7 clássicos da literatura que me dão medo

Todo mundo tem aquele livro que dá medo. A gente fica encarando ele eternamente na estante, sem coragem de pegá-lo e iniciar a bendita leitura porque vá que seja muito difícil/chato/odioso? São questões. Mas uma coisa que não é assim tão questionável é que entre os mais temidos sempre poderemos encontrar os clássicos da literatura. Por algum motivo, todo o peso que as pessoas colocam ao endeusarem esses livros nos deixam com um medo horroroso de lê-los e não ter a mesma opinião do resto do mundo. Aí, empacamos lindamente e ficamos lendo-os apenas num universo utópico, em que todos podem desgostar de um livro aclamado pela crítica e colocado num altar por leitores sem ser apedrejado por isso. 

Pensando nisso, as gurias do Cilada e eu resolvemos fazer nossas listinhas de clássicos da literatura que nos deixam morrendo de medo. Esta é a minha: 

1. Crime e Castigo 
(Dostoiévski) 
Tem alguém que NÃO tem medo desse livro? Quer dizer, Dostoiévski por si só já assusta. Li Memórias do Subsolo, dele, há alguns anos e, apesar de ter adorado a escrita, a achei bem complicadinha e até um pouco melancólica. Desde então, fiquei com um medo danado de ler as coisas desse homem porque vai que eu entre numa e não saia nunca mais. Fora que tentei ler Os irmãos Karamázov e achei arrastado demais, não rolou. Há alguns dias, combinei com uns amigos meus (Subjotas ♥) de ler esse tão temido clássico até o fim do semestre. VEREMOS SE ISSO SE DARÁ, não é mesmo. ~risos nervosos~

2. O nome da rosa 
(Umberto Eco) 
Tô tentando ler esse livro faz 5 anos e não rola. Cada vez que o pego parece que ele é too much for me, e aí paro outra vez pra deixar pra Mia-do-futuro resolver tudo. Isso porque a Mia-do-futuro será esperta o suficiente pra ler os trechos em latim, que pululam pela obra inteira, sem sequer hesitar na conjugação louca daquilo. Na real, já li um livro do Eco - Número zero - e não achei grandes coisas. Quem sabe eu acabe achando isso também d'O nome da rosa?!

3. Doutor Fausto 
(Thomas Mann)
Tenho uma relação de amor e ódio com Thomas Mann porque, ao passo que adorei A montanha mágica com todas as minhas forças, detestei Morte em Veneza. Aí que tô com Doutor Fausto há uns 5 meses na minha mesa de cabeceira e n a d a ainda por puro medo de detestar um livro que todos dizer ser ainda melhor do que A montanha. Ai.

4. Anna Kariênina 
(Tolstói) 
Tô lendo esse livrinho e amando, mas dá um medo danado porque QUASE MIL PÁGINAS com tretas russas. Sei lá se ficará louca a coisa a ponto de eu me perder, enjoar e/ou detestar. Mas já tive boas experiências com Tolstói, então tô me focando nisso quando o medo vem.

5. O processo 
(Kafka) 
A ideia era ler esse livrinho durante as férias, mas aí li Carta ao Pai e fiquei melancólica para sempre. Mesmo assim, insisti e tentei lê-lo. Ler O Processo foi um verdadeiro processo exaustivo e não teve concentração ou determinação que me fizesse continuar a leitura. Uma amiga minha, que tava fazendo o Lendo Kafka comigo, foi até o fim e disse que é incrível. Todo mundo acha incrível. Menos eu. E dá um certo medo tentar insistir novamente e perceber que, de fato, eu desprezo Kafka e serei apedrejada para-todo-o-sempre-amém pelos Senhores do Carma literários.

6. Ulisses 
(James Joyce)
ALGUÉM NÃO TEM MEDO DESSE MALDITO LIVRO? Pelamor, isso aí tem mil páginas narrando apenas um dia na vida de um cara. Deve ser muito, muito enfadonho. Mas tá no meu desafio literário, então... Será lido. Quando o medo de encarar um clássico desses passar.

7. O velho e o mar 
(Hemingway) 
Outro livrinho do desafio. Todo mundo adora esse livro, mas eu detesto Hemingway e tenho quase certeza de que detestarei esse livro também. A última vez em que fiz resenha dum livro dele, fui tão apedrejada por detestar aquilo que fiquei meio com medo de ler outra coisa do cara e falar sobre, aí deixei a ideia de lado. Mas será lido. Eventualmente. 

Partículas elementares

Partículas elementares
Michel Houellebecq
Editora Sulina
344 páginas
Ano de publicação: 1999 
Sobre o que é: Djerzinski e Bruno são caras completamente ferrados na vida, com uma família extremamente desajustada. Ambos são filhos da mesma mãe, uma hippie paz-e-amor dos anos 60, mas cada um tem um pai diferente - porém, nenhum deles dava a mínima pra os filhos. Eles foram criados pelas avós, mas enquanto Djerkinski virou um cara muito solitário, que não quer chegar perto de pessoas e apenas vive sob o nome da ciência, Bruno extravasa tudo sexualizando o universo e se tornando professor de Literatura no processo, fantasiando com suas alunas e sendo escroto até não poder mais. Coisas acontecem e a vida de ambos vai por uns caminhos muito loucos que literalmente mudarão a humanidade.

Por que ele é bom? Tenho um professor que é mega amigo do Houellebecq e passa os livros do cara como leitura obrigatória pra todo mundo. Aí que é aquela história: leitura obrigatória = leitura chata. Todo mundo que já tinha feito a cadeira me disse que o livro é horrível. Eu já fui toda armada pra fazer a leitura, mas lá pela página 20 tive de começar a dar o braço a torcer: DESGRAÇA DE LIVRO BOM!

Michel Houellebecq é um cara bizarro por si só, e eu realmente acho que tanto Djerzinski quanto Bruno são um combo do próprio autor. Semestre passado, ele esteve aqui na faculdade (e eu tirei fotinho com ele, todo um episódio pra outro dia) e posso afirmar que ou ele é misantropo ou leva a introversão a todo um novo nível.

Sendo o Houellebecq introvertido pra caramba, ele faz algo que todos nós, introvertidos de plantão, fazemos muito bem: observa o mundo com um olhar crítico. E aí que ele faz uma crítica EXCELENTE ao resultado da revolução sexual dos anos 60. Todo mundo ficou louco, se libertou, se pegou loucamente, esperou pela Era de Aquário, e depois... Depois chegou a vida real e os filhos produzidos durante essa época. E, com isso, o vazio existencial conhecido por todos nós.
Em si, o desejo - ao contrário do prazer - é fonte de sofrimento, de ódio e de infelicidade. Isso, todos os filósofos - não apenas os budistas, não somente os cristãos, mas todos os filósofos dignos desse nome - souberam e ensinaram. (p. 177) 
Por que ele é ruim? Porque passagens machistas, misóginas, que dão vontade de pegar o personagem pelas orelhas e arrastá-lo de cara na brita. Tem umas coisas muito revoltantes mesmo, nojentas, mas não atento tanto a isso porque total entendo o motivo do menino Michel ter escrito o livro em questão dessa maneira.

MAS 
NÃO É
 RUIM, 
CARAMBA! 


Mas ele mostra como se forma a construção de um misógino, então pode ofender várias pessoas. 

Se eu recomendo a leitura? Feche agora seu navegador e vá pra biblioteca/livraria/estante-virtual procurar por esse livro. GO GO GO

Em um quote: 
"Existem corretivos, pequenos corretivos humanos", balbuciou Bruno. "Enfim, coisas que permitem esquecer a morte. Em Admirável mundo novo, são os ansiolíticos e os tranquilizantes. Em A ilha, a meditação, as drogas psicodélicas, alguns vagos elementos de religiosidade hindu. Na prática, hoje, as pessoas tentam fazer uma pequena mistura dos dois." (p. 177) 

3 coisas aleatórias e outras nem tanto

Faz tempo que eu não respondia a um meme e ontem, conversando com as meninas do Cilada, decidimos fazer o meme da Manu - que tem trocentas partes, mas apenas uma será feita agora. É bem bobinho e legal, da mesma forma que as coisas eram na blogosfera oldschool: sem grandes pretensões, a não ser conhecer a pessoa que está do outro lado da tela.



