Dates ruins ou como atraio gente bizarra

Dia desses estava rolando no tuíter uma hashtag falando de #datesruins. Eu olhava pra aquilo e ria porque tinha um pessoal compartilhando umas coisas bizarras demais. Mas aí lembrei que justamente por conta dessa bizarrice toda - que, aparentemente, na vida das pessoas normais acontece apenas de vez em quando, ao contrário da minha, em que ocorre algo estranho praticamente todos os dias, o que honestamente me faz pensar se não sou alguma personagem de sitcom - é que eu tenho um blog. Então nem entrei na onda da hashtag e salvei a ideia pra escrever aqui mesmo, falando de um date muito ruim ou como eu atraio gente bizarra. 


O golfinho 

O título total poderia servir pra falar de uma outra entidade que eu chamo de golfinho-saltitante, mas essa história não tem nada a ver com date (graçasadeusa) e eu vou contar outro dia. Mas antes do golfinho-saltitante, essa criatura dozinfernos, aparecer na minha existência, houve um outro golfinho. Ele parecia um cara normal. Um pouco nervoso pra o meu gosto e com cabelo arrepiado em excesso (jamais entenderei a moda do cabelo arrepiado, fica todo mundo parecendo uma versão menos estilosa do Super-Shock, mas enfim). A gente tava saindo há uma semana porque honestamente eu não tinha nada melhor pra fazer e ele estava ali aparentemente todo querendo minha companhia. (Não me arrependo, mas não faria novamente.) 

O fato é que depois de três dias eu já havia enjoado do guri. Okay, eu tenho um histórico de enjoar de pessoas rapidamente porque pessoas cansam demais, mas dessa vez eu realmente me superei. Só que, como já disse, não tinha nada melhor pra fazer m e s m o. Então na sexta eu estava indo pra minha aula quando ele apareceu e se grudou em mim na faculdade. Ainda faltava um tempinho pra aula, então fiquei ali, sentada num banco, com ele do meu lado falando abobrinhas tamanhas que honestamente eu nem lembro. Eu estava quase indo embora de puro tédio quando, em certo momento, ele virou bruscamente pra mim, pegou na minha mão e começou a falar como um golfinho. 

Eu repito: ELE COMEÇOU A FALAR COMO UM GOLFINHO. 


E ISSO DUROU 10 MINUTOS. 

EU CRONOMETREI. 

No primeiro minuto eu achei curioso e bizarro. Depois apenas permaneci pra ver até onde aquilo iria. Ele imitava perfeitamente um golfinho e tentava me beijar no processo. Vocês já viram um cara imitando um golfinho com o corpo inteiro? E tentando beijar alguém ao mesmo tempo? Pois é, não recomendo. É a visão do inferno. 


Quando ele finalmente parou, disse: "Eu prometi a mim mesmo que ia te conquistar imitando um golfinho". 


Por que diabos alguém faz uma promessa dessas, eu jamais entenderei. Mas a história foi tão absurda que virou parte de uma reportagem pra uma rádio daqui sobre dates ruins. VEJAM SÓ COMO SÃO AS COISAS. Obviamente nem é preciso dizer que nunca mais vi o rapaz porque eu posso ser maluca, mas ainda não cheguei a esse ponto. 

P.S.: eu realmente tenho medo de golfinhos. Eles são criaturas malignas que fazem estupro coletivo em outras espécies e até mesmo na própria, e se divertem com isso (sério, já foi comprovado que eles fazem isso POR PRAZER e domínio, é apavorante). Golfinhos são do mal e eu quase tive um ataque com aquele cara imitando um pra me conquistar. Deus me livre dessa gente estranha.

Por hoje é só porque deu de bizarrice pra um só dia, né. 

Não vai acontecer aqui

Não vai acontecer aqui
Sinclair Lewis
406 páginas
Alfaguara
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: lá nos Estados Unidos dos anos 30 um cara fascista, racista, antissemita, misógino, mas com uma baita campanha de marketing se candidata à presidência e acaba ganhando. Só que, nessa de se candidatar, ganhar e exercer o poder, tem muita gente que não acredita que ele permaneceria muito tempo no comando, afinal "isso não pode acontecer aqui na América, nós somos muito civilizados pra esse tipo de coisa". Uma dessas pessoas é o jornalista, editor de um jornal em uma cidadezinha, Doremus Jessup. A gente acompanha a descrença dele o tempo todo, mesmo perante as maiores atrocidades cometida por esse governo ditador, até que certos fatos obrigam Jessup a agir. 

