House of Night - Merry meet, merry part e merry meet outra vez!

House of Night (série)
P.C. Cast e Kristin Cast
327 páginas
Novo Século
Ano de publicação: 2009 

Sobre o que é: Zoey Redbird era uma guria normal de 16 anos até que um dia um cara pálido e bizarro, cheia de marcas no rosto, chega na escola dela e a marca com o sinal da Deusa Nyx, dizendo que ela foi escolhida para ser uma novata e que agora terá de viver e estudar na House of Night (Morada da Noite) até sua transformação estar completa e ela virar uma vampira adulta. Porém, Zoey é diferente de todos os outros calouros porque sua marca de lua crescente na testa já está completa, e a deles não e ela tem toda uma vibe íntima com Nyx, que acaba a escolhendo como queridinha numa guerra de poder bem louca que está se aproximando entre vampiros.

Por que ele é bom? VAMPIROS ADOLESCENTES WICCANOS. Vampiros adolescentes que fazem rituais pra Deusa Nyx. Vampiros adolescentes que moram numa escola de vampiros e têm aulas sobre como ser vampiros. Sociedade vampírica que existe desde sempre e tá convivendo de boas com os humanos. Gente, preciso falar mais?

Não preciso, mas vou. Essa série entrou pra meu roll de séries preferidas de livros porque parece muito ruim, mas é boa demais. Geralmente, não gosto de historinhas de vampiros, essa vibe Crepúsculo de ser, mas o que a P.C. e a Kristin (que são mãe e filha, por sinal) fizeram foi misturar várias coisas da mitologia e da história, como vampiros, bruxas, paganismo e até mesmo as lendas Cherokee, um povo indígena dos EUA. Gosto muito quando a autora sai do clichê triângulo amoroso de vampiros sedutores e coloca coisas interessantes no meio - afinal, pra que ter limites na ficção?

Quando peguei o livro pra ler foi porque tinha acabado de ler Carta ao pai, do Kafka, e tava muito deprê porque Kafka era um menino cheio de trauminhas & ressentimentos. Aí resolvi que precisava ler um livro adolescente idiota pra sair daquele draaaama. Foi assim que me decidi por Marcada, o primeiro livro da série: pela capa já deu pra ver a vibe Crepúsculo dele e me atirei na leitura. Só que me deparei com uma história realmente legal. Adolescente, sim. Mas legal pra caramba. Eu, que não costumo ler romances adolescentes - porque não tenho saco pra historinhas de amor e decepções -, me surpreendi com o livro e precisei continuar a leitura. Em 2 meses, havia lido os 12 livros da série (sim, 12; sim, é coisa pra caramba; não, não acho isso necessariamente ruim).

No mundo de House of Night, os vampiros sempre existiram e convivem de boas com os humanos, porém existem duas sociedades paralelas: a humana e a vampira. Ambas sabem da existência uma da outra, mas não se metem em seus assuntos e estão lá, convivendo. Os vampiros são marcados com o sinal da lua crescente na testa aos 16 anos e, ao serem marcados, precisam ir para a Morada da Noite mais próxima para estudarem e completarem sua transformação - que pode ou não ser completada, muitas vezes o novato rejeita a transformação e acaba morrendo. Mas ele certamente vai morrer se não for morar numa Morada da Noite porque se um novato fica muito tempo longe de vampiros adultos, seu corpo rejeita a transformação e ele morre - os vampiros adultos os fortalecem estando por perto.

Aliás, os vampiros são bem diferentões e não saem por aí chupando pescoços ou necessariamente tendo de tomar sangue pra sobreviver. Vezenquando eles vão a um banco de sangue e tomam um pouco pra ficarem mais fortes, mas em geral eles comem comida normal e adoram hambúrguer e refri. Também não tem essa de "me mordeu, virei vampira". A pessoa só vira vampira se Nyx escolher e a marcar com a lua crescente na testa. É tipo um dna vampírico que se manifesta aos 16 anos - ou não.

Mas acho que a coisa mais bacana de todas é que a sociedade vampírica é matriarcal! Existe a Alta Sacerdotisa e as outras Sacerdotisas, que comandam tudo e fazem as leis. Os vampiros são apenas Guerreiros de Erebus, o consorte de Nyx. Mas quem manda são as mulheres. Isso faz com que a estrutura da sociedade seja bem diferente e muito mais legal do que qualquer outro livro vampiro por aí. Imagino que elas tenham escrito as coisas dessa forma porque se baseiam no paganismo Wicca, que tem toda uma vibe feminista maravilhosa.

Por que ele é ruim? Não é ruim, só que SÉRIE DE 12 LIVROS. Gente, pra que tanto livro? Porém, a partir do momento em que se começa a ler o primeiro, aquilo passa tão rápido que a gente anseia pelo próximo e fica até meio triste quando vê que a série acabou. São livros adolescentes e livros adolescentes a gente lê numa sentada, numa viagem de ônibus. A leitura flui que é uma maravilha.

Acho que a única coisa que achei irritante nos livros é que a Zoey fica toda hora num triângulo amoroso. Sim, eu entendo que isso é meio que regra em livros adolescentes, mas não deixa de ser menos chato. Se ela se concentrasse mais nos problemas que estavam acontecendo na Morada da Noite e no mundo vampírico e menos em rapazes bonitões, a série teria só metade dos livros que tem porque as coisas seriam solucionadas mais rapidamente. PORÉM: novamente, isso não é necessariamente ruim, é que eu sou tipo o presidente Snow quando se trata de romance:


Você vai gostar se... tinha pôsteres de Crepúsculo na parede quando era adolescente, adorava Fallen, Hush Hush, gosta de qualquer coisa com vampiros ou uma pegada sobrenatural e wiccana, cheia de rituais e paganismo. Também vai gostar se adora ver mulheres fortes mandando os caras calarem a boca e assumindo posições de comando (Aphrodite, te dedico ♥).

Em um quote:
"A escuridão nem sempre equivale ao mal, assim como nem sempre a luz traz o bem." 

Resuminho de junho


Queria muito ser uma dessas pessoas pró-ativas que se propõem a fazer coisas em prazos determinados e de fato as fazem, mas estamos aqui escrevendo sobre junho em meados de julho e com apenas duas semanas restantes de férias porque é isso o que acontece quando você é o tipo de pessoa que estabelece uma rotina apenas para poder aloprá-la constantemente.

Dito isso: saí do emprego.
Que, na verdade, era um estágio. Cujo contrato terminou. Nada muito dramático, já era esperado e tá tudo certo - afinal de contas, trabalhar em assessoria de imprensa não é tipo o sonho da vida. Foi bom porque consegui adquirir mais trinta livrinhos pra biblioteca pessoal. Foi ruim porque consegui adquirir mais dez quilos pra me impedirem de caber nas minhas roupas.

O engraçado de ter saído de lá é que o ex-chefe disse que não poderia renovar o meu contrato porque "preciso de alguém mais pronta". Eu perguntei pronta pra o quê, né. Ele disse que pronta a atender o telefone e fazer trocentas funções que não eram as minhas. Eu disse um okay, peguei as minhas coisas e fui embora, bem aliviada porque fazia 3 anos que eu não parava e tirava um tempo pra mim. 3 anos em que eu não via a minha família direito, 3 anos em que não tinha tempo pra me cuidar, 3 anos em que minhas atenções eram completamente esmigalhadas porque a rotina era acordar 5h30 da manhã, pegar o ônibus, ir trabalhar, de lá ir pra faculdade e só voltar à meia-noite, pronta pra dormir. Todos os dias.

Por uns dois dias, fiquei que nem o Tomas, de A insustentável leveza do ser, quando Tereza volta pra Praga sem avisar o cara e ele se depara com uma casa vazia em Zurique e com uma liberdade totalmente inesperada naquele momento. Isso durou bem pouco porque logo em seguida eu estava, como ele, voltando pra Praga, ou seja, indo atrás de uma nova rotina porque eu não sei descansar. EU NÃO SEI DESCANSAR. Não sei ficar parada, não sei não ter rotina, não sei ter tempo pra fazer o que eu quiser. Fazer o que eu quiser requer reflexões sobre o que diabos eu realmente quero e geralmente a resposta é um grande sei lá em neon azul-bebê piscando.

