House of Night - Merry meet, merry part e merry meet outra vez!

House of Night (série)
P.C. Cast e Kristin Cast
327 páginas
Novo Século
Ano de publicação: 2009 

Sobre o que é: Zoey Redbird era uma guria normal de 16 anos até que um dia um cara pálido e bizarro, cheia de marcas no rosto, chega na escola dela e a marca com o sinal da Deusa Nyx, dizendo que ela foi escolhida para ser uma novata e que agora terá de viver e estudar na House of Night (Morada da Noite) até sua transformação estar completa e ela virar uma vampira adulta. Porém, Zoey é diferente de todos os outros calouros porque sua marca de lua crescente na testa já está completa, e a deles não e ela tem toda uma vibe íntima com Nyx, que acaba a escolhendo como queridinha numa guerra de poder bem louca que está se aproximando entre vampiros.

Por que ele é bom? VAMPIROS ADOLESCENTES WICCANOS. Vampiros adolescentes que fazem rituais pra Deusa Nyx. Vampiros adolescentes que moram numa escola de vampiros e têm aulas sobre como ser vampiros. Sociedade vampírica que existe desde sempre e tá convivendo de boas com os humanos. Gente, preciso falar mais?

Não preciso, mas vou. Essa série entrou pra meu roll de séries preferidas de livros porque parece muito ruim, mas é boa demais. Geralmente, não gosto de historinhas de vampiros, essa vibe Crepúsculo de ser, mas o que a P.C. e a Kristin (que são mãe e filha, por sinal) fizeram foi misturar várias coisas da mitologia e da história, como vampiros, bruxas, paganismo e até mesmo as lendas Cherokee, um povo indígena dos EUA. Gosto muito quando a autora sai do clichê triângulo amoroso de vampiros sedutores e coloca coisas interessantes no meio - afinal, pra que ter limites na ficção?

Quando peguei o livro pra ler foi porque tinha acabado de ler Carta ao pai, do Kafka, e tava muito deprê porque Kafka era um menino cheio de trauminhas & ressentimentos. Aí resolvi que precisava ler um livro adolescente idiota pra sair daquele draaaama. Foi assim que me decidi por Marcada, o primeiro livro da série: pela capa já deu pra ver a vibe Crepúsculo dele e me atirei na leitura. Só que me deparei com uma história realmente legal. Adolescente, sim. Mas legal pra caramba. Eu, que não costumo ler romances adolescentes - porque não tenho saco pra historinhas de amor e decepções -, me surpreendi com o livro e precisei continuar a leitura. Em 2 meses, havia lido os 12 livros da série (sim, 12; sim, é coisa pra caramba; não, não acho isso necessariamente ruim).

No mundo de House of Night, os vampiros sempre existiram e convivem de boas com os humanos, porém existem duas sociedades paralelas: a humana e a vampira. Ambas sabem da existência uma da outra, mas não se metem em seus assuntos e estão lá, convivendo. Os vampiros são marcados com o sinal da lua crescente na testa aos 16 anos e, ao serem marcados, precisam ir para a Morada da Noite mais próxima para estudarem e completarem sua transformação - que pode ou não ser completada, muitas vezes o novato rejeita a transformação e acaba morrendo. Mas ele certamente vai morrer se não for morar numa Morada da Noite porque se um novato fica muito tempo longe de vampiros adultos, seu corpo rejeita a transformação e ele morre - os vampiros adultos os fortalecem estando por perto.

Aliás, os vampiros são bem diferentões e não saem por aí chupando pescoços ou necessariamente tendo de tomar sangue pra sobreviver. Vezenquando eles vão a um banco de sangue e tomam um pouco pra ficarem mais fortes, mas em geral eles comem comida normal e adoram hambúrguer e refri. Também não tem essa de "me mordeu, virei vampira". A pessoa só vira vampira se Nyx escolher e a marcar com a lua crescente na testa. É tipo um dna vampírico que se manifesta aos 16 anos - ou não.