3 nomes pelos quais você atende:
1. Mia 
2. Mi 
3. Samara 

3 nomes de "tela" (usernames, nicknames, e afins):
1. miasodre 
2. chimia 
3. buongiornomia 

3 Coisas que você gosta em você:
1. A habilidade de gestão de tempo - arranjo tempo pra tudo, é maravilhoso isso  
2. Meu humor autodepreciativo sarcástico 
3. A facilidade com que acho bizarrices de todos os tipos na multidão (livros, filmes, músicas, pessoas...) 

3 Coisas que você odeia/não gosta em você:
1. A total dificuldade em dizer não e sair de ciladas porque eu não tenho limites e acho que é tudo normal quando qualquer pessoa já teria dado adeusinho e dito pra tomar no cy 
2. Procrastination skills 
3. Inabilidade pra lidar com sentimentos próprios & alheios 

3 Coisas que você gosta nos outros:
1. Gente que vive aquilo em que acredita 
2. Gente que não enche o saco e respeita o espaço alheio 
3. Não se levar a sério 

3 Coisas que você odeia/não gosta nos outros:
1. Incoerência 
2. Babaquice 
3. Gente que usa astrologia pra justificar babaquice. ASTROLOGIA NÃO É DESCULPA PRA NADA, INFELIZ! 

3 Coisas que assustam você:
1. Aura violeta 
2. Gente que tá sempre sorrindo 
3. Ir pra algum lugar em que eu não conheça a maior parte das pessoas 

3 Coisas essenciais no seu dia:
1. Livrinhos 
2. Google drive 
3. Banho 

3 Coisas à toa que te deixam feliz:
1. Me enrolar numa coberta cheirosa e limpinha, só de pijaminha, quando tá fresquinho 
2. Me sentir compreendida 
3. Ficar observando árvores 

3 Coisas que você está vestindo agora:
1. Legging cinza 
2. Blusa preta 
3. Cardigan vermelho 

3 dos seus artistas/bandas favoritos (neste momento):
1. Queen 
2. Mozart  
3. Tchaikovsky 

3 das suas canções favoritas (neste momento): 
1. Cavalgada das Valquírias - Wagner 
2. Hungarian Rhapsody n° 2 - Liszt 
3. 1812 Overture - Tchaikovsky 

3 frases que você diz muito:
1. Tá 
2. Que diabos?! 
3. Enfia no cy 

3 novas coisas que você quer tentar nos próximos 12 meses:
1. Melhorar minha alimentação 
2. Ser mais produtiva 
3. Cuidar mais de mim 

3 Nomes de filhos:
1. Clarissa 
2. Valkiria 
3. Verônica 

3 Coisas que simplesmente você não consegue fazer:
1. Ser simpática 
2. Ser extrovertida e me dar bem com todo mundo e total puxar assunto com as pessoas 
3. Me importar

3 coisas que você deveria fazer:
1. Reeducação alimentar 
2. Exercícios 
3. Coisas que me fazem bem 

3 dos seus hobbies favoritos:
1. Ler ♥ 
2. Ver séries 
3. Fazer listas

3 Coisas que você quer fazer antes de morrer: 
1. Publicar um livro
2. Escrever pra alguma revista tipo a Superinteressante, Galileu ou Aventuras na História
3. Ser feliz (o que por si só já engloba algumas coisinhas) :) 

Você já ouviu a palavra de Jodorowsky hoje?

Um ladrão, parecido com Jesus, sai pelo seu povoado, usando apenas uma tanga de panos amarrados, carregando um anão com deficiência física no colo e bebendo loucamente até que encontra o Alquimista, um homem que vive no alto de uma torre multicolorida e dá um pedaço de ouro todos os dias à população local através de um buraco. A partir disso, coisas muito loucas acontecem quando o Alquimista decide fazer do ladrão seu discípulo e lhe apresenta a seus outros seguidores: ladrões como ele, mas de outra espécie, empreendedores e políticos.

Esse poderia ser apenas um sonho surrealista produzido por algum estado alterado da consciência, mas se trata da obra-prima de Alejandro Jodorowsky: A Montanha Sagrada. Fruto de sua época, com suas milhares de cores berrantes e crítica social aguçada, o filme, produzido em 1973, é uma das experiências mais incríveis que alguém pode ter com o cinema.

Jodô é um cara chileno cheio de habilidades incomuns: mímico, cineasta, poeta, escritor de HQs, psicólogo com formação também em Filosofia e criador da Psicomagia, que mistura psicologia com conceitos de magia de várias vertentes, incluindo a bruxaria tradicional, a alquimia e a cabala.

A Montanha Sagrada, esse filme incrível escrito, dirigido e interpretado (no papel de Alquimista) por ele, não possui muitos diálogos: a ideia é nos contar uma história linear, com flashes em diversos personagens que estão em busca da imortalidade, para substituírem os deuses antigos (o capitalismo é um deles), que governam o mundo há muito tempo, e serem os novos deuses. Para tal, o Alquimista os leva à uma viagem até a Montanha Sagrada porque, de acordo com ele, em todas as religiões e mitologias sempre houve uma montanha considerada sagrada e é lá que o ser humano deve ir para se tornar imortal. Mas, durante o processo, cada um deve ser purificado e como se dá essa purificação é algo que você terá de ver para sentir a experiência catártica e onírica que isso traz.

"O que estou fazendo quando uso símbolos é despertar no seu inconsciente alguma reação. Estou ciente do que faço porque os símbolos podem ser perigosos. Quando usamos linguagem normal, nós podemos defender a nós mesmos, porque a nossa sociedade é uma sociedade linguística, uma sociedade semântica. Mas quando você começa a falar, não com palavras, mas só com imagens, as pessoas não conseguem se defender.  E é por isso que um filme como esse ou você ama, ou você odeia. Você não pode ficar indiferente." (JODOROWSKY, Alejandro)

.contexto da época 

Toda obra é produto de seu tempo, assim como nós, apesar de nos acharmos tão diferentes e avançados, somos produtos de nosso momento histórico. Filmes não são diferentes, e sempre que vejo um filme que me marca de alguma forma gosto de pesquisar a respeito do contexto histórico em qual ele nasceu.

A Montanha Sagrada nasceu da mente perturbadoramente genial de um cara chileno com muito conhecimento em coisas como psicologia, filosofia e magia. Reparem no detalhe: Jodô é chileno. E o que acontecia no Chile em 1973? Se instaurava a ditadura de Pinochet, que levou o presidente eleito Salvador Allende ao suicídio em setembro daquele ano. Fora isso, também há a morte de Neruda e a ascensão de Nixon ao poder em seu segundo mandato como presidente, nos EUA - que culminou no escândalo de Watergate, muito bem retratado em Todos os homens do presidente.

O que acontece é que Jodô pegou todos esses acontecimentos e os colocou no filme, fazendo uma baita crítica ao sistema capitalista, às ditaduras e mostrando como o abuso ao poder é forte numa América Latina empobrecida, cujo povo é manipulado pelas grandes indústrias e pelas próprias pessoas que deveriam garantir a segurança de todos.

Quantos filmes que abordam essas questões tão doloridas na América Latina vocês conhecem? Eu não conheço muitos. Só por isso esse valeria a pena, porque Jodorowsky nos faz não apenas refletir através de diálogos de personagens falando sobre como a vida é difícil pras pessoas pobres e como os ricos nos manipulam loucamente, fazendo com que pensemos que temos o poder de decisão, sendo que são eles quem nos dão as opções que lhes beneficiam. Mas essa obra maravilhosa não fica só nisso, e é justamente por esse fato que ele é um dos meus filmes preferidos da vida.

.psicomágico 

Além de tudo o que já foi dito, há ainda um aspecto importantíssimo que permeia tudo o que Jodorowsky faz e está especialmente presente em A Montanha Sagrada: a Psicomagia.

