz tudo caber! Eudora, Vidal, Faulkner e Millay!
— Legal. Esqueceu seu livro de francês.
— Eu sei. Vou carregar meu livro de francês.
— Uhum. Você achou que o livro de francês já estava aí dentro. Você tem um problema.
— Não, eu não tenho.
— Tem que se curvar por conta do peso da sua mochila. 

Eu literalmente tive de pausar o episódio e anotar esse diálogo porque essa é a descrição da minha vida (mentira, a descrição da minha vida é mais como "ela não tem medo de falar o que pensa, só tem medo de apanhar na rua", mas finjamos que eu tenho duas vidas e que estou falando apenas e tão somente da vida de leitora agora).

Levo livros a qualquer lugar. Repito: qualquer lugar. Hoje fui ao dentista e levei dois livros: um do Hemingway (Adeus às armas) e um do Borges (Outras inquisições). "MAS PRECISA LEVAR DOIS? UM SÓ NÃO BASTA?" Precisa. Porque um é romance e o outro são ensaios. E se eu não estiver com vontade de ler um romance? E se alguma coisa acontecer, eu terminar de ler o romance e não tiver nada pra ler até voltar pra casa, vou ficar fazendo o quê? São questões muito relevantes para a pessoa leitora.

No mesmo episódio do diálogo, Rory é chamada na sala do diretor de Chilton - aquela escola só pra ricos e que ela estuda - porque, segundo ele, é um problema ela ser quieta, sentar na hora do intervalo com seu lanche e um livro. ONDE JÁ SE VIU NÃO SOCIALIZAR? Ele a chama de loner, uma pessoa antissocial, e a ameaça dizendo que ela não entraria pra universidade caso não passasse a socializar com os coleguinhas porque não bastava ter boa nota, a pessoa tem que ser pertencente a um grupo social.

~meus livros parecem muito tristes quando estão longe de mim~
Eu passei muito por isso durante toda a minha vida escolar - e passo até hoje, na verdade. Quando eu tinha meus 10 anos fui proibida de frequentar a biblioteca escolar, tudo isso porque as professoras achavam que eu lia demais pra minha idade e precisava socializar. Contudo, eu sempre fui cheia de amigos. Ser uma leitora assídua nunca me fez perder a amizade de ninguém, pelo contrário. Mas o fato é que passei todo o meu Ensino Fundamental sem poder entrar na biblioteca e, por conta disso, tive uma baita quebra no meu ritmo de leitura.

Só por curiosidade, esse foi o período mais "antissocial" que já tive. Risos.

Quando eu assisto algum episódio de Gilmore Girls me identifico imediatamente com a Rory porque ela é esquisita - no sentido fofo da palavra -, amiga da mãe - gente, se eu tenho amigos nesta vida, são meus pais -, conhece trocentas referências culturais antigas, que a maior parte do povo da idade dela não conhece, o que faz com que todo mundo fique com cara de olhar bovino perto dela porque ninguém entendeu a referência, ela tem amigos de todos os tipos, ela lê sem parar e sempre sonhou em ser uma jornalista/escritora. Basicamente um breve resumo da minha vida.

Aí eu tava vendo esse episódio e fiquei pensando: se a Rory se deu bem na vida mesmo carregando 5 livros na mochila diariamente e meio que evitando contato social porque, oi, a leitura tá mais interessante, por que eu não me daria, né? É. Caramba. Que mania as pessoas têm de achar que ler muito faz mal! Olha, não faz. Ano passado eu li mais de 120 livros e continuo tendo amizades maravilhosas, tenho namorado, tenho blog, tenho vida social. E tá tudo bem.

A vida toda eu fui vista como a esquisita, a nerd, a antissocial. Até hoje carrego essa fama, sendo que a verdade é que se algum dia eu quiser fazer uma viagem aleatória pelo mundo, tenho amigos em todos os lugares, em, literalmente, todos os continentes, que já cansaram de dizer que têm um lugar pra mim em suas casas o dia que eu puder ir pra lá. OU SEJA: vocês acham que se eu fosse realmente antissocial isso aconteceria? Eu acho que não.

Antissocialidade é um transtorno psicológico. Não é só porque a pessoa não curte estar com muita gente na volta que ela seja antissocial. Ela pode ser introvertida. Ela pode ser tímida. Ela pode ser desconfiada. Ela pode ser traumatizada. Ela pode estar entediada, com sono, irritada... As opções são quase infinitas. Mas as pessoas têm mania de rotular todo mundo. Só porque uma pessoa anda cheia de livros e não é muito de jogar conversa fora em ambientes de trabalho e/ou estudo, já é rotulada como antissocial.

AI.QUE.SACO.

É só meu jeitinho Rory de ser. Me deixem.

Este era pra ser um post sobre os livros que tenho carregado atualmente na bolsa, mas por motivos obscuros de cólica + anestesia + um canal aberto, acabou se tornando o que se tornou. Uhul. 

Da série: só atraio gente bizarra

Eu ando muito de ônibus. MUITO. 
E, claro, sempre ocorrem coisas bizarras. Ainda mais à noite, quase madrugada, quando tá todo mundo cansado, estressado e com vontades estranhas. 

