Hoje eu tô só o Jack Nicholson congelado


Estou digitando de luvas enquanto não consigo comer, já que a comida CONGELOU e nem dá pra esquentá-la porque pra isso eu teria de ir à cozinha a esta hora da madrugada, sendo que alguma pessoa muito inteligente e prática resolveu colocar a cozinha num cômodo separado da casa, na rua, e nem por obrigação vou sair do meu quarto quentinho pra aquele frio horroroso só pra esquentar algo que vai congelar novamente em dois minutos. 

Dito isso: tá frio. Pra caramba. 
Não entendo muito o processo do frio porque quando a previsão anuncia que vai fazer frio na semana você espera que ele venha chegando gradualmente, tipo criança quando quer pedir alguma coisa, não sabe como e começa a dar umas voltinhas até tomar coragem de pedir. 

Só que não é isso o que ocorreu porque Porto Alegre é a versão gelada de Lost: ao invés da chuva que aparece do mais absolutamente nada e do calor horroroso, temos um frio de quase O°C e sensação térmica abaixo de zero, totalmente digno da Suécia. 

Domingo estava tão quente que eu não sabia o que fazer pra usar alguma roupa e considerei seriamente a ideia de sair pelada com apenas um lençol enrolado ao corpo e chamar isso de moda, já que não havia levado roupa pra calor e fazia TRINTA E UM FUCKING GRAUS. Aí você me pergunta como se sai de 31°C pra 5°C em menos de 24 horas e eu apenas lhe responderei com um olhar totalmente desalentado e sem palavra alguma porque nessas alturas a minha língua já congelou. 

A única coisa que me consola um pouco é que só faltam duas semanas pra eu entrar em férias porque essa rotina de estudar à noite numa PoA abaixo de zero não é a coisa mais recomendável pra saúde, não.

Não duvido nada eu acordar amanhã e me deparar com as ruas entupidas de neve. 


E aí que estava eu reclamando - sempre - no twitter com os meus botões sobre a total inabilidade pra fazer um novo layout pra o blog quando a dona Juli me oferece esse, lindo & funcional. Já lhe agradeci, mas agradeço novamente porque sou dessas pessoas que não conseguem escrever se não se sentirem ~à vontade~ com o design em questão. Thanks ♥ 

Agora licença que vou assistir a mais um episódio de Grace and Frankie pois sou uma senhorinha. 

Alucinadamente feliz, só de raiva

Alucinadamente feliz
Jenny Lawson
Intrínseca
349 páginas
Ano de publicação: 2016 
Sobre o que é: Jenny já estava cansadíssima de sempre levar rasteiras da vida e ficar triste e com crises de depressão e ansiedade porque não está fácil. No dia em que ela ficou sabendo da morte de um amigo, decidiu que JÁ CHEGA e o universo que lide com isso: ela iria ser alucinadamente feliz, só de raiva

Por que ele é bom? Era um dia de um calor absurdo em Porto Alegre e eu estava no centro da cidade esperando por uma amiga. Estava tão calor que resolvi entrar em uma loja pra poder pegar ar-condicionado. Aí entrei numa livraria. A ideia era não comprar nada. Eu realmente consigo resistir a livros. É difícil, sempre dá aquela agonia de PRECISO LER, mas me seguro e lembro que tenho mais de 60 livrinhos em casa esperando por serem lidos. 

Porém, a amiga estava demorando e eu já ficava entediada, então fui ver as prateleiras pra ver o que tinha de bom. Olha, sendo bem sincera: era tudo uma bosta. Trocentos lançamentos bobos com enredos clichês que não me atraíam nem um pouco. Mas o ar-condicionado tava bom, então fui ficando. E foi aí que vi um guaxinim com um sorriso congelado estampado numa capa cheia de brilhos dourados. Peguei. Só de ler que a mulher escreveu um livro sobre ser ALUCINADAMENTE FELIZ, SÓ DE RAIVA, eu sabia que nos daríamos super bem porque esse é o tipo de coisa que eu total faço: ser feliz só de birra com o universo. E foi assim que ele veio morar na minha estante. 

Alucinadamente feliz é exatamente o que promete a capa: um livro engraçado sobre coisas horríveis. Mas ele é tão bom porque a Jenny é gente como a gente: blogueirinha que escreve sobre a vida e sobre causos bizarros que acontecem com ela porque ela parece ter um ímã que atrai toda a loucura do universo. 

Jenny tem alguns distúrbios como ansiedade, depressão e síndrome do pânico, o que complica pra caramba a vida dela porque a mulher é uma escritora introvertida que tem várias crises do mais absoluto nada que só quem tem esses problemas sabe como é. Mas ela decidiu fazer piada de si própria e ver coisas boas em acontecimentos horrorosos. Como, por exemplo, encontrar um guaxinim morto no seu jardim! Jenny encontrou um guaxinim morto no jardim e resolveu fazer o quê? EMPALHÁ-LO EM POSIÇÃO DE ETERNA COMEMORAÇÃO E COM UM SORRISO FIXADO NOS LÁBIOS, é claro. E o chamou de Rory. E anda com ele por aí pela casa assustando pessoas enquanto seu marido trabalha no skype. Porque se não for pra ser assim então que o universo não envie guaxinins mortos, oras. 


A MULHER TEM UM GUAXINIM EMPALHADO COM OS BRAÇOS ABERTOS E SORRINDO ETERNAMENTE, não tem como um livro que conta isso ser ruim. 

Por que ele é ruim? Não é ruim. Só tem um capítulo que dá agonia porque ela fala bem abertamente sobre o transtorno de ansiedade e pra quem tem ansiedade é um capítulo bom pra se pular - mas ela avisa já no início que o troço é gatilho e se pode pulá-lo tranquilamente. 

Se eu recomendo a leitura? Não apenas recomendo como queria ser amiga pessoal da Jenny Lawson porque claramente Jenny = melhor pessoa. Fora que eu sou tão louca quanto ela e nós nos daríamos super bem ou seríamos mortas no processo. Uma das duas coisas aconteceria. 

Em um quote:
Hoje de manhã, acordei às seis para levar Hailey à escola, mas depois voltei para a cama e passei mais algum tempo deitada porque havia ficado acordada até as duas da manhã promovendo um rodeio de guaxinins mortos na cozinha. (p. 48) 

Liebster award

Ou: a tag cujo nome não sei pronunciar. 

A dona Tati salvou a vida de todas nós ao repassar a ressuscitada tag dazantigas das 11 coisas - e rebatizada com um nome impronunciável, porém simpático. Estamos todos prontos pra blog-diarices? Estamos!

.regras

  • Escrever 11 fatos sobre você.
  • Responder às perguntas de quem te indicou. 
  • Indicar de 11 a 20 blogs com menos de 200 inscritos.
  • Fazer 11 perguntas aos blogs indicados. 
  • Colocar o selo do Liebster Award. 
  • Linkar quem te indicou: Limonada


.11 fatos sobre mim 

1. Troquei um nervous breakdown por férias e tô bem feliz maratonando Arquivo X e tomando limonada.
2. Sou a louca das séries e vejo basicamente tudo que tiver uma premissa estranha, bizarra e com alienígenas.
3. Eu adoro ficar sozinha e ninguém nunca me verá reclamando da minha solidão porque OLHA, quando sozinha posso andar pelada pela casa cantarolando Clarice Falcão ou fazendo os agudos da Rainha da Noite de A Flauta Mágica (Mozart ♥), entonces...
4. Uma das coisas que mais gosto de fazer é cozinhar docinhos e comidas com batata. BATATA É AMOR, BATATA É COMIDA MÁGICA.
5. Faço amizade com todas as pessoas isoladas do rolê, aí um dia tenho a brilhante ideia de apresentá-las e juntar os amigos numa confraternização gostosa pra todo mundo se amar. Os amigos se juntam, olham pra mim, dão aquela levantada de ombro, viram melhores amigos da vida e me ignoram solenemente - HISTÓRIA DA MINHA VIDA.
6. Aprendi inglês vendo Lost.
7. Gosto de roupas confortáveis e que mais parecem pijama do que roupa de sair, mas saio igual pois meu nível de vergonha na cara pra situações sociais é praticamente zero e prezo demais pelo meu conforto pra me importar com olhares tortos alheios.
8. Preciso me segurar sempre porque quando menos espero me dou conta de que estou cantando - e nem sempre é alguma música real, geralmente apenas canto sobre o que estou fazendo ou o que quer que passe na minha cabeça porque internamente vivo num musical e a minha verdadeira vocação é ser estrela de animação musical da Disney, como todos sabemos.
9. Minha média de leitura é de 30 páginas por hora dentro de ônibus mal-cheirosos e apinhados de gente estranha que parece desconhecer o conceito de banho.
10. Tenho livros em todos os lugares da casa e também em casas alheias porque não consigo me conter e preciso urgentemente de uma biblioteca só minha ou não terei mais onde colocar nada porque os livros têm total espaço na minha casa e no meu coração. ♥
11. Durmo com dois ursinhos de pelúcia abraçadinhos em mim porque tenho 23 anos e posso fazer o que eu quiser.