Mas acho que a coisa mais bacana de todas é que a sociedade vampírica é matriarcal! Existe a Alta Sacerdotisa e as outras Sacerdotisas, que comandam tudo e fazem as leis. Os vampiros são apenas Guerreiros de Erebus, o consorte de Nyx. Mas quem manda são as mulheres. Isso faz com que a estrutura da sociedade seja bem diferente e muito mais legal do que qualquer outro livro vampiro por aí. Imagino que elas tenham escrito as coisas dessa forma porque se baseiam no paganismo Wicca, que tem toda uma vibe feminista maravilhosa.

Por que ele é ruim? Não é ruim, só que SÉRIE DE 12 LIVROS. Gente, pra que tanto livro? Porém, a partir do momento em que se começa a ler o primeiro, aquilo passa tão rápido que a gente anseia pelo próximo e fica até meio triste quando vê que a série acabou. São livros adolescentes e livros adolescentes a gente lê numa sentada, numa viagem de ônibus. A leitura flui que é uma maravilha.

Acho que a única coisa que achei irritante nos livros é que a Zoey fica toda hora num triângulo amoroso. Sim, eu entendo que isso é meio que regra em livros adolescentes, mas não deixa de ser menos chato. Se ela se concentrasse mais nos problemas que estavam acontecendo na Morada da Noite e no mundo vampírico e menos em rapazes bonitões, a série teria só metade dos livros que tem porque as coisas seriam solucionadas mais rapidamente. PORÉM: novamente, isso não é necessariamente ruim, é que eu sou tipo o presidente Snow quando se trata de romance:


Você vai gostar se... tinha pôsteres de Crepúsculo na parede quando era adolescente, adorava Fallen, Hush Hush, gosta de qualquer coisa com vampiros ou uma pegada sobrenatural e wiccana, cheia de rituais e paganismo. Também vai gostar se adora ver mulheres fortes mandando os caras calarem a boca e assumindo posições de comando (Aphrodite, te dedico ♥).

Em um quote:
"A escuridão nem sempre equivale ao mal, assim como nem sempre a luz traz o bem." 

Resuminho de junho


Queria muito ser uma dessas pessoas pró-ativas que se propõem a fazer coisas em prazos determinados e de fato as fazem, mas estamos aqui escrevendo sobre junho em meados de julho e com apenas duas semanas restantes de férias porque é isso o que acontece quando você é o tipo de pessoa que estabelece uma rotina apenas para poder aloprá-la constantemente.

Dito isso: saí do emprego.
Que, na verdade, era um estágio. Cujo contrato terminou. Nada muito dramático, já era esperado e tá tudo certo - afinal de contas, trabalhar em assessoria de imprensa não é tipo o sonho da vida. Foi bom porque consegui adquirir mais trinta livrinhos pra biblioteca pessoal. Foi ruim porque consegui adquirir mais dez quilos pra me impedirem de caber nas minhas roupas.

O engraçado de ter saído de lá é que o ex-chefe disse que não poderia renovar o meu contrato porque "preciso de alguém mais pronta". Eu perguntei pronta pra o quê, né. Ele disse que pronta a atender o telefone e fazer trocentas funções que não eram as minhas. Eu disse um okay, peguei as minhas coisas e fui embora, bem aliviada porque fazia 3 anos que eu não parava e tirava um tempo pra mim. 3 anos em que eu não via a minha família direito, 3 anos em que não tinha tempo pra me cuidar, 3 anos em que minhas atenções eram completamente esmigalhadas porque a rotina era acordar 5h30 da manhã, pegar o ônibus, ir trabalhar, de lá ir pra faculdade e só voltar à meia-noite, pronta pra dormir. Todos os dias.

Por uns dois dias, fiquei que nem o Tomas, de A insustentável leveza do ser, quando Tereza volta pra Praga sem avisar o cara e ele se depara com uma casa vazia em Zurique e com uma liberdade totalmente inesperada naquele momento. Isso durou bem pouco porque logo em seguida eu estava, como ele, voltando pra Praga, ou seja, indo atrás de uma nova rotina porque eu não sei descansar. EU NÃO SEI DESCANSAR. Não sei ficar parada, não sei não ter rotina, não sei ter tempo pra fazer o que eu quiser. Fazer o que eu quiser requer reflexões sobre o que diabos eu realmente quero e geralmente a resposta é um grande sei lá em neon azul-bebê piscando.