É bem conhecido que a busca pela sabedoria sempre passou por rituais de passagem e simbolismo, e Jodô nos escancara isso sem muitas explicações durante a 1h20min do filme. São quadros com representações místicas, vestes sacerdotais do Alquimista e de seu aprendiz, variando nas cores conforme o grau de aprendizado/purificação.

Cada seguidor e aspirante a novo deus é o arquétipo personificado de um planeta e suas características condizem com o que fala a astrologia:
a. Marte: chefe de segurança que treina seus subordinados a matar a população pobre;
b. Vênus: dono de uma indústria de moda e polígamo;
c. Saturno: dona de uma indústria armamentista que se disfarça de fábrica de brinquedos e estimula as crianças à violência e as condiciona a serem os futuros soldados de guerras.
d. Júpiter: tem uma fábrica de arte e vive uma vida completamente desregrada, destinada ao luxo e aos prazeres.
e. Urano: consultor econômico do governo cuja solução é exterminar parte da população por fome, guerras ou doenças desconhecidas espalhadas pelo ar.

Mesmo que este não seja o tipo de filme que você está acostumado a ver - acho que não é o tipo de ninguém, na verdade -, dê uma chance. Pode ser que te choque, mas a ideia é essa. É aquele filme que todos têm de ver ao menos uma vez na vida.

.recadinho motivacional do Jodô pra você 


 

“Até agora nesse filme, eu estive em três locações e fui expulso de todas. [...] Você não pode dizer que odeia o México. Não é o México. É o planeta. Não existem países. Isso é uma ideia. Não há culturas. Isso é uma ideia. Toda cultura é a continuação de outra. Há tantos conceitos que devemos mudar. Quando aquele Marco disse pra mim: ‘Eu vou te matar', eu disse ‘Okay, me mate, mas eu vou matar você’. E ele ficou com medo, porque eu realmente quero matá-lo, quebrar todos seus ossos, milímetro por milímetro – não os ossos do corpo, os ossos da mente. Precisamos matar algum espaço mental. Precisamos matar para sobreviver, destruir mentes. Quando eu digo ‘destruir’, digo abrir. Devemos abrir espaço para uma nova vida. Sempre estou tendo cenas de morte e sempre estou colocando nova vida em lugares mortos e coisas mortas. Não sei por quê. Talvez eu seja um profeta. Eu realmente espero que um dia venham Confúcio, Mohammed, Buda e o Cristo para me ver. E então sentaremos a uma mesa, tomando chá e comendo alguns brownies, que tal? E terei um dia bom.” (JODOROWSKY, Alejandro)

Este post faz parte da Blogagem Coletiva Relâmpago, do grupo Café com Blog, cujo tema é: filmes/séries/documentários - achados que o mundo precisa saber. Os blogs participantes são Fala Tef, Deixa Combinado, Lugar Nenhum e Profano Feminino.  

Resuminho de março

O coelhinho da Páscoa já tá dando olá e eu tô meio catatônica, acenando no automático e pensando: ué, mas não foi semana passada que o ano começou? Aparentemente não, e isso é muito mais maluco do que qualquer filme de terror que eu já tenha visto. Não tenho sentido este ano passar e não sei até que ponto isso é culpa da minha rotina cada vez mais agitada. Dá umas ânsias de vez em quando ao pensar que a minha vida sempre será essa loucura toda que é agora, mas aí me acalmo e digo a mim mesma que a vida é mutável e eu que me acalme e espere pelas cenas dos próximos capítulos. 

Mas, nos capítulos de março tivemos algumas coisinhas bacanas. 

.do que li 

Li 5 livrinhos e metade de alguns durante o mês, abandonei 2 porque não sou obrigada e basicamente desenvolvi uma leve obsessão pelo projeto vamos reler todos os livros de Avalon e criar teorias sobre as personagens. 
1. A queda de Atlântida (Marion Zimmer Bradley) conta a história do início das personagens d'As Brumas de Avalon e de como elas geraram o querido carma que as fez serem tão sofredoras e blablabla. A história é dividida em dois livrinhos (já resenhados aqui): A teia de luz e A teia de trevas
2. Redimida (P.C. Cast e Kristin Cast) é o final da série House of Night, que estava lendo desde meados de dezembro e só terminei agora porque não queria desapegaaaaaaaar. É série boba adolescente de vampiros wiccanos? É. Mas é MUITO BOA. Mesmo. 
3. Os ancestrais de Avalon (Marion Zimmer Bradley) é o que acontece depois d'A queda de Atlântida, quando o lendário continente cai e todo mundo tem que se virar num salve-se quem puder. Também nele é explicado como se formou o culto à Mãe, numa sociedade basicamente matriarcal, o que é bem legal. 
4. Aura (Carlos Fuentes), cuja resenha já saiu aqui, é um livrinho bem pequenininho que era pra ser terror, mas não foi bem assim - pra mim, tem gente que morreu de medo ao lê-lo. O legal nele é a narrativa em 2ª pessoa e todos os trocentos simbolismos da história, mas se você quiser lê-lo sem fazer análise literária também é super válido. 

.do que vi 


Em março, as aulas retornaram, então não deu tempo de assistir muita coisa: apenas alguns filminhos aos finais de semana e uns episódios esparsos de séries. Foram 4 filmes e episódios de Game of Thrones - que voltei a ver, após alguns anos parada; mas já parei de novo -, New GirlOnce Upon a Time e Sleepy Hollow.
1. Faz tempo que eu li o livro, mas nunca tinha visto o filme, aí, certa noite, não sabia o que raios assistir e queria aproveitar o tempo pra ver algo legal. Foi então que pensei: por que não assistir a Eu, robô? E, olha, foi uma experiência bacana. O filme é bem interessante e dinâmico, apesar de não ter quase nada a ver com o livro. Porém, ambos são bons, cada qual à sua maneira.
2. Jodorowsky é um dos meus diretores preferidos - e também uma de minhas pessoas preferidas, no geral, porque PESSOA COMPLETAMENTE LOUCA! adoro! - e descobri que o namorado nunca havia visto o filme-mor do Jodô. Então paramos durante uma tarde e vimos A Montanha Sagrada, um filminho de 1973 que é muito, muito maluco. Mesmo. Esqueça tudo o que você sabe sobre maluquice e veja esse filme. Ele mistura trocentos conceitos de paganismo, magia, coloca tudo numa crítica ao sistema capitalista e colore as cenas com cores fortíssimas numa vibe anos 70. Simplesmente maravilhoso.
3. Foi aí que namorado decidiu ver um filme de sci-fi e escolheu o quê? Isso mesmo, Passageiros. Pensem num filme ruim. Não, não apenas ruim: pensem num filme ridículo. O plot até é legal: um bandigente sai da Terra numa supernave pra ir pra outro planeta porque todo mundo legal vai pra lá e eles querem começar de novo a vida. Só que a viagem dura 130 anos e, durante o processo, todo mundo fica hibernando em câmaras de sono que preservam a vida e a idade das pessoas, apenas congelando o processo. Só que um cara acorda antes do tempo e resolve forçar o despertar de uma guria porque quer ser o novo Noé e se recusa a viver sozinho. FRUSTRAÇÃO DEFINE.
4. Como nada poderia ser pior do que o filme anterior, resolvemos enfiar o pé na jaca e ver algo escrachado. Foi assim que vimos Jesus Cristo Superstar, um musical dos anos 70 totalmente psicodélico, com um Judas revoltadíssimo tentando salvar Jesus, que é extremamente hippie-surfista e vesgo. É muito tri!

.do que estou lendo 

1. Contos maravilhosos, infantis e domésticos, dos irmãos Grimm, que tá comigo faz um bom tempinho, mas como é aquela edição lindona da Cosac Naify não queria sair por aí na mochila com o livrinho porque VAI QUE dê ruim, não é mesmo. Mas agora tô quase terminando a leitura e tá sendo bem legal porque, gente, são os contos originais dos Grimm e só tem coisa perturbadora e sanguinolenta. ♥
2. Também tô lendo O caso de Charles Dexter Ward, do Lovecraft, e eu resolvi pegá-lo pra ler porque queria uma leitura que pudesse fazer em um dia e ele é pequeno, pouco mais de 150 páginas num pocket. LEDO ENGANO, disse o universo, claramente rindo da minha cara, porque estou com o livro há quase uma semana e ainda tô pela página trinta e poucos porque, olha, leio duas e caio no sono. Não porque é chato ou ruim: a história total me interessa, mas acho que a escrita do Lovecraft não é pra mim. Veremos.
3. Ainda estou empacada com Fausto, do Goethe. Nem me perguntem. Peguei birra. Mas voltarei e terminarei a leitura, só de raiva.

