Nolite te bastardes carborundorum

O conto da aia 
Margaret Atwood
368 páginas
Rocco
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: por meados dos anos 80 um grupo fundamentalista teocrático aplica um golpe aos Estados Unidos, que passa a viver uma ditadura baseada nos preceitos bíblicos. É nesse cenário que conhecemos Offred, a nossa narradora, que nessa nova República de Gileade se tornou uma aia, ou seja, uma serva abençoada por Deus pra dar filhos àqueles que não conseguem mais tê-los. É uma distopia assustadora sobre o que acontece quando religião e política se misturam - mulheres oprimidas, pessoas sem direitos e abusos de poder pra todos os lados justificados em nome da fé. 

Por que ele é bom? Eu demorei uma semana e meia pra conseguir escrever esta resenha porque muitos feelings. Tudo que eu disser a respeito de como esse livro é bom não será nada comparado ao livro em si porque ele é excelente.

Talvez o fato de eu ter sido criada numa família extremamente religiosa fez com que eu tivesse medo genuíno enquanto lia as páginas desse livro. Mas seja lá pelo que for, o que nos faz ter medo do que a aia fala é que tudo o que é descrito pode ser real. Poderia ser. Poderia se tornar realidade. Basta que apenas algumas pessoas fiquem quietas em meio a mudanças sociais que restringem direitos de algumas partes da sociedade pra que esse tipo de realidade aconteça. Não é tão impossível assim.

Tudo começa aos poucos e então a coisa fica violenta. No início, as contas de banco de todas as mulheres são bloqueadas. E então é um passo pra que elas não possam mais trabalhar e tenham de depender inteiramente de seus pais e maridos. Não é muito diferente do que acontece em alguns países ainda hoje. Se a gente olhar, por exemplo, o que foi o regime Talibã no Afeganistão (há pouco mais de dez anos), veremos que essa realidade não está tão longe de nós quanto podemos pensar.

O livro é incrível porque é uma distopia que poderia ser real e que já se tornou realidade pra muita gente. E vamos lembrar que ele foi escrito na década de 80.

Tem um diálogo que a Offred, narradora de O conto da aia, tem com a mãe dela antes da ditadura teocrática tomar o poder que me fez pensar muito a respeito das coisas que estão acontecendo atualmente e como elas estão acontecendo: 

"Vocês jovens não dão valor às coisas, dizia. Não sabem as coisas por que tivemos que passar, só para conseguir fazer com que vocês chegassem onde estão. Olhe só para ele cortando as cenouras. Vocês não sabem quantas vidas de mulheres, quantos corpos de mulheres os tanques tiveram que passar por cima só para chegar a este ponto?
Cozinhar é o meu hobby, dizia Luke. Gosto de cozinhar.
Hobby, coisa de trouxa, diria a minha mãe. Você não precisa inventar desculpas para mim. Houve um tempo em que não lhe teria sido permitido ter um hobby desses, teriam chamado você de bicha.
Não, mãe, eu dizia. Não vamos começar a discutir por nada.
Por nada, dizia ela com amargura. Você chama isso de nada. Você não entende, não é. Você não entende absolutamente nada do que estou falando."

Fora toda essa crítica social a religião vs Estado, também há a questão da maternidade: mulheres estéreis eram literalmente consideradas Não Mulheres, retiradas da sua condição de gênero e passavam a trabalhar em campos altamente contaminados com radiação, pois não faria parte da sociedade quem fosse velha ou não pudesse produzir filhos. Nós, desde crianças, somos expostas a filmes e livros e todo o tipo de mídia e história sobre como a maternidade é maravilhosa e completa a mulher. Só que não é bem assim. E ainda bem que hoje em dia temos uma certa noção de que podemos dizer não a esses padrões sociais e viver nossas vidas sem filhos - ou com, se for uma escolha nossa. Mas imagine viver em uma sociedade em que você só tem valor se puder parir. E se você não puder parir, por ser velha ou coisa do tipo, mas estiver casada, então seu marido arrumará uma aia, uma mulher jovem e fértil, que lhe dará filhos - assim como os patriarcas da Bíblia fizeram. Horrível.

É assustador, mas necessário pra vida fazer essa leitura.

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Por que ele é ruim? Ele não é ruim de forma alguma, mas a leitura foi bem cansativa nas primeiras quarenta páginas. Só que isso se dá pelo fato de que, além da narrativa ser exaustiva por tratar de temas tão pesados, a narradora fala em primeira pessoa e eu tenho certa dificuldade com livros em primeira pessoa porque é tudo muito íntimo, muito restrito ao olhar daquela narradora. Prefiro livros com um narrador universal. Mas isso é questão de preferência mesmo. O livro não perde em nada por conta disso.

Você vai gostar se... for uma pessoa crítica, que gosta de distopias por elas nos trazerem cenários possíveis que devemos evitar. Também vai gostar quem gostou das distopias clássicas, como 1984 e Admirável mundo novo.

Em um quote:

"Somos para fins de procriação: não somos concubinas, garotas gueixas, cortesãs. Pelo contrário: tudo o que era possível foi feito para nos distanciar dessa categoria. [...] Somos úteros de duas pernas, apenas isso: receptáculos sagrados, cálices ambulantes." 

O cúmulo do ridículo

É estar andando tranquilamente da estação de trem pra o Mercado Público comprar 1 quilo de aveia e ser abordada por duas mulheres armadas que me roubaram exatamente: 
- meu CPF que estava quebrado e eu precisaria trocar de qualquer forma; 
- o cartão de um banco em que eu não tenho absolutamente nada; 
- 1 espelho arranhado; 
- 1 porta-níquel caindo aos pedaços; 
- uns trocados tão ricos que não dava pra comprar nem um livro; 
- 1 celular estragado que estava ali só em caso de roubo mesmo. 

O único inconveniente foi o CPF, de resto estamos de boas, estamos tranquilas. 

Mas que é ridículo, é. 

Affs

E é por isso que eu não gosto de pessoas

As pessoas sempre perguntam: "Mia, por que tu tem tanta raiva?", "Mia, por que tu não gosta de pessoas?" e variações ridículas dessas perguntas. A resposta é sempre a mesma: porque eu moro em Viamão e passo horas no transporte público todos os dias e não tem como você manter a serenidade nessas condições. 

Viamão é uma cidadezinha-dormitório que fica ao lado da capital, Porto Alegre. Quem já foi a Porto Alegre, especialmente pelo centro, sabe que aquilo é o inferno em forma de metrópole: gente gritando, gente suada, gente expelindo fumaças fedidas e fazendo com que seu banho com óleos perfumados e hidratação não adiante de nada porque todo mundo fede nessa cidade maldita. 

Viamão é pior. 

Por mais que Porto Alegre seja uma cidade dozinfernos porque as pessoas de todas as cidades vizinhas vão pra lá e tem uma lotação incrível de gente estranha, de todos os tipos, circulando em todos os lugares, por algum motivo - talvez justamente por ser MUITA gente - o povo se controla um pouco e é minimamente educado. 

Isso não acontece em Viamão. 

Em Viamão as pessoas só não se chutam porque todo mundo se cuida muito pra não ficar no caminho de ninguém. Pegar um ônibus viamonense significa andar no transporte oficial de Satanás porque é uma mistura de tudo que é ruim: sujeira, ônibus caindo aos pedaços sem manutenção e que não veem uma água com detergente há uns bons anos, cheiros estranhos de vômito, cachaça e cheetos, horários que simplesmente não são cumpridos pois os motoristas de Viamão são espíritos livres e encaram a tabela de horários como uma mera sugestão da empresa, cobradores que não dão troco e gente mal-educada. 

Veja bem, tudo isso que eu falei é apenas uma amostra porque o horror mesmo está no último item: as pessoas mal-educadas. E se você vier aqui me dizer que é preciso amar as pessoas com se não houvesse amanhã e toda essa vibe só-o-amor-salva eu vou lhe dar uns tabefes virtuais porque vá tomar no meio do seu cy. Eu odeio gente mal-educada e jamais compreenderei pessoas que vão pra um transporte coletivo pra azucrinar a existência alheia. 


As pessoas nos ônibus dessa cidade dozinfernos - que nem hospital tem porque FECHOU e cujos postos de saúde não funcionam - simplesmente entram nas viagens pra fazer seu pior. Cada viagem é como uma competição de Quem Pode Fazer Pior. A começar pelo fato de que aparentemente ninguém toma banho. Não sei quantas vezes tive que enrolar a echarpe na cara porque não estava sendo possível respirar sem querer vomitar a cada segundo por causa do fedor. Não sei como diabos alguém sai de casa fedendo, mas as pessoas de Viamão têm esse dom e parecem não se importar nem um pouco com a palavra do sabonete. 