Pois bem, aí que semana passada estava eu no ônibus linda e saltitante - hahahaha -, quase chegando em casa. Havia pouquíssimas pessoas naquele veículo e, como eu sempre sou a última porque moro no fim da linha - o fim do fim do fim de lugar nenhum -, quando o motorista ia entrar no meu bairro todo mundo desceu e ficamos lá, ele e eu. Abri meu livrinho - o livro da noite era As Bruxas - e fui me distrair com a leitura até chegar em casa. 

Ao menos, esse era o plano. 

Isso porque o senhor motorista que desconheço completamente começou a TAGARELAR comigo ou sozinho, jamais saberemos, gritando enquanto dirigia aquele ônibus em meio àquela noite gelada no meio do mato. 

— Eu sempre quis ser uma princesa. 
— (olhar bovino) 
— Se eu tiver outra vida, quero nascer na Inglaterra, ser princesa e usar só vestidos cor-de-rosa. 
— (silêncio constrangedor) 


Nada contra. Eu mesma gostaria de nascer na Inglaterra e já tive meus momentos princess feelings, MAS NÉ, parâmetros de normalidade?! Porém, ele continuou. 

— Imagina se a gente pudesse escolher nascer em qualquer lugar. JAMAIS escolheria o Brasil. Queria a Inglaterra ou a Suécia, nem que fosse pra ser um animal. Né? 

E OLHOU PRA MIM AO INVÉS DE OLHAR PRA O TRÂNSITO. 
Nessa hora eu já tava segurando na mão de Deus e esperando por minha morte, porque claramente o motorista estava trabalhado em psicotrópicos, mas apenas disse um "é" meio no automático porque percebi que ele não tornaria a olhar para a frente se eu não respondesse. 

— Bah, mas do que adiantaria o cara escolher ser um cavalo na Inglaterra se nascesse cavalo no Brasil? Já pensou ser cavalo nos pampas? E AINDA IR PRA EXPOINTER? Se bem que vida de cavalo da Expointer seria boa, só gente me fotografando e dando comida. Não teria que fazer nada. 

SENHOR, QUE MEDO EU ESTAVA! A gente sozinho no ônibus e ele não parava de falar aos gritos essas coisas loucas. 

— Ah, mas queria mesmo era ser princesa. Na próxima vida eu vou ser princesa, com certeza! 

Nesse momento eu já não escutava mais nada, só pensava em chegar logo em casa e que quando chegasse apenas dormiria por horas e esqueceria do pesadelo que é pegar ônibus à noite com motoristas loucos. 

Algum tempo depois, cheguei em casa. Desci, o motorista deu uma buzinadinha e a vida seguiu. Mas amanhã pegarei o ônibus novamente com ele - ou não; estou contando com a possibilidade do ou não. Medo. 

Da série: só não mato alguém porque não quero ser presa

O post de hoje era pra ter saído bem mais cedo, mas não saiu por motivos de: irritação. :)
Acordei, como sempre, às 5h da manhã, tomei meu banho, me "arrumei" - vocês sabem como é a arrumação da pessoa que acorda de madrugada, né? pois é - e saí pra pegar meu ônibus. NEM PRA COMER DEU TEMPO. Levei um lanche na bolsa e fui, porque ônibus aqui é de hora em hora e deuzôlivre perder algum.

Quem me acompanha no twitter sabe que ontem estava eu tendo uma pequena agitação interior (risos), um momento de ansiedade e, portanto, fiz maratona de Gilmore Girls pra me acalmar, é claro. O que significa que nem havia dormido direito porque minha adorável mente não me deixou, ó que maravilha.

Mas fui mesmo assim porque se tem uma coisa que eu sou é responsável e detesto matar aula.

~só me falta o óculos~
De modo que às 6h da manhã já estava no ônibus rumo ao Instituto Federal. Como eu estava caindo de sono, mas a minha muito fértil mente não me deixava dormir, abri o Adeus às armas, do Hemingway - que faz parte do desafio de leitura - e fiz leitura de 100 páginas dentro de 1h30min, que é o tempo que demorei pra chegar ao Instituto.

Cheguei ao ponto final, desci e me deparei com O HORROR: várias pessoas - na verdade, não era muitas, mas faziam barulho - cercando o Instituto e não deixando ninguém entrar.

Fui lá no meio da confusão e perguntei pra umas 3 pessoas:
— QUE QUE TÁ ACONTECENDO AQUI?
Uma me respondeu dizendo:
— Não sei, não nos deixam entrar.
Outra, dizendo:
— Abaixo a ditadura petista!
E, a outra:
— Tamos protestando contra a Dilma que não paga ninguém e é isso aí e ninguém vai entrar é nóis que manda.

Chamaram aquilo de protesto. POIS BEM. Lhes direi uma coisa:
AQUILO NÃO É UM PROTESTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Aquilo era um bando de gente metida a besta que tava querendo aparecer por conta da modinha de protestos que assolou o país. Digo isso não por ser contra greves e coisa e tal, mas sim porque:
a. Uma greve tem de ser organizada.
Se estão achando ruim seus salários ou whatever, se se sentem prejudicados de alguma forma, marquem uma greve e DIVULGUEM-NA, avisem as pessoas de que, ó, não haverá aula no dia por motivos de greve.
b. Não façam-na clandestinamente.
Sim, porque eu não vi UMA PESSOA SEQUER que trabalha no Instituto fazendo greve. Inclusive, quando essa onda de greve começou, o povo lá se reuniu e decidiu que não entraria em greve. Tanto que meus professores nem sabiam disso hoje, tentaram entrar e não conseguiram. NINGUÉM SABIA, ELES SIMPLESMENTE TOMARAM O PRÉDIO DO MAIS ABSOLUTO NADA.
c. Uma greve não é um desfile de moda.
Sabem o que estava acontecendo lá? Tinha um bando de gurias sentadas em cadeiras em frente ao Instituto enquanto passavam maquiagem e deixavam seus cartazes num canto. Tinha um outro bando de senhores rindo alto e tomando café, ~confraternizando~ e falando mal do PT e bem do futebol. Tinha um monte de gente tentando saber o que raios estava acontecendo e tendo simplesmente de voltar pra casa porque gente querendo aparecer não deixava ninguém entrar.

