Wink Literary Awards 2016

Ou: RETROSPECTIVA LITERÁRIA 2016

Ainda não considero o meu ano literário como acabado - estou na metade de dois livros e com vários na lista de leitura próxima -, mas como sei que não terei tanto tempo assim nos próximos dias pra parar e escrever essa retrospectiva, vamos lá. 

2016 começou me dando um bom tapão na cara e aí que aconteceu algo surpreendente e, até posso dizer, inédito em minha vida: perdi o ânimo de ler. Eita, mas comassim? Eu lhe explicarei, jovem gafanhoto: o que aconteceu foi que eu me sentia tão horrivelmente perdida e numa crise de depressão + ansiedade, que resultou no maior nervous breakdown da história deste blog que simplesmente não conseguia me concentrar pra ler absolutamente nada. E, sim, é impossível falar de 2016, seja lá sobre qual esfera for, sem falar sobre isso porque esse colapso nervoso meio que pautou o tom de mais da metade do meu ano e uma de suas consequências foi que eu lesse pouco. Mas okay, prossigamos. 

Leituras de Férias


Comecei o ano fazendo releitura de um dos meus livros preferidos da vida: O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde. Tava na praia, toda acabada por motivos de calor, insetos e desgaste emocional, cercada de gente que me detestava e tendo de ser educada e gentil com todo mundo (spoiler: não deu certo) e, sempre que dava um tempinho, me grudando na obra-prima do Wilde. Gente, que livrinho maravilhoso. Os anos passam e a cada releitura esse continua sendo um dos meus preferidos, ocupando a primeira posição no meu coração juntamente com A insustentável leveza do ser (que não foi relido neste ano, mas será no próximo). As tiradas sarcásticas do Lorde Henry total me fizeram desapegar do fato de eu ter virado uma personificação do vaso sanitário humano em janeiro e simplesmente abstrair. Oscar Wilde, te dedico parte da minha sanidade = ♥ 

Logo em seguida, ainda em janeiro, li um amorzinho que me surpreendeu de formas jamais esperadas: O mundo de Sofia, do Jostein Gaarder. GENTE, SÉRIO MESMO, LEIAM ESSE LIVRO. Tô tão em choque com o mega plot twist que tem lá que ainda nem consegui escrever sobre ele, mas pretendo relê-lo em breve e fazer isso porque it's gonna blow everyone's mind!!!! E também total me ajudou porque enquanto todas as cagadas possíveis que o universo me reservava durante o inferno astral estavam acontecendo, eu tava o quê? Lendo O mundo de Sofia e ficando boquiaberta com o que o autor fez ali. Já tinha lido um livro dele ano passado, de modos que esperava que esse também fosse bom, mas jamais esperei que fosse tão incrível assim. 

Meus registros (hahahaha, que fina) dizem que terminei a leitura d'O mundo de Sofia dia 23 de janeiro. Quando foi que concluí a leitura do próximo livro? Isso mesmo, um mês depois. Sendo que o próximo livro tinha nada mais, nada menos que 217 páginas e era edição DE BOLSO. Cês vejam bem o despirocamento da pessoa que demorou um mês inteirinho pra ler isso, estando de férias, em casa, de boas. Mas okay, vida que segue, tava surtando legal e fui ler a história de um bandigarotos perdidos numa ilha deserta e que acham que estão sendo perseguidos por um monstro de fumaça preta. Não, não é o roteiro de Lost, mas a série foi inspirada nele: Senhor das Moscas, do William Golding. Gostei, mas foi um parto pra ler e eu total tava culpando o livro, mas a culpa era interna mesmo e só fui aceitar isso um mês depois. Mas aí, após terminar essa leiturinha eu tava meio que sem saber o que fazer da minha vida literária e cacei pelas estantes algum livro parado. E foi aí que eu li Agatha Christie. ♥ Li é modo de dizer, porque o correto mesmo seria um DEVOREI em caixa alta já que simplesmente não larguei Assassinato no Expresso do Oriente até chegar ao final - aliás, QUE FINAL, hein. 

Março - Junho


Isso era final de fevereiro e eu estava total em stand-by tendo lido apenas 4 livrinhos durante as férias. Em uma palavra: FAIL. Resolvi pegar um livro cuja leitura eu tinha deixado de lado em meados de novembro/2015 por motivos de ser pesada demais, mas estava em meu desafio dos 50 livros do século XX e, portanto, não seria abandonada, e me foquei nela até metade de março: Vidas Secas, do Graciliano Ramos. É sério, eu lia uma página e me deprimia. Lia outra, e queria morrer só pra não ter que terminar esse livro. O livro é ruim? Não é. Caramba, eu adorei a escrita dura do Graci (a íntima, risos), mas é de uma certeza das dificuldades tamanha que eu me deprimi. Muito. E demorei meses pra terminar esse livrinho mega pequeno. 

Nisso eu já estava desde o final de 2015 enrolada numa releitura também que tinha toda uma vibe hello, darkness, my old friend, mas que total me ajudou a entender o que diabos estava acontecendo comigo - porque a negação, ela era forte: A redoma de vidro, da Sylvia Plath. Dessa vez li no original, em inglês, e cada página era um tapão tão forte que muitas vezes, numa viagem de 2h de ônibus pra voltar pra casa, só conseguia ler 4, 5 páginas por vez. A identificação com a Esther, personagem principal da história, foi paralisadora, mas de uma importância que nem sei quantificar porque foi a partir daí que realmente me toquei de que precisava de ajuda pra lidar com o que diabos estava acontecendo comigo pra não acabar indo pelo mesmo caminho da Esther ou mesmo da Sylvia Plath. 

As leituras obrigatórias da faculdade vieram e, com elas, foi sugada pra o buraco negro da educação superior a minha disposição literária. E aí só fui ler algo de literatura MESMO novamente lá por meados de maio. Cês viram como o ano foi uma bagunça, hahahaha Então li o mais recente - e último, já que uma das perdas de 2016 foi justamente ele - livro do Umberto Eco: Número Zero. Olha, pra ser bem sincera, que livrinho mais ou menos. A edição é bem legal, boa diagramação, capa incrível e que cheiro maravilhoso naquelas páginas! Mas a história é... fuén. Dá pra ler, mas não vai mudar a vida de ninguém, muito menos a minha. O que é uma pena, porque Umberto Eco, um baita escritor e pensador e blablabla encerrou sua carreira literária com um livro bem mais ou menos desses. Mas acontece. 

Concomitantemente, mergulhei num livro sobre poesia modernista brasileira que foi PURO ♥ AMOR ♥ mas que me sugou um mês porque haja concentração pra ler ensaios e exemplos de como diabos se formou e funcionou o modernismo literário no Brasil. No entanto, não me arrependo da leitura, aprendi muita coisa e meu amor por poesia modernista só fez aumentar. 

Encerrei 2016/1 lendo um livro INCRÍVEL e que me fez retomar o gosto pela leitura (FINALMENTE!!!!): Eu, robô, do Isaac Asimov. Eu sempre tive uma queda de um penhasco por sci-fi, mas livros desse gênero são meio difíceis de se encontrar em bibliotecas e não é como se eu pudesse comprar todos os livros que eu vejo por aí ("mas cê quer todos os que vê?" olha, eu quero, sim; e quero os que não vejo também, inclusive). Esse foi o meu primeiro livro do Asimov e já virei fã do cara. Detesto livros de contos, mas adorei a condução dos 9 contos que compõem esse livrinho-chuchu. Já quero fazer releitura. 

Férias de Julho 

Julho já começou comigo tendo muito mais disposição pras leituras e também pra vida, então ele rendeu. Tá, não rendeu tanto, foram apenas 4 livrinhos num mês, e um mês de férias, mas já foi alguma coisa se comparado com o primeiro semestre do ano. 


Li dois livros de literatura portuguesa porque literatura portuguesa é amor, é paixão, é calor no coração, sendo um deles uma surpresa incrível: o escolhi totalmente por conta do título (aliás, títulos de livros portugueses = melhores títulos). Para cima e não para norte, da Patrícia Portela, é um livro muito diferente. Comassim, diferente? Bem, ele é louco. A história é louca, a diagramação mais ainda, e por isso mesmo ele é INCRÍVEL em caixa alta. Ainda não consegui escrever sobre ele e não será hoje que conseguirei, mas ainda vou reler esse livro pra poder falar sobre porque MELDELS, muitas questões. Depois terminei a leitura de um livrinho maravilhoso que estava empacado na minha cabeceira por motivos de não tem como lê-lo sem estar totalmente atenta a ele (ou seja, nada de lê-lo no ônibus): As intermitências da morte, do Saramago, é simplesmente um dos melhores livros da minha vida. Já falei muito sobre ele num outro post e vou recomendá-lo sempre sempre sempre porque ele é sensacional de todas as formas. 