Como se isso não bastasse, elas gritam. O tempo todo. Sobre tudo. Porque aparentemente o cidadão viamonense médio desconhece o uso do volume normal e comedido em conversas. Ele quer que todo o ônibus escute o que ele diz. E grita. E gargalha. E grita mais um pouco. 

Imagine um ônibus com mais de setenta pessoas gritando e fedendo. Pois é. 


Aí vem o que aconteceu ontem. Uma noite infernal, 23h e eu cansadíssima só querendo ir pra casa. Não achei lugar pra sentar, havia cerca de 70 pessoas sentadas + 30 de pé e fiquei espremida num canto, de pé, esperando aquela longa viagem dozinfernos terminar. Mas parece que quando a gente quer chegar logo num lugar aí é que a coisa demora, e não foi diferente dessa vez.

Porém, tive sorte: vagou um lugar. Corri pra ficar sentadinha, abri o livrinho da vez (Brida, sim, do Paulo Coelho, e vocês aí com seu preconceito literário que vão catar coquinho) e fiquei felizinha lendo. Quer dizer, assim estava, até acontecer de um grupo de passageiros começar a ter uma animada reuniãozinha uns bancos atrás de mim.

Juro pela deusa que não é que eu odeie pessoas, mas ninguém coopera pra ser querido porque vamos combinar que a última coisa que se quer num ônibus lotado, fedido, que ainda tem 1h de viagem às 23h é ouvir gente gritando, gargalhando e fazendo tamanho escândalo que olhei pra trás porque jurei que uma daquelas pessoas estava com um megafone.

Mas a errada sou eu por detestar pessoas, né? É.

O resultado disso foi uma dor de ouvido por causa dos gritos dessa gente. Eu tenho ouvidos sensíveis. Não suporto nem gente falando alto perto de mim (vejebem que eu disse alto), que o fará gritando. A dor foi tanta que mal consegui dormir, acordei diversas vezes no meio da noite e fiquei com dor - que se espalhou pela cabeça - até metade da tarde de hoje. Mesmo medicada. Porque AS PESSOAS SÃO UNS VERMES SEM EDUCAÇÃO QUE NÃO SABEM SE COMPORTAR EM PÚBLICO!!!!

Mas a gente tem que amar as pessoas como se não houvesse amanhã senão o fantasma do Renato Russo vem puxar nosso pé, né?

É.
 

Um atlas todo feito de nuvens

Atlas de nuvens
David Mitchell
538 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2016 

Sobre o que é: David Mitchell decidiu escrever um livro com seis histórias diferentes, mas que na verdade são a mesma: a grande história da humanidade e como ela sempre acaba estragando tudo por causa da ganância e do desejo de poder absoluto. De acordo com o Skoob, o livro é sobre "um viajante forçado a atravessar o oceano Pacífico em 1850; um jovem compositor deserdado, conquistando à força de tortuosas invenções um modo de vida precário num solar da Bélgica, entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra; uma jornalista com princípios morais na Califórnia do governador Reagan; um editor menor fugindo aos seus credores mafiosos; o testamento de uma 'criada de restaurante' geneticamente modificada, ditado na ala da morte; e Zachry, jovem ilhéu do Pacífico que assiste ao crepúsculo da Ciência e da Civilização: são os narradores de 'Atlas de Nuvens', que escutam os ecos uns dos outros através dos corredores da história e veem os seus destinos alterados de várias maneiras." Eu não vou discordar, mas ele é sobre muito, muito mais do que isso. 

"Deitado no fundo do caiaque fiquei veno as nuve. As alma travessa os tempo que nem as nuve travessa o céu, e por mais que mude a forma e a cor e o tamanho da nuve ela continua seno nuve, e as alma tamém. Quem que sabe dizer de adonde que veio a nuve ou quem que a alma vai ser amanhã? Só Sonmi o leste e o oeste e a bussa e o atlas, é, só o atlas de nuve." 

Ano passado vi o filme que fizeram desse livro. É um filme gigantesco, de 3 horas, chamado Cloud Atlas (e horrivelmente traduzido como A Viagem porque por algum motivo o pessoal da indústria cinematográfica acha que brasileiro é burro e não entenderia a referência do título), mas que eu vi sem nem notar a duração e terminei querendo mais. Tanto que em seguida revi o filme. Fiquei completamente obcecada com a história e fui pesquisar sobre. Aí descobri que a Companhia das Letras havia recém lançado o livro aqui em nossas terras. EU PRECISAVA DELE. Fiquei tão contente que assim que consegui a parceria com a editora (♥) solicitei o livro. 

Eu sou uma pessoa que acredita em reencarnação, que acredita em outras vidas e que o propósito de uma alma não é cumprido em apenas uma vida, mas sim em várias. Também acredito que ninguém precisa ser O Grande Salvador pra ter um destino e que mudanças - destinadas ou não a acontecer - acontecem de pessoas comuns, gente como a gente que estuda, trabalha e vive da melhor forma possível. 

É sobre isso que esse livro trata. São seis histórias que se entrelaçam. Cada história se passa numa época diferente e tem pessoas diferentes, porém a gente percebe que algumas dessas pessoas são as mesmas, mas vivendo situações bem diversas, só que com um tema em comum: pessoas gananciosas querendo levar vantagem mesmo que os outros se ferrem. E é aí que essas personagens são colocadas em teste: me meter e acabar mal ou olhar pra o lado e esperar que outro tome conta da situação? 

As seis histórias são lindas, cada uma de um jeito. 
(Não tem spoilers, podem relaxar que não faria uma malvadeza dessas.) 

Na primeira, Diário de viagem ao Pacífico de Adam Ewing, um simples advogado americano do século XIX acaba se metendo numa viagem ao Pacífico e registra em seu diário as crueldades que ele viu serem cometidas contra negros e índios - e é aí que ele percebe que o admirável homem branco & europeu não é tão bonzinho assim e que os missionários cristãos não estão lá no meio dos índios apenas de boa vontade para servir ao "Senhor".

Anos depois, na segunda história, Cartas de Zedelghem, em 1931, um rapaz chamado Robert Frobisher é apaixonado por música e quer muito dedicar sua vida a isso, só que a família o rejeitou porque "onde já se viu um músico numa família renomada!", então ele tenta viver a vida sem nenhum tostão e acaba tendo suas ideias roubadas por um músico já prestigiado, mas velho e doente, que o emprega só pra poder produzir mais alguma coisa antes de morrer e ser conhecido por ter uma obra decente. Enquanto passa perrengues com esse músico, Robert acha um velho diário de viagem de um advogado americano e fica fazendo leitura daquilo, maravilhado. Enquanto isso, ele escreve cartas para Rufus Sixsmith, seu melhor amigo e amante. 

Mais alguns anos se passam e temos a terceira história, Meias-vidas - o primeiro romance policial da série Luisa Rey, meu núcleo preferido do livro, o núcleo jornalístico de Luisa Rey, uma foca cujo pai era um baita jornalista, mas que não quer viver à sombra do pai e infelizmente só consegue trabalho em um jornal que está 100% nem aí pra verdade dos fatos. Até que um dia ela fica presa no elevador com um senhorzinho físico chamado Sixsmith, que era o amor da vida do jovem Robert Frobisher lá na década de 30. Sixsmith acaba confiando naquela guria não apenas por ter ouvido falar do pai dela ou por ela parecer honesta, mas porque ela tem o mesmo sinal em forma de cometa que o Robert tinha. E aí Luisa se envolve numa conspiração louquíssima cheia de assassinos e problemas de gente com poder querendo mais poder. 

Não sabemos quanto tempo se passa entre a terceira e a quarta histórias, mas a quarta é a mais divertida de todas: O pavoroso calvário de Timothy Cavendish é a história de um senhorzinho editor de livros que foi parar num asilo horroroso graças a seu irmão, que o trancou lá dizendo que era um hotel. São horríveis as situações pelas quais ele passa, mas ele tenta matar o tempo lendo um manuscrito de um livro que ele recebeu: o primeiro romance policial da série Luisa Rey. E justamente essa história o inspira a fazer algo que ele nunca faria. 

Então muitos séculos se passam e estamos mais ou menos em 2250, na Coréia, e essa parte do livro é uma entrevista, Uma rogativa de Sonmi~451, em que a Sonmi, uma nascida-clone pra servir durante 12 anos numa rede de fast food, acaba se libertando e conhecendo o mundo fora daquele rede e percebendo como o governo escraviza pessoas para ter mais lucro. O mundo virou uma coisa louca, um Grande Império Capitalista, e as pessoas não são cidadãos, mas consumidoras. 