Isso não é greve. Isso é brincadeira de criança.

Mas isso mesmo, vamos fazer greve no IFRS e não avisar ninguém, pra que todo mundo acorde cedo no frio e gaste passagem à toa. Parabéns aos envolvidos. Vocês são floquinhos de luz.

Porque o que me irrita é justamente o fato de que essas pessoas fizeram mais de trezentos alunos e professores levantarem cedo, de madrugada, saírem no frio - porque Porto Alegre é frio pela manhã, gente - e gastarem passagem à toa só pra ver aquelas caras com maquiagem borrada gritando bobagens que nem entendem.

Eu sou contra as pessoas se manifestarem? Não. Entendo a importância de uma greve, de um protesto, de uma manifestação. Sei que o país tá numa crise desgraçada e tá todo mundo se ferrando. Nem vou entrar em mérito de governo porque não sei o suficiente para tal e não sou o tipo de pessoa que repete discurso de fb só pra entrar na onda. Não falo do que não sei ao certo. Mas entendo. Okay, quer fazer greve, go ahead. MAS SERIA DE BOM TOM AVISAR AOS ENVOLVIDOS ANTES, NÉ? É.

Foi algo como: "nós estamos perdendo, então faremos vocês perderem também, muhahahahaha; tenho eternos seis anos e minha mãe não me colocou de castigo o suficiente", sabem?

Quer fazer uma coisa? Faça algo organizado. Não pegue meia dúzia de gato pingado - porque realmente eram pouquíssimas pessoas - e barrem uma instituição inteira sem informar aos professores, alunos e afins. Isso não é legal.

E só me dá desejos assassinos.


E, assim, voltei para casa, li mais umas 100 páginas do livro - a única coisa boa do dia, já estou no finzinho - e, ao chegar, fiz o que qualquer pessoa sensata faria: tomei 2 litros de suco de maracujá, deitei e dormi, pra compensar todo o tempo perdido e horas que eu passei na rua pra absolutamente nada. Acordei há pouco e voltarei a dormir porque a terça-feira está cancelada e eu realmente só quero estar bem calma amanhã pela manhã porque TEM DENTISTA, ó que delícia!

O post que sairia hoje sairá amanhã. Bjos e lembrem-se sempre: manifestação tem que ter organização! ;*

I had no idea that food could be this delicious

Todos os meus sonhos envolvem culinária. Posso estar em meio a um pesadelo infernal - o que acontece constantemente, visto que SÓ tenho pesadelos -, mas sempre, no meio da fuga dos monstros, demônios e espíritos do mal, haverá o momento de parar tudo e comer uma refeição.

~sim, tem que ter a pausinha da comida~
Vocês acham que eu tô brincando? Pois bem, vejam só: hoje, por exemplo, sonhei que estava em meio a uma reunião de blogueiras - presságios dizendo que tenho de marcar uma - quando, de repente, minha avó morta invade a casa, me pega pela mão e me leva a um caixão aberto. Não lembro quem estava naquele caixão, mas lembro que fiquei desesperada porque a pessoa morta estaria desconfortável. Chorava, chorava, chorava. Consegui acordar por uns minutos poucos e, quando voltei a dormir, voltei pra tal casa do encontro de blogueiras e TODO MUNDO LÁ tava de cara feia pra mi porque me acusavam de trair meu namorado sendo que, oi, eu supostamente estava num enterro e jamais trairia alguém - tenho PAVOR de traições. Namorado chegou e ficou de beiço, não entendendo nada. Eu não entendia nada. As pessoas me odiando. Até que, em certo momento, a comida acaba e ninguém lá tava com vontade ou sabia cozinhar algo decente. Me dizem: "tá aí tua hora de se redimir" e me atiram uma panela gigante em mãos. Vou eu lá pra cozinha e faço uma macarronada maravilhosa que era uma mistura de dois livros de receitas: um de receitas tipicamente brasileiras e outro de receitas tipicamente alemães. Ficou uma maravilha, todos nos divertimos, ainda me olhavam de cara feia, mas eu disse que não havia envenenado a comida, o que provocou risos. ATÉ QUE OS ALIENS APARECERAM PRA CONQUISTAR A TERRA. O que eu fiz? Os conquistei com a minha culinária divina - eu sou muito boa, gente -, e assim acordei.