Depois, li dois livros bem mais ou menos. Um foi o Fernão Capelo Gaivota, do Paulo Coelho Richard Bach e, gente, fala sério, cês realmente se comovem com essas fábulas cagadas de gaivotas reencarnando e cumprindo missõezinhas? Olha, nada contra, inclusive acredito em reencarnação e tal, mas não aloprem comigo. Pra mim, esse livro tá na mesma categoria d'O Pequeno Príncipe: insuportável. Mas okay. Aí entrei numas de me conectar com Hécate e li o Guia essencial da bruxa solitária, do Scott Cunningham, e não foi ruim, mas o achei muito simplista e focado demais na Wicca e menos na bruxaria em si. Porém, é uma boa leitura pra quem não entende muito das bruxísticas da vida. Só que é muita idealização e pouca coisa REALMENTE interessante 

Agosto - Dezembro 

Como meus ânimos já estavam recuperados e eu já havia saído da estafa literária, agosto rendeu bastante. Foram 5 livrinhos + leituras obrigatórias, faculdade, trabalho, vida, o que considero algo bem legal pra quem não estava lidando nem com dois livros por mês no início do ano. 


O primeiro foi Os Enamoramentos, do Javier Marías, porque me apaixonei completamente pela capa, pela edição e pela escrita fluída do autor. Aliás, autores espanhóis = ♥ Sendo mais justa, autores latinos = ♥ ("comassim autores latinos sendo espanhóis?" gente, estou falando das línguas de origem latina, não de questões geográficas, não miamolem) A história é bem envolvente e meio assustadora se a pessoa for parar pra pensar em termos de relações humanas e como elas podem ser terríveis, mas é muito bem escrita e eu amei cada página. Foi uma baita descoberta. 

Em seguida, li uma leitura obrigatória de Jornalismo Opinativo: Partículas Elementares, do Michel Houellebecq, um autor francês mega polêmico e antipático que, inclusive, conheci faz um mês e meio (conheci, tirei fotinho, conversei, apesar de não entender nada do que ele me disse e o acompanhei pelas escadas porque meu professor é amigo dele e, por motivos que jamais entenderei, disse pra mim e pra um amigo/colega meu para acompanhá-lo e eu só fui, hahahaha). TODO MUNDO que já havia cursado essa cadeira me dizia que esse livro é horrível, Juremir e suas leituras obrigatórias insuportáveis, ninguém merece Michel Houellebecq, e eu já fui ler a obra toda cheia de prevenções, né. Mas estavam todos errados porque amei o livro de tal maneira que ainda não consegui escrever sobre também, mas quero relê-lo muitas vezes, aliás, quero ler toda a obra desse cara, aprender francês e ter altas conversas com ele. Livro maravilhoso, leiam-no. 

Li ainda mais dois livros de literatura portuguesa (sério, literatura portuguesa é puro amor), um de poemas do Fernando Pessoa, Quando fui outro, que tem uma diagramação muito boa MESMO. Li em um dia, é bem rápido e dá uma aquecidinha no coração. O outro é de uma autora portuguesa com ascendência árabe, Faíza Hayat: O evangelho segundo a serpente. Esse livro me desgraçou tanto o peito que nem sei o que dizer sobre ele até agora, mas acho que, assim como os livros do Valter Hugo Mãe, todos deveriam ler esse da Faíza porque dói, dói muito, mas muda algo essencial lá dentro da gente e isso é o que a literatura tem de melhor (fora que há um prefácio escrito pelo Mia Couto e só isso já vale o livro inteiro, que tem cento e poucas páginas num formato pocket e numa edição linda de te fazer suspirar alto). 

E aí aconteceu uma coisa muito legal que foi a editora Intrínseca ter entrado em contato comigo pra me enviar um livro em parceria porque achou que o blog combinava com o perfil do livro em questão. GENTE, EU PIREI LOUCAMENTE, hahahaha Porque o kit do livro veio com trocentas coisinhas, incluindo uma mini xícara de porcelana toda cheia dos adereços e fitinhas. Isso porque o livro se passa na Inglaterra vitoriana e tem toda uma vibe Downton Abbey (até porque foi escrito pelo mesmo autor). Belgravia, do Julian Fellowes, realmente me fez adentrar na história de uma forma que não acontecia há muito tempo e me fez pensar que não encontraria mais um livro que me prendesse tanto assim (hahahaha, dramas de leitor). 


Em setembro eu quis muito me afundar numa série da Marion Zimmer Bradley (autora d'As brumas de Avalon), mas só pude ler dois livrinhos dela porque a vida de estudante universitária, não é mesmo. A série Light, também chamada de O Poder Supremo, conta com 4 livrinhos. Desses, li 2 em setembro e 1 em outubro. O último ainda está esperando por ser lido, mas de janeiro não passa. Foi uma baita surpresa gostosa quando comecei a série com Ghostlight porque, apesar da Marion ser uma das minhas autoras preferidas, não pensei que fosse gostar tanto assim da série. Em seguida, li Witchlight e Gravelight. Ainda não terminei o último, Heartlight, mas já favoritei a série no coração. Nela, há várias histórias entrelaçadas que envolvem magia, umas vibes meio Avalon, aventuras loucas e tudo isso numa mistura de anos 60 e 90. Só amor. 

Infelizmente, também tive de ler Cordilheira, do Daniel Galera, porque supostamente iria entrevistá-lo, mas abortei a tal entrevista porque não há possibilidade de entrevistar uma pessoa que escreve um lixo misógino desses e ser polida e profissional com o cara. 


Em outubro eu fiz muitas leituras chatas obrigatórias, então sobrou pouco tempo pra ler literatura mesmo. Mas o que li foi tão bom que compensou tudo. Li Reparação, do Ian McEwan e, gente, que livrinho foi esse?! Briony, personagem mais revoltante?! Meldels, as reviravoltas emocionais desse livro?! Quero ler tudo o que o senhor Ian McEwan escreveu?! Ainda não me recuperei completamente desse livro e hoje mesmo estava pensando nele e ficando triste pela história?! Muitos feels. 

Novembro foi um mês de guerra: os três livros que li - e mais alguns cujas leituras ainda não terminei, mas que estão na mesma temática - falam bastante de guerras, especialmente da Segunda Guerra Mundial. É isto um homem?, do Primo Levi, é um relato muito sincero e sucinto sobre o que esse cara passou dentro de um campo de concentração alemão. Li o livro em 2h porque tinha de fazer um debate sobre ele pra Língua Portuguesa II e fiquei muito aflita porque é cru demais, não tem como ler isso e ficar indiferente. Já Em busca de sentido, do Viktor E. Frankl, li porque já me haviam recomendado há anos e eu ainda não tinha lido. É a mesma vibe de relato de um sobrevivente de um campo de concentração, com o adendo de que o Frankl era um psicólogo e não apenas escreveu sobre o que passou como analisou a situação racionalmente e criou uma escola de psicologia sobre o assunto: a logoterapia, que busca entender o sentido da vida do cerumano e por que aquelas pessoas prisioneiras em campos de concentração não se matavam ou perdiam as esperanças. É tocante de várias maneiras. Quando você lê relatos assim começa a parar de reclamar tanto de pequenas coisas do dia a dia que são tão bobas, sabe? A vibe toda do livro do Frankl é que você sempre arranja um como viver quando tem um porquê. E dói muito reconhecer que isso é verdade. Também li O livro do riso e do esquecimento, do Milan Kundera, que fala sobre a Primavera de Praga, a invasão russa à Tchecoslováquia e várias coisas pelas quais ele passou enquanto cidadão escritor que se posicionava criticamente. O legal do Kundera, meu autor preferido, por sinal, é que ele fala do que realmente aconteceu em sua vida e na história política, mas também coloca um background de histórias fictícias, com personagens que ilustram bem os fatos de uma época, e faz toda uma análise psicológica em cima disso. Claramente ele escreve pra não enlouquecer. O livro é incrível e ganhou cinco estrelinhas porque não tem como dar menos do que isso. 