Novamente não dá pra saber quanto tempo se passa, mas a sexta história é no Havaí pós-Queda, ou seja: aquele mundo da Sonmi acabou sendo completamente tomado por consumidores e eles consumiram tanto que esgotaram os recursos naturais e toda sua produção tecnológica se extinguiu por falta de conhecimento pra lidar com aquilo e/ou matéria-prima. O vau do Sloosha e o que deu adespois é narrado por Zachry, um rapaz do Vale que um dia é obrigado a hospedar uma Presciente, uma mulher "das Ciença", do que restou da Queda, e vê sua vida mudar por conta disso. 


Atlas de Nuvens é um livro lindo, visualmente e também no conteúdo. Não gosto muito de livros com mensagens porque parece que eles tendem a ver o leitor como meio burro, que precisa ter uma moral da história pra entender as coisas. Também não acho que histórias precisem ter uma moral no final ou uma lição ou qualquer coisa que o valha. Acredito demais no poder da ficção de nos levar a outros lugares pra poder compactuar com essa ideia velha de que a gente lê pra aprender algo. A gente lê porque quer, porque gosta, porque é bom. A gente lê pra conhecer novos lugares ou pra se entreter. Mas não porque temos de aprender algo e fazer algo útil. A vida já nos cobra utilidade demais e certamente não precisamos colocar isso na nossa esfera de entretenimento e paz. 

Só que esse livro tem uma mensagem e não dá pra ignorar isso. Também não dá pra dizer que ele é ruim. Acho que o que o David Mitchell fez é genial porque ele não nos esfrega uma lição na cara ou nos diz "viram, é isso que vocês deixaram escapar e eu me dei conta e estou mostrando, rá!". O que ele faz é simplesmente nos acompanhar cenas de vidas de gente comum, de gente normal, de gente que estava ali vivendo e que se deparou com situações que poderiam e acontecem na nossa vida cotidiana: gente sofrendo preconceito, pessoas com poder aquisitivo e/ou intelectual humilhando outras, um governo sem escrúpulos que escraviza seu povo, mas diz que tá tudo bem. 

O livro não é sobre reencarnação, mas tem pistas sutis que mostram que as personagens foram as outras em tempos passados. Eu acho isso muito consistente com as minhas crenças, mas tudo bem não achar. O livro não vai ficar menos bonito ou interessante se a gente ignorar completamente o fator vidas passadas. 

"É isso aí, mais ou menos. A meia-idade passou, mas é a atitude, e não o número de anos, que condena uma criatura à condição de Morto-Vivo, ou então lhe concede a salvação. No mundo dos jovens vivem muitas almas Mortas-Vivas. Elas correm de um lado para o outro de tal modo que sua putrefação interior permanece oculta por algumas décadas, só isso." 

Uma coisa que eu achei incrível e não posso deixar de mencionar é que o autor (e o tradutor, convenhamos) fez algo que a gente não tá acostumado: usou uma linguagem pra cada parte do livro. Como são seis histórias que se passam em épocas diferentes, a linguagem muda completamente de uma pra outra. Na do Adam Ewing, temos aquela escrita bem clássica, de 1800 e antigamente. Já quando a gente chega na da Somni, vemos que os "h" caíram e palavras como "história" agora viraram istória - coisa que eu acho que total vai acontecer e realmente vejo nossa gramática caminhando pra uma forma mais simples de escrita. Só que a grande surpresa é quando chegamos à última parte e percebemos que a linguagem ficou absurdamente simples, com aglomeração de palavras e sendo tudo extremamente coloquial. Inteligentíssimo da parte do David Mitchell, hein. Um pouco trabalhoso pra leitura, mas nada que realmente vá atrapalhar. 


Somos todos gotas d'água, afinal de contas

É um livro lindo, lindo, lindo demais que precisa ser lido, relido e guardado com muito carinho pra eventuais consultas. (Assim como o filme. ASSISTAM AO FILME. Não tem como não gostar.) 

Resuminho de agosto


Depois de um merecido descanso pós-BEDA, estamos aqui pra falar de agosto. Agosto foi mês de BEDA, ou seja, teve texto todo dia aqui no blog porque o pessoal da blogosfera entra numa loucura coletiva todo ano - ainda bem, adoro isso. Mas é até difícil falar desse mês porque O QUE FALAR, já que está tudo registrado nos trinta e um dias de posts? 

Como eu já falei, bedar é sempre uma experiência bacana e de autoconhecimento, mas também cansativa demais. E justamente por isso que eu não consigo entender como li OITO LIVROS EM AGOSTO.

Quer dizer, não é como se eu tivesse passado meu agosto à toa, somente lendo livrinhos e escrevendo textos diários no blog. Tive aulas, tive de dar atenção pras pessoas (sempre um suplício porque por algum motivo que desconheço as pessoas querem que eu lhes dê atenção; acho que ainda não descobriram que eu sou uma pessoa desinteressante, mas enfim), tive de ser funcional mesmo com dorzinhas no joelho que ainda persistem e vontade de matar meio mundo porque as pessoas são muito mal educadas. Mas cá estamos, com 8 leiturinhas no mês.

.do que li 


Finalmente terminei de ler a saga Harry Potter e muitos feels. Não tantos quanto eu imaginava, mas mesmo assim muitos. Quer dizer, eu pensei que fosse chorar, que ficaria triste, que blablabla. Mas nem? Gostei demais, só que não foi aquela emoção toda que sempre vejo as pessoas falarem que sentem ao ler os livros - o último especialmente.

Agora, o que dizer de Harry Potter e a criança amaldiçoada? Acho que já disse tudo o que havia pra ser dito aqui, mas reitero e reafirmo que J.K. VOCÊ ESTÁ LOUCA. 


Também reli o meu livro preferido da vida, também conhecido como A insustentável leveza do ser. Recentemente saiu um certo vídeo por aí falando de como o livro é erótico e sem enredo e sem roteiro e, olha: apenas não. O livro é maravilhoso, nada erótico e o enredo existe sim, só que não é da maneira como estamos acostumados a ler. Enfim, melhor leiturinha do mês. ♥

Acabei lendo A guerra não tem rosto de mulher pra faculdade, mas é aquele tipo de leitura que fica pra vida porque todo mundo deveria ler esse livro. Sim, mesmo quem não gosta de reportagens. Sim, mesmo quem não é fã da temática ~guerra~. Isso porque a gente precisa conhecer a história das mulheres que lutaram na guerra. (E não, as mulheres não foram apenas enfermeiras na guerra, isso quem nos faz pensar é a indústria cinematográfica e nossos livros de história, que são escritos majoritariamente por homens.)

Também li meu primeiro livrinho da Jojo Moyes, Em busca de abrigo. É aquilo que já falei: pensei que fosse odiar, mas acabei gostando bastante pois não é meloso e trata de dramas familiares. Essa vibe famílias que se odeiam muito me apetece e o livro não foi nada do que eu esperava - ainda bem!

Ainda li outros dois livros que não estão nas imagens porque não achei imagens com resolução decente deles no Grande Oráculo: O livreiro de Cabul, que é outra reportagem que conta as impressões de uma repórter norueguesa que passou 3 meses morando com uma família afegã após a queda do regime Talibã, em 2001. Em uma palavra: tenso. O que ela mostrou com esse livro-reportagem são as condições horríveis em que vivem as mulheres afegãs, como elas são vistas como mercadoria e maltratadas por todos. É simplesmente horrível.

Depois disso desanuviei lendo algo engraçado de tão bobo - mas divertido mesmo assim. Descubra a missão de sua alma usando a astrologia kármica foi um livro que devorei em um dia pois divertidíssimo - e tem algumas coisas aplicáveis à vida, eu acho. Descobri que a cor da minha alma é vermelho escuro e, sendo coincidência ou não, essa é a minha cor preferida e estou sempre com alguma peça vermelha no corpo. Também descobri que preciso ser mais escorpiana, mas acho que ninguém aqui quer isso porque se eu tiver mais características escorpiônicas vou virar uma pessoa muito mais séria do que já sou e estamos bem com a vibe aquariana de ser.

.do que estou lendo 

Tô na metade de Atlas de Nuvens e cheguei naquela parte em que o Zachry narra e, gente: essa parte tá difícil porque o David Mitchell resolveu mudar a forma de linguagem pra cada narrador/época, o que eu achei bem genial, só que quando chegamos nessa época, que se passa num futuro pós queda da humanidade altamente tecnológica e os seres humanos vivem uma nova Era do Bronze, a linguagem é bem prática, com uma gramática terrivelmente pobre e isso dá nos nervos.

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Na lista de leituras próximas, tô bem aflita porque tenho uma pilha de uns 10 livros pra ler, mas minhas prioridades estão entre O conto da aia e Brida (que veio em parceria com a editora pra o Valks ♥).

