9 clássicos para ler em 2018

~An Evening at Home, 1888, Sir Edward John Poynter~

Sim, eu sei que o ano já começou, sim, eu sei que já estamos quase em março, mas só agora parei pra fazer a lista dos clássicos que quero ler neste ano. Eu adoro clássicos. Acho que todo mundo que acompanha o blog há algum tempo já sabe, mas não custa reiterar: comecei a minha vida de leitora lendo clássicos (O retrato de Dorian Gray tendo sido o primeiro ♥) e me acostumei com a linguagem da época e peguei gosto por ler sobre coisas que já passaram em locais distantes. Então, por mais que hoje em dia eu leia diversos gêneros e esteja ampliando os tipos de literatura que leio, sempre tento encaixar alguns clássicos durante o ano, não só porque eles são leituras necessárias, mas também porque me fazem um bem danado. 

Esta é a minha lista para este ano: 

O morro dos ventos uivantes, da Emily Brontë
Já li esse livro duas vezes, é um dos meus favoritos da vida e um classicão especial. Minhas leituras foram em duas edições diferentes: uma daquelas coleções de clássicos antigos, capa de couro e blablabla e outra numa edição da Landmark. Este ano vou relê-lo pela edição da Zahar porque, além de ser uma outra tradução, ela tem textos de apoio (incluindo dois textos da Charlotte Brontë, irmã da Emily). Como esse é um dos meus favoritos, mesmo sendo releitura entra na lista, ainda mais com essa edição com textos de apoio nessa capa lindíssima. Também pretendo rever os filmes após a leitura; por enquanto meu favorito ainda é o de 1992, que acho que se aproximou mais da obra. 

Contos de imaginação e mistério, do Edgar Allan Poe
Esse eu estou relendo aos poucos desde o ano passado. A primeira vez que li os contos do Poe eu tinha 10 anos e certamente não deveria tê-los lido naquela época porque fiquei atormentadinha pra sempre, risos. Mas também acabei amando esse tipo de literatura, que chamo carinhosamente de trevosa com classe, e li esse livro algumas vezes, em várias edições; e agora que finalmente consegui adquirir essa edição maravilhosa da Tordesilhas - cheia de ilustrações lindíssimas -, quero lê-lo aos pouquinhos pra curtir mais o livro. 

Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf
Incrivelmente eu ainda não li esse livro. Não sei como consegui essa façanha, mas acabei iniciando minhas leituras da Virginia Woolf por outro livro (o excelente Orlando) ao invés desse, que parece ser aquele em que as pessoas se aventuram primeiro ao ler os escritos da Virginia. Mas este ano o lerei porque, além da vontade que tenho em descobrir por que esse livro é tão incrível quanto as pessoas dizem que ele é, ele também faz parte do desafio que estou participando do Livrada (na categoria um livro experimental), então vamo que vamo! 

Rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda, do Howard Pyle
Faz alguns anos que eu sou completamente obcecada pela lenda do rei Arthur, tanto que tenho uma coleção com vinte livros sobre ele. Adoro todas as versões da lenda e sempre que vejo algo sobre vou correndo ler/assistir. Essa edição da Zahar, com textos de apoio, tá na minha wishlist há muito tempo e FINALMENTE vou conseguir lê-la este ano! \o/ Na verdade, já comecei, mas tô bem no início ainda - e já amando muito. O livro conta as aventuras do rei e de seus cavaleiros, tem uma vibe bem medieval e diferente de outras coisas que já li, como As brumas de Avalon, mas as personagens são as mesmas e as enrascadas em que se metem também. Espero finalizar a leitura no início do mês que vem. 

Doutor Fausto, do Thomas Mann
Faz mais de ano que tô protelando pra ler esse livro. Não porque eu não ache que vá ser bom, mas acontece que tive duas experiências com o Thomas Mann: uma com A montanha mágica, que foi incrível e virou um dos meus livros preferidos da vida, e outra com A morte em Veneza, que odiei com todas as minhas forças, tanto que nem coloquei na lista de livros lidos no ano passado tamanho o ódio que agarrei daquilo. Aí que tenho medo de pegar um calhamaço desses e me decepcionar, apesar de achar que vou gostar bastante porque tem toda aquela vibe de pacto fáustico, e já me preparei pra leitura dele lendo o Fausto do Goethe, então sei que vou entender as referências. Mas vamos ver. Vou tentar ao menos iniciar a leitura ainda este ano, até porque ele também faz parte do desafio Livrada, na categoria um livro sobre música, mas não prometo nada. 

