O dia de meu nome

A esquisitice já vem de útero. Se dependesse da medicina, eu teria nascido em meados de outubro ou início de novembro. Mas como sou um espírito livre decidi ser aquariana e, portanto, fiquei 11 meses na barriga de mamãe. Não havia jeito de me tirar: eu havia decidido ser aquariana e ponto final. Vir ao mundo como escorpiana? Pra quê, se posso ter escorpião no ascendente e ser contestadora - e esquisita - por natureza como toda boa aquariana que se preze? E foi assim que mamãe fechou o útero e aguentou por 11 meses uma filhota humana, mas que poderia ser bem uma otária - é um animal, juro pela deusa, da família das morsas, cuja gestação dura 11 meses; o que, cá entre nós, explica muita coisa sobre a minha existência, hein. 

~cansada demais pra nascer~

Nasci à meia-noite do dia 25 de janeiro de 1994. Como o médico ficou meio confuso com o horário, colocou que nasci no dia 26 de janeiro. A polêmica continua até hoje. O aniversário costuma ser comemorado no dia 26, mas se no dia 25 fosse, seria compartilhado com nada mais nada menos do que a dona Virginia Woolf. 

Sim, eu me sinto um floquinho de neve especial por isso. ♥ 

Nos meus minutos finais de 21 anos - restando apenas 45 minutos de 21 - só tenho a dizer que: meus 21 foram ótimos. Levei muito na cara e me levantei mais vezes do que posso contar. Segundo a astrologia, este ano me será regido por peixes de acordo com a revolução solar. Só posso dizer que: não acreditava nisso, até que ano passado, antes do meu aniversário, fiz a minha revolução solar e o ano seria regido por capricórnio, o que significava que eu não teria tempo pra nada, que me focaria totalmente em estudos e trabalho. Gargalhei muito, estava completamente desocupada, não acreditei: me ferrei, porque mal tive tempo pra dormir. Se dormi 4h por noite durante o ano passado inteiro foi muito - e até agora não regulei meu relógio biológico ainda e continuo acordando no meio da madrugada com a boca seca, achando que estou atrasada. 

Mas o fato é que meus 22 anos serão regidos por peixes e: MEDO. 

"Uma das tônicas mais marcantes para anos piscianos é o sacrifício da vontade individual em prol de uma causa maior." 

Que as cicatrizes que os 21 me deixaram me lembrem de que devo olhar onde piso porque não tô afim de sacrificar minha vontade individual em favor de causas maiores ALHEIAS. Bora ter um pouquinho de egoísmo, Mia, aos 22. 

Meu ano começa com meu aniversário, entonces: 2016, você já aloprou demais comigo. Seja mais educado que pretendo me focar bastante no que importa: eu mesma. 


Parabéns por sobreviver por mais um ano. Não tá fácil, mas tá divertido. 
E aos 22 eu só desejo que: o roteirista da sitcom que é a minha vida pare de beber e se concentre em me fazer rica, pra que eu possa sustentar meu spirit animal de crazy book lady. 

;* 

Uma metáfora gastronômica

Às vezes a vida é como quando você está com muita vontade de comer melancia. Então abre a geladeira e lá está aquela melancia linda, redondinha, esperando por ser comida. A casca dela já está meio molenga, mas tudo bem, afinal, é uma melancia gelada e vale o risco. Você abre a melancia e percebe que ela já está começando a apodrecer, mas come mesmo assim, apesar do gosto azedo, da textura quase se desmanchando e de saber que você terá dor de barriga por um bom tempo por conta disso. Mas você simplesmente não pode resistir a uma melancia. 

Eu tenho uma certa dificuldade em estabelecer limites pra os outros e pra mim mesma. Às vezes a coisa já está apodrecendo, eu sei que ficarei doente e continuo lá, insistindo, como se uma mágica fosse acontecer e, PLIM, tudo certo, tudo tranquilo, ninguém com dor de barriga. 

Engulo coisas que me fazem mal. 
Desculpo coisas pras quais não houve pedido de desculpas. 
Sorrio quando deveria estar mandando todo mundo catar coquinho na floresta amazônica. 
E finjo que tá tudo bem quando vem a dor de barriga. 

A magia não acontece. E ninguém segura meu cabelo pra me ajudar a vomitar depois. 

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Uma metáfora cagadíssima pra alguém que fará aniversário amanhã. A vibe de férias, ela é uma droga. 

2015 foi embora e eu continuo aqui

Após 10h de viagem num carro lotado sob um sol escaldante cruzando o estado do RS, me declaro oficialmente Q U E B R A D A. Emocionalmente, fisicamente e psicologicamente. Sou uma pessoa caseira e passar duas semanas fora de casa, viajando, e tantas horas dentro de um carro sem possibilidade de escapatória me deixa tensa. Mas é o tipo de coisa que faço por pessoas que amo - no caso, namorado. Afinal de contas, terei o ano inteiro pra apreciar a minha casinha, portanto posso passar alguns dias na casa do namorado e dos parentes do namorado. Posso? Posso. 

Costumo passar os finais de ano sozinha fazendo maratona de algum seriado-amor - teve um ano maravilhoso em cuja virada assisti a uma temporada de House inteirinha a todo o volume enquanto o povo lá fora estourava fogos no céu ao invés de estourá-los em seu devido lugar, o orifício anal -, mas como em casa não estava, mas sim nas Missões, no interior do estado, onde nem a internet pega direito, não pude fazer isso. 

Mas pude ficar com o namorado, que tava muito cheiroso. ♥ 

Porém, fui dormir lá pelas 22h porque literalmente estávamos no meio do mato, sem clima algum pra comemoração e não tinha nada pra fazer - ou comemorar, sinceramente; sim, o ano virou, sim, eu sobrevivi a 2015, mas GRANDES COISAS, VAMOS DORMIR QUE É MELHOR. Sou uma senhorinha de 130 anos presa no corpo de uma menina de 21, tenho certeza. 

2015 terminou com uma sensação de inutilidade sem fim. 
2016 começou com a melhor notícia que eu poderia ter. 

Não sou supersticiosa, não poderia me importar menos com tradições de Ano Novo, cores de roupa, comidas e blablabla. Mas acordar no primeiro dia do ano e receber, no mesmo instante, a melhor notícia que eu poderia ter recebido foi, sim, um bom presságio. 

Fiz as pazes com o universo, por assim dizer. 

E que comecem os jogos. :)