(Pausa para: sim, todos os meus sonhos são nesse nível desde que eu tinha uns 5 anos de idade. E é por isso que já passei uns bons anos da minha vida não querendo dormir, porque a cada sonho um trauma. Tenho horror de lidar com a morte, ainda mais morte de gente próxima, ainda mais quando gente próxima que morreu aparece no meu sonho. SAI PRA LÁ, TE AMO, MAS 'CÊ JÁ FOI. Outro grande horror meu é essa coisa de todo mundo me odiando sem que eu tenha feito algo. Eu me preocupo com gente de cara comigo quando eu apronto? Não, ué, mereci mesmo. Mas quando não faço nada ficou MALUCA. Portanto, somente o sonho de hoje combinou uns medos supimpas que tenho, num combo superespecial, ó que maneiro isso.)

Pois bem, aí que decidi que este post será dedicado a minhas três comidas preferidas de todo o universo simplesmente porque sim, porque sou uma pessoa que adora comer e pausa até mesmo pesadelos só pra poder fazer uma refeição.

1. Batata-frita.
Tem gente que não gosta. Já vi por aí. Particularmente, eu gosto de batata de tudo quanto é jeito. Não tem como estragar batata, gente. Tu pode fazer ela frita, assada, amassada, no vapor, triturada, com maionese, com temperos estranhos, com recheios mais estranhos ainda... Batata é amor e sempre será. A pessoa que consegue estragar uma batata é uma pessoa deveras habilidosa, hein.

Mas a minha forma preferida de comer batata é frita. ATENÇÃO: NÃO É QUALQUER BATATA. Tem que ser a batata rosa que fica crocante e sequinha. Se a pessoa usar a batata inglesa até pode ser que fique gostoso, mas certamente ficará meio molenga e nada sequinha.


Porém, uma coisa que odeio é quando vou a um restaurante, lancheria, whatever, e peço uma porção de batatas. NUNCA VEM BATATA BOA. Geralmente eles fazem aquelas batatas prontas para fritar, que vêm naqueles sacos gigantes que se compra por um preço bem barato e que são cheios de conservantes e porcarias. COMO EU ODEIO AQUILO! A batata perde o gosto de batata e fica com gosto de... sei lá, gordura, papelão, álcool, qualquer coisa menos batata.

Por conta desse tipo de coisa que detesto sair pra comer. Amo comer em casa, amo fazer minha própria comida do meu jeito e sempre levo algo pra comer dentro da minha bolsa, porque VAI QUE o restaurante sirva um troço desses? Não sou obrigada e também não quero passar fome. Ou seja.

~sinto o cheiro a quilômetros~ 

2. Bolo de chocolate.
Eu poderia dizer simplesmente bolo. Qualquer bolo. Mentira, não é qualquer bolo, que não suporto bolo de coco - sou alérgica. Mas eu AMO. Na minha família funciona da seguinte maneira: mamis faz a comida-COMIDA - pratos principais -, o pai faz os sucos e saladas e eu faço os doces. Sei fazer o resto também? Sei, mas não com tanta habilidade quanto eles. Porém, se tem uma coisa que eu sei fazer nesta vida são doces. E se tem uma coisa que eu sei fazer com perfeição são bolos.

Ainda mais bolo de chocolate. Tem muita gente que não gosta de chocolate, mas eu amo. Sou chocólatra? Não. Posso passar meses sem encostar num chocolate e tá tudo certo, não vou sentir falta. Mas sou completamente apaixonada por bolo de chocolate.


Não é qualquer bolo. A maior parte das pessoas não sabe fazer bolo, na verdade, muito menos o de chocolate; fazem de uma forma que ele fica ressecado e esfarelento. Bolo de chocolate tem que se fofinho, macio e levemente molhadinho com uma calda especial. Pode ter recheio ou não. Se tiver: ganache de chocolate meio-amargo fica uma delícia, ainda mais se combinado com trufa de maracujá. É AMOR EM FORMA SÓLIDA. ♥

Recentemente descobri a fazer chantilly de chocolate e desde então é só amor, tenho feito combinações diversas em meus bolos. Se tem uma coisa que me acalma nesta vida é fazer bolos. Claro que adoro comê-los, mas não tanto quanto fazê-los. Resumo da ópera: culinária = ♥ Muito mais eficaz do que livrinhos de colorir.

~saiam da frente, tô passando, o bolo me chama, estou chegando, meu amor~

3. Macarronada.
Eu amo massa. Se tiver uma mesa inteira cheia de opções e entre elas houver macarrão, pode ter certeza de que meu prato será composto por quantidades absurdas dele.

Não conheço muita gente que não gosta de massa porque né, TEM COMO? Sempre tem, mas acho quase impossível. Massa é amor, massa é paixão, massa é calor no coração - rima boba porque sim. Minha preferida é a massa com molho de tomate, especialmente se houver muito queijo envolvido. Qual tipo de queijo? QUALQUER UM. Sou uma ratinha, amo queijo. Troco quantidades absurdas de doce por qualquer queijo que me aparecer na frente. ♥


Mas nem tudo é amor... porque existe aquela monstruosidade chamada MOLHO BRANCO. Quem inventou aquilo é uma pessoa muito triste, não é? Só pode, gente. Aquilo é o fim do fim. Quase não tem gosto, é geralmente frio e deixa a massa com um aspecto de... gelatina. Que triste isso.

Outra coisa que detesto é quando colocam óleo na massa. NÃO PRECISA, GENTE. A massa não vai grudar sem óleo, eu juro. Pode usar só água, não tem problema. Ninguém vai morrer e vai ficar uma delícia, nada grudenta. Vão por mim que eu sei das coisas (risos).