E é isso, gente.
Tô com uns trabalhos de reportagem em texto e em áudio pra fazer e vamos ver como se dará o processo de leitura e bloguices. Vamo que vamo que a gente consegue. 

Blogday 2017

Este é o terceiro Blogday que escrevo neste blog e preciso dizer que a sensação de cumprir algo que prometi pra mim mesma, sem falhar nem um diazinho sequer ao longo dos últimos 3 anos, é bem bacana. 

Juro que pensei que não fosse dar. Meu deus, pensei isso demais porque SÃO TRINTA E UM DIAS ESCREVENDO E POSTANDO SEM PAUSA. Haja pauta. Mas o legal disso é que eu acabei lembrando do porquê criei um blog: sim, pra escrever e treinar minha escrita e minha capacidade de lidar com pessoas, mas principalmente pra falar do cotidiano, das coisas que me acontecem e que eu acho legais (ou não). 

~imagens reais dos últimos dias de BEDA~

Nos últimos dois anos a blogosfera meio que deu uma morrida. Não morremos, obviamente. Pelo menos eu continuo aqui - assim como muita gente bonita e legal também. Mas os blogs viraram nichos de literatura, beleza e cultura pop. Nada contra, só que sinto falta dos blogs diarinho, sim. Eu acabei deixando essa coisa de blog diarinho meio de lado também porque passei a achar que minha vida é desinteressante e nada do que eu diga vai mudar o mundo. 

Só que ninguém tá aqui pra mudar o mundo. 
Okay, talvez você, pessoa extremamente otimista que está lendo este texto, tenha pretensões de mudar o mundo. Bem, parabéns. Mas eu não tenho. Ao menos não o mundo numa esfera global. Mas eu blogo pra mudar o meu mundo. Eu blogo, ainda em 2017, porque isso me faz um bem danado, porque me conecta a pessoas queridas - que eu provavelmente jamais conheceria se não fosse por essa mania de overshare que a gente tem - e porque é uma ótima forma de organizar meus pensamentos e também ter um registro do que diabos acontece na vida. 

Infelizmente a vida tá tão corrida que mal tive tempo de acompanhar os blogs que participaram, mas como os links ficam salvos lá no grupo do fb (se organizar, todo mundo bloga), vou colocar tudo em dia e responder a comentários durante o mês de setembro. 

Porém, vamos pra melhor parte do Blogday: INDICAÇÕES DE BLOGUINHOS-AMOR! ♥ 

Vou começar pelas amigas de Cilada. A gente meio que se reuniu no BEDA do ano passado, fizemos nosso grupinho e agora a gente se fala todos os dias sobre tudo porque viramos amigas mesmo. This is why eu continuo blogando. 

BEYOND CLOUD NINE - a Manu é uma das melhores pessoas desta internet e sempre que vejo que tem post dela vou correndo ler porque sei que vou me identificar em algum nível. Amei tantos posts dela nesse agosto que fica até difícil escolher um pra indicar, mas leiam aquele em que ela fala mal das modas dos anos 2000. SÓ HÁ VERDADES ALI. 

LIMONADA - teve um BEDA em que chamei menina Tati de mascote da blogosfera por ela ser a mais novinha entre nós e também essa pessoa querida que é. O blog dela mudou de Novembro Inconstante pra Limonada, mas continua tão bom quanto antes. Dela, eu recomendo o post que ela escreveu pra o celular dela, que morreu - e eu me senti muito compreendida porque o meu também morreu nesse agosto e muitos feelings. 

LUNATIC PISCES - a Michas eu conheci no BEDA do ano passado e adoro ler tudo que ela escreve desde então - inclusive, gostaria que escrevesse mais, mas a vida não é fácil. Dela eu recomendo fortemente aquele em que ela fala de situações escrotas na academia e como gostaria de ter respondido. Academia, um ódio real, um ódio sincero. 

STARSHIPS AND QUEENS - eu não sei explicar por que não era mais próxima da Anita em todos esses anos de blogosfera, mas o Cilada surgiu e estamos aí - além dela ser amiga ciladete também é minha "chefa" no Valkirias e uma pessoa sensacional. O blog dela também é maravilhoso e um texto que me marcou desse agosto foi aquele em que ela fala sobre a menina mais bonita da faculdade. Recomendo. 

E agora outros bloguinhos que acompanhei (naquelas, sendo relapsa, mas estava lá) durante este BEDA: 

A LIFE LESS ORDINARY - o blog da Cacá já é antigo aqui, sempre o recomendo porque muito maravilhoso. Dela, indico aquele em que ela ensina a fazer uma letra bonita hahaha ♥ 

E AGORA, ISADORA? - realmente foi uma surpresa ver que a Isa participaria do BEDA este ano - uma surpresa boa, por sinal. Adoro o blog dela, mas acho que talvez ela nem saiba porque sou uma leitora relapsa e mal comento, risos. O post que indico é um que me fez rir demais, em que ela conta 3 situações constrangedoras pelas quais passou

LAPSOS - o blog da Natália eu conheci este ano e acabei gostando porque ela tem um humor seco, sabe? Uma forma direta de falar as coisas - coisa de que gosto muito porque se tem algo que me irrita é gente que enroooooola pra falar algo. Um post dela de que gostei bastante foi o das 50 perguntas - é um meme, mas é muito bacana porque percebi que tenho mais coisas em comum com ela do que imaginava. 

MEU TRONCO TEM ALGO A DIZER - eu não fazia ideia de que a Jess tinha um blog. Aliás, eu fui conhecer essa guria no twitter por indicação de pessoas legais de uma amiga, e aí descobri que não apenas ela é da minha cidade como também é do Valks e adora coisas antigas pras quais quase ninguém dá a mínima! Muita identificação. Fiquei bem contente de descobrir o blog dela e amei o texto que ela escreveu sobre O Túmulo de Lênin, que é um livrão sobre a queda da União Soviética - e eu adoro esses assuntos, né. Recomendadíssimo. 

SUSPIRARE - a Ana é uma pessoa que também conheci no BEDA passado e o blog dela é muito amor, muito delicado. Como eu sou essa rata de biblioteca e acredito piamente que livros dizem muito sobre alguém, adorei o post em que ela lista os 10 livros que a marcaram


Aqui no blog, foram muitos posts bacanas também (uns mais do que outros). 
Foram 5 resenhas - provavelmente meu recorde de resenhas em um mês: 

E alguns dos meus posts favoritos: 

~eu, após saber que alguém leu meus posts durante o BEDA~

E é isso, gente. 
Agora, BEDA só em agosto que vem - e vamos ficar uns diazinhos de férias aqui no blog porque essa coisa de escrever todos os dias sem pausinha é muito cansativa. 

Da série "e-mails maravilhosos que recebo"

"Saudações, Mia!

Admiro muito teu trabalho e a tua escrita. Escreves muito bem! Deixo cá meus parabéns e boas vibrações a ti e a tua família. Sucesso! 
Dar-me-ei este e-mail a duas [três]  dúvidas sucintas:

— Tu estudas Astrologia, não? Dizeis-me, se possível, qual a significância histórica e origem do termo “Hyleg”? Ou de qual idioma o mesmo é derivado? 

— O que tu achas dos movimentos antimanicomiais? Achas que o Ocultismo é intrínseco, ainda, na Ciência Tradicionalista e/ou Moderna? 

Grata pela resposta. Boas energias a ti! 

Atenciosamente, 
Línea.


Olá, menina Línea. 
Demorei horrores pra respondê-la porque nem sei o que dizer. Mas a grande dúvida que pairou durante a leitura e releitura desse e-mail foi: você é uma habitante do planeta Terra ou veio de outro espaço? Porque esse "saudações" é muito algo que eu espero de um extraterrestre. 

Inclusive, nada contra. Até simpatizo mais se você for. 

Bacana que cê goste da minha escrita. Eu mesma não gosto muito, pra falar a verdade, e sempre me surpreendo quando alguém aparece dizendo gostar dela porque, bem, eu escrevo (no blog, na vida jornalística a vibe é outra) exatamente do jeito que falo - não é lá grande coisa. Mas tudo bem. 

Sim, eu estudo astrologia. Mas não estudo astrologia medieval. Até onde sei, Hyleg é uma palavra de origem persa - mas posso estar completamente enganada, até porque sou jornalista, não astróloga ou parte daquele povo que estuda a origem das palavras -, e ele indica a força vital da pessoa no mapa astral. Mas não é algo muito utilizado nos dias atuais até porque ASTROLOGIA MEDIEVAL, né. Gosto de acreditar que a gente evoluiu um pouco de lá pra cá - estou sendo otimista, okay, mas me deixa acreditar nisso. 

