A gente sai da 5ª série, mas a 5ª série não sai da gente

E aí que ontem duas meninas riram da minha cara. Na minha cara. Em contextos diferentes.

Na noite das risadas estridentes, tudo começou quando, um pouco antes da prova de Comunicação Comunitária, a professora decide, num sorteio (!!!), que a bendita prova será em dupla. A menina com quem eu faço dupla não tinha ido à aula e aí eu fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fiquei sozinha.

Porém, professora perguntou se alguém não tinha dupla. Eu não ia levantar minha mão porque estava agradecendo por não ter dupla, inclusive. Sou uma alminha solitária e adoro fazer as coisas sozinha. Mas tinha uma menina na minha frente que levantou a mãozinha e disse que estava sem dupla, o que farei, ó vida, ó céus. Aí a tonta fez o quê? A tonta disse "oi, eu também tô sem dupla; quer fazer comigo?". Por que eu fiz isso? Porque sou caloura, claramente. A menina olhou bem pra minha cara, olhou BEM, deu uma gargalhada maligna, virou as costas e foi sentar noutro lugar, bem longe e sozinha.

Fiquei com cara de Nick Miller perdido:


Mas okay, vida que segue, não é como se eu estivesse ~me importando~ mesmo, estava apenas tentando ser legal, mas aparentemente isso saiu de moda enquanto eu dormia. Coisas da vida.

Terminada a prova, fui pra o intervalo porque em seguida teria apresentação de trabalho.

Atentemos para: apresentação de trabalho, também conhecido como antessala do inferno. Porque apresentação de trabalho nada mais é do que ficar na frente de um monte de gente que tu não conhece direito, mas com quem é obrigada a conviver diariamente, e falar sobre coisas das quais tu não entende, mas sobre as quais leu um pouco durante a semana, tudo porque a professora acha que essa é a melhor dinâmica para a aprendizagem. Gostaria muito de explicar que a melhor dinâmica seria eu ir pra casa dormir após uma prova, mas tudo bem.

Pois bem. Então, fui lá apresentar o trabalhinho com meu grupo. Todos alinhados, bonitinhos, falando sobre teorias da comunicação, quando percebo uma movimentação estranha na sala. Vou olhar e vejo que tem uma menina rindo loucamente da minha cara. Quem era a menina? A louca do sábado de manhã. SIM. Cada vez que eu abria a boca pra falar alguma coisa, a criatura ria. E nem dava pra dizer que ela tava rindo de algo do celular porque a querida sentou BEM na frente, na primeira fileira, e não estava com o celular em mãos. O que fiz eu? Fiz nada, né. Terminei a apresentação, ri também porque a vida, que ridícula, peguei as minhas coisas e fui pra casa, que eu não ia ficar pra o resto da aula pra ver uma pirralha rir da minha cara, não, hein.

Fazia uns bons anos que alguém não ria da minha cara, assim, na lata mesmo, sem disfarces.
Senti toda a vibe da 5ª série voltar, quando cada respiração era motivo pra risadas e bullying porque gorda, feia, esquisita, bruxa, gótica e Noiva Cadáver (adorava esse, hahaha).

Agora, vamos conjecturar sobre SOFRER BULLYING NA FACULDADE. Aliás, pior do que isso: praticar bullying na faculdade. Que vibe errada, hein? A pessoa com mais de 18 anos na cara não deveria ter permissão de pisar numa universidade se não souber que estamos todos ali apenas pra conseguir um diploma, não pra rir da cara das coleguinhas. Não sei lidar com gente imbecil, desculpaí.


Hoje o dia está particularmente difícil. 
E, assim como a Lorelai, eu queria dar uma de Wild (Livre, numa das traduções mais bacanas e, ao mesmo tempo, contempladas por uma alminha livre, que já vi), encarnar a Reese Whiterspoon trabalhada no entendam-se com minhas advogadas e caminhar por um ano, em linha reta, até que toda essa coisa que se tornou a minha vida ficasse para trás. 

Mas nem posso. 

E mesmo que pudesse, de que adiantaria? Não adiantaria de nada, pois o que me incomoda tá muito mais aqui dentro do que lá fora. E aí, faz o quê? Aí se senta no chão do mercado e se balança pra frente e pra trás meio catatônica porque sem condições, mermão. Apenas isso. 