.11 perguntas feitas pela Tati 

1. Qual sua melhor lembrança da infância?
Isso é muito difícil de definir porque eu tive uma infância realmente bacana. Mas uma das melhores lembranças é de quando eu tinha uns 2 ou 3 anos e estava no galpão dos fundos de casa. Meu pai estava no telhado, ajeitando umas coisas e eu passeava com a minha motoca vermelha ♥ pelo corredorzinho que ele havia construído. Aí entrei no galpão, sozinha, e lá havia uma espécie de estante organizadora de metal pintado de verde musgo. Achei aquilo tão misterioso que fui me aventurar, né? Revirei tudo, encontrei revistas antigas de moda e culinária e fiquei apaixonadinha. Escalei a estante e fiquei lá, sentadinha, olhando as revistas e rindo até meu pai me encontrar. Não tem nada de especial, mas foi um momento ~puro~, sabe?

2. Quando a blogosfera passou a ser parte da sua vida?
A blogosfera como leitora assídua: 2008, quando eu lia o blog da Lolla e achava aquilo tudo incrivelmente bacana e desejava fazer parte. Como pessoa que escreve: 2009, quando criei meu primeiro bloguinho, que se mudou pra cá em 2010. Era muito legal essa época porque a gente tinha comunidades no orkut (sdds orkut) em que realmente interagíamos uns com os outros e as coisas não se resumiam a uma competição de likes. A gente falava sobre a nossa vida de uma forma simples e divertida e ninguém ficava enchendo o saco com "obrigada por prestigiarem meu trabalho no blog". ISSO NÃO É TRABALHO, CARAMBA, ISSO É UM HOBBY BACANA! Okay, virou trabalho pra alguns, mas que preguiça, sabe?

3. Se você só pudesse ouvir uma música pelo resto da vida, qual seria e por quê?
Gente, mas que pergunta desgracenta é essa? Sei lá. Acho que se eu ~pudesse~ ouvir apenas uma música pelo resto da vida escolheria ficar em silêncio porque ia ser muito triste e enjoativo isso. Mas se fosse pra realmente escolher uma, seria Hungarian Rhapsody n°2, do Liszt.



4. Qual seu self care favorito?
Não sou uma pessoa particularmente vaidosa - que forma bonita de dizer que tô 100% nem aí hahaha -, mas sempre passo manteiga de cacau na boca antes de dormir e uns cremes hidratantes (no momento o queridinho é um gel de maracujá maravilhoso).

5. Se precisasse escolher, preferiria uma viagem com tudo pago para a Itália ou uma biblioteca completa dentro da sua casa?
VIAGEM PRA ITÁLIA. Apesar da minha obsessão por literatura, livros posso conseguir ao longo da vida - e mal dou conta dos que tenho aqui -, mas uma viagem com tudo pago pra um dos lugares que mais quero conhecer? Sem chance de dar outra resposta. Fora que eu poderia ler durante a viagem tomando vinho e comendo queijo, Ó QUE MARAVILHA. (O que total me lembra a vez em que quase casei com um italiano, hahahaha melhor historinha)

6. Qual foi o último filme que você viu no cinema?
Não sou uma pessoa de cinema. No momento em que existem tecnologias que me permitem assistir filmes no conforto da minha cama, de pijama e tomando chocolate quente, opto por elas. Mas acho que o último filme que vi foi Star Wars: O Despertar da Força.

7. Como diria Kelly Key: mais uma noite chega, e com ela a depressão?
A noite chega, e com ela a insônia.

8. Mil reais ou uma foto com o Raça Negra?
Mil golpinhos, né amiga. A única foto com ~celebridade~ que eu gostaria de ter é com o Freddie Mercury, mas teria de fazer uma sessão espírita e fotografar ectoplasma, então melhor não.

9. Qual sua palavra preferida?
Se eu tivesse uma palavra preferida ela total substituiria o nome deste blog, que não faz sentido algum e tá aí há anos porque sou a pior pessoa pra formular títulos.

10. O que o ano de 2017 está sendo para você?
Não seeeeeeeeeei. Este ano tá tão calmo e sem grandes conflitos que tô até nervosa porque quando a coisa degringolar vai ser feio. Mas por enquanto tá sendo um ano de novos começos e de olhar bovino. Me acostumei tanto a estar sempre no limite que não sei como proceder em períodos de tranquilidade.

11. Se precisasse escolher um dos namorados da Taylor Swift para ficar com ela pra sempre, qual seria? 
Juro que tive de recorrer ao Grande Oráculo pra saber quem essa menina namorou. Não acompanho a vida da Taylor, nem gosto das músicas dela, então... Porém, o gosto dela pra rapazes não é nada parecido com o meu, então... Nenhum. Desculpaí, sou chata mesmo. ¯\_(ツ)_/¯

Como a Tati já indicou basicamente todo mundo que eu indicaria, vou indicar somente algumas pessoas (e eu realmente espero que cês respondam porque é muito bacana essa vibe tag oldschool, mas ninguém é obrigada a nada): Helenita, Juliana, Carolina, Selma, Cacá e a Bruna.

.11 perguntas pras gurias

1. Qual livro você gostaria de ter escrito?
2. Você tem/teve animais de estimação? Conte uma história sobre ele ♥
3. Você coleciona alguma coisa? O quê?
4. Qual é a história do nome do teu blog?
5. E a história do teu nome? Sabe por que teus pais te deram ele?
6. Se você pudesse ressuscitar qualquer figura histórica da humanidade, qual seria?
7. Qual foi o último livro que você leu?
8. O que você mais tem escutado nos últimos tempos?
9. Numa época de vlogs e newsletters, por que você ainda mantém um blog?
10. Se você pudesse trocar de lugar com qualquer personagem de livro, filme ou série, com quem trocaria?
11. Se sua vida fosse um filme quem seria o diretor?
12. Você tem alguma pequena obsessão - por algum assunto, uma época, um personagem histórico...? Se sim, qual?

É isso, gente.
Não sei fazer post pequeno, c'est la vie.
Sejam felizes, comam aveia

Resuminho de maio

A gente sabe que o ano tá terminando quando passam abril e maio e chega o temido e confortável mês de junho. Temido porque METADE DO ANO; confortável porque FESTA JUNINA AMO DEMAIS ♥ 

Já inaugurei junho tomando quentão com o namorado e comendo pipoca caramelada enquanto assistíamos a um episódio de Doctor Who. A vida tem sido bem feliz apesar (ou talvez justamente por causa) de toda essa continuidade do tempo que simplesmente não dá uma folga pra um respiro. 

Com todas as aloprações que aconteceram, não fosse pelo meu registro nos cadernos de anotar a vida (a.k.a. bujo) eu não faria ideia de que o tempo realmente passou e estaria aqui reclamando porque nada aconteceu. Mas aconteceu, sim. Maio foi só amor. 

.do que li 

Foram 6 livrinhos lidos em maio, quase todos maravilhosos e 5 deles escritos por mulheres. Maio foi o mês em que me dei conta de que realmente tenho lido mais mulheres - e isso é muito bacana porque nunca tive essa preocupação e, não tendo, acabava não apoiando as artistas que temos por aí. 