Aliás, meus estudos astrológicos são bem esparsos. Já fui mais dedicada nisso, mas quando a pessoa tem faculdade, família, trabalho, namorado, amigos e é introvertida, é difícil achar tempo pra tudo e ainda ter tempo pra simplesmente existir debaixo das cobertas sem fazer absolutamente nada. Mas prosseguimos tentando. 

Quanto aos movimentos antimanicomiais: eu não sei por que tu me fez essa pergunta. Quer dizer, algo neste blog indica que eu entenda dessas coisas? Porque total não entendo. O mais próximo que chego de entender desses movimentos é o fato de que moro perto de um antigo leprosário que foi fechado porque chega dessas coisas de encerrar pessoas doentes e/ou inconvenientes e deixá-las lá pra morrer. Mas eu realmente não tenho muito conhecimento além disso. 

Aliás, também não acho que a gente TEM QUE TER uma opinião sobre tudo. Por algum motivo, desde que a internet passou a ser parte diária das nossas vidas, as pessoas cada vez mais não se contentam em ter uma opinião: elas precisam ter opiniões firmes sobre tudo e esfregá-las nas caras das pessoas. Acho isso de uma chatice sem tamanho. Passo longe desse ego superinflado, hein. 

E que papo é esse de ocultismo ser intrínseco na ciência? Olha, não vejo isso, não. Vejo é uma negação do oculto com essa coisa de precisamos ter certeza de tudo e provar que o que não é visível não existe porque as pessoas são idiotas e precisamos salvá-las da ignorância aaaaaaaaah, o que eu também acho bem chato, por sinal. A gente é muito filhote dos iluministas. A negação da fé é cada vez maior. Não que eu ache isso ruim. Tenho PAVOR de religião. Só que acho bacana não ser tão extremista a ponto de negar tudo o que não possa ser provado pelo método científico. 

Mas com certeza o ocultismo tá bem longe da ciência. Não estamos mais na época em que todo cientista era um alquimista e/ou astrólogo. (Infelizmente, porque TALVEZ se isso ainda acontecesse as pessoas parassem de se levar tão a sério com seus academiquês e vivessem com um pouco mais de humor.) 

É isso aí, guria. :) 

Em busca de abrigo

Em busca de abrigo
Jojo Moyes
315 páginas
Intrínseca
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: Sabine é uma guria de 16 anos de Londres que foi criada apenas pela sua mãe, Kate, e já teve trocentos padrastos. Após a mãe conseguir mais uma vez destruir a pouca estabilidade da família, a guria é mandada pra Irlanda, onde moram seus avós, a quem não vê há 10 anos. Lá ela descobre uma família muito diferente, com uma avó rígida e obcecada por cavalos e um avô doente, prestes a morrer. O que parecia ser férias do inferno se transforma numa experiência incrível em que ela vai aprender não apenas sobre si mesma como também sobre o passado de sua família. 

Por que ele é bom? Eu nunca tinha lido nada da Jojo Moyes. Não, eu não li Como eu era antes de você ou qualquer outro livro da autora. Isso porque eu não gosto de romances. Historinhas de amor, casais que brigam e voltam, amores difíceis e todo esse drama não me comovem, apenas me fazem ficar entediada. Só que isso não aconteceu com Em busca de abrigo

Quando peguei o livro em mãos pensei que talvez ele fosse um romance bobinho, mas apesar de eu passar longe de livros assim decidi lê-lo porque havia saído de uma leitura pesada (O livreiro de Cabul, um livro-reportagem sobre a vida das mulheres afegãs após a queda do regime Talibã) e precisava de algo leve, simples e bom. 

E é isso que o livro é: leve, simples e bom. 
O que eu gostei na história é que o foco não é no romance, mas sim nas relações familiares. Tudo é em torno do porquê essas três mulheres, Joy, Kate e Sabine, três gerações da mesma família, têm conflitos tão profundos a ponto de não conseguirem se entender. Mesmo não gostando de dramas, a forma como a Jojo trata essas questões é muito bacana e delicada, nos dando a impressão de que realmente conhecemos aquelas personagens. Dá até pra gente se identificar um pouco com a história de cada uma, seja com a rebeldia da Kate ou com a firmeza da Joy. 

Por que ele é ruim? Ele não é ruim, mas eu não gosto de romance, então teve certos pontos que me incomodaram - como a cena em que Joy e Edward, os avós da história, são ainda novinhos e se conhecem e já ficam noivos; achei tudo muito inverossímil, mas a gente sabe que naquela época, na década de 50, as coisas eram bem rápidas mesmo. Mas não foi nada que realmente atrapalhasse a leitura e tenho certeza de que qualquer pessoa que gosta do gênero vai aproveitar mais o livro do que eu. 

Você vai gostar se... não resiste a uma história familiar, gosta de livros de romance ou está procurando por livros com protagonistas femininas fortes. 

Em um quote: 
Não é fácil sentir que quem amamos acha que estamos errando.  

Pequenos ódios do dia

- A cólica que já dura desde quarta-feira e já está começando a me fazer acreditar que tem um alien esmagando o meu útero. 

- A dor no joelho que já dura incríveis três semanas e não há gel, reza ou conversa que passe. 

- A gripe fortíssima que já dura 2 dias e só me faz querer dormir, mas não posso porque NÃO DÁ PRA RESPIRAR COM TUDO CONGESTIONADO. 

- Pessoas falando que A insustentável leveza do ser é um livro erótico. Não consigo acreditar que num livro incrível desses tudo o que conseguiram absorver foi umas três partes em que o Kundera fala sobre o "ato do amor", que NEM TEM DESCRIÇÕES, apenas é mencionado que aquilo acontece. Gente, pelamor, cês não estão nem se esforçando.

- O Correios, que ainda não me entregou livrinhos que estou esperando de parceria, o que tá me deixando muito aflita porque como programar minhas leituras com a faculdade, a vida e tudo o mais se eu nem sei quando eles chegam?

- A passagem que continua caríssima e o passe livre estudantil que ainda não foi liberado porque as pessoas, elas são incompetentes.

- Os trabalhos da faculdade que me deixam louca, especialmente quando incluem EMPREENDEDORISMO e, gente, se eu quisesse ser empreendedora tava fazendo Administração ou tinha ido em frente com a ideia do curso de Padaria e panificação e montado uma confeitaria, como era o plano d caso tudo desse errado. O que eu não estaria fazendo é Jornalismo e me ferrando pra sempre achar uma história nova e contá-la sob um novo ponto de vista O QUE NEM SEMPRE É POSSÍVEL PORQUE ÀS VEZES NÃO DÁ PRA SER ORIGINAL AAAAAAAAAAH.

- O menino ao meu lado aqui na biblioteca que está incrivelmente concentrado naquele livro ridículo do Olavo de Carvalho e, meu deus, não sei como as pessoas não se deram conta ainda do quanto aquele homem é um boçal.

- O semestre, que mal chegou e já encheu o saco.

3 coisas

A Cacá, dia desses, postou essa TAG que é uma lista bacana de 3 coisas aleatórias, separadas em categorias. Como eu não resisto a uma lista e ainda estamos em BEDA, vamos lá. 

3 coisas que me dão medo 
- Faltar luz no meio da noite. É bem bobo, mas posso estar num sono ferradíssimo que acordo no mesmo instante. Na verdade, não é nem medo, é fobia mesmo. 
- Perder pessoas a que amo. É um medo geral, mas é bem forte. Não sei lidar com perdas e somente a ideia de perder - pela morte ou por outras tretas - alguém a quem amo me deixa bem nervosa. 
- Pessoas. Mais especificamente, ter de lidar com gente desconhecida ou, pior ainda, semi-conhecida; isso porque gente semi-conhecida total acha que tem liberdades pra ficar perguntando da minha vida ou acha que ali há uma possibilidade pra uma amizade futura ou sente que ~deve~ agir assim por educação. Olha, a melhor coisa que esse tipo de gente poderia fazer é ficar no seu canto, cuidando das suas coisinhas e me deixar em paz porque nunca se sabe, eu posso sair correndo ao ouvir uma pergunta ou posso, sei lá, mandar tomar no cy e abrir um livro. Melhor evitar. 

3 coisas que me dão preguiça 
- Festas, baladas e coisas do gênero. Gente, eu sei que esse é o modus operandi da maior parte de vocês (se bem que talvez não, ou estariam lá ao invés de lendo este blog), mas festas = não lido. Me dá uma preguiça extrema só de pensar em toda aquela gente bêbada, suada, com aquela música irritante e altíssima e aquela necessidade de se divertir
- Séries hypadas, tipo GoT e Black Mirror. Olha, não acho nada genial nenhuma das duas, tem gente fazendo coisa melhor e tenho preguiça mesmo, desculpaí pessoas do fã-clube. 
- Falar com pessoas por redes sociais. Nossa, eu sou mesmo a pessoa mais chata que existe, né? hahahaha Fazer o quê? Aqui trabalhamos com verdades. E a verdade é que muitas vezes não respondo as pessoas por pura preguiça. Eu já não sou lá alguém de muitas conversas, tenho uma pequena reserva de energias pra conversas diárias. Mas conversar por whatsapp, facebook e afins é muito, muito chato e impessoal. Quer conversar? Vamos tomar um suco, uma água, mas não vamos ter conversas intermináveis por celular. (Exceções só pra aquelas pessoas de quem eu gosto muito e que, infelizmente, não dá pra ver sempre, tipo as meninas do Cilada.) 