Essa coisa de ter liberdade pra se fazer o que quiser é muito angustiante porque se me deixarem fazer o que eu quero vou entrar num looping de about:blank por uns bons dias que provavelmente será substituído por outro looping de maratonas de séries e longas noites de insônia dedicadas a analisar minuciosamente tudo que já fiz de vergonhoso e errado na vida e a produzir uma lista extensa de pessoas a quem eu deveria estar pedindo desculpas - se bem que acho que o caso seria virar ermitã, fugir pras montanhas e viver tipo Sir Isaac Newton, fazendo minhas coisinhas e só vendo alguém periodicamente pra receber mantimentos.

~Nick Miller, você me entende~ 

Nessa onda de HAHAHA ADEUS, HUMANIDADE, li poucos livros porque essa coisa de não ter rotina bagunça totalmente com a minha vida. Eu sou uma pessoa que aproveita as quase 4h de viagem de ônibus diárias pra ler. O que vou fazer agora que diminuíram umas boas 2h no trajeto? Vou ler em casa, com a família sempre querendo falar comigo? Não dá. Aí fiquei bem ~agoniada~ e li apenas quatro livrinhos.

.do que li 


1. Comecei o mês terminando de ler 1984 e, gente, gostei pra caramba de como o George Orwell escreveu esse livro de forma nada pretensiosa e arrogante, sendo bem didático e sem fazer trocentos rodeios NÉ, ALDOUS HUXLEY. Mas Winston, o personagem principal, é um cara tão aaaaargh que não dá pra ter pena dele. Quer dizer, não desejo o que ele passou pra ninguém, tortura não é algo muito legal, mas digamos que ele é um anti-herói bem construído e o livro é 100% aprovado com o selo Wink Book Award

2. Aí fiz um trabalho de rádio que consistia em gravar um programa e fazer um debate, blablabla. Como tava próximo do Dia do Orgulho LGBT, agarrei o plot pra ver Amora, da Natalia Borges Polesso, e tentar conseguir uma entrevista com ela já que ela é da mesma universidade que eu e super acessível - que acabou não rolando, apesar de ela ser super atenciosa, porque Murphy me ama, Murphy me quer. Mas o livro é realmente muito bom, apesar de eu não gostar de contos de forma geral. A Natalia escreveu só historinhas de romances lésbicos e eu achei isso bem bacana. Ficou tudo muito delicado e bonito. 

3. Passei duas semanas lendo A Garota-Corvo porque a. o livro é gigantesco, tem quase 700 páginas numa diagramação com fonte pequena; b. a história é pesadíssima e as primeiras cento e poucas páginas total me fizeram passar muita raiva e reclamar no twitter. Mas no final a coisa ficou melhor e eu fiz até um sorteio do livro, vejam só! Só que: Erik Axl Sund é uma duplinha de quase véios hipsters que adotaram um nome só e resolveram polemizar escrevendo uma história sobre pedofilia feminina. Acabou que a construção ficou bacana, tem personagens incríveis, mas ainda acho que homens não deveriam escrever mulheres pedófilas porque sempre cagam de alguma forma, ponto final. 

4. Com os 20 anos de Harry Potter, total aproveitei a oportunidade pra reler a série e comecei por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban porque não lembrava de absolutamente nada do livro e, gente, que livrinho amor ♥ J. K. Rowling acertou demais no romance policial, vibe Agatha Christie, desse livro. Sirius e Lupin são maravilhosos mesmo e eu queria muito o vira-tempo da Hermione - apesar de que imagino que aquilo dê um cansaço dozinfernos porque vai uma hora, volta na mesma hora, só que escondidíssima porque ninguém pode ver a pessoa... E que horas a criatura vai dormir, me explica? 

E é isso, gente. 
Junho foi um mês tranquilo cheio de revoluções internas porque é assim que são meses de mudança de rotina: tudo parece bem, mas há algo estranho em Avalon. Porém, prosseguimos. 

Agora, licença que vou voltar pra minha mais nova obsessão: Outlander e sua 2ª temporada. 

As pessoas no ônibus, elas são o inferno

Uma das coisas que mais me deixa louca é ter de andar de ônibus. Não, eu não me importo com os sacolejos daquele trambolho, tampouco com a demora do trajeto. O que realmente me incomoda são as pessoas. 

Tô 100% nem aí se pareço misantropa - até porque é bem possível que meu grau de misantropia seja meio elevado mesmo -, mas as pessoas, elas são o inferno. Sartre estava certíssimo quando disse isso e eu não poderia contradizê-lo, mesmo não indo muito com a cara dele. 

A ceninha do pessoas e por que elas são tão escrotas de hoje se passa dentro de um ônibus lotado (como sempre). Estava eu cheirosa e cansada, saindo da faculdade quando o tão esperado ônibus finalmente aparece. ALELUIA, já tinha atrasado meia hora e eu só precisava de um canto pra ficar quietinha durante as duas horas de viagem. 

- Um canto pra ficar quietinha? - zombou o Universo. 
- Sim, um canto pra ficar quietinha - disse eu, na maior inocência. 
- Hm, veremos. 


Entrei no dito cujo. Havia apenas um lugar vago e ele tinha de ser meu, obviamente. Sentei, abri meu livrinho e comecei a fazer leitura, bem feliz da vida por ter encontrado um cantinho pra ler durante as horas até em casa. 

Então a porta do ônibus se abre. Sobe por ela uma mulher. A senhora que está ao meu lado levanta prontamente e cede lugar. Okay, achei bacana, achei respeitoso. "Por que você não fez isso então, Mia?" Olha, porque nem deu tempo de pensar em fazer e a outra já tinha feito. Desculpa, sou uma pessoa de atitudes lentas, vida que segue.

Só que aí a mulher sentou ao meu lado e no mesmo momento eu tive de me controlar fortemente pra não vomitar. Olhei pra o lado: a mulher estava imunda. Não imunda do tipo pessoa mendiga - eu jamais brincaria com isso, até porque um dos meus maiores medos é de me tornar uma dessas pessoas que ficam nas ruas porque a vida é muito difícil/horrível, então elas saem e nunca mais voltam e começam a pregar sobre o apocalipse para transeuntes incautos  -, mas sim do tipo: hoje não tava a fim de tomar banho, desculpaí.

A mulher sentou ao meu lado e eu, que estava com uma echarpe no pescoço, tive de pegar aquilo e enrolar na minha cara porque ou era isso ou era cosplay de Reagan vomitando no Padre Karras.

Aguentei a viagem toda assim, com a cara tapandinha e a mulher fedendo horrores ao meu lado. Ela, vendo aquela cena de eu com a cara tapada, não ficou muito contente e começou a resmungar e a me dar cutucões (!!!!), ao que eu apenas inspirei fundo e fiz o Buda porque chega de brigas em ônibus, Mia, você não tem mais idade pra isso, Mia.

Após muita meditação e uma concentração jamais antes vista no livro da vez, percebi que o ônibus estava esvaziando e decidi levantar pra procurar outro canto pra sentar. PRA QUÊ? Foi eu fazer isso que pessoas aleatórias começaram a me encarar feio e falar coisas como: "Meu Deus, que horrível", "Olha só isso, nem disfarça", "Não tem consideração pelos outros". Ao que eu, cansadíssima e de saco cheio, mandei um:

- QUERIDOS, BANHO EXISTE, SABIA?

Fui pra um canto e lá fiquei, encarando todo mundo feio até que baixassem a cabeça porque não sou obrigada.

Não compreendo o que leva o ser humano a ser a sua pior versão no transporte público, mas me pergunto seriamente qualé a dificuldade de fazer higiene básica. Como eu já disse várias vezes, não é difícil se portar nos transporte coletivo.

Você não precisa ser simpático.
Você não precisa ser querido.
Você não precisa ser extrovertido.
Você não precisa flertar.
Você não precisar amar filhotes de cachorro (apesar de que se você não amá-los é bem provável que eu te ache uma pessoa no mínimo estranha demais).
Mas você precisa ter HIGIENE. Especialmente se for estar num ambiente fechado com outras pessoas.

Dito isso: vão tomar no cy, vou inventar o teletransporte e parar com essa palhaçada. 

A garota-corvo

A garota-corvo 
Erik Axl Sund
Companhia das Letras
580 páginas
Ano de publicação: 2017 

Este exemplar foi cedido em parceria com a editora. 

Sobre o que é: quando corpos de meninos imigrantes começam a aparecer embalsamados e sem os genitais, a detetive Jeanette Kihlberg entra de cabeça num caso extremamente complicado envolvendo uma rede de pedofilia no Leste Europeu e uma trilha de corpos e coincidências que não podem ser apenas ao acaso. Sofia Zetterlund, uma psicóloga especialista em crianças que sofreram abuso, acaba se envolvendo profundamente na investigação e descobrindo fios de uma trama complexa, repleta de gente perturbada e cenas chocantes, capazes de deixar em estado de alerta até os mais tranquilos. 