1. Antes de saber da série soube do livro e fiquei bem louca pois: caríssimo. Mas aí, um dia entrei na biblioteca e lá estava ele, na estante de recomendações de leitura. O homem do castelo alto é louco, louco, louco. Tudo acontece nos anos 80 em uma realidade distópica em que o nazismo ganhou a guerra e tá todo mundo completamente ferrado pois Alemanha e Japão comandam tudo e todo mundo tem que viver caladinho e obedecendo, em completa servidão, ou vira escravo. Só que tem um cara, o homem do castelo alto, que resolveu escrever um livro sobre outra realidade alternativa, contando como seria se os EUA tivessem ganhado a guerra. E tem gente que lê esse livro escondido e vai atrás dele. Então é um livro dentro de um livro dentro de um livro sobre realidades alternativas aaaaaaaaaaah adorei ♥ (mas ainda não vi a série pois t e m p o) 

2. Tinha comprado de presente, mas acabei não presenteando porque achei que a pessoa não mereceu ao ser grossinha comigo. Sou dessas. E foi a melhor coisa que fiz pois Outros jeitos de usar a boca é o melhor livro do ano. Li em uma sentada, desgracei completamente a cabeça, correram muitas lagriminhas. Aí fui ler de novo porque a gente gosta é de coisa que nos toca. E reli mais uma vez pra escrever sobre aqui no blog e também lá no Valkirias. MELHOR LIVRINHO VÃO LER ISSO 

3. No outro dia já engatei a leitura de um livrinho que comprei junto com o da Rupi: Profissões para mulheres e outros artigos feministas é aquela coisa que nos conforta porque Virginia Woolf, essa mulher incrível, era gente como a gente e começou escrevendo resenhas de livros pra jornais da época, sempre criticando numa perspectiva feminista e isso é sensacional demais. 

4. EU AMO TANTO ESSE LIVRO, sei nem dizer por que não o havia relido antes. O que mais gosto nos livros da Isabel Allende é que todo mundo se ferra de uma forma bonita e mágica. Queria muito que a vida também fosse ferrada de uma forma bonita e mágica, mas geralmente ela só é ferrada mesmo. O bonita e mágica fica por nossa conta. Mas A casa dos espíritos é lindo, lindo, lindo e só tem mulher forte e poderosa que se opõe ao patriarcado num Chile do início do século passado. Quero reler todo ano pois necessário. ♥ 

5. Aí que também inventei de ler dois livros da Chimamanda: o já tão conhecido Sejamos todos feministas e o lançamento Para educar crianças feministas e, gente: tirando o hype de lado, por que cês gostam tanto desses livros? Sério, vamos fazer uma crítica decente aqui. Porque olha, veja bem, eu também apoio 100% a palavra do feminismo, mas o feminismo da Chimamanda não me representa, não. Poderia dissertar a respeito, porém o fato é que: feminismo em que cabe homem não é feminismo, é paliativo. E vocês podem discordar à vontade, tô nem aí. Sou unpopular opinion mesmo, mas não vou engolir qualquer coisa só porque tem a palavra f e m i n i s m o em letras garrafais no título. 

.do que vi

Vi pouquíssimas coisas em maio porque muitos eventos e muito sono: foram 2 filmes que eu já tinha visto e 3 séries que eu amo demais. 

1. Insidious é o único filme de terror que me dá medo - junto daquele do Ethan Hawke em que tem um demônio que faz as crianças assassinarem suas famílias e filmarem tudo no processo. Vi com o namorado porque ele não conhecia filmes de terror que dão medo. Depois, ficamos vendo Júpiter e Saturno pelo telescópio. Foi bem bacana pra tirar o medo até da própria sombra. 

2. Terminei a 6ª temporada de OUAT e já estou chorandinho pois temporada que vem metade do elenco não mais estará ali e eu sou fangirl sim, cês me perdoem. 

3. Namorado organizou uma sessão de O Senhor dos Anéis - A sociedade do anel e foi bem legal, exceto que c e r t a s p e s s o a s* não calaram a boca um segundo sequer e ficaram comparando o livro com o filme e parecem ter decorado partes inteiras do livro e começaram a recitá-las e eu queria bater em todo mundo porque esse é o pior tipo de pessoa. Enfia o livro no orifício anal, sabe? Se alguém quisesse saber do livro estaria lendo-o e não vendo o filme, caramba. *apenas para deixar claro que essas pessoas não eram meu namorado e eu porque somos queridos e sabemos que hora de filme é hora de filme, risos Mas foi legal mesmo assim, apesar dos momentos de raiva. 

4. Estamos vendo a nova temporada de Doctor Who, provavelmente a minha série preferida de todos os tempos ♥ Tá boa a temporada, só teve um episódio cagado até agora, mas de resto tá bem interessante e NÃO VOU DAR SPOILERS, MAS QUERIA MUITO se você também está vendo a season, comenta aí e vamos spoilear tudo. 

5. Vi a sexta temporada de New Girl e achei que o final foi tão digno que não entendi por que renovaram, sinceramente. Quer dizer, Nick virou um grande escritor, Jess tá nas de sempre - única personagem que não teve um real desenvolvimento na série, sendo eternamente a manic pixie dream girl -, o resto tá feliz com seus parzinhos... Achei coerente. Por mais que eu ame essa série não vejo necessidade de uma nova temporada, mas tô felizinha pois é a chance de desenvolverem a Jess!!!! 

.do que estou lendo 

1984, meu amoooooooor ♥ Tá bem legal, tô quase no final, mas questões: 
a. qual era o posicionamento político de George Orwell? Porque uma hora ele defende o capitalismo, noutra ele é todo o comunismo vencerá. Estoy confusa. Helenita, me ajuda. 
b. qualé a necessidade de reservar na biblioteca um livro de literatura que não consta no currículo de nenhuma disciplina? Sério mesmo. Você, pessoa que reservou esse livro e está me fazendo correr com a leitura, mesmo que eu tenha trocentas coisas pra ler/fazer, espero que você tenha uma daquelas diarreias de dar dó no dia da entrega do livro, porque você não merece coisas boas. Hunfs. 

.do que estou vendo 

1. Arquivo X, porque não resisto a uma história com alienígenas, conspirações e gente pirada ♥ 
2. Ainda com Doctor Who, pois a temporada não acabou e tá cada vez melhor. 
3. Também ainda estou vendo Anne with an E porque todos os episódios são amorzinho, mas dão uma coisa no coração pois que triiiiiiiiste. 

.o que mais teve? 

Olha, questões. Maio é um grande about_blank no meu cérebro, mas teve algumas coisas bem bacanas: 

Recomecei a usar o twitter! Tinha esquecido de que é lá que as ~coisas~ acontecem e como aquilo é muito melhor do que o saite do Mark Zuckerberg só pelo fato de não ter stories everywhere. Inclusive, sigam-me as crianças prodígio que acabaram se tornando adultos mais ou menos cuja única vitória é se conter e não almoçar pipoca de micro todos os dias: @buongiornomia 


Teve MUITO TEXTO BACANA no Valkirias porque Valks = melhor site cultural dessa interwebs ♥ 
• Como foi o mês das mães, as gurias se propuseram a escrever textos sobre mães na cultura pop e nisso saiu um dos textos mais interessantes que já li sobre o assunto: O conto de aia e como a maternidade é uma grande questão de gênero;
• A Fernanda se propôs a fazer uma coisa que já deveríamos ter feito há muito tempo: entender a senhora Bennet, mãe de Lizzie e mais 4 garotas em Orgulho e Preconceito, livro queridinho de todas; 
• A JuMed falou da Lily (HIMYM) e da Lorelai (Gilmore Girls) pra tentar entender como se dá o processo de ser mãe em sitcoms; 
• Saindo um pouco da questão maternidade, escrevi uma ode às escritoras clássicas porque elas são maravilhosas e merecem a nossa atenção; 
• Também escrevi sobre a Rupi Kaur e seus outros jeitos de fazer poesia porque estou completamente encantada por essa mulher ♥ 

Pela interwebs teve: 
• Raquel falando algo bem necessário sobre 13 reasons why (e se você, assim como eu, não aguenta mais ouvir falar nessa série, dê ao menos uma chance pra o texto da Raquel porque ele vale a pena, sim); 
• A querida da Ju Skwara falando sobre a leitura dela de Brida, do Paulo Coelho (sim, lemos Paulo Coelho; não, não tô nem aí pra o seu preconceito literário); 
• A Larie falando sobre um dos meus livros preferidos da vida - Um dia, do David Nicholls. Ela falou de uma forma tão real, tipo conversa de amiga, que recomendo a leitura mesmo pra quem não tiver lido o livro ou visto o filme; 
• Também teve um texto bem polêmico, mas realíssimo, no Delirium Nerd falando que podemos admirar a Mulher Maravilha, mas não Gal Gadot

E é isso, gente. 
Sempre me prometo não fazer textão no resuminho do mês, mas acabo fazendo e transformando isso num resumão. Midesculpem, mas é o que temos pra esta encarnação. 