Por que ele é bom? Eu vou falar a mesma coisa aqui que falei na resenha de Admirável mundo novo: ele é bom, mas não parece. Digo isso porque as primeiras cem páginas são extremamente chatas, cheias de descrições de comícios eleitorais e gente completamente sem noção alguma de como se faz política falando bobagens e apoiando Buzz Windrip, esse candidato horroroso à presidência. 

Mas continue firme, porque o livro melhora. Muito. 

Não vai acontecer aqui é um desses livros que estavam completamente esquecidos, mas do qual o povo começou a lembrar com essa onda de direita que tem tomado conta do mundo, mais especificamente dos Estados Unidos com o Trump no poder do país. Há quem diga que esse é um livro profético porque o candidato que ganha as eleições, o Buzz, é basicamente um Trump dos anos 30. O discurso de fazer a América grande novamente é bem parecido, assim como os valores e as medidas tomadas (e a burrice, pra não mencionar a grande burrice que ambos têm, mas enfim). Eu entendo por que as pessoas fizeram esse paralelo, mas realmente acho que não é o caso. Infelizmente, desde que a gente tem um sistema mais ou menos livre, sempre há épocas em que a extrema-direita toma conta porque o povo novamente esquece o quão terrível isso pode ser. Mas ideologias políticas à parte, vamos falar do livro. 

A história, ao contrário do que muitos dizem, não é a da ascensão e queda do Buzz Windrip nem como um presidente falastrão e fascista conseguiu ganhar nos EUA. Não, nada disso. Claro que há tudo isso no plano de fundo, mas a história mesmo é a de Doremus Jessup e como gente normal e relativamente esclarecida consegue viver em uma ditadura. 

Já digo: não é fácil. 

Doremus se ferra loucamente, mas não mais do que milhares de outras pessoas no livro. Nisso ele é bem parecido com 1984, que mostra como um homem comum sobrevive nessas condições. 

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Como o Doremus é jornalista, uma questão bastante abordada no livro é a censura que a imprensa sofre. Aliás, nem é mais censura porque o governo simplesmente virou DONO de todos os jornais, de todas as prensas, de todo o maquinário e manda pra o campo de concentração (sim, campo de concentração) o jornalista que se recusar a fazer o que eles querem. Não é porque eu estudo Jornalismo, mas isso é forte demais e obviamente me lembra a nossa própria ditadura aqui. Mas creio que isso não é diferente em ditadura alguma: governos totalitários sempre usam de medidas drásticas pra conseguirem o que querem, não importa o quê, e a mídia, por mais corrupta que possa ser, é um baita veículo - e eles precisam comandá-la se quiserem permanecer no poder. 

Mas o que realmente tem destaque pra mim no livro - e certamente é uma coisa que eu não esperava - é a atuação das mulheres contra esse governo horroroso do Windrip. Mulheres espiãs, mulheres que se unem a organizações secretas, mulheres que estão dispostas a ser estupradas (!) pra conseguir alguma informação. Não vou citar nomes pra não dar spoilers, mas não tem um monte delas no livro e são maravilhosas demais. Jamais esperaria que um cara daquela época teria escrito personagens femininas tão fortes e decididas quanto essas. Ponto pra você, Sinclair! 

"Mas, de qualquer jeito, filhos a gente não vai ter. Ah, claro que gosto de crianças! Queria ter uma dúzia desses diabinhos por perto. Mas se as pessoas foram moles a ponto de entregar o mundo de bandeja pras múmias empavonadas e pros ditadores, melhor não esperar uma uma mulher decente traga filhos pra esse manicômio! Ah, quanto mais a pessoa gosta mesmo de crianças, menos vai querer que nasçam, daqui pra frente!" 