Essa coisa de ter liberdade pra se fazer o que quiser é muito angustiante porque se me deixarem fazer o que eu quero vou entrar num looping de about:blank por uns bons dias que provavelmente será substituído por outro looping de maratonas de séries e longas noites de insônia dedicadas a analisar minuciosamente tudo que já fiz de vergonhoso e errado na vida e a produzir uma lista extensa de pessoas a quem eu deveria estar pedindo desculpas - se bem que acho que o caso seria virar ermitã, fugir pras montanhas e viver tipo Sir Isaac Newton, fazendo minhas coisinhas e só vendo alguém periodicamente pra receber mantimentos.

~Nick Miller, você me entende~ 

Nessa onda de HAHAHA ADEUS, HUMANIDADE, li poucos livros porque essa coisa de não ter rotina bagunça totalmente com a minha vida. Eu sou uma pessoa que aproveita as quase 4h de viagem de ônibus diárias pra ler. O que vou fazer agora que diminuíram umas boas 2h no trajeto? Vou ler em casa, com a família sempre querendo falar comigo? Não dá. Aí fiquei bem ~agoniada~ e li apenas quatro livrinhos.

.do que li 


1. Comecei o mês terminando de ler 1984 e, gente, gostei pra caramba de como o George Orwell escreveu esse livro de forma nada pretensiosa e arrogante, sendo bem didático e sem fazer trocentos rodeios NÉ, ALDOUS HUXLEY. Mas Winston, o personagem principal, é um cara tão aaaaargh que não dá pra ter pena dele. Quer dizer, não desejo o que ele passou pra ninguém, tortura não é algo muito legal, mas digamos que ele é um anti-herói bem construído e o livro é 100% aprovado com o selo Wink Book Award

2. Aí fiz um trabalho de rádio que consistia em gravar um programa e fazer um debate, blablabla. Como tava próximo do Dia do Orgulho LGBT, agarrei o plot pra ver Amora, da Natalia Borges Polesso, e tentar conseguir uma entrevista com ela já que ela é da mesma universidade que eu e super acessível - que acabou não rolando, apesar de ela ser super atenciosa, porque Murphy me ama, Murphy me quer. Mas o livro é realmente muito bom, apesar de eu não gostar de contos de forma geral. A Natalia escreveu só historinhas de romances lésbicos e eu achei isso bem bacana. Ficou tudo muito delicado e bonito. 

3. Passei duas semanas lendo A Garota-Corvo porque a. o livro é gigantesco, tem quase 700 páginas numa diagramação com fonte pequena; b. a história é pesadíssima e as primeiras cento e poucas páginas total me fizeram passar muita raiva e reclamar no twitter. Mas no final a coisa ficou melhor e eu fiz até um sorteio do livro, vejam só! Só que: Erik Axl Sund é uma duplinha de quase véios hipsters que adotaram um nome só e resolveram polemizar escrevendo uma história sobre pedofilia feminina. Acabou que a construção ficou bacana, tem personagens incríveis, mas ainda acho que homens não deveriam escrever mulheres pedófilas porque sempre cagam de alguma forma, ponto final. 

4. Com os 20 anos de Harry Potter, total aproveitei a oportunidade pra reler a série e comecei por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban porque não lembrava de absolutamente nada do livro e, gente, que livrinho amor ♥ J. K. Rowling acertou demais no romance policial, vibe Agatha Christie, desse livro. Sirius e Lupin são maravilhosos mesmo e eu queria muito o vira-tempo da Hermione - apesar de que imagino que aquilo dê um cansaço dozinfernos porque vai uma hora, volta na mesma hora, só que escondidíssima porque ninguém pode ver a pessoa... E que horas a criatura vai dormir, me explica? 

E é isso, gente. 
Junho foi um mês tranquilo cheio de revoluções internas porque é assim que são meses de mudança de rotina: tudo parece bem, mas há algo estranho em Avalon. Porém, prosseguimos. 

Agora, licença que vou voltar pra minha mais nova obsessão: Outlander e sua 2ª temporada. 