Os miseráveis, do Victor Hugo
Quando a Companhia das Letras anunciou que ia lançar esse livro, fiquei bem louca querendo, mas caro demais e não estava sendo possível. Aí, na black friday do ano passado, nem ia comprar nada, mas abri o site despretensiosamente e ele estava por trinta pilas. TRINTA!!!! Sendo que é um box lindíssimo com dois volumes e naquela qualidade que a gente sabe que a Companhia tem. Tive de comprá-lo. Mas ainda não tive coragem de iniciar a leitura, afinal o troço é gigantesco, tem mais de mil páginas e dá medo, sim, apesar de saber que total vou gostar. Mas também é aquilo: a gente lê trocentos YAs durante o ano, cada um com umas 300, 400 páginas... dá pra ler um classicão de mil e poucas, claro. O segredo é começar e depois só vai. 

O corcunda de Notre Dame, do Victor Hugo
Outro dele, fazer o quê. Nunca havia me interessado pela história, sequer havia visto a animação durante a infância. Aí um dia, numa visita à livraria, vi essa edição bonitosa da Zahar com textos de apoio (midesculpem a repetição, mas eu amo textos de apoio, contexto histórico e blablabla porque acredito que não dá pra entender REALMENTE uma obra sem entender todo o contexto em que ela foi escrita). Abri pra ver qualé que era e li a primeira página. Já na primeira página fui completamente fisgada e agora preciso desse livro na minha vida. Tenho certeza de que será uma leitura maravilhosa e mal posso esperar para começá-lo. 

Razão e sensibilidade, da Jane Austen
Já li quase todos os livros da Jane, menos esse e Emma e amo demais a escrita dela e as críticas afiadas que ela fazia à sociedade da época. Aí que dia desses estava num sebo trocando uns livrinhos e, durante a procura por livros para trocar, encontrei uma edição novíssima desse e obviamente a trouxe pra casa. Ainda não iniciei a leitura, mas esse é um daqueles casos em que sei que vou amar o livro. Pretendo lê-lo durante as aulas pra poder desanuviar a cabeça um pouco dos estudos, já que a escrita da Jane Austen é sempre muito gostosa e envolvente. 

O conde de Monte Cristo, do Alexandre Dumas
Outro calhamação pra ler. Esse livro faz parte da minha vida há muito tempo. Quando criança, li uma versão dele para jovens e amei demais. Vi o filme e fiquei mais apaixonada ainda. Só que eu não sabia que o livro original não era aquele que eu havia lido e que, na verdade, o clássico mesmo é gigantesco. Então me propus a, assim que pudesse, lê-lo na íntegra. Aparentemente vou conseguir isso este ano - e nessa edição lindíssima com, novamente, textos de apoio!!!! Estou bem empolgada e tenho certeza de que se tornará um dos meus livros favoritos. 

Ufa, é isso! 
E não, não estou entrando em desespero porque dá pra ler tudo isso, sim. Basta pensar que até agora já li dez livros este ano. Então, se eu continuar com meu ritmo de leitura, dá pra ler esses clássicos tranquilamente. Vamo que vamo que vai dar certo! o/ 

Almanova

Almanova
Jodi Meadows
288 páginas
Trilogia Incarnate #1
Valentina
Ano de publicação: 2013 

Sobre o que é: Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhões de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu... e ninguém sabe por quê. Criada longe de tudo, isolada por sua mãe desde o nascimento, Ana pensa que é uma sem-alma, um erro, até um dia em que toma coragem e sai de sua casa para ir até Heart, a cidade misteriosa onde todos os habitantes moram há cinco mil anos. É ali que ela descobre as verdades sobre ela e sobre aquele povo. 

Por que ele é bom? Eu queria ler esse livro há anos - ANOS! -, mas alguma coisa sempre acontecia quando eu estava prestes a ler o bendito e aí acabei não lendo. Até que mexendo no kindle unlimited achei ele e, num sábado de tédio porque aparentemente todo mundo à minha volta resolveu ficar doente e eu não tinha nada pra fazer a não ser terminar um outro livro - que já está quase no fim, mas que ranço -, decidi que por que não e comecei a leitura. 