Por que ele é bom? É difícil dizer por que é bom um livro que fala sobre pedofilia. Ainda mais sobre pedofilia feminina. Porém, o que Erik Axl Sund fez (na verdade fizeram, haja vista que esse é o pseudônimo de dois autores que escreveram o livro juntos: Jerker Eriksson e Håkan Axlander Sundquist) foi construir uma das melhores personagens que já li: Victoria Bergman. Ela é uma personagem forte e que faz sentido. Após anos sendo abusada repetidamente, Victoria tem muitos trauminhas e a forma com que ela lida com eles é muito coerente com a forma como uma mulher traumatizada age.

É bacana a forma como os caras conseguiram abordar o distúrbio de múltiplas personalidade e outros transtornos psicológicos causados por traumas e abusos. Victoria é apenas uma das personagens sobreviventes dessa rede, mas todas elas são muito bem trabalhadas, mostrando as diversas faces das consequências que esses atos criminosos podem gerar. Foi interessante isso porque geralmente, em romances policiais, a gente vê as consequências legais, mas não necessariamente as psicológicas, e isso faz toda a diferença no livro.

Aliás, é bem legal que todas as personagens principais do livro são mulheres! É bem difícil ver isso na literatura, ainda mais em livros policiais, com seus personagens machões e viris. Esse não: a detetive à frente do caso é mulher - e sofre horrores com o machismo dentro da polícia -, as vítimas são mulheres e também as agressoras. Esse é um grande diferencial do livro: todas as mulheres são fortes e vão atrás do que querem, não há personagens passivas. Isso é bem destacado em Jeanette Kihlberg, a detetive investigadora do caso. Ela não aceita desaforo de ninguém e se impõe, fazendo com que a respeitem devidamente e que ouçam sua visão apurada pra crimes e suspeitos.

Outra coisa bem importante no livro é que ele é realmente misterioso. Nós somos tão surpreendidos quanto Jeanette conforme ela vai descobrindo as coisas. Eu sou o tipo de pessoa que na segunda página já desvendou o mistério, mas é impossível desvendar os assassinatos desse livro. Quando você pensa que entendeu tudo, vai lá o narrador e te mostra que você não sabe de nada. Isso é algo que eu só havia visto antes nos livros da Agatha Christie e pra quem gosta de romance policial, é um prato cheio.

Uma coisa que adorei também é que A Garota-Corvo é uma trilogia que a Companhia das Letras decidiu publicar como livro único. Ponto pra vocês, Companhia! O livro é dividido em três partes - o que é bem melhor do que três livros separados, na minha opinião. Não aguento mais essa coisa de trilogia disso e daquilo. Gosto de ler um livro com a história até o fim, não de ter de esperar por outro volume ser lançado pra poder saber o que aconteceu com tal personagem.

Por que ele é ruim? O livro me fez passar raiva algumas vezes porque com toda essa coisa de mistério insolúvel, ele te dá pistas que te levam a crer que o que está acontecendo é uma coisa muito ruim: parece que eles estão culpabilizando a mulher e justificando a pedofilia com os abusos sofridos na infância e o fato de ela não poder ter filhos. Só que - e isso não é spoiler, juro - não é assim que acontece. É apenas mais uma pista falsa muito bem arquitetada pra gente pensar que é uma coisa quando é outra bem diferente.

Joinha pra os autores: conseguiram me enrolar a ponto de me fazer passar raiva em alguns momentos.

Algo que achei bem engraçado e ainda estou em dúvida se é um ponto negativo ou apenas uma curiosidade divertida é que em várias partes do livro é mencionada a trilogia Millennium, do também sueco Stieg Larsson. Claramente os caras acham que estão no mesmo patamar de Stieg, com sua maravilhosa Lisbeth Salander - o que é muito engraçado, mas acho que ninguém vai conseguir estar no mesmo nível daquela trilogia sensacional. A Garota-Corvo tem uma trama bem intrincada, mas Millennium é perfeito.

Você vai gostar se... gosta de romances policiais, da Agatha Christie, adorou Millennium e curte umas vibes mistérios da Suécia.

Em um quote:
É mais importante proteger os possíveis agressores do que as possíveis vítimas. Esse é o mundo dos homens. (p. 238) 

ATENÇÃO: SORTEIO! 


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Balanço de leituras 2017/1

Assim como a Michas, também acho uma boa ideia fazer um balanço das leituras de 2017/1. Pra isso, a gente pegou a tag dos 50% pra responder. Geralmente, ela é feita em vídeo, mas quem aqui quer ver a minha cara estranha falando, não é mesmo? Melhor assim. :)

2017 tem sido um ano bem melhor do que 2016 em todos os aspectos, especialmente o literário. Ano passado, nesse mesmo período, eu tinha lido apenas 11 livros. Tava numa ressaca literária dozinfernos e por mais que eu tentasse e quisesse não tinha jeito de ter ânimo pra ler. Já neste ano só não li mais além dos 31 livros lidos até agora porque provas, trabalhos, vida acadêmica (e todo o resto).

Hoje é o quarto dia de julho, o que significa que ADEUS, SEMESTRE e OLÁ, FÉRIAS DE INVERNO. Também significa que metade do ano já se foi e dá pra fazer aquele balanço maneiro do que tem sido até agora. Mas quem é que quer falar do balanço da vida quando se pode falar de literatura? Então, vamos lá!


1. O melhor livro que você leu até agora, em 2017: 
Sem sombra de dúvida, A Montanha Mágica, do Thomas Mann. Li muitos livros excelentes este ano, mas sabe aquele livro que te deixa com saudade? É assim que estou desde que li essa história.

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2017: 
Os livros do Ciclo de Avalon, da Marion Zimmer Bradley: A Queda de Atlântida (1 e 2) e Os Ancestrais de Avalon. Ainda não terminei de ler todo o Ciclo, que vai até As Brumas de Avalon, mas tá sendo demais ler mais dessa história que, posso dizer com certeza, é a minha favorita de todas que já li.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito: 
Não sou muito de fazer listas de livros que quero ler, até porque vou lendo conforme dá vontade mesmo, sem muita programação, mas um que quero bastante fazer leitura é o 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, da Mo Daviau.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre: 
A edição da Companhia das Letras de Anna Kariênina, do Tolstói. ♥

5. O livro que mais te decepcionou esse ano: 
Difícil falar em decepção propriamente dita, mas foi meio chato finalmente ter lido os livros da Chimamanda (Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas) e descobrir que, ao contrário de basicamente todo mundo, eu não gosto da escrita dela, não comprei o argumento e não passei a citá-la por aí como uma referência feminista. Sim, eu sou feminista. Mas não, não vou me deixar levar pela onda feminista (de internet, total produto de marketing) que diz que se algo tem a palavra ~feminista~ no título, preciso glorificá-lo. Olha, isso não funciona comigo. Assim como a Chimamanda.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano: 
Certamente foi o Outros jeitos de usar a boca, da Rupi Kaur. Eu realmente não esperava nada desse livro. Nada, nada, nada. Aí comecei a ler e veio o choro e todos aqueles ~sentimentos~. Gente, não sei lidar com sentimentos, não. Li, reli e foi incrível demais a catarse que esse livro me proporcionou. Só amor.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente): 
Jenny Lawson! Dela, li o Alucinadamente feliz e total me identifiquei. Quer dizer, eu literalmente poderia ter escrito aquele livro. Quero ler tudo o que essa mulher escreve.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente: 
Não sou o tipo de pessoa que tem crushes literários. São tão poucos que se eu fizer uma lista agora, é bem provável que daqui a 5 anos a lista seja a mesma. Mas um personagem que certamente entrou pra o roll de crushes literários este ano foi o Hans Castorp, de A Montanha Mágica. Não tem como ler esse livro e não crushar o Hans, com aquele jeito simples e aberto dele. E NÃO ESQUEÇAMOS DE REMUS LUPIN, POR FAVOR. Gente, Remus Lupin melhor pessoa, total deveria ter sobrevivido.

9. Seu personagem favorito mais recente:
Tô realmente em dúvida entre Remus Lupin e Sirius Black, ambos de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Terminei a releitura do livro ontem apaixonadíssima por ambos. Pra mim, são alguns dos melhores personagens da série. (Claramente eu tenho uma queda por gente complicada & estranha.) 