3 coisas que eu gosto 
- Ir à biblioteca. É um dos meus lugares preferidos e sempre me deixa mais tranquila, fora que acabo descobrindo coisas novas a cada visita. 
- Sair pra caminhar. Fazer longas caminhadas é algo que adoro desde criança. Meu pai e eu sempre fazemos e é um momento bacana pra pensar na vida e conversar também. 
- Cozinhar. Especialmente doces. Adoro pegar receitinhas novas e testar pra ver qualéquié. 

3 assuntos preferidos
- Literatura, como todos aqui já percebemos. Mas não literatura com gente da área de Letras porque eita gente pra ser pedante, deuzôlivre (salvo exceções, mas são poucas). Gosto de falar de gente como a gente que lê os livrinhos e entra na história e não enche o saco com mil análise e "ui, só leio clássicos". 
- Culinária. Adoro falar sobre comida, trocar receitinhas e ficar selecionando quais são as melhores. Também adoro comer hahahaha. 
- Astrologia. Bem ridícula, eu sei, mas é tão legal quando tu realmente estuda a coisa e passa a entender o que tudo aquilo significa e como faz sentido!!!! Claro, tô falando de astrologia de verdade, não essas frescuras de "será que meu signo combina com o dele?". Quando eu era moderadora de um grupo de astrologia e vinha gente postar essas coisas, eu dava ban na hora porque não sou obrigaaaaaaaada. 

3 assuntos que eu não gosto de discutir 
- Pedofilia. Porque as pessoas são burras demais e não entendem como a coisa funciona e eu tenho vontade de matá-las. 
- Machismo com homens. Não dá, gente. Não dá mesmo. Homem é um bicho irritante demais que sempre acha que sabe melhor do que nós o que a gente passa e eu não aturo esse tipo de coisa quieta, não. Então, pra evitar o stress, evito. 
- Futebol. Além de eu odiar futebol, não dá nem pra falar isso quando me perguntam pra que time eu torço porque as pessoas simplesmente não aceitam. Detesto fanatismo de qualquer tipo, mas esse pessoal fanático por futebol é mais chato do que o pessoal com fanatismo religioso. 

3 melhores comidas
- Batata. De qualquer forma, a qualquer hora. 
- Sushi. Nem preciso dizer por quê. 
- Macarronada. Puro amor ♥ 

3 piores comidas
- Cebola. ODEIO CEBOLA, MORTE À CEBOLA. 
- Saladas verdes. Têm gosto de clorofila. 
- Mocotó. Aquilo é simplesmente nojento. Eca. 

 ¯\_(ツ)_/¯

3 piores redes sociais
3 melhores redes sociais
- Eu odeio todas elas, só uso porque reza a lenda que preciso me comunicar com as pessoas hahahaha 

3 melhores bebidas
- Água. 
- Suco de laranja. 
- Suco de uva Del Valle. 

3 piores bebidas 
- Coisas alcoólicas em geral, detesto muito. Não consigo ver graça no álcool, aquela porcaria tem gosto ruim MIDESCULPEM. 

3 coisas que levam todo o meu dinheiro
- Livros ♥ hahahaha 
- Comidinhas 
- Passagens :( 

3 coisas em que eu não gosto de gastar dinheiro
- Passagens. 
- Roupas da moda. Realmente não vejo necessidade em gastar caro numa roupa se eu poderia pagar mais barato em outra que é tão bonita quanto, só que não está sendo usada pelas celebridades no momento. E NEM ME FALEM DA MODA DA CALÇA DE CINTURA BAIXA PORQUE JAMAIS USAREI ISSO. 
- Xerox. É ridículo os professores deixarem textos gigantescos no xerox sendo que poderiam disponibilizar em pdf - e nem me venham com leis de direito autoral que é possível fazer cópia de até 30% de um livro, se não me engano, se não for pra uso comercial. 

3 coisas que me estressam 
- Pessoas. 
- Pessoas gritando. 
- Pessoas gritando e suadas. 

Mas a louca sou eu

Parece título de best-seller duvidoso, mas é apenas a vida real. 

Aí que eu tô com algum tipo de lesão no joelho. Como assim? - você pode perguntar. Assim mesmo, eu responderei. A vida é muito inacreditável e meu joelho resolveu simplesmente começar a doer, só pra me sacanear mesmo. Já fiz altas massagens, passei gel, tomei remédio. Nada. Dói cada vez que caminho. De modos que estava conversando a respeito disso com a família pra tentar procurar um médico que cuide dessas questões - o que é bem complicado por aqui, já que o hospital FECHOU e os postos existem só pra enfeite - e o seguinte diálogo se sucedeu: 

— Não adianta ir em médico, tem que usar o poder da palavra. 
— Quê? 
— É, eu já te falei, guria. Isso é problema de teimosia e falta de fé. Tem que conversar com teu joelho e ordenar que ele fique bom. 


Nesse momento eu já estava me perguntando se is this the real life, is this just fantasy, quando a conversa continuou: 

— Tem que conversar com ele e dizer ESTOU BOA, NÃO TENHO NADA. O poder da palavra é muito forte, a gente consegue tudo com ele. 

Gostaria muito de ter dito que o poder da minha palavra no momento estava desejando voltar pra 2017 e sair da fenda temporal que me transportou pra Idade Média, mas apenas levantei e fui pra o quarto, ainda com dor, ler uns livrinhos e tentar não ficar com mais raiva. 

Então abri um livro de astrologia que estava lendo e me deparei com UM CAPÍTULO INTEIRO SOBRE COMO DORES NO JOELHO SÃO CAUSADAS POR SATURNO E QUE DEVEMOS PERCEBER O QUE FIZEMOS DE ERRADO PRA QUE O JOELHO PARE DE DOER. 

GENTE 

G E N T E 


Eu nem sei por onde começar. Só sei que fechei tudo e fui dormir porque não sou obrigada a lidar com gente louca e burra MESMO. 

TOP 10 clipes favoritos

E mais uma vez o BEDA foi salvo graças ao grupo do Cilada, especificamente a dona Ana Luíza, que teve a brilhante ideia de fazermos um top 10 clipes favoritos da vida. Hoje em dia eu não sou a pessoa mais musical que existe, mas houve uma época em que eu estava sempre, s e m p r e ouvindo música e assistindo a clipes e descobrindo coisas (e fazendo bandas e cantando e passando vergonha no processo). Só que aí a vida adulta bateu à porta e eu acabei deixando meu sonho musical de lado pra me concentrar em texto texto texto. Porém, na minha cabeça tô sempre cantando e me divertindo com a trilha sonora da minha vida. Entonces, tô bem contente de revisitar, agora, meus clipes favoritos que total me influenciam até hoje. Vamos lá o/ 

10. Not fair - Lily Allen 


Apesar dos pesares e de todas as coisas que a gente vê (ou via, porque dona Lily está sumida) na mídia por aí, eu gosto bastante da Lily Allen e acho esse clipe simplesmente genial. O que eu mais gosto nele é que realmente toda a estética é dos anos 60. Se uma pessoa dos anos 60 viajasse no tempo e parasse aqui e agora e fosse ver um clipe pra confirmar que estava na época certa, ficaria bem confusa ao ver esse. Eu adoro esse visual, adoro o fato de que parece que tô vendo um clipe do The Mamas and the Papas ou do Abba. Esse clipe me faz muito feliz.