.01 lembrete 

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Entendendo A Elegância do Ouriço e sua crítica ao sistema

A elegância do ouriço 
Muriel Barbery
352 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2008 
Sobre o que é: Renée é uma senhorinha que trabalha como concierge num edifício de gente riquíssima em Paris. Só que além de ela ser a zeladora, também adora ler sobre Filosofia, literatura russa e ver filmes clássicos do cinema japonês. Porém, ninguém sabe disso porque ela finge ser o estereótipo da zeladora pobre e velha que é mega ignorante e adora ver programas de auditório na tevê. Mas tudo muda quando ela começa a fazer amizade com um senhorzinho japonês que aparece no prédio e também com uma menina de 12 anos que decide que é inteligente demais pra viver e planeja se matar. 

Por que ele é bom? Quando dona Muriel resolveu escrever esse livro, tenho pra mim que ela quis dar uma de Jostein Gaarder da França e colocar questões filosóficas de forma didática. Mas é claro que não ficou a mesmíssima coisa, pois Jostein escreve pra um público infanto-juvenil, enquanto Muriel tem um público bem adulto.

Só que o mais legal do livro é a forma bem humorada com que ele é conduzido. Temos Renée, uma mulher superinteligente, porém pobre, que se finge de burra pra não ter de ouvir humilhações das pessoas ricas pra quem trabalha. Tem uma menina de 12 anos que decide se matar no dia do seu aniversário de 13 simplesmente porque se acha profundidíssima e pensa que já assimilou tudo o que era pra assimilar da vida. Achei muita graça dessa menina porque aos 12/13 anos eu também achava que sabia de tudo e nunca havia existido um ser humano mais profundo e triste com sua realidade não valorizada do que eu. LEDO ENGANO. A menina é tipo uma emo de mal com a vida, exceto pelo fato de que ela acha emos - e quaisquer outras pessoas - ridículos, mas enfim. E também há um senhorzinho japonês muito amorzinho que é o elo de união entre Renée e Paloma (a menina). ELE É MUITO AMORZINHO! E por conta dele ocorrem as cenas mais divertidas de todo o livro.

É esse senhorzinho japonês que torna tudo muito leve e bacana. Também dá pra fazer várias reflexões sobre capitalismo, cultura oriental, a crueldade das pessoas ricas e a frivolidade de quem não tem de ganhar seu pão a cada dia porque já possui uma vida garantida. Simplesmente excelente e inteligentíssimo - mas sem aquele tom pedante que faz com que nós, meros mortais que não estudam Filosofia, nos sintamos estúpidos.

Por que ele é ruim? Porque tristíssimo. Mas pensem numa coisa triste MESMO. Esse livro me fez chorar por meia hora num ônibus lotado porque simplesmente tem uma coisa x que acontece que não poderia acontecer naquele momento. A dona Muriel é uma senhorinha bem cruel, devo dizer.

~imagens reais de como fiquei ao terminar o livro~

Mas outro ponto que me incomodou foi que Renée, a protagonista, é extremamente conformada com sua situação. A mulher é autodidata, bambambam, sabe de vários conceitos filosóficos, e mesmo assim se resigna à sua condição de mulher pobre e chega a desfazer de idealistas como Marx, que escreveram obras justamente defendendo a condição do proletário de assumir seu lugar na sociedade, tudo porque ela não consegue ver a aplicação real daquilo e acaba ficando amargurada e solitária, vivendo num mundo cruel que trata mulheres pobres como o resto do resto.

Renée tem uma autoestima quase inexistente e se sente inferior a todos ao redor dela, mesmo sendo mais inteligente do que eles. Isso me quebrou o coração pois vivemos num sistema extremamente desigual, em que o valor de um indivíduo não é seu conhecimento ou sua capacidade (intelectual, emocional etc.), e sim suas posses, sua conta bancária.

Passei muita raiva lendo as passagens em que aparecem os ricos e seus filhos, jovens mimados de classe média alta ou classe alta, que não se contentavam em somente ter todos os privilégios que o dinheiro pode comprar, mas também precisavam tratar com arrogância e humilhar as pessoas pobres mais e mais a cada oportunidade. O mais revoltante disso tudo é que não é nada apenas ficcional, que não possa ser aplicado à vida real: cada vez mais se pode perceber a forma com que o capitalismo infla o ego daqueles que possuem condições financeiras - mesmo que o intelecto deixe por desejar - e quebra a autoestima de quem vive à margem, dependendo de um salário ridículo e da boa vontade de outras pessoas para viver de forma relativamente digna.

É realmente absurdo isso - no entanto, essas questões não tornam o livro ruim, apenas fazem com que bata aquela tristeza durante a leitura. Mas a crítica da autora é muito válida e presente. 

Se eu recomendo a leitura? Sim, sempre! Esse é um daqueles livros perfeitos pra se ler em dias chuvosos, enquanto se olha a chuva cair e se pensa que MORTE AO CAPITALISMO E À DESIGUALDADE SOCIAL, cof, cof.

Em um quote:
A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. (p. 152)  

Lendo mulheres 2017 ou por que me comprometo a apoiar a literatura feminina

Estava organizando a minha listinha de livros lidos e me dei conta de que dos 24 lidos até agora, 15 foram escritos por mulheres. "Tá, mas e daí?" - você pode me perguntar. E daí que isso é muito bacana porque, não sei se você já se deu conta, mulheres não são muito lidas. Ou publicadas. Ou valorizadas pelas editoras ao conseguirem, finalmente, publicar um livrinho. 

Durante o tempo em que estou no Jornalismo, tenho trabalhado com jornalismo cultural e escrevi bastante sobre mulheres, literatura e literatura escrita por mulheres. Uma das reportagens que escrevi (junto com a Sofia e a Annie) se chama A literatura não tem rosto de mulher, e pra fazer isso a gente foi atrás da desigualdade do mercado editorial que não publica mulheres e, quando o faz, acaba premiando e destacando homens ao invés de dar valor às suas escritoras. Sempre quis valorizar bastante escritoras, mas só entendi a real importância disso ao entrevistar mulheres que escrevem e pesquisar dados concretos sobre como funciona o mercado editorial e literário no Brasil e no mundo. Spoiler: é uma droga. O mercado é extremamente machista e, basicamente, as escritoras só fazem sucesso se escreverem romanções, aquelas histórias bem Nora Roberts. O que não tem nada de errado, mas o problema está em resumir a literatura feminina a isso: histórias de amor. 

Só que eu, mesmo assim, não fiz nenhum projeto pra ler mais mulheres ou apenas mulheres. Isso porque eu gosto de ler de tudo e, apesar de saber do mercado literário vigente, que mal abre espaço pra escritoras, tenho trocentos escritores na minha lista de livros para ler e leio o que o coração mandar: não costumo fazer listinha organizada das leituras do mês/ano, apenas vou pegando nas estantes o que me chamar na hora. Foi por isso que me surpreendi pra caramba ao perceber que o que mais tem me chamado, nos últimos meses, são aqueles livros escritos por mulheres. Nada disso foi programado, mas tem sido incrivelmente bom. 

Semana passada, escrevi pra o Valkirias uma ode às escritoras clássicas e lá eu falei algo que repito aqui: não adianta a gente ficar falando da importância de ler mulheres, de como temos de derrubar o patriarcado, dos males que o machismo causa, de como a literatura é repleta de horrores como romantização da pedofilia e relacionamentos abusivos (e nem vamos entrar no estupro como recurso narrativo) se a gente não fizer o óbvio: apoiar as escritoras. 

"Ai, mas eu leio Clarice blablabla". Okay, filhote, acho louvável, acho bacana, acho supimpa. Só que: nós também escrevemos. Eu escrevo. Conheço mais de dez meninas que escrevem pela internet afora. E tenho algo bem importante a dizer: se antigamente os livros eram publicados em folhetins, capítulo a capítulo, hoje em dia a gente publica tudo em blogs, newsletters e mediums da vida. Um dos livros mais marcantes que li durante esse 2017/1 foi, inclusive, de uma blogueira e suas páginas são cheias de diarices e causos da vida real. Sim, isso também é literatura. Sim, isso também é válido. 

A gente tá fazendo literatura agora e tem que se apoiar, tem que ler a coleguinha de internet, tem que parar de se automenosprezar achando que o que se faz não é tão bom quanto o que o pessoal que entrou pra o grande cânone artístico fez. Ninguém sabe o que está fazendo, mas a gente precisa começar a se levar a sério como escritoras, leitoras ou artistas. 

