Guia prático de mapa astral

Não é novidade alguma pra quem lê este blog que volta e meia eu dou meus pitacos astrológicos porque gosto da coisa. Muito. A ponto de ter passado alguns anos estudando tudo o que encontrei nas internets da vida e em livros por aí sobre o assunto. 

Tem gente que não leva astrologia a sério, mas leva Game os Thrones a ponto de se envolver em discussões que duram horas acerca de uma série cujo roteiro já se foi há muito tempo. Então, só deus pode me julgar e cada um leva a sério o que quiser, não é mesmo? 

Antes da gente começar a falar do mapa astral propriamente dito, tem algumas coisas que vocês precisam saber: 
- a astrologia se divide em duas correntes, a tradicional e a moderna
- tem gente que defende que apenas a tradicional deveria ser aceita, mas pra mim isso é a mesma coisa que ficar estagnado no tempo; 
- a moderna ainda está sendo estudada, então tem sim algumas coisas meio incompletas nela; 
- mas realmente acho que as duas se complementam e dá pra usarmos todo o conhecimento disponível de boas, sem grandes problemas ou rancores. 

Dito isso, vamos lá. 
A primeira coisa pra saber sobre o mapa astral, antes de sair por aí pegando sua certidão de nascimento pra conferir direitinho o horário, é que ele não é determinista. Não importa se você tiver sol em Capricórnio, não é por isso que você TEM DE ser uma pessoa má, cruel e desumana que só pensa em ficar rica. Isso é estereótipo de signo e ninguém é seu signo solar, mas sim seu mapa astral inteiro. 

A segunda coisa é que o mapa astral funciona melhor quando a gente o encara como algo que nos aponta coisas a melhorar. Ele não diz o que você é, mas as qualidades que possui e o que tem de trabalhar. Pra quem acredita em reencarnação, a coisa funciona melhor ainda, porque lida com questões kármicas e aí vira basicamente um mapa das cagadas feitas em outras vidas e o que se deve melhorar agora pra poder se livrar desse bad karma e ser feliz. Claro que se pode lidar com astrologia sem lidar com reencarnação, isso não é um pré-requisito. Se a pessoa for cética e mesmo assim quiser saber como funciona o mundo astrológico, basta pensar no mapa astral como um mapeamento de padrões de comportamento de acordo com datas. Pessoas que nasceram em tal data apresentam tais traços em comum etc., etc. Eu acho bacana ambas as visões, mas cada um com a sua. 

Como funciona o mapa astral?

No mapa astral, você tem os planetas, as casas e os signos (tem mais um monte de coisa, mas vamos trabalhar com o básico agora pra ninguém ficar perdido lendo previsão do Personare). Os planetas são energias básicas. As casas representam onde essas energias serão aplicadas. E os signos representam as características com que essas energias se manifestarão. Exemplo: eu tenho Sol em Aquário na casa 3. Isso significa, de uma forma bem básica, que a minha energia pessoal (Sol) se manifesta na área da comunicação (casa 3) com características de contestação, informalidade e preocupações com o coletivo, mas um interesse desapegado a pessoas (Aquário). Não é difícil, é só questão de juntar os pontos. 

Os planetas 


Como eu já disse, os planetas representam energias específicas. São separados assim:

Sol - é a essência da pessoa, mas também o desafio dela pra vida;
Lua - as emoções e como lidar com elas, é o que a pessoa tem de mais íntimo;
Mercúrio - a forma de se expressar e também de desenvolver o pensamento;
Vênus - o que atrai a pessoa, e não apenas no âmbito sentimental, como muitos pensam;
Marte - como a pessoa briga, como ela vai atrás do que quer, é a energia básica da vontade;
Júpiter - é o que expande, o grande benéfico que traz características boas (do signo) pra pessoa;
Saturno - os probleminhas, o karma, as noções de limite e como lidamos com a cobrança pessoal;
Urano - a ruptura, a rebeldia, o desejo de mudar (ou estagnar, se mal aspectado) as coisas;
Netuno - como lidamos com a espiritualidade e as coisas do Grande Além;
Plutão - mudanças extremas, coisas ligadas à morte e a espiritualidade e como lidamos com elas.

Ascendente - é o que aparentamos ser, mas não necessariamente somos;
Meio do Céu - onde conseguiremos sucesso profissional.

Os signos 


Falando de uma forma bem simples, os signos são as características que se manifestarão de acordo com o planeta e a casa da pessoa.

Áries - como todo mundo já sabe, Áries é conhecido por ser agressivo, só que não é só isso: também é mimado, é a eterna criança do zodíaco, mas é claro que não há apenas coisas ruins - aliás, bom ou ruim depende do ângulo que se vê. Áries também é determinado, mesmo que a determinação dure pouco, cabeça dura e tem bom coração (como  todos os signos de fogo).
Touro - o Touro é como um Touro: muitas vezes turrão, mas pode ser um amorzinho com quem sabe tratá-lo. É um signo de terra, então tem aquela coisa de ser pé no chão, mas ao mesmo tempo é o mais amoroso dos de terra, sabendo balancear seu lado prático com seu lado sentimental.
Gêmeos - talvez o signo mais metido que exista. Sendo de ar, ele tem muita agilidade mental, mas dependendo de onde está pode ser física também. É curioso, inquieto, sempre procurando coisas novas, se distraindo facilmente e ficando entediado mais facilmente ainda.
Câncer - se vocês pensam que Câncer é um signo da paz e do amor, cês estão muito enganados. Câncer é o signo da manipulação emocional. Claro que existe um lado bom, de cuidado, afeto e de saber expressar seus sentimentos (especialmente se ele estiver localizado na Lua), mas também é um signo muito perigoso justamente por ser muita emoção pra pouco raciocínio lógico. Signo de água, vai e vem, assim como seu elemento.
Leão - todo mundo sabe que Leão é vaidoso, tem um quê bem forte de arrogância e quer ser sempre o líder mesmo. Mas é claro que não é só isso: também é um signo amoroso (de fogo), generoso, que adora estar com os amigos e não mede esforços pra agradar as pessoas de que gosta (assim como tenta "naturalmente" humilhar a quem não gosta) e tem muita criatividade.
Virgem - não, Virgem não é cri-cri, mas é um signo de grande inteligência e perspicácia, o que pode incomodar pessoas que gostam de coisas mais bagunçadas e detestam análises. Como signo de terra, é prático, mas não chega a ser travado emocionalmente. O problema de Virgem é que ele se preocupa demais.
Libra - um dos signos mais manipuladores do zodíaco, Libra é perigoso justamente por aparentar ser tranquilo e querido, quando na verdade é um alpinista social. Mas é claro que ser tranquilo e querido são características bacanas e, quando bem usadas, a coisa do alpinismo social não se torna tão incomodativa. Como signo de ar, usa seu intelecto pra conseguir o que quer - o problema é que raramente sabe o que é isso.
Escorpião - apesar da fama de mau, um Escorpião só é perigoso quando sabe que poderia ser - e tem tendências ruins. De resto, não temam: é um signo bacana que se interessa pelas coisas ocultas, segredos, aquilo a que as pessoas não prestam atenção ou evitam por ser chocante demais, feio demais. Escorpião é de água, mas é a água congelada, é o iceberg. Apesar das fortes emoções, não sabe lidar com elas e machuca quem está por perto por causa disso. Não é bom quando no Sol, mas funciona bem em planetas auxiliares.
Sagitário - como todo signo de fogo, ele é amoroso e expansivo. Só que expansivo demais. Sagitário pode ser tanto muito aventureiro e divertido quanto fanático (se religioso ou não, vai da criação). É um signo de extremos que não sabe controlar seus rompantes e não conhece limites. Quebra muito a cara até aprender a se controlar um pouquinho.
Capricórnio - não é tão ruim quanto dizem, mas também não é bonzinho. Capricórnio é de terra e todos os signos de terra têm pé no chão, mas ele não tem o pé no chão, tem o pé pregado nele. Teimoso e duro, tanto pra si quanto pra os outros. Se Sagitário não conhece limites, Capricórnio não apenas os conhece como os estabelece.
Aquário - apesar da fama de ser o signo da amizade, Aquário é o mais solitário do zodíaco. Ele reúne as pessoas e depois se manda, pois funciona melhor na solidão do que no meio do barulho - apesar de adorar um barulho, especialmente se for de revolução. Aquário é teimoso e é de ar, então quando coloca algo na cabeça não há quem tire - a não ser que tenha um bom argumento lógico pra contrapor. Não é sentimental ou carinhoso e vive mais no mundo das ideias do que no real.
Peixes - o grande drama queen do zodíaco, Peixes, juntamente com Libra e Câncer, é a rainha da manipulação emocional. Se algo não é como ele quer, chora, sofre, se descabela - e faz da vida alheia um inferno pra que lhe prestem atenção. É água também, mas é o oceano, que te engole assim que a pessoa coloca o pé na beirada. Conhecido por seu romantismo, Peixes extrapola em tudo o que sente: não sabe sentir com moderação e por isso passa muitas vezes de vítima (apesar de geralmente não ser).