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre: 
Nem preciso pensar muito pra responder: A elegância do ouriço, da Muriel Barbery. Pensem numa pessoa chorando desconsoladamente. No ônibus lotado. Por meia hora. Abraçada a um livro. Pois é.

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre: 
Clichê e repetindo resposta, mas Alucinadamente feliz.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2017: 
Acho que não assisti a nenhuma adaptação de um livro que eu tivesse lido, então... ¯\_(ツ)_/¯ 

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo):
Queria não ser repetitiva, mas não tem como nesse caso: a minha resenha preferida do ano até agora é a de A Montanha Mágica, esse livro sensacional que virou um dos meus preferidos da vida. ♥ 

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano: 
Difícil isso porque tava fazendo umas contas aqui e vi que comprei/ganhei mais de 30 livros. E são todos muito lindos. Mas tem dois que são incríveis demais e moram no meu coração: a nova edição da Companhia das Letras de A insustentável leveza do ser, que tá tão incrível que fiquei abraçada nela quando a recebi (juro! hahaha) e Antologia da literatura fantástica, naquela edição maravilhosa da finada Cosac Naify (sdds). 

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

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15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano? 
Eu tenho uma breve lista na meta de leitura do Skoob. Coloquei 12 livros na meta no início do ano. Até agora, li apenas 5 deles, mas seguimos tentando. Os restantes são: A volta do parafuso, do Henry James, A menina que roubava livros, do Marcus Zusak, Quem é você, Alasca?, do John Green, O ladrão de raios, do Rick Riordan, O caso dos dez negrinhos, da Agatha Christie, Propaganda monumental, do Vladimir Voinovitch e O mestre e Margarida, do Mikhail Bulkagov. Basicamente, apenas livros que estão parados na minha estante há anos e que eu preciso ler de uma vez ou pra amar ou pra desocupar espaço. Fora esses, tem os de parceria. Os que eu já tenho aqui são: A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera e Atlas de nuvens, do David Mitchell. Mas ainda estão pra chegar O livro do juízo final, da Connie Willis e Os despossuídos, da Ursula K. Le Guin.

De resto, começamos julho relendo A insustentável leveza do ser ♥ e também a série Harry Potter - mas a minha grande vontade mesmo é de começar a série Outlander, porém: tempo, cadê?! 

7 motivos para ser Corvinal

Dia desses fui fazer meu teste no Pottermore pra saber onde o Chapéu Seletor me colocaria. Eu estava super crente que seria colocada na Lufa-Lufa porque de forma alguma estaria no centro das coisas pra ser da Grifinória, minha ambição se resume a ter uma vida confortável o suficiente pra ser feliz e ler meus livrinhos, portanto jamais poderia ser Sonserina e, apesar de eu amar literatura não me via como Corvinal. Total me via como Lufana, já que eles são de boas, tranquilos e leais. 

Foi aí que tomei um dos maiores sustos que esse mundo internético já me proporcionou: o Chapéu Seletor me colocou na Corvinal. CORVINAL! E agora, Chapéu? 


Fiquei bem contrariada e saí pela internet afora fazendo trocentos testes de a qual casa de Harry Potter você pertence?, mas todos eles, absolutamente todos, saíam o mesmo: Corvinal. A única coisa que eu sabia dessa casa é que nela havia um bando de gente metida a inteligente - e eu total torcia o nariz por causa disso. Mas então fiz o que toda pessoa de bom senso faria: comecei a pesquisar sobre a casa. E foi então que percebi que não poderia estar em nenhuma outra. ♥ 

Tendo finalmente me aceitado como Corvina e já que Harry Potter completou 20 anos ontem, decidi fazer uma lista de motivos por que sou Corvinal (e adoro isso). 

1. Corvinal é a casa das pessoas esquisitas.
Se você se sentir mais confortável em usar a palavra excêntrica, pode ser também. Lembro que a primeira vez que fui chamada assim foi por uma professora, na terceira série. Ela disse que eu era excêntrica, explicando uma situação x pra um colega que foi perguntar pra prof. o porquê da minha atitude. Aí o que eu fiz? Fui até a biblioteca procurar um dicionário pra ver o que diabos significava excêntrica. Saí de lá bem contente. :) 

2. Além de ser a casa correspondente ao elemento Ar.
Hogwarts tem 4 casas, certo? E os elementos também são 4, certo? Pois então: essa é a casa do elemento Ar. E esse elemento, na astrologia, corresponde ao quê? Aos signos de Gêmeos, Libra e Aquário. Esses signos formar a tríade de Ar e isso, astrologicamente falando, significa que eles são os mais voltados ao intelecto, às ideias e à comunicação. Os Corvinos têm justamente essas características, pois também são voltados ao saber e ao conhecimento. E, além de Corvina, eu sou aquariana. Ou seja: ¯\_(ツ)_/¯  

3. Para os Corvinos, o aprendizado é a coisa mais importante que existe.
Eu nunca fui nerd no sentido cdf da palavra. Sempre tirei notas muito, muito boas, mas isso acontece porque presto atenção às aulas, não porque fico horas estudando. Só que o grande objetivo da minha vida sempre foi adquirir o máximo de conhecimento que eu puder, seja ele sobre os Tudors, as melhores receitas de macarrão ou como fazer limpeza de livros sem acabar com a capa deles porque as pessoas, elas usam acetona diretamente ao invés de pó de borracha!!!! (Obrigada, profs do curso de Biblioteconomia, por terem ensinado isso direitinho.) Então, eu jamais poderia ser de outra casa porque não há nenhum outro coleguinha hogwartiano que entenderia tão bem essa vontade de saber quanto os Corvinos. 

4. Luna Lovegood e a profª. Sybill Trelawney são Corvinas.
E, não querendo desmerecer outras personagens, mas elas são incríveis! Luna tem todo aquele jeitinho esquisito e adorável de ser - e, de fato, alguns amigos já me compararam com a Luna por conta do jeito avoado. Ela faz o que quer e não tem medo de passar vergonha. Assim como a profª. Sibila, que é super zoada por todo mundo, mas continua sendo quem é e dando de ombros às críticas ridículas que lhe fazem. 

5. É a casa que acolhe as pessoas como elas são.
Como diz o texto de boas vindas da Corvinal: "Nossos membros são os mais reservados – alguns podem até considerá-los excêntricos, mas gênios geralmente estão numa sintonia diferente das pessoas comuns, e ao contrário de algumas outras casas que poderíamos mencionar, nós achamos que você tem o direito de vestir o que quiser, acreditar no que quiser e dizer o que você sente. Nós não tentamos mudar pessoas que são diferentes; pelo contrário, nós as valorizamos." Eu sou esquisita demais pra me adaptar aos lugares sem ter crises de ansiedade por isso, então preciso de um lugar em que eu possa ser eu mesma. Essa é a casa certa pra isso ♥ A casa das pessoas que não se encaixam em nenhuma outra. 

6. Eles questionam coisas.
O que pode ser bem irritante, mas não menos importante: Corvinos realmente questionam as coisas, não aceitam qualquer argumento que não faça sentido apenas porque alguém com ~autoridade~ ou alguém ~popular~ disse. As coisas precisam fazer sentido. Só que nem todo mundo entende isso, então a vida de um Corvino pode ser assim: 
Talvez seja por isso que Corvinos não são muito populares, não é mesmo... 

7. Crazy book ladies.
Corvinos são conhecidos por serem crazy book ladies, ou seja: ratos de biblioteca. Eles vivem com a cara num livro porque além de terem todo o amor pelo conhecimento, eles também adoram histórias interessantes. Não tem como ser mais eu do que isso. ♥ 


Então por mais que eu tentasse negar... Não tem como, eu não poderia ser de outra casa. Muito Corvinal, sim - e com orgulho! 

"Ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais." 

1984

1984
George Orwell
Companhia das Letras
416 páginas
Ano de publicação: 1949 

Sobre o que é: o Grande Irmão controla tudo. Não existe ninguém em toda a Oceânia que não esteja fazendo o que o Partido manda. E não apenas fazendo, mas a m a n d o o que faz, sendo um verdadeiro discípulo do Partido e adorando o Grande Irmão, que vê tudo através das teletelas. Só que um dia um cara chamando Winston começa a ter pensamentos que quer manter ocultos e comete um crime: escreve num diário, escondido da teletela de sua casa. Esse pequeno ato desencadeia coisas horrorosas pelas quais Winston passará para tentar ter um pensamento livre. 