Então dezembro chegou e, com ele, a minha disposição literária. Até agora li 11 livros e estou no meio de outros dois, ou seja: voltei ao normal. ♥ 

Comecei dezembro com um desafio: ler Kafka. Uma amiga e eu nos propusemos a ler certos autores em cada mês do ano. Dezembro seria o mês de Kafka e até estava sendo, mas aí li Carta ao Pai e não foi possível continuar porque QUE DRAMA, QUE MIMIMI, MELDELS. Kafka não queria que seus livros fossem publicados e, em seu testamento, pediu pra que seu amigo, Max, os queimasse. Max fez o quê? Ignorou solenemente o menino Kafka e publicou seus livrinhos, causando desgraçamentos mentais em leitores desavisados até os dias de hoje. Tô dizendo que odeio Kafka e nada dele deveria ter sido publicado? Não. Gosto de muita coisa do cara, mas justamente as obras que ele não queria que tivessem sido publicadas foram as que não gostei. Entendo bem o porquê ele pediu pra que não as publicassem, mas enfim. Quando cheguei pra ler O Processo, que estava na lista de leitura, só consegui ler uns dois capítulos e o abandonei porque sem condições de ler aquilo. Foi o terceiro livro que abandonei na vida, mas não sinto remorso porque se tem uma coisa que descobri foi que a vida é muito curta pra se ler livros ruins. Ou, como o próprio Kafka disse: "Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?". 

Mas a grande surpresa de dezembro e do ano foi eu ter começado a ler uma série de vampiros adolescentes wiccanos. HAHAHAHAHAHAHA O que aconteceu? Eu tinha terminado Carta ao Pai, não estava sendo possível lidar com O Processo, então fui à biblioteca decidida a pegar um livro bem idiota pra passar o tempo e me livrar da vibe errada de Kafka. Aí peguei pela capa mesmo: uma capa estilo Crepúsculo, uma coisa gótica trevosa, mas com tons de rosa e preto, cujo título era Marcada. Decidi começar a ler pra me distrair mesmo. Só que acabei me apegando. Muito.


Vejam bem, os livros são mal escritos, a série tem D O Z E livros, mas mesmo assim acabei lendo 7 deles em 15 dias e tô na metade do 8°. O mais impressionante foi quando, numa dessas madrugadas, me peguei abraçada a um desses livros, chorando copiosamente pela morte de uma personagem, às 4h da manhã. 4 DA MANHÃ. Foi aí que percebi que estava ferrada. Mas a série House of Night, das autoras P.C. Cast e Kristin Cast, é realmente divertida e envolvente, e eu estava precisando de algo assim. Queria terminá-la ainda este ano, mas acho meio difícil ler 5 livros em 3 dias, RISOS. Porém, os lidos até agora foram: Marcada, Traída, Escolhida, Indomada, Caçada, Tentada e Queimada. Acho que terei de admitir que talvez tenha um fraco por histórias de vampiros. Talvez. 

Meldels, esse texto ficou maior do que eu pensei que ficaria, hahahaha Deixei as leituras teóricas fora daqui porque né, convenhamos. Mas agora vamos pra parte mais legal, vamos pra recompensa a quem me acompanhou nessa Bíblia até agora: as categorias vencedoras do ano! \o/ 

Peguei algumas da retrospectiva da Manu e outras acrescentei porque sim. Bora: 

Maior livro 

Certamente o maior livro do ano foi A Montanha Mágica, do Thomas Mann, que eu ainda não terminei (desonra pra mim, desonra pra minha família, desonra pra minha vaca), mas que tem nada mais, nada menos do que 900 páginas. É MUITA COISA. Já li umas 500 páginas dele - ou mais, não sei, parei de contar - e o troço não acaba nunca. Não que eu esteja reclamando, veja bem, ele é maravilhoso, tão maravilhoso que tô com outros 2 livros do Thomas Mann aqui em casa pra ler nas férias. Contudo, estou quase lá, gente. Ele vai ser lido por completo. É que deu uns rolos tipo ME ROUBARAM ELE, depois me devolveram e eu não saí mais de casa com ele por completo trauminha, então não deu mais pra lê-lo no ônibus, mas falta pouco, então acho que conta. Mas se não contar conta mesmo assim porque a retrospectiva é minha e só eu sei o que é carregar esse calhamaço de 2 quilos na mochila diariamente. Fora ele, o maior lido, de fato, até agora foi O Mundo de Sofia, do Jostein Gaarder, com 560 páginas. 

Pior livro 

~também conhecida como categoria stupid fucking book~
Não preciso nem pensar muito pra dizer que foi Cordilheira, do Daniel Galera. Sério, gente, eu peguei uma raivinha no coração desse ômi que virei crítica ferrenha do cara. Gostaria muito de um dia conversar com ele pra perguntar qualéquié porque seus livros não são apenas misóginos, são nojentos, são revoltantes. Eu quase vomitei várias vezes durante a leitura de Cordilheira e queria muito entender o que pensam as pessoas que, de fato, gostam desse livro e do Galera. Tanto escritor bom por aí e a Companhia das Letras publicando esse cara. Mas enfim. ~heavy breathing

Melhor livro 

Favoritei pouquíssimos livros neste ano, mas certamente o melhor deles foi As intermitências da morte, do Saramago. É sério, eu falei tanto nesse livro que meio que obriguei todo mundo ao meu redor a lê-lo, hahahaha Ele é simplesmente sensacional, me apaixonei mais ainda pela escrita do Saramago e quero ler tudo o que esse cara escreveu. O mais impressionante ainda a respeito desse livro é que ele tem um clichê dos clichês em uma determinada parte da história e MESMO ASSIM é maravilhoso. Isso é que é saber escrever! 

Melhor personagem 

Terei de dizer que a melhor personagem foi o Robô Descartes de um dos contos do livro Eu, Robô, do Isaac Asimov. Eu lia aquilo e gargalhava loucamente no ônibus, ao mesmo tempo em que sentia medo porque a revolta daquele robô é tão real que chega a ser plausível de certa forma. Essa coisa de inteligência artificial assusta pra caramba e pensar que o Asimov escreveu aquilo bem antes de existir tecnologias que possibilitassem tais coisas é algo assombroso. Ganhou meu total respeito. 

Maior fail literário 

Não ter terminado A Montanha Mágica ainda? Ter abandonado O Processo? Ter lido apenas 45 livros até agora? Acho que é um deles, mas no geral o ano todo foi um grande fail literário. Porém, não ter lido os únicos 3 livros que me propus a ler no ano foi realmente vergonhoso - e a meta 2016 vai se estender a 2017 ou até sabe-se lá quando porque minha vontade de ler Senhora, Quem é você, Alasca? e O ladrão de raios é zero, mas se estão na estante serão lidos. 

Quote preferido 

Não quero ser como os malditos livros entre os quais passo minha vida, cujo tempo está parado e sempre espreita fechado, pedindo que o abram para transcorrer de novo e narrar mais uma vez sua velha história repetida. 
— MARÍAS, Javier. Os Enamoramentos. p. 342. 


E é isso, pessoal. Foram 45 livros lidos ao todo, o que é uma vergonha haja vista que ano passado li 103, mas no geral foram leituras legais. Nem todas marcantes, mas interessantes à sua maneira e pude ler vários gêneros que até então passavam bem longe das minhas leituras (literatura de não-ficção, estou falando com você, e com você também, Y.A. sobrenatural). Espero que ano que vem a retrospectiva literária seja melhor, hahahaha 


TAG Star Wars Literário

Um novo filme de Star Wars nasceu, eu nem acredito que já faz um ano desde que vi o anterior no cinema e cá estamos aqui, com mais um. Pra aproveitar o clima, a Michas respondeu a um meme (tag, enfim) que relaciona Star Wars com literatura e eu, é claro, não pude ficar de fora! (Obrigada por ceder as imagens lindíneas, Michas; eu não sabia o que colocar sem ficar muito fora de contexto e não tô com tempo pra fazer edições mais elaboradas, hahaha) 

Chewbacca: alguém que sempre vai estar lá pra você!

Entonces, pergunta complicada essa. Porque não dá pra saber se é um alguém autor ou alguém livro. Na dúvida, vou falar de uma autora cujos livros sempre me dão uma sensação de conforto: Marion Zimmer Bradley, a autora de As Brumas de Avalon, da série Avalon (que vai muito mais além das Brumas) e também de Ghostlight. Não importa o que aconteça, a magia criada pela Marion sempre estará lá. ♥ 

C3PO: personagem/autor perdido, desesperado

Eu ia citar a Briony, de Reparação, como personagem perdida/desesperada, mas aí lembrei que há um exemplo quase palpável e perfeito pra categoria autor: Franz Kafka. Gente, que pessoa perdida. Kafka seria totalmente um C3P0 num corpo de Luke Skywalker porque ele sofre, ele chora, mas se perde loucamente e aí fala, fala, fala, e nessas falas todas foram feitos trocentos livrinhos que não deveriam ter sido publicados - desejos do próprio miguxo, não meus.