Claro que o que fiz aqui foi uma descrição genérica dos SIGNOS, NÃO DO SIGNO NO SOL. Não disse que piscianos são manipuladores emocionais, mas sim que essa é uma característica de Peixes. Porém, o mapa astral tem de ser analisado antes de se falar algo assim.

As casas 


As casas, como já falei anteriormente, são as áreas da vida onde as energias dos signos vão atuar.

Casa 1 (asc) - a casa 1 é a casa do ascendente (na verdade, a cúspide da casa 1 é a do ascendente, mas chegaremos lá) e o que está nela é sempre muito visto. É a primeira impressão que passamos, é como o mundo nos vê.
Casa 2 - relacionada a materialidade, no sentido de ganhos e despesas mesmo, finanças.
Casa 3 - acasa 3 é a da comunicação, do intelecto e como nos relacionamos com pessoas (não de forma romântica, mas a expressão).
Casa 4 - mostra como é a sua casa, a casa do berço familiar, como você enxerga essas questões, se há ou não conflitos.
Casa 5 - é a casa dos tuts-tuts, ou seja, da diversão, do badalo, como a gente se diverte, o que nos deixa animados e também o que criamos, onde está nosso desejo criativo.
Casa 6 - a casa das doenças, como lidamos com o aspecto da saúde (própria).
Casa 7 - a casa das relações "românticas", indica o que nos atrai no outro e como lidamos com um relacionamento.
Casa 8 - é a casa das grandes mudanças (morte, poder etc.), indica como lidamos com transformações e até onde mergulhamos nelas.
Casa 9 - é a casa dos estudos de ensino superior, do aprendizado e da moral e como aceitamos - ou não - essas questões na nossa vida.
Casa 10 (MC) - é a casa do trabalho, também conhecida como Meio do Céu, e indica onde teremos mais afinidade pra atingir sucesso profissional.
Casa 11 - relacionada à experiência de grupo, é a casa das amizades e de como lidamos com pessoas no coletivo.
Casa 12 - é a temida casa do karma, que nos indica (apesar de no mapa podermos ver outros indícios) fortemente onde devemos trabalhar nossas questões kármicas; também é a casa da espiritualidade.

Mas como tudo isso se junta? 


Juro que não é difícil. Até existem partes difíceis na astrologia, mas elas são pra os astrólogos profissionais que fazem mil cálculos e realmente se dedicam à coisa, não a nós que apenas estamos tentando entender o básico de um mapa astral. Vou dar alguns exemplos aqui pra vocês não se perderem.

Uma pessoa com Marte em Leão na casa 5 tende a ter reações egoístas e escandalosas quando está frustrada - e se frustra muito facilmente. Marte é a energia básica (de briga, mas não necessariamente, só que dá pra ver melhor Marte quando tem algum conflito), Leão é um signo tanto escandaloso quanto egoísta (lembrando que estou falando da parte negativa no signo porque o exemplo é de uma briga e quando brigamos a tendência é que nossos defeitos surjam com mais facilidade) e a casa 5 é a dos pequenos prazeres, da diversão, do que nos deixa animados. Então, uma pessoa com esse posicionamento, quando frustrada, vai ficar muito irritada e explodir com aquela fúria leonina tão entediante (entediante pra mim, que tenho Marte em Capricórnio e simplesmente não lido com conflitos porque não valem a pena, mas pode ser extremamente horrível pra quem se importa com isso, tendo Marte num signo de água, por exemplo).

Uma pessoa com Lua em Capricórnio na casa 12 será alguém com grandes tendências a se isolar emocionalmente tanto por não saber expressar o que sente quanto por não confiar nas pessoas o suficiente pra abrir seu íntimo. A Lua representa nossas emoções, o que temos de mais profundo, já Capricórnio não é um signo emocional, não sabe lidar com sentimentos e não confia muito na capacidade alheia, então prefere se resguardar, não mostrar "fraquezas" e colocar uma máscara naquilo até passar. Já a casa 12 é a dos karmas, e isso significaria que é justamente essa trava emocional que a pessoa tem de trabalhar pra desenvolver e destravar de uma vez.

Uma pessoa com Saturno em Peixes na casa 4 tem uma situação astrológica bem complicada porque Saturno é o grande maléfico (apesar de eu total amá-lo, mas isso talvez seja porque sou uma pessoa bem saturnina) e é o cara que nos cobra coisas, que nos mostra onde está o problema. Peixes é o signo do drama queen e também do sofrimento amplificado (nem sempre por um sofrimento real, mas sim pelo que a pessoa sente que sofre porque exagera na questão sentimental) e também do idealismo ilusório, de se convencer de que algo é de um jeito x apenas porque se queria que fosse. A casa 4 é a casa da família, do ambiente familiar, revela como são as relações dentro de casa. Então se a pessoa tem esse posicionamento, ela tem sérios problemas familiares, se sente rejeitada, não apreciada, quer ir embora, mas não consegue, pois tem muito apego e precisa resolver isso urgentemente e desenvolver sua independência.

Fiz uns exemplos aleatórios só pra ilustrar, mas é claro que eu estudo isso há algum tempo e pra mim é um pouco mais fácil. Porém, a partir daí, dá pra ter uma noção já de como funciona o mundo astrológico e tentar entender as coisas básicas do seu mapa astral.

Não sei se é do interesse de alguém, mas se quiserem posso continuar a falar de astrologia, falando sobre signos individualmente, posição das casas de forma mais detalhada etc. Vamo vendo e NÃO USEM ASTROLOGIA COMO DESCULPA PRA SER BABACA. Bjos. 

Então eu li Harry Potter


Cheguei da casa do namorado há pouco tempo, almocei e fui direto me grudar em Harry Potter e as Relíquias da Morte porque PRECISAVA terminar esse livro hoje. Não sei explicar como esse tipo de decisão acontece, porque os artigos e trocentos textos da faculdade e livros que os professores passam só fazem acumular, mas acho que se a gente viver só em cima de ~responsabilidades~ fica meio perturbada e as coisas tendem a não dar certo (falando nisso, lembrei que tenho MAIS UM artigo pra ler pra amanhã e ainda nem o imprimi, risos nervosos). 

Obviamente que não poderia falar de outra coisa que não fosse Harry Potter hoje. Gente. GENTE. Eu tenho 23 anos na cara e ainda não tinha lido o final da saga porque queria ficar adiando mesmo, cês me desculpem. Mas pensei que fosse sofrer mais do que sofri, na realidade. 

A única morte que realmente me fez chorar foi a do Dobby porque DOBBY MERECIA MAIS, DOBBY MELHOR PESSOA e jamais entenderei como a vaca da Bellatrix conseguiu esfaquear o menino Dobby. As outras mortes que me chatearam foram as do casal Lupin e Tonks - pessoas queridas, pessoas bacanas e que tinham acabado de ter um filho! Parece que dona J. K. gosta de fabricar órfãos - e do Fred, obviamente, pois os Weasley são a melhor família - mas também achei que até demorou pra algum Weasley morrer porque todos estavam NA LINHA DE FRENTE e quase não tiveram perdas, é incrível. 

