Uma Lily querendo ser Robin

Sexta passada fez 7 anos que eu escrevo neste blog. SETE ANOS ESCREVENDO NESTE BLOG. Meu relacionamento com ele tem durado mais do que qualquer outro relacionamento amoroso em minha vida. Acho que isso já diz muita coisa a meu respeito. 

Uma delas é: JUVENTUDE, KD VC? 
A outra é: eu sou realmente comprometida com a minha escrita. 

Quando eu tinha 15 anos criei este blog com um único objetivo: treinar a minha escrita pra um dia ser uma boa jornalista e trabalhar na redação de uma revista. Eu era bem mais metida do que sou hoje e stalkeei loucamente o Jerri Dias, colunista da revista Capricho na época, até achar algum contato dele - no caso, seu MSN - e puxar papo pra saber como é que ele havia conseguido entrar na redação da revista. 

Bem louca, eu sei. 

Mas aí que papo vai, papo vem, ele me disse algo que mudou a minha vida: 
— Por que tu não cria um blog e vai treinando a escrita nele? Se tu for boa, recomendo teu blog na revista. 

E foi assim que o Wink nasceu, naquela mesma madrugada do dia 19 de fevereiro de 2009. (E ele recomendou mesmo. ♥) Sem grandes objetivos, apenas o de treinar a minha escrita para um dia ser uma jornalista. RISOS. 

Meu desejo de ser uma jornalista data da minha infância. Quando eu tinha 6 anos decidi que um dia seria correspondente internacional simplesmente porque queria viajar o mundo todo, ser paga pra isso, ver a vida das pessoas, de diferentes culturas, de perto, poder conhecer realmente como funciona o universo e tudo o mais além da minha bolha de garota sulista brasileira e depois escrever um livro sobre isso. 

OBJETIVOS SIMPLES E REALISTAS PRA UMA MENINA DE 6 ANOS. 

Até os 18 anos cultivei esse desejo fortemente dentro de mim. Tenho até hoje cadernos e mais cadernos, fichários, livros e tudo o mais, incluindo um mural, com matérias jornalísticas que me inspiravam a seguir em frente. Mas todos que me conheciam diziam que eu nunca chegaria lá, que eu deveria me contentar com pouco, que eu simplesmente não tenho o perfil de jornalista porque "tu é quieta demais", "tua voz é fina demais", "tu é esquisita demais pra ser jornalista". E eu fui me encolhendo. Porque ouvir todas essas coisas, ouvir as pessoas rirem de ti quando tu diz que tem um sonho, ouvir gente que é da tua confiança dizer que tu não serve pra aquilo que tu quer desde a mais tenra infância... Tudo isso desestimula a pessoa. 

E foi assim que me convenci de que não era boa o suficiente e entrei na Pedagogia. 

Não posso dizer que foi ruim. Foram 2 anos cursando Pedagogia, no meio das crianças, dando aulinhas, fazendo pesquisas na área, aprendendo muita psicologia infantil e pegando ódio por Piaget e por Freud - hoje em dia Freud e eu fizemos as pazes, mas Piaget ainda está na minha lista de mataria se já não estivesse morto

Pedagogia é um curso maravilhoso e cresci muito dentro dele, aprendi coisas que levarei para a vida e fiz amizades maravilhosas, mas certamente não me bastava. E uma noite quando, voltando pra casa, vi um rapaz ser morto dentro do ônibus em que eu estava... simplesmente percebi que aquilo não valia o risco. Não valia o risco de morte. Não valia sair da faculdade às 23h, pegar o ônibus às 0h15min - ou mais - e chegar em casa às 2h da manhã, correndo um risco tremendo, só pra engolir um miojo e voltar a toda a rotina novamente no outro dia às 5h da manhã. Simplesmente não valia a pena passar por tanto trabalho, tanto perigo, tanta dificuldade - e ferrar com a minha saúde no processo - só pra ter um diploma numa graduação que certamente estava longe de ser meu sonho. 

E foi aí que decidi que chega, eu vou correr atrás do meu sonho. 
Então, pedi a reopção de curso. E foram meses de espera. MESES. Fiz o pedido em agosto do ano passado, mas o resultado só saiu no 1° dia deste ano. 

Eu tive uma virada do ano bem cocô. BEM HORRÍVEL. Só não foi mais horrível porque otimismo + estar etilicamente alterada ajudaram um pouco. Mas terminei 2015 pensando que não conseguiria trocar de curso, que ficaria trancada para sempre numa graduação que não ornava comigo, numa vida que não era a que eu queria pra mim e numa situação que me deixava desanimada no sentido mais real da palavra. 