*

Pessoa querida me pergunta se tá tudo bem. 
- Tá. 
- Tem certeza? 
- Tenho. 
- Mas o que tu tem? 
- Eu só tô cansada. 
- É mesmo? Não parece só isso. 
- Hm. 

As pessoas não compreendem o conceito de cansaço. Quando eu tô cansada, não fico apenas fisicamente esgotada, mas também fico irritada. Nada demais, juro. Basta me dar um chocolate, colocar HIMYM na Netflix e me deixar quietinha. Logo, logo já estarei bem. :)

Sucked. So, so much.

Mal posso esperar pelo dia em que finalmente serei paga pra ler livrinhos e escrever sobre eles. Enquanto esse dia não chega, sublimo e sigo em frente.

If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine ♪ 

6 comentários:

  1. Ai, Mia <3 quero te abraçar e te por num potinho. Pelamordedeus, FORA PESSOAS FAZENDO BULLYING NO ENSINO SUPERIOR. Meu curso superior tb não foi lá essas coisas porque tinha um punhado de gente bosta ridícula que claramente não entendia o conceito de empatia, mas ok, né. None of this is going to matter in 5 years (quando vc felizmente estará recebendo dinheiros pra ler e falar sobre livros). Mandando todas as vibes positivas do mundo procê conseguir descansar nesse final de semana chuvoso (aí ta chovendo???), com suas séries, comfort food e silêncio e paz de espírito. Estamos aqui pra qualquer coisa <3 :****

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  2. Se eu te contar que a faculdade tá sendo o high-school que eu não tive, você não acredita.

    Tá tendo rivalidade, briga boba, roubo de ideias NA CARA DURA (faço publicidade) e tá todo mundo querendo se atropelar pra ver quem é o mais popular. Sem mencionar as panelinhas infernais que tão se formando. eu tô: gente, é faculdade não 7ª serie. é osso demais.
    e a gente faz o que, segue a vida como se nada disso nos incomoda-se

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  3. que situações mais absurdas! nossa, pense numa pessoa que ficou foi com raiva lendo teu post! ainda não sei como não me acostumei com a escrotidão de gente adulta nas universidades. é cada pérola, né? eu sempre imagino uma escola filosófica, nunca acho pessoas comprometidas e estudiosas, e só me frustro. ainda bem que você ri, eu fico é com desgosto e rancor. mas sigamos em frente que o estudo salva a gente de tudo o que é esdrúxulo.

    bjão!

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  4. Nessas horas agradeço aos céus por fazer facul EaD \o/ mas o que não muda o fato de que no trabalho me sinto em uma constante 5ª série

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  5. aff que guria imbecil! Como assim? Bom que não foi comigo, por que eu perguntava na lata por que diabos ela tava rindo, e se gostaria de compartilhar comigo. Ora pois que uma criatura dessa faz isso comigo. Sei que não é certo e tal, o melhor e mais adulto é deixar pra lá, mas sou dessas mesmo, levo desaforo pra casa não. Mas é triste ver uma situação dessa e com um adulto envolvido (pelo menos adulto na idade, por que a mente ainda é de uma criança). Desculpa, mas eu revoltei. Mas não liga pra isso, essa vai ser umas daquelas pessoas que só vai aprender algo da vida depois de quebrar muuuito a cara. Ou não né. Tem gente que nasceu pra ser babaca!

    Blog Entre Ver e Viver
    Visualizado por Franklin Costa às Segunda 21:52

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  6. Oiie!

    Aaah, concordo com você. Essas pessoas deviam ter vergonha na cara. Nunca sofri bullying na faculdade, mas minha minha amiga sim. E já apresentei trabalho com ela onde riram. E eu me senti péssima.

    E eu me pergunto, até hoje, como aqueles babacas estão ainda na faculdade. Zero respeito com colegas e professores. Um saco isso :(

    Eu nunca fui muito de sofrer especificamente, mas sempre tive proxima de quem sofreu. Uma vez somente eu ri de um garoto e eu fiquei tão tão mal que nunca superei direito. Então não sei o que tem no intimo dessas que pessoas que praticam. Para elas se sentirem bem e felizes com isso. Fala sério!!!

    Beijos!

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Wink .187 tons de frio.