~Michelle Tanner sou eu~ 
Juro que não tenho nenhuma veia italiana - incrivelmente não: tenho ascendência de tudo quanto é canto, menos da Itália -, apenas amo comer, amo cozinhar, amo estar em meio a comida, amo ver canais culinários, amo ler livros de receita e amo TANTO que faço pausinhas em meus sonhos pra comer.

Isso é amor verdadeiro, isso é dedicação, isso é uma pessoa comprometida com aquilo em que acredita: comida é amor. ♥


Se nada der certo, faço Gastronomia e escrevo livros sobre a arte da culinária feita com amor.

Rapsódia boêmia

Aperte o play antes de iniciar a leitura.


O sangue escorre por suas têmporas tão brancas, pálidas, moles. Pedaços  de seu cérebro agora fazem parte do contorno de minha sombra. A vida acabou, mas estranhamente continua. Sou agora um homem condenado com a certeza de que não há escapatória da realidade que eu mesmo criei. Tenho de encarar as consequências dos meus atos, mas é tarde e eu quero apenas dormir e esquecer que um dia nasci, esquecer que terminei com uma vida que havia apenas começado, esquecer que essa era a única escolha que dependia apenas de mim e não fui capaz de escolher certo.

Tento dormir, mas não consigo. Adentro num mundo perdido, num mundo à parte, no grande além das almas daqueles que não merecem descanso. Tudo é vermelho e o doce cheiro de sangue coagulado é o que resta para nós, as almas presas no labirinto vertiginoso do pecado.

Mãe, é você? Claro que não é. Mas eu gostaria que fosse. Gostaria de lhe dizer para continuar, não importa o que aconteça. Você sabe que não voltarei, você sabe que a partir de hoje estou morto, você sabe que não é uma boa ideia. Mãe, eu não me importo, mas você se importa demais. Por favor, não mais se importe. Esqueça que existi. Agora existe apenas o sangue em minhas mãos e meu nome nos autos de um crime.

A única mão que segurarei de agora em diante é a de Belzebu enquanto ele me leva até meu carrasco, o demônio que ele me reservou: meu próprio reflexo. Nunca me deixarão ir porque jamais me perdoarei. Eu mereço isso.

Mas nada realmente importa, qualquer um pode perceber. Qualquer direção que o vento sopre realmente não importa para mim.

Esta crônica faz parte de desafio "Música em crônica" do Grupo de Suporte Bloguístico que consiste em escrever uma crônica baseada numa música que uma das meninas - no meu caso, a Ale - escolheria para você. Claramente eu falhei miseravelmente no processo, porque escrever qualquer coisa baseada na maravilhosa Bohemian Rhapsody, do Queen, é fracasso na certa, mais eis aqui a humilde tentativa de uma queenie metida a escritora. 

A convenção das bruxas malévolas e carecas


Bruxa de verdade é má, não gosta de criança e parece ser uma mulher normal. Por isso, é tão difícil identificar uma. Bruxa de verdade pode ser até mesmo a sua professora, aquela mesma que ri enquanto te ouve ler este parágrafo. Não acredite nesse riso: é tudo parte da estratégia dela. Bruxa de verdade não mata crianças a paulada ou dando facadas, porque quem faz isso vai preso. Não. Elas matam crianças com poções horrorosas e seus poderes de olhos incandescentes. Bruxa de verdade é careca, sempre está de luvas, não importa a estação ou se está dentro de casa. É quase impossível discernir uma bruxa de verdade de uma mulher normal, por isso Roald Dahl nos dá preciosas dicas de como fazê-lo no livro supimpa As Bruxas (editora Martins Fontes, 198 p.).


Roald Dahl é o cara que escreveu Matilda, A Fantástica Fábrica de Chocolates e Os Gremlins. 'CÊS ACHAM POUCO? Eu não acho. O cara simplesmente fez com que a infância das crianças dos anos 1990 fosse mágica. ♥

Nesse lindo livro chamado As Bruxas, ele nos conta a história de um menino britânico de 8 anos  que, após um acidente com seus pais, passa a morar com sua avó na Noruega. O que ele não sabe é que sua avó é uma expert em bruxas pelo simples fato de que ela caçou bruxas a vinda inteira! Claro que ele nunca imaginaria que bruxas realmente existem, mas sua avó - melhor avó ♥ - conta-lhe as características de uma BRUXA DE VERDADE (em caps lock mesmo) para que ele não se deixe enganar:
bruxa de verdade está sempre de luva;
bruxa de verdade é careca;
bruxa de verdade usa peruca;
narinas de bruxa são ligeiramente maiores do que de pessoas comuns; elas têm as bordas sempre rosadas e encurvadas;
bruxa de verdade não sente o cheiro de sujeira, mas sim o de limpeza;
para uma bruxa, criança limpa tem cheiro de cocô de cachorro fresco;
saliva de bruxa é azul.

Sabendo tudo isso é provável que você não caia nas garras de uma bruxa... MENTIRA. Porque elas se disfarçam perfeitamente bem e mal dá para notar suas excentricidades. Bruxas são inteligentes. Ainda mais quando reunidas. E essa reunião, essa convenção na qual elas estão, tem por objetivo revelar a Fórmula 86 de ação retardada para fazer ratos, ou seja: um plano maligno que consiste em colocar uma gota da fórmula 86 em cada doce e vendê-los a crianças em confeitarias bruxísticas para que todas elas se transformem em ratos e sejam mortas por seus pais. O terrível nisso tudo é que o protagonista da história, um menininho de 8 anos, está preso no meio dessa convenção e se depara com aquela pergunta terrível: E AGORA, JOSÉ?