Porém, no dia 1°, assim que acordei, peguei o celular e: REOPÇÃO DEU CERTO, JORNALISMO AÍ VOU EU \o/ 

Sou uma Lily tentando ser Robin. 
Ou uma Robin que tentou ser Lily. 
Ou as duas, mas numa versão da vida real. 


Será que vai dar certo? 
Estou morrendo de medo e ansiedade, mas espero que sim. 


Mas neste momento I'm a little bit Rory Gilmore porque SOCORRO! É UMA GRANDE MUDANÇA! DE PROFESSORA INFANTIL A JORNALISTA! HELP ME! 

Para sobreviver, tens de contar histórias

Quando lemos um livro criamos uma relação de amizade com o autor. Por alguns dias, semanas ou até mesmo meses, aquele escritor se torna um amigo próximo, íntimo. Nós lemos seus pensamentos e falamos o que pensamos também, mesmo que ele não nos ouça. Ele nos leva a refletir, a pensar, nos pega pela mão e nos transporta a mundos, épocas e lugares que jamais conheceríamos se um dia ele não tivesse parado, talvez no meio de uma tarde chuvosa de um domingo insosso, para colocar em um papel o mundo em que vivia quando sonhava. 

Por isso, ao lermos um livro não lemos apenas uma história: conhecemos a alma de seu criador. Todo livro tem um pedacinho da alma de quem o escreveu. Esse pedacinho se acrescenta à nossa. O escritor é um grande doador: doa pedaços de alma, de criatividade, de esperança àqueles que necessitam. 

Talvez por isso tenham de partir. Talvez um dia suas almas, já frágeis, remendadas por tantas doações feitas, cessem de se doar, afinal, já são inteiras em almas alheias. Um escritor nunca morre, pois pedaços de suas almas habitam em almas de leitores. 

Um dia as histórias cessam e o escritor vai habitar com suas personagens, no mundo das ideias, eternamente entre páginas e nas almas daqueles que guardaram suas palavras. 

Obrigada pelas doações, senhor Umberto Eco e senhora Harper Lee. 
Um dia pretendo encontrá-los para agradecer pessoalmente. 

~imagem via: mártires literários

Se eu fosse uma super-heroína...

Como não quero falar da vida que tenho, falarei da vida que gostaria de ter: o desafio das 52 semanas de hoje é super poderes que eu gostaria de ter se eu fosse um super-herói. Como super-herói não sou, mas sim uma mega power diva e maravilhosa super-heroína (cof, cof), adaptei pra o feminino porque sim. Bora! o/ 


1. O poder de fazer com que as pessoas calem a boca. 
Jamais poderia pensar num plano de ação de salvamento com um monte de gente falando ao mesmo tempo. Acabaria virando vilã e matando todo mundo. Não daria certo. Portanto: o poder mute seria de extrema importância! 

2. O poder de mudar o tempo. 
O tempo como clima, não como minutos. Lutar contra o crime num calor de 30°C? NEM PENSAR! Que tal baixar essa temperatura pra 15°C? Muito melhor pra todo mundo. ♥ ~fora que causar uma tempestade só pra o desespero dos vilões não seria nada ruim; risos~ 

3. O poder da invisibilidade. 
Esse é clichê, mas pra quem não é muito fã de seres humanos como um todo e gostaria de ficar bem quietinha sem ser notada algumas vezes na vida, seria bem interessante. Fora que daria pra saber os planos dos vilões e contra-atacá-los, muhahahaha! 

4. O poder do sono inexistente. 
Imagina que maravilhoso seria estar sempre acordada sem problema algum de saúde por conta disso? Pronta para combater o crime e as forças do mal 24h por dia. YAY \o/ 

5. O poder de viajar no tempo/espaço. 
Uma coisa meio Time Lord, mas que não poderia faltar já que: como ser uma boa super-heroína me atrasando e perdendo eventos intergalácticos importantíssimos? Não dá. Portanto: QUERO UMA TARDIS PRA CHAMAR DE MINHA! 

Bem clichê, mas sem mais delongas porque: vi uma barata aqui e não descansarei - literalmente - até matá-la! SOCORRO! Mentira, não tenho medo de barata, mas não quero imaginá-la passeando por cima de mim enquanto eu estiver dormindo; ou seja: matá-la-ei. 