Agora, se vocês acham que vou lamentar as mortes de Dumbledore e do Snape... vou não. Dumbledore é uma questão complicada. Gosto dele no mesmo tanto que não gosto. Ele manipulava todo mundo e total acho que Aberforth, seu irmão, estava certo em dizer que as pessoas o idolatravam, mas que no fundo não era bem assim e ele não era tão brilhante no ponto de vista humano - mas era carismático e talentoso, e também velho, o que acabou lhe dando certa sabedoria que ele total não soube usar porque se não fosse o papel do acaso, as coisas teriam dado completamente errado. Confiar todo um baita plano desses num adolescente e NEM AO MENOS CONTAR AS COISAS PRA ELE porque achou que talvez ele sucumbiria à ideia de poder assim como ele mesmo sucumbiu na adolescência? Não parece uma coisa muito inteligente, não. Eu nem vou me alongar porque ainda quero escrever só sobre o Dumbledore, mas acho que ele morreu na hora certa. 

Já o Snape: vocês realmente engoliram aquele arco de redenção dele? Olha, eu não. E eu gosto do Snape, acho ele um BAITA personagem, talvez o mais bem trabalhado de toda a saga. Só que ele não é bonzinho, gente. Não a ponto do Harry decidir colocar o nome dele no próprio filho. Bem, mas considerando que o Harry é leonino e SENTE COISAS mais do que pensa elas, é bem plausível até. Agora, dá pra entender também por que Snape se transformou naquela criatura vai-não-vai com as trevas. Quer dizer, não é como se James Potter e sua turma fossem pessoas legais, né? Isso aí foi metade resultado de bullying de garotos babacas que acham que podem tudo, metade criação horrível dentro de uma família péssima. Dá pra entender o Snape, mas não dá pra chamá-lo de herói por isso. 

Uma coisa que me irrita muito nos filmes e um pouco nos livros é que os pais do Harry, James e Lily, são caracterizados como se tivessem uns 40 anos, com caras de velhos e ~sabedoria~, sendo que eles eram uns moleques mais novos do que eu que a recém tinham saído da adolescência. E é muito louco pensar que um bando de adolescentes derrotou um bruxo de, o quê, 70 anos, cheio de subterfúgios, poderes e alma dividida pra se tornar imortal. GENTE. 

Aliás, Voldemort é um vilão ridículo demais. Sim, ele é mau. Sim, ele é horrível e ninguém está questionando a capacidade dele. Mas ele, como pessoa, é ridículo. 

Queria continuar escrevendo, mas SO MANY FEELINGS e tenho de ir pra faculdade. Porém, 2 posts ainda sairão: um sobre Dumbledore e outro sobre os aspectos astrológicos das personagens de Harry Potter - porque todos sabemos que J. K. é chegada numa astrologia e criou seus personagens de acordo com estereótipos de signos. 

O incrível meme das séries - parte 2

Continuando os trabalhos de ontem: 

6. I QUIT - uma série da qual desistiu: 

Pretty Little Liars: com essa coisa do final da série eu até pensei em dar mais uma chance. Foi um episódio e meio de muita tortura, até que parei tudo porque absolutamente não sou obrigada. Gente, que série mais nhemnhemnhem. A única coisa bacana são os figurinos. Adoro os figurinos. Mas se fosse por isso eu estaria revendo Gossip Girl, que também é chatinha, mas é muito mais série do que essa ENROLAÇÃO SEM FIM AAAAAAAAAAAH 

7. COMFORT SHOW - sua série conforto: 


Outlander: minha série conforto total mudou de How I met your mother (que eu ainda amo) pra Outlander porque se a Claire conseguiu passar por tudo aquilo, eu também consigo. 

8. BEST CAST - cast favorito:

Grace and Frankie: SÃO DUAS SENHORINHAS SENDO QUE UMA DELAS É A JANE FONDA E ELAS SÃO MUITO AMORECAS E FAZEM UMA SÉRIE DE DUAS SENHORINHAS SENDO SENHORINHAS E TEM FOTOS DAS DUAS NA INTERWEBS E É TUDO MUITO MARAVILHOSO AAAAAAAAAAAAAAAAH Eu amo demais essa série e esse cast, nem dá pra dizer o quanto - mas acho que a caixa alta aí em cima exprime um pouco o sentimento. 

9. BEST SCENES - três cenas marcantes:

Gente?! Como é que eu vou escolher três cenas marcantes? Não dá. Portanto, vou apenas dizer que VEJAM A SEGUNDA TEMPORADA DE GRACE AND FRANKIE!!!! VEJAM!!!!

10. MISS IT - três séries que já acabaram e você sente saudade: 


How I met your mother: eu sei que o final foi cagadíssimo, mas eu amo demais essa série e sinto falta dos diálogos completamente sem noção do Ted, do Marshall e sua crença no Pé Grande e da Lily com aquele gênio forte e seu método de castigo quando alguém se comporta mal.


Once upon a time: "ah, mas vai ter mais uma temporada" CALA A BOCA QUE NINGUÉM TE PERGUNTOU. Olha, vai ter mais uma temporada, mas com outro elenco. Pra mim, a série já terminou e vou sentir saudades eternas porque por mais louca que tenha ficado com aquela mistura de absolutamente tudo, eu amo demais OUAT. É uma série que acompanhei desde o início e sempre fiquei ansiosa esperando pelo episódio da semana. RIP OUAT, ALWAYS IN OUR HEARTS ♥


Penny Dreadful: VANESSA MERECIA MAAAAAAAAAAAIS! Gente, que tristeza. Penny Dreadful total deixou um rombo no meu roll de séries-amor que eu via semanalmente. E eles poderiam explorar tanta coisa mais! Nossa, até hoje fico triste quando penso que não haverá mais novos episódios dessa série maravilhosa.

O incrível meme das séries - parte 1

No BEDA de 2015 respondi um meme muito, muito legal, que é O Incrível Meme das Séries. Eu sou uma pessoa que assiste séries. Quer dizer: eu sou uma pessoa que assiste a MUITAS séries. A louca das séries, por assim dizer. Então achei de bom tom responder esse meme novamente após 2 anos porque, olha, muita coisa nova, muita coisa bacana, muita coisa legal. 

O meme é composto por:
1. Watching It - 3 séries do momento
2. Best Characters - 3 personagens icônicos
3. Ship It - 3 ships pra nunca superar
4. Quote on repeat - 1 quote que nunca esqueceu
5. Geladeira - A próxima série que eu quero ver é...
6. I quit - Uma série da qual você desistiu
7. Comfort Show - Sua série conforto
8. Best Cast - Cast favorito
9. Best Scenes - 3 cenas marcantes
10. Miss It - 3 séries que já acabaram e você sente saudade

Como em 2015, vou dividir o meme em 2 partes. Então será metade hoje e metade amanhã. Isso porque: OI, É FINAL DE SEMANA, QUERO CURTIR COM MEU NAMORADO, NÃO FICAR NA FRENTE DO COMPUTADOR. Dito isso, vamos lá. 

1. WATCHING IT três séries do momento: 


Outlander: que, como eu já cansei de falar, é a melhor série da atualidade. Maratonei as duas temporadas em duas semanas - isso porque me contive pra não ver tudo em dois dias - e agora fico olhando episódios esporádicos enquanto espero a terceira temporada, que estreará mês que vem. Eu amo demais essa série, meldels. Pra quem não conhece: Claire é uma enfermeira da Segunda Guerra que, magicamente, vai parar na Escócia de 1743 após se apoiar numa pedra mágica no Samhain. GENTE, QUE COISA LINDA AAAAAAAAAAAAAAAH 


Doctor Who: que sempre será uma das séries do momento, como todos sabemos. Falou em viagem no tempo, eu já gamei. Amo demais essa série, é a minha preferida da vida e agora fiz namorado descobrir as maravilhas de DW, então estamos maratonando a 4ª temporada e sentindo muita saudade do David Tennant


Arquivo X: tô vendo aos poucos e amando demais. GENTE, TEM ALIENS E TEORIAS DE CONSPIRAÇÃO, cês querem mais? Que série maravilhosa!!!! Eu não sei por que as pessoas não falam mais a respeito dessa série porque, olha, ela total merece atenção, pois simplesmente sensacional. Dois agentes do governo dos EUA que investigam crimes ~estranhos~ e acabam se deparando com seres de outros planetas e gente do governo nada feliz por eles estarem descobrindo isso. INCRÍVEL. 