Caso você esteja se perguntando o porquê de achar essa história de bruxas carecas familiar: SIM, ESSE É O LIVRO QUE DEU ORIGEM A UM DOS FILMES MAIS MARAVILHOSOS DA INFÂNCIA DE TODOS NÓS! Quem não lembra da Anjelica Huston tirando sua máscara em Convenção das bruxas? Essa cena me apavorou por anos.

~oops~
O livro é curtinho, divertidíssimo e te dá agonias. Porque imaginem ler a história de um menino preso no meio de uma convenção de bruxas do mal sem saber se ele vai conseguir escapar ou não? GENTE, É TERRÍVEL ISSO. É mais agoniante do que o filme! Mas que esteja nos autos que amo a ambos, é claro. ♥

Porém, enquanto lia o livrinho me perguntava de onde vinha aquela sensação de algo familiar que não era a do filme. Pensei, repensei, trepensei e... me dei conta de que a ilustradora, Cláudia Scatamacchia, é a mesma de uma coleção de livros infantis de contos de fadas que eu tinha - tenho até hoje - quando criancinha. Ó só que coisa mais linda:


E, procurando o nome da ilustradora, achei algumas ilustrações delas daquela coleção de contos de fadas da minha infância - memória boa, a minha -, tão ou mais maravilhosas do que a ilustração acima. Uma delas é de um dos livros que mais me metia medo, O Barba Azul


Por que raios deixavam uma criancinha ler histórias sobre um serial killer de mulheres, jamais saberei. Provavelmente pra aprender a não confiar em ninguém e não sair por aí abrindo portas que estão trancadas. Só digo uma coisa: funcionou.

Resumo da ópera: o livro é lindo em todos os aspectos e vale mais do que a pena ser lido, mesmo que você não goste muito de literatura, muito menos de literatura infantil, ele tem aquele sentimento de nostalgia da infância que dá um brilho especial.

Em um quote: 
Quando temos alguém que nos ama, não importa quem somos ou qual a nossa aparência. (p. 188) 

O sutil absurdo da obra de Camus

Uma das leituras obrigatórias da disciplina de Leitura de Autores Modernos é O Estrangeiro (editora Record, 126 p.), do Albert Camus. Eu não sabia absolutamente nada sobre o livro além do fato de que ele é um desses livros considerados cults e difíceis de entender, mas já estava na minha lista de leitura por motivos de que marquei para ler algum dia todos os livros da coleção Mestres da Literatura Contemporânea - simplesmente porque sim.

Do que trata esse livro? Nele conhecemos a história de Mersault, um jovem nem tão jovem assim que um dia, do mais absoluto nada, mata um rapaz árabe. E essa é basicamente a história. Sério. O livro é curto, tem apenas 126 páginas, e Camus conta a história de mais ou menos um ano da vida de Mersault, desde dias antes do assassinato do rapaz árabe sem nome até o período de julgamento.

A história é absurdamente simples, mas há uma história dentro da história ~suspense~. Após ler esse livro eu entendi e tive de concordar com o porquê o pessoal chama esse livro de cult. Você vai se tornar cult se lê-lo? OLHA, NÃO. Até porque essa coisa de cult é bem ridícula, né? Mas digamos que ele te faz pensar e refletir de uma forma até então inédita para mim.

Antes de dizer o porquê disso, preciso contextualizar a obra: O Estrangeiro foi escrito no período do pós-guerra (final da Segunda Guerra Mundial), período esse em que o romantismo havia caído no desuso e o que estava em voga era o questionamento em busca de um sentido para viver. "Mas então o livro é existencialista!" Poderia ser, contudo o próprio Camus disse que não, não é. E por mais que um livro sempre deixe margem para diversas interpretações, é de bom tom respeitar a visão do autor.

O livro faz parte da Trilogia do Absurdo de Camus, que conta também com O Mito de Sísifo e Calígula. Na verdade, lendo um pouco sobre a vida do Camus, pude descobrir que o cara era metido a filósofo e adorava divagar sobre o absurdo da existência humana. Ainda mais em tempos de guerra, em que tudo era um absurdo e o absurdo em si próprio era uma forma de contestação. Em outras palavras, como diria Ricky Martin: livin' la vida loca.

E é isso o que Mersault, a personagem central do livro, faz: vive como se não houvesse consequências e como se nada realmente importasse. Ele não está nem aí pra nada. Na primeira frase do livro ficamos sabendo que sua mãe morreu. Literalmente, essa é a primeira frase do livro.

Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames." Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem.

A partir disso Camus nos leva a conhecer sua personagem por conta de uma narrativa em 1ª pessoa que nos deixa com muita, muita vontade de quebrar a cara do Mersault. Mas não nos dá vontade de largar o livro. Isso porque Camus nos entrega uma escrita maravilhosamente apaixonante. Apesar do enredo, em primeira instância, simples, o cara conseguiu transformar uma mera história de assassinato e condenação em um dos livros mais aclamados do mundo.

Isso não é pra qualquer um.

O cara é TÃO sutil que você percebe perfeitamente o que ele quis dizer com essa história sem que ele nos diga, de fato, o que raios está apresentando ali. Camus quis mostrar o absurdo da vida humana que cai no tédio existencial e dele não consegue sair porque tudo parece aceitável, tudo parece passível de ocorrência, nada faz diferença.