9. Read my mind - The Killers


SOCORRO QUE ESSE CLIPE JÁ TEM DEZ ANOS, MEU DEUS DO CÉU. Eu amo demais esse clipe porque foi numa noite de insônia, vendo MTV, que eu descobri The Killers através desse vídeo e foi assim que Brandon Flowers, essa pessoa rípster, porém linda, entrou na minha vida. A primeira coisa que me chamou atenção foi a vibe meio Freddie-Mercury-na-timidez-antes-dos-drinks dele. A segunda foi o clipe em si. A solidão desse clipe é uma coisa que não dá pra dimensionar. Como diz minha amiga Michas, feelings are the only facts. É aquela vibe de solidão urbana e de ser desajustadinho - que o Brandon meio que tem em todos os seus clipes, por sinal. BRANDON TE DEDICO ♥

8. Welcome to the black parade - My Chemical Romance


Minha adolescência emo socorrooooooo. Na verdade, eu nem cheguei a ser emo - nunca usei a vestimenta nem nada, tava bem mais pra gótica do que pra emo sofredora. Se tem uma coisa pra qual nunca tive inclinação é pra sofrer. Só que ESSA MÚSICA, ESSE CLIPE. Gente, não é nem sofrimento isso, isso é encarar a morte de frente mesmo. Adoro demais. OLHA ESSA ESTÉTICA DE ESQUELETINHO HAHAHAHAHAHA ♥

7. Total eclipse of the heart - Bonnie Tyler 


Além de ser muito anos 80 e muito drama queen, essa música foi escrita pra ser SOBRE VAMPIROS HAHAHAHAHAHA. Ela foi escrita pra um musical baseado no filme The Fearless Vampire Killers - que é bem divertido, por sinal. Como diz o cara do artigo do link: originalmente a música fala "estou apavorada por esse vampiro que está tentando me seduzir e beber meu sangue, mas ao mesmo tempo estou meio excitada pela ideia. Estou ao mesmo tempo com medo e tentada pela ideia de rejeitar meus valores religiosos e me entregar a esse charmoso, porém mau, homem". Depois de se olhar esse clipe com a ótica vampírica, nunca mais se verá as coisas da mesma forma e tudo ficará muito, muito melhor.

6. Grace Kelly - Mika


Lembro que conheci esse clipe em 2011. Eu estava no ensino médio e fiquei MUITO empolgada com o Mika, aí mostrei pra meus amigos da época que total me disseram pra não falar sobre o Mika pra ninguém porque isso seria suicídio social. Aqui estamos, em 2017, 100% nem aí pra sociedade e ainda gostando demais desse clipe. Eu não sei exatamente o que me faz gostar tanto assim dele: se é a música, se é a atmosfera de cenário de gravação, uma coisa meio The Picture of Dorian Gray dos anos 40, se são as roupas simples que o pessoal usa ou se é a cara do Mika mesmo, que é linda demais. Seja lá o que for - e provavelmente é a mistura de tudo isso -, o fato é que: a d o r o.

5. On the radio - Regina Spektor


Regininha Spektor aaaaaaaaaaah ♥ Eu amo demais essa mulher, acho ela tão linda! Total referência de beleza pra mim. Mas, fora isso, além de eu adorar as músicas e especialmente essa, o motivo por que esse clipe está no meu top 5 provavelmente é porque ele se passa num ambiente escolar. Eu me sinto muito em casa na escola, tanto que cursei anos de Pedagogia porque realmente sempre me vi na escola. Obviamente que percebi que isso não era pra mim e que meu negócio é estudar, não dar aulas, mas esse clipe me traz uma baita nostalgia dos meus tempos de professora. Fora que ele é tão delicado e simples ♥ Muito amor.

4. Radio Ga Ga - Queen


Eu poderia fazer esse top 10 apenas com clipes do Queen de tanto que eles eram sensacionais em suas produções - e eu realmente me controlei demais pra não fazer isso -, mas como esse não era o objetivo, tive de me segurar e escolhi apenas 2 clipezinhos dessa banda maravilhosa. Um deles TINHA DE SER Radio Ga Ga porque MEU DEUS, MUITAS REFERÊNCIAAAAAAAAS. Vamos começar com o fato de que eles fizeram uma referência direta ao filme Metropolis, de 1927, a obra mais conhecida do Fritz Lang e do expressionismo alemão. O Queen foi uma banda que se propôs a fazer coisas grandes, entre elas seus clipes, e essa referência foi grande demais! O clima de sci-fi expressionista alemão combina perfeitamente com a letra, que fala da nostalgia dos tempos de ouro do rádio e de como a nossa relação com a música - e com os artistas - muda com o passar dos tempos. Amor amor amor e genialidade ♥

3. Wuthering heights - Kate Bush


Mas não tinha como eu deixar esse clipe de fora, de forma alguma. Kate Bush = diva deste blog, inspiração eterna. Eu amo demais essa vibe fantasmagórica dela. Kate é gente como a gente: leu O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering heights) e decidiu fazer musiquinha da Cathy fantasma pra o Heathcliff, um dos melhores personagens de toda a literatura. M A R A V I L H O S O ♥ Ela conseguiu captar bem essa coisa de fantasma britânico que te atormenta pra o resto da vida hahahaha

2. Something - The Beatles

 
Foi muito, muito difícil achar esse clipe porque ALGUÉM decidiu retirá-lo do youtube. No entanto, o achamos no Bol (pausinha para: HAHAHAHAHAHA VOLTAMOS A 2009) e eu agradeço muito a quem upou esse vídeo lá, pois clipe do amor ♥ Literalmente do amor: acho que essa é a única música romântica de verdade de que gosto. Não sou lá uma pessoa romântica, como todos sabem tenho uma pedra de gelo no lugar do coração, mas os 4 Beatles reunidinhos com suas respectivas da época se declarando amorzinho e passeando de mãozinha dada no final dos anos 60 é algo bonito demais e que me dá vária vibes gostosas. Só não é o clipe preferido da vida porque existe algo chamado Queen e não tem como competir com a realeza.

1. Bohemian Rhapsody - Queen 


AAAAAAAAAAAAAAAAAH QUE COISA MAIS PERFEEEEEEEEEITA Gente, o Queen foi a primeira banda a realmente se dedicar a gravar um clipe nessa proporção, com tamanha engenhosidade - e nem tô falando dos vocais, mas da superprodução do vídeo mesmo. Vamos pensar que o que eles fizeram foi ainda mais incrível porque foi feito antes do vídeo digital, só nos rolos de filme mesmo. ISSO É HORRÍVEL DE FAZEEEEEER. Obviamente que as palmas também vão pra o pessoal da edição, mas o grande cérebro por trás de tudo envolvendo essa música foi o Freddie, também conhecido como o virginiano mais leonino que já existiu. É simplesmente perfeito demais, bonito demais, bem arranjado demais esse vídeo. Favorito da vida ♥

Menção honrosa: Les marionnettes, do Christophe, e sua maravilhosa estética francesa dos anos 60. 

Harry Potter e a criança amaldiçoada

Harry Potter e a criança amaldiçoada
J. K. Rowling, John Tiffany, Jack Thorne
Rocco
352 páginas
Ano de publicação: 2016 

Sobre o que é: 19 anos se passaram desde a queda de Voldemort e Harry agora é um cara do Ministério da Magia e pai de 3 filhos. O filho do meio, Alvo Severo, completou 11 anos e está indo pra Hogwarts. Só que seu maior medo se concretiza: ele não vai pra Grifinória, mas sim pra Sonserina. E seu melhor amigo é Escórpio, o filho de Draco Malfoy!  Todos fazem bullying com o menino por ser um Potter sonseriano que não gosta de quadribol e aí o guri faz o quê? Isso mesmo, fica com raivinha do pai e só faz cagada. 

Por que ele é bom? O legal de livros como esse é que a gente mata a saudade dos nossos personagens preferidos. É bacana saber que a Hermione virou Ministra da Magia e que tá todo mundo felizinho com seus pares. Também é ótimo conhecer Escórpio, o melhor personagem do livro inteiro e que total merece ser feliz! ESCÓRPIO, TE DEDICO ♥ Mas é só isso mesmo.

Ah, ele também é bom por ser uma leitura que dá pra fazer literalmente numa sentada, por ser naquele modelo de peça de teatro. Mas tirando isso: sinto muito, J. K., não foi dessa vez.

Por que ele é ruim? Quem ainda não leu o livro e tem pretensões de lê-lo, pode parar por aqui. Quem já leu ou não vai ler mesmo porque já ouviu todos os spoilers possíveis desde que ele foi lançado, continue, porque não há possibilidade de eu falar desse livro ser spoilear tudo.

CONTÉM SPOILERS 

Gente. GENTE. Eu gostaria muito de saber de quem foi a maravilhosa ideia de fazer o Voldemort ter uma filha. Sério mesmo. UMA FILHA. COM A BELLATRIX. Gente. J. K. está caducando, será? Por que diabos Voldemort iria querer ter uma filha? Por que diabos Voldemort, um cara super psicopata e bizarrão que vive atrás da imortalidade, teria uma filha com a Bellatrix, uma bruxa bem mais ou menos, porém louca, que é sua serva e a quem ele despreza tanto que se arrependeu de confiar a ela uma horcrux no cofre da mulher, mas aparentemente é lógico não confiar horcruxes, mas confiar a ela UMA FILHA DO LORDE DAS TREVAS?!