2. BEST CHARACTERS três personagens icônicos: 


Geillis Duncan: essa mulher é louca e maravilhosa ao mesmo tempo. Meu deus do céu, que mulherão é a Geillis. A mulher tem todo um objetivo muito bem traçado na Escócia de 1743. Ela é entendida das magias, sabe o que quer e não tá nem aí pra quem estiver no caminho dela: simplesmente segue em frente. Geillis, te dedico ♥ 


Doctor: não adianta, ele é o personagem mais icônico de todos e sempre será. O que o Capaldi fez na interpretação do 12° Doctor foi algo TÃO, MAS TÃO INCRÍVEL que por mais que eu esteja contente porque agora teremos uma Doctor mulher, já estou com saudades do Capaldão e do seu jeito querido porém reservado de ser.


Nick Miller: também conhecido como meu alter ego da televisão. Nick Miller é a versão humana do Grumpy Cat e eu amo isso nele. Ele é confuso, mas pure of heart e agora também é escritor!!!! E só não foi escritor antes porque tem probleminhas de autoestima e não conseguia acreditar que poderia ser!!!! Eu amo demais esse homem, meu deus. ♥ 

3. SHIP IT três ships pra nunca superar: 


Sculder (Mulder e Scully, de Arquivo X): eita casal que vai-não-vai! Porém melhor casal: ela cética, ele todo deslumbrado com os aliens. Ambos bonitões e capazes de tudo pra ir atrás da verdade. E THE FEELS!!!! Gente, eles claramente se querem o tempo inteiro, mas não podemos atrapalhar a profissionalidade. Affs, que saco. MULDER & SCULLY 4EVER 


Ness (Nick e Jess, de New Girl): eu sei lá por que raios eles ainda não terminaram juntos, sinceramente. Ambos são adoráveis, mas bizarros. Bizarros. E se gostam pra caramba, vivem rolando climas, mas nunca dáááááá. Não entendo essas histórias em que as pessoas se gostam, mas não estão juntas. A VIDA É SIMPLES, MEU AMÔ: beije quem você ama enquanto ainda há tempo. Agora que a Megan Fox ridícula saiu da série, quem sabe Ness aconteça de vez? OREMOS. 


Clamie (Claire e Jamie, de Outlander): eles ficam juntos, a moça volta pra o futuro, eles se separam, a moça tenta voltar pra o passado, mas ninguém sabe ao certo porque A TERCEIRA TEMPORADA AINDA NÃO ESTREOOOOOOOOOU!!!! Torcendo demais com Clamie, melhor casal. E pra gente ouvir mais uma vez o Jamie sussurrar naquela voz linda dele: sassenach ♥ 

4. QUOTE ON REPEAT quote que nunca esqueceu:

Repetindo o que eu disse em 2015, mas a coisa continua a mesma: não poderia escolher nenhum outro que não esse porque JAMAIS esquecerei a voz do Tennant falando isso em Doctor Who. EU TENHO UM BOTTOM COM ISSO ESCRITO, MINHA GENTE. Cês pensem bem no nível de fangirl aqui. 


~people assume that time is a strict progression of cause to effect, but, actually, from a non-linear, non-subjective viewpoint, it's more like a big ball of wibbly wobbly... timey wimey... stuff.~

5. GELADEIRA - a próxima série que eu quero ver é...:

De tanto as gurias do Cilada recomendarem, a próxima da lista é Downton Abbey. Vamo que vamo que sei que vou amar - mas é comprida demaaaaaaaais, dá preguiça. :x 

A tag da leitora culpada

A Michas total me salvou hoje porque eu estava a fim de falar sobre livros, mas não sabia exatamente como. Então lembrei que ela postou esses dias uma tag que é basicamente a Tag da Leitora Culpada, que consiste em perguntas pra averiguar sua culpa enquanto leitor. Vamo que vamo o/


1. Já presenteou alguém com algum livro que você ganhou de presente?
Mas é claro. As pessoas costumam me dar muitos livros, só que por algum motivo elas acham que eu gosto de Y.A.s e coisas do gênero. Spoiler: não gosto. Até tento ler, mas fica empacado. Então, quando há a oportunidade, dou de presente. Livro parado é livro triste - melhor passar pra frente e deixar todo mundo feliz no processo, eu com espaço pra livros novos e as pessoas com novas histórias pra ler. 

2. Já disse que leu algum livro quando, na verdade, não leu?
Não. Lembro que isso acontecia muito na escola, dos colegas dizerem que tinham lido o livro, mas não tinham nada. Só que eu sempre fui rata de biblioteca, então nunca tive problemas com isso. Lembro que uma vez a professora ficou dois meses avisando que a gente tinha que ler Memórias de um sargento de milícias porque iria ter uma prova só sobre ele. No início achei o livro meio chatinho, mas depois do primeiro capítulo já estava gargalhando (inclusive: meu livro preferido de literatura brasileira ♥). Chegou o dia da prova: ninguém tinha lido o dito cujo a não ser eu. E a professora, então, só deixou eu fazer a prova e deu zero pra o resto da turma. (Já disse como eu era odiada na escola? Pois é.) 

3. Já pegou algum livro emprestado e não devolveu?
Já, mas não foi por querer. Em todos os casos foi porque as pessoas simplesmente SUMIRAM assim que me emprestaram seus livros. E quando digo que sumiram quero dizer que trocaram o número de telefone, desativaram o facebook e foram viver nas montanhas. No caso de uma pessoa específica, ela simplesmente me bloqueou de tudo sem dar a mínima satisfação, do mais absolutamente nada, e até hoje eu não sei o que aconteceu. Mas ela passa por mim na faculdade sem nem dar um oi e eu que não vou correr atrás pra devolver um livro que eu nem queria pegar pra início de conversa. 

4. Já leu alguma série fora de ordem?
Já. A série em questão foi a Trilogia da Magia, da Nora Roberts. Li o primeiro e o terceiro livros, mas ainda não li o segundo. Total queria, mas o primeiro li da biblioteca e o terceiro li porque foi o único que consegui achar pra comprar, só que não achei de forma alguma o segundo. Ainda estou esperando acontecer de ele surgir magicamente na minha frente. 

5. Já deu spoiler de algum livro para alguém?
Dei, mas foi porque a pessoa pediu e só após eu ficar perguntando se ela realmente tinha certeza de que queria o spoiler. ODEIO SPOILERS E QUERO MATAR QUEM FICA JOGANDO ISSO SEM AVISOS, então evito fazer o mesmo com as pessoas. 

6. Já dobrou a página de algum livro para marcar?
Claro. Não é algo de que me orgulho, mas às vezes é necessário. 

7. Já disse para alguém que você não tem um livro quando, na verdade, tem?
Não, eu digo na lata mesmo que não empresto. Empresto meus livros pra pouquíssimas pessoas e sempre me arrependo porque ninguém cuida direito deles aaaaaaaah. Sempre tenho que dar uma restauradinha nos livros quando eles voltam. É bem triste, e isso com pessoas de confiança - imagina se eu simplesmente saísse emprestando pra qualquer um? Credo. 

8. Já disse que nunca leu algum livro quando, na verdade, já leu?
Não, né. Gente, eu não tenho vergonha nenhuma na cara. As pessoas que me acham envergonhada claramente não me conhecem - eu sou introvertida e não gosto muito de gente, o que não significa que seja envergonhada. Não trabalho com o conceito de guilty pleasure e se li algo que seja considerado bobo ou ridículo (alô Crepúsculo), falo mesmo, tô 100% nem aí. Mesma coisa pra os livros do Paulo Coelho: todo mundo me zoa quando digo que li e gosto. Mas gosto, ué. Me deixa. 

9. Já pulou um capítulo ou trechos de algum livro?
Se eu não me engano, isso aconteceu muito com Machado de Assis. Gente, eu não gosto do Machado. Quer dizer, eu gosto dos contos dele. Um poema e outro é até legal. Mas ele como romancista? Acho um saco. PODEM ME CRUCIFICAR, PESSOAL DAS LETRAS, ESTOU CAGANDO PRA VOCÊS. Machado é chato, ponto. Pulei capítulos, depois voltei porque tinha que ler aquela porcaria, mas foi por obrigação, não por amor à obra, não. Tanto escritor bom e vocês obrigando a gente a ler Machado. Olha, sinceramente... 

10. Já falou mal de algum livro que, na verdade, você gostou? 
Já, mas isso é porque eu sempre gosto de ressaltar as coisas boas e ruins nos livros. Fora que eu gostar de um livro é algo bem sentimental - não quer dizer que ele não seja mal escrito, quer dizer apenas que ele fez sentido pra mim naquele momento. Posso falar mal de livros e gostar deles ao mesmo tempo, uma coisa não influi na outra. Vamos ser críticos, pessoal. Não consigo defender ninguém, nem autor preferido eu defendo. 