R2D2: livro na língua mais estranha que você já leu

Então, não foi um livro inteiro, mas poemas russos, especialmente os do Boris Pasternak. Isso porque a poesia russa é simplesmente sensacional e aí que um dia me peguei pensando que ler poesia traduzida não é lê-la, mas sim ler uma interpretação. Aí decidi aprender a ler russo para poder entender os poemas no original e estamos aí, ainda aprendendo \o/

Luke Skywalker: um livro que foi importante na sua "formação" (para se tornar um Jedi, claro!) 

Divido a minha vida como leitora entre antes de ler O retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde, e depois. Isso porque sempre fui leitora, mas eita livrinho que realmente me ajudou na minha formação literária. Tanto que o releio ao menos uma vez por ano.

Han Solo: bonitinho, mas ordinário…

Vamos falar de Daniel Galera? Gente, eu queria tanto gostar dos livros do moço, até porque ele tem boas relações com meus professores, com a minha faculdade e com o Jornalismo em si, mas n ã o d á. O que tem de "bonitinho" tem de ordinário e seus livros são um festival de misoginia. Assim como o Han Solo - no entanto, ainda prefiro o Han.

Princesa Léia: a força é forte nela 

Assim como a Michas, também não gosto dessa coisa de que a mulher pra ser considerada forte tem que ser guerreira no sentido pegar-em-armas-e-fazer-estragos. Acho que força é bem mais do que isso e certamente vários - VÁRIOS - personagens masculinos que são megahipermaster guerreiros físicos não possuem força alguma na hora de enfrentar algo mais do que apenas o que pode ser resolvido no braço. Dito isso, minha escolha são duas: a primeira é a Aphrodite, da série House of Night, simplesmente porque QUE MULHER. As coisas estão acontecendo, um mal antiquíssimo quer tomar conta de tudo, ela deixa de ser novata-vamp pra voltar à condição de humana e, enquanto todos se desesperam, continua usando sua racionalidade e pensando antes de agir. Que baita força conseguir se concentrar e focar antes de agir pra não sair por aí na impulsividade fazendo bobagem.

A segunda personagem é a Lisbeth Salander, da série Millennium. Lisbeth é maravilhosamente fora de qualquer ordem pré-estabelecida e luta pela própria sobrevivência não apenas no braço, mas também com a mega inteligência estratégica que possui. Lisbeth = ♥

Yoda: de sabedoria o livro é 

Acho que citar qualquer livro do Saramago aqui seria um baita clichê, mas tô nem aí: Saramago era um dos Yodas literários que este mundo já teve o prazer de abrigar e As intermitências da morte de dá vários vrás na cara. Tudo em meio a uma narrativa sutil e quase que de conto de fada. Maravilhoso.

Darth Vader: seu melhor vilão! 

Eu tenho um fraco por vilões justamente por não conseguir considerá-los totalmente do mal porque, né, eles têm seus motivos pra terem passado para o Lado Negro da Força, e talvez só precisem de um bom amigo e algumas horas num psicanalista... Mas, partindo da linha de raciocínio de que toda essa humanidade em vilões me faz não vê-los como vilões, então vou escolher algo diferente: um robô. Em Eu, robô, do Isaac Asimov, tem um conto em que um dos robôs se revolta loucamente contra os humanos, diz que não foi criado por eles, usa o método cartesiano de duvidar de tudo e cria uma religião de robôs, fazendo com que todos os outros robôs da estação espacial começassem a adorar a uma máquina. Uma palavra para o que senti lendo esse conto: M E D O.

Millennium Falcon: parece que não... mas vai! 

O grande vrááááá literário do ano está sendo a série de vampiros adolescentes wiccanos que tô lendo faz uns 15 dias - e já li 7 dos 12 livros da série, nem me perguntem - porque JAMAIS achei que fosse gostar de livros de vampiros adolescentes. Aí me peguei chorando agarrada a um às 4h de uma terça-feira, HAHAHAHA Pensei que não ia, mas tá sendo e tá bem legal: série House of Night, das autoras P.C. Cast e Kristin Cast.


P.S.: depois vai ter retrospectiva literária do ano, mas ainda não o dei por encerrado porque estamos no dia 26 de dezembro e eu estou na metade de 11° livro do mês. VAMO QUE VAMO. 

Crushes estranhos e onde habitam

As meninas (Ana, Manu, Michas e Tati) e eu passamos muitas horas conversando enlouquecidamente e montamos esse meme maravilhoso que escrevo enquanto como cookies de café, canela e chocolate (inclusive, agora que virei doceira tô bem feliz testando trocentas receitinhas com a desculpa de que preciso testar a receita pra saber se vai dar certo e vender bem, mas na verdade eu sou a minha própria cobaia culinária e a vida nunca foi tão gostosa, hihihi). Pois bem, separamos tudo em 10 categorias e eu já queria colocar mais ainda, porém me contive. Vambora!

1. Crush Literário 
E o meme já começou me dando trabalho. Vejam bem que eu sou totalmente crazy book lady e minhas crushes literárias são quase infinitas. Mas, assim como a Michas, terei de dizer que minha grande crush da literatura é o Heathcliff, do filho único da Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes. Ele é antiherói? É. Ele não presta? Não. Mas a intensidade do rapaz, meldels. E não posso negar que a adaptação de 1992, em que um Ralph Fiennes com nariz - e que nariz! - interpreta o nosso Heath, contribui muito para a crush. 

~olhinhos de cãozinho pidão, nariz de quilômetro, cabelos esvoaçantes e uma intensidade vingativa dozinfernos - como não crushar?~ 

Contudo, nos últimos dias tenho lido uma saga de vampiros adolescentes wiccanos (HAHAHAHAHA) que me fez crushar num vampiro. Eu sei, 22 anos na cara e lendo esses livros, tendo crush em vampiros etc. TÔ NEM AÍ. Loren Blake, meu amor, meu poeta vamp laureado, vem me recitar poemas sob a luz da lua, vem! 

2. Cinema e/ou televisão
Gente, que complicado. Crush de cinema tem vários, de tevê também. E agora, José? VAI UM DE CINEMA E OUTRO DE TEVÊ, OBVIAMENTE. Tô roubando loucamente neste meme, mas a vida é pra isso. Se não for pra roubar em memes eu nem abro o blog.

Tenho uma lista um tanto quanto grandinha de personagens gamantes que é atualizada, mais ou menos, semanalmente. Mas vou tentar ser justa e falar da minha crush primordial, do primeiro crush forte do qual me lembro ter. Eu tinha 7 anos e meu irmão havia locado um filme bambambam pra gente assistir. Nem tinha idade pra isso, mas who cares? Entonces eu o vi: dyvo, lindo, poderoso e com seus cabelos esvoaçantes. Legolas, esse elfo maravilhoso, entrou na minha vida e no meu coração de uma forma que lembro que fiquei por anos sonhando com ele, hahahaha


~affs, como sou habilidoso com meu superpoder do cabelo perfeito resistente a umidade, vento, espíritos do mal e orcs~ 

Como acabou o amor? Quando vi o extras de O Senhor dos Anéis e descobri que Legolas era, na verdade, Orlando Bloom, o galã mais feio que você respeita, e não possuía todo aquele cabelo maravilhoso. No entanto, esse elfo ainda mora no meu coração - mas a versão dele em LotR, cês não me venham com Hobbit porque aquilo não merece meu respeito.

Agora, vamos ao crush de tevê. Gente, que coisa mais desgracenta. Não tá fácil. Poderia ser o Dean Winchester, mas ele não é meu crush real porque, por mais que seja lindo e tenha uma personalidade arrasadora, não me sentiria verdadeiramente atraída por ele. Na real, apesar de toda uma gama de personagens incríveis que me deixam aaaaaaaaah, minha escolha será bem clichê, mas sincera: Jess Mariano, o bad boy escritor de Gilmore Girls. Ele é literato, curte uns rocks e tem um sorriso... ♥ TEAM JESS!