Quer dizer, quando se para pra pensar que Virginia Woolf começou sua carreira escrevendo resenhas literárias pra revistas/jornais da época - e, se pararmos mais um pouquinho pra ver o contexto de como era uma revista/jornal da época e percebermos que as coisas não eram como hoje, de fato, e que tudo era bem mais simples e em menor escala -, aí talvez comecemos a parar com essa autossabotagem que faz com que a gente nem se leve a sério como produtoras culturais - que é o que todas nós, blogueiras, youtubers e gente que escreve é - nem leve a sério as amigas escritoras e/ou as outras mulheres que têm escrito tanta coisa bacanuda por aí que a gente deixa de lado pra ler mais um escrito enfadonho do Faulkner só porque algum dia um professor disse que temos de ler Faulkner. 

Nós temos de ler o que quisermos, mas realmente tenho cada vez mais me perguntado se a gente lê o que nos agrada ou lê o que as editoras nos empurram. Inclusive, estudando Teorias da Comunicação - e passando muita raiva no processo -, me questiono mais ainda se temos, de fato, alguma dúvida a respeito disso porque QUERIDA, vejebem, num mundo em que existe algo como agenda setting, em que gente da mídia escolhe a dedo os assuntos que serão falados e os que serão esquecidos, cês realmente acreditam que leem Daniel Galera porque ele é bom e deixam a Natalia Borges Polesso de lado porque não gostam de literatura alternativa? Ah, tá. Também me pergunto quem irá querer nos ler se nós não nos lemos e não queremos a nós mesmas? São questões. Mas entre todas essas questões, continuamos resistindo, escrevendo e lendo. E nos dando conta da falta que (ainda!!!) fazemos no mercado editorial formal & informal. 

Não querendo ser a aquariana revolucionária e do contra, mas já sendo, pois Aquário na casa 3: a literatura tem rosto de mulher, sim, e digo mais: tem o nosso rosto. Tem o rosto dos poemas que falam sobre abuso da Rupi Kaur, tem o rosto das crises de ansiedade ao viajar da Jenny Lawson, tem o rosto dos mundos saídos de um futuro distópico da Ursula K. Le Guin, tem o rosto da ditadura chilena vivida pela Isabel Allende.

A gente é a nossa literatura, então que tal olharmos pra nós e sabermos disso de uma vez por todas ao invés de ficarmos afundadas num abismo de insegurança e de ó vida, ó céus, como sou horrível e não consigo fazer nada direito e todo mundo consegue sucesso menos eu, o que fazer?

APOIE AZAMIGAS. 
SE APOIE.
ACREDITE EM VOCÊ. 



.livros escritos por mulheres lidos até agora: 

1. A face da guerra - Martha Gellhorn 
Martha Gellhorn foi uma das primeiras mulheres correspondentes de guerra e escreveu de uma forma incrivelmente sensível sobre os conflitos horríveis do século XX. É algo tocante e real, de uma forma bem diferente dos relatos que temos de correspondentes homens. 

2. Despertada - P.C. Cast e Kristin Cast
3. Destinada
4. Escondida
5. Revelada
6. Redimida 
Série de vampiros adolescentes wiccanos que terminei no início deste ano e, gente, além de mãe e filha a terem escrito em conjunto, elas deram vários VRÁÁÁÁS na cara do patriarcado, isso porque a sociedade vampírica da House of Night é MATRIARCAL. Tem outras coisas também, mas só ao saber disso já dá pra ter uma ideia da vibe maravilhosa desses livros.

7. A elegância do ouriço - Muriel Barbery
Livrinho heartbreaking sobre amizade, disparidade social e a solidão da mulher pobre que quer se informar, mas não pode sair do papel que a sociedade lhe impõe. Tristíssimo. 

8. Heartlight - Marion Zimmer Bradley
9. A teia de luz
10 A teia de trevas
11. Os ancestrais de Avalon 
Decidi ler toda a série Avalon e tá sendo muito incrível porque PENSE EM MULHERES FORTES. Avalon também funciona como uma sociedade matriarcal e eu amo demais essa história, todos deveriam lê-la. Marion foi uma das melhores escritoras que já passaram por este planeta e a gente precisa falar mais sobre o feminismo de Avalon. 

12. Vincent - Barbara Stok
A história de Van Gogh retratada pelo olhar sensível e extremamente poético da Barbara. Vale tanto a pena, é tão lindo que eu só posso deixar aqui a recomendação forte. 

13. Alucinadamente feliz - Jenny Lawson
O mais incrível nesse livro é que ele é real. Jenny é gente como a gente e escreve sobre como é ser uma mulher com trocentos transtornos psicológicos - mas o de ansiedade sendo o predominante - e ainda ser feliz, alucinadamente feliz, só de raiva. 
Poesia feminista de uma autora indiana. Eu realmente preciso dizer mais alguma coisa? 

15. Profissões para mulheres e outros artigos feministas - Virginia Woolf 
Livrinho incrível que se acha em praticamente qualquer livraria e que contém várias resenhas literárias da Virgininha criticando a forma como as mulheres são retratadas na literatura. É sensacional de verdade e leitura necessária pra vida. 


*texto publicado originalmente na minha newsletter; se quiser receber textos diretamente pelo seu e-mail, assine a news aqui 

A gente sai da 5ª série, mas a 5ª série não sai da gente

E aí que ontem duas meninas riram da minha cara. Na minha cara. Em contextos diferentes.

Na noite das risadas estridentes, tudo começou quando, um pouco antes da prova de Comunicação Comunitária, a professora decide, num sorteio (!!!), que a bendita prova será em dupla. A menina com quem eu faço dupla não tinha ido à aula e aí eu fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fiquei sozinha.

Porém, professora perguntou se alguém não tinha dupla. Eu não ia levantar minha mão porque estava agradecendo por não ter dupla, inclusive. Sou uma alminha solitária e adoro fazer as coisas sozinha. Mas tinha uma menina na minha frente que levantou a mãozinha e disse que estava sem dupla, o que farei, ó vida, ó céus. Aí a tonta fez o quê? A tonta disse "oi, eu também tô sem dupla; quer fazer comigo?". Por que eu fiz isso? Porque sou caloura, claramente. A menina olhou bem pra minha cara, olhou BEM, deu uma gargalhada maligna, virou as costas e foi sentar noutro lugar, bem longe e sozinha.

Fiquei com cara de Nick Miller perdido:


Mas okay, vida que segue, não é como se eu estivesse ~me importando~ mesmo, estava apenas tentando ser legal, mas aparentemente isso saiu de moda enquanto eu dormia. Coisas da vida.

Terminada a prova, fui pra o intervalo porque em seguida teria apresentação de trabalho.

Atentemos para: apresentação de trabalho, também conhecido como antessala do inferno. Porque apresentação de trabalho nada mais é do que ficar na frente de um monte de gente que tu não conhece direito, mas com quem é obrigada a conviver diariamente, e falar sobre coisas das quais tu não entende, mas sobre as quais leu um pouco durante a semana, tudo porque a professora acha que essa é a melhor dinâmica para a aprendizagem. Gostaria muito de explicar que a melhor dinâmica seria eu ir pra casa dormir após uma prova, mas tudo bem.

Pois bem. Então, fui lá apresentar o trabalhinho com meu grupo. Todos alinhados, bonitinhos, falando sobre teorias da comunicação, quando percebo uma movimentação estranha na sala. Vou olhar e vejo que tem uma menina rindo loucamente da minha cara. Quem era a menina? A louca do sábado de manhã. SIM. Cada vez que eu abria a boca pra falar alguma coisa, a criatura ria. E nem dava pra dizer que ela tava rindo de algo do celular porque a querida sentou BEM na frente, na primeira fileira, e não estava com o celular em mãos. O que fiz eu? Fiz nada, né. Terminei a apresentação, ri também porque a vida, que ridícula, peguei as minhas coisas e fui pra casa, que eu não ia ficar pra o resto da aula pra ver uma pirralha rir da minha cara, não, hein.

Fazia uns bons anos que alguém não ria da minha cara, assim, na lata mesmo, sem disfarces.
Senti toda a vibe da 5ª série voltar, quando cada respiração era motivo pra risadas e bullying porque gorda, feia, esquisita, bruxa, gótica e Noiva Cadáver (adorava esse, hahaha).

Agora, vamos conjecturar sobre SOFRER BULLYING NA FACULDADE. Aliás, pior do que isso: praticar bullying na faculdade. Que vibe errada, hein? A pessoa com mais de 18 anos na cara não deveria ter permissão de pisar numa universidade se não souber que estamos todos ali apenas pra conseguir um diploma, não pra rir da cara das coleguinhas. Não sei lidar com gente imbecil, desculpaí.