A guerra não tem rosto de mulher

A guerra não tem rosto de mulher 
Svetlana Aleksiévitch
390 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2016 

Sobre o que é: um dia dona Svetlana, uma jornalista ucraniana, decidiu contar a história que ninguém conta: a das mulheres que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Então ela saiu à procura de mulheres bielorrussas que tivessem lutado no Exército Vermelho e recolheu depoimentos delas. Essas entrevistas compõem o livro, que é basicamente uma série de relatos pessoais de como é a guerra das mulheres, a guerra na visão das mulheres e o que elas passaram durante seus anos lutando numa guerra que hoje em dia só é contada por homens. 

Por que ele é bom? Juro que não estou dizendo isso porque faço Jornalismo, mas esse livro deveria ser leitura essencial pra todo mundo. TODO MUNDO. O que a Svetlana fez foi basicamente entrevistar um monte de mulheres que lutaram no Exército Vermelho - o exército russo - e deixar que elas contassem suas histórias. O livro não tem muitos comentários dela, e sim as entrevistas das mulheres mesmo. E isso é incrível porque a vida real pode ser muito mais fascinante do que a ficção e muitas vezes eu tinha de parar a leitura pra me lembrar de que aquilo que está no livro é real, que aquelas mulheres realmente passaram por aquelas coisas e que, por mais absurdas que pareçam, não se trata de ficção.

É muito, muito triste ler todos os relatos dessas mulheres, só que necessário. Ninguém conta a história delas. Durante várias vezes elas falam de como foram desprezadas ao voltarem pra casa e ouvir todo mundo - incluindo as próprias mulheres que não haviam participado da guerra - dizer que elas eram umas vadias que haviam ido pra o front só pra se prostituírem pra os soldados. SENDO QUE ELAS ERAM OS SOLDADOS. Elas não apenas eram soldados como eram comandantes também. Mas é claro que uma mulher sempre será julgada, não importa o que fizer ou onde estiver - mesmo que tenha ajudado a salvar seu país.

Eu achei impressionante as várias mulheres que contaram que durante a guerra não menstruaram, a menstruação simplesmente parou. E também que depois de um, dois dias no front, elas acordavam com os cabelos brancos. Sempre havia ouvido essa história de cabelos embranquecerem ante situações extremas, mas não sabia que era verdade.

Uma coisa que também me deixou MUITO impressionada foi que as mulheres faziam filas pra se alistarem. Ninguém obrigou ninguém. Elas realmente queriam lutar pelo seu país e muitas vezes chegaram a brigar com comandantes pra que as aceitassem. Eu não estava conseguindo entender como em sã consciência alguém quer ir pra o meio da guerra matar ou ser morto, mas aí vi um documentário, logo que terminei o livro, chamado Empire of the Tsars, que conta a história dos 300 anos dos Romanov no poder. O que conta também é como o povo era escravizado. Tinha a elite e todo o resto eram serviçais. As mães dessas mulheres que lutaram ainda tinham vivido sob o domínio dos Czares. As avós delas tinham sido serviçais. Então dá pra entender por que elas amavam tanto o país e lutavam tanto assim pela liberdade: ninguém queria voltar àquele passado, onde tinha um tirano que te tirava tudo e que te escravizava.

Li o livro em 4 dias e só não li mais rápido porque eventualmente tinha de parar pra estudar, comer, dormir e escrever pra o BEDA. É excelente demais e extremamente necessário. Ninguém conta a história dessas mulheres. Nos livros de história a gente não aprende que mulheres lutaram também. O máximo que ficamos sabendo é que elas foram enfermeiras - mas nos é escondida toda a parte em que elas iam pra os tanques, faziam combate corpo a corpo com baionetas e pegavam em fuzis.

Por que ele é ruim? Se alguém vier me falar que esse livro é ruim vai ganhar apenas meu Super Olhar de Desprezo porque claramente essa pessoa ou não leu o livro ou não se interessa pela história das mulheres na guerra - o que eu acho bem esquisito porque COMO NÃO SE INTERESSAR MEU DEUS DO CÉU?!


Você vai gostar se... quer conhecer mais sobre a participação das mulheres na Segunda Guerra, gosta de ler histórias que se passem em conflitos, se interessa por feminismo e GIRL POWER ou é da área do Jornalismo e gosta de ler livros-reportagem.

Em um quote:

Os homens eram vencedores, heróis, noivos, a guerra era deles; já para nós, olhavam com outros olhos. Era completamente diferente... Vou lhe dizer, tomaram a vitória de nós. (p. 156) 

A vida é impraticável sem contos de fadas

Ontem dormi assistindo Encantada pela vigésima não sei quanta vez porque a vida é impraticável sem contos de fadas. A gente sabe que os contos de fadas tradicionais são histórias que inferiorizam a mulher à condição daquela que sempre tem de ser resgatada, que precisa de auxílio, que não consegue se virar sozinha. Mas mesmo assim tem dias em que apenas um conto de fadas, com seus vestidos esvoaçantes, a princesa bonita, mas completamente ingênua e a trilha sonora encantadora podem restaurar a nossa fé na humanidade. 


Minha bisavó veio pra cá durante a Revolução Russa. Ela nasceu lá, mas seus pais, durante a bagunça revolucionária, viram que não tinham condições de criar uma família naquela confusão e se mandaram pra o Brasil. Durante a viagem ela caiu no mar, mas conseguiu ser resgatada e viveu até ser bem velhinha e enterrada com os sapatos maiores que os pés. 

Gosto de pensar que esse foi um conto de fada da vida real: ela foi magicamente resgatada do mar por uma fada madrinha e sobreviveu pra casar com um filho de imigrantes poloneses e ter uma filha que teve outra filha e assim por diante, até mim. 

Quando eu era criança todo mundo dizia que eu era uma princesinha e eu cresci acreditando nisso. Acreditei piamente nas histórias de princesas que me contavam até os 10 anos de idade, quando descobri que eu não era princesa coisa alguma e deixei meus vestidos de renda, seda e laços de fita de lado porque a vida moderna necessita de jeans e tênis surrado. 

Hoje sinto falta dos meus vestidos e uso qualquer desculpa pra vestir algo bonitinho e cheio de lacinhos e rendas. 

Mas ainda acredito que todas nós somos princesas. Só que a nossa grande conquista não está mais num casamento pomposo com um príncipe bonitão e um viveram felizes para sempre, e sim na realização pessoal, que pode ser um trabalho bacana, uma graduação que sempre se quis fazer, uma parceria com uma editora ou até mesmo um guarda-roupa cheio de roupas lindas que te deem a sensação de que tudo é possível. Isso é diferente pra cada pessoa, mas todo mundo pode ter seu conto de fada e acho que isso é possível justamente porque a vida é cheia dessas pequenas coisas mágicas e secretas, das quais quase ninguém sabe, mas que enchem nossos dias de beleza e magia - como a minha bisavó escapando de um afogamento no meio do mar enquanto vinha da Rússia pra cá, em plena Revolução. 

Eu também tenho meu conto de fadas, mas ele - apesar de ter uma história de amor no meio - não é nada romântico. Meu final feliz envolve a escrita de boas histórias e a tranquilidade pra viver disso, mas a vida não é uma narrativa linear e não faço ideia se meu desejo vai se realizar. Mas que quero fazer que nem a Giselle e ir parar noutro lugar pra viver histórias que não estavam no meu roteiro e poder contá-las, isso quero. 

Self-care 2017

É aquela coisa: a pessoa vai ficando mais velha e começa a se dar conta de que ou se cuida ou fica toda horrorosa - e nem tô falando de aparência aqui, mas de saúde mesmo. Meus joelhos começaram a doer, meu fôlego diminuiu consideravelmente e minhas roupas já não entram. Nos últimos 3 anos fui a louca das rotinas intermináveis que incluíam trabalho + trabalho + estudos. Dormia no máximo 4h por noite e o resto do tempo ou tava trabalhando ou estudando (e lendo nas horas vagas - nos ônibus da vida - porque algum entretenimento a pessoa tem de ter). Só que não me cuidei. E aí aconteceu o quê? Isso mesmo, a gordura. 