~eu sou muito mau pra andar como um cara normal, eu uso jaqueta de couro e fico sério porque eu sou tão mau e ninguém me ama porque eu sou mau, boohoo~ 

CÊS QUE SÃO DO TEAM LOGAN NEM VENHAM DEFENDÊ-LO AQUI, hunfs ¯\_(ツ)_/¯

3. Da vida escolar
Fiquei em dúvida se era pra falar de crush real, de pessoa conhecida, durante os anos de tormento, ou se era pra falar da pessoa celebrística ou personagem em questão na qual tínhamos crush durante a adolescência. Escolhi a segunda opção porque só fui começar a olhar pras pessoas à minha volta lá pelos 16 anos, hahahaha Eu sempre fui muito tapada pra essas coisas de paquera, gente, nem sei como consegui namorado até hoje - obviamente por iniciativa minha que não foi.

Pois então, aos 12 anos eu desenvolvi uma crush FORTÍSSIMA por uma personagem de Alexandre (2006): Heféstion, interpretado por Jared Leto. Gente, eu fiquei meio obcecada pelo menino Heféstion?! Decorei falas, assisti ao filme mais de cinquenta vezes e cheguei ao ponto de ver todos os outros péssimos filmes dele só porque meldels, que nariz, que olhos, que cabelos, hahahaha

~menino Heféstion, veja bem o que você diz, cê já se olhou no espelho? não sabia que tinha lápis de olho preto em trezentos e poucos antes de Cristo, que interessante~ 

O amor acabou quando descobri que o que o senhor Jared Leto tem de lindo, tem de babaca. Não há crush que resista à babaquice.

4. Música
Minha crush musical é a mesma há mais de uma década: Freddie Mercury. Mais especificamente, Freddie Mercury dos anos 70, com seus cabelos compridos, seu kajal e suas roupas espalhafatosas. ♥

~ESSE NARIZ ♥~ 

5. Celebridade
Vou nem me enrolar aqui: Benedict Cumberbatch tomou completamente meu coração com suas feições reptilianas e sua voz grave com aquele sotaque britânico orgásmico. Bene, te dedico = ♥

~o maior alien que você respeita~ 


6. Girl Crush
Obviamente, Eva Green em qualquer filme ou série que ela tenha feito. Eva Green é basicamente a perfeição em forma de mulher. Eva Green é o único ser que me faz questionar a minha heterossexualidade.

~pessoas lindas até mesmo possuídas pelo demônio, me add~ 

7. Crush Morta
Eu amo essa categoria e vou protegê-la, hahahaha ♥ Minha crush morta não é bem morta, mas é muito crush, sim. Se trata de nada mais nada menos do que aquele alien com 2 corações e nenhum bom senso, a 10ª encarnação do Doctor mais amado de todo o mundo das séries: Tennant, ou o Tenth Doctor, como preferirem. MELDELS, COMO CHOREI QUANDO ELE "MORREU". Não sou fã do Matt Smith e ainda não superei a saída do Tennant de Doctor Who - apesar de que realmente gosto do Capaldi e acho que ele tá fazendo um baita trabalho como o Dóctah. Mas sou Team Tenth, totalmente.



Fotinho extra porque sou dessas: 

~reptilianos, comandando nossos corações~

8. Crush Intelectual 
A vibe da crush intelectual é: quero conversar por horas e horas, que pessoa fascinante, meldels, mas não gostaria de dar beijos, eca. Quem seria minha crush dos intelectos? Gente, não sei?! hahahaha Mas é bem provável que seja Moriarty, de Sherlock. Aquele cara é muito inteligente, fascinante, misterioso e divertido. Mas JAMAIS me veria dando beijos com ele, eca, eca.


9. Crush sobrenatural
Poderia ser Damon Salvatore, mas na realidade minha crush sobrenatural é Eric Northman, o incrível vampiro nórdico de True Blood. Sim, eu vi True Blood. Sim, inteira. Sim, eu adoro essa série. Não, eu não tô nem aí pra má fama que ela tem.




Vou nem falar nada, só vou deixar esses gifs aí. ♥

10. Crush guilty pleasure
ENTONCES. Fiquei entre Nick Miller, de New Girl, e Tyrion, de Game of Thrones. Na dúvida, permaneço com Nick porque NÃO SEI POR QUE RAIOS TENHO CRUSH NESSE CARA. Ele é um Grumpy Cat humano, é esquisito, tem uma vida mega instável no quesito material e não confia em peixes porque eles respiram embaixo d'água. Mas rola toda uma magya.

~lições de vida com Nick Miller 101~ 

Deveria ter acabado, porém agora vamos para a famigerada MENÇÃO HONROSA:
É crush, mas não é bem crush porque eita personagem esquisito, no entanto amo muito. Winston Bishop, de New Girl, é uma personagem extremamente engraçada, confusa e, meldels, que coisa marlinda! Winnie, the Bish = ♥

~Winston representa a todos nós, claramente~ 

CABÔÔÔÔÔ!!!!!!!!!!!!!! Poderia colocar mais trocentas menções honrosas, mas são 2h01 da manhã e há boatos de que preciso dormir, portanto: isso é tudo, pessoal. 

Mágoa de miguxo: tá tendo

Foi eu me propor a escrever todos os dias - ou, pelo menos, um dia sim, um dia não - pra acontecer o quê? Isso mesmo, eu ficar sem internet. Porque a vida, é vida é o tipo de coisa que não apenas bate na sua cara, mas o faz na hora mais imprópria, em que todo mundo estiver te olhando e você precisar se sair bem. Não vai te bater quando você estiver deitada no chão do banheiro, sem saber se está vomitando, chorando ou apenas com o nariz escorrendo; não, isso é pras pessoas normais. Com você, a coisa tem de ser mais peculiar.

Metáforas cagadas: trabalhamos.

Mas também trabalhamos com leituras cagadíssimas durante os surtos de TPM. Tem gente que fica com raiva, tem gente que bate, que grita, que briga, que xinga. Eu choro. E sinto. E fico até às 4h da manhã olhando pra o teto, no escuro, pensando na vida e sentindo tudo muito intensamente para, após muitos suspiros e despirocamentos internos, levantar e dizer pra o namorado que "eu preciso escrever", pegar um caderno e um lápis e, 10 minutos depois, ter 3 poemas escritos numa caligrafia de psicografia mode on.

Aí que resolvi que seria de bom tom ler Carta ao pai, do Kafka, durante esse período. Quanto a essa leitura, só tenho um questionamento a fazer: PRA QUÊ?

~I'm a little bit Rory Gilmore, sim~
Alguém, por favor, me tira o poder de decisão, sim? Porque eu claramente não sei tomar decisões pertinentes, coerentes & sensatas sozinha. Gente, que vibe errada. Kafka era uma alminha muito atormentada e ler aquilo foi como tomar um soco no estômago a cada página. A mágoa de miguxo que ele tinha do pai dele era algo em proporções tão absurdas - mas completamente compreensíveis - que eu só queria pegar na mão do menino Kafka e dizer que tudo bem não corresponder às expectativas de nossos pais. Mas provavelmente ele faria comigo a mesma coisa que fez com suas ex-noivas: se apaixonaria porque AFETO ATENÇÃO CARINHO COMPREENSÃO para, após noivados feitos e desmanchados, deixar tudo pra lá porque muito tormento na alma pra lidar com questões práticas da vida.

O que diabos é mágoa de miguxo? Mágoa de miguxo é aquele sentimento complicado de quando se tem uma rusga no que se sente em relação a alguém com quem temos uma relação relativamente íntima. Ou seja: mimimi, minha amiga me magoou, ela não presta, mimimi, mas eu ainda a amo, mimimi. Should I stay or should I go que rende trocentos mil livrinhos e poemas e cartas e noites em claro chorandinho.

Adoro.

Mas o que mais me assustou realmente foi o grau de reconhecimento com o menino Kafka. Carta ao pai é puro mimimi? Mais ou menos. Porém, este blog também o é. A diferença é que o moço Franz se conteve NUMA carta. Eu tô aqui há quase uma década escrevendo meus mimimis. Inclusive, posso ou não ter cogitado ser uma reencarnação de Kafka vivendo no século XXI - o que é um pensamento bem perturbador, mas foi um pouquinho amainado ao saber que uma amiga minha teve a mesma sensação.

Somos todos Kafka, portanto. 

Somos todos loucos aqui

E eu poderia ser a Imperatriz da Insanidade, pois estamos em dezembro e eu estou fazendo o quê? Isso mesmo, entrando em mais uma enrascada com as migas de blog. A ideia das gurias, inicialmente, era fazer um BLOGMAS, que nada mais é do que um BEDA em dezembro. Porém, não vai rolar escrever todos os dias de dezembro, não. Tá calor demais pra isso. Portanto, me proponho a postar um dia sim, um dia não. Vamos ver até onde isso irá. 