Gostaria de tentar explicar-lhe cordialmente, quase com afeição, que nunca conseguira arrepender-me verdadeiramente de nada. (p. 104) 

É aquela velha história de usar a culpa como manutenção da civilidade. Você é uma boa pessoa se se sente culpado. Não importa muito o que fez, desde que se arrependa. Você não pode ser melhor do que os outros, você tem de se sentir apenas mais um na multidão, se se destacar, se não se desculpar por existir, então você não está apto para viver em sociedade.

O livro fala isso? Sim, mas não. Não abertamente, mas é a conclusão na qual se pode chegar mediante uma reflexão - "ai, mas TEM QUE refletir?!", não, não tem. Mas duvido que você não reflita automaticamente lendo esse livro incrível.

A MÃE DO CARA MORRE: tá tudo bem.
ELE ARRUMA UMA NAMORADA UM DIA DEPOIS: tá tudo bem.
A NAMORADA QUER CASAR: tá tudo bem.
MAS ELE NÃO A AMA PORQUE O AMOR, ESSA COISA IRREAL: tá tudo bem.
ELE CONHECE NOVOS AMIGOS: tá tudo bem.
ALGUÉM QUER MATAR O AMIGO DELE PORQUE O CARA É CANALHA: tá tudo bem.
ELE MATA UM ÁRABE: tá tudo bem.
ELE É CONDENADO POR CONTA DISSO: tá tudo bem.

É um tanto faz como tanto fez que deixa a pessoa meio desnorteada.

Camus já virou amorzinho literário. ♥

Não é um livro pesado, não é de difícil compreensão. Mas é coisa de gênio literário falar pouco em tão pouco e sendo tão sutil.

Se recomendo a leitura? SIIIIIIIIIIIIIM, POR FAVOR! É uma leitura rápida, fluida e tranquila. A escrita do Camus é deliciosa e vale muito a pena ser lida. \o/

Em um quote:
No fundo, não ignorava que tanto faz morrer aos trinta ou aos setenta anos pois, em qualquer dos casos, outros homens e outras mulheres viverão, e isso durante milhares de anos. Afinal, nada mais claro. Hoje, ou daqui a vinte anos, era sempre eu quem morria. (p. 117) 

P.S.: Enquanto lia o livro lembrei perfeitamente de duas músicas maravilhosas: Bohemian Rhapsody, do Queen e A revolta dos dândis I, do Engenheiros do Hawaii. A do Engenheiros foi confirmada como sendo inspirada no livro, já BoRhap não - Freddie Mercury sempre se recusou a dizer de onde raios tinha tirado o enredo pra música mais incrível do universo -, no entanto as semelhanças entre música e livro são muitas e não há como ler um sem lembrar da outra e vice-versa.

~because I'm easy-come, easy-go, a little high, a little low; anyway the wind blows doesn't really matter to me~

Desafio: 50 livros de 1900 para ler antes de morrer

Vocês sabem que eu não resisto a um desafio, né? Ainda mais se o desafio em questão for literário. Gente, não tem como. Eu simplesmente AMO ler. Se tem uma coisa que não mudou em mim ao longo de mais de duas décadas de vida é a paixão pela literatura - em geral, leio desde romances até ficção científica e adoro tudo, desde que seja bem escrito.

Aí que a dona Duds e a dona Nina criaram esse mega desafio que consiste em uma listinha de 50 livros escritos nos anos 1900 para ler em 1 ano. 

A ideia é ler um livrinho por semana - veremos como se dará esse processo - e escrever um comentário sobre ele no blog. Precisa ser resenha? NÃO PRECISA. Resenha é algo formal demais, não é necessário pra blog não-literário. Mas um comentário do livro, de como fluiu a leitura - ou não - e do que ficou na mente da pessoa leitora é sempre interessante.

Alguns desses eu já li, mas não vou tirá-los da lista: bora relê-los! Pelo que vi, não tem nenhum livro ruim - exceto Lolita, mas não é ruim pela escrita, e sim pela temática; na verdade, a escrita do Nabokov é muito bem trabalhada -, portanto não será nenhum suplício. Ó que listinha bonita:

1. Minha querida Sputinik, do Haruki Murakami
2. Os anéis de Saturno, do W. G. Sebald
3. Trainspotting, do Irvine Welsh
4. Os vestígios do dia, do Kazuo Ishiguro
5. Agência de investigações holísticas Dirk Gently, do Douglas Adams
6. O amor nos tempos do cólera, do Gabriel García Márquez
7. A lista de Schindler, do Thomas Keneally
8. O livro do riso e do esquecimento, do Milan Kundera
9. O iluminado, do Stephen King (resenha)
10. A hora da estrela, da Clarice Lispector
11. Admirável mundo novo, do Aldous Huxley (resenha)
12. Adeus às armas, do Ernest Hemingway (resenha)
13. Vidas de raparigas e mulheres, da Alice Munro
14. Ulisses, do James Joyce
15. 2001: uma odisseia no espaço, do Arthur C. Clarke
16. Contato, do Carl Sagan
17. O sol é para todos, da Harper Lee (resenha)
18. Pé na estrada, do Jack Kerouac
19. Fundação, do Isaac Asimov
20. Entre os atos, da Virginia Woolf
21. Ter e não ter, do Ernest Hemingway
22. Nas montanhas da loucura, do H. P. Lovecraft
23. O grande Gatsby, do F. Scott Fitzgerald
24. Perfume, do Patrick Süskind
25. Neuromancer, do William Gibson
26. O cão dos Baskerville, do Sir Arthur Conan Doyle
27. Os embaixadores, do Henry James
28. Morte em Veneza, do Thomas Mann
29. O assassinato de Roger Ackroyd, da Agatha Christie
30. O sol também se levanta, do Ernest Hemingway
31. Suave é a noite, do F. Scott Fitzgerald
32. Trópico de câncer, do Henry Miller
33. Sem olhos em Gaza, do Aldous Huxley
34. Vidas secas, do Graciliano Ramos (resenha)
35. Ficções, do Jorge Luis Borges
36. Eu, robô, do Isaac Asimov (resenha)
37. O apanhador no campo de centeio, do J. D. Salinger
38. O mensageiro, do L. P. Hartley
39. O senhor das moscas, do William Golding (resenha)
40. Lolita, do Vladimir Nabokov
41. Bonequinha de luxo, do Truman Capote
42. A cidade e os cachorros, do Mario Vargas Llosa
43. Laranja mecânica, do Anthony Burgess
44. Um estranho no ninho, do Ken Kesey (resenha)
45. A redoma de vidro, da Sylvia Plath (resenha)
46. Cem anos de solidão, do Gabriel García Márquez
47. O chefão, do Mario Puzo
48. As horas, do Michael Cunningham
49. Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf
50. Mulheres apaixonadas, do D. H. Lawrence

De modo que o objetivo é ter lido todos esses 50 livrinhos até Agosto do ano que vem. Estou com medo de Ulisses - aquele, do James Joyce, que tem 958 páginas -, me socorram!

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Anteontem um rapaz foi baleado e morreu no ônibus.
Eu realmente não gostaria de falar sobre isso, mas parece que não consigo, neste momento, escrever sobre outra coisa. O rapaz foi assassinado sem motivos, sem reação. Sei que os jornais estão dizendo que houve reação, mas não houve. O rapaz, pelo que entendi, era deficiente auditivo. E fazer uso de libras para tentar entender o que diabos estava acontecendo virou sinônimo de reação a um assalto, aparentemente.

O rapaz tinha a minha idade. 21 anos. Também estudante. Morava perto da minha casa. Era freguês na lancheria da minha avó.

Eu não conhecia o rapaz, mas não pude esquecer sua morte. Não pude esquecer que, 5 minutos após sua morte, outros rapazes que também estavam no ônibus, ao meu lado, falaram, revoltados, que onde já se viu morrer justamente no ônibus em que eu estou; poderia até ter morrido, mas não quando eu tô aqui; que saco, vou demorar pra chegar em casa agora, tá tarde e o sangue respingou.

Não pude esquecer que instantes depois todos estavam mexendo em seus smartphones, enviando mensagens em seus whatsapps, compartilhando bobagens em seus fbs e com uma cara de tédio profundo, como se nada houvesse acontecido.

Eu fecho meus olhos para dormir e vejo sangue. Eu saio na rua para pegar um ônibus e tenho medo de ser a próxima. Hoje me recusei a pegar um ônibus para ir ao dentista: foi uma caminhada de quilômetros, simplesmente porque eu estou com medo.

É uma verdade incontestável o fato de que a violência está cada vez pior e a impunidade anda solta por aí. Mas creio que a verdade mais cruel, o que mais me assusta, o que tem assombrado meus sonhos, são as vozes daquelas pessoas, estudantes como eu, como o rapaz que morreu, que estavam irritadas não porque um jovem foi morto na frente delas ou porque houve uma tentativa de assalto, mas sim porque ele tinha de morrer quando elas estavam no ônibus, só para que chegassem atrasadas em casa.

Eu não sei quem robotizou a população. Não sei como lidar com pessoas que postam no fb, quando um jovem é morto, uma mensagem dizendo "mais um estudante morto, descanse em paz" no intuito de ganhar likes, ao passo que, fora de seu mundinho virtual, para seus companheiros de ônibus e de tragédia, reclama em algo e bom som que o desgraçado tinha de morrer justamente quando ele estava no ônibus, que a grande tragédia era que ele chegaria atrasado em casa e, ainda por cima, com a roupa manchada de sangue. Eu vi. Eu ouvi. E não consigo esquecer.

Não consigo lidar com esse exército de robôs que invadiu as redes sociais. Um exército forjado no ponto certo para comover as massas virtualmente, mas que não esboça compaixão alguma na vida real. Pessoas de coração frio que usam a tecnologia para significar suas vidas cada vez mais inúteis e vazias.

Vamos todos pagar de bonzinhos nas redes sociais e desviar de uma pessoa ferida, à beira da morte, na vida real porque, nossa, que coisa nojenta que é o sangue. Mas as pessoas precisam saber o que aconteceu, então vamos falar disso no fb, vamos mandar mensagens sobre isso no whatsapp, vamos fingir que nos importamos para que haja provas de que ainda temos um coração bombeando sangue em nosso peito, para que haja provas de que ainda somos humanos, para que não descubram que fomos robotizados e aqui dentro há apenas engrenagens que funcionam perfeitamente, feito um relógio suíço.


 
Wink .187 tons de frio.