As pessoas no ônibus, elas são o inferno

Uma das coisas que mais me deixa louca é ter de andar de ônibus. Não, eu não me importo com os sacolejos daquele trambolho, tampouco com a demora do trajeto. O que realmente me incomoda são as pessoas. 

Tô 100% nem aí se pareço misantropa - até porque é bem possível que meu grau de misantropia seja meio elevado mesmo -, mas as pessoas, elas são o inferno. Sartre estava certíssimo quando disse isso e eu não poderia contradizê-lo, mesmo não indo muito com a cara dele. 

A ceninha do pessoas e por que elas são tão escrotas de hoje se passa dentro de um ônibus lotado (como sempre). Estava eu cheirosa e cansada, saindo da faculdade quando o tão esperado ônibus finalmente aparece. ALELUIA, já tinha atrasado meia hora e eu só precisava de um canto pra ficar quietinha durante as duas horas de viagem. 

- Um canto pra ficar quietinha? - zombou o Universo. 
- Sim, um canto pra ficar quietinha - disse eu, na maior inocência. 
- Hm, veremos. 


Entrei no dito cujo. Havia apenas um lugar vago e ele tinha de ser meu, obviamente. Sentei, abri meu livrinho e comecei a fazer leitura, bem feliz da vida por ter encontrado um cantinho pra ler durante as horas até em casa. 

Então a porta do ônibus se abre. Sobe por ela uma mulher. A senhora que está ao meu lado levanta prontamente e cede lugar. Okay, achei bacana, achei respeitoso. "Por que você não fez isso então, Mia?" Olha, porque nem deu tempo de pensar em fazer e a outra já tinha feito. Desculpa, sou uma pessoa de atitudes lentas, vida que segue.

Só que aí a mulher sentou ao meu lado e no mesmo momento eu tive de me controlar fortemente pra não vomitar. Olhei pra o lado: a mulher estava imunda. Não imunda do tipo pessoa mendiga - eu jamais brincaria com isso, até porque um dos meus maiores medos é de me tornar uma dessas pessoas que ficam nas ruas porque a vida é muito difícil/horrível, então elas saem e nunca mais voltam e começam a pregar sobre o apocalipse para transeuntes incautos  -, mas sim do tipo: hoje não tava a fim de tomar banho, desculpaí.

A mulher sentou ao meu lado e eu, que estava com uma echarpe no pescoço, tive de pegar aquilo e enrolar na minha cara porque ou era isso ou era cosplay de Reagan vomitando no Padre Karras.

Aguentei a viagem toda assim, com a cara tapandinha e a mulher fedendo horrores ao meu lado. Ela, vendo aquela cena de eu com a cara tapada, não ficou muito contente e começou a resmungar e a me dar cutucões (!!!!), ao que eu apenas inspirei fundo e fiz o Buda porque chega de brigas em ônibus, Mia, você não tem mais idade pra isso, Mia.

Após muita meditação e uma concentração jamais antes vista no livro da vez, percebi que o ônibus estava esvaziando e decidi levantar pra procurar outro canto pra sentar. PRA QUÊ? Foi eu fazer isso que pessoas aleatórias começaram a me encarar feio e falar coisas como: "Meu Deus, que horrível", "Olha só isso, nem disfarça", "Não tem consideração pelos outros". Ao que eu, cansadíssima e de saco cheio, mandei um:

- QUERIDOS, BANHO EXISTE, SABIA?

Fui pra um canto e lá fiquei, encarando todo mundo feio até que baixassem a cabeça porque não sou obrigada.

Não compreendo o que leva o ser humano a ser a sua pior versão no transporte público, mas me pergunto seriamente qualé a dificuldade de fazer higiene básica. Como eu já disse várias vezes, não é difícil se portar nos transporte coletivo.

Você não precisa ser simpático.
Você não precisa ser querido.
Você não precisa ser extrovertido.
Você não precisa flertar.
Você não precisar amar filhotes de cachorro (apesar de que se você não amá-los é bem provável que eu te ache uma pessoa no mínimo estranha demais).
Mas você precisa ter HIGIENE. Especialmente se for estar num ambiente fechado com outras pessoas.

Dito isso: vão tomar no cy, vou inventar o teletransporte e parar com essa palhaçada.