.do que estou vendo 

1. Comecei ontem a ver 13 reasons why e já estou no 4° episódio. Bem pesadinha a série, mas nem tanto quanto o livro - eu acho.

.o que mais teve? 

Volta às aulas, o início do 3° semestre em Jornalismo e uma Mia completamente exausta porque a minha linda rotina envolve acordar às 5h30 e voltar pra casa à meia-noite. Nada saudável, nada recomendável, mas totalmente necessário porque sem condições de apenas estudar e não trabalhar.


Teve também um texto que escrevi pra o Valkirias sobre Juana Inés, uma mulher INCRÍVEL que virou série na Netflix. SÉRIO, PAREM TUDO E VEJAM ESSA SÉRIE.

Também aproveitei o ritmo agitado de volta às aulas pra organizar o que tenho de fazer no bullet journal. Não faço do bujo uma agenda: minha ideia é anotar o que eu quiser, conforme a necessidade, e não separar tudo por dias bonitinhos porque nem todos os dias eu vou ter o que colocar lá, ou mesmo a necessidade de agendar algo.


Aí separei uma página pras reportagens nas quais estou trabalhando no J e outras pra fontes, desenvolvimento, entrevistas etc. 

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Também dedico páginas para colocar coisas aleatórias, como um poeminha babilônico sobre Nibiru, o planeta elíptico, blablabla, ufologia, blablabla, e fazer diarinhos de leitura. 

É isso, gente. Março teve correria demais, mas basicamente todas acadêmicas. Que abril traga algumas novidades bacanas. 

.01 lembrete 

Cês estão cientes de que eu tenho uma newsletter? Entonces, bora receber comentários, links e conversas esquisitas na caixa de entrada do e-mail. Clique aqui e assine! o/  

Aura

Aura
Carlos Fuentes
L&PM
66 páginas
Ano de publicação: 1981 
Sobre o que é: um historiador recém-formado tá procurando emprego e acha um anúncio bizarro, que parece ter sido feito pra ele, num jornal. Ele decide que tá estranho, mas okay, e vai conferir. O cara vai parar numa casa bizarra onde não tem uma luzinha sequer, tudo é mofado e com cheiro de tumba. Lá, ele fala com uma anciã toda errada que quer porque quer pagar uma quantia absurda pra ele escrever uma biografia do marido dela, que morreu há 60 anos. Mas com uma condição: ele tem que morar lá. O cara fica meio comequié e quer recusar, porém vê uma moça que vive lá com a senhorinha anciã, uma moça chamada Aura, fica bem babacão e nunca mais sai de lá. 

Por que ele é bom? Por causa da narrativa. O senhor Fuentes resolveu que todo o livro seria narrado na segunda pessoa e isso é muito legal porque a. é bem diferentão, já que quase não existem narrativas literárias na segunda pessoa e b. a pessoa realmente se coloca no lugar da personagem principal, já que tudo é descrito como "você abre a porta e encara uma escuridão que lhe abafa os sentidos". É como jogar um daqueles jogos de terror no uol* (adolescência nostálgica, quem curte) que te mandam um aviso do que tua personagem tá fazendo a cada movimento.

*Inclusive: tem um jogo muito legal que consistia numa caça de point-and-click numa casa assombrada e se você passasse por todas as fases chegaria a um sótão estilo irmãos Winchester, cheio de velas ritualísticas, sal e aquele pentagrama gigantesco tão amado no meio do chão. O problema: NÃO CONSIGO LEMBRAR O NOME DESSE JOGO! Faz alguns anos que o procuro e nada. Portanto, se alguma boa alma estiver lendo isso e souber do que eu estou falando, que tal dar aquele help amigo? Agradeço com receitinha-amor de bolo de cenoura. 

Por que ele é ruim? Não é ruim, só que não é bom. É ameno. Quer dizer, o troço tem pouco mais de sessenta páginas e a gente sabe que é difícil desenvolver uma boa história com um número tão limitado de caracteres, porém o livro é vendido como uma história de terror. E realmente tem muita gente que se assustou pra caramba com ele, mas eu não. O que me prendeu MESMO foi a narrativa, que é sensacional. Mas a história em si eu adivinhei lá pelo início da leitura.


Se eu recomendo a leitura? Sim. Não vai mudar tua vida, pode te deixar acordado à noite se você for uma dessas pessoas que se apavoram com tudo e ainda tem medo de episódios de Supernatural ou não consegue terminar de ver Penny Dreadful porque que medo. Mas pode ser que apenas seja uma história legal pra ler numa viagem de ônibus de volta pra casa. Então, vale a pena a leitura. Mas não espere ser algo catártico ou marcante. É o tipo de livro que se lê entrelivros: quando você recém terminou um, mas ainda não está pronto pra encarar outro de fôlego. 

Em um quote: 
Querem que estejamos sós porque dizem que a solidão é necessária para se alcançar a santidade. Esqueceram-se de que na solidão a tentação é maior. (p. 43) 

É uma cilada, Bino!

Eu odeio escrever em notebook. Não tem mouse, você digita uma coisa e a linha do texto vai parar um parágrafo acima, o teclado não faz barulhinho. Ainda mais o do meu namorado, que tá com o teclado todo ferrado e me faz apertar as teclas com uma ênfase que faz parecer como se estivesse torturando o bichinho. O d e i o. 

Mas adoro escrever. Adoro sentar em frente a uma tela e montar palavrinhas. Adoro trocar ideias, impressões e histórias malucas neste blog - e fazer amizades no processo. Numa dessas, se formou o Cilada, nosso grupinho de ciladetes (Anita, Michas, Manu e Tati - que não vai participar dessa porque a vida é um saco), que só existe por causa da aflição de sermos a resistência bloguística num mundo de youtubers e pessoas que abandonaram seus blogs para irem escrever newsletters e nos deixaram órfãs de literatura da vida real de boa qualidade. 

O propósito é fazer um (almost) BEDA em abril. "Mas que diabos é BEDA, Mia?" É UMA CILADA, BINO! - grita meu espírito, mas minha racionalidade INTP acha super de boas dizer calmamente que é o Blog EveryDay in April. Geralmente entro nessa em agosto, mas a gente é louca e acha que a vida pode complicar mais um pouco, portanto decidimos fazer um pré-agosto com posts dia sim, dia não. 

Se quiserem enviar energias, rezas e paduás, a hora é esta! 

Dá cá a mão, vamos entrar juntos nessa cilada

Da série: minha vida é uma sitcom de mau gosto

É aquilo: estamos todos numa versão pobre e desalentada do Show de Truman e nunca sabemos quando as coisas são reais ou parte do roteiro. Mas tem umas coisas que acontecem que só podem ter sido escritas por um roteirista com humor Jostein Gaarder trollando Sofia, mega bêbado às 3h da manhã. Caso contrário, desisto de vez porque nada mais faz sentido. 

Aí um cara - que até hoje não sei quem é - liga aqui pra casa, à noite, e diz: 

— Mia? 
— Quem és tu, criatura? 
— Mia, Deus me deu teu número e disse pra eu te ligar porque eu sou o cara certo pra ti. 
— OIII?! 
— Ele quer que tu faça algo específico na vida e eu vou te ajudar com isso.
— Tá me dizendo que Deus pegou a lista telefônica celeste, atirou pra ti o baita livro - que obviamente te atingiu na cabeça - onde estava o meu número circulado e disse que era pra ti me ligar porque é pra que tu me ajude seja lá no que for?
— É. 
— Quem és tu, criatura do inferno? 
— Não sou do inferno, sou do céu. 
— Então faça um favor: morra um pouco e vá pra lá.
*TU TU TU* 



Não foi pra isso que Graham Bell inventou o telefone.