Antes que venham me dizer que a pessoa tem que se amar do jeito que é, que temos de aceitar nosso corpo, que gordofobia blablabla: VÃO TOMAR NO CY QUE CÊS NÃO VIVEM NO MEU CORPO BJOS. Dito isso, deixa eu continuar: se fosse uma questão apenas estética já estaria ruim, mas nem tanto. Só que é uma questão também de saúde, tanto física (oi, um metro e meio de altura, não tenho estrutura pra ser gorda) quanto psicológica (gentes rindo da minha cara e me dando instintos homicidas). Aí decidi mudar a rotina. 

Saí do trabalho. É a primeira vez em anos que eu não tenho de acordar às 5h30 da manhã pra pegar um ônibus e só voltar meia-noite e pouca pra casa. Conversei com meus pais e eles total apoiaram que eu tire um ano pra me cuidar, pra ter uma rotina de self-care, e depois volte a trabalhar (mas sem toda aquela loucura de antes de ficar trocentas horas na rua sendo bem workaholic, comendo mal e não fazendo exercícios). 

Então é assim que as coisas funcionam agora: 
levanto cedão, como algo que não seja pão/bolo/bolacha e saio pra caminhar por 2h consecutivas. Volto e sou feliz tomando banho, almoçando coisas saudáveis, tomando suquinhos naturais - e muita água - e comendo mingau de aveia. 

SIM, MINGAU DE AVEIA. 

Vocês já ouviram falar da palavra do mingau de aveia? Gente, mingau de aveia é maravilhoso. Aveia é um troço que além de te nutrir também te dá a sensação de estar cheia e não ter fome, então você fica alimentada e sem fome por horas. Só vou ter fome no horário certo mesmo, que é o do jantar, e não fico com gana de docinhos durante os intervalos da faculdade. É só amor. ♥ 

~Agora mesmo, Winston, já que tá na hora do café da tarde~

A ideia é não ficar me pesando feito louca e só fazer coisas saudáveis, mas que me façam sentir bem - nada de comer bife de fígado ou essas porcarias com o gosto da morte, eca. Mensalmente vou me pesar e conferir o que tá dando certo ou não. Vamo que vamo que no fim do ano teremos uma Mia mais feliz - assim espero, a gente sabe que A VIDA, ELA É LOUCA, mas vamos lá. 

2017/2: primeiras impressões

2017/2 começou e, com ele, o 4° semestre de Jornalismo. QUARTO SEMESTRE. Gente, tá passando rápido demais. 

Só que é aquilo: ele começou e já começou aloprando loucamente porque inventei de pegar trocentas disciplinas e agora tô me virando pra fazer todas as leituras e todos os trabalhos e não querer morrer no processo. Mas por enquanto tá bacana, ainda tô com aquela expectativa de ~as coisas vão dar certo~. Vamo que vamo. 

No primeiro dia de aula um professor abriu a sala, esperou todo mundo entrar e disse: 
— É isso, pessoal. Podem ir embora, não vai ter aula. 
Ao olhar de pânico de todo mundo, ele, na maior má vontade do universo, complementou: 
— Sou o coordenador do curso de Ciências Sociais. A disciplina que vocês vão fazer é do meu curso, mas o professor não vem hoje porque foi viajar. Até pensei em fazer uma introdução pra vocês, mas melhor não. É isso aí, podem ir agora. 

GENTE 
RAIVA 


Você não conhece raiva verdadeira até sair de casa mais cedo porque tem uma aula que pegou no horário da tarde, sendo que você estuda à noite, apenas pra poder ter os sábados livres, pois essa era a única outra opção de horário, chegar lá e NÃO TER AULA e não poder nem ir embora porque tem que esperar 3h pela próxima aula e não tem nada pra fazer com seu tempo livre e só pensa que poderia estar dormindo, lendo, vendo filme, cozinhando, o inferno. 

Depois tivemos Leituras em Jornalismo e até eu, que gosto de ler, acho que vamos ler coisa demais este semestre. Tem umas 100 páginas pra cada semana + livrinhos obrigatórios pra resenhar. MAS OKAY, VAMOS LÁ, MIA, VOCÊ GOSTA DE LER — tento inutilmente me animar durante o processo. Mas se fosse só isso pra ler, okay. Só que tem mais umas três disciplinas cujas profs exigiram o mesmo tanto de leitura semanal. É coisa demais. O bom é que o professor é do tipo que fala, fala, fala e fala bem, fala coisas interessantes, então imagino que não vou passar muita raiva. 

Pra essa cadeira, já li um dos livros obrigatórios: A guerra não tem rosto de mulher, da Svetlana Aleksiévitch. Terminei anteontem e geeeeeeeeeeente, que livro esmagador! Ainda vou escrever sobre ele, mas é tristíssimo. Porém, de fato, todo mundo deveria ler isso daí. 


Mas tem duas aulas que estão me fazendo passar muita raiva: Inovação e Ética. A ideia de Inovação é basicamente sermos EMPREENDEDORES. Não sei vocês, mas essa coisa de empreendedorismo estar em absolutamente tudo hoje em dia me irrita demais. Gente, eu não quero ser empreendedoraaaaaaaaaa. Eu só quero ter um trabalho relativamente legal que me pague o suficiente pra eu poder ter minha casinha e comprar meus livrinhos e vestidos bonitos. SÓ. Não é como se eu fosse uma pessoa criativa e cheia de ideias e pronta a vender meu peixe o tempo todo. Se era um parto pra eu vender uma trufa na época em que eu fazia trufinhas e levava por aí, imagina pra me vender como empreendedora jornalística? São questões. 


Ética tá me dando raiva demais porque o professor simplesmente abriu um livro de Filosofia e ficou lá, lendo passagens e dando exemplos toscos. Pra uma turma basicamente toda composta de gente do Jornalismo que saiu direto da escola pra faculdade. E que não tem praticamente base alguma de Filosofia. 

DIDÁTICA PRA QUÊ, 
NÃO É MESMO? 

Eu odeio demais o pessoal da Filosofia por causa disso: eles acham que se eles sabem, todo mundo tem que saber e estão simplesmente cagando pra coisas como didática e a forma com que os alunos aprendem. Pode ser que eu tenha ficado meio ~estragada~ após 2 anos de Pedagogia, mas pra mim a coisa mais importante numa aula é a forma como o professor dá a matéria. Semestre retrasado fiz Jornalismo Esportivo e mesmo ODIANDO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS a matéria em si, consegui entender os conceitos e tirar um 10. Isso porque o prof é muito didático e bacana e realmente se esforça pra fazer com que os alunos compreendam aquilo que tá sendo passado. 

Honestamente, pensando em trancar a cadeira e só fazer isso quando tiver pra me formar e for essencialmente obrigatório. Muito stress pra um semestre com 10 disciplinas na grade, sendo que uma delas é a temida Reportagem e eu vou precisar fazer uma de 12.000 caracteres até novembro!!!! 


Enquanto isso, prosseguimos com esperança de que as coisas vão se ajeitar assim que eu pegar o ~ritmo~ da volta às aulas. 

Ou não. 

:) 

6 pais da ficção que merecem um joinha

Muitas vezes os pais da ficção são melhores do que os nossos. Nem todos os pais merecem um feliz dia dos pais, nem todos os pais são pais. Mas a ficção tá cheia de pais bacanas, comprometidos e legais, que se esforçam pra serem os melhores pra seus filhos. Como hoje é dia dos pais e eu já enchi este blog de textos pra o meu pai - que é a melhor pessoa deste universo -, bora fazer listinha de pais da ficção tão incríveis quanto o meu! 

1. Arthur Weasley - Harry Potter 


Não tinha como ser diferente: esta lista tem de começar por ele. O Sr. Weasley é um paizão: trocentos filhos, todos com poderes mágicos e ele cuidando da tropa toda sem deixar as coisas desandarem - e meio que "adotando" mais um, Harry, no meio da história. Ele é divertido, tenta pegar leve com as crianças - especialmente com os gêmeos - e está sempre apoiando os filhos. Certamente ele não merecia aquele troço do Percy. 

2. Mr. Bennet - Orgulho e Preconceito 


Pai da nossa querida Elizabeth Bennet, não poderia ter sido um pai melhor na época: apoiou a filha quando ela não quis casar, sempre dava ótimos conselhos e mantinha um bom humor, coisa que não era bem aceita pra um pai do período regencial. 