Que o blog tá abandonado, todo mundo já percebeu. O que não perceberam é o porquê. Pois eu lhes direi: FINAL DE SEMESTRE. O final de semestre comeu meu tempo, minha criatividade, meu sono e meu blog. Foi uma correria pra escrever 3 artigos num intervalo de duas semanas (sendo que um deles foi escrito em apenas 5h e - nem eu acredito - consegui tirar 10 nele; nem me perguntem, não sei como - citando Chicó: não sei, só sei que foi assim), tirar uma nota acima da média em provas e fazer reportagens pra o laboratório de jornalismo em que trabalho. Mas hoje saiu a última publicação de notas e, minha gente, declaro encerrado 2016/2! 


Quer dizer, não, né. Porque acabou o semestre da faculdade, mas ainda tem um mês inteirinho de 2016 pela frente e eu tô o quê? Isso mesmo, eu tô morrendo de medo desse mês porque 2016 foi um combo de "Dalí encontra Tarantino". 

De mais a mais, vamos embarcar em mais uma loucura com as migas e esperar não morrer no processo. 

2016/2: a batalha final

Estava conversando tranquilamente com o namorado sobre alienígenas e teletransporte (eternamente à espera da nave-mãe ♥) quando ele fala: 
— Achei massa. 
— Eu não entendo essa gíria. Massa. Não faz sentido. O que isso quer dizer? SIM, EU SEI O QUE QUER DIZER. Mas de onde surgiu? Como as pessoas começaram a falar isso? 
— Gírias normalmente não fazem sentido. Ah, não sei. Vem de "tri massa". 
— Mas deve existir uma etimologia das gírias. Tudo tem um sentido. 

MIA, SUA LOUCA, PÁRA DE QUERER VER SENTIDO NAS GÍRIAS, SIM? 
AGRADEÇO. 


De volta à programação normal: final de semestre.
Tô há dias fazendo um artigo e minha playlist, no momento, toca Pérolas do Mion zoando clipes variados. Simplesmente porque já consegui enjoar de todas as músicas de tanto que elas me serviram de trilha sonora nos últimos dias. 

EU NÃO AGUENTO MAIS ESSE MALDITO ARTIIIIIIIIIGO!!!!!!!!
Mas, juro, tô bem. Tô controlada. Tô serena. Tô de boas. Estarei melhor ainda quando tiver o restante do maravilhoso artigo - que necessita de mais 5 páginas para ser concluído. No entanto, o prazo para entregá-lo vai até segunda-feira, também conhecida como a maléfica. Portanto, estamos como? Isso mesmo, estamos em completo desespero aqui.

~apenas Lestat me entende neste momento~ 

De volta ao trabalho.
Deusa, miajuda (a não dormir ou matar alguém durante o processo). 

Cordilheira dozinfernos

Cordilheira
Daniel Galera
Companhia das Letras
176 páginas
Ano de publicação: 2008 
Sobre o que é: Anita é uma guria mimada e pedante que escreveu um livro e, por motivos desconhecidos, fez sucesso como escritora muito cedo na vida, no início dos vinte anos. Ela namora esse cara, vive com ele e eles têm uma relação legalzinha e estável. Mas isso não é o suficiente pra Anita porque ela quer ser "apenas a mulher de um homem", cuidar da casa e parir um filho pra ser a mãe que nunca teve. O cara não quer isso naquele momento porque HELLO, E NOSSAS CARREIRAS, ACALMA ESSE ÚTERO, MULHER. Mas ela quer porque quer. Então termina com ele, vai pra Buenos Aires lançar a versão argentina de seu livro e decide ficar lá por tempo indeterminado pra ter o útero "esporreado" por um argentino qualquer. E é aí que começa a confusão.

Por que ele é bom? Não é bom. Ponto.
Mas vou ser justa e dizer que ao menos a escrita do Daniel People não é tão enfadonha assim e a leitura flui com facilidade. Não fosse isso teria jogado o livro pela janela do ônibus nas primeiras 10 páginas.

Por que ele é ruim? Senta que lá vem a história.
Pra início de conversa o livro é narrado em 1ª pessoa na voz de uma mulher - a dona Anita. Aí que o senhor Galera é homem. Tô dizendo que um homem escritor não pode escrever como se fosse uma mulher? Não. A arte é livre e não deve ter limites pra criatividade do artista. Mas tô dizendo que é sempre delicado quando um escritor escreve um romance em 1ª pessoa sendo a voz narradora a de uma mulher. Isso porque o cara tem que ser MUITO BOM pra conseguir escrever uma personagem feminina e, ainda mais, se colocar no lugar de uma mulher sem cair em clichês e misoginia velada.

Pois bem.
O senhor People queria escrever uma mulher porque, segundo ele, as mulheres modernas são tão mais interessantes do que os homens... Aí ele escreveu a mulher moderna: que quer apenas ser a mulher de um homem. Ter o útero esporreado por um argentino desconhecido. E parir uma criança. Tudo isso enquanto desfaz de suas amigas quando estão em crise depressiva. Legal, né?

~pavor define~
Não, nada legal.
O livro é um festival de misoginia e abuso. Eu literalmente segurei o vômito várias vezes durante a leitura. O que é impressionante, dado o fato de este ser um livro bem fininho, não chegando a 200 páginas.
Quando senti que ele estava prestes a gozar, tentei mantê-lo dentro de mim como vinha tentando fazer toda vez desde que tinha parado com a pílula, mas era sempre a mesma coisa, ou ele ignorava meus protestos e usava uma camisinha ou ele tirava para fora e gozava em cima de mim. Segurei sua bunda com toda a força, cravei as unhas, mas ele venceu de novo, o desgraçado escorregou para fora e gozou na minha barriga. Enquanto ele buscava um lenço de papel para me limpar, me imaginei recolhendo a porra com os dedos para finalizar o serviço sozinha. (pág. 18) 
Você conhece alguma mulher que tenha feito isso? Que tenha dado o golpe da barriga? Vilãs de novela mexicana não valem. Pois é, eu não conheço nenhuma. Mas Daniel Galera escreveu a mulher moderna, a mulher atual, a mulher independente: que existe apenas em sua mente.

Mas o livro não fica apenas nisso. Anita, de fato, vai pra Buenos Aires e lá conhece um fã de seu livro que é simplesmente obcecado por ela: José Holden, um cara misterioso e esquisito. Em menos de uma semana estão morando juntos e o cara a trata como se fosse apenas uma sucessão de buracos que servissem a seu prazer. Ela adora isso porque finalmente está, como ela mesma diz, encarnando a mulherzinha que há algum tempo fantasiava ser. Cozinha pra ele, limpa suas roupas, sua casa e cuida de seu cachorro. E à noite lhe serve com o corpo sem que grandes explicações tenham de ser dadas.

Um dia, ela conhece os amigos de Holden: um grupo muito caricato e estranho. Com eles descobre que Holden faz parte de um tipo de seita literária: todos eles são escritores que incorporaram seus personagens em suas vidas, chegando ao extremo de matar pessoas ou ao próprio suicídio para fazer jus à obra.

Aí cê pensa: a guria tá lá no meio de um monte de escritor maluco que VIVE a obra porque acha que essa é a forma mais real de ser um escritor: viver aquilo que se escreve, transpor as barreiras da ficção. Um belo dia, Holden pede pra que Anita o mate porque seu personagem morre no final do livro, imolado ao deus da literatura lá nas Cordilheiras. Se Anita fará isso ou não, não vou contar. Mas o fato é que: PERTURBAÇÕES. MUITAS. O livro é extremamente perturbado. E não, eu não julgo uma obra por ter personagens perturbados, mas todo esse desenvolvimento de ritual ao deus da literatura rola em apenas 70 páginas. As outras 100 são de pura misoginia e nojeira escrita, provavelmente, apenas para chocar.

É o antigo debate: até que ponto a literatura pode ir sendo apenas arte e não crítica ou mesmo parte do escritor? Galera, no livro, diz que:
A questão é que ninguém fica dois ou três anos escrevendo alguma coisa sem um propósito muito secreto e particular. Mesmo os livros ruins nascem de uma necessidade muito íntima. (p. 97) 
Não sei qual foi o propósito dele com esse livro, mas não quero acreditar que ele apenas quisesse retratar a mulher moderna como submissa, como uma pessoa que mais cedo ou mais tarde se dará conta de que o que necessita, na verdade, é de um filho, um marido e uma casa. Ser apenas e tão somente a mulher de um homem.