TE JULGANDO 

A queda de Atlântida - A teia de trevas

A teia de trevas
Marion Zimmer Bradley
Círculo do Livro
214 páginas
Ano de publicação: 1983 
Sobre o que é: Micon finalmente chegou ao seu fim, Domaris tá arrasadíssima com uma cria nos braços e Deoris ficou 100% nem aí, passando todo seu tempo com Riveda, o Túnica Cinzenta. Deoris é burra de uma forma quase impossível de compreender e acaba caminhando pelas Trevas numa obediência cega, tudo por amor a Riveda, esse maluco que só queria conhecimento e não se importava com ninguém. Coisas que desequilibram a balança de Luz e Trevas acontecem e tudo fica bem tenso, com as leis do carma agindo loucamente sobre todo mundo. 

AVISO DO AMÔ: Este livro é a 2ª parte de A Queda de Atlântida, cuja 1ª parte já está devidamente resenhada aqui. ♥ 

Por que ele é bom? Porque finalmente as Trevas aparecem, a Lei do Carma dá uns tapões escangalhados na cara de todo mundo e os dez reinos de Atlântida começam a cair. Não tem como entender por que Atlântida caiu sem ler esse livrinho. 

Fora que em A teia de Trevas, a gente passa a conhecer melhor Riveda e a entender por que diabos ele foi tão escroto e cruel. Na real, o cara só queria conhecimento, era nerd antes disso ser incrível, e se aliou às Trevas pra poder conhecer tudo - inclusive o que a Luz tinha medo de olhar. 

Riveda é um personagem bem complexo e perturbadinho, mas acho que Deoris ganha dele nesse quesito, e eu adorei muito isso porque a dona Deoris se tornará, após algumas reencarnações, Morgana (de As Brumas de Avalon). E dá pra perceber direitinho o que a fez ser tão irritante em todas as suas vidas e como ela tem de lidar com seu carma sempre vivendo situações escrotas over and over again, até expiar todo o mal que causou. 

Também nos é explicado como o laço cármico sempre uniu Domaris e Deoris (Viviane e Morgana, respectivamente) em todas as suas vidas e durante toda a série Avalon. 
Era o mais sagrado dos rituais; elas se consagravam à Deusa-Mãe de encarnação para encarnação, de era para era, por toda a eternidade, com o juramento que as unia e a seus filhos, de forma inextricável, uns aos outros… uma união cármica, vida após vida, para sempre. (p. 106) 
Por que ele é ruim? Porque eu sou uma alminha perturbada que não gosta de romances, casais, declarações de amor. Mas não há muito disso aí, então tudo bem. 

Se eu recomendo a leitura? Se ryca eu fosse, já teria enviado toda essa série pra cada um de vocês, mas como ryca não sou apenas recomendo fortemente por aqui que vocês pesquisem em livrarias, sebos ou em bibliotecas onde é que tem esses livrinhos incríveis - ou qualquer um da Marion. LEIAM!!!! 

Em um quote: 
Em outros tempos, eu nos vejo dispersados, mas voltando a nos reunir. Vínculos foram forjados nesta vida que nunca poderão nos separar… a nenhum de nós. Todos apenas se retiraram de uma única cena de um drama terminando. Vão mudar… e permanecer os mesmos. Mas há uma teia… uma teia de trevas envolvendo a todos nós e, enquanto o tempo existir, nunca poderá ser afrouxada ou desfeita. É o carma. (p. 206) 

Sábado é dia de dormir, caramba!

O 3° semestre de Jornalismo começou e, com ele, também os trabalhos em grupo. Que alegria, que satisfação. Trabalho em grupo é um dos meus infernos particulares, isso porque as pessoas parecem não ter equilíbrio algum neles: ou não fazem absolutamente nada ou surtam loucamente e viram miniditadores dispostos a arrancar teu pescoço porque onde já se viu ter uma vida fora da faculdade, não é mesmo. Que audácia. 

Coleguinha louca do cy tava fazendo trabalhinho comigo que consistia em ler um texto tranquilo de apenas 4 páginas e falar sobre ele pra turma, dali a uma semana. Isso era uma sexta-feira. Namorado me buscou na faculdade e fomos pra casa dele ver A Montanha Sagrada - inclusive, melhor filminho ♥ Sábado pela manhã, acordamos ao som histérico de mensagens e mais mensagens no celular. Fui olhar pra ver quem tinha morrido, e... 56 mensagens da coleguinha. Sobre o trabalho. Às 8h. 


Parâmetros da normalidade, cadê?!


Aí eu disse, né. Disse que bem capaz que ia enviar coisa e fazer slide no fim de semana, sendo que nem em casa eu estava e faltava uma semana pra apenas ler 4 páginas e falar a respeito pra turma. A menina disse okay e, em seguida, me enviou SLIDES DO TEXTO!!!!!!! NO SÁBADO!!!!!!! PELA MANHÃ!!!!!!!!! NA PRIMEIRA SEMANA DE AULA!!!!!!! Fiquei qqqqqqqq/, mas okay, né, vida que segue. 

A segunda-feira, ela sempre chega, e pra mim não foi diferente. Ela chegou chegando com a menina me cobrando coisas loucamente pra fazer sliiiiiides, sendo que ela já tinha feito 10 slides - não sei de onde tirou tanto texto pra colocar lá, afinal, 4 páginas pequenas apenas, mas okay - e sei lá o que mais queria colocar naquele troço. Mas me concentrei e fiz a leitura do textinho, anotando comentários pra falar na apresentação. 

Porém, eu trabalho o dia inteiro: saio de casa às 5h30 e volto apenas à meia-noite. Não é como se eu tivesse muito tempo livre pra o surto próprio, que o fará pra o alheio. Aí que foram passando os dias, ela me encontrando nas aulas e me cobrando e eu dizendo que, olha, tá tudo sob controle, relaxa, eu já li o texto, agora é só apresentar. 

Na véspera da apresentação, à meia-noite, assim que finalmente havia chegado em casa e tava pegando o meu jantar pra conseguir comer e ser feliz, a menina faz o quê? Isso mesmo, ela manda trocentas mensagens enchendo o saco pra eu fazer ainda mais slides.


Como eu estava em dias vermelhos, estressadíssima e mega cansada, fiz o que já deveria ter feito desde o início: mandei tomar no cy e disse que não ia fazer coisa alguma e que aquilo não era hora de ficar mandando mensagenzinha pra uma pessoa que ela viu pouquíssimas vezes na vida e que já tinha deixado bem claro que, olha, não é assim que a vida funciona.

O que a menina fez? A menina ficou LOUQUÍSSIMA, injuriadona, e decidiu mandar um "você não tem intimidade pra falar isso pra mim". UÉ. E me mandou sair do grupo. UÉ DUPLO.

~sarcasmo, quem curte~
Eu disse a ela, no maior autocontrole, que se ela continuasse nesse ritmo de stress por algo que já estava resolvido, por um trabalhinho simples que já estava pronto, como diabos ela estaria quando chegasse o final do semestre, com suas trocentas provas semanais? Nisso, a menina começou a dizer que eu não fiz nada no trabalho, que eu deveria sair do grupo porque claramente era desequilibrada e que ela não suporta gente que não tem intimidade com a pessoa e sai falando coisas pessoais.

Fiquei me questionando: o que teria sido pessoal nessa conversa?
a. o fato de eu ter mencionado que ela me acordou numa madrugada de sábado pra falar sobre slides de um trabalho que era apenas de leitura e explanação oral?
b. a obviedade de que ela vai ter um ataque cardíaco se continuar nesse ritmo frenético desde a primeira semana de faculdade?
c. a parte em que revelei meu horário de sono, dizendo que iria dormir e chega disso?

São questões.

No outro dia, ela agiu como se nada houvesse acontecido e apenas disse ao nosso colega, que estava no tal do grupo conosco, que havia discutido comigo. Levemente. Mas estava tudo bem.