Por que ele é bom? Vamos lá: esse livro foi escrito em 1948. Mil novecentos e quarenta e oito. Georginho praticamente se matou escrevendo esse livro enquanto estava morrendo de tuberculose. E, mesmo doente pra caramba, o cara conseguiu basicamente antecipar o futuro da sociedade - um futuro que vivemos hoje.

O livro se passa em Londres, no futuro do ano de 1984 - que pra nós é passado, mas pra George Orwell era quase 40 anos pra frente - e a sociedade está completamente dominada por um regime totalitarista que vigia seus cidadãos dia e noite e em todos os lugares.

Winston é produto dessa sociedade, mas não chegou a nascer nela. Ele tem cerca de quarenta anos, então ainda possui algumas memórias a respeito dos primeiros dias da guerra que levou a isso e de como era a vida antes. E essa questão da memória é que o leva a começar a escrever um diário, o que é totalmente contra o que o Partido apregoa. Ninguém pode ter pensamento livre, ninguém pode escrever, ninguém pode fazer coisa alguma que o Partido não aprovar. A partir disso, se desenrola uma coisa absurda e cenas e cenas de tortura.

Só que se ficasse apenas nisso seria apenas mais um livro sobre como um governo pode acabar com toda uma sociedade. O que realmente diferencia 1984 de todos os outros livros - com exceção de Admirável Mundo Novo, que tá na mesma vibe - é que ele previu o futuro de verdade.

Quer dizer, nós realmente vivemos numa sociedade vigiada pelo governo. Existem câmeras em todos os lugares, satélites, sistemas que recolhem informações privadas em redes sociais e sites - isso pra não mencionar dos próprios celulares que coletam o que falamos e usam isso pra fazer marketing. Desde a época de Hitler - que foi um pouquinho antes desse livro ser escrito - o governo usa técnicas bem pesadas de manipulação na população, escolhendo através da agenda setting (por favor, deem uma pesquisadinha nisso) o que vamos amar ou odiar e até mesmo sobre o que estaremos falando sobre em nossas rodas de conversa.

~não sei a quem creditar, se alguém souber, por favor, se manifeste~

Fora que: sabe aquele programa super popular, o Big Brother Brasil? Pois é, foi inspirado em quê? Nesse livro. Inclusive, o nome Big Brother é referência direta ao grande comandante do Partido, o Grande Irmão. Surreal demais.


Orwell foi muito genial ao escrever esse livro e antecipar toda a nossa geração atual. Só peguei amor por esse homem ao ler 1984.

Por que ele é ruim? Não é ruim. Inclusive, de todas as distopias clássicas que já li, essa foi a mais tranquila de ser lida. Georginho foi bem didático e claramente escreveu um livro acessível, pra que todos pudessem lê-lo e não apenas a elite "intelectual".

A única coisa que me deixou AAAAAAAAAAAH foi que o final dele é bem triste. Não darei spoilers, mas não vá ler esse livro esperando uma história incrível de como o cidadão comum pode vencer um governo totalitário porque não é o que vocês encontrarão, risos. Mas foi coerente com a vida real, então apenas estrelinhas pra ele.

Você vai gostar se: curte distopias, é fã de Jogos Vorazes ou Admirável Mundo Novo ou apenas gosta de um livro bem escrito com uma crítica afiadíssima à política.

P.S.: passei a achar Jogos Vorazes tão divertido e leve após esse livro...

Em um quote:
Guerra é paz. Ignorância é força. Liberdade é escravidão. 

Hoje eu tô só o Jack Nicholson congelado


Estou digitando de luvas enquanto não consigo comer, já que a comida CONGELOU e nem dá pra esquentá-la porque pra isso eu teria de ir à cozinha a esta hora da madrugada, sendo que alguma pessoa muito inteligente e prática resolveu colocar a cozinha num cômodo separado da casa, na rua, e nem por obrigação vou sair do meu quarto quentinho pra aquele frio horroroso só pra esquentar algo que vai congelar novamente em dois minutos. 

Dito isso: tá frio. Pra caramba. 
Não entendo muito o processo do frio porque quando a previsão anuncia que vai fazer frio na semana você espera que ele venha chegando gradualmente, tipo criança quando quer pedir alguma coisa, não sabe como e começa a dar umas voltinhas até tomar coragem de pedir. 

Só que não é isso o que ocorreu porque Porto Alegre é a versão gelada de Lost: ao invés da chuva que aparece do mais absolutamente nada e do calor horroroso, temos um frio de quase O°C e sensação térmica abaixo de zero, totalmente digno da Suécia. 

Domingo estava tão quente que eu não sabia o que fazer pra usar alguma roupa e considerei seriamente a ideia de sair pelada com apenas um lençol enrolado ao corpo e chamar isso de moda, já que não havia levado roupa pra calor e fazia TRINTA E UM FUCKING GRAUS. Aí você me pergunta como se sai de 31°C pra 5°C em menos de 24 horas e eu apenas lhe responderei com um olhar totalmente desalentado e sem palavra alguma porque nessas alturas a minha língua já congelou. 

A única coisa que me consola um pouco é que só faltam duas semanas pra eu entrar em férias porque essa rotina de estudar à noite numa PoA abaixo de zero não é a coisa mais recomendável pra saúde, não.

Não duvido nada eu acordar amanhã e me deparar com as ruas entupidas de neve. 


E aí que estava eu reclamando - sempre - no twitter com os meus botões sobre a total inabilidade pra fazer um novo layout pra o blog quando a dona Juli me oferece esse, lindo & funcional. Já lhe agradeci, mas agradeço novamente porque sou dessas pessoas que não conseguem escrever se não se sentirem ~à vontade~ com o design em questão. Thanks ♥ 

Agora licença que vou assistir a mais um episódio de Grace and Frankie pois sou uma senhorinha. 

Alucinadamente feliz, só de raiva

Alucinadamente feliz
Jenny Lawson
Intrínseca
349 páginas
Ano de publicação: 2016 
Sobre o que é: Jenny já estava cansadíssima de sempre levar rasteiras da vida e ficar triste e com crises de depressão e ansiedade porque não está fácil. No dia em que ela ficou sabendo da morte de um amigo, decidiu que JÁ CHEGA e o universo que lide com isso: ela iria ser alucinadamente feliz, só de raiva

Por que ele é bom? Era um dia de um calor absurdo em Porto Alegre e eu estava no centro da cidade esperando por uma amiga. Estava tão calor que resolvi entrar em uma loja pra poder pegar ar-condicionado. Aí entrei numa livraria. A ideia era não comprar nada. Eu realmente consigo resistir a livros. É difícil, sempre dá aquela agonia de PRECISO LER, mas me seguro e lembro que tenho mais de 60 livrinhos em casa esperando por serem lidos. 

Porém, a amiga estava demorando e eu já ficava entediada, então fui ver as prateleiras pra ver o que tinha de bom. Olha, sendo bem sincera: era tudo uma bosta. Trocentos lançamentos bobos com enredos clichês que não me atraíam nem um pouco. Mas o ar-condicionado tava bom, então fui ficando. E foi aí que vi um guaxinim com um sorriso congelado estampado numa capa cheia de brilhos dourados. Peguei. Só de ler que a mulher escreveu um livro sobre ser ALUCINADAMENTE FELIZ, SÓ DE RAIVA, eu sabia que nos daríamos super bem porque esse é o tipo de coisa que eu total faço: ser feliz só de birra com o universo. E foi assim que ele veio morar na minha estante. 

Alucinadamente feliz é exatamente o que promete a capa: um livro engraçado sobre coisas horríveis. Mas ele é tão bom porque a Jenny é gente como a gente: blogueirinha que escreve sobre a vida e sobre causos bizarros que acontecem com ela porque ela parece ter um ímã que atrai toda a loucura do universo. 

Jenny tem alguns distúrbios como ansiedade, depressão e síndrome do pânico, o que complica pra caramba a vida dela porque a mulher é uma escritora introvertida que tem várias crises do mais absoluto nada que só quem tem esses problemas sabe como é. Mas ela decidiu fazer piada de si própria e ver coisas boas em acontecimentos horrorosos. Como, por exemplo, encontrar um guaxinim morto no seu jardim! Jenny encontrou um guaxinim morto no jardim e resolveu fazer o quê? EMPALHÁ-LO EM POSIÇÃO DE ETERNA COMEMORAÇÃO E COM UM SORRISO FIXADO NOS LÁBIOS, é claro. E o chamou de Rory. E anda com ele por aí pela casa assustando pessoas enquanto seu marido trabalha no skype. Porque se não for pra ser assim então que o universo não envie guaxinins mortos, oras. 