Hoje o dia está particularmente difícil. 
E, assim como a Lorelai, eu queria dar uma de Wild (Livre, numa das traduções mais bacanas e, ao mesmo tempo, contempladas por uma alminha livre, que já vi), encarnar a Reese Whiterspoon trabalhada no entendam-se com minhas advogadas e caminhar por um ano, em linha reta, até que toda essa coisa que se tornou a minha vida ficasse para trás. 

Mas nem posso. 

E mesmo que pudesse, de que adiantaria? Não adiantaria de nada, pois o que me incomoda tá muito mais aqui dentro do que lá fora. E aí, faz o quê? Aí se senta no chão do mercado e se balança pra frente e pra trás meio catatônica porque sem condições, mermão. Apenas isso. 

*

Pessoa querida me pergunta se tá tudo bem. 
- Tá. 
- Tem certeza? 
- Tenho. 
- Mas o que tu tem? 
- Eu só tô cansada. 
- É mesmo? Não parece só isso. 
- Hm. 

As pessoas não compreendem o conceito de cansaço. Quando eu tô cansada, não fico apenas fisicamente esgotada, mas também fico irritada. Nada demais, juro. Basta me dar um chocolate, colocar HIMYM na Netflix e me deixar quietinha. Logo, logo já estarei bem. :)

Sucked. So, so much.

Mal posso esperar pelo dia em que finalmente serei paga pra ler livrinhos e escrever sobre eles. Enquanto esse dia não chega, sublimo e sigo em frente.

If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine ♪ 

Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
208 páginas
Planeta
Ano de publicação: 2017 
Sobre o que é: Rupi Kaur é uma moça indiana que vive no Canadá e sente muito. Um dia, não aguentando mais, começou a escrever poeminhas sobre esse sentir e desde então não parou mais. Nesses poemas, ela fala sobre como é ser mulher num mundo patriarcal, sofrer abusos, violências de todas as espécies e ainda assim continuar. É um livrinho sobre sobrevivência e resiliência. 

Por que ele é bom? Eu amo poesia. Acho que a primeira literatura que realmente peguei pra ler quando comecei a ter consciência do que escolhia pras minhas leituras foi poesia. Mas algo que me incomoda desde a infância é como os grandes poetas são homens e falam de seu universo masculino. Sim, os poemas são lindos, mas não são realmente sobre mim, sobre nós, mulheres. 

Aí, um dia, estava eu na livraria à procura de um presente para uma amiga quando me deparei com esse livro. Achei bacana o título, a capa... E o abri. Quando comecei a lê-lo, as lagriminhas já me vieram aos olhos porque RECONHECIMENTO. 

Rupi é gente como a gente, que publica poemas na internet pra falar de suas dores e colocar trauminhas pra fora. Como eu sou também pessoa que escreve, senti uma identificação tremenda com as coisas que ela escreveu. 

Mas, tirando essa visão completamente subjetiva, o livro é bom porque são poemas que não seguem a forma padrãozinha de versinho-rimado-métrica. São poemas que deixam de lado essa vibe Vinicius de Moraes de ser. Todos os versos são escritos em linguagem simples, da forma como a gente fala, e falam sobre coisas do nosso dia a dia, como menstruação, pêlos, ser mulher e as coisas que sofremos por conta disso. 

É lindo, lindo, lindo. E forte. Necessário demais.



Por que ele é ruim? Não tem como arranjar um porquê pra ser ruim. É simplesmente maravilhoso e já o li 3 vezes em apenas uma semana. Ou seja.

Mas, se você já tiver sofrido um estupro, isso vai te fazer chorar. MUITO. Eu sei que chorei horrores. Só que não foi um choro ruim, e sim um choro libertador, de sentir que passei pelas coisas, mas não me tornei elas. E essa é a vibe do livro todo.

~imagens reais de como fiquei ao terminar a leitura~

Se eu recomendo a leitura? Nem sei o que você está fazendo aqui que ainda não foi conhecer os poemas maravilhosos dessa mulher. 

Em um quote: 
meu coração me acordou chorando ontem à noite
o que posso fazer eu supliquei
meu coração disse
escreva o livro 

Resuminho de abril

Era pra ter saído na semana passada, mas foi uma semana de provas & trabalhos e não havia possibilidade de eu fazer qualquer coisa que não fosse estudar, portanto cá estamos, em plena METADE DE MAIO pra falar do que foi essa crazy little thing chamada abril.

Estou em estado de choque por perceber que junho está a 18 DIAS de distância, as provas finais do semestre já estão chegando e já se foi metade do ano. COMASSIM? Não pode ser isso. Não pode, mas é. Como lhedar? Olha, não sei, mas seguimos em frente.

Abril foi mês de Páscoa, de um BEDA fajuto com as migas do Cilada (♥) e de muitas aloprações. Não li tanto quanto gostaria, mas foram leituras bacanas.

.do que li 

Em abril, li 5 livros e metade um outro - terminado apenas em maio porque a vida, ela é louca. Poderia ter lido mais, porém: FERIADOS. MUITOS. E eu passo os finais de semana/feriados com meu namorado, ou seja: não vou parar pra ler, não, desculpaí. Mas, mesmo assim, foram todas leituras excelentes.

1. Há algum tempo, uma amiga do meu namorado havia me emprestado o Contos maravilhosos, infantis e domésticos (irmãos Grimm), que são os contos originais que eles copilaram e tal. Só que eu demorei pra ler porque essa edição é tão maravilhosa - SDDS Cosac Naify - que tinha medo de tirá-la de casa e estragá-la, hahahaha Porém, li e é simplesmente sensacional, apesar de que: que contos perturbadores, hein. O povo alemão trabalhava muito numa vibe a coisa mais assustadora é a vida real, não saiam para a floresta, crianças. Mas total vale a leitura.

2. FINALMENTE terminei a leitura de Fausto (Goethe). Uma salva de palmas, por favor.
~obrigada, obrigada~ 
"Mas tu demorou tanto pra ler isso porque é ruim?" Não. Demorei porque cada vez que eu pensava em pegar o livro, vinha um desânimo porque POEMA PEDANTE ALEMÃO. Mas é bacana, sim, bem divertido. Só que tem que ter saco pra parar e LER, de fato. O que, vamos combinar, nem sempre, porque não.

3. Aí eu queria ler algo mais querido e sem tanta pompa, e foi quando lembrei que na minha lista de leitura tava Vincent, uma HQ muito amorzinha da Barbara Stok, que fala sobre os últimos anos de vida de um dos maiores artistas de todos os tempos, Vincent Van Gogh. Já escrevi sobre ela aqui porque foi PURO AMOR ♥

4. Pra finalizar abril, li uma das coisas mais sensacionais e sinceras já lidas: Alucinadamente feliz, da Jenny Lawson, é um daqueles livros que fazem com que a pessoa queira ler tudo da autora. Isso porque ela é gente como a gente, blogueirinha que fala da vida, do universo e tudo o mais, e colocou suas desventuras de pessoa perturbadinha vivendo com transtornos psicológicos (alô, ansiedade!) e sendo feliz só de raiva.

.do que vi 

Não havia me dado conta de que vi tantos filmes assim em abril, mas vendo a minha listinha agora percebi que: CARAMBA. Santos feriados, hein.

Foram 6 filmes e 2 séries vistas em abril - e, sim, eu considero isso bastante, porque a vida da pessoa universitária que trabalha não permite maratonas gigantescas, não -, e deu pra conhecer muita coisa bacana e outras nem tanto.

1. Namorado ficou espantadíssimo quando descobriu que eu nunca havia visto Reservoir dogs, do Tarantino. Aí, tratamos de ver. Mas: achei a narrativa inovadora pra época, porém não gostei, não, hein. Mas tenho de ser sincera: não gostei porque não é o meu tipo de história, não porque seja, necessariamente, ruim. Entendo por que as pessoas gostam bastante.

2. Já deu pra perceber que namorado é meu grande parceiro de filmes e séries, né? Pois bem, ele também ficou espantado ao descobrir que nunca havia visto Deadpool e decidiu que tinha chegado a hora. Mas não rolou amor: em todo o filme, dei apenas uma risada. Achei tudo bem ridículo, e não de uma forma boa, como deveria ser. "Ah, mas tu não entendeu o filme, ele é pra ser ridículo e escrachado mesmo." Gente, vamos parar de dizer que o outro não entendeu alguma coisa só porque ele não gostou? Agradeço. Achei tosco de uma forma ruim, não ornou com a minha essência, ponto. É forçado demais. Parece Me, my wife and kids, só que com poderes especiais. Menos, bem menos.