3. Frank Randall - Outlander 


Ele assumiu uma filha que não era dele a criou como se fosse, nunca contando a ela a verdade de que ela havia sido concebida 200 anos antes. E ele a criou bem. Brianna fala dele com muito carinho e acabou seguindo a mesma profissão do pai: historiadora. Obviamente que todos queríamos que Jamie tivesse cuidado dela desde sempre, afinal tecnicamente a filha é dele, mas pai é aquele que cria e Frank fez um ótimo trabalho. 

4. Atticus Finch - O sol é para todos 


Atticus é aquele pai que ensina as coisas corretas pra os filhos, mesmo que essas coisas vão contra os valores da sociedade da época e que ele mesmo acabe sofrendo discriminação por conta disso. Atticus é um paizão por ensinar aos filhos, no interior de um EUA extremamente preconceituoso, que eles não devem ser racistas, que todos os homens são iguais e que se deve lutar por aquilo que é certo. 

5. Julius - Todo mundo odeia o Chris 


Criar vários filhos sendo um pai pobre e negro num meio ainda muito racista não é fácil, mas o Julius fez o seu melhor. Okay que ele era mão de vaca, mas como não ser nas condições dele? Tinha dois empregos, às vezes até três, só pra sustentar seus filhos e sempre que possível tentava ensinar coisas bacanas pra eles. Mesmo super ocupado, se fazia presente. Julius é paizão sim! 

6. Danny Tanner - Full House 


Danny ficou viúvo com três meninas pequenas e aí fez o quê? Pediu ajuda pra cuidar delas e formou uma grande família de três pais: um biológico, um tio e um amigo de infância. Mesmo trabalhando como repórter e tendo uma agenda apertada - e põe apertada nisso, o jornalismo ainda nos matará -, ele sempre estava ali, pronto pra dar um daqueles discursos intermináveis, mas que sempre acabavam em abraços e muito amor. 

Aquele das onze questões

Em tempos de BEDA, tudo vale. Especialmente naquele final de semana em que você tem trocentas coisas pra ler e não sabe do que diabos falar no blog porque só pensa em livros, artigos e meldels, por que me matriculei em tantas disciplinas? 

É pra isso que existem os memes - vai ser meme sim, não vou entrar nessas e chamar de tag -, pra facilitarem nossas vidas em dias especialmente difíceis de postar. 

O meme de hoje foi indicado pela Ana e ele consiste em falar 11 coisas sobre você, responder a 11 perguntas e fazer mais 11. Como eu já fiz isso há algum tempo, vou apenas responder as perguntas da Ana e ser feliz. o/ 


1. Qual dia da sua vida você gostaria de reviver e por quê? 
Não consigo pensar em nenhum agora. Acho que reviver é uma coisa meio triste porque você já sabe como vai terminar, já sabe como a história prossegue... Não queria reviver nada, não. Ao menos, não agora. 

2. É bolacha ou biscoito? 
Bolacha. Inclusive, acabei de fazer uma torta de bolacha especialmente pra o dia dos pais. 

3. Em quê você pensa antes de dormir?
Nas vergonhas do dia passado e também do passado de anos atrás e em como eu sou otária e ridícula e todo mundo provavelmente se reúne quando eu não estou pra rir das minhas burradas. 

4. Qual foi o livro que mais marcou a sua vida?
Nem preciso pensar muito: A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera - sobre o qual eu escrevi aqui anteontem. Esse livro é simplesmente sensacional. Só lendo pra entender. 

5. Se você ficasse preso no universo da última série que assistiu, qual seria? 
A Escócia de 1745, com os ingleses matando todo mundo e o levante jacobita fazendo a revolução. Obviamente que a série foi Outlander, a melhor série da atualidade, apenas. ♥ (Mas que se passa durante um período horrível e eu total não queria ser a Claire e ficar presa naquela época, não.) 

6. Harry Potter ou Senhor dos Anéis? 
Gosto bastante de ambos, mas Harry Potter pelo fandom: os fãs de Senhor dos Anéis são M U I T O C H A T O S. Meldels, que gente insuportável. Prefiro 100% o povo de Harry Potter - que também pode ser chato, mas não chega aos pés do outro. 

7. Qual música te faz dançar enquanto faz faxina em casa? 
Não poderia ser outra que não I want to break free, do Queen, né? 


8. Qual sua opinião sobre emojis/emoticons?
Não tenho opinião...? Sei lá, quando usados vezenquando, bacana. O chato é quando a pessoa a recém descobriu a mágica da internet e decide usar aquilo em absolutamente tudo. 

9. Se você pudesse escolher outro lugar pra morar, qual seria? 
Qualquer lugar bonito, com bastante vegetação e um clima agradável de uns 20°C pra menos. Ah, e que fosse meio longe de gente, risos. 

10. O que você pensa sobre a morte?
É apenas uma outra etapa da vida. 

11. O que te faz suspirar?
Geralmente eu só suspiro de raiva ou cansaço HAHAHAHA Então se eu soltar suspirinho é porque algo tá bem errado, mas eu tô irritada/cansada demais pra dizer. 

Lista de NÃO recomendações: livros

É muito, muito difícil eu não gostar de um livro. Talvez porque eu leia gêneros que já sei que gosto e não fique futricando por outros que sei que não funcionam pra mim. Mas o fato é que eu gosto de basicamente tudo que leio. A verdade é que adoro boas histórias, tanto faz o gênero - tem até romance que acho bacana, e olha que d e t e s t o historinha de amor. Por isso, foi difícil fazer essa lista de livros pra não ler, mas consegui separar aqueles de que não gostei nadinha nos últimos 5 anos. Vamos lá.


Cordilheira

Sobre o que é: jovem escritora com passado triste decide jogar tudo pra o alto pra se esporreada por um argentino qualquer com desejos suicidas. 

O porquê do ódio: eu já falei muitas vezes mal desse livro, mas acho que tudo o que eu falar não será nada perto do desprazer dessa leitura. Eu detestei tanto ler esse troço porque é extremamente misógino e nojento, como já falei aqui. Por favor, leiam o que eu escrevi e fujam de Daniel Galera o mais rápido possível. A literatura brasileira tá cheia de coisa bacana, a gente definitivamente não precisa ler mais um homem dizendo como mulheres são sensíveis e só se satisfazem quando mães. Me poupem, se poupem. 



Morangos mofados

Sobre o que é: contos diversos envolvendo astrologia, mas de uma forma enfadonha e confusa, e muita gente louca bebendo todas e falando coisas desconexas. 

O porquê do ódio: eu nem odeio o livro em si, só acho ele bem fraco e não o recomendo. O que dá raiva mesmo é que o Caio Fernando Abreu tem TANTA coisa boa escrita, mas as pessoas só sabem falar sobre esse livro - que é, me arrisco dizer, o pior dele. Gente, vão ler as cartas do cara. Vão ler Além do ponto e outros contos (que é maravilhoso, por sinal). Mas não leiam esse. Não é bacana. Tá, pode ser pra alguém, mas pra ~mim~ não é: Caio fez muita coisa melhor, vamos focar nisso. 


Morte súbita 

Sobre o que é: gente perturbada numa cidade cheia de gente perturbada com perturbações emocionais que não levam a lugar algum. 

O porquê do ódio: o livro é horríiiiiiivel. Acho que só conseguiu gostar quem é MUITO fã da J. K. - o que não é o meu caso; gosto dela, mas calmaí. O que me dá raiva é que a J. K. é uma baita escritora, com um potencial gigantesco pra fazer coisas bacanérrimas - no estilo dela, fantasia. Mas aí ela foi lá se aventurar por outros caminhos. E okay, acho legal isso. Só que ela falhou miseravelmente no processo, e mesmo assim os fãs exaltam o troço como se fosse o melhor livro adulto já escrito na face da Terra. Olha, menos, bem menos. Personagens chatos, gente que não cativa e enredo enroladíssimo. Vamos reler Harry Potter que tá melhor. 

As vantagens de ser invisível 

Sobre o que é: Charlie tem probleminhas, aí arranja amigos, mas consegue cagar com tudo e põe a culpa nos probleminhas e não no fato de ser apenas um adolescente chato e sem jeito. 