A MULHER TEM UM GUAXINIM EMPALHADO COM OS BRAÇOS ABERTOS E SORRINDO ETERNAMENTE, não tem como um livro que conta isso ser ruim. 

Por que ele é ruim? Não é ruim. Só tem um capítulo que dá agonia porque ela fala bem abertamente sobre o transtorno de ansiedade e pra quem tem ansiedade é um capítulo bom pra se pular - mas ela avisa já no início que o troço é gatilho e se pode pulá-lo tranquilamente. 

Se eu recomendo a leitura? Não apenas recomendo como queria ser amiga pessoal da Jenny Lawson porque claramente Jenny = melhor pessoa. Fora que eu sou tão louca quanto ela e nós nos daríamos super bem ou seríamos mortas no processo. Uma das duas coisas aconteceria. 

Em um quote:
Hoje de manhã, acordei às seis para levar Hailey à escola, mas depois voltei para a cama e passei mais algum tempo deitada porque havia ficado acordada até as duas da manhã promovendo um rodeio de guaxinins mortos na cozinha. (p. 48) 

Liebster award

Ou: a tag cujo nome não sei pronunciar. 

A dona Tati salvou a vida de todas nós ao repassar a ressuscitada tag dazantigas das 11 coisas - e rebatizada com um nome impronunciável, porém simpático. Estamos todos prontos pra blog-diarices? Estamos!

.regras

  • Escrever 11 fatos sobre você.
  • Responder às perguntas de quem te indicou. 
  • Indicar de 11 a 20 blogs com menos de 200 inscritos.
  • Fazer 11 perguntas aos blogs indicados. 
  • Colocar o selo do Liebster Award. 
  • Linkar quem te indicou: Limonada


.11 fatos sobre mim 

1. Troquei um nervous breakdown por férias e tô bem feliz maratonando Arquivo X e tomando limonada.
2. Sou a louca das séries e vejo basicamente tudo que tiver uma premissa estranha, bizarra e com alienígenas.
3. Eu adoro ficar sozinha e ninguém nunca me verá reclamando da minha solidão porque OLHA, quando sozinha posso andar pelada pela casa cantarolando Clarice Falcão ou fazendo os agudos da Rainha da Noite de A Flauta Mágica (Mozart ♥), entonces...
4. Uma das coisas que mais gosto de fazer é cozinhar docinhos e comidas com batata. BATATA É AMOR, BATATA É COMIDA MÁGICA.
5. Faço amizade com todas as pessoas isoladas do rolê, aí um dia tenho a brilhante ideia de apresentá-las e juntar os amigos numa confraternização gostosa pra todo mundo se amar. Os amigos se juntam, olham pra mim, dão aquela levantada de ombro, viram melhores amigos da vida e me ignoram solenemente - HISTÓRIA DA MINHA VIDA.
6. Aprendi inglês vendo Lost.
7. Gosto de roupas confortáveis e que mais parecem pijama do que roupa de sair, mas saio igual pois meu nível de vergonha na cara pra situações sociais é praticamente zero e prezo demais pelo meu conforto pra me importar com olhares tortos alheios.
8. Preciso me segurar sempre porque quando menos espero me dou conta de que estou cantando - e nem sempre é alguma música real, geralmente apenas canto sobre o que estou fazendo ou o que quer que passe na minha cabeça porque internamente vivo num musical e a minha verdadeira vocação é ser estrela de animação musical da Disney, como todos sabemos.
9. Minha média de leitura é de 30 páginas por hora dentro de ônibus mal-cheirosos e apinhados de gente estranha que parece desconhecer o conceito de banho.
10. Tenho livros em todos os lugares da casa e também em casas alheias porque não consigo me conter e preciso urgentemente de uma biblioteca só minha ou não terei mais onde colocar nada porque os livros têm total espaço na minha casa e no meu coração. ♥
11. Durmo com dois ursinhos de pelúcia abraçadinhos em mim porque tenho 23 anos e posso fazer o que eu quiser.

.11 perguntas feitas pela Tati 

1. Qual sua melhor lembrança da infância?
Isso é muito difícil de definir porque eu tive uma infância realmente bacana. Mas uma das melhores lembranças é de quando eu tinha uns 2 ou 3 anos e estava no galpão dos fundos de casa. Meu pai estava no telhado, ajeitando umas coisas e eu passeava com a minha motoca vermelha ♥ pelo corredorzinho que ele havia construído. Aí entrei no galpão, sozinha, e lá havia uma espécie de estante organizadora de metal pintado de verde musgo. Achei aquilo tão misterioso que fui me aventurar, né? Revirei tudo, encontrei revistas antigas de moda e culinária e fiquei apaixonadinha. Escalei a estante e fiquei lá, sentadinha, olhando as revistas e rindo até meu pai me encontrar. Não tem nada de especial, mas foi um momento ~puro~, sabe?

2. Quando a blogosfera passou a ser parte da sua vida?
A blogosfera como leitora assídua: 2008, quando eu lia o blog da Lolla e achava aquilo tudo incrivelmente bacana e desejava fazer parte. Como pessoa que escreve: 2009, quando criei meu primeiro bloguinho, que se mudou pra cá em 2010. Era muito legal essa época porque a gente tinha comunidades no orkut (sdds orkut) em que realmente interagíamos uns com os outros e as coisas não se resumiam a uma competição de likes. A gente falava sobre a nossa vida de uma forma simples e divertida e ninguém ficava enchendo o saco com "obrigada por prestigiarem meu trabalho no blog". ISSO NÃO É TRABALHO, CARAMBA, ISSO É UM HOBBY BACANA! Okay, virou trabalho pra alguns, mas que preguiça, sabe?

3. Se você só pudesse ouvir uma música pelo resto da vida, qual seria e por quê?
Gente, mas que pergunta desgracenta é essa? Sei lá. Acho que se eu ~pudesse~ ouvir apenas uma música pelo resto da vida escolheria ficar em silêncio porque ia ser muito triste e enjoativo isso. Mas se fosse pra realmente escolher uma, seria Hungarian Rhapsody n°2, do Liszt.



4. Qual seu self care favorito?
Não sou uma pessoa particularmente vaidosa - que forma bonita de dizer que tô 100% nem aí hahaha -, mas sempre passo manteiga de cacau na boca antes de dormir e uns cremes hidratantes (no momento o queridinho é um gel de maracujá maravilhoso).

5. Se precisasse escolher, preferiria uma viagem com tudo pago para a Itália ou uma biblioteca completa dentro da sua casa?
VIAGEM PRA ITÁLIA. Apesar da minha obsessão por literatura, livros posso conseguir ao longo da vida - e mal dou conta dos que tenho aqui -, mas uma viagem com tudo pago pra um dos lugares que mais quero conhecer? Sem chance de dar outra resposta. Fora que eu poderia ler durante a viagem tomando vinho e comendo queijo, Ó QUE MARAVILHA. (O que total me lembra a vez em que quase casei com um italiano, hahahaha melhor historinha)

6. Qual foi o último filme que você viu no cinema?
Não sou uma pessoa de cinema. No momento em que existem tecnologias que me permitem assistir filmes no conforto da minha cama, de pijama e tomando chocolate quente, opto por elas. Mas acho que o último filme que vi foi Star Wars: O Despertar da Força.

7. Como diria Kelly Key: mais uma noite chega, e com ela a depressão?
A noite chega, e com ela a insônia.

8. Mil reais ou uma foto com o Raça Negra?
Mil golpinhos, né amiga. A única foto com ~celebridade~ que eu gostaria de ter é com o Freddie Mercury, mas teria de fazer uma sessão espírita e fotografar ectoplasma, então melhor não.

9. Qual sua palavra preferida?
Se eu tivesse uma palavra preferida ela total substituiria o nome deste blog, que não faz sentido algum e tá aí há anos porque sou a pior pessoa pra formular títulos.

10. O que o ano de 2017 está sendo para você?
Não seeeeeeeeeei. Este ano tá tão calmo e sem grandes conflitos que tô até nervosa porque quando a coisa degringolar vai ser feio. Mas por enquanto tá sendo um ano de novos começos e de olhar bovino. Me acostumei tanto a estar sempre no limite que não sei como proceder em períodos de tranquilidade.