3. Assim como todo mundo, eu também parei pra ver 13 reasons why, e né? Complicado. Tenho a dizer algumas coisas, mas não sei se valem a pena ser ditas - já que TODO MUNDO JÁ ESGOTOU O ASSUNTO, não é mesmo?! - e também nem sei se são válidas porque o povo que lê este blog não é bem o mesmo pra quem essa série é destinada, então vamos ficar caladinhas e deixar que o universo se estapeie idolatrando/odiando a série. Só tenho a dizer que: Clay é babaca, sim, é todo mundo babaca, é uma série de adolescentes, pelamordadeusa, entendam isso. Bjos.

4. Aí vimos uma coisa que não estava a fim de ver porque namorado me mostrou o trailer e tinha uns caras brigando com seus carros (????) e olha bem pra minha cara de quem gosta de carros. Mas vi que tinha Darín no elenco e FILME ARGENTINO, me animei e paramos pra ver. Gente, que filminho ♥♥♥♥♥ É assim: filminho de contos de gente selvagem (hahaha) e violenta, mas não a violência a que estamos acostumados a ver em jornais, e sim aquela que vivenciamos/praticamos dia a dia e nem nos damos conta. Relatos selvagens é muito, muito, MUITO bom e todos deveriam parar uma tarde de suas vidas para ver, nem que fosse apenas pelo último curta que se passa num casamento com uma noiva totalmente despirocada porque descobriu a traição do noivo. MARAVILHOSO!

.do que estou lendo 

1. Inventei de reler, numa leitura conjunta, A casa dos espíritos, da Isabel Allende, que é um dos meus livros preferidos da vida e conta a história de como se deu a ditadura chilena, mas tudo muito bem escrito perpassando três gerações de mulheres de uma família: os del Valle Trueba. Tá sendo mágico, mas doloroso, porque a Allende realmente viu de perto muitas coisas ali descritas e pensar que a gente passou por isso - e meio que tá passando de novo - é dolorido demais.
2. Também peguei pra ler, numa outra leitura conjunta, o Doutor Fausto, do Thomas Mann. Mas só peguei mesmo, li uma página porque final de semestre é AQUELA COISA.

.do que estou vendo 

1. A nova temporada de Doctor Who, que está simplesmente sensacional. Infelizmente, será a última temporada do Capaldão, mas tudo bem, porque está incríveeeeeeeel ♥
2. Comecei ontem a ver Anne with an E, a nova série da Netflix que é uma adaptação de um livro muito, muito amorzinho chamado Anne of Green Gables. Acho que o livro não tem tradução pra o Brasil - ao menos, só encontrei edições em inglês -, mas, até onde vi, a série tá bem bacana. Vale a pena.

.o que mais teve? 

Abril foi mês de BEDA, e as gurias do Cilada e eu fizemos um Beda fajuto, porque a nossa ideia era postar mais, mas não todos os dias - porque pelamor, não é como se tivéssemos tempo no momento, não é mesmo? E foi bem legal. Alguns dos meus posts preferidos dessa cilada coletiva:
Quem tem medo de clássicos, da Ana Luíza
Top 7 galãs das antigas, da Manu
Juntando os pedaços, da Michas

Por aqui, no blog, os meus preferidos do BEDA fajuto foram:
Você já ouviu a palavra de Jodorowsky hoje?
7 clássicos da literatura que me dão medo

~um gif do Mr. Darcy na chuva porque gifs do Mr. Darcy na chuva nunca são demais~ 

Uma das coisas mais fantásticas que aconteceram em abril foi que EU ENTREI PRA EQUIPE DO VALKIRIAS, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH ♥ E tá sendo muito amor, gente. Queria ter mais tempo pra escrever mais textões, mas tudo bem, o importante é fazer aquilo que se gosta com gente bacana ao seu lado. E falando em gente bacana e no Valkirias, em abril escrevi um texto pra lá junto com a Thay - que tinha um blog maravilhoso chamado Dreams, mas desativou, porém ainda espero a volta dessa moça à blogosfera nossa de cada dia - sobre Doctor Who: mulheres incríveis no espaço e tempo. TÁ MUITO LINDO, VÃO LÁ CONFERIR!

E é isso, gente.
De resto, teve a Mia bem maluca correndo atrás de fonte, pauta, essa crazy little thing called vida de estudante de jornalismo. Mas sobrevivemos. Sempre.

.01 lembrete 

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Vincent, a HQ mais amorzinha que existe

Vincent
Barbara Stok

144 páginas
L&PM
Ano de publicação: 2014 
Sobre o que é: um dia, Barbara Stok decidiu ilustrar a vida de um dos pintores mais incríveis que o mundo já conheceu: Vincent Van Gogh. Vincent era uma alminha atormentada e passou muito tempo fazendo tratamentos psicológicos enquanto pintava seus quadros no sul da França. A dona Barbara pegou justamente esse período e registrou tudo de uma forma bem ilustrativa pra gente conhecer melhor essa pessoa hiper talentosa que foi Van Gogh. 

Por que ele é bom? VINCENT.VAN.GOGH. Querido, mesmo que a HQ fosse ruim, seria boa só por ser sobre esse homem. Ele era claramente INFP, muito sensível, idealista e problemático, e sofria de algum distúrbio psicológico (é difícil definir essas coisas hoje em dia, mas ele tinha alucinações, crises fortíssimas de depressão e afins, que total o paralisavam por dias), porém, apesar disso tudo - ou talvez justamente por isso -, o cara simplesmente colocava algo nas suas pinturas que não pode ser encontrado em qualquer lugar. Dá pra sentir a alma dele, toda a angústia que ele sentia, quando se olha pra quaisquer uma delas. 

A noite estrelada, 1889.

Aí que a dona Barbara retratou isso da melhor forma possível. Afinal, não teria como fazer um livro sobre Van Gogh sem que ele fosse ilustrado, sem que fosse uma HQ, porque né. ¯\_(ツ)_/¯ Olha que coisa mais linda:

♥ coração quentinho ♥ 

Uma das coisas mais sensacionais da HQ é que a Barbara pegou as cartas que o Vincent escreveu pra o seu irmão, Theo, e colocou vários trechos durante a narrativa, tudo muito ilustrado e se encaixando com o contexto da história.

Por que é ruim? Não é ruim. Não tem como ser ruim. Só que: Van Gogh não era uma pessoa particularmente alegre, então há muitas passagens que dão vontade de cortar os pulsos ou de abraçar o menino Vincent em posição fetal e dizer repetidamente que tudo ficará bem. Spoiler: não vai. Mas isso não é algo que atrapalhe a leitura, apenas é questão de realmente saber que a vida do cara foi um inferno e tudo bem, porque a vida de todos nós é um inferno de certa forma. A diferença é que ele fez algo com isso, algo incrível que é admirado até hoje. Mas dá uma tristeza porque sabemos que ele se ferrou tanto por conta da total falta de empatia alheia. E talvez, se tratássemos melhor as pessoas sensíveis como ele, elas não teriam um final tão terrível assim. 

Se eu recomendo a leitura? Sim, mas é claro! É uma HQ pequenininha, li durante uma viagem de ônibus, e dá um quentinho no peito porque Van Gogh = ♥


THE FEELS

Em um quote: 
Quando o que você faz dá esperanças para a eternidade, então sua vida tem razão de ser. (p. 57) 

I'm a little bit Nick Miller

Sabe quando você quer muito escrever uma coisa, mas não consegue escrever nada que faça sentido, e fica com onze rascunhos esperando eternamente por serem concluídos? Sabe quando você quer conversar com as pessoas, mas não encontra ninguém com quem possa porque tem absoluta certeza de que todos sairão correndinho quando perceberem o quão louca você é e, mesmo que achasse uma pessoa tão insana quanto você, nem saberia o que dizer porque tudo está bem e você realmente não sabe de onde vem essa sensação de despertencimento? 