Que bela decisão foi essa, hein. Não consegui largar do livro até saber o que ia acontecer. Li em um dia porque é simplesmente demais: a escrita da Jodi é maravilhosa e a história é surpreendente. 

Acho que todo mundo que acredita em reencarnação já parou pra se perguntar por que ninguém lembra de nada de outras vidas. Cada religião diz algo sobre isso: que não evoluiríamos se lembrássemos, que não estamos preparados para lembrar, que isso é irrelevante porque o que importa é o presente... Mas o fato é que ninguém lembra de nada, nem sabe como ou por que as coisas são do jeito que são. Não sei se foi essa linha de pensamento ou a frustração com as respostas prontas que temos disponíveis que levou a Jodi a ir além e imaginar a sociedade de Range. Só sei que, seja lá o que tenha sido, funcionou muito bem. 

Todo mundo lá é reencarnado e LEMBRA das suas encarnações anteriores. O quão bizarro é isso? De início parece maravilhoso, mas conforme o tempo vai passando a gente percebe que essa configuração é bem complicada e não muito proveitosa porque numa sociedade em que todo mundo se conhece e faz as mesmas coisas há cinco mil anos, o novo não tem espaço e as coisas são fixas. Apesar de possuírem alta tecnologia, o povo de Heart é bem fechado e estranho. Amei que a Jodi tenha construído a história dessa forma porque acho que ela está certíssima e seria uma furada mesmo se todos lembrássemos de encarnações anteriores.

Cada respiração minha deveria ter pertencido a alguém que todos conheciam havia cinco mil anos. A culpa era esmagadora.

A única pessoa que questiona alguma coisa ali é Ana. A sociedade é tão fechada que, além de não a aceitarem, não questionam nada e acham super normal só eles reencarnarem entre si e haver um templo gigante branco que tem pulsação e está sempre brilhando no meio da cidade. Ana acha tudo muito bizarro e vai pesquisar as coisas, e só por isso ela já ganharia vários pontos - mas acontece que ela também é super querida e condizente com sua idade. Apenas 18 aninhos e já mudando as coisas, adorei. 

Quanto aos outros personagens, o que mais se destaca é o Sam, um rapaz de 18 anos, mas com cabeça de cinco mil, que salva a Ana no início da história e cria uma amizade com ela. Ele é esquisitinho também porque cinco mil anos de diários, mas é querido, apesar de ter uns tormentos meio Edward Cullen. 

Seja como for, vale a pena a leitura mesmo que a pessoa não esteja interessada no plot de reencarnações conscientes (Doctor Who feelings). É um livro de fantasia, afinal de contas, com dragões, sílfides, trolls, coisas bizarras e uma mocinha salvando o dia. Perfeito pra todo mundo. :) 

Por que ele é ruim? Olha, não é. Dei 4 estrelinhas e meia e só não favoritei porque não tocou meu coração (risos), mas amei demais. Obviamente que tem uma historinha de amor no meio e eu sempre vou reclamar de historinhas de amor porque sou o Coração Gelado, mas não é nada meloso a ponto de me fazer revirar os olhos, então tá okay. 

Você vai gostar se... quer ler uma boa fantasia com protagonista feminina e um plot diferente do clichê jovem nasce com poderes e se torna um grande mago que mata todo mundo

Em um quote:

"As pessoas de Heart tinham sido... como eram... por cinco mil anos. Eles conheciam uns aos outros, e podiam mais ou menos predizer o que todos fariam em determinadas situações. Mas eu era algo novo. Desconhecido. Ficara escondida durante dezoito anos, e eles não tinham tido tempo de pensar em mim, mas agora eu voltara, cheia de ideias e opiniões próprias.
O que eu faria?"

Como restaurar um livro de forma correta

Há alguns anos fiz um curso de Biblioteconomia. Nesse curso, dentre as trocentas coisas aprendidas, a gente teve três módulos de restauração e conservação de livros. Só que, como meus livros são todos muito bem conservados e bonitinhos, acabei nunca colocando em prática as aulas em casa. Até agora. 