11. Se precisasse escolher um dos namorados da Taylor Swift para ficar com ela pra sempre, qual seria? 
Juro que tive de recorrer ao Grande Oráculo pra saber quem essa menina namorou. Não acompanho a vida da Taylor, nem gosto das músicas dela, então... Porém, o gosto dela pra rapazes não é nada parecido com o meu, então... Nenhum. Desculpaí, sou chata mesmo. ¯\_(ツ)_/¯

Como a Tati já indicou basicamente todo mundo que eu indicaria, vou indicar somente algumas pessoas (e eu realmente espero que cês respondam porque é muito bacana essa vibe tag oldschool, mas ninguém é obrigada a nada): Helenita, Juliana, Carolina, Selma, Cacá e a Bruna.

.11 perguntas pras gurias

1. Qual livro você gostaria de ter escrito?
2. Você tem/teve animais de estimação? Conte uma história sobre ele ♥
3. Você coleciona alguma coisa? O quê?
4. Qual é a história do nome do teu blog?
5. E a história do teu nome? Sabe por que teus pais te deram ele?
6. Se você pudesse ressuscitar qualquer figura histórica da humanidade, qual seria?
7. Qual foi o último livro que você leu?
8. O que você mais tem escutado nos últimos tempos?
9. Numa época de vlogs e newsletters, por que você ainda mantém um blog?
10. Se você pudesse trocar de lugar com qualquer personagem de livro, filme ou série, com quem trocaria?
11. Se sua vida fosse um filme quem seria o diretor?
12. Você tem alguma pequena obsessão - por algum assunto, uma época, um personagem histórico...? Se sim, qual?

É isso, gente.
Não sei fazer post pequeno, c'est la vie.
Sejam felizes, comam aveia

Resuminho de maio

A gente sabe que o ano tá terminando quando passam abril e maio e chega o temido e confortável mês de junho. Temido porque METADE DO ANO; confortável porque FESTA JUNINA AMO DEMAIS ♥ 

Já inaugurei junho tomando quentão com o namorado e comendo pipoca caramelada enquanto assistíamos a um episódio de Doctor Who. A vida tem sido bem feliz apesar (ou talvez justamente por causa) de toda essa continuidade do tempo que simplesmente não dá uma folga pra um respiro. 

Com todas as aloprações que aconteceram, não fosse pelo meu registro nos cadernos de anotar a vida (a.k.a. bujo) eu não faria ideia de que o tempo realmente passou e estaria aqui reclamando porque nada aconteceu. Mas aconteceu, sim. Maio foi só amor. 

.do que li 

Foram 6 livrinhos lidos em maio, quase todos maravilhosos e 5 deles escritos por mulheres. Maio foi o mês em que me dei conta de que realmente tenho lido mais mulheres - e isso é muito bacana porque nunca tive essa preocupação e, não tendo, acabava não apoiando as artistas que temos por aí. 

1. Antes de saber da série soube do livro e fiquei bem louca pois: caríssimo. Mas aí, um dia entrei na biblioteca e lá estava ele, na estante de recomendações de leitura. O homem do castelo alto é louco, louco, louco. Tudo acontece nos anos 80 em uma realidade distópica em que o nazismo ganhou a guerra e tá todo mundo completamente ferrado pois Alemanha e Japão comandam tudo e todo mundo tem que viver caladinho e obedecendo, em completa servidão, ou vira escravo. Só que tem um cara, o homem do castelo alto, que resolveu escrever um livro sobre outra realidade alternativa, contando como seria se os EUA tivessem ganhado a guerra. E tem gente que lê esse livro escondido e vai atrás dele. Então é um livro dentro de um livro dentro de um livro sobre realidades alternativas aaaaaaaaaaah adorei ♥ (mas ainda não vi a série pois t e m p o) 

2. Tinha comprado de presente, mas acabei não presenteando porque achei que a pessoa não mereceu ao ser grossinha comigo. Sou dessas. E foi a melhor coisa que fiz pois Outros jeitos de usar a boca é o melhor livro do ano. Li em uma sentada, desgracei completamente a cabeça, correram muitas lagriminhas. Aí fui ler de novo porque a gente gosta é de coisa que nos toca. E reli mais uma vez pra escrever sobre aqui no blog e também lá no Valkirias. MELHOR LIVRINHO VÃO LER ISSO 

3. No outro dia já engatei a leitura de um livrinho que comprei junto com o da Rupi: Profissões para mulheres e outros artigos feministas é aquela coisa que nos conforta porque Virginia Woolf, essa mulher incrível, era gente como a gente e começou escrevendo resenhas de livros pra jornais da época, sempre criticando numa perspectiva feminista e isso é sensacional demais. 

4. EU AMO TANTO ESSE LIVRO, sei nem dizer por que não o havia relido antes. O que mais gosto nos livros da Isabel Allende é que todo mundo se ferra de uma forma bonita e mágica. Queria muito que a vida também fosse ferrada de uma forma bonita e mágica, mas geralmente ela só é ferrada mesmo. O bonita e mágica fica por nossa conta. Mas A casa dos espíritos é lindo, lindo, lindo e só tem mulher forte e poderosa que se opõe ao patriarcado num Chile do início do século passado. Quero reler todo ano pois necessário. ♥ 

5. Aí que também inventei de ler dois livros da Chimamanda: o já tão conhecido Sejamos todos feministas e o lançamento Para educar crianças feministas e, gente: tirando o hype de lado, por que cês gostam tanto desses livros? Sério, vamos fazer uma crítica decente aqui. Porque olha, veja bem, eu também apoio 100% a palavra do feminismo, mas o feminismo da Chimamanda não me representa, não. Poderia dissertar a respeito, porém o fato é que: feminismo em que cabe homem não é feminismo, é paliativo. E vocês podem discordar à vontade, tô nem aí. Sou unpopular opinion mesmo, mas não vou engolir qualquer coisa só porque tem a palavra f e m i n i s m o em letras garrafais no título. 

.do que vi

Vi pouquíssimas coisas em maio porque muitos eventos e muito sono: foram 2 filmes que eu já tinha visto e 3 séries que eu amo demais. 

1. Insidious é o único filme de terror que me dá medo - junto daquele do Ethan Hawke em que tem um demônio que faz as crianças assassinarem suas famílias e filmarem tudo no processo. Vi com o namorado porque ele não conhecia filmes de terror que dão medo. Depois, ficamos vendo Júpiter e Saturno pelo telescópio. Foi bem bacana pra tirar o medo até da própria sombra. 

2. Terminei a 6ª temporada de OUAT e já estou chorandinho pois temporada que vem metade do elenco não mais estará ali e eu sou fangirl sim, cês me perdoem. 

3. Namorado organizou uma sessão de O Senhor dos Anéis - A sociedade do anel e foi bem legal, exceto que c e r t a s p e s s o a s* não calaram a boca um segundo sequer e ficaram comparando o livro com o filme e parecem ter decorado partes inteiras do livro e começaram a recitá-las e eu queria bater em todo mundo porque esse é o pior tipo de pessoa. Enfia o livro no orifício anal, sabe? Se alguém quisesse saber do livro estaria lendo-o e não vendo o filme, caramba. *apenas para deixar claro que essas pessoas não eram meu namorado e eu porque somos queridos e sabemos que hora de filme é hora de filme, risos Mas foi legal mesmo assim, apesar dos momentos de raiva. 

4. Estamos vendo a nova temporada de Doctor Who, provavelmente a minha série preferida de todos os tempos ♥ Tá boa a temporada, só teve um episódio cagado até agora, mas de resto tá bem interessante e NÃO VOU DAR SPOILERS, MAS QUERIA MUITO se você também está vendo a season, comenta aí e vamos spoilear tudo. 

5. Vi a sexta temporada de New Girl e achei que o final foi tão digno que não entendi por que renovaram, sinceramente. Quer dizer, Nick virou um grande escritor, Jess tá nas de sempre - única personagem que não teve um real desenvolvimento na série, sendo eternamente a manic pixie dream girl -, o resto tá feliz com seus parzinhos... Achei coerente. Por mais que eu ame essa série não vejo necessidade de uma nova temporada, mas tô felizinha pois é a chance de desenvolverem a Jess!!!! 