Acho que ela esqueceu a parte em que disse pra eu sair do grupo e fez textão à meia-noite e pouca no whatsapp porque INTIMIDAAAAAAAAAAAAADE.

Depois, quando eu digo que não gosto de pessoas, ninguém entende. Mas pessoas, pessoas surtam loucamente sem motivo algum e não deixam a pessoa dormir, enviando trocentas mensagens desnecessárias pra algo que já estava completamente resolvido.

Affs, me deixem fazer tudo sozinha que eu me viro. 

A queda de Atlântida - A teia de luz

A teia de luz
Marion Zimmer Bradley
Círculo do Livro
202 páginas
Ano de publicação: 1983 
Sobre o que é: certo dia, um cara chamado Micon, príncipe de Ahtarrath, na Atlântida, chega todo estropiado a um Templo da Luz e é atendido pelo Arquisacerdote da Luz, Talkannon, mas logo acorda de sua espécie de coma e vira amiguinho de outro Sacerdote, Rajasta. Micon tá todo ferrado porque os Túnicas Negras, magos do mal, o raptaram e o torturaram, o deixando com as mãos desfiguradas e cego. Porém, ele ainda tem a Visão, a conexão do Sacerdote com a Luz. O cara tenta se recuperar, evitando a morte através do absoluto controle, e nisso conhece Domaris, a jovem acólita e quase sacerdotisa que serve no Templo, e sua irmã Deoris, a menina que tem treinado seus talentos pra descobrir o que raios será, mas que por enquanto serve como escriba de Micon. Coisas acontecem, as Trevas se aproximam e tudo fica mais bizarro a cada dia. 

Por que ele é bom? Por motivos de Atlântida? Magia? AS TREVAS E A LUZ????? A QUEDA DE ATLÂNTIDA, MELDELS!!!!!!!!! Okay, eu entendo que nem todo mundo fique animado apenas em ouvir essas palavras, porém mesmo que você não curta muito fantasia, A teia de luz será incrível. Marion Zimmer Bradley tinha uma maneira única de escrever fantasia, sem ser apelativa, mas chamando atenção o suficiente para prender o leitor por páginas e páginas.

Se o enredo de Sacerdote da Luz cego e atormentado lutando contra os Magos das Trevas não lhe convenceu, deixa eu dizer uma coisa: quando a Marion escreveu As Brumas de Avalon, ela já havia escrito esse livro, porém não tinha achado uma editora que quisesse publicá-lo. Anos depois, já famosa pelas Brumas, ela decidiu revisar a história, separar o livro em dois volumes - A teia de luz e A teia de trevas - e publicá-lo como o início da história que daria origem às personagens das Brumas. Como isso? Simples assim: TODOS os livros dela trabalham com o conceito de reencarnação e as personagens são, em geral, novas encarnações de outras. Domaris e Deoris, as irmãs de A teia da luz, por exemplo, se tornaram, n'As Brumas, Viviane e Morgana, respectivamente. ISSO NÃO É DEMAIS? Sinceramente, é o que eu mais gosto na saga Avalon.

"Mas eu preciso ler todos os livros de uma saga gigantesca pra entender a história? Affs, é muita coisa, não quero." Alto lá que eu não disse isso. Se você quiser ler só As Brumas, leia. Não é necessário um complemento. Se quiser ler apenas A Queda de Atlântida, nada lhe impede: a história é completa por si só. No entanto, se quiser ler tudo você total será conquistado por essa história maravilhosa. ♥

Por que ele é ruim? Talvez porque há todo um romance e uma questão bem complicadinha envolvendo parir uma criança. Isso é ruim? Olha, há discordâncias. Mas pra quem não gosta de romances, como eu, essas partes podem ser meio blergh. Porém, não atrapalham de forma alguma a narrativa e até mesmo eu, que sou tipo o grinch dos romances, não me senti incomodada porque o casalzinho em questão - que não será revelado porque isso é uma surpresa e tanto! - não é do tipo meloso, grazadeusa.

Se eu recomendo a leitura? PRA JÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Em um quote:
Nossos destinos tecem as suas teias e nossas ações geram os frutos que semearam. Aqueles que se encontraram e amaram não podem ser separados; se não se encontram nesta vida, encontram-se na outra. (p. 32)

Resuminho de fevereiro

Fevereiro é um daqueles meses que acontecem pra dentro. Tudo se passa muito rapidamente e o tempo não corre de forma linear. Pensei que ainda tinha um mês de férias e acordei no carnaval, a uma semana das aulas. O que fazer nesses momentos, é a grande questão. NADA - diz o universo. Fevereiro foi um mês de grandes nadas, mas com umas coisas legais no meio. 

.do que li 

Em fevereiro, li 4 livros inteiros e 2 pela metade porque sou dessas e que mês curto dozinfernos. 
1. Revelada (P.C. e Kristin Cast), que é o 11° da série House of Night e é toda aquela história: vampiros adolescentes wiccanos lutando contra as forças do Mal, blablabla, whiskas sachê. Não é incrível, mas é divertido. 
2. A elegância do ouriço (Muriel Barbery), também conhecido como o livrinho que me fez chorar copiosamente por meia hora dentro do ônibus, na frente de todo mundo, apenas porque QUE COISA MAIS TRISTE, VÁ TOMAR NO ORIFÍCIO ANAL. 
3. Cartas (Caio Fernando Abreu), que me deixou meio perturbadinha porque o cara escrevia cartas pra todo mundo e parece que o tempo que ele passou escrevendo foi o tempo de espera pela morte. Dá uma aflição saber que ele morreria logo em seguida, que ele já estava doente, que o fim se aproximava... Ah! Mas o cara escrevia bem pra caramba. Caio Fernando era gente como a gente e gostei mais de suas cartas do que de sua obra ficcional. 
4. Heartlight (Marion Zimmer Bradley), porque depois de um livro tão pesado de cartas de uma pessoa morrendo, eu precisava de algo tranquilo e que tratasse de um dos meus assuntos preferidos: magia e conspirações. O livrinho é o último da série Light, da Marion, e fala de magia no século XX e da Thule Gesellschaft - uma espécie de seita nazista envolvendo magia negra. O legal também é que esse é o livro que, na cronologia das escritas fantásticas da Marion, encerra as reencarnações que começaram em A queda de Atlântida (já que o personagem principal é a última vida de Riveda, o mago cinzento). 

.do que vi 

Não vi muitos filmes ou séries, mas vi uns troços muito bons.
1. Namorado uma noite inventou de ver Doctor Strange e eu embarquei nessa, né. Gente, que filminho bom. Não fazia ideia de que envolvia magya e viagens no tempo, mas já amei e quero sequência. Até porque BENEDICT CUMBERBATCH e sua orgásmica voz grave. ♥
2. Também com namorado, pude ver um filme que estava na minha listinha de necessários desde que soube que seria lançado: Arrival (também conhecido como A chegada). É tão incrível o plot desse filme e todo o desenrolar não-clichê da história que tô até agora refletindo sobre. Como eu passei alguns anos estudando teorias de aquisição da linguagem - dentro de linguística -, fiquei fascinada pela forma como é abordada a comunicação com os alienígenas. Sério, é um filme que pretendo rever trocentas vezes ao longo da vida.
3. A Netflix tem umas séries boas demais e, apesar do meu medo de freiras - medo real -, assim que vi do que Juana Inés se tratava, tive de assisti-la. Não me arrependi nem um pouco: terminei a série inteira em cerca de uma semana e tô pesquisando loucamente sobre a personagem real, a freira poetisa mexicana mega-master que originou essa série incrível.
4. Jamais pensei que fosse gostar de qualquer coisa sobre zumbis. Não apenas gostei como maratonei loucamente e terminei a primeira temporada em 2 dias. Santa Clarita Diet traz todo um novo contexto de zumbi que mistura nojeirinhas com humor e fica incrivelmente divertido e leve. Sério, melhor coisa pra desestressar: vá ver Drew Barrymore comer pessoas.