Sabe quando você está passando o feriado com seu namorado e vocês estão felizes cozinhando, então ele fala qualquer coisa que não é relevante, tanto que você nem se lembra, e ele é a pessoa mais querida que você conhece, portanto certamente ele não quis te deixar cocô, mas alguma palavra ativa um gatilho em sua ansiedade e você começa a ficar com falta de ar e a boca seeeeca, e sente que vai cair em si mesma, então decide que o melhor lugar para ficar é no chão porque sofás, esses móveis mainstream, e fica meio deitada, meio sentada no chão da cozinha enquanto ele te olha com uma cara num misto de preocupação com "o que diabos se faz quando sua namorada se atira no chão da cozinha do mais absoluto nada e fica ali, paradinha, google pesquisar"? 

E você não sabe explicar que não é culpa dele ou de ninguém, é só quem você é e o que você conseguiu fazer com o que restou de sua resiliência após o último trauminha que a levou a ficar meses numa crise que era um combo de ansiedade + depressão, e agora você tem dias em que é meio a Cathy Earshaw, de Wuthering Heights, e fica insuportável mesmo, deitadinha e apenas contemplando a existência até seu cérebro aceitar que aquela vibe errada já passou e você definitivamente não precisa mais se preocupar com o perigo iminente de passar por aquilo novamente porque não vai mais acontecer e, se acontecer, você sempre pode fazer o que não fez antes, dar uns gritos, mandar todo mundo tomar no cy, dar meia volta e ir tomar uns vinhos e ver séries?

É assim que é ter ansiedade e não ter tempo de lidar com isso porque a vida adulta é um buraco negro que suga todas as suas horas e te faz usar os fins de semana pra tentar dormir, só que você não consegue porque está tão psicologicamente exausta que seu cérebro simplesmente se recusa a desligar.

Mas TÁ TUDO BEM.

~possivelmente o gif mais usado neste blog~

Os seis filmes da minha vida

Tô numa daquelas fases em que não sei sobre o que escrever porque aquilo que eu queria dizer não posso já que nem sei o que é. INTP problems. E também tenho feito tanta coisa no trabalho nesses últimos dias - reportagens, entrevistas, cobertura de eventos etc. - que nem tive tempo pra parar e realmente tentar entender o que diabos estou sentindo e sobre o que quero escrever. Nesses momentos, a gente escreve sobre qualquer coisa bacana. O que, no caso de hoje, é sobre filmes. 

Não sou uma cinéfila propriamente dita e tenho até uma certa birra de quem diz sê-lo, mas curto assistir a uns bons filmes aos finais de semana, debaixo de cobertinhas fofas e cheirosas e com o namorado me servindo de travesseiro. E, mesmo não sendo essa pessoa que vê mais de vinte filmes por mês, tenho alguns que moram no coração por fazerem sentido e, sinceramente, num mundo louco como o de hoje que há presidentes como Temer aqui e Trump acolá, a gente precisa de coisas que façam sentido. Estes são os meus: 

1. The Rocky Horror Picture Show

Não falo muito disso aqui no blog, mas uma das obsessões da minha vida é ufologia. Eu tenho algumas obsessões: literatura, os Tudors, os Romanov, Rasputin, grandes rainhas maravilhosas que derrotaram a todos e reinaram gloriosamente, magia, misticismo, religiões - não sou religiosa, mas gosto de estudar sobre -, as lendas do rei Arthur, e... extraterrestres. Aí que esse filme é um musical (já começou bem) que meio que reconta a história do Doutor Frankenstein, porém com... alienígenas. O QUE É INCRÍVEL! Gosto de coisas bizarras com fundos de verdade, e a grande sacada do filme é fazer uma crítica ao conservadorismo norte-americano. Por mais que ele seja de 1973, é tão inteligente e bem produzido que não ficou datado e faz todo o sentido ainda. Fora que: vivo cantarolando todas as músicas porque melhores musiquinhas, vão lá ouvir isso, GO GO GO! 

2. Drácula de Bram Stoker


A primeira vez que vi esse filme tinha 7 anos e me apaixonei na mesma hora porque não há como ver Gary Oldman com um olhar penetrante sussurrando "Look at me" e não achar que ele está falando diretamente com você. Ou não querer usar todos os vestidos da Mina. Isso sem nem falar em Drácula himself falando que cruzou oceanos de tempo para encontrar a reencarnação de seu único e verdadeiro amor. Esse filme moldou a minha noção de romantismo - e isso deve explicar muita coisa, por sinal. Mas mesmo fazendo toda a problematização atualmente, continuo amando forte esse filminho e ele faz todo o sentido na minha vida por ter sido um grande influenciador dos meus gostos por vibes vitorianas.

3. Mais estranho que a ficção


Ainda não descobri quase magicamente que sou uma personagem de um livro, mas tenho certeza de que esse dia chegará porque há coisas que acontecem que simplesmente não são passíveis da realidade. A vida é muito mais estranha do que a ficção, sim, e eu total me relaciono com o Will Ferrell no filme porque tem umas coisas que acontecem que me fazem pensar que realmente existe um roteirista pra minha vida. Ou isso ou nada mais explica como eu atraio tanta situação bizarra ao mesmo tempo. Mas o filme é muito amorzinho e sempre me deixa com o pensamento de que a vida é uma droga repleta de bizarrices, mas depende de nós se isso será ruim ou não. Depende de como a gente lida e aproveita esses momentos estranhos e legais que o universo nos proporciona. Parece mensagem de livro de autoajuda, mas é apenas a realidade.

4. O diário da princesa


Que a verdade seja dita: eu amo esse filme desde a primeira vez que o vi, quando ainda era criança. Isso porque a Mia é completamente atrapalhada, introvertida e esquisita. Essa frase poderia ter sido dita sobre mim, mas é sobre a outra Mia - a princesa. Há filmes que são locais de conforto e cada vez que tô meio pra baixo, chateada, numa vibe there's no hope for humanity, vejo esse filme e fico felizinha. Se Mia Thermopolis conseguiu, eu também consigo. Puro amor ♥ Dane-se a crítica que diz que devemos assistir apenas a filmes inteligentes e cheios de trocentos simbolismos, eu quero histórias que me façam feliz e se encaixem na minha vida. E isso O diário da princesa faz muito bem. Não que eu seja uma princesa. Mas esquisita eu sou. Portanto... Isso pra não mencionar o crush que ainda me deixa suspirandinho cada vez que reassisto o filme, não importa se estou com vinte e poucos anos na cara: Michael Moscovitz, o melhor boy next door da ficção cinematográfica.

5. A montanha sagrada


Um alquimista completamente excêntrico escrito e interpretado por um cara que é mímico, escritor, cineasta, psicólogo e tarólogo. Culpem a minha Vênus em Aquário, mas isso é basicamente uma reunião de tudo o que me interessa, como já falei aqui. Eu adoro uma bizarrice, até aqui nenhuma novidade, mas tem certas coisas que ficam na mente da pessoa. Esse filme é uma delas. A primeira vez que o vi, tive de pausá-lo aos 15 minutos iniciais pra dar uma vomitadinha básica porque ele é realmente muito forte e a minha visão de mundo se alterou pra caramba após eu tê-lo visto algumas vezes. Jodorowsky = inspiração.

6. Vida de adulto


Desde que vi esse filme fiquei completamente obcecada por ele e o revi diversas vezes porque poderia facilmente ser a minha história se eu não tivesse noção de realidade (e uns anos a mais nas costas). Menina bem louca escreve poeminhas e acha que é a nova Sylvia Plath, até que descobre que não é bem assim que as coisas funcionam - até porque NEM PRA SYLVIA PLATH as coisas funcionaram assim, quiçá pra gente como a gente -, é educadamente sugerida a ir trabalhar como uma pessoa normal, se revolta e vai tentar viver como adulta, mas falhando miseravelmente no processo e obcecando um escritor que mora na mesma cidade que a dela. Claramente eu. Apenas tirando o fato de que, apesar dos sonhos malucos de ser escritora, sempre trabalhei e/ou fiz coisas pra agregar currículo porque não consigo nem pensar em ficar apenas escrevendo e esperando alguém descobrir o meu gênio secreto e maravilhoso sem fazer absolutamente mais nada. A vida artística requer ou badalação pra aparecer ou uma indicação muito boa pra ser reconhecida sem ter de fazer muito esforço. Não rola pra mim.

Queria falar sobre mais filminhos, mas já me controlei o suficiente porque a lista deveria contar apenas 5 e eu TIVE DE colocar 6 porque sou um espírito livre aquariano. Mas todos são extremamente recomendados e amados, sem ordem específica de preferência, até porque essa não é a lista dos meus filmes preferidos, e sim dos filmes da minha vida, risos.