.do que estou lendo 

1984, meu amoooooooor ♥ Tá bem legal, tô quase no final, mas questões: 
a. qual era o posicionamento político de George Orwell? Porque uma hora ele defende o capitalismo, noutra ele é todo o comunismo vencerá. Estoy confusa. Helenita, me ajuda. 
b. qualé a necessidade de reservar na biblioteca um livro de literatura que não consta no currículo de nenhuma disciplina? Sério mesmo. Você, pessoa que reservou esse livro e está me fazendo correr com a leitura, mesmo que eu tenha trocentas coisas pra ler/fazer, espero que você tenha uma daquelas diarreias de dar dó no dia da entrega do livro, porque você não merece coisas boas. Hunfs. 

.do que estou vendo 

1. Arquivo X, porque não resisto a uma história com alienígenas, conspirações e gente pirada ♥ 
2. Ainda com Doctor Who, pois a temporada não acabou e tá cada vez melhor. 
3. Também ainda estou vendo Anne with an E porque todos os episódios são amorzinho, mas dão uma coisa no coração pois que triiiiiiiiste. 

.o que mais teve? 

Olha, questões. Maio é um grande about_blank no meu cérebro, mas teve algumas coisas bem bacanas: 

Recomecei a usar o twitter! Tinha esquecido de que é lá que as ~coisas~ acontecem e como aquilo é muito melhor do que o saite do Mark Zuckerberg só pelo fato de não ter stories everywhere. Inclusive, sigam-me as crianças prodígio que acabaram se tornando adultos mais ou menos cuja única vitória é se conter e não almoçar pipoca de micro todos os dias: @buongiornomia 


Teve MUITO TEXTO BACANA no Valkirias porque Valks = melhor site cultural dessa interwebs ♥ 
• Como foi o mês das mães, as gurias se propuseram a escrever textos sobre mães na cultura pop e nisso saiu um dos textos mais interessantes que já li sobre o assunto: O conto de aia e como a maternidade é uma grande questão de gênero;
• A Fernanda se propôs a fazer uma coisa que já deveríamos ter feito há muito tempo: entender a senhora Bennet, mãe de Lizzie e mais 4 garotas em Orgulho e Preconceito, livro queridinho de todas; 
• A JuMed falou da Lily (HIMYM) e da Lorelai (Gilmore Girls) pra tentar entender como se dá o processo de ser mãe em sitcoms; 
• Saindo um pouco da questão maternidade, escrevi uma ode às escritoras clássicas porque elas são maravilhosas e merecem a nossa atenção; 
• Também escrevi sobre a Rupi Kaur e seus outros jeitos de fazer poesia porque estou completamente encantada por essa mulher ♥ 

Pela interwebs teve: 
• Raquel falando algo bem necessário sobre 13 reasons why (e se você, assim como eu, não aguenta mais ouvir falar nessa série, dê ao menos uma chance pra o texto da Raquel porque ele vale a pena, sim); 
• A querida da Ju Skwara falando sobre a leitura dela de Brida, do Paulo Coelho (sim, lemos Paulo Coelho; não, não tô nem aí pra o seu preconceito literário); 
• A Larie falando sobre um dos meus livros preferidos da vida - Um dia, do David Nicholls. Ela falou de uma forma tão real, tipo conversa de amiga, que recomendo a leitura mesmo pra quem não tiver lido o livro ou visto o filme; 
• Também teve um texto bem polêmico, mas realíssimo, no Delirium Nerd falando que podemos admirar a Mulher Maravilha, mas não Gal Gadot

E é isso, gente. 
Sempre me prometo não fazer textão no resuminho do mês, mas acabo fazendo e transformando isso num resumão. Midesculpem, mas é o que temos pra esta encarnação. 

.01 lembrete 

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Entendendo A Elegância do Ouriço e sua crítica ao sistema

A elegância do ouriço 
Muriel Barbery
352 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2008 
Sobre o que é: Renée é uma senhorinha que trabalha como concierge num edifício de gente riquíssima em Paris. Só que além de ela ser a zeladora, também adora ler sobre Filosofia, literatura russa e ver filmes clássicos do cinema japonês. Porém, ninguém sabe disso porque ela finge ser o estereótipo da zeladora pobre e velha que é mega ignorante e adora ver programas de auditório na tevê. Mas tudo muda quando ela começa a fazer amizade com um senhorzinho japonês que aparece no prédio e também com uma menina de 12 anos que decide que é inteligente demais pra viver e planeja se matar. 

Por que ele é bom? Quando dona Muriel resolveu escrever esse livro, tenho pra mim que ela quis dar uma de Jostein Gaarder da França e colocar questões filosóficas de forma didática. Mas é claro que não ficou a mesmíssima coisa, pois Jostein escreve pra um público infanto-juvenil, enquanto Muriel tem um público bem adulto.

Só que o mais legal do livro é a forma bem humorada com que ele é conduzido. Temos Renée, uma mulher superinteligente, porém pobre, que se finge de burra pra não ter de ouvir humilhações das pessoas ricas pra quem trabalha. Tem uma menina de 12 anos que decide se matar no dia do seu aniversário de 13 simplesmente porque se acha profundidíssima e pensa que já assimilou tudo o que era pra assimilar da vida. Achei muita graça dessa menina porque aos 12/13 anos eu também achava que sabia de tudo e nunca havia existido um ser humano mais profundo e triste com sua realidade não valorizada do que eu. LEDO ENGANO. A menina é tipo uma emo de mal com a vida, exceto pelo fato de que ela acha emos - e quaisquer outras pessoas - ridículos, mas enfim. E também há um senhorzinho japonês muito amorzinho que é o elo de união entre Renée e Paloma (a menina). ELE É MUITO AMORZINHO! E por conta dele ocorrem as cenas mais divertidas de todo o livro.

É esse senhorzinho japonês que torna tudo muito leve e bacana. Também dá pra fazer várias reflexões sobre capitalismo, cultura oriental, a crueldade das pessoas ricas e a frivolidade de quem não tem de ganhar seu pão a cada dia porque já possui uma vida garantida. Simplesmente excelente e inteligentíssimo - mas sem aquele tom pedante que faz com que nós, meros mortais que não estudam Filosofia, nos sintamos estúpidos.

Por que ele é ruim? Porque tristíssimo. Mas pensem numa coisa triste MESMO. Esse livro me fez chorar por meia hora num ônibus lotado porque simplesmente tem uma coisa x que acontece que não poderia acontecer naquele momento. A dona Muriel é uma senhorinha bem cruel, devo dizer.

~imagens reais de como fiquei ao terminar o livro~

Mas outro ponto que me incomodou foi que Renée, a protagonista, é extremamente conformada com sua situação. A mulher é autodidata, bambambam, sabe de vários conceitos filosóficos, e mesmo assim se resigna à sua condição de mulher pobre e chega a desfazer de idealistas como Marx, que escreveram obras justamente defendendo a condição do proletário de assumir seu lugar na sociedade, tudo porque ela não consegue ver a aplicação real daquilo e acaba ficando amargurada e solitária, vivendo num mundo cruel que trata mulheres pobres como o resto do resto.

Renée tem uma autoestima quase inexistente e se sente inferior a todos ao redor dela, mesmo sendo mais inteligente do que eles. Isso me quebrou o coração pois vivemos num sistema extremamente desigual, em que o valor de um indivíduo não é seu conhecimento ou sua capacidade (intelectual, emocional etc.), e sim suas posses, sua conta bancária.

Passei muita raiva lendo as passagens em que aparecem os ricos e seus filhos, jovens mimados de classe média alta ou classe alta, que não se contentavam em somente ter todos os privilégios que o dinheiro pode comprar, mas também precisavam tratar com arrogância e humilhar as pessoas pobres mais e mais a cada oportunidade. O mais revoltante disso tudo é que não é nada apenas ficcional, que não possa ser aplicado à vida real: cada vez mais se pode perceber a forma com que o capitalismo infla o ego daqueles que possuem condições financeiras - mesmo que o intelecto deixe por desejar - e quebra a autoestima de quem vive à margem, dependendo de um salário ridículo e da boa vontade de outras pessoas para viver de forma relativamente digna.

É realmente absurdo isso - no entanto, essas questões não tornam o livro ruim, apenas fazem com que bata aquela tristeza durante a leitura. Mas a crítica da autora é muito válida e presente. 

Se eu recomendo a leitura? Sim, sempre! Esse é um daqueles livros perfeitos pra se ler em dias chuvosos, enquanto se olha a chuva cair e se pensa que MORTE AO CAPITALISMO E À DESIGUALDADE SOCIAL, cof, cof.

Em um quote:
A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. (p. 152)