.do que estou lendo 

1. Redimida, das P.C. e Kristin Cast, que vem a ser o último FINALMENTE volume da série House of Night, com toda aquela história de vampiros adolescentes wiccanos, blablabla. Tô na metade, acho que em uma semana já terei terminado.
2. Ainda tô remando com Fausto, do Goethe, porque é divertido, sim, só que não é o que eu achei que fosse. Pensei que encontraria uma história profunda e diabólica, mas tô achando um livrinho bem raso cujo diferencial é a escrita poética e elaborada.

.do que estou vendo 

1. Sleepy Hollow e sua infinita 4ª temporada. Estou sendo maldosa: a série é realmente boa. Mas meio que perdeu o encanto após a saída da Abby.
2. A 6ª temporada de New Girl, que é uma série que adoro, porém dá vontade de largar de mão porque O QUE DIABOS A MEGAN FOX TÁ FAZENDO LÁ?! Sério, se eu quisesse ver uma boca que mais parece um balão de botox num rosto inexpressivo, iria assistir as Kardashias ou RuPaul's Drag Race. Torcendo pela saída dela.

.o que mais teve?

Eu paro pra pensar em fevereiro e meio que não sei o que teve?! Foi um mês super corrido e eu nem pensava que tivesse sido, mas total me dei conta agora. Porém, teve umas coisas legais, sim. Teve muitas conversas bacanas com as gurias do Cilada! (Michas, Tati, Ana e Manu ♥). Teve eu fazendo meu bullet journal e sendo bem feliz com as infinitas listinhas que posso fazer e ORGANIZAÇÃO. Se você frequenta este blog e não sabe que eu sou a louca da organização e das listinhas, então claramente cê tem lido isto aqui etilicamente alterado, hein.

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Teve também a mãe do namorado me levando ao cabeleireiro pra dar um jeito nessa coisa emaranhada que chamo de cabelo, risos. GENTE, FICOU TÃO BONITO. Me sinto um cerumano mais preparado pra vida, hahaha

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Teve trocentas receitinhas do tastemade porque agora eu sou uma pessoa que cozinha coisas bonitas. Okay, eu tento cozinhar coisas bonitas. Nem sempre elas ficam bonitas. Quase nunca. Mas gostosas ficam e o estômago não tem olhos, portanto estamos felizes.

Teve também uma coisa INCRÍVEL: saiu o resultado das parcerias com a Companhia das Letras e quenhé o mais novo blog parceiro? ISSO MESMO, O WINK! Eu tô que nem acreditei direito ainda porque essa é a minha editora preferida da vida e eu vou receber os lançamentos dela em casa pra escrever sobre eles aqui no blog ♥

YAY! \o/ 

E por enquanto é isso, gente. Março já está aqui e segunda-feira recomeçarão as aulas, portanto: the winter is coming e eu já separei meus casaquinhos.

.01 lembrete 

Cês estão cientes de que eu tenho uma newsletter? Entonces, bora receber comentários, links e conversas esquisitas na caixa de entrada do e-mail. Clique aqui e assine! o/ 

O livro do riso e do esquecimento

O livro do riso e do esquecimento
Milan Kundera
Companhia das Letras
265 páginas
Ano de publicação: 1979 
Sobre o que é: na época da invasão russa à Checoslováquia, falar mal do governo não fazia bem à saúde, e as personagens desse livro são exemplo disso. O riso era proibido no comunismo soviético, e, se você era adepto de piadas, logo era levado ao esquecimento, ora pela morte, ora pelo exílio. Kundera viveu tudo isso e conta, durante as sete partes do livro, como foi sua experiência tendo de viver clandestinamente em seu próprio país por não concordar com a invasão russa. De escritor de ficção, o cara passou a astrólogo improvisado e anônimo pra poder sobreviver, isso até os seus amigos começarem a ser perseguidos por ajudá-lo. Tudo isso é contado entre personagens que representam arquétipos da alma que luta contra o esquecimento do exílio.

Por que ele é bom? Porque ele nos mostra os fatos de dentro da invasão russa através da perspectiva de um cara que viveu tudo isso e teve a coragem de escrever sobre. Mas o mais legal é que o Kundera não faz isso de uma forma linear: ele cria personagens e histórias para fazer analogias e alegorias. O que diabos é uma alegoria? O dicionário responde:
alegoria: 1. uma representação figurativa que transmite um significado outro que o da simples adição ao literal. 2. ficção que apresenta um objeto para dar ideia de outro.
Então, o livrinho é dividido em 7 partes, cada uma com uma espécie de conto que mistura ficção com análise psicológica dos motivações das personagens, com um panorama histórico e, a parte mais incrível, na minha opinião, autobiografia dos momentos tensos que o Milan passou sendo perseguido pelo governo russo.
A polícia secreta queria nos matar de fome, nos reduzir à miséria, nos obrigar a capitular ou a nos retratar publicamente. Era por isso que ela vigiava com atenção as lamentáveis saídas pelas quais tentávamos escapar do cerco, e castigava duramente aqueles que emprestavam seus nomes. (p. 71) 
É um livro indefinido que te deixa cheio de sentimentos e inquietações que, literalmente, podem mudar a sua vida. "O Livro do Riso e do Esquecimento auto-intitula-se de romance, apesar de ser em parte conto de fadas, em parte crítica literária, em parte tratado político, em parte musicologia e em parte autobiografia. Pode auto-intitular-se como bem quiser, porque é genial no seu todo." (The New York Times)

"Mas, Mia, ele só fala de política?" Olha, vejebem o que eu disse e cê entenderá que não. Ele fala sobre os acontecimentos de 1968, sim, mas fala também do cerumano e de sua necessidade de vencer o passado, de ser melhor, de apagar os seus erros e voltar à infância, voltar à época em que tudo era bom e não tínhamos de lidar com essa coisa chata chamada responsabilidade. NÃO É UM LIVRO SÉRIO! Ou é, mas não de forma chata. Ele é um livro que fala sobre coisas séries de uma forma legal. É simplesmente sensacional.

Por que ele é ruim? Não tem como um livro do Kundera ser ruim. Ponto.

Se eu recomendo a leitura? Não apenas recomendo como não sei o que cê tá fazendo aqui que ainda não foi atrás desse livro - e de todos os outros livrinhos do Kundera. SÉRIO, GO GO GO! Eu queria dizer mais sobre, mas não quero estragar o sentimento que cês terão ao ler essa coisa incrível.

Em um quote:
A constituição, é verdade, garante a liberdade de palavra, mas as leis punem tudo que pode ser qualificado de atentado à segurança do Estado. Nunca se sabe quando o Estado vai começar a gritar que essa palavra ou aquela atentam contra a sua segurança. (p. 10) 
Este post faz parte do Desafio 50 livros de 1900 para ler antes de morrer. Confira aqui a lista com todos os títulos que lerei até sabe-se lá quando. \o/   

Guia prático de como se portar no transporte coletivo

Eu passo muitas horas do meu dia dentro de transporte coletivo - leia-se: ônibus - e tenho pra mim que o cerumano expressa todo o seu descontentamento para com a humanidade descontando nos outros cerumanos dentro dos ônibus da vida que, por sua vez, também estão descontando em outros e vocês entenderam a vibe nietzschiana do eterno retorno. 

Só que: gente, sério. Ninguém tá dentro de um ônibus imundo, cheio de germes & bactérias, às 6h da manhã porque tá animado pra viajar, pra curtir, pra ser feliz. A pessoa que frequenta tal ambiente diariamente o faz pelo simples motivo de: obrigações da vida adulta. Que, geralmente, consistem em estudos ou trabalho. Então, se você também está de saco cheio disso, por que diabos ferrar com horas do dia da pessoa que, assim como você, não gostaria de estar ali, mas tem de aturar a sua magnífica presença num coletivo por cerca de 2h a cada viagem? 