~e esta foi a semana 6 do desafio das 52 semanas, que está durando 3 anos porque sou dessas~ 

Absolutamente incorrigível

O Retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
Editora Penguin Companhia
244 páginas
Ano de publicação: 1891 

Sobre o que é: Basil Hallward é um carinha britânico que adora pintar quadros. Um dia seu amigo, Lorde Henry Wotton - um dândi, aparece em sua casa e pergunta quem é o jovem que serviu de modelo para um quadro tão magnífico e incrivelmente belo que Basil está finalizando. Basil faz cara de espanto e diz que não pode revelar tal coisa. Porém, Dorian Gray, o rapaz do quadro, chega no mesmo momento, Lorde Henry acaba por conhecê-lo e começa a influenciá-lo fortemente de uma forma não muito legal. A partir daí Dorian passa a se importar demais com a própria aparência e juventude e, num momento de total narcisismo e medo de envelhecer, diz que daria tudo, até mesmo a alma, pra que o quadro envelhecesse e ele continuasse eternamente jovem. Algum demônio zombeteiro - e velado - decide atender a esse pedido só pra ver no que vai dar e daí temos a história. 

Por que ele é bom? Porque OSCAR WILDE MELHOR ESCRITOR?! LORDE HENRY WOTTON MELHOR PERSONAGEM?! PACTO COM O BELZEBU?! São tantas as opções, mas direi apenas que: narrativa. Eu literalmente usei mais de 50 post-its num livro de 244 páginas, ou seja: amo/sou. ♥ O Retrato de Dorian Gray é um dos meus livros preferidos da vida desde que eu era criança. Foi um dos primeiros clássicos que li e essa releitura nas férias me fez comprovar a genialidade de Wilde. Ele poderia escrever sobre cavalos e ainda assim eu certamente o leria com prazer. O cara era incrível.

Mas as falas de Lorde Henry. Gente, as falas de Lorde Henry são impagáveis.

— O que é a arte?
— Um mal.
— E o amor?
— Uma ilusão.
— E a religião?
— Um elegante substituto da fé.
— Você é um cético!
— Jamais! O ceticismo é o princípio da fé.
— O que você é?
— Definir é limitar.
— Dê-me uma pista.
— Os fios se rompem. Você se perderia no labirinto. (p. 214) 

~lorde henry dos anos 40 = melhor lorde henry de todos~

Por que ele é ruim? ENTÃO. O senhor Oscar Wilde não era apenas um escritor maravilhoso: era também machista. Mais do que um machista comum: misógino. E, apesar de o livro ser maravilhoso, dá vontade de quebrar a cara do Wilde às vezes simplesmente porque: VÁ SE CATAR, NÃO É SÓ PORQUE TU TENS O DOM DA ESCRITA QUE VOU TE IDOLATRAR COM TODA ESSA MISOGINIA!!!! Mas me segurei porque né? O cara tá morto, o livro é bom mesmo. Contudo, cheio de frases como esta:

As mulheres são um sexo puramente decorativo. Elas nunca têm nada a dizer, mas o dizem de forma encantadora. 

E aí dá vontade de largar o livro de lado mesmo porque não sou obrigada a ler algo que me insulta. Porém, respiro fundo e abstraio. Se o cara fosse dos dias de hoje provavelmente o boicotaria na leitura. Mas o que eu esperava de um homem do século XIX? ¯\_(ツ)_/¯

Se eu recomendo a leitura? Sim, mas é claro que sim! É um livro maravilhoso que te transporta direto pra Londres do século XIX, além de te fazer refletir sobre várias - várias! - coisas e sobre como o ser humano, quando jovem, é facilmente influenciável - digo isso porque qualquer pessoa que leu o livro pôde perceber claramente que o Dorian é um baita babaca, sim, um cara super escroto, mas que basicamente faz tudo o que faz pra se igualar e até mesmo agradar Lorde Henry, o amor - velado -  de sua vida.

Sim, há o machismo. Sim, dá vontade de rasgar o livro na parte em que aparece a Sybil Vane por conta do que o babaca do Dorian faz. Porém... é realmente um livro que vale a pena ser lido. Se não por tudo o que falei, então ao menos para se conhecer um baita clássico da literatura.

Em um quote: 
Gosto mais de pessoas do que de princípios, e de pessoas sem princípios mais do que qualquer outra coisa. (p. 16)