Se eu recomendo a leitura? NAAAAAAAAAAAO, pelamordadeusa, não! Mas, assim, se você quiser não serei eu a lhe impedir. Porém, pra mim isso não é um bom livro. Porque isso tem vários nomes: maternidade compulsória. Machismo. Patriarcado. Misoginia. Mansplaining. Mas não literatura.

Em um quote: 
Os argentinos se reproduzem por osmose, garantiam meus amigos que já tinham passado pela escruciante experiência de tentar seduzir uma argentina. Volta e meia eu trazia essa teoria à mente apenas para tentar afugentar a imagem que me perseguiu durante todo o voo para Buenos Aires, a de um homem meio narigudo, magro e atlético, com corte de cabelo estilo mullet, a barba por fazer, cheirando a cigarro, sussurrando cafajestadas em castelhano e despindo seu belo casaco de lã imitado de alguma grife nova-iorquina para então montar em cima de mim e meter com força até esporrear o colo do meu útero e então desaparecer da minha vida. 

Aleatoriedades n° 2

Setembro foi um mês que veio e foi-se embora no período de uma semana, mas tanta coisa aconteceu que até agora estou lidando com suas consequências - um pouco aparvalhada, confesso, mas prosseguindo.

Tive um pequeno nervous breakdown porque teria de fazer meu estágio obrigatório em Biblioteconomia para poder, finalmente, me formar. Teria mais duas reportagens a fazer pra o J. E, também pra o J, teria a coluna semanal que tenho feito na rádio da faculdade, sobre literatura. Além disso, teria todas as matérias da faculdade com aquele esqueminha gostoso de acordar às 5h e dormir às 2h.

Fora isso, as pessoas resolveram dar a louca e me culpar por seus problemas inexistentes, fazendo posts em redes sociais sobre como eu sou má, cruel e desumana ao invés de resolverem seus "problemas" comigo. O que aconteceu? Dona Mia é idiota e ainda não aprendeu que tem gente que faz isso não porque esteja sofrendo, mas sim pra chamar a atenção e ganhar um afago no ego. Aí procurei o cerumano pra perguntar qualéquié. A querida pessoa, que se dizia minha melhor amiga (desconfio fortemente de quem usa esses termos e tem mais de 15 anos, inclusive), simplesmente me bloqueou de todas as suas redes sociais como se eu tivesse, sei lá, matado a mãe dela.

Acho isso muito incrível porque pra eu bloquear uma pessoa aquela criatura em questão deve ter feito algo muito pesado e horrível pra mim. Não sei ao certo como funciona a cabeça de alguém que simplesmente bloqueia as pessoas quando questionada acerca do que diabos está fazendo. O que essa pessoa fará na vida offline? Vai bloquear também? Tipo, se eu aparecer na frente dela a criatura vai dizer: NÃO, SAI DAQUI, EU TE BLOQUEEI e vai começar a brandir o celular na minha cara, apertando freneticamente o botão de bloqueio!? Não faz sentido.

E, vou dizer, essa falta de sentido dá um cansaço infernal, hein.


Mas tá. Aí que fiquei refletindo acerca de tudo isso, decidi trancar o curso de Biblio e fazer o estágio no semestre que vem, trancar algumas disciplinas da faculdade e cuidar mais de mim porque não sou obrigada e não tem diploma que me faça dormir 3h por noite apenas e passar o dia inteirinho fora de casa, sem comer direito.

Só não desisto do diploma de Biblio por motivos de: após passar um tempão virando noites pra entender a maldita disciplina de Estatística & Probabilidade eu faço questão de ter esse diploma. Nem que seja apenas para emoldurá-lo na parede e nunca usá-lo na vida.

Porém, também fico refletindo que às vezes simplesmente não é pra ser e a pessoa (no caso, eu) tá ali dando murro em ponta de faca, insistindo, insistindo e insistindo mais um pouco quando o universo inteiro já deu dicas de que minha filha, isso não é pra você, não.

Digo isso porque, caramba, é incrível a dinâmica da coisa: em todos esses anos do curso de Biblio só trabalhei em biblioteca quando? Isso mesmo, ANTES do curso. Nunca durante. E todos os meus colegas conseguiram empregos ou estágios em bibliotecas durante ou até mesmo depois do curso. Menos eu. Aparentemente não tenho o perfil de tia da biblioteca. A IRONIA FINA DISSO, GENTE! ADORO!

Em contrapartida, o pessoal do Jornalismo me gosta e os sentimentos são completamente recíprocos. ♥


Hoje me dei conta de que 2016 é um ano regido pelo Sol. Nunca acreditei nessas bobagens de regência de ano e como isso afeta a vida das pessoas porque, sinceramente, esse tipo de coisa parece pauta daqueles programas toscos da Monica Buonfiglio (inclusive, recentemente li um livrinho dela sobre almas gêmeas e, pelamordadeusa, que troço mais ridículo e preconceituoso, credo). Mas aí estava refletindo acerca de como todo mundo parece estar mostrando quem realmente é, assumindo a sua essência e como isso é bem bizarro de certas maneiras. Então me lembrei de que ouvi, lá por meados de janeiro, que num ano de Sol as pessoas se tornam aquilo que elas são, tudo o que está escondido vem à tona e é revelado pela claridade solar

GENTE, FEZ SENTIDO. 

Tá todo mundo despirocando loucamente e dizendo que eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim ♪. Inclusive, acho muito digno. O que também tem ocorrido é que estou num ano 9 - de acordo com a numerologia; o que indica que é um ano em que tudo o que tiver de ir embora, irá e só ficará o essencial. Pois bem, as pessoas estão indo embora aos bandos e eu nunca estive tão tranquila quanto a isso. Tô adorando. Me poupa o esforço de afastá-las. 

Toda uma vibe Elizabeth Bennet, cês tão vendo. 


Durante o mês de setembro teve essa semana dozinfernos em que passei correndo atrás de médicos porque me deu uma doooooor no ovário, no baixo ventre. Parecia cólica, mas não tava na época. Pra ser justa, também parecia com um gato preto arranhando meus órgãos internos. A vontade de fazer xixi, ela era real e crescente - apesar de que nada saía. Era como abrir uma torneira quando falta água: ficava apenas ressonando o cano vazio enquanto você sentia que tinha algo pra sair, mas não saía. 

Aí que fui a vários médicos durante uma semana, mas só consegui atendimento após muitos dias de dor & sofrimento porque aparentemente o universo gosta de zoar com a minha cara e toda vez que eu chegava em algum hospital, posto ou UPA o médico que trata desses assuntos em questão tinha acabado de sair. Claro que podemos sempre culpar o péssimo sistema de saúde que temos no país, mas não quero ser amarga hoje (apesar dessa ser uma verdade). De amargo, já me basta o chocolate. ♥ 

Até que FINALMENTE fui atendida! 


A médica me examinou, fez trocentas perguntas, olhou nos meus olhos e questionou:
— Existe a possibilidade de você estar grávida?

Nós duas gargalhamos muito após essa pergunta pois a possibilidade é completamente nula e basta olhar pra minha cara para perceber isso. Quer dizer, eu vou pra faculdade de pijama. Alguém aqui realmente acha que existe uma pessoa disposta a me engravidar ou correr o risco de? Imagina as crias: tudo indo de pijama pra escola, 100% nem aí. Uma geração de perturbadinhos. Temo.

Porém foi descoberto que não estou possuída por Pazuzu, mas sim com infecção urinária - ou na bexiga, também conhecida como cistite - causada por
HIGIENE 
EM 
EXCESSO.
Veja bem se pode. Aparentemente, sou tão obcecada por limpeza que enfraqueci minhas defesas e meu sistema resolveu se voltar contra mim.

Eu sou demais, fala sério.