Vamos aos passos para ser uma pessoa mais feliz e comedida, cooperando com a harmonia do universo:


Andrzej Wróblewski - Bus driver (1956)

1. as janelas estão ali para serem abertas 

E não apenas no calor. A gente não abre a janela num ônibus lotado com mais de 70 pessoas - e estou sendo otimista - porque, ai, tá calor. A gente abre porque há boatos de que o cerumano necessita de aaaaaaar. E também porque a circulação de ar ajuda a não proliferar tão facilmente os germes & bactérias das pessoas lindas e ranhentas que pegam o tal transporte. "Mas tá frio!" TÔ NEM AÍ, MEU AMÔ. Usa um cachecol, se enrola num cobertor, sei lá. Mas não fecha a droga da janela só porque cê não suporta um ventinho bagunçando seu cabelo, querida. Faça-me o favor. 

2. fale, não grite 

Eu tenho um certo grau de surdez desde criança e mesmo assim meus ouvidos doem com os gritos das pessoas no ônibus. Mesmo que eu esteja com fones de ouvido no máximo, ouvindo heavy metal, AINDA ASSIM consigo ouvir aquelas vozes estridentes gritando por tudo: pra falarem entre si, pra falarem ao celular, pra reclamarem consigo mesmas... APRENDAM A FALAR FEITO GENTE.

3. se há lugar vago, não sente ao lado do coleguinha 

Tenho vontades assassinas cada vez que estou sentada no meu cantinho, num ônibus completamente vazio, tendo mais de 40 assentos disponíveis, e vem o cerumano desgraçado pedir pra eu tirar a minha mochila do banco ao lado pra criatura sentar. MEU AMÔ, o ônibus está vazio!!!!!!!!! Qualé o seu problema????????? E não me diga que você quer contemplar os meus lindos olhos verdes porque, vejebem, 6h da manhã. Sem condições. Sério, eu não posso jamais ficar quietinha no meu canto no ônibus. SEMPRE TEM UMA HELLO KITTY, mesmo que o veículo em questão esteja completamente vazio.

Os lugares estão vagos esperando por bundas para dar-lhes um sentido. Não venha querer dar um sentido num local não-vago. Agradeço.

4. são bolas de gude, não de basquete 

A gente sabe o que você, homem, tem no meio das pernas, e não são bolas de basquete pra você ter de abri-las desse jeito, esmagando a pobre pessoa que teve a infelicidade de lhe ter sentado ao seu lado. Portanto, seja um bom menino e feche essas pernas porque ninguém é obrigado MESMO.

5. é pra passar gotas, não tomar banho de perfume 

O ônibus é um local pequeno, lotado de pessoas com variados cheiros e que se recusam a abrir as janelas. Além desse cenário já ser ruim por motivos óbvios, vamos compreender que há pessoas que possuem rinite alérgica e nem perfume podem usar sem ter um verdadeiro surto de espirros - vide esta que vos escreve. Ousseje: vamo maneirar na água de colônia avon limited aí, hein.

6. se o ônibus estiver lotado e você puder pegar outro, vá no outro 

Eu moro num bairro que é um dos últimos da cidade, então só posso pegar um ônibus pra chegar em casa e esse querido ônibus cruza por toda a cidade antes de chegar a seu destino. O que acontece? Acontece que as pessoas deixam os ônibus de seus bairros vazios pra pegar o meu, que sempre, SEMPRE vai lotadíssimo, com gente até nas portas, porque ninguém pode esperar mais 15 minutos pelo seu. Sério, não façam isso, a não ser em caso de real necessidade. Não vale a pena pra ninguém (você já tentou descer mais cedo num ônibus completamente lotado? pois é) e irrita todo mundo. Seja uma pessoa melhor.

7. FONES DE OUVIDO!!!! 

Sério que eu preciso explicar essa? Também acho que não.



De mais a mais, é tudo uma questão de usar o bom senso e se perguntar: eu me irritaria se alguém fizesse isso? Caso a resposta for afirmativa, apenas pare e siga em frente, olhe para o lado e tente ser uma pessoa melhor. 

Reparação - ou por que Briony é a personagem mais detestável de todas

Reparação
Ian McEwan
Companhia das Letras
269 páginas
Ano de publicação: 2001 
Sobre o que é: Briony é uma pré-adolescente mimada, metida e aspirante à escritora. Em 1935, num dia de calor escaldante, ela vê a irmã, Cecilia, tirar a roupa e pular na fonte da casa em frente ao filho da empregada, Robbie. Na sua cabecinha de criança-adolescente, o coitado do Robbie estava se metendo a besta e assediando sua irmã. Mais tarde, Robbie escreve uma carta à Cecilia declarando seu amor por ela, porém a carta tem uma palavrinha obscena e Briony, a metida, lê a tal carta, fica louca das teorias de conspiração e acaba fazendo um troço muito desgraçado que acaba com a vida do coitado do rapaz, de sua irmã e de todo mundo - menos dela, porque ela é uma pobre criancinha. 

Por que ele é bom? Vamos começar com: discurso indireto livre. Tá, nem todo mundo é fã de língua portuguesa e ninguém é obrigado a saber disso, mas o fato é que isso quer dizer, em linhas gerais, que a narrativa é maravilhosa e vai se alternando de acordo com a percepção de cada personagem. Aliás, AS PERSONAGENS! Gente, que riqueza de personagens. O livro não se restringe apenas a Briony, Cecilia e Robbie. Há também Emily, a mãe das duas meninas, uma mulher doente e que simplesmente abstrai-se da realidade e vai jogar candy crush mental quando as coisas estão muito blé; Leon, irmão das meninas, um cara um tanto ingênuo demais, pra falar a verdade; os gêmeos ruivos, primos que resolvem aprontar uma no meio do jantar; Lola, a prima das meninas, que é uma das personagens mais detestáveis de toda a literatura, aquele tipo de pessoa que faz de tudo para ser sempre o centro das atenções, claramente pisciana com marte em leão, e Marshall, amigo de Leon, convidado especial para o jantar em família e aspirante a milionário.

O que acontece é que AS PESSOAS SÃO ESCROTAS, e em níveis absurdos. Isso tanto na vida quanto na literatura, mas até aqui nenhuma novidade, né mesmo. Não é bem assim. Porque o nível de escrotidão humana presente nesse livro é algo estarrecedor. Eu realmente queria entender como as pessoas podem se prestar a isso, mas ainda não cheguei a esse nível de entendimento. Porém, o senhor Ian chegou e escreveu essa obra maravilhosa, que nos faz mergulhar numa história densa e aparentemente confusa, mas que é muito simples quando aceitamos o fato de que as pessoas não prestam. A partir daí, tudo se encaixa e aproveitamos a escrita do cara, que é maravilhosa.

Mas: coitados do Robbie e da Cecilia. Gente, que dó me deu desses dois. Queria colocá-los num potinho pra que fossem felizes, só isso. (E olha que nunca torço por casal algum, hein.)

~como eu fiquei ao terminar o livro~

Por que ele é ruim? Porque dá vontade de matar a Briony e a Lola. Especialmente a Briony. Sério, essa menina é a personagem mais irritante de toda a literatura, não é possível. Porque não importa se ela era só uma criança: LIMITES, PARÂMETROS, CONSCIÊNCIA. Pelamor. Vá se catar.
Sim, ela era apenas uma criança. Mas nem toda criança manda um homem para a prisão por causa de uma mentira. Nem toda criança é tão determinada e maligna, nem tão coerente ao longo do tempo, sem jamais vacilar, jamais inspirar dúvidas. (p. 168) 
Mas o livro é ótimo, gente. De verdade.

Se eu recomendo a leitura? Mas é claro que sim! Inclusive, só não o li antes porque não achava de forma alguma esse livro, que havia desaparecido das livrarias e das bibliotecas. COMPANHIA DAS LETRAS, DÁ UM JEITO NISSO! ♥

Em um quote:
Não eram só o mal e as tramoias que tornavam as pessoas infelizes; era a confusão, eram os mal-entendidos; acima de tudo, era a incapacidade de apreender a verdade simples de que as outras pessoas são tão reais quanto nós. E somente numa história seria possível incluir essas três mentes diferentes e mostrar como elas tinham o mesmo valor. Essa era a única moral que uma história precisava ter. (p. 37) 
Pausa para: o nome do Ian McEwan, que coisa mais sonora isso, gente. ♥  
 
Wink .187 tons de frio.