O porquê do ódio: o autor tinha uma história bacana, uma oportunidade muito boa de desenvolver algo que poderia ser o livro da vida de muita gente (e, na verdade, é, mas na minha vida ele só foi o livro que me segurei com força pra não rasgar após a leitura), mas aí ele fez o quê? Justificou os probleminhas do Charlie com um trauminha do passado que total NÃO JUSTIFICA BABAQUICE ALHEIA. Olha, sinceramente, isso me revoltou num tanto que peguei ódio do autor. Eu teria adorado o livro se não fosse pelo final, mas o final caga tudo. Sei que muita gente gostou, mas sério, que diarreia dozinfernos. Gente, não dá pra usar aquilo como desculpa pra ser babaca. Simplesmente n ã o d á. Desculpaí, mas não dá. Fiquem com o filme, o filme é amor, o filme é legal. 

Para sempre 

Sobre o que é: jovem casal que se conhece há poucos meses, mas casaram pra honrar a pureza da fé, sofre acidente e a mulher perde a memória e não se lembra do marido, mas eles não desapegam porque estão unidos por ~Deus~. 

O porquê do ódio: aaaaaaaaaaaaaaah que coisa mais ridículaaaaaaaa!!!! A mulher não lembra do cara e jamais lembrará e ele fica forçando ela a continuar com ele porque estão casados perante Deus. Caramba, se não suporto romance, que o fará romance cristão. Gente, sério, que livro desnecessário. Pior ainda: é a história real do casal. Que coisa problemática, que coisa horrível. Pra mim, é terror trash do pior possível. Fujam correndo disso aí. 



Entrevista com o vampiro 

Sobre o que é: um repórter entrevista um vampiro de trocentos anos e o vampirão fica contando magoazinha da vida após a morte. 

O porquê do ódio: você tem todo um potencial de história, um background legal, vampiro de séculos dando entrevista pra um repórter nos anos 90, toda uma atmosfera bacana, aí cê vai lá e faz o quê? Cria o personagem mais mimizento da história da literatura. MELDELS, COMO EU ODEIO O LOUIS. Gente, qualé a necessidade de ser um vampiro se for pra ficar lamentando durante a eternidade toda porque "ó, como sofro, ó, não suporto o sofrimento, ó, a morte é terrível"? Vampiro Louis é a versão masculina e chupadora de sangue da Murta-Que-Geme - só que sem as sacadas humorísticas. Não dá, não dá pra aguentaaaaaaaaar. Acho que nem Edward Cullen aguentaria meia hora com Louis. A única pessoa digna no livro é Lestat - apesar de ser completamente perturbado também, mas ao menos não se lamenta. Alguém dê psicotrópicos ao menino Louis, por favor. 

A insustentável leveza do ser

A insustentável leveza do ser
Milan Kundera
344 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é? Tereza tem uma vida bem medíocre com uma mãe abusiva e um emprego horrível, mas está sempre com um livro debaixo do braço pra ler historinhas e fugir daquela vida dela. Tomas é um cirurgião bonitão, mas ordinário, que pega todo mundo e tá 100% nem aí. Quando os dois se conhecem, acontece o encontro dos opostos: do peso e da leveza. Tereza leva a vida a sério, tudo pra ela é pesado. Pra Tomas, a vida é fácil e descomplicada e tudo é muito leve. Mas coisas acontecem quando a Tchecoslováquia é invadida pela URSS e todo mundo se ferra, trocando de papéis entre peso e leveza, entre melhor e pior e mostrando que o ser humano tem diversas facetas e ninguém é bom ou mau, apenas tenta agir da melhor maneira de acordo com a situação. 

Por que ele é bom? MELHOR. LIVRINHO. QUE. JÁ. LI. A primeira vez que li A insustentável leveza do ser, tinha 18 anos e fiquei tão obcecada que o reli algumas vezes naquele mesmo mês. Só que a Mia de 18 anos era uma pessoa bem diferente da Mia de agora e eu tinha muito medo de reler esse livro e ver ele se desencantar totalmente pra mim. 

Bem, isso não aconteceu. O que aconteceu é que tive uma experiência completamente diferente de leitura. Aos 18, me achava uma Tereza tentando ser Sabina. Agora, vejo claramente que sou muito mais Sabina do que Tereza. Mas quem diabos são Sabina e Tereza? Vamos lá.

Tereza é uma garçonete do interior com uma família complicadíssima e que se esconde atrás de livros (especialmente do Tolstói e do Thomas Mann) pra poder escapar daquela vidinha que ela era obrigada a viver. Ou seja: Tereza é gente como a gente, gente que lê pra não lidar com a realidade porque cheeeeega de gente escrota e mal educada. Um dia, ela acaba servindo um conhaque pra Tomas, um médico que morava noutra cidade e tava ali só de passagem. Mas, como ele estava lendo um livro ela ficou completamente encantada porque a. ele era um estranho, não os bêbados nojentos do dia-a-dia; b. ele tava lendo um livro, coisa que ninguém havia feito antes naquele bar. Obviamente Tereza ficou apaixonadinha, mas Tomas era safado e traía ela compulsivamente com qualquer mulher que encontrasse.

~Tomas safado seduzindo Tereza com literatura E QUEM É QUE RESISTIRIA, não é mesmo?~
inclusive, depois do filme que foi feito desse livro, o Kundera proibiu que fizessem filmes ou peças de teatro de seus livros; não culpo os atores, que estavam até bem okay, mas não tem como fazer um filme de um livro desses parecer coerente: é o tipo de livro que se lê, não se vê 

Uma dessas mulheres era Sabina, a amiga erótica de Tomas. Sabina é uma pintora que se separou do marido e foi viver a vida sozinha, pegando quem quisesse, quando quisesse e não se apegando a ninguém porque pessoas, elas dão trabalho e fingem demais. Sabina não suporta a ideia de viver na mentira, então é super aberta e sincera quanto a tudo e faz o que bem entende, da melhor maneira possível.

O incrível nesse livro é que se tem 2 casais: Tereza e Tomas, Sabina e Franz, e ambos são o inverso um do outro. Tereza e Franz são os "pesados", aqueles pra quem a vida é muito séria e os sentimentos são algo importantíssimo. Eles são regidos pelo coração. Já Sabina e Tomas não. Eles são a "leveza" da história, sempre seguindo em frente e fazendo seu melhor sem se preocupar muito com os outros. Mas aí que entra a questão: o que é melhor, o peso ou a leveza?

Claro que o livro não fica só nisso, mas essa é a questão central. Todos os outros pontos acabam convergindo pra essa questão de ser uma pessoa leve como uma pluma e não ter raízes ou ser uma pessoa pesada, pregada ao chão, com raízes gigantescas.

Só que Kundera não pára por aí: no meio de tudo isso tem o contexto histórico do que ele próprio viveu, da invasão da URSS à Tchecoslováquia, dos exílios, das pessoas passando necessidades, da polícia secreta bem louca e horrorosa atrás de todo mundo que pensasse diferente (não vamos esquecer que pensar era um crime pra época, como bem retratou George Orwell em 1984).

Cada vez que você lê esse livro percebe coisas diferentes e cada passagem faz a pessoa refletir sobre algo. Eu amo demais esse livro justamente por isso: não é apenas um livro, são escritos de um cara que estava usando personagens pra tentar entender o comportamento das pessoas e também registrar memórias do que havia acontecido com seu país, do que ele teve de fugir pra não ser morto, antes que acabassem todos os registros.

É lindo, lindo, lindo e vale muito a pena ser lido sempre.

Por que ele é ruim? Não tem nada de ruim nesse livro e se vocês me disserem que ele é chato por misturar filosofia, história, política e romance vou apenas lhes dizer que: esperem mais um tempo e façam uma releitura. Tem histórias que precisam ser lidas na hora certa.

Você vai gostar se... gosta de romances históricos, de livros que misturem várias coisas (filosofia, política, história de amor, tudo lindamente junto), de narrativas em que o autor pára tudo e começa um monólogo falando sobre algo que parece fora de contexto mas que está super dentro do contexto e a gente só vai entender dali a algumas páginas, de personagens humanos, que não são nem bons nem maus, mas gente como a gente ou se é fã do Kundera (feito eu).

Em um quote:
"Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser." 

~livro recebido em parceria com a editora~