Da série o que estou vendo:
a. Full House.
Terminei todas as temporadas de Full House e finalmente sei qual é o final da série. Passei a infância assistindo as primeiras 3 temporadas e sempre me perguntei o que acontecia depois daquilo. A resposta? Nada que valha a pena ser assistido. Mas perseverei e fui até o fim apenas para atestar que Uncle Jesse se torna um péssimo marido - o que faz sentido, já que ele sempre foi um péssimo namorado - e Michelle é a personagem mais detestável de todas as séries, sendo extremamente mimada e achando que está arrasando.

b. PPG.
Nada melhor do que chegar em casa cansada e ver episódios nunca antes vistos d'As Meninas Superpoderosas. Sério, é muito relaxante. E tem um episódio EXTREMAMENTE bom que faz paródia dos Beatles e é recheado com referências (The Beat Alls - procurem por isso, pelamor!). ♥

Da série o que estou lendo:
a. A montanha mágica, do Thomas Mann.
Ainda. Sim. Porque dei uma pausa de 1 mês na leitura pra ler outras coisas que apareceram no caminho - e foi assim que li 5 livros durante o processo. Mas já retomei a leitura e o livro está simplesmente sensacional. Porém, Hans Castorp continua tapado.

b. Viagem mitológica através da astrologia, da Lucia Scavone.
Tô amando muito esse livrinho porque mistura duas coisas de que gosto pra caramba: mitologia e astrologia. ♥ Ele é bem completo, conta vários mitos e os relaciona com os arquétipos junguianos dos signos.

c. A origem da família, da propriedade privada e do Estado, do Engels.
Esse faz parte de uma leitura grupal porque participo de um grupo de estudos marxista e estamos lendo esse livrinho pra discutir de onde surgiu essa coisa de família e como a mulher é vista como propriedade privada até os dias de hoje. Bem interessante. Engels era tão sarcástico quanto o Dr. House e eu dou várias gargalhadas lendo esse livro (por exemplo, tem um parágrafo inteiro em que ele fala da reprodução das tênias! muito divertido!).

Um dia do mundo

Há 3 anos eu estava no Ensino Médio, no último ano, e achava que a vida era muito difícil - me lembrou o facebook, logo pela manhã, com seu mau hábito de reavivar memórias que desejamos esquecer. Há 3 anos eu estava no Ensino Médio e voltava cedo para casa após cuidar da biblioteca da escola nas horas vagas. No máximo às 17h estava de pijama. Hoje cheguei às 21h no meu bairro - e isso apenas porque o professor cancelou a aula e eu não tive ânimo para assistir à palestra do dia - e me deparei com ele no escuro: um caminhão bateu num poste e o derrubou em cima de uma casa logo na entrada da Estalagem. Sem feridos.

Mas o fato é que a falta de energia e o bloqueio da rua por conta do poste caído, do caminhão atravessado e dos homens do conserto fazendo seu trabalho fizeram com que o ônibus em que eu estava não pudesse passar e tivesse de dar meia volta. Porém não antes de que todos os passageiros descessem para fazer um longo percurso até suas casas no mais completo escuro.

A noite escura me fez tremer. Meu bairro não é conhecido por ser calmo e sem índice algum de criminalidade. Eu, no alto de meu um metro e meio, respirei fundo, pedi à Hécate que me fizesse ser como a noite escura, imperceptível, que me envolvesse com seu manto feito de céu e de estrelas para que fosse a noite e a noite fosse eu. Iniciei a volta para casa. Um, dois, três. Os passos contados. Cada barulho ao meu redor, cada respiração de qualquer cachorro que passasse por mim, me fazia estremecer. Pisei firme. Ainda havia seis longas quadras para atravessar.

Quando finalmente cheguei em casa, - minha casa, a que fica na última rua do bairro, distante de tudo, envolta no completo breu e protegida pelo brilho da lua - após vinte minutos de caminhada e medo, fez-se luz. Tirei meu manto feito de noite e pude soltar a respiração, sentar e jantar com meu pai, que me esperava com um prato quente e um suco recém feito.

Nesse momento percebi: não havia luz porque meu pai a absorvera toda em seu cuidado meticuloso para com sua filha universitária.


Crônica escrita para o projeto "um dia do mundo" idealizado pelo escritor russo Górki, em 1935, para que escritores de todo o mundo descrevessem com a maior precisão um dia daquele ano, 27 de setembro.  #27S2016

Precisamos falar sobre estupro

Acordei pra abrir o facebook e me deparar com uma solicitação de amizade do meu estuprador que, inclusive, tem 10 amigos em comum comigo. Dez. Todos pessoas da família. Dez. Incluindo familiares que sabiam do que estava acontecendo, que viveram aquele período comigo e que, mesmo assim, não me acreditaram. 

Abri o facebook e vi uma pomba branca voando na tela, anunciando o Dia Internacional da Paz. Ela voa pra lá e pra cá e é livre para perdoar e seguir em frente, para desfazer conflitos e ter o coração cheio de amor. Mas eu não sou. Não sou porque como poderia ser se há anos que virei essa pessoa destroçada, esse ser amorfo que se encolhe ao mínimo toque, que não se entrega, que tem medo, que não consegue nem ao menos dormir porque tem pesadelos vívidos que envolvem estupros não apenas do corpo, mas também da alma? 

Abri o facebook e, logo após a solicitação de amizade da pessoa que destruiu a minha vida e da pomba branca da paz, havia a notícia dizendo que 42% dos homens dizem que mulher que se dá ao respeito não é estuprada. 42%. Sabem o que isso quer dizer? Que quase metade da população masculina entrevistada - lembrando que isso é apenas uma amostragem e o número certamente é bem maior - pensa que a culpa do estupro é toda minha. Que meu estuprador não passou de um homem agindo de acordo com seus instintos, coitado, ao ver uma guria ali, não se dando ao respeito, de roupa curta, provocando-o ao usar um short num dia de calor. 

Fim de semana passado o Fantástico exibiu uma reportagem sobre pedofilia no país e um especialista foi lá falar que a pedofilia é uma doença e seu portador - portanto, o pedófilo - precisa de tratamento, pois é doente. Chamar o pedófilo de doente nada mais é do que inventar uma desculpa para que o homem, mais uma vez, saia por alguém que não pode se controlar, que merece ser desculpado, cujas atitudes têm de ser analisadas com cuidado porque o pobre portador da pedofilia não tem domínio sobre seus atos. 

Eu tinha 13 anos quando fui estuprada por um homem de 40. Um homem que vivia dentro da minha casa, um homem que era parte da minha família próxima, um homem que tinha a confiança de meus pais, meus irmãos e minha. Não fui estuprada por um bandido perigoso no meio da noite, na rua, ao voltar de uma festa. Não fui estuprada por um desconhecido, numa esquina. Não fui estuprada por uma pessoa mentalmente perturbada que fazia tratamento contra suas doenças psicológicas. Não. Fui estuprada por uma pessoa saudável em todos os sentidos, por um homem que não tem doença psicológica alguma, que possui pleno controle de seus atos e que mesmo assim estuprou a mim, sua sobrinha, simplesmente porque quis, porque tinha poder suficiente para isso, porque sabia que eu jamais conseguiria revidar e se sentiu grande ao ver uma criança subjugada à sua vontade. 

Estupro é sobre poder. Pedofilia também. Não é doença, não é algo a ser tratado, tampouco incontrolável. A sociedade em que vivemos é extremamente patriarcal e ensina os meninos, desde pequenos, que as mulheres não passam de buracos onde eles podem meter, satisfazerem suas vontades. 

Toda vez que alguém, numa roda de conversa, fala sobre perda da virgindade e pergunta como foi a minha primeira vez eu não posso responder, dou um sorriso enviesado e saio do meio porque eu não perdi a minha. Me foi arrancada. Eu nunca mais consegui confiar em alguém, perdi a docilidade que tinha, perdi a visão bonita sobre as pessoas, virei esse bicho do mato que não confia em ninguém, que sofre de insônia e tem crises de choro silencioso no meio da madrugada.

O cara que me estuprou me mandar solicitação de amizade indica algumas coisas: a. ele está de olho em mim de novo; b. se ele puder, me estuprará novamente; c. o sistema não funciona porque se funcionasse ele estaria apodrecendo na prisão; d. não posso andar sozinha porque se ele me atacar e eu conseguir revidar e acabar matando-o, quem irá presa será eu e ainda me condenarão por não ter denunciado antes sendo que sempre que tentei denunciar me diziam que faltavam provas porque aparentemente anos de um psicológico quebrado e um emocional ferrado não são o suficiente. 

Mais uma vez estou aterrorizada e terei medo de ir à faculdade hoje. 
E ninguém se importa porque a culpa, afinal de contas, é minha. Por ser mulher. Por usar roupas provocantes. Por estar no lugar errado na hora errada. Por não perdoar meu pobre estuprador. Por não conseguir seguir em frente. Por não lhe oferecer ajuda e tratamento psicológico para sua doença. A culpa é minha e de mais ninguém. 
 
Wink .187 tons de frio.