É muito interessante também ver como várias personagens são gente boa, gente como a gente, e conseguem mesmo assim apoiar um governo desses realmente na esperança de que as coisas vão melhorar. Não é diferente da vida real, onde a gente encontra pessoas dentro da nossa própria família que são pessoas bacanas, mas que pra política são ingênuas a ponto de apoiar esses extremismos que só tiram os direitos dos outros e ferram com a vida dos mais pobres. O livro é bem realista nesse quesito. (E é meio triste perceber que esse livro foi escrito em 1935, mas que as coisas não mudaram tanto assim.) 

Por que ele é ruim? Sabe quando alguém tem uma ideia muito boa, mas não sabe exatamente como colocá-la em prática? Então, com o Sinclair Lewis foi mais ou menos isso. Ou talvez eu ache isso porque li o livro em 2017 e não sou acostumada com a literatura dos Estados Unidos de 1935, que era toda cheia de descrições intermináveis sem sentido algum. Pra mim, o problema do Sinclair é o mesmo problema que eu tenho com os livros do Stephen King: ambos demoram demais pra criar o ambiente pra só então começar a história. Eu demorei 16 dias pra lê-lo. E, sim, 16 dias pra mim é um tempo imenso. Em 16 dias eu leio uns 3 livros. Mas esse me tomou mais atenção na leitura (e eu também estava toda atrapalhada com o final de semestre, então vamos colocar isso na equação). 

Mas é aquilo: persistindo, o livro fica bom de verdade. É só ter um pouco de paciência com uma narrativa mais antiga e política, com a qual não estamos acostumados. 

Você vai gostar se... é chegado numa distopia, está curioso pra saber que diabos esse livro tem a ver com o que está acontecendo hoje em dia, gosta de ler histórias com temas políticos ou só quer ler mais um cara que venceu o Nobel de Literatura. 

Em um quote: 

Ele receava que a luta mundial do momento não fosse do comunismo contra o fascismo, mas da tolerância contra a intolerância. 

 ~livro recebido em parceria com a editora~

O temido e horroroso final de semestre

Ele chegou e na última semana só me fez ter literalmente dores de cabeça que não passam. Não, elas não passam. Nem com paracetamol. Nem com ibuprofeno. Nem com neosaldina. Um pessoal já me falou que é tudo psicológico, mas honestamente eu acho isso até um insulto porque é como se a pessoa me dissesse que "uau, você só sabe se autossabotar". O que é bem a minha cara, na verdade, e provavelmente quem disse isso está certíssimo, mas pulemos o assunto. 

As últimas semanas têm sido o inferno. Além do final de semestre, do stress pelos trabalhos mil e do calor infernal que tem feito, decidi parar de tomar o remédio que estava supostamente regulando meus hormônios, e agora estamos aqui, com muita mais raiva do que o normal e querendo que todo o universo exploda num caos feito de antimatéria. 

Bem alegre, como podemos perceber. 

Mas okay, porque eu pensava: "hm, as férias estão chegando, mais três semanas e eu vou poder descansar". Porém essa semana tive uns dias sem aula e consegui maratonar 3 séries, ler um livro, organizar minha estante e me dei conta de que bateu um vazio porque eu sou essa pessoa agitada e vou fazer tudo o que tiver pra ser feito em uma semana e ficar me lamentando pelo resto dos três meses de férias, querendo logo a rotina da faculdade de volta, mesmo sabendo que isso é horrível e causa altas crises de ansiedade. 

~Janet chorandinho sem saber como porque não tem sentimentos é a minha única vibe possível~

Preciso arranjar algum projeto que me mantenha ocupada nas férias ou senão vou pirar e virar, sei lá, serial killer porque só falta um comentário babaca pra eu sair por aí matando pessoas com uma machadinha. 

Esse projeto deveria ser o de emagrecer pra poder caber nas minhas roupas novamente, porém eu consegui uma bela lesão no joelho que a recém está se recuperando e não posso forçar muito. Claro que vou retomar o projeto, mas não vou poder fazer aquela intensidade de que preciso pra me sentir bem, que é tirar 2h da manhã pra correr por aí. Não dá mais. Então vou ter de colocar toda essa energia reprimida em alguma coisa porque ficar parada vendo série, filmes e lendo livros não vai durar nem um mês (porque vou acabar com todo o catálogo antes, cês vão ver). 

A vida da pessoa intensa é deveras muito difícil. Não há moderação que me segure. 

Socorro.