Então lá fui eu ao sebo trocar uns livros. Esse é um dos meus programas favoritos e algo que gostaria de fazer bem mais, mas acontece que aparentemente já me livrei de todos os livros que não queria mais na minha estante, então por enquanto não haverá mais trocas de livros num futuro próximo. Enfim. O fato é que nessa ida ao sebo encontrei um exemplar de um livro que se trata de uma das minhas pequenas obsessões: a lenda do rei Arthur. O livro em questão é A Caverna de Cristal, primeiro volume da Trilogia de Merlin, e eu posso ou não ter dado uns pulinhos ao vê-lo. Obviamente que o trouxe pra casa. Só tinha um problema: a capa dele caiu assim que o abri pra ler. 


Aparentemente uma pessoa cheia de boa vontade, mas sem a menor noção de como, foi lá e passou uma cola do inferno em cima da cola normal do livro (a que já vem da gráfica) e colou mal colado, tanto que bastou um só manuseio pra capa cair de vez, coitada. 

Aí me indignei demais e agradeci por ter feito esse curso - que não me serviu pra absolutamente nada, mas adquiri uns conhecimentos bem bacanas - e saber o que fazer com o livrinho em questão e resolvi não apenas restaurá-lo, mas fazer um post pra que as pessoas possam fazer a coisa certa e não destruir ainda mais seus livrinhos. 

Então, vamos lá.


Os materiais necessários são facílimos: sua capa caída, seu livro, um pincel médio e cola branca. O ideal, na verdade, é usar dois tipos de cola: CMC (facilmente encontrada em lojas de artesanato) e a cola branca normal que se usa na escola. Como eu não tinha CMC e era feriado, ou seja, sem jeito de arranjar, me virei com a branca mesmo, mas a misturinha da CMC com a branca é o ideal por responder melhor ao papel, fazendo com que a colagem se ajuste melhor às fibras do papel e não danificando tanto caso seja necessário refazer o conserto algum dia. 

Falando em refazer conserto, não se assuste: é bem improvável que isso aconteça caso você faça tudo certinho. E uma das coisas que PRECISAM ser feitas de forma correta é a remoção de toda a cola que houver na capa e na lombada do livro. Presta atenção:

~arrancando as colas a unha~

Nas aulas a gente costumava usar um bisturi pra tirar as colas dos livros, mas não é como se todo mundo tivesse um bisturi ou um kit de restauração de livros em casa. Então arrancar na unha mesmo tá valendo, mas é preciso ter todo o cuidado nessa etapa pra não acabar rasgando o papel (e tendo de comprar papel japonês depois pra tapar o rombo e não estragar mais ainda o livro). Essa é a etapa mais demorada, mas deve ser feita com atenção porque sem ela a nova cola que você colocará para fixar a capa novamente não pegará. REPITO: NÃO PEGARÁ.

~tirando as colas malditas com todo o cuidado numa tarde de feriado~

Colas retiradas de toda a lombada e da capa, é hora de fazer sua misturinha. Como já disse, o ideal é CMC + cola branca, mas eu fiz apenas com cola branca mesmo e ela serve também, apesar de não ser a mais adequada. 

Essa é a hora mais legal: a de aplicar a cola no livro. Passe o suficiente - mas não seja pão duro, pelamor - apenas na lombada. Espalhe bem com o pincel e posicione sem demora o miolo do livro na capa, na posição correta. NÃO VÃO ENTORTAR AS CAPAS. É bacana pedir pra alguém auxiliar nessa hora pra não ficar torto, porque se ficar torto é uma desgraça depois pra repetir todo o processo de novo.


Depois de encaixar direitinho o miolo na capa, é hora de prensar. Obviamente que a maior parte das pessoas não têm uma prensa pra livros em casa, mas não há problemas: qualquer lugar que faça com que o livro fique fixo e firme naquela posição, para aderir a cola e a secagem ser completamente realizada, já basta. Eu, por exemplo, usei como prensa uma parte da estante em que há uma pilha de livros cá e outra lá. Como são pesados, eles deram o suporte necessário pra que a colagem permanecesse pressionada e imóvel durante o processo de secagem. 

A posição é simples: coloque a lombada (a parte que você colou) virada pra baixo e pressione os lados com objetos pesados, para que a colagem não desloque. Deixe secar por um dia inteiro sem mexer.


Um dia depois... e aí está o livro prontinho, seco, bonito e firme. É bem simples, basta ter paciência e um pouquinho de boa vontade. Parece chato de fazer, mas é melhor do que perder capas de livros por aí. 


É isso, pessoal.
Agora licença que vou aproveitar pra ler esse livro.