Fora que: VOLDEMORT FAZENDO SEXO. Fiquem com essa cena na cabeça de vocês. Melhor: não fiquem. Eu sinceramente não consigo imaginar Voldemort transando, quiçá tendo excitação sexual. O cara só sente atração pelo podeeeeeer. Se ele fizesse algo sexual com alguém, seria com a Nagini, sua cobra de estimação/horcrux mais próxima. Mas ele e a Bellatrix?


Isso não tem sentido algum!!!!
Além disso ser a coisa mais incoerente de todas, todo mundo ficou extremamente descaracterizado. Harry Potter virou um burocrata do Ministério!!!! Rony virou um palhação que meio que tentou assumir o lugar do Fred, mas falhou miseravelmente no processo!!!! Os filhos dos casaizinhos não fazem nada além de serem irritantes - tirando Alvo e Escórpio, a dupla protagonista.

Aliás, que ideia horrorosa essa de colocar o nome da criança de ALVO SEVERO. Primeiro que tanto Dumbledore quanto o Snape eram escrotos. Ponto. Segundo que isso é um peso enorme em cima de qualquer criança, ainda mais uma criança Potter, que teve de crescer ouvindo histórias de como seu pai é O INCRÍVEL, O ESCOLHIDO, O NÃO-SEI-O-QUÊ. Olha, pesadinho isso. A única coisa sensata no livro todo é a parte em que Harry conversa com o quadro de Dumbledore e o quadro lhe diz que acha que não foi lá uma boa ideia colocar esse nome no guri. ALELUIA, ALGUÉM SE DEU CONTA DISSO.

Agora, vamos ao pior de tudo: os vira-tempos. QUE NEM ERAM PRA TER EXISTIDO, pra começo de conversa. Eles já foram um erro lá no Prisioneiro de Azkaban (que, apesar disso, é o meu livro preferido da saga toda). Por que alguém achou que teriam sido boa ideia agora? Será mesmo que o Alvo e o Escórpio, sendo meninos inteligentes e conhecedores das histórias do passado e do uso de vira-tempos, não se dariam conta de que mudar o passado é sempre uma má ideia porque poderia ter consequências do tipo LORD VOLDEMORT RETORNANDO? Não sei, mas me parece que eles teriam se dado conta disso.


Aliás, não comprei a história de usar o vira-tempo pra trazer o Cedrico de volta. Cês vão me desculpar, mas o guri tá morto há quase 30 anos, deixa estar, quem se importa.

Na real, o conflito todo se dá porque o Harry não é lá muito bom nessa coisa de ser pai e, obviamente, demora horrores pra se dar conta disso. Esse livro poderia se chamar Pais e Filhos já que é conflito de Harry com Alvo, de Draco com Escórpio (mas ainda acho que Draco total se tornou um bom pai, hein) e DA FILHA DO VOLDEMORT QUE SÓ QUERIA CONHECER SEU PAPAI.

Coerência, quem curte.

Você vai gostar se... é muito fã da série e quer demais ler essa oitava história oficial que, na verdade, é apenas uma fanfic ruim assinada pela autora (J. K., você ficou louca?). Mas isso não quer dizer que o livro seja horrível. Já li muita coisa pior. Ele apenas não faz muito sentido com todos os outros sete livros, mas né. Vida que segue, tem outros troféus.

Em um quote:
Eu não escolhi, sabiam disso? Eu não escolhi ser filho dele. 

Por onde começar a ler clássicos?

Acho que não é novidade pra ninguém que o que eu mais gosto de ler são clássicos. Só que entendo que as pessoas, no geral, não gostem tanto assim deles porque, bem, eles são antigos. E, sendo antigos, têm aquela linguagem de antigamente que não é tão óbvia quanto a que a gente tá acostumado hoje em dia. Quer dizer, a pessoa que lê apenas Y.A.s ou romanção não vai se acostumar do dia pra noite a ler clássicos. Vai achar chato mesmo, vai resmungar, vai largar o livro de mão. 

Então, pra que ler clássicos? 
Porque são puro amor ♥ Tá, eu sou suspeitíssima pra falar porque eu comecei a minha vida de leitora lendo clássicos - e até hoje o estranhamento que eu tenho é com livros mais ~moderninhos~ - e tenho uma grande lista de preferidos que só tende a aumentar. Mas os clássicos são amor por alguns motivos, entre eles: 
a. nos fazem viajar pra um outro lugar no tempo e espaço; 
b. são histórias lindas com Personagens com p maiúsculo super bem trabalhados; 
c. são realmente bons, é difícil alguém não gostar deles. 

Claro que existem clássicos bem mais ou menos (Frankenstein, estou falando com você), só que essa é a exceção, não a regra. Então, pra que todo mundo seja feliz e entre nesse mundo da literatura clássica, resolvi fazer uma listinha de por onde começar a ler clássicos, com os livros que eu acho que são melhores pra leitores de primeira viagem. 

1. A abadia de Northanger (Jane Austen
Sobre o que é: menina romântica e bobinha leu histórias góticas demais e acha que a vida é um grande livro de mistério, com planos de mortes e assombrações. Obviamente que as coisas não são bem assim, mas isso ela só vai descobrindo após quebrar muito a cara. 
Por que começar por ele? Porque ele é perfeito pra quem gosta de histórias de amor e mistério. Quem curte um Y.A. vai gostar desse, que poderia ser considerado um Y.A. do período regencial britânico. Cathy é gente como a gente e acha que vive dentro dos livros e isso é muito mágico e identificável. Fora que Jane Austen é maravilhosa demais e qualquer livro dela mereceria estar nesta lista e pode ser lido sem medo. 

2. O retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde
Sobre o que é: menino Dorian fica maluco quando percebe que é bonitão e decide fazer tipo um pacto pra que o quadro dele envelheça e ele permaneça lindo pra sempre. 
Por que começar por ele? Porque não tem como não gostar de Oscar Wilde. NÃO TEM. A escrita dele é simplesmente sensacional, completamente envolvente e a forma como as coisas vão acontecendo faz com que a gente se grude no livro de uma forma que não dá pra largar. Fora que a história tem uns temas bem atuais, como homossexualidade e o culto à juventude (que a gente, infelizmente, não superou até hoje porque o ser humano é burro demais, meu deus). 

3. O morro dos ventos uivantes (Emily Brontë
Sobre o que é: Heathcliff é um menino adotado por uma família rica que, após a morte do patriarca, passa a tratá-lo como menos do que um empregado. Ele se apaixona por Cathy, a menina da família, mas ela casa com outro pra ser ryca, então ele vai lá e fica mais rico do que todo mundo e esfrega a riqueza na cara deles. 
Por que começar por ele? Porque a gente cresceu vendo novelas demais pra não se atrair por uma história de vingança e amor (obsessão, né) dessas. É todo mundo perturbado, não tem ninguém bonzinho ou completamente mau, assim como na vida real. É um livro fácil de ser entendido por todo mundo porque fala de coisas do cotidiano, só que numa vibe bem mais perturbadora. 

4. Histórias extraordinárias (Edgar Allan Poe
Sobre o que é: Poe também era um carinha perturbado que usou toda a sua perturbação pra escrever os melhores contos de terror já escritos até hoje. Os melhores. Mesmo. 
Por que começar por ele? Porque nem sempre a gente tá com saco pra ler um livro inteiro, ainda mais quando o livro em questão é um clássico. Mas contos são outra história. Fora que eles são tão maravilhosamente bem escritos que a pessoa não vai querer largar o livro MESMO e vai ficar grudadinha ali, com medo, mas bem contente por ler algo tão incrível. 

5. Sonho de uma noite de verão (William Shakespeare
Sobre o que é: jovens gregos bobões são apaixonadinhos, só que tem treta, porque sempre tem treta em histórias gregas. As fadas se metem, tem teatrinho no meio e todo mundo é muito ridículo. 
Por que começar por ele? Esse é especialmente pra quem gosta de romances e/ou de mitologia. Tem de tudo. É bem pequenininho, então a leitura pode ser feita numa sentada. Fora que ele é divertidíssimo. Sério, não tem como não gostar. (E olha que eu nem gosto de Shakespeare...) 

6. Jane Eyre (Charlotte Brontë
Sobre o que é: a menina Jane é uma órfã que acaba se tornando professora (preceptora, como diziam antigamente) e, nessas de dar aulinhas, vai parar na casa do Mr. Rochester, que é um cara bizarro, com cara de mau e com segredinhos bem perturbadores. 
Por que começar por ele? Porque ROMANÇÃO, só que com aquela vibe de mistérios que eu tanto amo. Fora que Jane = melhor personagem. Nessa onda de ler sobre mulheres fortes, que tal ler sobre Jane Eyre? É sempre uma boa. (Apesar de que: irmãs Brontë, vocês eram muito perturbadinhas, hein.)